VACINA BIVALENTE PARA COVID-19: ESTÁ NA HORA DE RECEBER UMA DOSE? TIRE DÚVIDAS SOBRE A NOVA ETAPA DA CAMPANHA
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Vacina
bivalente para Covid-19: está na hora de receber mais uma dose? Tire as dúvidas
sobre a nova etapa da campanha
Nesta segunda-feira, Brasil começará a
imunizar grupos de risco com versão adaptada do imunizante para a variante
Ômicron; saiba os planos para todas as faixas etárias
Por Bernardo Yoneshigue —
Rio de Janeiro
26/02/2023 04h31 Atualizado há 3 anos
Nesta segunda-feira, está previsto o início de uma nova campanha de
vacinação no Brasil com os imunizantes contra a Covid-19. Para determinados
grupos, será indicada uma nova dose de reforço com as versões adaptadas das
vacinas, as chamadas bivalentes, que ampliam a proteção contra a variante
Ômicron do novo coronavírus. (Veja o calendário no Rio e em São Paulo)
Já para a maior parte da população, os esforços serão
concentrados em elevar a adesão à terceira e à quarta dose com os imunizantes
originais, que já estão disponíveis nos postos de saúde, porém com a cobertura
aquém do desejado.
Como desde que teve início, em 2021, a vacinação no país adaptou-se às
novas evidências científicas sobre a duração da proteção e necessidade de doses
adicionais, os esquemas vacinais podem provocar dúvidas. Por isso, o GLOBO
conversou com a médica pediatra e diretora da Sociedade Brasileira de
Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, e explica em detalhes os próximos passos
da campanha no Brasil e qual é a indicação das autoridades sanitárias para cada
caso.
1 - O que são as novas vacinas
bivalentes?
As vacinas utilizadas desde 2021 são chamadas de monovalentes, pois
foram feitas com apenas uma versão do novo coronavírus – a que foi identificada
ainda no final de 2019. No entanto, como o Sars-CoV-2 evoluiu com o passar dos
anos, os laboratórios Pfizer e Moderna desenvolveram novas formulações chamadas
de bivalentes.
As novas formulações são baseadas em duas versões do vírus, metade com a
mesma das doses anteriores, e a outra metade com material da Ômicron, variante
que predomina hoje no mundo. Com isso, a proteção é ampliada.
— A bivalente é mais atualizada em relação às variantes que circulam no
Brasil e no mundo, e tem como o principal objetivo agora dar uma proteção
maior, que sabemos que se perde com o tempo e com novas cepas, contra óbitos e
hospitalizações. Ela é uma dose de reforço, então as pessoas precisam ter
recebido pelo menos duas doses da vacina original antes — explica Isabella
Ballalai.
No Brasil, somente o imunizante adaptado da Pfizer tem aval da Anvisa
como um reforço para maiores de 12 anos. Porém, a aplicação depende de
recomendação e oferta do Ministério da Saúde, que indicou apenas a determinados
grupos considerados de maior risco para agravamento da doença.
2 - Para quem está indicada a vacina
bivalente?
No momento, a dose é orientada aos grupos prioritário. Ela pode tanto
substituir a terceira ou a quarta dose daqueles que estão atrasados, como ser
uma quinta para quem está com o esquema anterior em dia. O intervalo para a
aplicação é de quatro meses após a última. O imunizante não será ofertado, ao
menos por ora, para a população geral.
— Essa decisão foi compartilhada com o comitê técnico assessor em
imunizações e é considerada adequada, é o que a maioria dos países fazem até
agora. Para a população geral, que não faz parte dos grupos de risco, estar em
dia com o esquema atual das vacinas originais já gera uma boa proteção. Não é
necessário um reforço a mais além da terceira ou quarta dose já indicadas pelo
ministério — diz Isabella.
Os grupos elegíveis para a bivalente, porém, não são os mesmos de etapas
anteriores da vacinação contra a Covid-19. Pessoas com comorbidades, por
exemplo, não estão contempladas. O mesmo em relação a profissionais da
educação.
Confira
a lista de quem poderá receber a dose bivalente:
- Pessoas com mais de 60 anos;
- Gestantes e puérperas;
- Pacientes imunocomprometidos a partir de 12 anos;
- Pessoas com deficiência a partir de 12 anos;
- Pessoas vivendo em Instituições de Longa Permanência (ILP);
- Povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas;
- Trabalhadores e trabalhadoras da saúde;
- Pessoas
privadas de liberdade e adolescentes cumprindo medidas socioeducativas.
3 - Quando posso tomar a vacina
bivalente?
No total, aqueles elegíveis para receber a bivalente totalizam 54
milhões de brasileiros, segundo estimativas do Ministério de Saúde. De acordo
com o cronograma de entregas da Pfizer, 38 milhões de doses da vacina já foram
enviadas ao Brasil, e mais 10 milhões devem chegar até junho.
A vacinação será escalonada em etapas, de acordo com o envio das doses
aos estados e com o recebimento das novas levas pela Pfizer.
De acordo com a nota técnica do ministério, nessa primeira fase, que
começa amanhã, a prioridade são pessoas a partir de 70 anos; pessoas vivendo em
instituições de longa permanência (ILP) a partir de 12 anos (abrigados e os
trabalhadores dessas instituições); imunossuprimidos a partir de 12 anos e
comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas;
Em seguida, na próxima etapa, serão incluídas pessoas de 60 a 69 anos de
idade. Na terceira fase, gestantes e puérperas passarão a receber a dose
bivalente.Trabalhadores da saúde fazem parte da quarta fase. Já pessoas com
deficiência permanente a partir de 12 anos, pessoas privadas de liberdade e
adolescentes cumprindo medidas socioeducativas, da quinta.
O ministério divulgou neste fim de semana um informe técnico com
previsão de datas para as demais etapas. Mas, como estados e cidades podem
implementar seus próprios calendários, é importante checar os dias exatos e os
grupos divulgados pelas secretarias estaduais e municipais. Veja a estimativa
do ministério:
- Fase
1 (27/02): Pessoas acima de 70 anos; pacientes
imunocomprometidos a partir de 12 anos; pessoas vivendo em instituições de
longa permanência (ILP) e comunidades indígenas, ribeirinhas e
quilombolas;
- Fase
2 (06/03): Pessoas de 60 a 69 anos;
- Fase
3 (20/03): Gestantes e puérperas;
- Fase
4 (17/04): Trabalhadores da saúde;
- Fase 5
(17/04): Pessoas com deficiência permanente a partir de
12 anos, pessoas privadas de liberdade e adolescentes cumprindo medidas
socioeducativas.
4 - A população geral receberá a dose
bivalente?
Em alguns países, como Chile e Estados Unidos, a bivalente é indicada à
população geral. Porém, não há planos para que pessoas de fora dos grupos de
risco, como as abaixo de 60 anos, recebam indicação para a nova dose da vacina
no Brasil
Ainda assim, a população geral também é alvo da nova campanha do
Ministério da Saúde devido às baixas coberturas com a terceira e a quarta dose,
de modo a chamar os atrasados para os postos de saúde. Segundo dados da Rede
Nacional de Dados de Saúde (RNDS), compilados pela pasta, são cerca de 60
milhões de brasileiros sem o primeiro reforço.
O ministério indica o esquema de três aplicações para todos com mais de
seis meses de idade, ou seja, também crianças e adolescentes. Já a quarta dose
é para aqueles a partir de 40 anos. Em muitos estados e municípios, esse
segundo reforço é ampliado para todos com mais de 18 anos, o que não tem
contraindicação, embora os benefícios sejam limitados.
— Essas pessoas que não vão receber a bivalente, como crianças, jovens e a
maior parte dos adultos, precisam estar com os reforços previstos para cada
faixa etária atualizados. Hoje mais de 90% das pessoas que morrem são as que
não estão adequadamente vacinadas com todas as doses indicadas do imunizante
original — explica a diretora da SBIm.
Ela lembra que, além dos esquemas citados acima, os imunossuprimidos
devem receber uma dose adicional, mas que poderá ser feita a partir do dia 27
com a bivalente para os atrasados, o que é preferencial.
5 - Terá quinta dose para a população
geral da vacina monovalente?
Por mais que a bivalente não esteja nos planos atuais do governo para as
pessoas de fora do grupo de risco, há também a dúvida se será indicada uma nova
dose – que para a maioria das pessoas seria a quinta – do imunizante original.
Isabella afirma que isso é alvo de debate, mas ainda não foi decidido.
— Em algum momento pode acontecer sim. Mas em relação à possibilidade de
uma vacinação anual, como a da gripe, ainda precisamos acompanhar mais a
evolução do vírus da Covid-19 para entender — diz.
6 - Estou com a dose atrasada, o que
fazer?
Com tantos esquemas diferentes, muitas pessoas podem estar com a
terceira ou a quarta dose atrasadas. Isabella, da SBIm, explica que aqueles dos
grupos de risco que poderão receber a vacina bivalente devem aguardar a dose
chegar ao posto de saúde, mas os demais devem atualizar imediatamente a
caderneta.
— Quem faz parte dos grupos de risco que estão elegíveis para receber a
dose bivalente por agora, e está com a terceira ou a quarta dose atrasada, deve
aguardar um pouco para receber diretamente a bivalente. No entanto, os que não
fazem parte desses grupos, e estão com dose atrasada, devem atualizar o esquema
com a vacina disponível o quanto antes — orienta.
Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/02/vacina-bivalente-para-covid-19-esta-na-hora-de-receber-mais-uma-dose-tire-as-duvidas-sobre-a-nova-etapa-da-campanha.ghtml
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