terça-feira, 1 de novembro de 2016

POPULAÇÃO DE ILHAS DO PACÍFICO TEM DNA DE UMA ESPÉCIE DESCONHECIDA DE HUMANOS

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População de ilhas do pacífico tem DNA de uma espécie desconhecida de humanos


Traços de um espécie humana extinta e misteriosa foram encontrados no DNA dos melanésios – que vivem em uma região ao sul do Oceano Pacífico, nordeste da Austrália. De acordo com pesquisas genéticas, nova espécie não se encaixa nos Neandertais nem Denisovanos, mas sim em uma terceira espécie antiga de seres humanos, até então desconhecida pelos cientistas.
“Estamos ignorando uma população, ou não estamos entendendo bem alguma coisa sobre as relações humanas”, disse Ryan Bohlender, da Universidade do Texas, em entrevista a Tina Hesman Saey, do Science News.
Bohlender e sua equipe investigou os vestígios do antigo hominídeo no DNA dos humanos modernos daquela região, e encontraram discrepâncias em relação às análises antigas, sugerindo que os Neandertais e Denisovanos não contam toda a nossa história evolutiva.
Acredita-se que entre 100 mil e 60 mil anos atrás, nosso ancestral mais “atual” saiu da África, fazendo os primeiros contatos com as espécies de hominídeos que viviam na Eurásia. Esse contato deixou marcas na nossa espécie que podem ser analisadas até os dias de hoje, com europeus e asiáticos carregando variações genéticas distintas do DNA de Neandertais em seus genomas.
Crianças da Melanésia / Guido Amrein Switzerland/Shutterstock.com
Crianças da Melanésia / Guido Amrein Switzerland/Shutterstock.com
Crianças da Melanésia / Guido Amrein/Shutterstock.com
Mais cedo nesse ano, pesquisadores estiveram investigando certas variações genéticas que europeus herdaram dos Neandertais, e descobriram que essas informações genéticas podem estar associadas a vários problemas de saúde, como risco de depressão, ataque cardíaco e uma série de doenças na pele.
Além disso, um outro estudo publicado no começo do mês passado encontrou evidências de que o papilomavírus humano (HPV) foi transmitido ao Homo sapiens depois que nossos antepassados se relacionaram sexualmente com Neandertais e Denisovanos, quando saíram da África.
Enquanto nossa relação com os Neandertais é amplamente estudada e conhecida, o mesmo não se aplica aos Denisovanos. O problema é que os Neandertais estão bem representados em fósseis que já encontramos ao longo do tempo, principalmente na Europa e na Ásia. Mas tudo que temos sobre os Denisovanos é um osso que pertenceu a um dedo e alguns dentes encontrados em uma caverna na Sibéria em 2008.
Utilizando novos modelos de computador para entender a quantidade de DNA Neandertal e Denisovano carregado pelos humanos modernos, Bohlender sua equipe encontraram que os europeus e chineses carregam cerca de 2,8% de DNA proveniente de seus ancestrais Neandertais.
Mas quando foram calcular a quantidade de DNA Denisovano, as coisas ficaram um pouco mais complicadas, particularmente no que toca à população da Melanésia – uma região do Pacífico que inclui Vanuatu, Ilhas Salomão, Fiji, Papua Nova Guiné, Nova Caledônia, entre outros países.
Depois de analisar a quantidade de DNA de Denisovanos e Neandertais presentes nos melanésios, os pesquisadores se deram conta de que deveria haver um terceiro grupo de hominídeos, que provavelmente se reproduziu com os ancestrais dos melanésios.
Essa descoberta vai de encontro com um outro estudo realizado por pesquisadores do Museu de História Nacional da Dinamarca, que analisou o DNA de 83 aborígenes da Austrália e 25 nativos da Papua Nova Guiné. Esse foi o estudo genético mais compreensivo em relação ao indígenas australianos até o dia de hoje, e indicou que eles são a população contínua mais antiga da Terra – datando de mais de 50 mil anos atrás.
Mas o resultados revelaram algo a mais – o DNA era muito semelhante ao dos Denisovanos, mas distintos o suficiente para fazer os pesquisadores acreditarem que poderia ter existido um terceiro hominídeo em jogo, ainda desconhecido. “Que grupo é esse, ainda não sabemos”, disse o pesquisador principal do estudo, Eske Willers.
Até que tenhamos mais evidências concretas dessa suposta terceira espécie humana, não podemos afirmar que isso está comprovado. Além disso, talvez a identificação do DNA dos Denisovanos seja mais ambígua do que imaginamos, já que temos poucos fósseis dessa espécie disponíveis.
Mais pesquisas sobre o tema deverão lançar luz e nos ajudar a tirar conclusões mais concretas.
Os resultados da análise de Bohlender foram apresentadas no encontro da Sociedade Americana de Genética Humana, realizada no último mês no Canadá.
Fonte:http://climatologiageografica.com.br/populacao-de-ilhas-do-pacifico-tem-dna-de-uma-especie-desconhecida-de-humanos/2/
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