sexta-feira, 27 de março de 2015

OS ENSINAMENTOS DE KRISNA SOBRE YOGA E MEDITAÇÃO - Sri NANDANANDANA


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Os Ensinamentos de Krishna sobre Yoga e Meditação

Uma apresentação abrangente dos ensinamentos de Krishna sobre yoga e meditação com abundantes referências escriturais.

Quando o tópico é yoga e meditação, muitas pessoas pensam que o sistema de yoga místico se destina a meditar no aspecto impessoal de Deus. E, em sua maior parte, o sistema de ashtanga-yoga e outros sistemas similares explicam os meios para isso. Contudo, isso pode ser mais difícil de ser praticado do que muitos acreditam. Meditação significa concentrar sua atenção em algo específico, ou um objeto particular de adoração. Meditar no nada, ou no vazio, ou em algo que é nirguna, sem qualidades, não é muito fácil. O Senhor Krishna diz: “Aqueles que adoram completamente o imanifesto, aquilo além da percepção dos sentidos, o onipresente, o inconcebível, o fixo e imóvel – a concepção impessoal da Verdade Absoluta – controlando os vários sentidos e sendo equânime para com todos; tais indivíduos, ocupados no bem-estar de todos, por fim Me alcançam. Para aqueles cujas mentes estão apegadas ao imanifesto, o aspecto impessoal do Supremo, o avanço é muito laborioso. Progredir nessa disciplina é sempre difícil para aqueles que estão corporificados. Contudo, para aqueles que Me adoram, abandonando todas as atividades para Mim e devotando-se a Mim sem desvio, ocupados em serviço devocional e sempre meditando em Mim, que fixaram a mente em Mim – para eles, sou o pronto salvador do oceano de nascimentos e mortes”. (Bhagavad-gita 12.3-7)
Aqui, o Senhor Krishna explica a dificuldade em progredir espiritualmente no caminho impersonalista, mas, se alguém é sincero, continuará e, um dia, irá além do Brahman, chegando ao ponto de compreender o Ser Supremo, momento no qual seu progresso espiritual será mais efetivo.
Muitos instrutores sugerem que o Brahman, ou o nível nirguna de perfeição, é o nível máximo de entendimento, e que recebermos uma forma de Deus para meditarmos é apenas para quem está excessivamente apegado ao mundo mayíco de formas. Ou se destina a pessoas que querem um sistema mais fácil para usarem a capacidade de pensar da mente porque, como eles dizem, é mais fácil para a mente pensar em um objeto de algum tipo. Todavia, como se explica no Srimad-Bhagavatam (3.32.26), somente a Personalidade Suprema é o conhecimento transcendental completo, que aparece de maneiras diferentes de acordo com os diferentes processos adotados para conhecê-lO. Assim, pode aparecer como o Brahman impessoal; o Paramatma localizado, ou a Superalma no coração de todos os seres vivos, ou como a Suprema Personalidade de Deus, Bhagavan, a mais elevada de todas as encarnações do Senhor.
Krishna explica também que Ele é a base do Brahman impessoal, que é a posição constitucional da felicidade última, e que é imortal, imperecível e eterna. (Bhagavad-gita 14.27) Assim, a plataforma Brahman, ou espiritual, é a base da imortalidade, mas a fundação do Brahman é, na verdade, o Senhor Krishna – existe por causa dEle e emana dEle. É dito ainda que o Brahman são os raios corpóreos do Senhor, que se compõem de inumeráveis partículas espirituais, as almas jivas que estão flutuando na grande luz branca impessoal do Brahman, conhecida como brahmajyoti.
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Krishna diz a Arjuna no Bhagavad-gita que Ele é a base do Brahman.
A necessidade de entender a Verdade por trás do Brahman e como percebê-la é algo resumido na Katha Upanishad (2.3.8-11): “Além do brahmajyoti [o Brahman nirguna, ou amorfo, do monismo], há o grande Purusha, isto é, Purushottama, Deus, que é onipresente [como o brahmajyoti) e, embora destituído de quaisquer atributos empíricos, é sac-chid-ananda, a corporificação transcendental. Quem compreende esse purushottama-tattva finalmente se liberta. Obtendo um corpo espiritual, ele presta serviço eterno a Purushottama. A transcendental Personalidade de Deus está acima da jurisdição da visão encoberta. Ninguém pode contemplá-lO com os olhos físicos. Ele, no entanto, pode ser percebido através de uma mente pura, transparente e absorta em sabedora intuitiva nascida de práticas devocionais puras no âmago de seu abundante coração – aqueles que realmente tiveram esse visão lograram derradeira beatitude. Quando os cinco órgãos de aquisição de conhecimento, juntos da mente, são integrados e retirados da percepção sensorial e do desfrute, e o intelecto não busca seus objetos externos, senão que se concentra em cultivar devoção a Deus, esse estado se chama o estado mais elevado, ou paragati, que consiste em perceber a alma dentro de si. Esse estado de controlar os sentidos mediante retirar os mesmos do mundo externo e direcioná-los em um canal apropriado de cultivo de devoção pura a Deus é conhecido como o yoga real. Quando o yogi se torna bastante livre de todas as variedades de mente e quando o yoga conduz a esse caminho real de devoção, ele destrói a ignorância [a causa da escuridão]”.
Como mencionado, o Senhor é conhecido em três aspectos, a saber, o Brahman impessoal; a Superalma localizada, ou Paramatma, e, por fim, Bhagavan, a Personalidade Suprema. A pessoa pode começar com um aspecto, como o Brahman. Contudo, sábios esclarecidos afirmam que, a menos que o sujeito conheça pela experiência direta os três aspectos, seu conhecimento acerca de Deus está incompleto. Assim, o processo e o propósito da meditação e do yoga têm que ser corretamente compreendidos. Então, se Krishna é a Verdade Absoluta e, portanto, a autoridade última em yoga, conheçamos o que Ele tem a dizer sobre isso.

As Instruções do Senhor Krishna sobre Yoga

O Senhor Krishna certamente fornece instruções para esse processo. O Senhor Krishna começa explicando que o processo de yoga requer o aquietamento da mente. A pessoa tem que ir além da mente a fim de alcançar a percepção espiritual. Se o sujeito é capaz de controlar a mente, ele pode chegar ao nível de perceber o eu superior. Porém, se a mente é descontrolada, ela se torna inimiga de quem tem a esperança de fazer semelhante progresso.
O Senhor Krishna explica: “Quem é desapegado dos frutos de seu trabalho e que trabalha como é obrigado na ordem de vida renunciada é um místico de verdade, e não quem não acende nenhum fogo nem realiza tarefa alguma. O que se chama renúncia é o mesmo que yoga, ou conexão de si com o Supremo, pois ninguém pode ser um yogi a menos que renuncie o desejo por gratificação sensorial. Para quem é neófito no sistema óctuplo de yoga, é dito que o trabalho é o meio, e para quem já alcançou o yoga, a cessão de todas as atividades materiais é considerada o meio. É dito que uma pessoa alcançou o yoga quando, tendo renunciado todos os desejos materiais, ela nem age para a gratificação dos sentidos nem se ocupa em atividades fruitivas. Através de sua mente, o homem deve se elevar, e não se degradar. A mente é amiga da alma condicionada, bem como sua inimiga. Para quem a conquistou, a mente é a melhor amiga, mas, para quem não foi capaz de o fazer, sua mente continuará sendo sua pior inimiga. Aquele que conquistou a mente já alcançou a Superalma, pois logrou tranquilidade. Para semelhante sujeito, felicidade e aflição, calor e frio, honra e desonra são todos iguais. Uma pessoa é tida como estabelecida em autorrealização e se chama yogi, ou místico, quando está completamente satisfeita em virtude do conhecimento e da perfeição alcançados. Semelhante pessoa está situada na transcendência e é autocontrolada. Ela vê tudo – quer seixos, quer pedras, quer ouro – como iguais. São tidos como ainda mais avançados aqueles que consideram todos com mente equânime – os benquerentes honestos, os amigos e inimigos, os invejosos, os piedosos, os pecadores e aqueles que são indiferentes e imparciais”. (Bhagavad-gita 6.1-9)
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Yogi vendo a Superalma dentro do coração.
Krishna começa a descrever as preliminares do processo dizendo que “a pessoa tem que se recolher de todos os objetos sensoriais externos, manter os olhos e a visão concentrados entre as duas sobrancelhas e reter dentro das narinas os ares que entram e que saem. Controlando a mente, os sentidos e a inteligência dessa maneira, o transcendentalista se livra do desejo, do medo e da ira. Quem está sempre nesse estado é certamente liberto”. (Bhagavad-gita 5.27-28)
A descrição acima é de como é necessário suspender a respiração, o que é obviamente mais difícil do que muitos imaginam. A respiração em si é considerada o último obstáculo da meditação. Assim como é no intervalo entre pensamentos o lugar onde o sujeito está livre da mente, e é a porta para entrar na percepção espiritual, o mesmo pode ser dito sobre o intervalo entre as respirações. Em última instância, portanto, a respiração tem de ser suspensa a fim de que se entre no estado mais profundo de meditação. Isso não é fácil, de modo que temos que trabalhar com isso da melhor maneira que possamos.
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Famoso vaishnava Krishnamacharya, instrutor de Pattabhi Jois, ensinando pranayama.
Ademais, em preparação para praticar essa forma de yoga, Krishna explica que “a pessoa deve sempre tentar viver sozinha, em um lugar afastado, controlar a mente e concentrar-se no Eu Supremo. A pessoa também deve permanecer livre de desejos e senso de posse. Deve, então, estender sobre o chão grama kusha, cobri-la com pele de veado [o que ajuda a afastar cobras, o que era importante uma vez que os yogis frequentemente residiam na floresta nos tempos deste ensinamento] e um tecido macio. O yogi, então, deve se sentar firmemente sobre esse assento e praticar yoga mediante o controle dos sentidos e da mente e fixando-a em um só ponto. Em seguida, mantendo seu corpo, pescoço e cabeça alinhados e olhando para a ponta do nariz [com os olhos abertos, mas sem foco e semicerrados]. Assim, com a mente livre de agitação, de medo e de quaisquer desejos sexuais, a pessoa deve meditar em Mim dentro do coração e fazer de Mim a meta última da vida. Por meio de tal prática de controle do corpo, da mente e dos sentidos, e por meio da cessação da existência material, o yogi místico alcança o reino de Deus. Contudo, não há possibilidade de alguém se tornar um yogi se come em demasia ou se não come o suficiente, ou se dorme demais ou menos do que o bastante. Deve-se ser moderado no que diz respeito a comer, dormir, trabalhar e divertir-se a fim de que se possam reduzir todas as dores materiais mediante a prática de yoga. Somente por meio de tal prática, quando o sujeito disciplina suas atividades mentais, permanecendo destituído de todos os desejos dos sentidos e se situando na Transcendência, é dito que ele alcançou o yoga. O yogi tem que permanecer estável na meditação no eu, assim como a chama de uma lamparina não tremula em um lugar sem vento”. (Bhagavad-gita 6.10-19)
Penance of the Boy Dhruva
O yoga era tradicionalmente praticado na floresta. O príncipe Dhruva é um exemplo de quem praticou yoga na floresta até a perfeição.
Esse é o estado de perfeição chamado “transe”, ou samadhi. Nesse ponto, tem-se a habilidade de ver o eu através da mente pura, bem como a habilidade de desfrutar e regozijar no eu. É nesse estado em que o sujeito se apraz através dos sentidos transcendentais e experimenta ilimitada felicidade espiritual. Quando a pessoa está estabelecida dessa maneira, ela jamais se afasta da verdade, tampouco pensa haver algum ganho maior. Uma vez situada dessa maneira, a pessoa jamais vacila, mesmo em meio a grandes dificuldades. Isso é certamente verdadeira liberdade de todas as misérias nascidas do contato material. Portanto, deve-se praticar essa forma de yoga com indesviáveis determinação e fé. Deve-se abandonar todo desejo material baseado em falso ego, a concepção de que se é o corpo material, e controlar todos os sentidos através da mente. De maneira gradual, passo a passo, e com plena convicção, por meio da inteligência, a pessoa deve se situar em transe fixando a mente apenas no eu.(Bhagavad-gita 6.20-25)
Sri Krishna continua explicando que, “na prática de yoga, sempre que a mente divague, devido à sua natureza instável, deve-se trazê-la novamente sob o controle do eu. Destarte, o yogi cuja mente é fixa em Mim alcança a felicidade mais elevada. Por sua identidade com o Brahman [a esfera espiritual], ele se liberta, e sua mente fica pacífica, livre de paixões e liberta de pecados. Estável no eu e livre de toda contaminação material, semelhante yogi alcança a felicidade mais elevada, em contato com a Consciência Suprema. O verdadeiro yogi, por conseguinte, percebe-Me em todos os seres e vê todo ser em Mim. Com efeito, a pessoa autorrealizada Me vê em tudo. Para tal pessoa que Me vê em todo lugar e vê tudo em Mim, jamais estou perdido, tampouco ela se perde de Mim. Quem sabe que eu e a Superalma dentro de todas as criaturas somos um adora-Me e permanece sempre em Mim em todos os aspectos. Aquele que vê a verdadeira igualdade de todos os seres, tanto em felicidade quanto em aflição, é um yogi perfeito”. (Bhagavad-gita 6.26-32)
Supersoul In All Hearts
O yogi perfeito é capaz de ver a Superalma em todos os seres vivos.
Após praticar yoga ao longo da vida, a meta é tornar-se liberto de novas existências materiais. Não é o suficiente obter do yoga mais reflexão, percepção ou saúde corporal. Há muitas outras maneiras pelas quais uma pessoa pode fazer isso. Todavia, a verdadeira meta do yoga é retornar ao reino espiritual. Como isso é feito também é descrito pelo Senhor Krishna. Ele explica que, à hora da morte, aquele que fixa seus ares vitais entre suas sobrancelhas e, com devoção plena, ocupa-se em lembrar-se dEle, o Senhor Supremo, certamente alcançará o Ser Supremo. O destino de quem é versado nos Vedas, entoa o omkara e é um grande sábio na ordem renunciada é entrar no Brahman, o céu espiritual. O processo para que se consiga isso exige que o yogi se situe em completo desapego de todas as atividades dos sentidos. Fechando as portas dos sentidos e fixando a mente no coração, e erguendo o ar vital ao topo da cabeça, o sujeito se estabelece em yoga. Então, assim situado e vibrando a sagrada sílaba Om, a suprema combinação de letras; se a pessoa pensar no Supremo e deixar seu corpo, certamente alcançará os planetas espirituais. (Bhagavad-gita 8.10-13)
Quando alguém atingiu a perfeição em yoga, pode morrer segundo queira. Nesse processo, chamado sva-cchanda-mrityu, o yogi bloqueia o ânus com o calcanhar de seu pé. Ele, então, ergue seu ar ao longo dos chakras, que também carrega a alma do coração para o peito, então para o pescoço e, por fim, para o topo da cabeça. Situado dentro do brahma-randhra, o yogi finalmente abandona seu corpo e guia a alma espiritual para o destino escolhido. (Srimad-Bhagavatam 11.15.24)
The Mystic Yogi Leaves His Body
Yogi deixando o corpo pelo topo da cabeça e se conduzindo para a Lua.
Quando a alma está no topo da cabeça, o crânio se rompe, libertando do corpo a alma e os ares internos do yogi, permitindo assim que ele viaje para qualquer destino em que tenha centrado sua atenção. Esse é o processo para o yogi místico alcançar o reino espiritual.

Os Pontos Essenciais deste Sistema de Yoga

Apesar de todas essas instruções, o Senhor Krishna também explica alguns dos prós e contras com que muitas pessoas se deparam no sistema de yoga que Ele descreve. Ele diz que o yogi que está se esforçando por avançar, porém ainda não está maduro em sua prática, pode, algumas vezes, ser superado por várias perturbações. Algumas das obstruções ou dos obstáculos podem ser neutralizados por certas meditações ióguicas ou asanas, posturas sentadas, que devem ser praticadas junto de controle respiratório. Outras dificuldades podem ser superadas pela dedicação a austeridades específicas, ou pelo uso de certos mantras ou ervas. Contudo, Krishna explica também que essas dificuldades inauspiciosas podem ser gradualmente removidas pela mera lembrança constante de Sua pessoa e pela audição e pelo canto congregacionais de Seus santos nomes, ou seguindo os passos dos grandes mestres do yoga. Através de vários métodos, alguns yogis livram o corpo da doença e da velhice e mantêm-no perpetuamente jovem e saudável. Assim, ocupam-se em yoga com o propósito de alcançar as perfeições místicas materiais.(Srimad-Bhagavatam 11.28.38-41)
Entretanto, Krishna diz que esse desenvolvimento ou superioridade corpórea mística não é muito estimada por aqueles que são avançados em conhecimento espiritual genuíno. Eles consideram que o empenho para semelhante perfeição é inútil uma vez que a alma é permanente, e o corpo, em contraste, é destruído com o tempo. “Então, embora o corpo físico possa ser aprimorado por vários processos de yoga, uma pessoa inteligente que tenha dedicado sua vida a Mim não deposita muita fé no prospecto de aperfeiçoar seu corpo físico por meio do yoga. Com efeito, talvez até mesmo o deixe”. (Srimad-Bhagavatam 11.28.42-44)
Desta maneira, podemos nos ocupar em yoga a fim de mantermos o corpo em boas condições, assim como temos que fazer a manutenção de nosso carro para que funcione apropriadamente. Fazemos isso de sorte que eles nos ofereçam bom serviço tanto quanto possível, mas não com a ideia de que atingiremos um alto grau de perfeição espiritual com eles. A manutenção do corpo também não deve ter nenhuma conexão com prolongar a juventude a fim de ampliarmos nossa habilidade de gratificação dos sentidos.
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O yoga é muitas vezes apresentado como mero recurso para desenvolvimento de flexibilidade corporal, melhora da autoestima e benefícios similares. Essa é uma ideia deturpada ou, na melhor das hipóteses, incompleta.
O Senhor Krishna aconselha que há maneiras melhores para nos desenvolvermos espiritualmente.
Como o Senhor Krishna explica a Uddhava em uma história, “caridade, deveres prescritos e cumprimento tanto de princípios reguladores maiores quanto menores, audição das escrituras, feitura de trabalho piedoso e observação de votos purificantes destinam-se todos a subjugar e controlar a mente. Com efeito, simplesmente concentrar a mente no Supremo é o yoga mais elevado. No entanto, se a mente permanece descontrolada em ilusão, qual é a utilidade ou o benefício de tais ocupações para a pessoa?”.(Srimad-Bhagavatam 11.23.45-46)
O Senhor Krishna, quando instruindo o rei Muchukunda, também afirmou que a mente dos não devotos, embora possam se dedicar a práticas como pranayama, não se livram completamente dos desejos materiais. Assim, os desejos materiais são vistos redespertarem em suas mentes apesar de outras práticas.(Srimad-Bhagavatam 10.51.60)
Então, após todas as instruções sobre como um yogi pode alcançar o domínio espiritual, ou quais problemas um yogi pode ter de confrontar, o Senhor Krishna resume o processo pelo qual qualquer um pode facilmente alcançar o destino supremo através da apropriada meditação, que é simplesmente pensar nEle. “Para aquele que se lembra de Mim sem desvios”, Krishna diz, “sou facilmente obtenível em consequência de sua constante ocupação em serviço devocional. Depois de Me alcançar, as grandes almas, que são yogis em devoção, jamais retornam a este mundo temporário, que é repleto de misérias, pois alcançaram a perfeição mais elevada”. (Bhagavad-gita 8.14-15) Esse é o resultado ou a meta máxima decorrente da prática de yoga ou meditação.
O Senhor Krishna diz a Uddhava a distinção entre o yoga comum e bhakti, a meditação devocional. “O serviço devocional imaculado prestado a Mim por Meus devotos coloca-Me sob o controle deles. Não posso ser controlado por aqueles ocupados em yoga místico, filosofia sankhya, trabalho piedoso, estudo védico, austeridade ou renúncia.(Srimad-Bhagavatam 11.14.20) Destarte, o indivíduo deve meditar em Minha forma de quatro braços, que é pacífica, transcendental e porta um búzio, o disco sudarshana, a maça e uma flor de lótus. Desta maneira, deve-se meditar em Mim com fixa atenção”. (Srimad-Bhagavatam 11.11.46)
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Krishna conversa com Uddhava. A conversa entre Krishna Uddhava, registrada em alguns capítulos do Srimad-Bhagavatam, possui muitas instruções referentes à prática do yoga.
Em Sua forma como o Senhor Kapiladeva, o Supremo aponta que o sistema de yoga que é diretamente ligado ao Supremo e à alma individual, que se destina ao benefício último de todos e que causa o desapego de todas as formas de aflição e felicidade material, é o melhor sistema de yoga. (Srimad-Bhagavatam 3.25.13)Completa perfeição em autorrealização não pode ser alcançada por um yogi a menos que ele se ocupe em serviço devocional à Personalidade Suprema, pois esse é o caminho mais auspicioso. (Srimad-Bhagavatam 3.25.19)
Basicamente, então, a meditação funciona assim: Se, por amor, ódio ou medo, uma pessoa se concentra com inteligência em uma forma corpórea em particular, ela indubitavelmente obterá a forma na qual medita. (Srimad-Bhagavatam 11.9.22) Em razão disso, Krishna diz: “A mente que medita nos objetos dos sentidos certamente se enreda em tais objetos, mas se alguém constantemente se lembra de Mim, a mente se absorve em Mim. Portanto, devem-se rejeitar todos os processos materiais de elevação, que são como as criações mentais em um sonho, e se deve absorver completamente a mente em Mim. Mediante tal pensamento constante em Mim, o indivíduo se purifica”. (Srimad-Bhagavatam 11.14.27-28)

Como Meditar

Enquanto Uddhava conversava com Sri Krishna, como registrado no Srimad-Bhagavatam (11.14.31-46), Uddhava perguntou-Lhe por qual processo alguém deveria meditar nEle caso desejasse a libertação por meio do processo de yoga. Queria saber também de qual natureza específica deveria ser a meditação, e em que forma a pessoa deveria meditar. Krishna, então, explicou o que se deve fazer. As instruções que seguem são similares às instruções do Senhor Krishna para Arjuna, como lemos no Bhagavad-gita, e também similares às instruções dadas pela encarnação do Senhor Krishna conhecida como Senhor Kapiladeva, que instruiu Sua mãe Devahuti, como encontramos no Srimad-Bhagavatam (3.28). Porém, as instruções de Kapila contêm alguns pontos adicionais, em virtude do que combinamos as instruções para termos uma visão tão abrangente quanto possível de como se deve meditar. Alguns talvez fiquem surpresos em relação a quão detalhadamente descrita é a forma do Ser Supremo dentro desse processo de meditação. Ouvir as descrições da forma do Senhor é em si um tipo de meditação. Seguem as instruções completas.
Como o Senhor Kapiladeva disse à Sua mãe, o indivíduo, pela prática desse sistema, pode se tornar jubiloso e avançar gradualmente no caminho da Verdade Absoluta. É preciso cumprir os deveres pessoais com responsabilidade. A pessoa deve ficar satisfeita com o que quer que obtenha pela graça do Senhor e adorar o mestre espiritual. Deve cessar seu envolvimento com as atividades religiosas convencionais e deve se atrair somente pelas tradições que conduzem à libertação última. Deve também comer frugalmente e permanecer em um lugar reservado para elevar a consciência à perfeição mais elevada da vida. A pessoa deve ainda dedicar-se à veracidade, à não violência e a não roubar. Deve ficar contente tendo apenas tanto quanto precise para manter-se. O sadhaka, praticante, deve abster-se da vida sexual, realizar austeridade voluntária, ser limpo, estudar a literatura védica e adorar o Senhor Supremo. Deve-se também observar silêncio, adquirir estabilidade na prática de asanas, ou posturas sentadas, e aprender a controlar a respiração. Também se devem retirar os sentidos dos objetos dos sentidos e concentrar a mente no coração.
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Kapiladeva, importante encarnação de Krishna, instrui Sua mãe, Devahuti. O Kapila filho de Devahuti é o expositor original da filosofia sankhya e não deve ser confundido com o Kapila que viveu posteriormente e apresentou um sistema sankhya ateísta.
Como o Senhor Krishna explicou a Uddhava, quem deseja meditar apropriadamente deve se sentar em um assento que não seja nem muito alto nem excessivamente baixo. O corpo deve ser mantido ereto porém confortável. As mãos devem ser repousadas sobre o colo, e os olhos devem focar a ponta do nariz. Purificam-se, então, as vias respiratórias e, uma vez que os sentidos estejam controlados, pode-se praticar pranayama passo a passo.
O Senhor Kapila explica que o yogi deve limpar as passagens aéreas inspirando profundamente, retendo a respiração e, então, exalando. Ou se pode reverter o processo primeiramente exalando, retendo os pulmões vazios e, por fim, inalando. Isso é feito a fim de que a mente possa se tornar estável e livre de perturbações externas. Pela prática de semelhante pranayama, pode-se concentrar a mente e se livrar do desejo de envolvimento com atividades pecaminosas e associação material. Meditando no Senhor Supremo, é possível o indivíduo se livrar da influência da energia material.
O Senhor Krishna prossegue explicando que, uma vez que isso tenha sido concluído, deve-se mover o ar vital para cima, do muladhara-chakra até o coração, onde a sagrada sílaba Om (omkara) está situada como o som de um sino. A pessoa deve, então, continuar elevando o som sagrado, até unir o omkara às quinze vibrações produzidas com anusvara, a passagem nasal. Focado no omkara, o sujeito deve praticar o sistema de pranayama dez vezes a cada nascer do Sol, meio-dia e poente. Assim, após um mês, espera-se que a pessoa tenha ganhado domínio sobre o ar vital.
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No coração, a sagrada sílaba Om (omkara) está situada como o som de um sino.
Krishna diz: “Devem-se manter os olhos semicerrados e fixar a visão na ponta do nariz. Alerta, deve-se meditar na flor de lótus situada dentro do coração. Esse lótus tem oito pétalas e se assenta sobre um caule de lótus ereto. Deve-se, então, meditar no Sol, na Lua e no fogo, colocando um após o outro dentro do verticilo dessa flor de lótus. Colocando Minha forma transcendental dentro do fogo, deve-se meditar nela como a auspiciosa meta de toda meditação. Essa forma é de proporções perfeitas, gentil e alegre. Possui quatro braços longos e belos, um pescoço encantador e de grande beleza, uma fronte encantadora e um sorriso puro, e brincos brilhantes em formato de tubarão penduram-se de suas duas orelhas. Essa forma espiritual tem a cor de uma negra nuvem de chuva e traja seda amarelo-ouro. O peito dessa forma é a morada de Shrivatsa e da deusa da fortuna. Essa forma também é decorada por um búzio, um disco, uma maça, uma flor de lótus e uma guirlanda de flores silvestres. Os dois brilhantes pés de lótus são decorados por braceletes e sininhos de tornozelo, e essa forma exibe a joia Kaustubha [sobre Seu peito] bem como uma coroa fulgurante. Seus quadris são embelezados por um cinto dourado, e os braços são decorados por valiosos braceletes. Todos os membros dessa bela forma roubam o coração, e a face é embelezada por um olhar misericordioso. Retirando os sentidos dos objetos sensoriais, deve-se ser grave, autocontrolado e usar a inteligência para fixar deveras a mente em todos os membros de Meu corpo transcendental. Assim, o sujeito deve meditar nessa Minha delicadíssima forma transcendental”.
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Alguns talvez fiquem surpresos em relação a quão detalhadamente descrita é a forma do Ser Supremo dentro do coração.
O Senhor Krishna continua Sua explicação a Uddhava dizendo que a pessoa deve, em seguida, retirar a consciência de todos os membros desse corpo transcendental e meditar apenas no rosto maravilhosamente sorridente do Senhor. Estabelecido na meditação no rosto do Senhor, deve-se, então, recolher a consciência e fixá-la no céu. “Então, abandonando essa meditação, a pessoa deve se estabelecer completamente em Mim e abandonar por inteiro o processo de meditação. Quem fixou sua mente em Mim desta maneira deve Me ver dentro de sua própria alma e ver a alma individual dentro de Mim, a Personalidade Suprema. Assim, ele vê as almas individuais unidas com a Alma Suprema, assim como alguém vê os raios solares completamente unidos ao Sol. Quando o yogi, deste modo, controla sua mente por meio de meditação intensamente concentrada, sua identificação ilusória com objetos materiais, conhecimentos materiais e atividades materiais é muito rapidamente extinta”.
O Senhor Kapila conclui descrevendo que, assim situada no estágio transcendental mais elevado, a mente do yogi descontinua toda reação material e se torna transcendente a todas as concepções materiais de felicidade e aflição. Nesse momento, o yogi compreende a verdade de seu relacionamento com o Supremo. Ele descobre que o prazer e a dor, assim como as interações deles, se devem, na verdade, ao falso ego, ou à identificação com o corpo temporário, uma visão que decorre da ignorância. Porque obteve sua verdadeira identidade e está completamente ciente dela e centrado nela, a alma perfeitamente autorrealizada não tem nenhuma concepção de como o corpo material está se movendo ou agindo. O indivíduo se torna um jivanmukta, uma alma liberta mesmo enquanto no corpo. A Pessoa Suprema Se encarrega do corpo de tal yogi liberto, corpo este que funciona até suas atividades destinadas sejam findas. O devoto liberto, que despertou para sua posição constitucional espiritual e destarte está situado em samadhi, a plataforma mais alta de yoga, não mais aceita os subprodutos do corpo material como seus. Ele, assim, considera suas atividades corpóreas como sendo semelhantes àqueles em um sonho. O yogi, portanto, pode estar na posição autorrealizada após ter conquistado o insuperável encanto de maya, ilusão.
Meditating on Krishna
Em samadhi, o yogi compreende a verdade de seu relacionamento com o Supremo.
Nas instruções a Uddhava, o Senhor Krishna resume a meta do yoga de maneira diferente. Ele conta a história de um brahmana, na qual o brahmana ensina que, após atingir a perfeição nas posturas ióguicas sentadas e nos processos respiratórios, deve-se, então, tornar a mente estável por meio de prática regular de yoga e desapego das preocupações mundanas. Então, deve-se fixar a mente na meta única do yoga. A mente pode ser facilmente controlada centrando-a na Personalidade Suprema. Uma vez que a mente esteja estabilizada, ela se torna livre de desejos poluídos voltados às atividades materiais. Esse é o momento no qual a bondade cresce, a qual confere poder para que o indivíduo abandone por completo os modos da paixão e da ignorância. Pode-se transcender gradualmente inclusive o modo da bondade material, entrando, assim, na bondade pura, o domínio espiritual. O fogo da existência material se extingue quando a mente está livre da influência dos modos da natureza. A pessoa, então, pode alcançar a plataforma espiritual de relacionar-se diretamente com o objeto de meditação, o Senhor Supremo. Quando a consciência de alguém está muitíssimo absorta na Verdade Absoluta, o Senhor Supremo, a pessoa não mais percebe qualquer dualidade ou diferença entre a realidade externa e interna. (Srimad-Bhagavatam 11.9.11-13)
Deixando o Corpo através do Yoga: A Derradeira Perfeição
No Srimad-Bhagavatam (2.2.15-38), Shukadeva Gosvami instrui o rei Parikshit sobre os meios pelos quais se pode alcançar a meta final do yoga e como deixar este corpo a fim de alcançar o domínio espiritual. Ele diz que, quando o yogi deseja deixar este planeta habitado por seres humanos, ele não deve se preocupar em relação a tempo e lugar, mas deve se sentar confortavelmente em algum lugar e começar a regular o ar vital e controlar os sentidos e a mente. O yogi deve, então, fundir sua mente dentro de si através da inteligência e, então, fundir sua identidade espiritual com a Superalma. Depois de feito isso, se a pessoa conseguir chegar tão longe, deve se sentir completamente satisfeita a fim de que interrompa todas as outras atividades e percepção.
Nesse estado transcendental, não existe qualquer influência do tempo, que afeta até os semideuses nos reinos celestes. Tampouco há qualquer influência dos modos da natureza material, a saber, bondade, paixão e ignorância. A pessoa, então, deve se preparar para abandonar o corpo primeiramente bloqueando o ânus com o calcanhar. Então, é preciso começar a elevar o ar vital da base da espinha, ao longo dos diferentes chakras, passando pelo umbigo, peito, coração, raiz do palato e chegando entre as sobrancelhas. Então, bloqueando as sete aberturas na cabeça, pelas quais o ar poderia sair, deve manter seu foco em voltar ao reino espiritual. Se estiver completamente livre de todos os desejos materiais, deve, então, elevar o ar vital até o buraco cerebral no topo da cabeça, o chakra da coroa, e abandonar todas as conexões materiais e corpóreas, centrado em voltar ao Supremo.
06 I (artigo - Yoga) Os Ensinamentos de Krishna sobre o Yoga e Meditação (5700) (bg) (pn)14
Representação dos principais chakras, ou centros energéticos.
Contudo, se o yogi ainda tiver desejos por desfrute material, inclusive relativos a alcançar planetas mais elevados ou mais refinados, como Brahmaloka, ou obter outras perfeições, ele carregará consigo a mente e os sentidos materialmente condicionados. Isso significa que um novo nascimento em um novo corpo material acontecerá, pois os desejos materiais só podem ser acomodados em um corpo de igual natureza.
O verdadeiro transcendentalista tem interesse apenas no corpo espiritual. Assim, como resultado de seu serviço devocional, austeridades e práticas espirituais, não têm restrições quanto a irem além dos mundos materiais, mas os trabalhadores fruitivos ou os materialistas grosseiros jamais poderão alcançar esse sucesso.
No caminho para fora desta criação material, o místico passa pelo sistema estelar conhecido como Via Láctea, iluminando o Sushumna. A Via Láctea conduz ao planeta mais elevado, Brahmaloka. O yogi alcança o planeta da deidade do fogo, Vaishvanara. Ali, é purificado de todas as contaminações materiais e pode, destarte, ir ainda mais alto, até o círculo de Shishumara. Esse Shishumara é o pivô universal e é chamado de “o umbigo de Garbhodakashayi Vishnu”. O yogi, então, vai para o planeta de Maharloka, que é habitado por santos puros, como Bhrigu, que gozam de uma duração de vida que se alonga por 4.300.000.000 de anos solares. Esse planeta é adorável até mesmo por parte dos santos purificados.
Shishumara
A máquina do mundo material, que consiste em estrelas e planetas, assemelha-se à forma de um golfinho (shishumara) na água. É algumas vezes considerada uma encarnação de Krishna. Grandes yogis meditam em Krishna nessa forma porque ela é de fato visível.
Em Maharloka, o yogi pode ver todos os planetas do universo sendo reduzidos a cinzas no final da vida de Brahma uma vez tocados pelas chamas emanadas da boca de Anantadeva. De lá, o yogi parte em direção a Satyaloka (Brahmaloka), o planeta mais elevado no universo, em aeroplanos e veículos que são utilizados pelas grandes almas purificadas. Em Satyaloka, a duração de vida é de 15.480.000.000.000 de anos solares. Nesse planeta, não há nem velhice nem morte, tampouco dor ou tristeza. Porém, pode haver um sentimento de compaixão quando vendo as muitas almas condicionadas que não têm conhecimento acerca do processo espiritual do serviço devocional a Deus e que, em virtude disso, submetem-se a numerosas misérias enquanto em contato com a energia material. Em Satyaloka, o yogi é capaz de livrar-se das camadas materiais que cingem o seu eu e, deste modo, sua forma passa do estágio terrestre para os estágios aquoso, ígneo, aéreo e, por fim, etéreo. Deste modo, é liberto dos objetos sensoriais da matéria sutil, como olfato, paladar, visão, tato, audição e outros órgãos para atividades materiais. O yogi, assim destituído tanto de formas de cobertura grosseiras e sutis, entra no estágio final de falso ego. Ali, ele neutraliza os modos materiais da bondade e da paixão e alcança o ego em bondade. Em seguida, todo egoísmo, ou identificação corpórea de qualquer sorte, funde-se no mahat-tattva, os ingredientes materiais imanifestos, e ele alcança a autorrealização pura. Ele, então, livra-se de todas as influências materiais e pode deixar por completo a manifestação cósmica. Somente em tal estado a pessoa pode obter a perfeição de ter a companhia da Suprema Personalidade de Deus em completa bem-aventurança e satisfação em seu estado natural e espiritual de ser, livre de todas as limitações e identificações materiais. Quem quer que seja capaz de alcançar esse estágio de existência e sentimento devocional jamais se atrai novamente pela manifestação material, razão pela qual jamais retorna a ela. Assim, o yogi retorna ao mundo Vaikuntha, onde há inumeráveis planetas espirituais, centenas de vezes maiores do que qualquer universo material.
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Em Vaikuntha, tudo é Brahman, ou espírito, pois não existe a energia material causando avidya, ou ignorância. Contudo, apesar da destruição do falso ego, ou ahamkara, da jiva, sua identificação como servo de Krishna é preservada, pois isso lhe é constitucional e inalienável.
Shukadeva Gosvami conclui dizendo que esse conhecimento o Senhor Krishna descreveu originalmente a Brahma. Essa grande personalidade, Brahma, estudou os Vedas três vezes com grande atenção e concentração. Após essa examinação de grande escrutínio, concluiu que a atração pelo Supremo Senhor Sri Krishna é a perfeição mais elevada da religião. É essencial, portanto, que todo ser humano ouça sobre o Senhor Supremo, glorifique-O e se lembre dEle sempre e em todo lugar. Quem ouve a nectárea mensagem do Senhor Krishna, o amado dos devotos, purifica-se da meta poluída de vida dos desejos e metas materiais e, deste modo, volta ao reino espiritual, volta aos pés de lótus do Senhor Krishna.

Sri Nandanandana

Fonte:http://voltaaosupremo.com/artigos/artigos/os-ensinamentos-de-krishna-sobre-yoga-e-meditacao/

OS PODERES MÍSTICOS DO YOGA - Sri KRSNA BHAGAVAN


14 (artigo) Os Poderes Místicos do Yoga (3)


Os Poderes Místicos do Yoga

Ler mentes, tornar-se leve como uma pluma, entrar em corpos alheios, ver coisas distantes. Krishna ensina o caminho pelo qual se dá o desenvolvimento pleno dos poderes místicos do yoga.

O yogi que dominou os sentidos, estabilizou a mente, dominou o processo respiratório e fixou a mente em Mim adquire as perfeições místicas do yoga. Os mestres do sistema de yoga declararam que há dezoito classes de perfeição e meditação místicas, das quais oito são primárias e têm seu refúgio em Mim, e dez são secundárias e aparecem do modo material da bondade.
Dentre as oito perfeições místicas primárias, existem três mediante as quais se adapta o próprio corpo, a saber, anima, tornar-se menor do que o menor; mahima, tornar-se maior do que o maior; e laghima, tornar-se mais leve do que o mais leve. Através da perfeição de prapti, obtém-se qualquer coisa desejada, e, através de prakamyasiddhi, experimenta-se qualquer objeto desfrutável, seja neste mundo, seja no próximo. Mediante ishita-siddhi, podem-se manipular as subpotências de maya, e, mediante a potência controladora chamada vashita-siddhi, fica-se livre dos impedimentos dos três modos da natureza. Quem adquiriu kamavasayita-siddhi pode obter qualquer coisa de qualquer lugar, até o limite mais elevado possível. Consideram-se que essas oito perfeições místicas existem naturalmente e são insuperadas neste mundo.
As dez perfeições místicas secundárias, oriundas dos modos da natureza, são: os poderes de livrar-se da fome e da sede e de outras perturbações corpóreas, ouvir e ver coisas distantes, mover o corpo com a velocidade da mente, assumir qualquer forma desejada, entrar nos corpos alheios, morrer quando desejar, testemunhar os passatempos entre os semideuses e as jovens celestiais chamadas apsaras, executar plenamente a própria determinação e dar ordens cujo cumprimento não é impedido.
O poder de conhecer o passado, o presente e o futuro; tolerância ao calor, frio e outras dualidades; conhecer as mentes alheias; deter a influência do fogo, Sol, água, veneno e assim por diante; e permanecer não dominado pelos outros – essas constituem cinco perfeições do processo místico de yoga e meditação. Até então, apenas relacionei-as aqui segundo seus nomes e características. Agora, por favor, aprende de Mim como perfeições místicas específicas originam-se de meditações específicas e também quais os processos particulares envolvidos.
Aquele que Me adora em Minha forma atômica que penetra todos os elementos sutis, fixando a mente apenas nisso, obtém a perfeição mística chamada anima.
Aquele que absorve a mente na forma específica do mahat-tattva e assim medita em Mim como a Alma Suprema da existência material total alcança a perfeição mística chamada mahima. Por absorver a mente ainda mais na situação de cada elemento individual, tal como o céu, o ar, o fogo e assim por diante, ele adquire progressivamente a grandeza de cada elemento material.
Eu existo dentro de tudo e, portanto, sou a essência dos constituintes atômicos dos elementos materiais. Por fixar a mente em Mim nessa forma, o yogi pode alcançar a perfeição chamada laghima, através da qual ele compreende a sutil substância atômica do tempo.
Fixando a mente por completo em Mim dentro do elemento do falso ego gerado do modo da bondade, o yogi obtém o poder de aquisição mística, através do qual se torna o proprietário dos sentidos de todas as entidades vivas. Ele obtém semelhante perfeição porque sua mente está absorta em Mim.
Quem concentra todas as atividades mentais em Mim como a Superalma daquela fase do mahat-tattva que manifesta a cadeia de atividades fruitivas obtém de Mim, cujo aparecimento está além da percepção material, a mais excelente perfeição mística chamada prakamya.
Quem concentra a consciência em Vishnu, a Superalma, o agente motor e Senhor Supremo da energia externa que consiste nos três modos, obtém a perfeição mística de controlar outras almas condicionadas, seus corpos materiais e designações corpóreas.
O yogi que deposita sua mente em Minha forma de Narayana, conhecida como o quarto fator, pleno de todas as opulências, é contemplado com Minha natureza e assim obtém a perfeição mística chamada vasita.
Aquele que fixa a mente pura em Mim sob Minha manifestação como o Brahman impessoal obtém a maior felicidade, com a qual todos os seus desejos são satisfeitos por completo.
Um ser humano que se concentra em Mim como o protetor dos princípios religiosos, a personificação da pureza e o Senhor de Svetadvipa obtém a existência pura através da qual se liberta das seis ondas da perturbação material, a saber, fome, sede, definhamento, morte, aflição e ilusão.
Aquela entidade viva purificada que fixa a mente nas extraordinárias vibrações sonoras que ocorrem dentro de Mim como o céu personificado e o ar vital total é então capaz de perceber dentro do céu a fala de todas as entidades vivas.
Imergindo a visão no Sol e depois o Sol nos próprios olhos, a pessoa deve meditar em Mim, que existo dentro da combinação do Sol com a visão. Dessa maneira, adquire-se o poder de ver qualquer coisa distante.
O yogi que absorve por completo a mente em Mim e que então faz uso do vento que segue a mente para absorver em Mim o corpo material obtém através da potência da meditação em Mim a perfeição mística pela qual seu corpo segue de imediato sua mente aonde quer que ela vá.
Quando o yogi, ajustando sua mente de certa maneira, deseja assumir uma forma em particular, essa mesma forma aparece de imediato. Essa perfeição é possível mediante a absorção da mente no refúgio de Minha inconcebível potência mística, através da qual assumo inúmeras formas.
Ao desejar entrar no corpo de outrem, o yogi perfeito deve meditar em si mesmo dentro do outro corpo e, então, abandonando o próprio corpo grosseiro, deve entrar no corpo alheio através dos caminhos do ar, tão facilmente quanto uma abelha deixa uma flor e voa para outra.
O yogi que alcançou a perfeição mística chamada svacchandamrityu bloqueia o ânus com o calcanhar e então eleva a alma do coração para o peito, depois para o pescoço e, enfim, para a cabeça. Situado dentro do brahma-randhra, o yogi abandona o corpo material e conduz a alma espiritual para o destino escolhido.
O yogi que deseja desfrutar nos aprazíveis jardins dos semideuses deve meditar no modo purificado da bondade, que está situado dentro de Mim, e então as mulheres celestiais, geradas do modo da bondade, aproximar-se-ão dele em aeroplanos.
O yogi que tem fé em Mim, absorvendo a mente em Mim e sabendo que Meu propósito sempre se cumpre, em qualquer ocasião, alcançará seu propósito através do próprio meio que ele determinou seguir. Quem medita perfeitamente em Mim adquire Minha natureza de ser o supremo governante e controlador. Sua ordem, tal qual a Minha, jamais pode ser frustrada de alguma maneira.
O yogi que purificou sua existência mediante a devoção a Mim e que assim conhece com perícia o processo de meditação obtém conhecimento acerca do passado, presente e futuro. Ele pode, portanto, ver o nascimento e a morte de si mesmo e dos outros.
Assim como os corpos dos seres aquáticos não podem ser feridos pela água, o corpo do yogi cuja consciência está pacificada pela devoção a Mim e que se desenvolveu plenamente na ciência do yoga não pode ser ferido pelo fogo, Sol, água, veneno e assim por diante.
Meu devoto torna-se invencível por meditar em Minhas opulentas encarnações, que são decoradas com Srivatsa e várias armas e são dotadas de parafernália imperial como bandeiras, guarda-sóis ornamentais e abanos.
O devoto erudito que Me adora por meio da meditação ióguica com certeza obtém em todos os aspectos as perfeições místicas que descrevi. Para o sábio que dominou os sentidos, a respiração e a mente, que é autocontrolado e vive absorto em meditar sobre Mim, que perfeição mística seria difícil de obter?
Sábios peritos em serviço devocional declaram que as perfeições místicas do yoga que mencionei na verdade não passam de empecilhos e são perda de tempo para quem está praticando o yoga supremo, através do qual se alcança, diretamente de Mim, toda perfeição da vida. Quaisquer perfeições místicas que possam ser adquiridas através de bom nascimento, ervas, austeridades e mantras podem ser alcançadas através do serviço devocional a Mim; com efeito, não se pode alcançar a verdadeira perfeição do yoga de nenhuma outra maneira.
Eu sou a causa, o protetor e o Senhor de todas as perfeições místicas, do sistema de yoga, do conhecimento analítico, da atividade pura e da comunidade dos eruditos mestres védicos. Assim como os mesmos elementos materiais existem dentro e fora de todos os corpos materiais, nada pode Me encobrir. Existo dentro de tudo como a Superalma e fora de tudo em Meu aspecto onipenetrante.

Sri Krsna Bhagavan(Excerto do capítulo quinze do décimo primeiro capítulo do Srimad-Bhagavatam)

Fonte:http://voltaaosupremo.com/artigos/artigos/os-poderes-misticos-do-yoga/

UM REFÚGIO NA CHAPADA DOS VEADEIROS PARA CORPO,MENTE E ALMA : PARAÍSO DOS PÂNDAVAS

06 I (entrevista - templos) Paraíso dos Pândavas - (1)

Paraíso dos Pândavas: Um Refúgio na Chapada dos Veadeiros para Corpo, Mente e Alma

 Como surgiu a ideia da organização Paraíso dos Pândavas? Como foi sua estruturação no começo?
Giridhari Dasa: Recebi uma ordem de meu mestre espiritual, Srila Hridayananda Dasa Goswami Acharyadeva, para estabelecer um projeto em Alto Paraíso. Não havia detalhes ou instruções adicionais, portanto restou a mim meditar bastante em Krishna e Srila Prabhupada para tentar entender o que seria viável e o que daria mais prazer para eles.
06 02
Hridayananda Dasa Goswami, mestre espiritual de Giridhari Dasa.
No início, pensamos em fazer uma “pousada espiritual”; ainda não pensávamos em retiros em grupo. Conseguimos uma parceria com um devoto dos Estados Unidos, Deva Deva Prabhu, que ficou de financiar o projeto. Porém, depois de apenas a primeira parcela ter sido enviada, houve o famoso ataque às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, o 11 de setembro. Como este devoto dependia para seus negócios de verbas da área social do Governo Federal americano, após o ataque, ele ficou em situação financeira difícil, pois o governo americano direcionou sua verba para fins bélicos. Assim, voltamos à estaca zero.
Passados uns meses e muita oração, surgiu uma oportunidade de novo começo, comprando uma terra adjacente à terra original, ambas de cerca de 400 hectares. Isso se deu pelo fato de que há, nesta terra, um morro muito especial, que quando vi pela primeira vez, imediatamente vi em cima dele um lindo templo para Sri Nrisimhadeva. Inspirado por essa visão, direcionamos nosso foco para o desenvolvimento desta área nova.
06 03
Projeto do templo.
Nesta época, já 2006, o foco foi fazer um ashram tradicional – um local para onde as pessoas poderiam vir para morar durante uns meses aperfeiçoando sua consciência de Krishna.
Porém, após a inauguração, gradualmente foi surgindo o conceito de uma “fazenda-retiro”, ou seja, um local para receber, em épocas específicas, grupos de pessoas, para lhes dar a chance de passar um final de semana ou um feriado em contato com os devotos.
Dois anos depois, já estávamos firmes neste propósito, focados em organizar retiros com meditação, yoga, palestras, caminhadas, cachoeira etc.
06 04
Aula de yoga.
06 05
Cachoeira.
06 06
Canto de mantras para meditação, conduzido por Giridhari Dasa, em primeiro plano.
E, neste ano, 2013, passamos a ficar abertos o ano inteiro, funcionando como um “yoga resort”, ou seja, como se tivéssemos com um retiro acontecendo o ano inteiro, com aulas de meditação, yoga, palestras, caminhadas etc., e também agora como um spa, oferecendo diversas terapias para hóspedes.
Volta ao Supremo: Por que o nome Paraíso dos Pândavas?
Giridhari Dasa: Foi uma inspiração que tive. Queria um nome espiritual, mas não complicado para uma pessoa sem experiência prévia com a cultura védica. Me foquei também no fato de que Srila Acharyadeva está elaborando uma versão do Mahabharata que talvez tenha o título de “Os Pândavas”, que creio que será um enorme sucesso de vendas.
Volta ao Supremo: Quantos residem atualmente na comunidade? Qual o perfil de seus moradores? O que é preciso para alguém morar na comunidade?
Giridhari Dasa: Não seguimos a estrutura de comunidade. Aqui funciona como uma empresa missionária – ou seja, seguimos uma estrutura empresarial, onde mora aqui apenas as pessoas que trabalham para o Paraíso dos Pândavas e, é claro, suas famílias. Então, nesse sentido, sim, somos uma comunidade.
06 07
Giridhari Dasa reside no Paraíso dos Pândavas com sua esposa, Charana Renu, e filho, Bryn Govardhana.
Atualmente, temos quatro famílias morando aqui, com um total de dezesseis pessoas. O perfil necessário é de pessoas com alto nível de consciência, foco no Divino, retidão moral, profissionalismo e atração por viver na natureza, longe de centros urbanos. Vida simples, pensamento elevado!
Volta ao Supremo: O Paraíso dos Pândavas é famoso por seus retiros com temas bastante variados. Quais retiros o senhor destacaria entre tantos já realizados?
Giridhari Dasa: Pessoalmente, os que mais gosto são os retiros de bhakti mesmo, com cursos intensivos de Bhagavad-gita e outros livros sagrados de nossa tradição. Mas a verdade é que todos os retiros têm um forte foco na consciência de Krishna, com rituais, prática de japa, palestras e muita alimentação sagrada, portanto são todos muito especiais – as pessoas verdadeiramente têm experiências transformadoras aqui.
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Estudo de bhakti-yoga com Hridayananda Dasa Goswami.
O ambiente é tal que todos se sentem à vontade – daqueles com zero experiência prévia da cultura do yoga, aos mais experientes. Paz, alto astral, beleza natural, comida gostosa – todos apreciam!
Volta ao Supremo: A proteção ao meio ambiente e a assistência social nem sempre são promovidos junto do yoga tão fortemente como faz o Paraíso dos Pândavas. Por que essa proposta?
Giridhari Dasa: Eu pessoalmente acho difícil entender como alguém pode se dizer espiritualista e não se preocupar com o próximo ou com o planeta. Se não temos nem consciência de coisas tão óbvias como o sofrimento alheio e a destruição de nosso planeta, como podemos estar em sintonia com Deus e a alma, que são muito mais sutis e mais difíceis de perceber?
Volta ao Supremo: A alimentação consciente é outro ponto forte do Paraíso dos Pândavas. Quais são as atividades desenvolvidas no âmbito da nutrição e culinária?
Giridhari Dasa: Realizamos desde 2004 um trabalho de capacitação das merendeiras do município na nutrição saudável e livre de carnes e ovos. Este ano, o trabalho se expandiu e recebemos aqui merendeiras de vários municípios.
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Trabalho de capacitação das merendeiras do município e de municípios vizinhos na nutrição saudável e livre de carnes e ovos.
Para nossos hóspedes, realizamos oficinas e retiros de culinária vegetariana também, que são sempre muito alegres e concorridos.
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Turma de um dos retiros de culinária vegetariana posa para foto.
06 I (entrevista - templos) Paraíso dos Pândavas - (11)
Alguns dos pratos ensinados nos retiros de culinária.
E temos como um dos focos, um dos atrativos do Paraíso, uma comida deliciosa e especial. O pessoal ama!
Volta ao Supremo: Quais os projetos futuros?
Giridhari Dasa: Queremos continuar a aperfeiçoar a qualidade de nosso trabalho para garantir que nossos visitantes tenham uma experiência única e inesquecível. Em termos práticos, estamos com planos para construir um novo templo e sala de yoga, uma piscina aquecida e novas suítes com um padrão de conforto capaz de satisfazer mesmo os viajantes mais exigentes.
Volta ao Supremo: Agradecemos pela entrevista. Gostaria de deixar um convite àqueles que ainda não conhecem pessoalmente o projeto?
06 I (entrevista - templos) Paraíso dos Pândavas - (12)
Nascer do Sol no Paraíso dos Pândavas.
Giridhari Dasa: Convido todos a conhecerem o Paraíso dos Pândavas. Estamos abertos o ano todo. Você pode chegar o dia que quiser e ficar o tempo que quiser – temos até valores mensais! Incluso no valor, oferecemos todos os dias aula de yoga, meditação, mantras, caminhada e aula sobre a cultura védica. Como mencionamos, aqui também funciona como um spa de terapias, com uma grande gama de terapias incluindo shiatsu com cristaloterapia, pedras quentes, geoterapia, reiki e aiurveda. Oferecemos também passeios para as atrações principais da região. Mais informações podem ser encontradas em nosso site.
.
Conheça mais no site oficial da organização: www.pandavas.org.br. Conheça também o site pessoal de Giridhari Dasa: www.giridhari.com.br.

Fonte:http://voltaaosupremo.com/entrevistas/entrevistas-com-outros-convidados/paraiso-dos-pandavas-um-refugio-na-chapada-dos-veadeiros-para-corpo-mente-e-alma/

SOBRE A INTELIGÊNCIA - J.KRISHNAMURTI

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Sobre a Inteligência - J. Krishnamurti

"Examinemos esta questão devagar, pacientemente. Para descobrir. 
Descobrir não é chegar a uma conclusão. Não sei se vocês percebem a diferença. No momento em que vocês chegam a uma conclusão sobre o que é inteligência, deixam de ser inteligentes. 

Foi isso o que fez a maioria das pessoas mais velhas: chegaram a conclusões. Por isso, deixaram de ser inteligentes. Vocês descobriram, pois, uma coisa: que a mente inteligente é aquela que está aprendendo constantemente, sem jamais tirar conclusões.

O que é inteligência? A maioria das pessoas se satisfaz com uma definição do que é inteligência. Ou dizem: “Esta é uma boa explicação”, ou preferem sua explicação própria, pessoal. Mas a mente que se satisfaz com explicações é muito superficial e, por conseguinte, ininteligente. Vocês começaram a 
ver que a mente inteligente não é aquela que se satisfaz com explicações, com conclusões; não é, tampouco, a que acredita, porque a crença é, também, outra forma de conclusão. 

A mente inteligente é aquela que investiga, que observa, aprende, estuda. E o que significa isso? 
Que só há inteligência quando não há medo, quando vocês estão dispostos a se rebelarem contra toda a estrutura social a fim de descobrir o que é Deus, descobrir a verdade relativa a qualquer coisa.

Inteligência não é sapiência. Se vocês pudessem ler todos os livros do mundo, isso não lhes daria inteligência. 
A inteligência é coisa muito sutil; ela não tem ancoradouro. Surge quando vocês compreendem o processo total da mente — não a mente segundo certo filósofo ou professor, mas a própria mente de vocês. A mente de vocês é o resultado da comunidade inteira e, quando a compreendem, não necessitam 
de estudar um só livro, porque ela contém todo o conhecimento do passado. 

A inteligência, pois, surge com a compreensão de si mesmo; e só podem se compreender em relação com o mundo das pessoas, das coisas, e das ideias. Inteligência não é coisa adquirível, como a sapiência; ela surge quando há uma grande revolta, isto é, quando não há medo; e isso significa: quando há 
sentimento de amor, pois, quando não há medo, há amor.

Se você só está interessado em explicações, receio que irá achar que não respondi à sua pergunta. 
Perguntar o que é inteligência é coisa semelhante a perguntar o que é a vida.

vida é estudo e recreação, sexo, trabalho, disputa, inveja, ambição, amor, beleza, verdade; a vida é tudo, não é? Mas, vejam, a maioria de nós não tem paciência para prosseguir, séria e constantemente, nesta investigação."
J. Krishnamurti em A Cultura e o Problema Humano

Fonte:http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2013/08/sobre-inteligencia-j-krishnamurti.html

QUANDO EXISTE AMOR,O EGO NÃO EXISTE - J.KRISHNAMURTI




Quando existe amor, o ego não existe - J. Krishnamurti


"A realidade, a verdade, não é para ser reconhecida. 

Para a verdade chegar, crença, conhecimento, experiência, virtude, busca da virtude – que é diferente de ser virtuoso – tudo isso deve sair.

O homem virtuoso que está consciente de buscar a virtude nunca pode encontrar a realidade. Ele pode ser uma pessoa decente; isso é inteiramente diferente do homem da verdade, do homem que compreende.

Para o homem da verdade, a verdade surgiu.

Um homem virtuoso é um homem correto, e um homem correto nunca pode compreender o que é verdade; porque virtude para ele é o revestimento do ego, o fortalecimento do ego; porque ele persegue a virtude. Quando ele diz, “Eu devo ser sem ambição”, o estado em que ele é sem-ambição e que ele
experimenta, fortalece o ego.

Por isso é tão importante ser pobre, não só das coisas do mundo, mas também de crença e conhecimento. O homem rico de riquezas mundanas, ou um homem rico de conhecimento e crença, não conhecerá nada além de escuridão, e será o centro de toda mistificação e miséria. Mas se você e eu, como indivíduos, pudermos ver todo este trabalho do ego, então conheceremos o que o amor é. 

Eu lhe asseguro que essa é a única reforma que pode possivelmente mudar
o mundo.
Amor não é o ego. O ego não pode reconhecer o amor. 

Você diz, “Eu amo”, mas no próprio dizer, na própria experiência disto, o amor não está. 

Mas, quando você conhece o amor, o ego não está. 
Quando existe amor, o ego não existe."

J. Krishnamurti em Aos pés do mestre

Fonte:http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2014/08/quando-existe-amor-o-ego-nao-existe-j.html

A IMORTALIDADE EXISTE - J. KRISHNAMURTI

A Imortalidade existe - J. Krishnamurti


"O que lhes vou dizer sobre a imortalidade será difícil de compreender, porque para mim a imortalidade não é uma crença: ela existe. 

Isto é uma coisa muito diferente.

Existe a imortalidade – e não que eu saiba ou acredite nela. Espero que vejam a
diferença. 

No momento em que digo “Eu sei”, a imortalidade torna-se uma coisa
objetiva, estática. Mas quando não há nenhum “eu”, há imortalidade. 

Eu afirmo que a imortalidade existe, e isso é porque não há consciência do “eu”.

Para mim existe uma vida eterna, uma vida de eterno devir; está sempre a devir, não sempre a crescer, porque aquilo que cresce é transitório. Agora, para compreender a imortalidade que eu digo que existe , a mente tem de estar livre desta ideia de continuidade e não continuidade. Quando uma pessoa pergunta 
“A imortalidade existe?” ela quer saber se ela, como indivíduo, continuará, ou se ela, como indivíduo, será destruída. Isto é, pensa somente em termos de opostos, em termos de dualidade; ou existe ou não existe. Se tentarem compreender a minha resposta do ponto de vista da dualidade, então falharão completamente. 

Eu afirmo que a imortalidade existe. Mas para compreender essa imortalidade, que é o êxtase da vida, a mente e o coração têm que estar livres de identificação com o conflito do qual surge a consciência do“eu”, e livres também da ideia de aniquilação da consciência do ego."
Jiddu Krishnamurti em Satsang

Fonte:http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2015/03/a-imortalidade-existe-j-krishnamurti.html

quinta-feira, 26 de março de 2015

PUBS DE NOVA YORK GUARDAM MAIS DE 100 ANOS DE HISTÓRIA E DIVERSÃO


Pubs de Nova York guardam mais de 100 anos de história e diversão

Nos pubs, é possível encontrar a cadeira usada por Abraham Lincoln ou ainda urinóis gigantes de 100 anos e relíquias da Primeira Guerra Mundial.

Alan Severiano Nova York, EUA

Em Nova York, a cidade do ultramoderno, tem também bares do século 19 funcionando até hoje. O segredo para fazer sucesso por tanto tempo quem conta é o correspondente Alan Severiano.
Se você não tem orgulho da idade, o Mc Sorley's tem. "Nós já estávamos aqui antes de você nascer" é um dos lemas do pub irlandês. Velho até no nome, ele foi fundado em 1854, antes da Guerra Civil Americana.
O jeito de brindar não mudou muito, nem a decoração. O chão é coberto de serragem e as paredes cheias de quinquilharias, como uma cadeira usada pelo presidente Abraham Lincoln quando visitou o bar e que hoje está abarrotada de vasos.
Os clientes são tão fãs que sabem as histórias de cor. David conta que ossos de galinha foram pendurados por soldados que iam lutar na Primeira Guerra Mundial. Os que voltaram pegaram os ossos de volta e os que sobraram são de quem morreu em combate.
O Mc Sorley's foi um dos últimos bares exclusivamente masculinos de Nova York. Era um clube do bolinha. As mulheres só puderam entrar lá em 1970. Hoje, além de serem muito bem-vindas, são elas que estão no comando. Teresa e a irmã administram o pub, comprado pelo pai.
Mave diz que foi preciso uma decisão judicial para o bar aceitar as mulheres. Hoje ela se sente poderosa com as conquistas femininas. O cardápio é enxuto e só tem dois tipos de chope: claro e escuro, servidos sempre em dobro e de um jeito meio bronco. "É uma coisa que o dono inventou e ninguém reclama", diz Teresa.
"Você volta no tempo, volta no tempo realmente. Um museu etílico", diz o advogado Marcos Gregoris. . Sentada na mesa que já foi ocupada por John Lennon, Jadel diz que tomou oito chopes e convida o repórter a experimentar. A amiga dela conta que no pub sente o gosto da Nova York de antigamente.
No bairro do Chelsea, o Old Town Bar, também do século 19, é mais pomposo: tem teto de estanho, o elevador de comida mais antigo de Nova York e outras preciosidades.
Bar sem banheiro não dá certo. Em um dos pubs, o banheiro é uma das atrações. Isso porque os urinóis gigantes têm mais de 100 anos. O centenário foi comemorado em 2010 com festa e balões. Os amigos de faculdade frequentam o bar - e o banheiro - há 30 anos. "Eu gosto das memórias daqui", diz Patrick.
Gerard, o dono, conta que adora viver no passado, e que no bar todo mundo tem Nova York no sangue. Então, um brinde aos clientes e à cidade que vive celebrando a própria história.

Fonte:http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/03/pubs-de-nova-york-guardam-100-anos-de-historia-e-de-diversao.html