Canetas emagrecedoras: os hábitos fundamentais para manter durante o tratamento e por quê
Novos medicamentos podem ajudar na perda de peso, mas exigem também mudanças de estilo de vida
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— São Paulo
22/01/2026 04h25 Atualizado há 2 dias
A obesidade é uma doença crônica complexa e um dos principais fatores de risco para outras condições, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. A condição afeta mais de 1 bilhão de pessoas, em todos os países e o número de pacientes deverá dobrar até 2030.
No Brasil, de acordo com informações do Atlas Mundial da Obesidade, cerca de 68% da população adulta brasileira tem excesso de peso. Desses, aproximadamente 37% estão com sobrepeso e 31% com obesidade.
Por outro lado, o surgimento de medicamentos da classe análogos do GLP-1, como Ozempic, Wegovy, ou análogos do GLP-1 e GIP, como o Mounjaro, está revolucionando a doença ao oferecer um tratamento não cirúrgico efetivo. No entanto, especialistas alertam que esses fármacos não substituem a mudança no estilo de vida.
— Não existe uma solução milagrosa. Se pensarmos que a obesidade é uma doença complexa, ela não será resolvida com uma bala só. As diretrizes europeia, americana e brasileira colocam no centro do tratamento a mudança no estilo de vida — diz o endocrinologista Fábio Trujilho, presidente da Abeso - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.
— Se a pessoa começa a usar uma medicação e não tem um plano concomitante de atividade física e alimentação balanceada, ela não está fazendo tratamento nem da obesidade, nem das comorbidades. O medicamento vem para viabilizar uma mudança no estilo de vida, não para emagrecer — completa o endocrinologista Bruno Geloneze, livre-docente e pesquisador principal do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da UNICAMP.
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou sua primeira diretriz sobre o uso da semaglutida, tirzepatida e liraglutida (princípio ativo do Saxenda) para o tratamento da obesidade. A entidade também afirma que as terapias com GLP-1 “não devem substituir outros métodos de controle de peso. Manter uma dieta saudável e praticar atividade física regularmente são componentes importantes de qualquer programa de tratamento da obesidade crônica”.
A semaglutida (princípio ativo do Wegovy e Ozempic) e a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), agem no organismo reduzindo o apetite, prolongando a sensação de saciedade e ajudando no controle da glicemia, o que favorece a perda de peso. Embora esses fármacos promovam o emagrecimento, o tratamento inclui outros pilares fundamentais como alimentação adequada, prática de atividade física (aeróbica e de força), hidratação, sono de qualidade e gerenciamento do estresse.
Alimentação
É fundamental manter uma alimentação saudável durante o tratamento. Como o medicamento diminui o apetite e aumenta a saciedade, é preciso dar preferência a alimentos com alto valor nutricional, como verduras, legumes, frutas, grãos, como arroz e feijão, e proteínas magras, como peixe e frango. E evitar ultraprocessados e alimentos gordurosos.
— Por que você tem que fazer uma alimentação balanceada? Porque às vezes, você vai comer um pouco e não vai colocar nutrientes suficientes. Ou seja, você perde peso, porque diminuiu calorias. Mas vai faltar algum tipo de vitaminas ou de elementos fundamentais para a saúde. Então, isso é muito importante — afirma Trujilho.
A proteína, por exemplo, em conjunto com exercícios de força, contribui para a manutenção de massa magra, evitando ou reduzindo a perda de músculo durante o tratamento. As fibras presentes em legumes, frutas e verduras ajudam a evitar a constipação.
— Essas medicações dão como efeito colateral uma plenitude gástrica que quando mais intensa pode causar uma sensação de peso, desconforto abdominal e até mesmo náusea e vômito. Então a pessoa precisa tomar cuidado para não comer muito volume de uma única vez, evitar comer perto da hora de dormir e tomar bastante cuidado para não comer alimentos gordurosos porque esses sintomas ficam mais intensos — explica Geloneze.
Exercício físico
O treino de resistência, como musculação ou com o próprio peso corporal, ajuda a preservar massa muscular e fortalecer ossos, além de melhorar o metabolismo basal. Já a atividade aeróbica, como caminhada e bicicleta, melhora saúde cardiovascular, favorece o gasto energético e potencializa a perda de gordura.
Mas os especialistas são categóricos em dizer que o ideal é aquilo que é possível para cada pessoa. O importante é realizar alguma atividade.
— O exercício é muito importante não só na queima de calorias, mas também para o bem-estar psicológico, para melhorar cardiovascular e melhora do humor — pontua Trujilho.
Sono de qualidade
O sono é outro fator importante.
— A gente sabe que a privação do sono aumenta a resistência insulina e aumenta os fatores que ajudam você a não perder peso — diz Trujilho.
A qualidade do sono influencia hormônios que regulam fome e saciedade. Sono inadequado pode reforçar desejos alimentares e reduzir energia para atividades físicas. Estudos mostram que melhorar o sono também potencializa resultados de perda de peso.
A recomendação para adultos é dormir de 7 a 9 horas por noite. Além da quantidade, é preciso estar atento à qualidade. Acordar descansado equivale a uma noite bem dormida e praticar a higiene do sono, com hábitos simples como não mexer no celular antes de deitar, certifique-se de que o quarto esteja escuro, silencioso e com temperatura confortável, gaste pelo menos 30 minutos antes de dormir fazendo atividades calmas e relaxantes, estabeleça um horário regular para dormir e acordar, limite a cafeína e a nicotina, evite refeições pesadas antes de dormir e exercite-se regularmente.
Hidratação
Segundo os médicos, é comum as pessoas não terem sede durante o uso desses medicamentos. Eles ressaltam que é muito importante ingerir água. Além do risco de desidratação, a falta de água também pode contribuir para a constipação, que é um dos possíveis efeitos colaterais do tratamento.
Você provavelmente está se perguntando: mas e a suplementação com vitaminas, whey protein, etc? Os médicos são categóricos em dizer que a suplementação deve ser avaliada caso a caso e só é necessária em caso de deficiência.
Os especialistas também ressaltam que o tratamento da obesidade é crônico, ou seja, para o resto da vida. Seja com medicamentos ou não. Por isso a mudança de estilo de vida é fundamental.
— Quando a pessoa perde peso, o próprio organismo vai produzindo mecanismos que induzem essa pessoa a reganhar o peso porque o cérebro considera o maior peso já atingido como normal — explica Trujilho.
É por isso que muitas pessoas acabam engordando novamente quando param o medicamento. Daí a importância da mudança de hábitos.
— A obesidade é uma doença neuroquímica, crônica, redicivante. Alguma coisa que é crônica, não depende da força de vontade e tende a voltar, precisa de tratamento contínuo, que é um estilo de vida que mantenha magro. Na maioria das vezes, isso depende da ajuda farmacológica. — ressalta Geloneze.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/01/22/canetas-emagrecedoras-os-habitos-fundamentais-para-manter-durante-o-tratamento-e-por-que.ghtml
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