PARACELSO - MÉDICO E ALQUIMISTA



Paracelso, pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, (Einsiedeln, 17 de dezembro de 1493Salzburgo, 24 de setembro de 1541) foi um médico, alquimista, físico e astrólogo suíço.

Seu pseudônimo significa "superior a Celso (médico romano)". Entre todas as figuras erráticas do renascimento, a de Paracelso está pontada pela agitação da sua vida e pela a incoerência das suas opiniões e doutrinas. No estudo da sua biografia, facto tem sido gradualmente separado da fantasia, mas nenhum acordo foi alcançado no que respeita bem quanto à natureza e sentido de seu ensino. Ele é considerado por muitos como um reformador do medicamento. Outros elogiam suas realizações em Química e como fundador da Bioquímica. Ele aparece entre cientistas e reformadores como Andreas Vesalius, Nicolau Copérnico e Georgius Agricola, e, portanto, é visto como um moderno. Por outro lado, sempre possuiu uma aura de místico e até mesmo obscura reputação de mágico.
Durante séculos o seu trabalho tem sido criticado como não-científico, fantástico e na fronteira com a demência sendo que muitas de suas obras são puramente religiosas, sociais e éticas de caráter.
Biografia

 Infância

Paracelso nasceu em Ensiedeln, na Suíça. Seu pai era suabiano e sua mãe era suíça. Na infância, foi educado pelo seu pai, que também era alquimista e médico. Acompanhava-o nas caminhadas pelas montanhas e povoados, observando a manipulação de medicamentos. Aprendeu a gostar das plantas e ervas silvestres. Foi educado na Áustria e quando jovem trabalhou em minas como analista.

 Juventude

Paracelso, quando jovem, já instruido pelo pai, ao qual considevara além de instrutor, foi enviado aos cuidados dos monges do mosteiro de Santo André, na Savônia. Lá ele aprendeu sob a tutela dos monges e dos bispos Mathias Scheydt, de Rottgac e Mathias Schacht, de Freisingen e, especialmente de Eberhardt Baumgartner, tido como um dos alquimistas mais notáveis da época. Tendo concluido os estudos, e já no seu décimo sexto ano de permanência no mosteiro, ele foi enviado à Universidade de Basel e logo a seguir, foi instruído pelo abade de St. Jacob (Spanheim), em Wurzburgo, um dos grandes e célebres intelectuais da época, de nome Johann Trithemius.[1]

[editar] Formações acadêmicas

Foi educado na Áustria e quando adolescente trabalhou no laboratório e nas minas do judeu Sigismundo Fugger, em Schwatz, no Tirol, que, como Trithemius, foi também um grande alquimista.[2] Lá Paracelso trabalhou como analista. Formou-se em Medicina na Universidade de Viena em 1510, quando tinha dezessete anos. Especula-se que ele tenha feito o seu doutorado na Universidade de Ferrara.

 Viagens

Viajou para vários lugares do mundo, em busca de novos conhecimentos médicos e insatisfeito com o ensino tradicional que recebeu na academia. Foi para o Egito, Terra Santa, Hungria, Tartária, Arábia, Polônia e Constantinopla procurando alquimistas de quem pudesse aprender algo. Ao passar pela Tartária, conhecido como Reino do Grande Khan, Paracelso conseguiu curar o seu filho.

Regresso à Europa

No retorno de Paracelso à Europa, seus conhecimentos em tratamentos médicos tornaram-no famoso. Ele não seguia os tratamentos convencionais para feridas, que consistiam em derramar óleo fervente sobre elas; se as feridas estivessem em um membro (braço ou perna), esperava-se que elas ficassem em gangrena para então amputar o membro afetado. Paracelso acreditava que as feridas se curariam sozinhas se o pus fosse evacuado e a infecção fosse evitada.
Ele rejeitava as tradições gnósticas, mas manteve muitas das filosofias do Hermetismo, do neoplatonismo e de Pitágoras; de qualquer modo, a ciência Hermética tinha tantas teorias aristotélicas que a sua rejeição do Gnosticismo era praticamente sem sentido. Em particular, Paracelso rejeitava as teorias mágicas de Agrippa (Agrippa fora um dos outros discípulos de Trithemius) e Flamel. Ele não se achava um mago e desprezava aqueles que achavam que fosse.
Paracelso foi um astrólogo, assim como muitos (se não todos) dos físicos europeus da época. A Astrologia foi uma parte muito importante da Medicina de Paracelso. Em um de seus livros, ele reservou várias seções para explicar o uso de talismãs astrológicos na cura de doenças. Criou e produziu talismãs para várias enfermidades, assim como talismãs para cada signo do Zodíaco. Ele também inventou um alfabeto chamado "Alfabeto dos Reis Magos" e esculpiu nos talismãs nomes angelicais.

 Visão e doutrina

A distinta natureza da filosofia de Paracelso é consequência da visão cosmológica, teológica, filosofia natural e medicina à luz de analogias e correspondências entre macrocosmos e microcosmos. As especulações acerca dessas analogias tinham seriamente empenhado a mente humana desde o tempo pré-Socrático e Platônico e durante toda a Idade Média. Paracelso foi o primeiro a aplicar essas especulações para o conhecimento da natureza sistemática.
Isso associado com a singular posição que ele assume no que diz respeito à teoria e à prática de aquisição de conhecimentos em geral, quebrou longe do ordinário lógico, antigo e medieval e moderno, seguindo as suas próprias linhas, e é nisto que muito do seu trabalho naturalista encontra explicação e motivação.
Segundo Paracelso[carece de fontes?], se o homem, o clímax da criação, une em si mesmo todos os componentes do mundo em torno dele como minerais, plantas, animais e corpos celestes, ele pode adquirir conhecimento da natureza de modo muito mais directo e "interna" do que a forma externa de consideração dos objetos pela mente racional. O que é necessário é um ato de atração simpática entre o interior representativo de um determinado objeto, na própria constituição do homem e o seu homólogo externo. A união com o objeto é então o soberano meio de adquirir conhecimento íntimo e total. Esta não é alcançada pelo cérebro, a sede da mente racional. E é num nível mais profundo, à pessoa como um todo, que é dado o conhecimento. É o seu corpo astral que ensina o homem. Por meio do seu corpo astral o homem comunica com a supraelementrariedade do mundo astral. Astrum é o contexto que denota não só o corpo celestial, mas a virtude ou atividade essencial de qualquer objeto. Isto no entanto não é atingido num estado racional de pensamento, mas sim em sonhos e transes fortificados por força de vontade e imaginação.
O que parece ser original em Paracelso, então, não é a teoria microcósmica em si mesma, nem a busca da união com o objeto, mas o emprego consistente desses conceitos como a ampla base de um elaborado sistema de correspondências na filosofia e medicina natural.

 A morte

Voltou para Salzburgo em 1540, convidado pelo bispo da cidade. Faleceu em 24 de setembro de 1541 com apenas 47 anos, em um hospital, sonhando ter fabricado o Elixir da Vida. A causa de sua morte não foi esclarecida. Uma hipótese é que teria sido assassinato em 1541, como foi evidenciado na exumação de seus ossos, que mostrou uma fratura no crânio. O corpo foi velado na igreja de São Sebastião e, de acordo com o seu último desejo, foram entoados os salmos bíblicos 1, 7 e 30.
A fama de Paracelso aumentou com as suas curas milagrosas e, após sua morte, a sua fama cresceu ainda mais. Um século depois, centenas de textos paracelsianos foram publicados, referindo-se quase todos a medicamentos químicos. No final do século XVI, existia já uma imensa literatura sobre a nova matéria médica. Devido ao facto de a abordagem médica de Paracelso diferir tanto daquilo que era aceitável até então, estabeleceu-se uma enorme confrontação entre os paracelsianos e o sistema médico oficial em vigor até então, confrontação aguçada pelo impacto provocado pelos humanistas, que desdenhavam das obras de Dioscorides e de Plínio, ambos muito populares no final da Idade Média, e enalteciam trabalhos menos conhecidos, especialmente os tratados de fisiologia e anatomia de Galeno. Muitos médicos seguidores de Paracelso eram alemães; na França, a confrontação foi mais agravada pelo facto de muitos médicos paracelsianos serem huguenotes (protestantes, partidários de Calvino); na Inglaterra, tal confrontação foi menos tempestuosa, tendo sido adotados os medicamentos químicos, que eram utilizados simultaneamente com medicamentos tradicionais galênicos.

Ligações externas

Referências

  1. Life and the Doctrines of Philippus Theophrastus Bombast of Hohonheim known as Paracelsus, by Franz Hartmann
  2. Life and the Doctrines of Philippus Theophrastus Bombast of Hohonheim known as Paracelsus, by Franz Hartmann
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Paracelso


 Paracelso

Médico, Filósofo e Profeta
"O que uma geração considera como o máximo de saber, é frequentemente considerado como absurdo em gerações seguintes; e o que, num século, é considerado como superstição ou ilusão, pode formar a base da ciência nos séculos vindouros." Eis uma das grandes máximas que podemos extrair dos seus vários trabalhos de Paracelso. Neles se vê que uniu a teoria com a prática – aquela deve ter origem nesta, como ele defendeu. É por isso que na sua lápide tumular, em Salzburgo, na Áustria, se diz ter ele tratado doenças, consideradas incuráveis, por meio da Ciência Maravilhosa.
Mas, em nosso entender, Paracelso continua a ser um ilustre desconhecido, a avaliar por tudo quanto que se diz em algumas fontes acessíveis através dos novos meios tecnológicos: consideram-no até o pioneiro da clonagem além de outros pontos de vista, o que nos leva a perguntar se os autores desses artigos terão lido as suas obras e que face da Verdade é que conseguiram extrair dela.
Para se conhecer Paracelso é necessário saber, com alguma profundidade, os Ensinamentos da Escola Rosacruz de que foi um dos arautos. O certo é que há boas edições em francês, em alemão, e em espanhol; em inglês poucas conhecemos e, em português, há o que todos sabem: zero.
Profetizou ele que a medicina, no futuro, iria, por meio da cirurgia, reparar alguns órgãos e substituir outros; mas Paracelso é um alquimista, um clarividente voluntário, um ser com capacidade para criar algo de novo e para restaurar, por meios que ainda hoje somente se consegue, e só em parte, pela tecnologia. Em determinado grau de desenvolvimento seremos capazes de criar um outro corpo sem a necessidade de ir ao útero, como de manipular as células, os átomos, com inteiro respeito pela vida, que é sagrada, com grande reverência e somente para fins altruístas. A Medicina do futuro será uma Ciência e Arte Espiritualizadas, como ele soube já exercer, e daí, que se fale na Ciência Maravilhosa. Paracelso chamou a esses médicos espiritualistas, possuidores de poder espiritual, capazes de usar as forças vitais das plantas, dos minerais e outras. E tudo isso em correspondência com as forças cósmicas, de acordo com as posições planetárias, o dia e a hora, sendo capaz de usar a Magia Branca. Segundo Paracelso, Hipócrates pertenceria a esse grupo de médicos.
Como clarividente voluntário, ele soube analisar as causas das epidemias, que estão nos nossos maus pensamentos, emoções, sentimentos e acções, contrárias às leis cósmicas. Tudo isso cria "larvas", etc.; Por isso, recomenda Paracelso, devemos cultivar pensamentos positivos e puros, emoções nobres, onde o altruísmo seja a nota-chave; e até chama a atenção para os perigos do uso das drogas, estupefacientes, etc., que são veículos de acesso a essas "larvas".
Por isso, afirmou conhecido alquimista, "se o nosso amor for elevado, a nossa medicina dará bons frutos; todavia, se não o for, os frutos serão bichosos". E lembrou ainda, por um lado, que "o médico deve ser caritativo, porque o egoísta muito pouco fará pelos seus doentes"; e, por outro, disse também que "o médico devia ser o servidor e não inimigo da Natureza", ou seja, que ele deve seguir as Leis Naturais. E o que tem feito a Ciência materialista e egoísta em todas as áreas? Basta ver como está o meio ambiente.
Quanto à alimentação, Paracelso lembrou um ditado muito antigo: "o ser humano é aquilo que come". É tempo de seguirmos os regimes sem carne nem peixe ou derivados, nem bebidas alcoólicas. Mas, houve, porém, um Judas que até o difamou sobre esta área como noutras: a resposta encontrá-mo-la no texto que ele próprio escolheu para ser lido no seu funeral: os Salmos 1, 7 e 30.
Em 1993 comemoraram-se 500 anos sobre a data do seu nascimento. Procurámos, por vários meios, obter os elementos que necessitámos para dar-lhe o mínimo de dignidade. Uma das fontes foi a Biblioteca da Universidade de Zurique, Suiça, designadamente a página que foca a sua passagem por Lisboa em 1518: é valioso o relato que ele faz sobre a cosmopolita cidade e os seus contactos com colegas do Oriente. Paracelso tinha mente aberta.
Nesse ano, Paracelso – que tinha sido expulso de professor da Universidade de Basileia devido às suas ideias demasiado elevadas, e ainda o são, por pertencerem à Idade do Aquário, sendo contrário ao ensino escolástico – foi reabilitado e integrado. Esta noticia dá-a a revista L’Herbo, da Suiça, e é de autoria de Alfred Berchtold, professor universitário especialista em História Cultural daquele país.
Na sua obra sobre as profecias, numa das gravuras, surge sobre uma Rosa e uma letra F, maiúscula, num contexto que nos comunica que a Fraternidade será uma realidade no futuro e o símbolo, a Rosa, será a arauta.
No fundo, Paracelso foi o pioneiro da iatroquímica; da homeopatia, da medicina no trabalho, dos médicos sem fronteiras, do estudo das ondas ou vibrações magnéticas; da psicologia empírica; da botânica oculta, da medicina neo-hipocrática, criando e incentivando a Escola de Iniciação Rosacruz em vários países.
Na era de grandes mudanças e de dores imensas lembremos uma das suas máximas: "não existe nenhuma enfermidade, por terrível que seja, para a qual deus não haja previsto a cura correspondente."

Delmar Domingos de Carvalho

Fonte:http://www.fraternidaderosacruz.org/deusinterno.htm

 

PARACELO E  IATROQUIMICA




Resenha apresentada à disciplina “Temas de Química I: Eixo Tecnologia e Sociedade”, como requisito de avaliação, orientado pelo Prof. Esp. Luiz Roberto Morais.
São Miguel do Guamá – Pará Setembro/2009

I- Introdução

Paracelso foi o maior expoente da iatroquimica, uma junção entre
Química e Medicina. Com uma vida de bebedeiras, ofensas às autoridades, banimentos e loucuras e genialidade, este grande cientista trouxe revoluções para Química do Século XVI que refletem até hoje em nossas práticas médicas.

II- Iatroquímica

A Iatroquímica é uma corrente da Alquimia surgida no final do Séc.
XV e início do XVI, que visava o tratamento de doenças a partir da administração de substâncias químicas para que o corpo atingisse o “equilíbrio” dos elementos que o formam. Ou seja, nada mais é que Alquimia aplicada à medicina.
Nessa época, imaginava-se que todas as coisas eram formadas por três princípios: O sal, que determinava a característica da solidez; o mercúrio determinava a volatilidade; e o enxofre determinava a capacidade de combustão. As características eram determinadas segundo as quantidades desses três princípios e cada material, inclusive o homem, possuía uma quantidade específica dos princípios.
Para a Iatroquimica, as moléstias existentes eram resultado do desequilíbrio desses princípios, e para sanar o problema eram administradas doses certas de substancias como o mercúrio, o iodo, o enxofre, o arsênio, etc.

III- A vida do Homem

Theophrastus Bombast von Hohenhein1, nasceu em Einsiedeln –
Suíça – no final de 1943. Era filho ilegítimo e sua mãe era uma serva, pertencente ao seu empregador. Theophrastus era uma criança raquítica e vivia doente.
1- Prefere-se, neste momento, chamá-lo pelo nome de batismo. Paracelso foi adotado depois, e só será usado, a partir do momento histórico em que ele foi adotado por Theophrastus.
Sua mãe morreu quando ainda ele era criança, e junto com seu pai mudou-se para Villach na Áustria, onde seu pai ensinava Alquimia Prática e Teórica (que, na prática hoje, seria Metalurgia Teórica e Prática) na faculdade de mineração local. Seguramente, “Paracelso pai” fazia incursões na alquimia clássica das transmutações, e seu filho lhe auxiliava.
A experiência precoce fez de Theophrastus um grande conhecedor das características, propriedades e técnicas de manipulação de minerais. Quando começou a trabalhar nas minhas e oficinas pertencentes aos Fugger (família rica e de grande prestígio no norte da Europa) como aprendiz de capataz, seu conhecimento foi expandido. Esse emprego durou até que ele completasse 14 anos, quando saiu em busca de conhecimento nas universidades européias. Mesmo não sendo incomum, a inusitada juventude com que o fez, demonstra seu intelecto prodigioso, além de seu temperamento difícil.
Estudou em Alquimia em Württenberg, Medicina em Paris, sob o comando de Ambroise Paré, e na Itália segundo afirmava ele próprio. Quando completou 20 anos, passou a pregar suas idéias pouco ortodoxas. Enquanto isso as universidades pela Europa permaneciam no passado, resolvendo incógnitas a partir da outorgação de autoridade a Aristóteles e outros clássicos, proferindo aulas em latim, ou seja, tornando o conhecimento estrangulado. Theophrastus, não aceitava isso, e passou a rejeitar o conhecimento acadêmico.
Acreditava que só poderia aprender medicina se saísse em busca de práticas populares para adquirir experiência. Paracelso2 se irritava com a visão clássica da medicina de sua época, que podia ser ilustrada nas obras de Celso.
Pelos próximos sete anos, Paracelso andou por estradas vicinais da
Europa, sustentando-se como médico, tanto como cirurgião militar, quanto como médico itinerante. Vez ou outra era chamado para atender um nobre, ocasião na qual recebia uma considerável quantia. Em 1521, esteve na Dieta de Worms. No ano seguinte, em Constantinopla.

IV-A partir desse momento, Theophrastus assume o nome Paracelso, que faz alusão a Celso, médico romano do Séc. I E.C. Paracelso significa “maior que Celso”.
Em 1524, num momento onde sua fama já era bem conhecida devido à autopromoção, voltou à Villach onde foi bem recebido por seu pai. Em 1525 teve sorte ao escapar com vida de Salzburg depois de ter apoiado publicamente a Guerra dos Camponeses.
Paracelso esteve em Basiléia, no ano de 1527, onde curou a perna inválida de Johan Frobenius quando os demais médicos eram a favor da amputação. Isso lhe rendeu uma nova e importante amizade. Por indicação de seu amigo, foi oferecido a ele o cargo de superintendente médico da cidade e professor na Universidade de Basiléia. A calma e discrição nunca foram o forte de Paracelso. Oporinus, seu assistente relatou: “Ele passava seu tempo na bebedeira e na glutonaria, dia e noite. Não podia ser encontrado sóbrio por uma ou duas horas seguidas...”
Ainda em Basiléia, Paracelso foi chamado, para tratar de uma doença, por um cônego que lhe prometera 100 florins caso pudesse curá-lo. Rapidamente ele o fez, e o cônego lhe pagou somente 6 florins alegando que era suficiente de acordo com o tempo e esforço empreendido. Paracelso levou o caso a julgamento. Mas o resultado não lhe foi favorável, e por isso acusou publicamente os magistrados, o que era um grave crime, devido o qual foi expedido um mandato de prisão jamais cumprido graças ao fato de ter fugido antes que lhe pudessem capturar.
Em 1528, Paracelso viajou à Nuremberg, onde sua fama de impostor chegara antes. Dois anos mais tarde, de volta à Nuremberg, Paracelso irritou as autoridades médicas locais ao zombar dos ensinamentos clássicos.Em 1532, ele estava usando a técnica da inoculação3 em vítimas da peste em Stertzing.
No ano de 1538, pela terceira vez Paracelso estava em Villach, e acabou descobrindo que seu havia morrido quatro anos antes. Os cidadãos de Villach respeitavam o pai de Paracelso, mas não gostam do filho, que foi expulso da cidade, sem nem sequer tomar posse da casa que havia pertencido a seu pai. Sem casa, vagou pela Suíça, Holanda e Alemanha, de cidade em cidade, ainda com sua vida de beberrão.

V- Consistia em administrar agentes patogênicos de uma doença em pessoas acometidas por esta mesma doença.
Em 1540, foi contratado no serviço do príncipe-arcebispo Ernest da
Baviera em Salzburg. Na noite de 21 de setembro de 1541, quando voltava para a Estalagem do Cavalo Branco, onde estava hospedado, sofreu uma grave queda que levou-lhe à morte no dia 24 de setembro daquele ano, dois anos antes de Copérnico instalar o sol como centro do sistema planetário, quando foi declarada a revolução científica.

VI- Produção Científica

A produção científica de Theophrastus começou somente quando se tornou „Paracelso‟, quando rompeu com o dogmatismo acadêmico da época, quando percebeu que o atrelamento da ciência com o pensamento clássico de Aristóteles estava mais atrapalhando que ajudando no avanço da humanidade.
Foi exatamente nesse período, por volta dos 20 anos, que
Theophrastus – ou melhor, Paracelso – resolveu sair em busca de conhecimento. No começo, ele viajou por sete longos anos. Pôde em Constantinopla redescobrir alguns segredos da alquimia bizantina e a partir de observações de camponesas (que faziam um corte na veia e inseriam nele uma agulha contaminada para prevenir algumas doenças), fez uma de suas primeiras e mais importantes declarações: “o que adoece um homem também o cura”.
Paracelso, por mais que não tenha sido o “criador” ou “inventor” da
Iatroquímica, por muitas vezes tem sido lembrado como tal, por ser a figura mais conhecida dessa vertente. Ele pregava que a alquimia não poderia ficar fadada a tentativas frustradas de produzir ouro, ao contrário, deveria ter suas técnicas postas a serviço da medicina, produzindo remédios específicos, para doenças específicas. Assim a prática médica seria uma ciência e não mais uma “arte vagamente duvidosa que parecia até então” (STRATHERN, 2002).
As práticas médicas passariam a ser descritas de forma sistematizadas e padronizadas, para que pudessem ser lidas por qualquer um que assim quisesse, e de agora em diante os remédios seriam preparados segundo uma lógica científica, não através de superstições e remédios feitos de ervas. Paracelso propôs que os minerais deveriam ser investigados de maneira abrangente, para que fossem descobertas suas propriedades, antes de serem usados na confecção de medicamentos, e esses estudos desenvolvidos por ele, nos deram compostos utilizados hoje pela farmácia moderna.
Paracelso acreditava que o corpo nada mais era que um grande laboratório de Química e que a vida era uma cadeia de processos químicos. Dessa forma, ele via que as doenças eram desequilíbrios nesses processos e que o tratamento consistia na administração de doses de substâncias que reequilibrassem esses processos. Práticas como a dissecação eram vistas por Paracelso como inúteis, sob a alegação de ser o que ele chamava de “anatomia morta”.
A “milagrosa” cura de Johan Frobenius lhe proporcionou o cargo de professor de medicina na Universidade de Basiléia. Como o temperamento de Paracelso não era o que podia ser chamado de calmo, e como anos antes ele havia rompido com a estrutura acadêmica [atrasada] de sua época, as aulas só poderiam ser em nada convencionais. Ele contrariou as tradições ministrando suas aulas em alemão e apresentando-se em trajes de laboratório; tornou pública e acessível suas aulas, tanto quanto eram bizarras. Chegou a ser comparado com Lutero, pela audácia e revolucionarismo, mas seu caráter era apenas científico.
Rejeitou a teoria da Saúde Corporal, que pregava o equilíbrio ou desequilíbrio dos quatro “humores” como sendo responsáveis pela saúde ou o seu inverso. O motivo da rejeição, é que essa teoria é clássica, desenvolvida por Hipócrates. Para Paracelso, a explicação estava na Iatroquímica, na administração de remédios certos, preparados a partir de fontes minerais. Os fatos constatáveis da Iatroquímica iriam substituir os “humores” de Hipócrates.
Paracelso criou a “Doutrina das Assinaturas”, que proferia que a natureza, com sua sabedoria superior, deixava assinaturas para que os homens pudessem ler e tirar proveito dos itens “assinados”. Por exemplo, uma planta que parecesse um testículo serviria como remédio para doenças venéreas.
A primeira descrição verdadeiramente completa e clínica da sífilis foi desenvolvida por Paracelso, depois de muitos sifilíticos serem tratados por ele, inclusive os 14 de Nuremberg, dos quais 9 foram completamente curados. Foi um dos pioneiros na administração de mercúrio no tratamento dessa doença, tendo obtido bons resultados. Escreveu, 1536, o Die Grosse Wundartzney4, um registro de seus vastos conhecimentos médicos. Essa obra foi muito requisitado, dando certa prosperidade à seu autor.
Descreveu as “doenças do Tártaro” – designação dada à gota, artrite, cálculos. Segundo Hipócrates, a gota era causada pela “defluxão”, que impedia o fluxo dos humores para os pés, motivada pelo envelhecimento, e, portanto, incuráveis. Paracelso discordava e mostrou que poderia curar a partir da Iatroquímica. Desenvolveu o Láudano, que era uma concocção de ópio cru, que ajudava no tratamento de dores.
Entre as substâncias usadas por ele, estão o mercúrio, o antimônio e o arsênio, produtos conhecidamente tóxicos. Possivelmente foi o primeiro a descrever o bismuto e o cobalto, mesmo que não tenha sido o descobridor.
Embora Paracelso tenha feito um grande trabalho para a Química, não podemos esquecer que ele foi um alquimista. Ao longo de sua vida, procurou a pedra filosofal, que cria ser o elixir da vida. Contudo, mesmo em sua alquimia, ele fora capaz de manter uma atitude científica.
De fato, alquimista ou médico, Paracelso nos deixou tesouros e trunfos de conhecimento. Trunfos dos quais nos valemos hoje para tratarmos algumas doenças, para evitá-las, procedimentos médicos, químicos, farmacêuticos.

VII- Análise e Considerações

Afora seus protestos, Paracelso desejava transmitir ao mundo a descoberta – ou em alguns casos a redescoberta – de novos métodos científicos. Redescoberta no sentido de mostrar ao mundo práticas esquecidas. E ele fez o que desejava. Certamente que o fez não somente pelo prazer em ajudar as pessoas, ou pela evolução da ciência, mas também em benefício
 “O Grande Livro da Cirurgia” próprio, no que concerne a ganhos financeiros e ao reconhecimento por seus feitos.
Alguém com o temperamento de Paracelso certamente gostaria de ser reconhecido por feito grandiosos, e uma prova disso é que sempre tentava fazer as coisas de modo diferente dos demais, sempre quis chamar a atenção das pessoas para aquilo que acreditava e pregava.
Quando Paracelso disse que a alquimia estava perdendo tempo em busca de ouro, certamente se contradisse, pois, mesmo com suas idéias de Iatroquímica ele também buscou a produção de ouro e a pedra filosofal.
De certa forma, ele deu um passo contra uma ordem científica que não conseguia progredir devido o pensamento clássico. E mesmo criticando muitos pontos deste pensamento, vez ou outra, acabava admitindo idéias semelhantes às clássicas, ou idéias bem parecidas com as superstições que tanto repudiava. Prova disto é a “Doutrina das Assinaturas”, que se baseava simplesmente na aparência de itens da natureza.
Paracelso mostrava-se demais interesseiro e com fortes sentimentos de rivalidade. Repudiava o uso de ervas no tratamento de doenças, mas somente se quem estivesse receitando fosse outro médico. Essas práticas só eram admitidas se fosse ele quem descrevesse e aplicasse. Isso ocorre também com os estudos sobre o funcionamento do corpo, quando ele diz que a dissecação é o estudo da “anatomia morta”.
Paracelso era beberrão, baderneiro, indiscreto e radical. Mas isso não o impediu de ser uma das mentes mais brilhantes da Europa no Século XVI. Indiscutivelmente, não era um exemplo de vida, de homem e de caráter, mas suas contribuições vêm marcando a humanidade por cinco Séculos.

VIII- Referências Bibliográficas

STRATHERN, Paul. O Sonho de Mendeleiev: A Verdadeira História da Química. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 2006.
VANIN, José Atílio. Alquimistas e Químicos: O passado, o presente e o futuro. Moderna. Rio de janeiro, 1994.


Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAABSCQAG/paracelso-a-iatroquimica#ixzz21fIL8r3E


PLANTAS MÁGICAS(BOTÂNICA OCULTA) DE PARACELSO



O grande alquimista suíço Paracelso notabilizou-se por voltar todo o enfoque de seu trabalho para uma finalidade medicinal. Ao contrário da maioria dos alquimistas, recusava dedicar-se à "Crysopéia", a arte filosofal de produzir ouro. Ao invés de buscar a riqueza, ele procurou as virtudes secretas dos elementos naturais, estudando as propriedades das plantas, dos metais e dos animais visando restaurar a saúde ou prolongar a vida. Em seu célebre tratado "Botânica Oculta", Paracelso dedica especial atenção ao efeito terapêutico e à associação astrológica de cada planta, estabelecendo parâmetros que são inestimáveis até hoje para os pesquisadores modernos. Nessa obra podemos perceber a identidade com a visão de outros alquimistas célebres como Agrippa, Alberto Magno e Dioscórides, que também pesquisaram esse tema.


ABSINTO - (Artemisa absinthyum) Produz insônia e alucinações terríveis nas pessoas muito nervosas. Suas flores, secas e queimadas são empregadas como um poderoso perfume nas evocações infernais.
Marte e Capricórnio.

ACÁCIA - (Acacia) Árvore sagrada dos egípcios, símbolo da imortalidade da alma na Maçonaria. A Tradição refere que a cruz de Jesus era feita dessa madeira. O suco do fruto da acácia, colhido na hora planetária correspondente, é misturado às tintas usadas para desenhar os talismãs sobre pergaminhos. Mercúrio.

ACÔNITO - (Áconitum napellus) Uma das 12 plantas sagradas dos Rosacruzes. Misturada com arruda, açafrão e babosa e utilizada em fumigações para afugentar os maus espíritos. Os antigos gregos diziam que essa planta nasceu da espuma furiosa de Cérbero, quando Hércules o tirou do Inferno.

Na Idade Média era-lhe atribuída a virtude de fazer crescer o cabelo. Saturno e Capricórnio.

AGNOCASTO - (Agnus castus) Chamada por Paracelso de "satanea", era utilizada para aplacar os "ardores da carne", sendo anafrodisíaca ao extremo. Por isso os atenienses que queriam conservar a castidade dormiam com um ramo dela em seu leito. Saturno e Câncer.

ALHO - (Allium sativum) Planta sagrada para os egípcios. Os gregos, no entanto, proibíam a entrada no templo a quem tivesse comido alho.

Era amplamente utilizado como estimulante, antirreumático, expectorante, e até como calicida. Pessoas atacadas de hidrofobia comiam altas quantidades desse bulbo e depois eram submetidas a um banho de vapor para suar o máximo possível. Por ingênuo que possa parecer, acreditam alguns que Paracelso curou muitas pessoas por meio dessa prática. Os tratados medievais recomendam que, para proteção contra qualquer malefício, colham-se sete alhos na hora de Saturno, coloque-os em um cordão de cânhamo e leve-os no pescoço durante sete sábados. Assim agindo a pessoa ficaria livre de feitiços para toda a vida. Para afugentar os pássaros de uma árvore, esfrega-se alho nos ramos. Para obter alhos inodoros, basta plantar e colher quando a Lua não esteja sobre o horizonte. Marte e Saturno.

ARTEMÍSIA - (Artemisa vulgaris) Chamada de Erva-de- São-João, era uma das plantas sagradas dos Rosacruzes. Colhida no dia de São João, ou em qualquer sexta-feira antes do nascer do sol, afugenta os maus espíritos e as influências nocivas. Colocada sobre a porta da casa, evita os malefícios. Com as três flores e as folhas dessa planta se fazem perfumes contra os espíritos guardiões de tesouros e contra os demônios. Sol e Leão.

BELADONA - (Atropa belladona) Planta venenosa, utilizada pelas bruxas em suas pomadas mágicas. Suas folhas secas e trituradas, misturadas com cânfora e açafrão, constituem um perfume mágico para afugentar as larvas do astral. Saturno, Vênus e Escorpião.

CAMÉLIA - (Camelli) Convenientemente destilada produz um azeite de grande valor mágico, destinado à alimentação das lâmpadas empregadas em diversos ritos teúrgicos, como as evocações angélicas. Seu uso assegura a comunicação com entidades elevadas e seres de luz. Júpiter e Peixes.

CANELA - (Cinnamómum ceylanicum) Planta empregada nos perfumes mágicos do Sol e em muitos filtros e encantos de amor. O banho de canela do pescoço para baixo é usado para gerar uma força mágica extra e para aumentar o carisma e a influência sobre as pessoas. O pó dessa planta, soprado na porta da casa, ajuda a atrair a prosperidade. Algumas pessoas guardam uma nota dobrada com canela em pó dentro dentro da carteira para que o dinheiro não falte. Sol e Leão.

ESTRAMÔNIO - (Datura stramónium) Solanácea presente em vários ritos de Magia Negra, sendo ingrediente comum na pomada das bruxas, que untavam o corpo com ela para assistir ao Sabá. Também chamada de "figueira do inferno". Marte e Escorpião.



GIRASSOL - (Heliotropio) Planta sagrada para os Rosacruzes. Se é entregue com o talo comprido a uma pessoa sonâmbula ela adquire uma extraordinária visão orgânica interna e possuirá uma faculdade especial para a interpretação dos sonhos. Sol e Leão.

INCENSO - (Incensum) Planta largamente utilizada para defumação, purificação de ambientes e culto aos deuses solares, pois facilita a comunicação com os seres espirituais de alta hierarquia e rechaça a influência das forças negativas. Júpiter e Sol.

ÍRIS - (Iris, Iride) Suas flores simbolizam a Paz. Colhidas na hora
de Vênus e postas sob o travesseiro de uma criança fazem com que ela tenham sonhos proféticos de grande exatidão. Vênus e Libra.

LÍRIO - (Lilium Chrynostates) Emblema da castidade. Na Idade Média acreditava-se que o pólen dessa flor dissolvido em água faria urinar abundantemente a moça que não fosse mais virgem. A raiz, colhida quando a Lua ou Vênus estejam em Áries ou Libra e levada ao pescoço, reconcilia os amantes rompidos. Com ele se compõem perfumes mágicos ideais para manifestações teúrgicas ou onde se desejam manifestações astrais. Lua e Libra.

MELISSA - (Melysa officinalis) As sibilas dos templos de Cumas, de Delfos, da Eritréia, da Líbia e outros serviam-se de uma poção onde entrava essa planta em grande quantidade. Se ela é pendurada ao pescoço de um boi, ele seguirá obedientemente a quem a pôs. Sol e Júpiter.

NARCISO - (Narcissus pseudonarcissus) Segundo os antigos, a raiz destilada dessa planta aumenta consideravelmente a secreção do esperma. Era dedicada às Fúrias e a Plutão. Levando-a consigo se atrai a amizade das virgens. Touro e Leão.

OLIVA - (Olea europea) Árvore consagrada à Deusa Minerva. O ramo é um símbolo da Paz e o azeite é um condensador poderoso da luz e se utiliza em diversas operações mágicas. Peixes.

ROSA - (Rosae vulgaris) Flor iniciática em diversas ordens religiosas da Antiguidade. É emblema de Amor e de martírio. No quarto domingo da Quaresma o Papa abençoa a Rosa de Ouro, um dos sacramentos que a Igreja Católica apresenta em sua liturgia. É a primeira das 12 plantas sagradas dos Rosacruzes. Vênus, Júpiter e Touro.

SÉSAMO - (Sésamum orientale) Também conhecido como gergelim pelos ocidentais e como "tila" pelos hindus, é queimada por eles nos sacrifícios domésticos em honra dos ancestrais, os "Pitris".

VALERIANA - (Valleriana officinalis) Planta hipnótica muito usada em trabalhos de magia. Durante o sono hipnótico produz efeitos surpreendentes. Se é dada a cheirar a uma pessoa hipnotizada, esta se põe de quatro e começa a urrar como um animal fustigado. Saturno e Touro.

VERBENA - (Verbena officinalis) Uma das plantas sagradas dos Rosacruzes. As flores são muito utilizadas em operações de Magia Sexual. Com elas se compõe um filtro de amor de grande potência. Cinco folhas de verbena misturadas com vinho e derramadas em uma sala onde haja uma festa, fazem nascer entre os convivas uma alegria irresistível. Levando-se essa planta na mão sem que um doente perceba e perguntando-lhe por sua saúde, se ele responde "vai bem", ficará curado logo. Se responde "parece que estou melhor", vai demorar mas ficará curado. Se responder "vou mal", morrerá. Sol, Mercúrio e Libra.


Fonte:http://lizzabathory.blogspot.com.br/

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