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Metade das emissões globais de CO₂ vem de
apenas 32 empresas de combustíveis fósseis, aponta estudo
Levantamento do think tank britânico InfluenceMap mostra concentração de
poluição em grandes petroleiras, principalmente, estatais
Por
Redação
do Um Só Planeta
21/01/2026 12h08 Atualizado há 2 dias
Mais da metade das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) que alimentaram a crise climática em 2024 teve origem em 32 empresas de combustíveis fósseis, segundo a mais recente edição do banco de dados Carbon Majors, elaborado pelo think tank britânico InfluenceMap. O estudo revela uma concentração crescente da poluição em um grupo cada vez menor de produtores e detalha o peso político das companhias estatais no bloqueio à transição energética.
De acordo com o relatório, 17 das 20 empresas que mais emitiram CO₂ no mundo são controladas por Estados. Juntas, essas companhias foram responsáveis por 38% de todas as emissões do setor fóssil em 2024.
Entre elas, está a saudita Saudi Aramco, líder do ranking global, seguida por gigantes estatais da Rússia, China, Irã, Emirados Árabes Unidos, Índia, Argélia, Iraque e Qatar. As únicas privadas no top 20 são Shell, Chevron e ExxonMobil.
A Aramco, sozinha, respondeu por 1,7 bilhão de toneladas de CO₂ em 2024, grande parte associada ao petróleo exportado. Se fosse um país, a empresa seria o quinto maior poluidor do planeta, atrás somente da Rússia. A ExxonMobil, maior emissora entre as companhias privadas, lançou 610 milhões de toneladas de CO₂, volume que a colocaria à frente de países como a Coreia do Sul.
COP30 e bloqueio político
Os dados ressaltam a complexidade do impasse, observado na COP30, realizada em Belém, no final do ano passado. A conferência terminou sem menção explícita à eliminação gradual de petróleo, gás e carvão, apesar da pressão de mais de 80 países favoráveis ao abandono, ainda que gradual, dos combustíveis fósseis. A oposição partiu justamente de nações que controlam as maiores empresas emissoras.
Segundo o InfluenceMap, todas as 17 companhias estatais do top 20 pertencem a países que rejeitaram essa proposta na COP30, o que detalha, segundo os autores, “as barreiras políticas estruturais” para conter o aquecimento global.
“A cada ano, as emissões globais ficam mais concentradas em um grupo menor de produtores altamente poluentes, enquanto a produção total continua crescendo”, afirmou o analista sênior do InfluenceMap e líder do estudo, Emmett Connaire, em declaração ao The Guardian.
Sabotagem
A concentração tem um peso político. “Esta análise reforça uma realidade: um grupo poderoso e concentrado de corporações de combustíveis fósseis não apenas domina as emissões globais, como sabota ativamente a ação climática e enfraquece a ambição dos governos”, afirmou Tzeporah Berman, que é fundadora da iniciativa pelo Tratado de Não Proliferação dos Combustíveis Fósseis. A declaração foi divulgada pelo El País e pelo The Guardian.
Meta fora de alcance
Em abril, os países que apoiam a eliminação gradual dos combustíveis fósseis devem se reunir na Colômbia, em uma tentativa de retomar o debate político iniciado em Belém. E há pressão. Após queda registrada durante a pandemia, as emissões globais voltaram a subir.
Para cumprir o Acordo de Paris e limitar o aquecimento a 1,5°C, seria necessário reduzir as emissões em 45% até 2030 — uma meta que, segundo especialistas, já se tornou inalcançável. Ainda assim, limitar o excesso de aquecimento é visto como essencial, já que cada fração de grau adicional intensifica os impactos sobre comunidades vulneráveis.
Dados, litígios e responsabilização
Criado em 2013, o banco de dados Carbon Majors reúne informações de 178 produtores industriais, responsáveis por 70% de todo o CO₂ emitido pelo setor fóssil entre 1845 e 2024. Ainda segundo o estudo, um terço dessas emissões históricas pode ser atribuído a apenas 22 corporações.
Os impactos também estão sendo estimados. Em setembro do ano passado, um artigo publicado na revista Nature associou diretamente as emissões dessas empresas a ondas de calor registradas entre 2000 e 2023. Segundo o estudo, 213 eventos de calor intenso teriam sido mais prováveis e severos devido ao aquecimento provocado por essas companhias.
Esses dados vêm sendo usados para estudos científicos e ações judiciais climáticas. As informações embasam processos como o caso Lliuya v. RWE, na Alemanha, e leis recentes em estados como Nova York e Vermont, que obrigam grandes poluidores a financiar obras de proteção contra enchentes e calor extremo.
Fonte:https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2026/01/21/metade-das-emissoes-globais-de-co-vem-de-apenas-32-empresas-de-combustiveis-fosseis-aponta-estudo.ghtml
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