/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_7d5b9b5029304d27b7ef8a7f28b4d70f/internal_photos/bs/2025/K/c/2EBT7TSkak1VRM6S6x2Q/gettyimages-2185887801.jpg)
Pesquisadores propõem novo modelo de
sustentabilidade com a natureza como base do desenvolvimento
Eles sugerem abandonar a lógica dos três pilares isolados e adotar uma
visão integrada em que capital natural, economia e sociedade funcionam como
partes interdependentes de um mesmo sistema
Por Redação do Um Só Planeta
22/01/2026 07h01 Atualizado há um dia
Uma equipe internacional de pesquisadores está propondo uma reformulação na forma como a humanidade entende e busca o desenvolvimento sustentável. Os envolvidos argumentam que as atuais estruturas de sustentabilidade – construídas sobre um modelo de três pilares isolados que separa natureza, sociedade e economia – não se mostraram adequadas para um mundo que enfrenta mudanças climáticas aceleradas, perda de biodiversidade e desigualdades.
Diante disso, eles sugerem um novo modelo de sistemas integrado, incorporando perspectivas de baixo para cima e de cima para baixo. Neste modelo, a natureza é posicionada no primeiro nível, sendo que ela apoia as economias (segundo nível), que, por sua vez, geram benefícios para a sociedade (terceiro nível).
“Precisamos superar a ideia de que natureza, economia e sociedade são domínios separados”, disse o autor principal David Obura, diretor do CORDIO África Oriental e presidente da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), em comunicado.
Ele continuou: “Nosso modelo os vê como camadas interconectadas de um sistema integrado. Com ele, qualquer empresa, comunidade ou país pode rastrear o fluxo de benefícios da natureza através dos setores econômicos até as pessoas, e as maneiras pelas quais nossas escolhas impactam a natureza”.
O novo modelo, que integra décadas de pesquisa e prática, postula que os três tipos de capital – natural, econômico e social – sustentam a sustentabilidade e estão interligados por meio de mecanismos de retroalimentação que determinam se as sociedades prosperam ou entram em declínio.
O argumento é que, quando todos os tipos de capital são mantidos em equilíbrio, a resiliência, o bem-estar a longo prazo e a segurança tornam-se possíveis. Mas, quando um tipo está superdesenvolvido ou esgotado, o sistema todo se desestabiliza.
"Reconhecer as interdependências dos sistemas ecológicos e sociais, bem como nossa dependência da biodiversidade e dos ecossistemas, sem dúvida trará benefícios de longo alcance para as pessoas e para a natureza”, salientou Helen Roy, professora da Universidade de Exeter e do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido.
Jean-Marc Fromentin, do Ifremer e da Universidade de Montpellier, e co-presidente da Avaliação da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) sobre o Uso Sustentável de Espécies Selvagens, acrescentou: “O capital natural é frequentemente subvalorizado ou negligenciado, embora bilhões de pessoas dependam direta ou indiretamente da natureza, particularmente através do uso de espécies selvagens”.
Em artigo publicado na Nature Communications Sustainability, os autores salientaram que, para alcançar a transformação, é necessário ir além de abordagens fragmentadas e focadas no crescimento, que priorizam apenas os resultados econômicos, e adotar estratégias que salvaguardem a integridade dos três capitais.
As recomendações deles são as seguintes:
- Reformular a sustentabilidade em torno do equilíbrio dos sistemas – reconhecendo que toda atividade humana depende da estabilidade ecológica.
- Incorporar valores plurais – integrando visões de mundo indígenas, culturais e relacionais nas políticas e métricas de sustentabilidade convencionais.
- Adotar uma governança baseada em sistemas – conceber políticas que reconheçam as interdependências e levem em conta as interações entre os processos sociais, econômicos e ecológicos.
- Redefinir o progresso – indo além do crescimento do PIB e adotando medidas que reflitam a saúde de cada um dos capitais e os fluxos entre eles, incluindo a saúde ecológica, a equidade e o bem-estar humano a longo prazo.
Fonte:https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/01/22/pesquisadores-propoem-novo-modelo-de-sustentabilidade-com-a-natureza-como-base-do-desenvolvimento.ghtml
Comentários
Postar um comentário