OS RISCOS DO SEXO ORAL: NÃO USAR CAMISINHA NO SEXO ORAL - VEJA AS DOENÇAS E INFECÇÕES QUE VOCÈ PODE ARRISCAR PEGAR
Casal se prepara para ter relações sexuais Foto: Agência O Globo / O Globo
Os Riscos do Sexo Oral
Publicado:
12/11/2024
Quando falamos em riscos que envolvem a vida sexual de uma pessoa, a prática oral é, muitas vezes, deixada de fora do assunto por acreditarem que a mesma não oferece perigo. Cerca de 84% das pessoas sexualmente ativas entre 18 e 44 anos relatam já terem praticado alguma relação sexual oral em sua vida. No entanto, assim como outras formas de atividade sexual, o sexo oral não é isento de riscos.
Embora o sexo oral apresente menor risco de
transmissão por relação para muitas infecções sexualmente transmissível se
comparado ao sexo vaginal ou anal insertivos, ele ainda pode transmitir várias
infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e causar outros problemas de saúde
se não forem tomados cuidados adequados. Continue a leitura deste artigo e
saiba mais sobre os riscos do sexo oral.
O Sexo Oral
Sexo oral é uma prática
sexual que envolve o uso da boca, dos lábios e da língua para estimular os
órgãos genitais de outra pessoa. Essa prática pode ser realizada tanto em
homens quanto em mulheres e é conhecida por diferentes nomes dependendo da
parte do corpo estimulada:
- Felação ativa = Ato de estimular o pênis de
alguém com a boca;
- Felação passiva = Ato de ter o seu pênis
estimulado pela boca de alguém;
- Cunilíngua ativa = Ato de estimular a vagina
de alguém com a boca;
- Cunilíngua passiva = Ato de ter a sua vagina
estimulada pela boca de alguém;
- Anilíngua ativa = Ato de estimular o ânus de
alguém com a boca;
- Anilíngua passiva = Ato de ter o seu ânus
estimulado pela boca de alguém.
Como a saliva não
transmite o vírus HIV, em principio, a pessoa praticante do Sexo Oral Passiva
(ou seja, que tem o seu genital ou ânus estimulado pela boca de alguém) não
está em Risco de se Infectar pelo vírus HIV. Já o risco de transmissão do HIV
para a pessoa que pratica o sexo oral é extremamente baixo, mas ainda assim
existe. Esse risco é maior durante a felação ativa (quando a boca estimula o
pênis).
Conceitos Importantes Sobre o Sexo Oral:
- É possível transmitir infecção sexual mesmo
sem ter sintomas;
- É possível ter mais de uma infecção sexual ao
mesmo tempo;
- Uma pessoa recebendo o estímulo da boca de
outra pessoa em seus genitais ou seu ânus pode se infectar se a pessoa
ativa estiver com a infecção na garganta;
- É possível ter infecção sexual em mais de um
órgão ao mesmo tempo (por exemplo, garganta e genital).
O que Aumenta os Riscos do Sexo Oral?
- Presença de feridas na boca de quem pratica ou
nos genitais que recebem o estímulo;
- Receber ejaculação na boca (independente de
engolir ou não);
- Sangramento nas gengivas;
- Inflamação nas gengivas;
- Contato oral com sangue menstrual;
- Presença de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs),
principalmente se estiverem causando lesões ou inflamações na região
genital ou no ânus onde estará sendo realizado o ato sexual.
Quais são os Riscos do Sexo Oral?
Uma das principais
preocupações associadas ao sexo oral é a transmissão de ISTs. Muitas ISTs podem
ser transmitidas por meio do contato com fluidos corporais e algumas até mesmo
pelo contato pele a pele. A seguir, confira as principais ISTs que podem ser
transmitidas pelo sexo oral de acordo com a parte estimulada:
Felação Ativa e Cunilíngua Ativo

As infecções mais fáceis
de serem transmitidas por essa via são: sífilis (mesmo sem lesões ativas no
pênis), infecções causadoras de uretrites sintomáticas ou outras infecções
sexuais com lesões penianas ativas.
- Linfogranuloma venéreo ou outras
condições causadas pela Clamídia;
- Herpes Simples, com ou sem lesão
ativa visível;
- Cancro Mole;
- Gonorreia;
- Clamídia;
- Sífilis, com ou sem lesão ativa
visível no pênis;
- Hepatite B;
- Hepatite C, apesar de mais difícil;
- HTLV;
- HIV, apesar de mais difícil;
- HPV, especialmente se houver lesões
ativas no pênis.
Além disso, outras
Infecções Bacterianas Causadoras de Uretrites e Doenças como Ureaplasma
spp, Mycoplasma e Trichomonas podem ser
desenvolvidas.
Felação Passiva e Cunilíngua Passivo

No caso de ter o pênis
estimulado pela boca de alguém, as principais condições que podem ser
contraídas são:
- Herpes Simples, se houver lesão oral ativa
visível;
- Sífilis, com lesão ativa visível na boca;
- Gonorreia, se a pessoa que estimula o órgão
estiver com a bactéria em sua garganta;
- Clamídia, se a pessoa que estimula o órgão
estiver com a bactéria em sua garganta;
- HPV, se a pessoa que estimula o órgão estiver
com o vírus em sua garganta.
Anilíngua Ativo

A prática de estimular o
ânus de alguém com a própria boca pode trazer riscos como:
- Linfogranuloma venéreo ou outras condições
causadas pela Clamídia;
- Herpes Simples (principalmente, se houver
lesão anal ativa visível);
- Cancro mole;
- Gonorreia;
- Sífilis (especialmente, se houver lesão anal
ativa visível);
- Hepatite B;
- Hepatite C (mais difícil);
- HTLV (mais difícil);
- HIV (mais difícil);
- HPV (especialmente, se houver lesões ativas no
ânus).
Infecções Específicas Dessa via Sexual:
- Hepatite A;
- Parasitoses intestinais (como a
Giardíase, enterobius vermiculares);
- Infecções intestinais bacterianas (como
a E. coli).
Anilíngua Passivo
Já o ato de ter o seu ânus
estimulado pela boca de alguém pode ser risco para:
- Herpes Simples (se houver lesão oral ativa
visível na boca);
- Sífilis (com ou sem lesão ativa visível na
boca).
Outros Riscos e Complicações do Sexo Oral
Além das ISTs, o sexo oral
pode apresentar outros riscos e complicações para a saúde como, por exemplo:
- Lesões na Boca e Garganta: O sexo oral pode
causar lesões físicas, como cortes ou lacerações na boca, língua ou
garganta, especialmente se houver uso excessivo de força ou se houver
anéis, piercings ou outros objetos envolvidos. Essas lesões podem aumentar
o risco de infecção;
- Cáries Dentárias e Problemas de Gengiva: O
contato com fluidos corporais durante o sexo oral pode alterar o
equilíbrio bacteriano na boca, contribuindo para o desenvolvimento de
cáries e doenças gengivais. Além disso, o uso de lubrificantes ou produtos
açucarados durante o sexo oral pode aumentar o risco de cáries;
- Cânceres Orais: Como mencionado anteriormente,
o HPV é uma causa conhecida de câncer orofaríngeo. O sexo oral
desprotegido com múltiplos parceiros aumenta o risco de exposição ao HPV
e, consequentemente, ao câncer oral.
Como Diminuir os Riscos do Sexo Oral
Embora os riscos do sexo
oral sejam reais, existem várias maneiras de reduzí-los, como, por exemplo:
Uso de Preservativos e Barreiras de Látex
O uso de preservativos durante o sexo
oral em homens e barreiras de látex (conhecidas como “dental dams”) durante o
sexo oral em mulheres pode reduzir significativamente o risco de transmissão de
ISTs. Esses métodos criam uma barreira física que impede o contato direto com
fluidos corporais.
Vacinação contra HPV
A vacinação contra o HPV é altamente
eficaz na prevenção de infecções por cepas de HPV que estão associadas ao
câncer. Homens e mulheres podem se beneficiar dessa vacina, que é recomendada
antes do início da vida sexual, mas também pode ser administrada
posteriormente.
Exames Regulares e Diálogo Aberto
Realizar exames de saúde
sexual regularmente é crucial para a detecção precoce e o tratamento de ISTs.
Além disso, manter um diálogo aberto e honesto com seu parceiro sobre a saúde
sexual e os riscos associados pode ajudar a prevenir a transmissão de infecções.
Evitar o Sexo Oral se Houver Feridas ou Inflamações
Evitar o sexo oral se
houver feridas, inflamações ou outros sinais de infecção na boca ou nos órgãos
genitais pode reduzir o risco de transmissão de ISTs.
Higiene Bucal Adequada
Manter uma boa higiene
bucal, incluindo escovação regular dos dentes e uso do fio dental, pode ajudar
a reduzir o risco de infecções após o sexo oral.
Para saber mais sobre as
Infecções Sexualmente Transmissíveis, como preveni-las e tratá-las, não deixe
de buscar ajuda de seu médico infectologista de confiança.
Assista ao vídeo e saiba mais:
Mais informações sobre este assunto na Internet:
Artigo Publicado em: 19 de
jul de 2019 e Atualizado em: 12 de nov de 2024
Fonte: https://www.drakeillafreitas.com.br/os-riscos-do-sexo-oral/
Não usa camisinha no sexo oral? Veja as doenças e infecções que você
arrisca pegar
07/12/2023 às 10h39•7 min de leitura
Quando
falamos em IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis) a reação é óbvia: ninguém
quer se infectar e jura que vai se proteger durante a transa. Mas, no meio do
rala e rola, você realmente usa camisinha? E, afinal, sexo oral precisa de
camisinha?
Com o
foco maior em evitar gravidez, as pessoas nem sempre se protegem da forma
correta – principalmente no sexo oral. Por exemplo, você sabia que as infecções
podem ser transmitidas por sexo oral? Exato, aquele momento em que muita gente
acha que o preservativo é dispensável também espalha doenças.
O Manual
de Controle de IST do Ministério da Saúde afirma que as infecções estão entre
os problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo, com uma estimativa
de 340 milhões de casos novos por ano.
Mas como o sexo oral passa doenças?
O risco
de contágio no sexo oral é menor do que no sexo vaginal ou anal, mas ainda
existe. Além disso, as infecções no sexo oral podem ser transmitidas de
diversas maneiras.
Apesar de
os vírus, bactérias e outros agentes estarem mais presentes no esperma, existe
a possibilidade de se infectar com o líquido expelido antes da ejaculação ou
pela secreção da vagina, por exemplo.
O simples
contato da boca com a pele pode ser suficiente para a transmissão de algumas
IST, por isso é preciso ficar atento ao “funcionamento” de cada uma.
É
importante ter em mente, porém, que os dados sobre a transmissão de IST por
sexo oral são um pouco frouxos, uma vez que não se pode testar a transmissão
entre pessoas.
Receber sexo oral causa infecção, mesmo se não fizer no parceiro?
Quem faz
sexo oral no parceiro desprotegido corre mais riscos de pegar IST, uma vez que
se expõe ao sêmen ou fluído vaginal, mas isso não quer dizer que quem recebe
não corra risco. Se o parceiro tem herpes labial ou gonorreia, por exemplo,
tanto quem faz quanto quem recebe o carinho pode transmitir ou se infectar.
De acordo
com o Ministério da Saúde, o risco de contrair infecções aumenta com a presença
de ferimentos na boca, como gengivites, aftas ou machucados causados pela
escova de dente. Caso não haja nenhum cortezinho, o perigo é menor.
Ficou
preocupado? Veja as infecções que podemos pegar ao fazer sexo oral
desprotegido:
Sífilis
Caracteriza-se
pelo surgimento de lesões, primeiramente nos órgãos genitais, e depois em todo
o corpo. Porém, é possível ter a doença de forma assintomática. Ou seja, a
pessoa tem a bactéria no organismo, mas o problema não se manifesta. E mesmo
assim ele pode ser transmitir.
O
contágio por sexo oral é comum. Não é preciso ter lesão ou ferida na boca e,
inclusive, é possível pegar sífilis até em pele íntegra, como na mão, no braço,
no pescoço ou na boca, caso a bactéria esteja ali e exista contato.
A
ejaculação aumenta o risco de transmissão por despejar uma quantidade maior de
bactérias na boca de quem está fazendo o sexo oral. Tanto quem recebe quanto
quem faz pode contrair a sífilis, que pode levar a complicações
cardiovasculares e nervosas.
Gonorreia
Provoca a
inflamação do canal urinário e pode se alastrar para outros órgãos. Costuma ter
sintomas, mas quando há infecção no trato genital feminino por gonorreia é mais
frequente ser assintomático. Mulheres que tiveram a doença sem sintomas podem
ter dificuldades para engravidar.
Existe
transmissão por sexo oral para os dois envolvidos no ato. O contato com a
ejaculação ou secreção é mais infectante, mas pode ser transmitida apenas pelo
contato, mesmo sem lesões.
Herpes
O herpes
caracteriza-se pelo surgimento de pequenas lesões dolorosas, podendo ser na
genital ou na boca. Acreditava-se que o herpes tipo 1 era oral e tipo 2
genital, mas com o sexo oral sem proteção pode acontecer uma troca: ter tipo 2
na cavidade oral.
A doença
pode ser transmitida só de encostar a ferida na pele, podendo ser no beijo e no
sexo oral —tanto quem faz quanto quem recebe pode se infectar.
O HPV
(vírus do papiloma humano, do inglês human papiloma virus) é uma infecção
sexualmente transmissível e ataca, especialmente, as mucosas (oral, genital ou
anal), tanto nas mulheres como nos homens.
De 30% a
40% dos infectados têm evidências físicas, como uma verruga, da doença. Caso a
pessoa esteja com essa lesão primária, ela possui uma alta carga viral e no
sexo oral, só pela fricção, já transmite o micro-organismo —não importa se você
está praticando ou recebendo o carinho.
Clamídia
Provoca
inflamação nos canais genitais e urinários, e pode causar infertilidade. Tem
paciente que tem clamídia e não nota, pois os sintomas podem ser brandos. Como
desconhece que está com a doença, a pessoa transmite para o parceiro em sexo
desprotegido.
A
clamídia pode ser transmitida durante o sexo oral para ambos os participantes,
mas o contato com o esperma eleva os riscos.
HIV
Ainda é
um pouco nebuloso confirmar que o HIV é transmitido em sexo oral. Mas nenhum
trabalho científico provou com segurança que o vírus não está presente na
secreção peniana. Se você fizer sexo oral sem preservativo, não há comprovação
de que não haverá contágio. O mais seguro é evitar.
A Aids
provoca a baixa imunidade do organismo, deixando a pessoa suscetível a outras
infecções, e pode levar à morte.
Hepatite A , B e C
Cada
hepatite tem o seu modo de operação. A hepatite B é uma doença do fígado
causada pelo vírus VHB. A transmissão se dá principalmente pelo contato sexual
com uma pessoa infectada, seja pelo sêmen, seja pela secreção anal ou vaginal.
O vírus
da hepatite A pode ser transmitido a partir de qualquer atividade sexual com
uma pessoa infectada.
Apesar de
não ser comum, a hepatite C também pode passar contato sexual. No entanto, sua
via de transmissão mais comum é por meio do contato com sangue contaminado, que
costuma ocorrer principalmente no compartilhamento de agulhas e seringas, mas
também pode acontecer em alicates de unhas não esterilizados, por exemplo.
Como me prevenir de IST no sexo oral?
É
simples: se proteja. O site do departamento de Vigilância, Prevenção e Controle
de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde afirma que o uso da
camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (orais, anais e
vaginais) é o método mais eficaz para evitar a transmissão de IST.
“Quem tem
relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa idade, estado
civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo ou
religião. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas pode estar infectada
por uma IST”, alerta a publicação.
Além
disso, uma boa recomendação para quem tem parceiros casuais é o rastreamento de
rotina, mesmo que não existam sintomas. Dependendo de cada caso, é importante
ter o controle e realizar exames a cada três ou seis meses.
David Salomão, infectologista; Jairo Bouer, especialista em
sexualidade; Raquel Muarrek, infectologista; e Rico Vasconcelos, infectologista
e colunista de VivaBem.
Fonte: UOL / Viva Bem
Sexo oral sem preservativo pode provocar doenças: entenda riscos e como se proteger

- Priscila Carvalho
- Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
- Tempo de leitura: 10 min
Doenças causadas por relações sexuais desprotegidas geralmente são associadas à penetração. Mas o sexo oral sem preservativos também eleva os riscos de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). O contato com a mucosa da boca e com as secreções facilita a proliferação de vírus e bactérias.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, as mais comuns são gonorreia e sífilis. Nesta última, sintomas como úlceras na região da boca e das bochechas, além de manchas na pele, podem aparecer — e muitas vezes o indivíduo nem sabe que está contaminado por confundir com aftas ou por receber um diagnóstico tardio.
De acordo com Demetrius Montenegro, chefe do setor de infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco (UPE), a sífilis está fora de controle no Brasil e merece atenção.
"A maioria das pessoas acredita que é possível se contaminar no sexo só com penetração, mas isso não é verdade", lembra.
Além dessas, há o risco de HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano), herpes, clamídia, hepatites e amigdalite gonocócica.
Embora os médicos alertem para o risco de contrair infecções pelo sexo oral, contabilizar o número de contaminados por esse meio é mais difícil, pois muitas doenças são subnotificadas e nem todas as pessoas fornecem informações concretas aos órgãos de saúde.
"Os riscos existem, mas não são calculados exatamente, pois é mais difícil dizer sobre taxas de transmissão de IST a partir de relações isoladas. Geralmente, elas vêm combinadas com relações pelas vias genitais", explica Igor Marinho, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
Mas como ocorre a contaminação?
O contato entre a boca e o genital pode favorecer o surgimento de uma ou até várias ISTs. O simples toque com a pele de alguém que já tem uma doença potencializa a transmissão, como ocorre com a sífilis. No caso dos homens, o esperma que sai do pênis pode contaminar quem está fazendo o estímulo sexual.
Já as mulheres podem ter algum patógeno na lubrificação que sai da vagina. Contudo, elas são naturalmente mais suscetíveis às ISTs por causa da anatomia do órgão sexual.
"A mucosa vaginal é um epitélio muito fino. Durante as relações sexuais, quase sempre há algum grau de fissura dessa região, o que facilita a entrada de diversos vírus. O homem, todavia, tem um órgão exposto", explica Camila Ahrens, infectologista do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR).
O risco se torna ainda maior quando há lesões na genitália ou na boca. Na prática, quando uma pessoa realiza o ato chamado pelos médicos de cunilíngua, no qual a vagina é estimulada pela língua de alguém, ou a felação, quando o mesmo acontece com o pênis, existe o risco de transmitir alguma infecção ou doença para quem está recebendo o sexo oral.
Já a anilingua, quando a pessoa estimula o ânus do parceiro com a própria boca, também favorece o surgimento de infecções. Uma das mais comuns é a hepatite A, que ocorre, justamente, pela transmissão de vômitos e fezes, seja por contato sexual ou consumo de alimentos ou água contaminados. Há, ainda, o risco de clamídia, gonorreia e outras doenças.
Vale lembrar que o comportamento sexual sem preservativo é que vai diferir a transmissão das ISTs.
"Na realidade, o sexo vaginal insertivo tem mais troca de fluidos corporais. O anal tem maior risco de laceração, o que facilita a entrada de vírus ou bactérias. Já o oral tem menos risco, mas quem está fazendo o ato pode transmitir e quem tem a doença ativa pode passar", reforça Ahrens.
Veja abaixo as infecções que podem ser contraídas durante o sexo oral sem proteção.
Sífilis
Segundo o último boletim epidemiológico de sífilis, divulgado pelo Ministério da Saúde no ano passado, no Brasil, a população mais afetada por essa infecção são mulheres, especialmente negras e jovens, na faixa etária de 20 a 29 anos.
A infecção é causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode comprometer genitais, garganta e boca. Ela pode ser transmitida tanto no sexo oral quanto na penetração. O diagnóstico ocorre por meio da sorologia, que é o exame de sangue, ou pelo chamado VDRL (em inglês Venereal Disease Research Laboratory). Essa IST tem suas principais apresentações na forma primária, secundária e terciária.

Na primária, ocorre o surgimento de uma úlcera indolor pelo contato da bactéria da pele do indivíduo que foi contaminado. A pessoa pode ter ferimentos dentro da boca, seja na língua, bochecha ou em outra parte interna desta região. Essas lesões são chamadas de "cancro duro". "Elas podem ser indolores e até confundidas com uma afta", diz Marinho.
Quando isso ocorre, o indivíduo que fez o sexo oral no outro parceiro pode contaminá-lo até mesmo sem saber que estava doente.
"A bactéria é encontrada no sêmen ou no líquido de secreção do pênis", acrescenta Montenegro.
No caso da mulher, ela pode transmitir o agente por meio da lubrificação que sai da vagina durante o ato sexual. O risco é ainda maior quando o outro tem ferimentos na cavidade oral.
A sífilis secundária é caracterizada por sintomas mais sistêmicos e ocorre algumas semanas após a contaminação do primeiro tipo. O indivíduo pode apresentar manchas na pele e prostrações.
No formato terciário, os sintomas surgem anos depois da infecção. Mas, devido ao diagnóstico tardio, pode ocorrer o acometimento vascular e neurológico, com insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral (AVC).
"Ela se torna uma doença silenciosa e vai transmitindo", reforça Montenegro.
O tratamento ocorre com antibiótico e a melhor forma de prevenção é usando camisinha feminina ou masculina.
Amigdalite gonocócica
Provocada pela bactéria gonococos, o mesmo agente da gonorreia, a infecção causa secreção nas amígdalas e garganta.
É mais comum que seja transmitida pelo sexo oral, pois há um contato direto da boca com o genital, aumentando o risco de contágio. O diagnóstico acontece pelo histórico de sintomas do paciente. Geralmente, é feito um exame retirando a secreção da garganta para visualizar o micro-organismo.
Segundo Montenegro, ainda há um tabu entre os próprios médicos em perguntar sobre a atividade sexual das pessoas. Se o compartilhamento das informações fosse mais difundido, diagnósticos tardios seriam evitados, melhorando a resposta do tratamento ao quadro, opina.
Muitas vezes, a pessoa que já está contaminada com a gonorreia pode ser assintomática e infecta o parceiro.
Como se trata de um tipo de bactéria resistente, não é todo antibiótico que vai tratar e curar o problema. Por isso, é importante uma investigação a fundo dessa IST.
"Uma amigdalite que não tem resposta, precisa suspeitar e perguntar se o paciente teve algum tipo de relação oral. Normalmente, em quem tem gonococos, eles aparecem na região genital, aí contamina o outro. Isso vale tanto para o homem quanto para a mulher", reforça o infectologista do Hospital Oswaldo Cruz.
Gonorreia
Também causada pelo gonococos, essa IST pode provocar corrimentos uretrais e, em quadros mais graves, infecção na pelve e até infertilidade. A transmissão ocorre tanto pela penetração, quanto pelo sexo oral.
O diagnóstico é feito por meio de um exame semelhante ao da covid-19, no qual é inserido uma haste flexível (o swab) na garganta.
Os sintomas nesta parte do corpo podem ser assintomáticos e o indivíduo, muitas vezes, contamina outras pessoas sem ao menos saber que tem a infecção. Por causa disso, é ainda mais complicado quantificar a incidência dessa IST na população brasileira.
"A gonorreia não tem notificação compulsória e obrigatória. Por isso, é uma infecção subnotificada", ressalta Mario Gonzales, diretor médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.
O tratamento dessa infecção sexualmente transmissível também é complicado e pode demorar, já que em alguns casos o organismo desenvolve uma resistência maior a alguns antibióticos.

HPV
Essa infecção sexualmente transmissível ocorre por meio do papilomavírus humano. O HPV provoca verrugas na região genital, oral e anal. O principal meio de contágio ocorre pela via sexual, que pode ser pelo contato oral-genital, genital-genital ou até manual-genital.
No sexo oral, o surgimento dos sintomas também pode aparecer na língua, na garganta, no canto da bochecha e tecido gengival. Mas a contaminação só ocorre, de fato, quando há uma lesão primária e por meio de algum tipo machucado ou fissura. Desta forma, o agente viral consegue se infiltrar no organismo e contaminar o indivíduo.
É importante um tratamento rápido e eficiente, pois a infecção pode evoluir para câncer do colo do útero, além de também ser um agente importante por trás de tumores no ânus, na cabeça e no pescoço. A linha terapêutica consiste na cauterização e eliminação das verrugas existentes.
A maneira mais fácil de proteção acontece por meio das vacinas, disponíveis na rede pública para alguns grupos específicos. "O ideal é que a vacinação seja feita antes de iniciar a relação sexual. Existem vários tipos de HPV, mas a vacina vai proteger os que causam câncer", alerta Montenegro.
Herpes
Essa IST é provocada por um vírus que se divide nos tipos 1 e 2. No primeiro caso, o surgimento de "bolhas" é mais comum na região oral. Já no 2, os sintomas podem aparecer na região genital.
Com o sexo oral desprotegido, a contaminação ocorre de forma cruzada e o tipo genital pode se manifestar na cavidade oral. A recorrência do problema (com o aparecimento das lesões em formas de bolhas e feridas), indica que a pessoa está com queda de imunidade e precisa fazer exames para verificar se há falta de vitaminas ou de outros nutrientes.
Vale lembrar que a forma de transmissão também pode ser por outras vias como beijo, pincel de maquiagem, compartilhamento de objetos, entre outros. O tratamento inclui uso de pomadas ou comprimidos.
Clamídia
Segundo o Ministério da Saúde, não existem dados epidemiológicos no Brasil sobre essa IST, mas os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC/2017) mostram que a maioria dos casos ocorre em pessoas na faixa etária entre 15 e 24 anos. A condição pode ser transmitida por uma bactéria chamada Chlamydia trachomatis, que provoca inflamações na região genital e urinária.
O micro-organismo pode causar cervicite, que atinge o colo do útero causando dor na relação sexual e sangramento. Em infecções graves e profundas, pode causar infertilidade no homem e na mulher.
Essa IST também pode ser transmitida pelo sexo oral, mas o contato com esperma aumenta o risco do problema — isso porque o sêmen pode ter uma carga viral maior do agente infecioso. Por isso, o sexo desprotegido, incluindo a penetração, também aumenta o risco dessa doença.
Para tratar o quadro, recomenda-se o uso de antibióticos e não ter relações sexuais durante seu curso, normalmente, de sete dias.
Hepatite A, B e C
No último boletim epidemiológico de hepatites virais divulgado pelo Ministério da Saúde no ano passado, no Brasil, entre 1999 a 2020, 254,3 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus da hepatite B e 262,8 mil com o vírus da hepatite C. Essas infecções são as principais causas de doença hepática crônica, cirrose hepática e carcinoma hepatocelular.
Contudo, a transmissão da hepatite A é por meio de vias orais-fecais. Ou seja, é possível contrair a infecção no sexo oral e também por qualquer atividade sexual. A mais comum, no entanto, é pelo ânus. Por isso o risco de lamber a região ou realizar sexo anal desprotegido aumentam a incidência do quadro.
"Em 2017, a OMS fez um alerta sobre surto de hepatite A por transmissão sexual pela prática de sexo oral-anal. Esse surto aconteceu em algumas cidades da Europa, como Barcelona. No Brasil, o número de casos foi maior na cidade de São Paulo", destaca Montenegro. Ainda não há nenhum tratamento específico para esse tipo de hepatite. No geral, os especialistas recomendam lavar bem as mãos e alimentos, uso de preservativos antes e depois das relações sexuais, lavagem da genitália, períneo e região anal após o ato sexual e higienização de vibradores, plugs anais e vaginais.
No tipo B, a contaminação pode ocorrer por uma lesão na boca, por contato com o sêmen e pelo canal vaginal ou anal. A linha terapêutica inclui uso de antivirais e também, quando necessário, não consumir bebidas alcoólicas.
No tipo C, o risco pelo sexo oral é menor e está ligado com o manejo de objetos infectados como agulha contaminada, uso de materiais para drogas recreativas, seringas e outros. O tratamento ocorre com antivirais.
Há riscos de HIV?
Embora seja menos comum, também é possível se contaminar com HIV por meio do sexo oral. No entanto, é necessária uma quantidade de vírus elevada para isso ocorrer, além do parceiro ter alguma ferida ou machucado na boca ou garganta.
"O risco é um pouco menor, mas com pequenas feridas, que podem aparecer com depilação, por exemplo, existe a possibilidade", reforça Marinho.
A contaminação entre o sexo masculino e feminino é diferente justamente por causa da ejaculação. Segundo os médicos, exames já mostraram uma carga viral maior no sêmen, sendo essa uma porta de entrada para o contágio. Contudo, isso é uma exclusividade dessa infecção.

De acordo com Felipe Tuon, infectologista do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), em outras doenças ainda faltam estudos comparando o risco de transmissão e existem só conceitos teóricos.
E o monkeypox?
Sim, o vírus causador da varíola dos macacos também pode passar durante o sexo oral. Isso porque o contato com o vírus acontece através das feridas típicas da doença, que aparecem na boca, nos genitais, no ânus e nos braços.
Portanto, a pessoa que faz sexo oral em alguém infectado também pode pegar o monkeypox.
É por isso que os médicos recomendam que indivíduos com essas manifestações na pele procurem uma avaliação médica e façam o teste.
Se o exame confirmar a doença, é preciso ficar em isolamento até que as feridas estejam completamente cicatrizadas.
Como prevenir?
Uma das formas mais acessíveis é utilizar métodos de barreira para impedir que a mucosa da boca entre em contato com os genitais. No passado, como o uso do preservativo feminino não era tão difundido entre as mulheres, os próprios médicos recomendavam a aplicação de papel filme, aqueles usados na cozinha.
Porém, com a baixa adesão e por ser mais fácil de sair durante o ato sexual, atualmente, os profissionais sugerem a camisinha feminina. Mesmo assim, a proteção ainda não é tão usual entre os parceiros.
"É muito difícil ver pacientes usando. Vemos muitas pessoas se reinfectando e menosprezando a recomendação médica", afirma Ahrens.
Para os homens, também é indicado o uso de preservativos durante todas relações sexuais. "É necessário proteger a região genital com camisinha e não retirá-la. Pode colocar a camisinha feminina, camisinha masculina ou ambas", destaca Tuon.
Medidas educativas e políticas públicas também devem ser inseridas, principalmente entre jovens e adolescentes que, muitas vezes, não usam camisinha. Isso foi constatado, inclusive, por um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado no início do mês de julho. Os dados indicam que o percentual de pessoas entre 13 e 17 anos que usaram preservativo na última relação sexual diminuiu de 72,5% para 62,8%.
No caso de indivíduos que já têm vida sexual ativa, o recomendado, segundo os especialistas, é fazer testes de rotina a cada seis meses para identificar possíveis infecções. "Pessoas com sífilis precisam ser testadas", alerta Tuon.
A profilaxia, que é um método de prevenção, pré e pós sexo, também é indicada para diminuir o risco de ISTs. É possível procurar hospitais da rede pública para consulta ou orientações e, dessa forma, evitar contaminações.
- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62347014
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