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Falta pouco: como estão os preparativos finais para
a 1ª missão tripulada à Lua em 50 anos
Nasa entra na fase mais sensível da
missão Artemis 2, marcada por testes decisivos e atenção máxima à segurança da
tripulação; foguete e cápsula devem deixar prédio de montagem a partir deste
sábado (17)
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14/01/2026 11h45 Atualizado há 3
horas
Quase seis décadas após a última missão tripulada rumo à Lua, a Nasa se aproxima de um momento histórico. A agência espacial entrou na reta final de preparação da Artemis 2, missão que levará quatro astronautas a um voo de cerca de dez dias ao redor do satélite natural da Terra.
O passo mais simbólico dessa fase acontece ainda neste mês: pela primeira vez, o foguete Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion, já integrados, serão transportados até a plataforma de lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, para dar início aos testes e ensaios finais antes do voo. O deslocamento está previsto para começar não antes de sábado (17), e marca a transição do ambiente controlado do Edifício de Montagem de Veículos para a área onde o conjunto enfrentará as condições reais de lançamento.
Apesar da distância relativamente curta — cerca de 6,4 km — a operação é lenta e meticulosa. Só a etapa de transporte sobre as esteiras deve levar até 12 horas. Segundo a Nasa, as equipes já estão trabalhando em regime contínuo para cumprir o cronograma estabelecido, embora a data possa ser ajustada em função de pendências técnicas ou das condições meteorológicas.
“Estamos cada vez mais perto da Artemis 2, com o lançamento prestes a acontecer”, afirma Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa, em nota divulgada na última sexta (9). “Ainda temos etapas importantes a cumprir em nosso caminho para o lançamento, e a segurança da tripulação continuará sendo nossa prioridade.”
Ajustes técnicos na reta final
Como ocorre em qualquer sistema aeroespacial de alta complexidade, a fase final de preparação tem sido marcada, sobretudo, por correções e revisões. Foi assim que, há algumas semanas, os engenheiros identificaram um cabo do sistema de terminação de voo fora das especificações, que está sendo substituído e testado.
Também foi detectado um problema em uma válvula relacionada à pressurização da escotilha da Orion, resolvido com a troca do componente. Outro ponto sensível envolveu um vazamento em equipamentos de suporte em solo usados para fornecer oxigênio gasoso à cápsula, o qual segue sob monitoramento.
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Assim que o SLS e a Orion chegarem à plataforma 39B, começa uma longa lista de atividades. Técnicos conectarão sistemas elétricos, dutos ambientais, linhas de combustível e infraestrutura para o carregamento de propelentes criogênicos. Será a primeira vez que todos os sistemas do foguete, da cápsula, do lançador móvel e da infraestrutura terrestre funcionarão juntos no ambiente de lançamento.
Após essa etapa, os quatro astronautas da Artemis 2 — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa , e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA) — farão uma inspeção final na plataforma.
Ensaio geral
Um dos testes mais críticos está programado para o fim de janeiro: o ensaio geral de abastecimento, conhecido como “ensaio molhado”. Nele, a Nasa simulará todas as etapas de um dia de lançamento, incluindo o carregamento de mais de 700 mil galões de propelentes criogênicos, a contagem regressiva completa e a retirada segura do combustível, sem astronautas a bordo.
O teste também servirá para treinar a equipe responsável pela segurança da tripulação, incluindo procedimentos de fechamento de escotilhas e resposta a eventuais anomalias. Estão previstas múltiplas simulações nos minutos finais da contagem regressiva, com pausas e retomadas em diferentes pontos, para verificar a capacidade das equipes de lidar com interrupções.
Especial atenção será dada ao carregamento de hidrogênio e oxigênio líquidos, após vazamentos observados em ensaios anteriores, e aos procedimentos atualizados para evitar o acúmulo de nitrogênio gasoso entre a cápsula Orion e o sistema de aborto de lançamento, um cenário que poderia representar riscos à tripulação.
Se necessário, a agência não descarta a realização de ensaios adicionais ou até mesmo o retorno do foguete e da cápsula para ajustes na montagem antes do lançamento oficial.
Janelas de lançamento e restrições orbitais
Com a conclusão bem-sucedida do ensaio geral, a agência convocará a Revisão de Prontidão de Voo, etapa decisiva para autorizar o lançamento. Embora a janela inicial possa se abrir já em 6 de fevereiro, as datas efetivas dependem de uma combinação rigorosa de fatores técnicos, operacionais e orbitais.
Diferentemente de missões anteriores, a trajetória da Artemis 2 impõe restrições específicas, pois o lançamento precisa permitir que a Orion entre primeiro em uma órbita terrestre alta, para testes dos sistemas de suporte à vida, antes da queima de injeção translunar. Além disso, a espaçonave deve permanecer alinhada com a Terra e a Lua para realizar um sobrevoo lunar em trajetória de retorno livre, aproveitando a gravidade do satélite para voltar ao nosso planeta.
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Há ainda limites térmicos e energéticos. A cápsula não pode permanecer mais de 90 minutos consecutivos na sombra da Terra ou da Lua, para garantir geração de energia pelos painéis solares e manutenção da temperatura ideal. Esses critérios reduzem as oportunidades a janelas de cerca de uma semana por mês, seguidas de períodos sem possibilidade de lançamento.
As oportunidades incluem datas específicas em fevereiro, março e início de abril, sempre sujeitas a fatores como clima, reabastecimento de sistemas e disponibilidade da base de lançamento. Em geral, a Nasa prevê até quatro tentativas dentro de cada período viável.
Um passo decisivo rumo à Lua
Como lembra o portal Live Science, a Artemis 2 será o primeiro voo tripulado da campanha Artemis e a primeira missão humana além da órbita terrestre baixa desde a Apollo 17, em 1972. Com duração estimada de dez dias, o voo servirá como ensaio geral para a Artemis 3, que pretende levar astronautas (incluindo a primeira mulher) à superfície lunar ainda nesta década.
Mais do que um retorno simbólico desde a Apollo 17, em 1972, a missão faz parte da estratégia da Nasa de estabelecer uma presença sustentável na Lua. No futuro, os pesquisadores objetivam usar o satélite como um laboratório e um trampolim para voos tripulados a Marte e outras regiões ainda mais distantes no cosmos.
Fonte:https://revistagalileu.globo.com/ciencia/espaco/noticia/2026/01/falta-pouco-como-estao-os-preparativos-finais-para-a-1a-missao-tripulada-a-lua-em-50-anos.ghtml
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