VIVER PERTO DA ÁGUA PODE MUDAR TUDO, DO SEU ESTADO DE ESPÍRITO AO SEU CORPO, SEGUNDO A CIÊNCIA; ENTENDA
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Viver perto da
água pode mudar tudo, do seu estado de espírito ao seu corpo, segundo a
ciência; entenda
Isso é revelado pelo best-seller
Wallace J. Nichols, um biólogo marinho que dedicou sua vida ao estudo do “Blue
Mind”, conceito intimamente relacionado ao bem-estar emocional
Por
Sol
Valls
, Em La Nacion
24/01/2026 04h30 Atualizado agora
No fim de 2018, naquele momento de encerramento do ano, de análise retrospectiva e de projeção a longo prazo, Marcos Rodríguez Sierra decidiu que a vida na cidade já não era mais para ele, que queria uma mudança de cenário para estar mais conectado com a natureza, em particular, com as ondas.
Aos 29 anos, depois de sustentar um ano de escapadas para a costa atlântica quase todos os fins de semana, abandonou uma vida tipicamente urbana em Buenos Aires, com família, amigos e um trabalho estabelecidos, para se mudar para Mar del Plata e poder entrar no mar todos os dias.
— Tenho a lembrança bem marcada de estar voltando para a cidade aos domingos à tarde e pensar “eu quero ficar”, e de chegar ao escritório na segunda-feira de manhã e, em vez de abrir o e-mail, abrir as câmeras ao vivo do mar e ver quatro pessoas entrando na água pensando “eu quero ser um desses caras”.
A conexão do ser humano com a água remonta a tempos históricos. Desde o momento zero, o homem não apenas a reconheceu como uma fonte de vida, mas também como um espaço de renovação e tranquilidade. Dos antigos banhos termais romanos aos rituais de purificação no Ganges, das férias na praia até o banho ao final do dia, a água tem uma longa lista de antecedentes sendo interpretada como um elemento-chave para o reset físico e emocional.
Longe de ser uma sensação abstrata, tanto pela ciência quanto pela psicologia, essa relação foi estudada a partir de diferentes abordagens e a conclusão — em linhas gerais — foi sempre a mesma: o contato com a água tem um impacto positivo no ser humano, em nível físico e emocional. Nesse campo de análise, o maior referente é Wallace J. Nichols, um biólogo marinho que dedicou sua vida ao estudo desse fenômeno e o batizou de “Blue Mind” (mente azul, em português).
Em seu best-seller Blue Mind: A surpreendente ciência que demonstra como estar perto, dentro, sobre ou sob a água pode deixar você mais feliz, mais saudável, mais conectado e melhor no que você faz (2014), Nichols apresenta uma ampla gama de estudos que vinculam a proximidade com a água — seja por meio do oceano, rios, lagos ou piscinas — à calma, à saúde, à criatividade, à eficiência e, em definitiva, ao bem-estar pessoal.
O autor compara o estado Blue Mind com o Red Mind, nome que usa para se referir ao estado de estresse crônico, superestimulação e hiperatividade típico da vida moderna que, a longo prazo, leva à ansiedade, à fadiga mental e à desconexão emocional.
Naturalmente atraídos
Para começar, Nichols introduz o conceito da biofilia marinha para explicar por que a maioria das pessoas se sente atraída pela água e experimenta benefícios em sua presença. O termo deriva da teoria da biofilia, popularizada pelo biólogo Edward Wilson, e propõe que essa conexão é o resultado de milhões de anos de evolução perto de rios, lagos e oceanos, que fizeram com que nossos cérebros estivessem programados para se sentirem bem perto deles.
Ele também faz alusão ao fato de que nossa composição biológica é majoritariamente água.
— O corpo humano é 70% água e depende dela para sobreviver. Quando você a vê ou a escuta, seu cérebro recebe o sinal de que você está no lugar adequado — assinala o cientista.
A neurociência por trás do fenômeno
Sob uma abordagem neurocientífica, Nichols sustenta que os ambientes aquáticos — por meio da exposição a estímulos sensoriais suaves e repetitivos, como o som das ondas, o contato com a água e até mesmo a contemplação de corpos d’água — desencadeiam uma série de respostas neuroquímicas que ativam a produção de hormônios como a dopamina, a serotonina e a oxitocina, todos associados ao prazer, ao relaxamento e à calma; ao mesmo tempo em que reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.
Na mesma linha, a psicóloga Mariana Kerestezachi, que há três anos se mudou para Miami, cidade costeira por excelência, explica que o contato com a água se tornou um recurso terapêutico respaldado pela ciência.
— Hoje tenho a oportunidade de experimentar pessoalmente o que é viver perto do mar e os efeitos que ele tem sobre a mente e o corpo, conta em entrevista ao LA NACION.
O doutor Nichols também sustenta que estar perto da água permite que a mente se desconecte das distrações cotidianas. A água acalma todo o ruído e te conecta com seus próprios pensamentos e com o seu senso de ser, escreve em seu livro.
— Quando você se submerge na água, há uma mudança na sua consciência, na química do seu cérebro, que pode levar a novas ideias e pensamentos criativos.
Por fim, Ricardo Gil da Costa, neurocientista e CEO da Neuroverse, explica:
— Isso acalma o estado interno da nossa mente, que frequentemente está absorvida por inquietações e preocupações.
Kerestezachi lembra uma fase de sua vida profissional em que trabalhou com um psiquiatra argentino.
— Ele sempre recomendava aos pacientes com depressão que eu encaminhava para tratamento médico que nadassem pelo menos três vezes por semana. Era parte integral de sua abordagem terapêutica, e muitos pacientes relatavam melhorias significativas no estado de humor.
A psicóloga conclui:
— A ciência confirma o que muitos já sentimos: a água tem um poder transformador sobre nossa mente e nosso corpo.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/01/24/viver-perto-da-agua-pode-mudar-tudo-do-seu-estado-de-espirito-ao-seu-corpo-segundo-a-ciencia-entenda.ghtml
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