CALOR RECORDE EM MAIS DE 70 PAÍSES COLOCA 2025 ENTRE OS MAIS QUENTES DA HISTÓRIA, COMO 2026 APONTAM PROJEÇÕES INTERNACIONAIS
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/X/f/SlUmlgSSqHW3CugeAMKQ/pexels-james-smeaton-1060501-12029759.jpg)
2026 deve
figurar entre os anos mais quentes da história, apontam projeções
internacionais
Estimativa do Met Office indica
temperatura média global até 1,58°C acima dos níveis pré-industriais e reforça
pressão sobre metas do Acordo de Paris
Por O Globo — Exeter
02/01/2026 06h51 Atualizado há 19
horas
Projeções de organizações internacionais indicam que 2026 deverá estar entre os anos mais quentes já registrados desde o início das medições modernas. A previsão foi divulgada no final do mês de dezembro pelo Met Office, a agência meteorológica do Reino Unido, com base em estudos recentes que apontam a continuidade do aumento da temperatura média global, em patamares próximos aos recordes históricos.
Segundo o relatório, a temperatura média do planeta em 2026 deve ficar cerca de 1,46°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900), dentro de uma faixa estimada entre 1,34°C e 1,58°C. O valor projetado é ligeiramente inferior ao recorde de 1,55°C registrado em 2024, mas, de acordo com o Met Office, ainda coloca 2026 “provavelmente entre os quatro anos mais quentes já observados”.
A agência ressalta que a série histórica de dados, que remonta a 1850, evidencia uma intensificação do aquecimento global nas últimas décadas. Adam Scaife, chefe da equipe de previsão global do Met Office, afirmou que “nos últimos três anos, provavelmente ultrapassamos 1,4°C, e esperamos que 2026 seja o quarto ano consecutivo em que isso acontece”, algo inédito até recentemente.
Pressão crescente sobre as metas climáticas
As projeções reforçam os alertas da comunidade científica sobre a influência direta das atividades humanas no aquecimento global. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as principais emissões de gases de efeito estufa responsáveis pelas mudanças climáticas são o dióxido de carbono e o metano, gerados, por exemplo, pelo uso de combustíveis fósseis como gasolina e carvão.
Nick Dunstone, meteorologista-chefe do Met Office, destacou que 2024 marcou a primeira ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C e que a previsão para 2026 indica que esse cenário pode se repetir. “Isso demonstra a rapidez com que estamos nos aproximando da meta de 1,5°C do Acordo de Paris”, afirmou.
Adotado em 2015 durante a COP21, o Acordo de Paris estabelece como objetivo limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C, com esforços para não ultrapassar 1,5°C, conforme define a ONU. O tratado, em vigor desde 2016, reúne 194 signatários e prevê revisões periódicas das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que detalham as ações de cada país para reduzir emissões e se adaptar aos impactos climáticos.
Relatórios recentes reforçam os riscos associados à superação do limite de 1,5°C. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que o aquecimento global atual esteja em torno de 1,37°C acima da média pré-industrial, considerando dados da última década. Para os cientistas, cada fração adicional de grau eleva a frequência e a intensidade de eventos extremos e reduz as opções de adaptação, tornando ainda mais urgente o cumprimento e o fortalecimento dos compromissos climáticos globais.
Fonte:https://oglobo.globo.com/blogs/clima-extremo/noticia/2026/01/02/2026-deve-figurar-entre-os-anos-mais-quentes-da-historia-apontam-projecoes-internacionais.ghtml
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/L/7/zCjAPcTEa9nvtStw8P9Q/113389270-rio-de-janeiro-rj-26-12-2025-pessoas-se-protegem-do-sol-no-centro-da-cidade-em-dia-d.jpg)
Calor recorde
em mais de 70 países coloca 2025 entre os anos mais quentes da história
Dados do Copernicus analisados pela AFP
mostram temperaturas extremas em regiões como Ásia Central, Sahel e Europa,
apesar de lacunas em registros climáticos globais
Por AFP — Paris
31/12/2025 14h17 Atualizado há 2 dias
No entanto, essa média, que inclui medições em terra e nos oceanos, acaba ocultando recordes absolutos observados em determinadas regiões.
A falta de dados climáticos detalhados em muitos países com menos recursos também dificulta a obtenção de uma visão completa do clima mundial.
Para preencher essa lacuna, a AFP elaborou sua própria análise a partir de bilhões de dados do Copernicus, provenientes de modelos climáticos, de cerca de 20 satélites de diferentes países e de estações de medição instaladas em terra, no mar e no ar.
Os dados abrangem todo o planeta, hora a hora, desde 1970. Essa análise detalhada revela que, em 2025, foram batidos 120 recordes mensais de temperatura em mais de 70 países.
Registros pulverizados na Ásia Central
Todos os países da Ásia Central estão próximos de bater ou igualar seus recordes anuais de temperatura, com o Tadjiquistão à frente.
Esse país montanhoso e sem saída para o mar, onde apenas 41% da população tem acesso à água potável segura, enfrentou neste ano as temperaturas mais anômalas do mundo, mais de 3°C acima de suas médias sazonais (1981-2010).
Desde maio, o Tadjiquistão bateu seus recordes mensais de temperatura todos os meses, com exceção de novembro.
Outros países vizinhos também registraram temperaturas entre dois e três graus Celsius acima da média sazonal, como Cazaquistão, Irã e Uzbequistão.
No Sahel, temperaturas até 1,5°C mais altas
Os recordes de temperatura também atingiram vários países da região do Sahel e da África Ocidental — Mali, Níger, Nigéria, Burkina Faso e Chade —, onde as temperaturas de 2025 superaram entre 0,7°C e 1,5°C a média sazonal, a depender do país. Desvios desse tipo são pouco comuns nessas latitudes.
Assim, 2025 foi o ano mais quente já registrado na Nigéria e um dos mais quentes em outros países da região.
Desde 2015, os episódios de calor extremo tornaram-se quase dez vezes mais prováveis, segundo cientistas da rede World Weather Attribution (WWA), em relatório anual publicado na segunda-feira.
A organização avalia o papel das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas em eventos meteorológicos extremos.
Os países do Sahel estão entre os mais vulneráveis a esse aumento das temperaturas, em um contexto no qual muitos já enfrentam conflitos armados, insegurança alimentar e altos níveis de pobreza.
Verão escaldante na Europa
Uma dúzia de países europeus pode bater seu recorde anual de temperatura em 2025, em especial devido a um verão atípico.
É o caso da Suíça e de vários países dos Bálcãs, onde as temperaturas sazonais superaram em dois ou até três graus a média histórica.
Espanha, Portugal e Reino Unido também registraram o pior verão de suas séries históricas de medição. Nos dois primeiros, o calor provocou incêndios de grandes proporções; no terceiro, a combinação de altas temperaturas e da primavera mais seca em mais de um século resultou em escassez de água.
O norte da Europa, relativamente poupado da onda de calor que sufocou o continente no fim de junho, viveu um outono anormalmente quente. Na Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia, 2025 deve figurar entre os dois anos mais quentes já registrados.
Fonte:https://oglobo.globo.com/blogs/clima-extremo/noticia/2025/12/31/calor-recorde-em-mais-de-70-paises-coloca-2025-entre-os-anos-mais-quentes-da-historia.ghtml
Comentários
Postar um comentário