Embora a gripe e os resfriados sejam confundidos pela
população devido à semelhança dos sintomas, a gripe é uma séria preocupação em
saúde pública. — Foto: Alessandra Hoppen/Agência RBS
Casos de gripe disparam e reforçam alerta para a
necessidade de se vacinar
A ampla oferta e os benefícios inegáveis da
vacinação não têm sido suficientes para levar a população aos postos
Por Renato Kfouri*, Carlos
Caroni*
24/04/2026 05h03 Atualizado há 13
horas
Esperada para o período de maio a setembro, a
temporada da gripe chegou mais cedo e com mais força ao Brasil em 2026.
De acordo com o Ministério da Saúde, até 17 de
abril, foram contabilizados 4.181 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave
(SRAG) associados ao vírus influenza, dos quais 259 pessoas morreram. Os
números são muito superiores aos verificados no mesmo período de 2025.
A tendência, avalia a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), é de que a alta se mantenha em 14 das 27 Unidades da Federação.
O cenário não é surpresa. No início de dezembro, a
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou os estados membros para a
possibilidade de a temporada da doença começar antes do habitual e transcorrer
de forma mais intensa.
O motivo era o aumento significativo da atividade
do vírus, relacionado ao recém-identificado subclado K (J.2.4.1) do Influenza
A(H3N2). Não é possível afirmar que a situação no Brasil esteja relacionada
exclusivamente a este subclado, mas a detecção regional de alguns casos e o
fato de a cepa protagonista no país ser a A(H3N2) são indicativos disso.
Embora a gripe e os resfriados sejam confundidos
pela população devido à semelhança dos sintomas, a gripe é uma séria
preocupação em saúde pública.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS)
apontam que, anualmente, acontecem cerca de 500 milhões de casos de Influenza
sazonal, dos quais 3 a 5 milhões são graves. O total de mortes varia de 290 mil
a 650 mil. Crianças pequenas, idosos, gestantes e imunocomprometidos são
especialmente vulneráveis.
Vacina reduz
internação e mortalidade
A literatura científica evidencia que a vacinação é
uma das ferramentas mais eficazes para minimizar o impacto da enfermidade.
Um robusto trabalho de metanálise e revisão
sistemática divulgado em 2025, por exemplo, sinalizou que a vacinação contra o
influenza foi capaz de reduzir as hospitalizações pelo vírus em 42%, a
mortalidade em 36%, as internações em UTI em 52%, a necessidade de ventilação
mecânica em 55% e a ocorrência de pneumonia em 51%.
Foram incluídos na avaliação 165 estudos conduzidos
em diferentes regiões do planeta, após a seleção de mais de 7.700 publicações.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI)
disponibiliza a vacina contra a gripe ao longo de todo o ano para crianças de 6
meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas a partir de 60 anos. Nas
Campanhas de Vacinação, realizadas antes dos períodos de maior circulação do
vírus, também são contemplados outros públicos prioritários.
Entre os mitos mais comuns
está a crença de que a vacina causa gripe, o que é impossível, pois os vírus
utilizados na composição são inativados (mortos). — Foto: Freepik
Mitos comuns
sobre a imunização
A ampla oferta e os benefícios inegáveis da
vacinação, no entanto, não têm sido suficientes para levar a população aos
postos. Em 2025, a cobertura da campanha da Região Norte foi de apenas 41,1%,
enquanto a voltada às demais regiões do país foi de 54,15%. A meta é 90%.
A baixa adesão às campanhas, assim como acontece
com outras vacinas, tem múltiplas causas.
Entre elas, dificuldade de acesso às unidades de
saúde devido à distância ou horário restrito de funcionamento, falta de
recomendação por parte dos profissionais da saúde, a percepção errônea de que a
gripe é uma doença leve e dúvidas a respeito da segurança e da eficácia das
vacinas, muitas vezes motivadas por conteúdos equivocados que circulam nas
redes sociais.
Entre os mitos mais comuns está a crença de que a
vacina causa gripe, o que é impossível, pois os vírus utilizados na composição
são inativados (mortos). Outro equívoco frequente é a ideia de que a vacina não
funciona.
Embora a eficácia possa variar de ano para ano, a
depender da coincidência das cepas presentes com os vírus em circulação e de
outros fatores, a diminuição de mortes e hospitalizações é amplamente
documentada.
A vacina desta temporada, inclusive, de acordo com
estudos feitos em modelos animais, oferece proteção contra o subclado K mesmo
sem contê-lo na fórmula.
Se você faz parte dos públicos-alvo do Ministério
da Saúde, aproveite que a campanha de vacinação contra a influenza nas regiões
Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul está em andamento para atualizar a sua
caderneta.
Se não fizer parte dos grupos prioritários, busque
mais informações nos meios de comunicação da cidade onde mora para saber onde e
quando pode se vacinar.
Muitos municípios já liberaram a vacina para toda a
população. A rede privada também é uma alternativa para tomar o imunizante. E
procure conscientizar os seus conhecidos: vacinar-se é uma medida simples,
segura e essencial para proteger a saúde do indivíduo e da comunidade.
Engaje-se nessa causa.
Este artigo foi
escrito em parceria com o jornalista Carlos Caroni, da Sociedade Brasileira de
Imunizações.
*O pediatra Renato
Kfouri é membro da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização do Programa
Nacional de Imunizações (CTAI-PNI) e representante do Brasil na rede de
programas de imunizações das Américas na Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS).
**** Este texto foi publicado originalmente
no site The
Conversation Brasil
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/04/24/casos-de-gripe-disparam-e-reforcam-alerta-para-a-necessidade-de-se-vacinar.ghtml
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