Síndrome do intestino irritável: o que comer e o que evitar — Foto: Reprodução da Internet/Unsplash
Síndrome do intestino irritável: o que comer e o que evitar
Nutricionista
orienta sobre a síndrome do intestino irritável: veja quais alimentos ajudam a
controlar os sintomas e quais podem piorar o quadro
14/12/2025 06h00 Atualizado há um mês
A síndrome do intestino irritável (SII) é um
distúrbio funcional complexo do eixo intestino-cérebro caracterizado por
desconforto e dor abdominal recorrente, constipação e diarreia. Ela não é
associada a alterações estruturais ou bioquímicas do organismo, e seu
diagnóstico é feito de forma clínica, ou seja, é feito pelo profissional de
saúde com base na avaliação do paciente, sem depender exclusivamente de exames
laboratoriais ou de imagem.
De acordo com Fabiana Borrego (@fabianaborrego),
nutricionista, gastrônoma e especialista em nutrição clínica, "a dieta é, sem dúvida, um dos
pilares centrais do seu manejo, além do controle da ansiedade e o estresse do
dia a dia".
Ter uma dieta adequada é uma estratégia eficaz para
controlar os sintomas, mas outros fatores influenciam nesse controle:
"Tudo depende o tipo de SII; se o indivíduo apresenta um grau leve, muitas
vezes apenas a dieta é suficiente. Quando o indivíduo apresenta uma SII de
moderada para grave, é importante que, além da dieta, seja feito um manejo do
estresse, atividades físicas regulares, melhora na qualidade do sono e muitas
vezes uso de fármacos", explica Fabiana. Veja o que a nutricionista diz
sobre a relação da SII e a alimentação:
Síndrome do intestino
irritável: o que evitar
Fabiana explica que dieta baixa em FODMAPs apresenta uma taxa de resposta positiva em 50% a 70% das pessoas
que apresentam SII-D (diarreia predominante) e SII-C (constipação
predominante). Os FODMAPs (Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e
Polióis Fermentáveis) são carboidratos de cadeia curta mal absorvidos no
intestino delgado. Exemplos: frutas como maçã e manga, laticínios como leite e
iogurte, vegetais como cebola e alho, e grãos como trigo e feijão, além do
açúcar de mesa e alguns edulcorantes, como eritritol, sorbitol, maltitol e xilitol.
Ao chegarem ao cólon intestinal, são rapidamente
fermentados pela microbiota intestinal, e este processo gera gases, causando
distensão abdominal e flatulência. Além disso, os FODMAPs atraem água para o
lúmen intestinal, o que pode acelerar o trânsito, causando diarreia.
Erros alimentares mais comuns
de quem tem síndrome do intestino irritável
- Restrição alimentar excessiva e
sem acompanhamento: muitas vezes, na
tentativa de identificar os gatilhos, as pessoas começam a eliminar grupos
alimentares sem acompanhamento de um profissional nutricionista, levando a
deficiências nutricionais e uma dieta monótona, sem necessariamente
resolver o problema.
- Cortar apenas glúten e lactose da
dieta: embora a intolerância à lactose seja
comum e a sensibilidade ao glúten não celíaca exista, o problema na SII
frequentemente não é a proteína (glúten) em si, mas os frutanos (um
FODMAP) presentes no trigo, centeio e cevada.
- Consumo elevado de fibras
insolúveis: na tentativa de "regular" o
intestino, muitas pessoas aumentam o consumo de farelo de trigo ou saladas
cruas volumosas, que podem aumentar ainda mais o trânsito intestinal e
consequentemente, piorando a dor e a diarreia.
- Uso de alimentos
"saudáveis" ricos em FODMAPs: consumir grandes
quantidades de mel, tâmaras, abacate, manga, brócolis, couve-flor ou
produtos "fit" adoçados com xilitol ou sorbitol e demais polióis
que irritam ainda mais a mucosa intestinal.
- Refeições volumosas e irregulares: pular
refeições e depois fazer uma refeição muito grande sobrecarrega o sistema
digestivo.
Alimentos mais bem tolerados
por quem tem SII
Geralmente, os
alimentos bem tolerados são aqueles com baixo teor de FODMAPs e baixo potencial
irritativo. A tolerância ao volume é crucial. Mesmo um
alimento "seguro", se consumido em grande quantidade, pode causar
sintomas pela distensão mecânica. Confira que alimentos costumam ser bem
tolerados por quem tem SII:
- Proteínas: carnes
(frango, peixe, bovina magra), ovos, tofu firme.
- Gorduras (consumo moderada): azeite
de oliva extravirgem, óleo de abacate.
- Cereais e tubérculos:
arroz (branco ou integral), quinoa, milho (moderado), aveia (em flocos),
batata, mandioca, inhame, pães e massas sem glúten (olha sempre se na
composição possuem FODMAPs).
- Laticínios: produtos
zero lactose (leites, iogurtes), queijos curados (parmesão, suíço,
cheddar, pois a lactose é consumida na maturação).
- Frutas (em porções controladas): banana
(mais firme), morango, mirtilo, kiwi, laranja, tangerina, limão, uvas,
mamão papaia de forma moderada.
- Vegetais: cenoura,
abobrinha, berinjela, pepino, tomate, pimentão vermelho, alface, rúcula,
espinafre, broto de bambu.
- Oleaginosas (em porções
controladas): nozes, amendoim, macadâmia; devem ser
limitadas a pequenas porções, no máximo de 10 a 15 unidades.
Comer em horários regulares
faz diferença para quem tem SII
"A regularidade das refeições é uma estratégia
comportamental fundamental na melhoria da SII por duas razões principais:
modulação do reflexo intestinal, ou seja, comer em pequenas porções ajuda a
regular o trânsito intestinal, e o pequeno volume faz com que o intestino
trabalhe de forma mais diminuída, evitando assim picos de gases", ressalta
Fabiana. Veja as orientações da nutricionista:
- Estabeleça uma rotina alimentar com 3 grandes
refeições de volume moderado e de 1 a 2 lanches pequenos.
- Importante evitar jejuns prolongados de mais
de 5 horas.
- Evite comidas muito volumosas perto do horário
de dormir.
- Atenção
especial também no ato de comer: preste atenção no alimento, coma devagar
e mastigue muito bem os alimentos, pois com isso reduz-se a ingestão de ar
e a distensão abdominal.
Fonte: https://receitas.globo.com/blog/alimentacao-e-saude/sindrome-do-intestino-irritavel-o-que-comer-e-o-que-evitar.ghtml
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