A POLÊMICA SOBRE OS RISCOS DO CONSUMO DE BEBIDA ALCOOLICA PARA O CORAÇÃO E O APARECIMENTO DE DIFERENTES TIPOS DE CÂNCER
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Álcool:
Associação Americana do Coração ressuscita teoria de que beber moderadamente
pode ser bom para a saúde; entenda
Relatório da Associação Americana do
Coração contradiz estudos recentes — e as próprias diretrizes do grupo — que
concluíram que qualquer quantidade de álcool é prejudicial
Por
Roni Caryn
Rabin
, Em The New
York Times
22/12/2025 04h30 Atualizado há 4 dias
Por um tempo, pareceu que a ideia de que o consumo moderado de álcool era bom para o coração havia caído em desuso, refutada por novos estudos e ofuscada pelos alertas de que o álcool causa câncer.
Agora, a Associação Americana do Coração (American Heart Association) reviveu a ideia em uma revisão científica que está gerando intensas críticas, reacendendo o debate sobre o consumo de álcool.
O artigo, que buscou resumir as pesquisas mais recentes e foi direcionado a cardiologistas, concluiu que o consumo moderado de álcool — uma a duas doses por dia — não representa risco de doença coronariana, acidente vascular cerebral, morte súbita e possivelmente insuficiência cardíaca, podendo até mesmo reduzir o risco de desenvolver essas condições.
A controvérsia em torno da influente revisão da organização vem se intensificando desde sua publicação na revista Circulation, da associação, em julho.
Grupos de saúde pública e muitos médicos têm alertado, com base em estudos recentes, que o álcool pode ser prejudicial mesmo em pequenas quantidades. Grupos como a Rede Europeia do Coração (European Heart Network) e a Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) enfatizaram que mesmo o consumo moderado de álcool aumenta as chances de doenças cardiovasculares.
Antecipando novas diretrizes alimentares, o governo do presidente americano Donald Trump retirou de circulação, em setembro, um relatório que enfatizava a ligação entre o álcool e pelo menos sete tipos de câncer. O documento constatou que o risco de tumores orais e esofágicos começa a aumentar com apenas uma dose de bebida alcoólica por dia.
O governo está se baseando, em vez disso, em outro relatório que concluiu que bebedores moderados apresentavam menor risco de ataques cardíacos e menor mortalidade por todas as causas do que abstêmios. No entanto, o relatório observou um risco maior de câncer de mama em mulheres que consomem álcool.
Mariell Jessup, diretora científica e médica da Associação Americana do Coração, afirmou que a revisão se concentrou em doenças cardiovasculares, pois essa é a missão da organização, acrescentando que a revisão não tinha como objetivo servir de diretriz e que as recomendações do grupo aos pacientes não mudaram.
— Nossas diretrizes atuais dizem: 'Se você não bebe, não comece'. Não há evidências suficientes para afirmar conclusivamente que o álcool previne doenças cardíacas — diz Jessup.
Mas os críticos afirmam que até mesmo a sugestão de possíveis benefícios para a saúde do coração é perigosa, porque os riscos do consumo de álcool são muito grandes. Eles questionaram a forma como a associação cardíaca selecionou e ponderou os estudos analisados e disseram que pelo menos um dos autores tinha ligações com a indústria de bebidas alcoólicas no passado, o que deveria tê-lo desqualificado da participação.
— Os benefícios cardiovasculares do consumo moderado de álcool são, no mínimo, questionáveis — afirma Elizabeth Farkouh, médica internista e pesquisadora sobre álcool. — Mas mesmo que houvesse algum benefício, existem muitas outras maneiras de reduzir o risco cardiovascular que não acarretam um risco associado de câncer.
Farkouh e seus colegas escreveram uma carta expressando suas preocupações à Associação Americana do Coração (AHA) em julho. Ela disse que a organização só confirmou o recebimento neste mês, quando questionada sobre o assunto pelo jornal The New York Times.
A conclusão da nova revisão está em desacordo com as diretrizes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) sobre o álcool, que observam que “mesmo o consumo moderado pode aumentar o risco de morte e outros danos relacionados ao álcool, em comparação com a abstinência”.
A revisão também parece divergir da recomendação da associação de cardiologia sobre dieta e estilo de vida, que preconiza o consumo "limitado ou, preferencialmente, nulo de álcool", bem como de sua declaração de 2023 de que pesquisas recentes sugerem que "não existe um nível seguro de consumo de álcool".
Ninguém contesta que o consumo excessivo de álcool seja prejudicial. O debate — e é um debate perene — gira em torno do consumo leve a moderado e se isso oferece mais proteção contra doenças cardiovasculares do que a abstinência total. Doenças cardíacas são a principal causa de morte entre os americanos e brasileiros.
Questões sobre o consumo leve de álcool estão ressurgindo agora porque as diretrizes alimentares dos EUA, que há muito estabelecem parâmetros para o consumo seguro de álcool, devem ser atualizadas até o final do ano.
Consumo menor
As novas diretrizes podem ser especialmente importantes para a indústria de bebidas alcoólicas, que está enfrentando uma queda nas vendas de cerveja e vinho, e, de forma mais geral, para os americanos, que reduziram bastante o consumo. Apenas 54% ainda consomem álcool, e 53% afirmam que mesmo o consumo moderado é prejudicial à saúde, segundo uma pesquisa recente do Gallup.
Essas diretrizes ainda afirmam que é seguro para homens consumir até duas doses padrão de álcool por dia e para mulheres até uma dose. (Uma dose é definida como 10 g de álcool puro — equivalente a 355 ml de cerveja comum, 148 ml de vinho ou 44 ml de destilados.)
O Beer Institute defende que as diretrizes alimentares atuais não devem ser alteradas sem uma revisão científica objetiva e rigorosa. A WineAmerica, uma organização nacional que representa cerca de 500 vinícolas afirma que as diretrizes “permitem que nosso setor promova o consumo responsável”.
Curva em J
A ideia de que um pouco de álcool faz bem à saúde foi apresentada pela primeira vez na década de 1920 por Raymond Pearl, um cientista da Universidade Johns Hopkins, que descreveu os efeitos do álcool como uma curva em forma de J.
Seu estudo observacional, que introduziu a curva, descobriu que os bebedores inveterados apresentavam as maiores taxas de mortalidade (o topo do "J"). Os bebedores moderados apresentavam as menores taxas de mortalidade (a base do J), enquanto os abstêmios tinham maior probabilidade de desenvolver doenças cardíacas e morrer do que os bebedores moderados, embora não tanto quanto os bebedores inveterados (a ponta ascendente do J à esquerda).
Dezenas de estudos subsequentes replicaram a tendência e, durante anos, a ideia de que beber com moderação era bom para a saúde foi considerada como verdade absoluta.
Mas, no início dos anos 2000, Kaye Middleton Fillmore, uma socióloga da Universidade da Califórnia, em São Francisco, começou a questionar quem eram os abstêmios e os bebedores moderados nos estudos.
Será que alguns abstêmios já estavam doentes, ela se perguntou, ou haviam parado de beber por causa de alguma doença? E será que os bebedores moderados eram pessoas que haviam adotado um estilo de vida mais saudável, com comportamentos como praticar exercícios regularmente e comer com moderação, e vantagens como renda e escolaridade mais altas?
Estudos mais recentes, chamados estudos de randomização mendeliana, tentaram controlar essas variáveis estudando pessoas com variantes genéticas que alteram a forma como metabolizam o álcool, fazendo com que o consumo cause desconforto e náuseas.
Essas pessoas geralmente bebem muito menos ao longo da vida do que outras, independentemente de sua classe socioeconômica, doenças prévias ou outros comportamentos. Nesses estudos, não se constatou que essas pessoas apresentassem maior risco de doenças cardíacas ou morte prematura, uma descoberta que, segundo alguns especialistas, enfraquece a hipótese de que o consumo moderado de álcool seja benéfico.
Mas a associação de cardiologia, em sua declaração de julho, desconsiderou os estudos de randomização mendeliana “em favor de estudos observacionais desatualizados e conflitantes”, escreve Luis Seija, clínico geral que estuda políticas de controle do álcool e doenças hepáticas, em uma postagem em seu blog no Substack, Last Call.
— Esta não é apenas uma disputa acadêmica. As pessoas verão manchetes ou citações como ‘uma ou duas doses por dia podem reduzir o risco de doença arterial coronariana'. Essa é a frase de efeito e exatamente o que a indústria de bebidas alcoólicas quer.
Respondendo às críticas de que estudos importantes foram omitidos de sua revisão, a associação de cardiologia afirmou que os autores não eram obrigados a descrever os critérios de inclusão e exclusão.
Em entrevista, Gregory Marcus, vice-presidente do grupo de redação da revisão, disse que a grande maioria dos estudos mostrou consistentemente que bebedores leves vivem mais do que bebedores pesados e abstêmios.
— A maioria dos estudos que analisa a mortalidade geral apresenta essa curva em forma de J. É notável.
Alguns críticos também questionaram se os autores da revisão da associação de cardiologia foram devidamente analisados para verificar a existência de relações anteriores com a indústria de bebidas alcoólicas.
Entre os oito autores estava Kenneth Mukamal, que liderou um ensaio clínico de US$ 100 milhões sobre álcool, interrompido pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) quando se tornou público que ele e funcionários do Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo haviam solicitado US$ 60 milhões em financiamento de fabricantes de bebidas alcoólicas. As políticas do NIH geralmente proíbem tais solicitações.
A associação de cardiologia afirmou que sua política exigia apenas que os cientistas divulgassem relações com a indústria durante o ano anterior ao início da revisão. Mukamal foi o palestrante de abertura de uma conferência sobre vinhos e estilo de vida realizada na Espanha em 2023, que ocorreu dentro desse período.
Questionado pelo The Times sobre a conferência, ele disse que suas despesas foram cobertas pela Universidade de Barcelona, uma das patrocinadoras do evento, e não pela indústria vinícola. O site da conferência afirma que os participantes concluíram que "a validade da curva J foi reconfirmada".
Há um ponto em que ambos os lados do debate concordam: ensaios clínicos randomizados e controlados ajudariam a resolver muitas questões persistentes. Mas não todas.
Quando pacientes com fibrilação atrial, um distúrbio do ritmo cardíaco, foram instruídos a parar de beber em um ensaio recente, o risco de apresentarem um novo episódio diminuiu drasticamente.
No entanto, estudos observacionais constataram que pessoas que bebiam uma taça de vinho por dia tinham menor probabilidade de desenvolver o distúrbio. A revisão da associação de cardiologia concluiu que o efeito do consumo moderado de álcool na fibrilação atrial “permanece desconhecido”.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/12/22/teoria-de-que-beber-alcool-moderadamente-faz-bem-revive-nos-eua-e-gera-polemica.ghtml?
‘Defendo
tolerância zero com álcool’, diz a médica Ludhmila Hajjar sobre o forte impacto
dos hábitos de vida no coração
Em entrevista, a cardiologista
fala também sobre a criação do primeiro hospital inteligente do Brasil, das
novas taxas do colesterol e pressão arterial e o hábito de vida que mais
impacta no coração
Por
Adriana Dias Lopes
—
São Paulo
23/12/2025 04h01 Atualizado há 4 dias
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Aos 48 anos, a médica Ludhmila Hajjar traçou um caminho emblemático na medicina do país. Em um meio conhecido por ser ainda bastante conservador, conquistou cargos de liderança, como o de professora titular de Emergências da Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo (USP) e da coordenação da cardiologia, terapia intensiva e medicina de emergências do Hospital Vila Nova Star, da Rede D´Or.
Com 300 estudos e 12 livros científicos publicados, Hajjar participa ativamente de questões políticas em defesa da saúde pública. Neste ano, entre elas, a criação do primeiro ‘hospital inteligente’, um complexo com 800 leitos pelo SUS, que envolveu governos diversos e aporte internacional. Em entrevista ao GLOBO, a cardiologista e intensivista faz uma retrospectiva dos grandes acontecimentos na sua área em 2025, fala como essa época do ano é delicada para a saúde do coração e elenca os principais hábitos de vida para uma vida mais longa e com saúde.
Neste ano aconteceram duas mudanças importantes na sua especialidade, as metas de controle do colesterol e da pressão arterial ficaram mais rigorosas. Qual é o real impacto dessas alterações nos cuidados do coração?
As doenças cardiovasculares, especialmente o infarto agudo do miocárdio e o derrame cerebral, são as principais causas de morte no nosso país. Cerca de 400 mil pessoas morrem de infarto todos os anos, só para você ter uma ideia. A metade poderia ser evitada pelo controle de fatores de risco. E entre os fatores de risco mais comuns estão justamente o LDL, o chamado colesterol ruim, e a pressão alta. Então é algo que deve ser levado muito a sério, com muito rigor. Quanto mais controladas essas taxas, menor é o risco de morte. O LDL, há alguns anos, era aceito como adequado até 190. Esse parâmetro caiu para 160. Hoje, para a população geral o recomendado é não ultrapassar a meta de 115. E bem recentemente, no congresso do American Heart Association, de novembro, o maior de cardiologia do mundo, confirmou-se que na população de alto risco, que já operou o coração, já tem stent ou já teve um infarto, o LDL tem que ser menor que 40. Em relação à pressão, a evolução tem sido ligeira também. Passamos um tempo aceitando que pressão alta era acima de 15 por 10. E hoje, o paciente que tem 12 por 8 já é pré-hipertenso. As mudanças só ocorreram porque hoje conhecemos o corpo humano com muito mais profundidade graças ao aprimoramento das ferramentas médicas. Isso tem um impacto enorme. Índices mais rigorosos alertam mais precocemente para o risco da doença se estabelecer, acendem um farol amarelo para a pessoa começar a se cuidar e a mudar os hábitos de vida.
Qual hábito de vida influencia mais a saúde do coração, a dieta ou a atividade física?
O ideal é manter hábitos de vida saudáveis de forma integrada. O maior benefício vem do conjunto de fatores bem controlados. No entanto, se fosse necessário escolher, há mais comprovação científica do benefício da atividade física na redução de doenças cardiovasculares, na prevenção de diversos tipos de câncer e na manutenção da saúde osteomuscular. Para o exercício físico, dispomos de um volume robusto de evidências e estudos bem conduzidos. A dieta também apresenta evidências consistentes, embora em menor quantidade e, muitas vezes, com maior heterogeneidade metodológica. Bom é a combinação de exercícios associando os aeróbicos e de força, totalizando ao menos 150 minutos por semana. Em relação à alimentação, a dieta com maior evidência na prevenção de doenças cardiovasculares é a mediterrânea, baseada em grãos integrais, legumes, frutas, azeite de oliva extravirgem, peixes, com menor consumo de carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados. Em resumo: o coração agradece quando movimento e prato caminham juntos, mas, se tiver que desempatar, o exercício físico cruza a linha de chegada primeiro.
O consumo de álcool tem sido cada vez menos tolerado por profissionais de saúde. Qual é a sua opinião sobre isso?
Defendo tolerância zero com álcool. O álcool não traz qualquer benefício, pelo contrário, coloca a vida das pessoas em risco. E não me refiro só às doenças cardiovasculares, mas às neoplasias também. O álcool tem relação com a maior parte dos cânceres: pâncreas, intestino, boca, cabeça e pescoço etc. Esse conhecimento é recente. Não há muito tempo que se sabe que os malefícios do álcool se sobrepõem ao do resveratrol, composto da uva que é antioxidante. E agora, no fim do ano, a pressão para o consumo é mais alta, com inúmeras festas. Nessa época cresce o número de internações por problemas cardíacos e acidentes que causam traumas. Uma série de estudos epidemiológicos mostram isso. Entre os fatores envolvidos estão estresse, aumento da pressão no trabalho e as próprias festas comemorativas com consumo exagerado de álcool.
Você lidera uma equipe grande de médicos e cientistas. Esse ambiente ainda é machista?
Melhorou, hoje somos em um número maior e há mais mulheres na medicina, no meio acadêmico. Mesmo assim, o número de homens em cargos de liderança é muito maior. Vou dar o exemplo do que acontece na Faculdade de Medicina, em São Paulo. Somos em 69 professores titulares, 15 são mulheres. Já foi menos, mas ainda é pouco. Ao longo dos anos ganhei a fama de brava, de difícil, mas talvez se tivesse agido de outra forma não teria sido ouvida. Isso não acontece com os homens.
Há poucos dias o Senado aprovou por unanimidade a implementação do primeiro 'hospital inteligente' do Brasil, um projeto liderado por você. Como funciona uma instituição desse tipo?
Ele é 100% desenhado para otimizar os tempos, como diminuir as filas e o prazo entre o diagnóstico e uma intervenção terapêutica. Alimentado por inovação, inteligência artificial e integração de dados, é todo conectado, o que favorece muito a evolução do paciente e o tratamento. A revolução tecnológica que estamos vivendo hoje já permite isso, basta implementar. Vi alguns bons exemplos pessoalmente na China, como em Xangai e Pequim. O paciente é conectado por meio de um smartphone a um hospital, que já tem um pré-registro dele. No instante do problema acontecer, o hospital consegue definir qual profissional irá atendê-lo e o tempo que vai esperar. Internamente, todos os setores são integrados, os profissionais têm acesso a tudo em acervos de informação absolutamente seguros. Vi hospitais com 4 mil leitos sem nenhuma fila de espera. Isso não é luxo, é tempo a mais de vida. No Brasil será ele será o primeiro, em São Paulo, ligado ao complexo do Hospital das Clínicas. E me orgulho em dizer que será pelo SUS. Terá 800 leitos, 300 de UTI. Será construído graças a uma força-tarefa do Banco do Brics, governo federal e estadual. A ideia é que seja inaugurado até 2028. Meu sonho é fazer disso um piloto e ampliar a ideia para outros estados.
Recentemente, você se posicionou publicamente contra o projeto de lei em análise no Senado que torna obrigatório os novos médicos fazerem uma prova ao se formaram. Por que você não apoia?
Avaliar o aluno depois do curso concluído não resolve a má formação de médicos no Brasil. Se isso for adiante, além de não resolver o problema, resultará numa indústria de cursinho. O problema é mais profundo. Nasce da proliferação indiscriminada de faculdades de medicina que formam profissionais sem capacitação. Estamos vendo um número cada vez maior de médicos trabalhando em emergências, em UTIs, em hospitais em geral, sem especializações, sem residência, sem título de especialista. Defendo critérios baseados concretos para a abertura e manutenção de instituições de ensino. Tem hospital escola? Tem professor? Qual a porcentagem de doutores? Sou coordenadora da atual mudança do currículo médico que torna obrigatória a partir de 2026 uma prova no quarto ano, ou seja, antes de ele entrar na fase mais prática do curso. E a depender das taxas de reprovação, temos que fechar faculdades.
Você tem um discurso político forte, já pensou em se candidatar para algum cargo?
Eu quero é ser presidente de hospital público para melhorar a saúde deste país.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/12/23/defendo-tolerancia-zero-com-alcool-diz-a-medica-ludhmila-hajjar-sobre-o-forte-impacto-dos-habitos-de-vida-no-coracao.ghtml
Álcool e
câncer: quanto devemos nos preocupar?
Período de festas convida a reavaliar
consumo de bebida alcoólica diante dos riscos para a saúde
Por
Paulo Hoff
30/12/2025 04h30 Atualizado há um dia
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O período de festas de final de ano chegou e, como em todos os anos, várias notícias nos alertam para os perigos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas em confraternizações e eventos comuns nesta época. Porém, um alerta específico tem ganhado força entre especialistas e instituições de saúde: a relação entre a ingestão de álcool e o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
Além de ser associado a doenças hepáticas, o álcool tem relação direta com o desenvolvimento de diversos tipos de tumores. Entre os mais comuns estão os cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e intestino. Em tumores de cabeça e pescoço, essa relação é ainda mais perigosa: quando álcool e tabaco são combinados, os efeitos carcinogênicos se multiplicam. Estudos mostram que pessoas que fumam e bebem regularmente podem ter até 30% mais probabilidade de desenvolver câncer nessas regiões.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) recentemente classificou o álcool como carcinógeno do grupo 1, categoria que reúne substâncias comprovadamente capazes de causar câncer em seres humanos. Isso significa que o etanol, presente em qualquer bebida alcoólica, atua, entre outras maneiras, diretamente na formação de compostos tóxicos, como o acetaldeído, que danificam o DNA e comprometem mecanismos de reparo celular.
A pergunta que surge nesse debate é se existe um nível seguro de consumo, e a resposta, segundo as evidências científicas mais recentes, é um pouco complexa. Estatisticamente, não há uma dose segura, e mesmo pequenas quantidades podem desencadear alterações celulares capazes de favorecer o surgimento de tumores ao longo do tempo, mas o risco cresce quanto maior e mais constante for o consumo.
No fígado, o consumo excessivo está associado à cirrose, uma condição grave que eleva muito a probabilidade de hepatocarcinoma, o tipo mais comum de câncer primário do órgão. A combinação entre inflamação crônica, morte celular e regeneração contínua forma um ambiente favorável ao surgimento de tumores.
Outro tumor fortemente associado ao álcool é o câncer de mama, o mais incidente entre mulheres no Brasil. A ligação ocorre principalmente pela interferência do álcool na regulação hormonal. A ingestão frequente aumenta os níveis de estrogênio, hormônio ligado à proliferação celular nos tecidos mamários, o que eleva o risco de alterações malignas.
A popularização de bebidas alcoólicas entre adolescentes e jovens adultos também preocupa especialistas. Pesquisas mostram que quanto mais cedo ocorre o início do consumo, maior é a probabilidade de dependência na vida adulta e mais prolongada é a exposição aos efeitos carcinogênicos do álcool.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que mais de 700 mil casos de câncer por ano, no mundo, estejam relacionados ao consumo de álcool. Apesar dos números alarmantes, há um ponto positivo: reduzir ou eliminar a ingestão traz benefícios imediatos e de longo prazo. Assim como existe o risco cumulativo, há também uma redução gradual dos compostos tóxicos no organismo quando a pessoa diminui ou abandona o consumo, melhorando marcadores inflamatórios, metabólicos e imunológicos.
No Brasil, temos uma relação culturalmente permissiva com o álcool, mas compreender a relação entre seu uso e câncer é um passo essencial para que cada pessoa possa fazer escolhas mais conscientes. Para aqueles que optarem por continuar a consumir bebidas alcoólicas, algumas estratégias de redução do risco incluem evitar o uso diário, ter uma alimentação saudável com frutas e verduras e uma atividade física regular, particularmente com exercícios aeróbicos, como caminhadas, por exemplo. Ter informação de qualidade salva vidas e seu corpo agradece!
Fonte:https://oglobo.globo.com/blogs/receita-de-medico/post/2025/12/alcool-e-cancer-quanto-devemos-nos-preocupar.ghtml
Churrasco e
álcool: combinação pode aumentar as chances de desenvolver diferentes tipos de
câncer; entenda
Oncologista aponta o câncer de
intestino, garganta e estômago entre os mais comuns que podem surgir com essa
alimentação
Por
O GLOBO
—
São Paulo
22/06/2025 10h56 Atualizado há 6
meses
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O especialista afirma que o álcool age como um "transportador", danificando o revestimento da boca, garganta e estômago, e facilitando a fixação de compostos causadores de câncer.
“É por isso que beber álcool e comer carne processada ao mesmo tempo pode ser mais prejudicial do que qualquer uma das duas coisas separadamente”, acrescentou.
Segundo ele, ao invés de comer um hambúrguer, salsicha ou carne vermelha em excesso, é preferível escolher peixes grelhados, espetinhos vegetarianos ou carnes magras, como frango.
“E se você for beber, beba com moderação e combine com saladas frescas ou grãos integrais, que são ricos em fibras e antioxidantes”, explica.
Kubes pede para as pessoas ficarem atentas ao ponto da carne, também, e não deixá-las passar muito na grelha.
“Os pedaços queimados e enegrecidos podem ter um gosto bom, mas geralmente estão cheios de compostos cancerígenos. Mantenha o fogo baixo”, acrescentou.
Carne vermelha e processada
Comer carne processada aumenta o risco de câncer de intestino, com pesquisas mostrando que até mesmo comer pequenas quantidades aumenta o risco. E o risco é considerado semelhante ao do tabaco e do álcool.
"A carne vermelha é classificada como uma causa provável de câncer. Há muitas evidências de boa qualidade de uma ligação entre o consumo de carne vermelha e o câncer de intestino, mas não são tão fortes quanto as evidências para carne processada”, afirma a Cancer Research UK.
Há algumas evidências de que carne processada e vermelha podem aumentar o risco de outros tipos de câncer, como câncer de estômago e pâncreas, embora mais pesquisas sejam necessárias.
Álcool e sua ligação com o câncer
O consumo de álcool está associado ao aumento do risco de desenvolver vários tipos de câncer, incluindo câncer de boca, garganta, cordas vocais, esôfago, cólon e reto, fígado e mama.
Alguns estudos mostram que beber três ou mais bebidas alcoólicas por dia aumenta o risco de câncer de estômago e pâncreas.
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que não existe um padrão de consumo de álcool absolutamente seguro. No entanto, o consumo moderado é aquele que apresenta um baixo risco para a saúde.
As principais diretrizes definem o consumo moderado de álcool como duas doses ao dia para homens e uma dose para mulheres. Cada dose corresponde a uma lata de 350 ml de cerveja, uma taça de 150 ml de vinho ou 45 ml de destilado, como vodca ou gim.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/06/22/churrasco-e-alcool-combinacao-pode-aumentar-as-chances-de-desenvolver-diferentes-tipos-de-cancer-entenda.ghtml
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