ARMAÇÃO DE BÚZIUS, DA VILA DE PESCADORES AO BALNEÁRIO FAMOSO: A CIDADE NO LITORAL DO RIO DE JANEIRO-BRASIL QUE MARCOU BRIGITTE BARDOT
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Afinal Quem foi o jogador de basquete do Flamengo que trouxe Brigitte Bardot a Búzios, transformando o balneário em destino de luxo
Atriz francesa esteve no então distrito
de Cabo Frio por duas vezes, em 1964 e 1965, e viveu rotina simples em vila de
pescadores
Por O Globo — Rio de Janeiro
28/12/2025 16h39 Atualizado há 3
horas
A atriz veio para o Brasil em 1964, após a conclusão das filmagens de "As malícias do amor", de Édouard Molinaro. Após brigas com jornalistas e paparazzi em Londres e Paris, Brigitte veio para o Rio acompanhado de Zagury, seu namorado, que conheceu meses antes na França. Nascido em Casablanca, em 1930, o atleta jogou pelo Paris UC e chegou a atuar em 16 jogos pela seleção francesa de basquete, terminando em quarto lugar no Campeonato Mundial de Basquete Masculino de 1954, antes de vir para o Brasil.
Ao desembarcar com a atriz no Rio em 1964, o casal seguiu para o apartamento de Zagury na Avenida Atlântica, em Copacabana, Zona Sul da cidade, que logo teve sua entrada tomada por jornalistas e fãs. Após dias de hostilidades com a imprensa, Zagury fez um acordo para que a atriz participasse de uma coletiva no Copacabana Palace, e que depois a deixassem em paz na cidade.
Depois da coletiva, Brigitte e Zagury rumaram para Búzios, então um distrito de Cabo Frio. Na época, o vilarejo de pescadores não tinha telefone e ruas asfaltadas, e o casal se hospedou na casa de André Moura Sieff, representante da ONU no Brasil, na praia de Manguinhos. A simplicidade era justamente o que a estrela buscava, e ela passou meses em Búzios, junto à população local, numa rotina sem luxos mas numa natureza exuberante e intocada. Amigos do atleta também conviviam com o casal, como o ator Arduino Colassanti, que pescava com Zagury peixes que Brigitte prepararia depois.
Ainda que discreta, a estadia da francesa em Búzios transformou-se em fenômeno internacional, e ajudou a projetar o balneário fluminense no mapa do turismo mundial. Sua segunda visita, no réveillon de 1965, foi marcada pela perseguição de repórteres e fotógrafos, o que a levou a partir e nunca mais voltar, mesmo com o prefeito de Cabo Frio na época, Antônio de Macedo Castro, concedendo à atriz um título de cidadã honorária e um terreno na Praia de João Fernandes.
Com a relação com a estrela, Zagury entrou para a produção cinematográfica, participando de obras como em "Eu sou o amor" (1967), "Trop petit mon ami" (1970) e "M comme Mathieu" (1971).
Brigitte Bardot em fotos marcantes
Fama aos 15 anos
Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu em Paris, em 28 de setembro de 1934, e formou-se em balé clássico no Conservatório Nacional de Música e Dança antes de ser descoberta pelo cinema. Aos 15 anos, já estampava capas de revistas como Elle, iniciando sua trajetória como modelo.
Estreou nas telonas em 1952, no filme "A Garota do Biquíni", mas foi em 1956 que ganhou fama mundial com "E Deus Criou a Mulher", dirigido por seu então marido, Roger Vadim. O longa, repleto de sensualidade e ousadia para a época, foi censurado em Hollywood — o que apenas aumentou sua popularidade.
Descrita como “a mulher que inventou Saint-Tropez”, Bardot transformou-se em um ícone da liberdade sexual feminina, desafiando padrões conservadores e provocando escândalos onde passava. Em 1957, padres em Nova York chegaram a pedir que fiéis boicotassem seus filmes, e o Vaticano a classificou como “má influência”. O resultado foi o oposto: as filas nos cinemas só cresceram.
Durante sua carreira, Bardot atuou em mais de 45 filmes e gravou 70 músicas, tornando-se referência estética e cultural. Ela criou a “pose Bardot” — sentada, pernas cruzadas e olhar provocante — e popularizou o decote ombro a ombro, que até hoje leva seu nome.
Relação conturbada com filho
A atriz teve quatro casamentos: com Roger Vadim (1952–1957), Jacques Charrier (1959–1962), Gunter Sachs (1966–1969) e Bernard d’Ormale, seu atual marido desde 1992. Com Charrier, teve seu único filho, Nicolas-Jacques, em 1960, mas manteve uma relação conturbada.
— Não fui feita para ser mãe — admitiu Bardot anos depois. — Adoro animais e crianças, mas nunca fui adulta o suficiente para cuidar de uma criança.
Nicolas foi criado pela família paterna e só se reconciliou com a mãe décadas depois, em 1996.
Apaixonada e impulsiva, Bardot também viveu romances com o cantor Sacha Distel e com o ator Warren Beatty. — Sempre busquei paixão — disse ela. — Quando ela acabava, eu fazia as malas.
Após se aposentar do cinema em 1973, aos 39 anos, dedicou sua vida ao ativismo pelos direitos dos animais, criando a Fundação Brigitte Bardot em 1986. A organização atua em resgate, proteção e campanhas de esterilização. Vegetariana convicta, chegou a doar mais de £ 90 mil (R$ 657 mil) para ajudar cães de rua em Bucareste e ameaçou se mudar para a Rússia após um zoológico francês negar tratamento a dois elefantes doentes.
Apesar da carreira humanitária, sua imagem se viu novamente cercada por polêmicas. Em 2004, foi condenada por incitação ao ódio racial em um livro, e seu apoio à extrema direita francesa, especialmente à candidata Marine Le Pen, reacendeu debates sobre sua figura pública.
— Bardot é Bardot — disse a escritora Marie-Dominique Lelièvre, amiga próxima. — Ela desafia qualquer definição.
Fonte:https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/12/28/quem-foi-o-jogador-de-basquete-do-flamengo-que-trouxe-brigitte-bardot-a-buzios-transformando-o-balneario-em-destino-de-luxo.ghtml?
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Da vila de
pescadores ao balneário famoso: Armação de Búzios, a cidade no litoral do RJ
que marcou Brigitte Bardot
Em 1964, Bardot passou mais de três
meses, o que levou argentinos a se apaixonarem pelo local
Por O Globo — Rio de Janeiro
28/12/2025 07h22 Atualizado há 5
horas
A morte de Brigitte Bardot, aos 91 anos, neste domingo, reacende a memória de uma das passagens mais emblemáticas de sua vida fora das telas: a temporada vivida em Armação dos Búzios, no litoral do Rio de Janeiro. A atriz francesa entrou para a história da cidade a ponto de dar nome a uma orla e ganhar uma estátua à beira-mar.
Em 1964, no auge da fama internacional, Bardot desembarcou no Rio e seguiu rapidamente para Búzios, então uma praia quase desconhecida, em busca de refúgio contra o assédio de fotógrafos e jornalistas. O que seria uma breve escapada se transformou em uma estadia de mais de três meses em uma vila de pescadores que, segundo ela, ainda era “selvagem”.
Em entrevista por e-mail publicada em 2017 pela Radio France Internationale, Bardot relembrou com nostalgia aquele período, descrito como um dos mais livres de sua vida.
— Guardo recordações únicas. Uma lembrança mágica, magnífica. Na época era apenas uma aldeia de pescadores, sem água encanada ou eletricidade. Vivíamos como Robinson Crusoé em praias selvagens e desertas. As ruelas eram cheias de leitões pretos e galinhas. Vivíamos de pesca, farofa, mangas e muito sol — contou à rádio francesa.
A experiência em Búzios acabou projetando o destino para o mundo. A presença da maior estrela do cinema europeu da época despertou a atenção da imprensa internacional e colocou o balneário fluminense no mapa do turismo global — transformação que, anos depois, a própria atriz passou a ver com ambivalência.
Na mesma entrevista, Bardot não escondeu a frustração com os rumos tomados pela cidade.
— Foi o lado selvagem do lugar que me seduziu. Mas o que Búzios se tornou hoje me deixa atordoada. É uma pena — afirmou.
A atriz era, à época, tema do livro “Répliques et pliques”, que reúne frases marcantes ditas ao longo de sua carreira.
Fonte:https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/12/28/da-vila-de-pescadores-ao-balneario-famoso-armacao-de-buzios-a-cidade-no-litoral-do-rj-que-marcou-brigitte-bardot.ghtml
Brigitte Bardot tem estátua em Búzios, no Rio de Janeiro — Foto: Matheus Coutinho/Prefeitura de Búzios
Brigitte Bardot e Búzios: entenda por que a atriz tem uma estátua em
cidade do Rio de Janeiro
Francesa ficou
marcada por ter colocado destino no mapa do turismo mundial, isso após duas
visitas ainda na década de 1960
Por Redação gshow — Rio de Janeiro
28/12/2025 08h46 Atualizado há 9
horas
Brigitte Bardot é
uma das celebridades homenageadas com uma estátua no Rio de Janeiro. A sua fica
na cidade de Búzios, Região dos Lagos. A atriz francesa, que morreu
aos 91 anos neste domingo (28), ficou marcada por ter colocado o
destino fluminense na rota do turismo mundial ainda na década de 1960.
Bardot esteve em Búzios duas vezes no ano de 1964,
sendo a primeira delas em janeiro, quando permaneceu por quatro meses hospedada
em Manguinhos, com o então namorado Bob Zagury. Depois, voltou em dezembro.
Brigitte
Bardot em Búzios, no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/Instagram/Prefeitura de
Búzios
O
Ministério do Turismo conta que o aspecto bucólico seduziu Bardot naquela época, quando precisou se isolar
para relaxar, e aportou na Armação. Para os moradores locais, muito hospitaleiros, a
bela não passava de “uma criança bonita, parecida
com uma boneca de olhos verdes”, segundo a edição do Jornal do Brasil da época.
Brigitte
Bardot tem estátua em Búzios, no Rio de Janeiro — Foto: Matheus
Coutinho/Prefeitura de Búzios
A Prefeitura de Búzios destaca que após a visita da jovem Brigitte Bardot o balneário foi revelado ao
mundo e, desde então, Búzios nunca mais saiu de moda. Em
agradecimento, a cidade inaugurou a Orla Bardot, em 1999, onde
foi instalada uma estátua em homenagem à artista.
Brigitte
Bardot em Búzios, no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/Instagram/Prefeitura de
Búzios
Também neste domingo, a Prefeitura de Búzios fez
uma longa publicação em homenagem a atriz. No texto, o destaque vai para a
relação que Bardot desenvolveu com a cidade, mesmo chamada de musa. "Você fez diferente: caminhou junto, escolheu o silêncio,
preferiu o essencial. Tornou-se parte da alma de Búzios, como se sempre tivesse
estado aqui", diz um trecho.
Brigitte Bardot ganha homenagem da Prefeitura de Búzios — Foto: Reprodução/Instagram
Leia o texto na
íntegra:
Há pessoas que não
pertencem ao tempo. Pertencem à memória, à paisagem, àquilo que permanece mesmo
quando o mundo muda.
Búzios te guarda em
silêncio e em imagem. Nas fotografias que atravessam décadas, no olhar livre
que nunca pediu permissão, nos pés descalços que tocaram essa terra como quem
reconhece um lar. Cada foto sua é mais do que registro é presença viva, é gesto
de liberdade congelado no tempo.
Você não só passou
por Búzios. Você ficou. Sentiu o vento que move as cortinas, o sol que insiste
em dourar as manhãs, o mar que nunca se cansa de voltar. A cidade aprendeu com
você que beleza não se explica, que a mulher não se limita, que a natureza não
se doma.
Chamaram você de
musa, mas musas inspiram de longe. Você fez diferente: caminhou junto, escolheu
o silêncio, preferiu o essencial. Tornou-se parte da alma de Búzios, como se
sempre tivesse estado aqui.
Força da natureza
em forma de mulher. Liberdade sem moldes, presença que não se apaga.
Búzios agradece.
Porque há nomes que não se despedem, eles se eternizam na paisagem, no afeto e
na memória.
Fonte: https://gshow.globo.com/cultura-pop/noticia/brigitte-bardot-e-buzios-entenda-por-que-a-atriz-tem-uma-estatua-na-cidade-do-rio-de-janeiro.ghtml
Morre Brigitte
Bardot: A atriz virou Búzios do avesso e abandonou o cinema no auge
Ícone do cinema francês morreu aos 91
anos e deixou carreira precoce para defender os animais
Por O Globo — Rio de Janeiro
28/12/2025 07h08 Atualizado há 6 horas
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Com a morte de Brigitte Bardot, aos 91 anos, neste domingo, o cinema mundial se despede de um de seus rostos mais emblemáticos. Símbolo de liberdade, sensualidade e ruptura de costumes nos anos 1950 e 1960, a atriz francesa construiu uma carreira meteórica — e interrompida precocemente — antes de dedicar a vida à defesa dos direitos dos animais. A seguir, curiosidades que ajudam a entender sua trajetória singular.
Estrela precoce e símbolo de uma era
Bardot se tornou um fenômeno global após …E Deus Criou a Mulher, filme que redefiniu a imagem feminina no cinema. Vieram outros sucessos como Babette vai à guerra (1959), A Verdade (1960) e O Desprezo (1963). Ao todo, participou de cerca de 50 produções, tornando-se um dos maiores símbolos sexuais da história do cinema.
Antes das telas, começou como modelo ainda adolescente e estampou a capa da revista Elle aos 15 anos — momento em que foi descoberta pelo cineasta Roger Vadim, que se tornaria seu primeiro marido.
Búzios e a ligação com o Brasil
Em 1964, acompanhada do então namorado Bob Zagury, Bardot buscou refúgio em Armação dos Búzios, então uma vila de pescadores. A passagem discreta transformou-se em fenômeno internacional e ajudou a projetar o balneário fluminense no mapa do turismo mundial.
Hoje, a cidade abriga a Orla Bardot, com uma estátua em sua homenagem — um dos cartões-postais de Búzios e símbolo da ligação duradoura da atriz com o Brasil.
Aposentadoria aos 39 e a guinada para o ativismo
Em 1973, aos 39 anos, Bardot anunciou o fim da carreira, alegando cansaço do cinema e do assédio da fama. A decisão chocou o público, mas marcou o início de uma nova fase: o ativismo em defesa dos animais.
Criou a Fundação Brigitte Bardot em 1986 e liderou campanhas contra a caça às focas, testes laboratoriais, o uso de peles, a caça às baleias e o consumo de carne de cavalo. Mesmo décadas após deixar as telas, manteve forte influência no debate público europeu sobre bem-estar animal.
Vida pessoal intensa e relacionamentos famosos
Bardot teve uma vida amorosa amplamente acompanhada pela imprensa. Foi casada quatro vezes, incluindo uniões com Jacques Charrier — pai de seu único filho — e com o bilionário alemão Gunter Sachs. Também se envolveu com nomes como Serge Gainsbourg e Warren Beatty.
Defensora da independência da Argélia nos anos 1960, Bardot adotou posições conservadoras nas décadas seguintes. Tornou-se uma voz crítica da imigração na França e apoiadora de Marine Le Pen, o que lhe rendeu processos judiciais e afastamento de parte do público que a idolatrava.
Fonte:https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/12/28/morre-brigitte-bardot-a-atriz-que-virou-buzios-do-avesso-e-abandonou-o-cinema-no-auge.ghtml
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