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A ciência da
ressaca
Por enquanto, o que se mostra mais
eficaz continua sendo simples. Hidratar-se bem, respeitar intervalos entre as
doses, comer antes de beber e dormir adequadamente
Por
Stephanie Rizk
29/12/2025 04h30 Atualizado há um dia
Entre o Natal que acabou de passar e o réveillon que se aproxima existe uma faixa do calendário em que todos parecem estar no modo pausa. É como se o ano diminuísse o ritmo por alguns dias. Os compromissos ficam mais frouxos, os dias parecem mais longos, as conversas seguem principalmente pelo WhatsApp e a geladeira ainda guarda sobras da ceia, agora já sem tanto glamour. Nesse intervalo curioso, muita gente nota um visitante indesejado: a ressaca. Ela chega de forma discreta, mas persistente, como uma notificação silenciosa do corpo, lembrando que o organismo também precisa se reorganizar depois das festas.
Embora muitas vezes seja tratada como algo banal, a ressaca vai além de uma simples soma de dor de cabeça, sede e cansaço. Trata-se de um fenômeno fisiológico mais complexo. Tudo começa quando o fígado tenta processar o álcool ingerido. Para eliminá-lo, o organismo transforma o etanol em outras substâncias, um processo que leva tempo. Quanto mais lentamente isso ocorre, mais tempo o álcool permanece circulando e interferindo no funcionamento do cérebro, influenciando diretamente o dia seguinte.
Enquanto isso acontece, o álcool interfere nos circuitos cerebrais que regulam atenção, humor, coordenação e equilíbrio. É daí que surgem a dificuldade de concentração, a sensação de lentidão mental e até pequenos lapsos de memória. Além disso, os subprodutos dessa quebra do álcool também contribuem para o mal-estar geral, ampliando a sensação de fadiga, indisposição e confusão que tantas pessoas descrevem como “cabeça pesada” ou “mente nublada”.
O álcool também provoca um desequilíbrio interno que vai além do cérebro. Ele aumenta o estresse celular, favorece a produção de radicais livres e ativa processos inflamatórios. Essa inflamação, que começa de forma microscópica, horas depois se traduz em dor de cabeça, maior sensibilidade à luz e ao barulho e uma moleza difícil de explicar, como se o organismo estivesse tentando se reorganizar.
Alguns estudos mostram ainda que, após uma noite de excessos, o intestino se torna mais permeável. Pequenas partículas acabam entrando na circulação e provocam uma resposta inflamatória do organismo, algo que contribui para aquela sensação de corpo pesado, energia baixa e pensamento lento, típica da ressaca.
O cérebro também participa desse ajuste. O álcool altera substâncias ligadas ao alerta e ao relaxamento. Durante o consumo há sensação de bem-estar. Quando o efeito passa, o sistema nervoso tenta se reequilibrar, o que pode gerar irritabilidade, ansiedade, sono ruim e aquela sensação de mente acelerada, mesmo com o corpo claramente cansado.
Diante de tudo isso, é natural que a ciência busque formas de amenizar os sintomas da ressaca. Pesquisadores têm testado antioxidantes, extratos vegetais e substâncias que atuam na microbiota intestinal. L-cisteína, ginseng vermelho, Hovenia dulcis e até suco de pera coreana aparecem em estudos pequenos com alguma melhora de náusea, dor de cabeça ou cansaço. Probióticos também estão em investigação, mas ainda não há consenso. As evidências são iniciais, heterogêneas, e nenhuma dessas estratégias faz parte de recomendações médicas formais.
Por enquanto, o que se mostra mais eficaz continua sendo simples. Hidratar-se bem, respeitar intervalos entre as doses, comer antes de beber e dormir adequadamente. O corpo lida melhor com o álcool quando recebe água, energia e tempo para se recuperar. Anti-inflamatórios podem aliviar sintomas pontuais, desde que usados com cautela. Vitamina B6 e outras suplementações aparecem na literatura, mas ainda sem respaldo científico para indicação.
A mensagem para este pós-Natal é clara. A ressaca não é acaso nem exagero, é resposta. É o corpo tentando recuperar o equilíbrio e lembrando que cada escolha feita à noite reaparece no dia seguinte. Estamos entrando no último capítulo do ano, e talvez celebrar bem também signifique respeitar os próprios limites. O corpo sempre participa da comemoração e merece o mesmo cuidado que dedicamos aos brindes, à mesa posta e aos abraços da virada.
Fonte:https://oglobo.globo.com/blogs/receita-de-medico/post/2025/12/a-ciencia-da-ressaca.ghtml
Acordou de ressaca? O que fazer para amenizar os
sintomas
Especialistas
detalham como o álcool afeta o fígado, o cérebro e a hidratação —e por que
alguns sofrem mais que outros.
Por Talyta
Vespa, g1
25/12/2025 05h00 Atualizado há 6 dias
Dor de cabeça,
boca seca, náusea, mal-estar geral e aquela sensação de “corpo travado”. A ressaca é tão conhecida quanto
imprevisível: pode pegar
leve em quem bebeu muito e castigar quem exagerou pouco. Mas o que exatamente
está acontecendo no organismo? E o que realmente ajuda a melhorar?
A ressaca
é resultado de uma
combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos desencadeados
pelo álcool.
Segundo Patricia
Neri Cavalcanti, nutricionista do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede
Américas, o etanol é transformado no fígado em acetaldeído, uma substância tóxica responsável por parte do mal-estar. A
desidratação —mesmo leve— explica sintomas como dor de cabeça, boca seca, fadiga e
fraqueza, enquanto a
irritação gástrica causada pelo álcool contribui para náuseas e desconforto
abdominal.
A esse conjunto,
soma-se outro mecanismo importante. Endocrinologista e médico do esporte do
Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Cohen, Clayton Macedo explica
que a ressaca acontece quando
o nível de álcool no sangue já caiu, mas o corpo continua lidando com seus
efeitos inflamatórios, hormonais e metabólicos.
Ele afirma,
ainda, que o álcool inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a diurese
e favorecendo desidratação, sede, tontura e piora da dor de cabeça.
“É um pacote de múltiplos
efeitos do álcool”, diz. “A pessoa acorda com sensação de corpo moído, fadiga e
hipersensibilidade porque há liberação de citocinas inflamatórias.”
Macedo explica
que o álcool irrita a mucosa do estômago e do intestino, altera o refluxo e
retarda o esvaziamento gástrico —um conjunto de efeitos que intensifica a
náusea e o desconforto após a ingestão.
Ainda de acordo
com o especialista, a bebida também favorece episódios de hipoglicemia, especialmente quando
consumida em jejum ou após atividade física, o que pode provocar tremor, sudorese e palpitação. Além disso, o álcool
fragmenta o sono e reduz sua qualidade, o que contribui para irritabilidade,
cansaço e maior sensibilidade à dor no dia seguinte.
Por que há
ressacas piores que outras?
As diferenças
começam na genética: algumas pessoas produzem ou ativam menos as enzimas responsáveis
por metabolizar o álcool,
o que prolonga seus efeitos e aumenta o mal-estar. Patricia explica que
indivíduos com alterações hepáticas, uso regular de medicamentos ou inflamação
no fígado também metabolizam o álcool mais lentamente.
“Cada dose impõe estresse
adicional a um órgão já fragilizado”, diz. "Por isso, duas pessoas que
bebem o mesmo tanto podem ter ressacas muito diferentes."
Segundo a
especialista, bebidas
diferentes também causam ressacas diferentes. E isso se dá não apenas pela quantidade ingerida,
mas pela presença de congêneres –substâncias produzidas naturalmente durante a
fermentação e o envelhecimento, como pequenas quantidades de metanol, taninos,
histaminas e sulfatos.
NOTA DA EDIÇÃO: Esses compostos estão presentes em
níveis seguros nas bebidas legalmente produzidas e não têm relação com casos de
intoxicação por metanol, que ocorrem somente quando a bebida é adulterada.
No contexto da
ressaca, esses congêneres podem aumentar inflamação, irritação
gastrointestinal e dor de cabeça, além de intensificar sintomas como dor
de cabeça, náuseas e mal-estar. Segundo a especialista:
- Mais ressaca: vinho tinto, uísque, conhaque;
- Intermediário: cerveja;
- Menos ressaca: vodca e gim, por serem bebidas mais
“puras”.
Mas ela relembra
que a sensibilidade
individual e a quantidade ingerida continuam sendo os maiores determinantes do
estrago no dia seguinte.
Quanto tempo o
corpo leva para se recuperar?
Não existe
resposta única, diz Patricia. O tempo depende de:
- quantidade e tipo de
bebida;
- genética e função
hepática;
- hidratação e alimentação
antes e depois da ingestão;
- qualidade do sono —que costuma piorar
muito com álcool.
Em geral, o
corpo demora mais do que se imagina para se recuperar completamente. O fígado
metaboliza, em média, meia
a uma dose de álcool por hora, mas os efeitos inflamatórios e a piora da
qualidade do sono podem se estender por 12 a 24 horas.
Esse tempo
depende da quantidade ingerida, do tipo de bebida e das condições de saúde de
cada pessoa. Por isso, mesmo depois que o álcool já foi
eliminado, a sensação de cansaço pode durar o dia inteiro.
Quando a
ressaca deixa de ser normal e passa a preocupar
É sinal de
alerta se houver:
- vômitos persistentes ou
com sangue;
- confusão mental ou
desorientação;
- dor de cabeça extrema;
- palpitações;
- dor abdominal intensa;
- diarreia com sangue;
- sudorese intensa ou tremores.
Nesses casos, a
recomendação é procurar atendimento médico.
Consumo de álcool é
associado ao maior risco de desenvolver câncer — Foto: Pavel Danilyuk/Pexels
O que ajuda e o
que não resolve
Beber água ao
acordar melhora sintomas ligados à desidratação, como dor de cabeça e boca
seca. Mas não atua na inflamação nem acelera a metabolização do álcool.
Para quadros
mais intensos, Patricia explica que água de coco, isotônicos ou soro caseiro podem ser
mais eficazes que água pura,
porque repõem eletrólitos, minerais perdidos na urina e no suor, como sódio,
potássio e magnésio.
O álcool
prejudica a absorção de vitaminas do complexo B e aumenta a eliminação de
minerais, como magnésio, zinco, sódio e potássio. Por isso, alimentos leves e
nutritivos no dia seguinte —frutas ricas em água, vegetais amargos, caldos e
proteínas magras —facilitam a recuperação.
Comer antes de
beber também é eficaz. Estômago vazio
acelera a absorção do álcool; já alimentos com proteínas e gorduras retardam
esse processo e ajudam a manter a glicemia mais estável.
Engov, Epocler e sal de
frutas apenas aliviam sintomas isolados da ressaca — Foto: reprodução
E os remédios?
O neurologista
Diogo Haddad, do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas, alerta que paracetamol deve ser evitado após consumo excessivo de álcool,
porque ambos são metabolizados pelo fígado e podem aumentar o risco de
toxicidade hepática.
Anti-inflamatórios
também exigem cautela: o álcool irrita o estômago, e esses medicamentos podem
aumentar o risco de gastrite e sangramento gastrointestinal —além de
sobrecarregar os rins em pessoas desidratadas.
“Automedicação logo após beber
não é uma boa prática. O mais seguro é hidratar, repousar e aguardar o
organismo eliminar o álcool. Se a dor persistir no dia seguinte, aí sim um
analgésico pode ser considerado”, afirma.
Os especialistas
convergem que fórmulas
anti-ressaca, chás e suplementos vendidos on-line não têm evidência consistente. A ressaca é multifatorial e
difícil de padronizar em estudos. Não existe substância capaz de neutralizar os
efeitos tóxicos do álcool de forma imediata.
“A melhor
estratégia continua sendo reduzir excessos, alternar bebidas alcoólicas com
água e garantir sono, alimentação leve e hidratação adequada”, diz Patricia.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/25/acordou-de-ressaca-o-que-fazer-para-amenizar-os-sintomas.ghtml
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Café, banho,
mais ‘cachaça’: mitos e verdades para curar a ressaca, inclusive a moral
Spoiler: apesar de culturalmente
disseminado, café puro e forte não funciona, tampouco banho gelado
Por
—
Rio de Janeiro
05/11/2023 04h30 Atualizado há 2 anos
Cabeça dói, o estômago revira, a boca seca, os olhos e ouvidos ficam sensíveis e, às vezes, o arrependimento bate. Esses costumam ser os sintomas mais comuns da ressaca, sentidos geralmente após um intenso consumo de bebidas alcoólicas. E para lidar com as consequências, muitas pessoas recorrem a tradições e conhecimentos populares, que nem sempre dão certo — pelo menos cientificamente.
Antes de desvendar quais “truques” fazem sentido para a ciência na cura, ou pelo menos na melhora dos efeitos da ressaca, é importante entender como o álcool é absorvido pelo corpo. O caminho é simples: ele entra pela boca, desce até o estômago, passa pelo intestino e, finalmente, encontra o fígado. É lá que aquela cerveja, caipirinha ou Moscow Mule é metabolizado e dividido em moléculas de etanol, em um processo que demanda muita energia das células do órgão. Algumas delas chegam até a morrer, liberando enzimas hepáticas (Gama GT, TGO e TGP), responsáveis pelo enjoo alcoólico, entre outras coisas.
— A ressaca é o preço que o corpo humano paga por essa metabolização tóxica, excessiva, intensa no gasto de energia, provocada pelo consumo do álcool — destaca o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA).
O especialista explica ainda que, quando ingerido, o etanol funciona como um “spray” no corpo e chega a todos os lugares pelo sangue. No cérebro, ele inicialmente causa prazer, mas pode provocar amnésia alcoólica e embriaguez, além de cobrar um preço semelhante ao fígado. Por isso, se tomou mais whisky do que devia, comemorou — ou lamentou — o resultado da final do campeonato em demasia ou quer apenas se preparar caso alguma situação dessas aconteça, veja o que pode ser útil no momento de lidar com os efeitos da bebedeira.
Lembrete: cada pessoa responde de forma diferente. Por isso, há itens que podem funcionar melhor com alguns do que com outros, e como regra geral para a ressaca — e para a vida — quanto mais líquido, melhor, pois a água atua como “gasolina” da metabolização. A única exceção é, claro, mais álcool.
Café forte
Nem o forte, nem o fraco. O líquido quente e amargo pode ajudar o paladar e o “bafo de álcool”, mas não tem relação farmacológica com os efeitos da ressaca. Em uma barriga já sensível pelo álcool, inclusive, o café pode piorar a situação da pessoa.
No entanto, nem tudo está perdido para os amantes de café: a cafeína pode ajudar levemente na dor de cabeça de algumas pessoas que já estão acostumadas com a bebida como remédio, mas apesar da dica, “nenhum médico prescreve café para ressaca”, brinca o psiquiatra.
Mais cachaça
— Trabalho na área há muito tempo, então já ouvi frases como: “Doutor, quando tem fogo na mata, a única forma de acabar é colocando fogo no outro lado” — conta Guerra.
Há quem diga que o remédio para curar os efeitos da cachaça é… mais cachaça. A medida, comum em regiões mais interioranas, “é um erro absurdo do ponto de vista médico”, avalia o presidente do CISA, pois a adição de álcool no corpo que já está sofrendo os efeitos da bebida pode atrasar as consequências, mas a conta chega de qualquer forma.
Kit Ressaca
Comumente dado em festas de casamento, formaturas e demais celebrações, itens encontrados no “kit ressaca”, como Engov, Epocler e sal de frutas, agem, no máximo, como placebo. Alguns desses medicamentos, inclusive, têm o uso contraindicado junto a bebidas alcoólicas, como é o caso do Engov.
Para ajudar nas dores, remédios com ibuprofeno ou dipirona são mais aconselhados, pois aspirina pode irritar ainda mais o estômago e outros tipos de analgésicos, associados ao álcool, podem sobrecarregar o fígado.
Ovo
Não é difícil encontrar recomendações de ovo cru e/ou cozido para ajudar na ressaca. A “base científica” costuma ser a presença do aminoácido cisteína, que “desempenha um papel no metabolismo do álcool”. No entanto, não existem estudos para apoiar a hipótese, além do risco da intoxicação com salmonella.
— Se fosse pela cisteína, já teriam feito um comprimido com a substância isolada, que seria mais fácil — argumenta Guerra.
Banho gelado
Banhos são comuns durante a embriaguez, um estado anterior à ressaca, e podem ajudar com eventuais vômitos, mau odor e outros estados característicos de quem está “alto”. Mas no “pós”, o resultado prático é nulo, e não tem efeito na metabolização do álcool. O mesmo vale para mergulhar a cabeça em água gelada, que apesar de proporcionar um prazer momentâneo, não é prático cientificamente.
Tipos e marcas de bebida
Também é comum a associação entre marcas de bebidas — e seus respectivos preços — e ressacas mais fortes ou mais fracas. No geral, tanto faz para o fígado se a garrafa foi cara ou barata. O mesmo vale para o tipo de bebida, já que o volume costuma compensar a diferença de teor alcoólico.
— A cerveja tem um teor alcoólico de aproximadamente 4% e costuma ser servida em copos ou latas de 330 ml. Isso dá aproximadamente 14 gramas de álcool puro, a mesma quantidade presente em 150 ml de vinho ou em uma dose de whisky ou cachaça (50 ml) — explica o psiquiatra.
Cor, temperatura, presença ou não de gás e/ou gelo também não alteram a sensibilidade ao álcool e, consequentemente, não mudam os sintomas da ressaca.
Há, porém, bebidas feitas de forma artesanal, que podem apresentar substâncias mais prejudiciais ao corpo humano. Segundo Guerra, somente nesses casos que o corpo vai diferenciar as bebidas.
Exercícios físicos
— Conheço pessoas que falam que correm e sentem o álcool evaporar através da pele — menciona o representante do CISA.
Exercícios físicos contribuem na ressaca, mas de outra forma. E assim como a hidratação, quase sempre é aconselhável, pois acelera o metabolismo e, consequentemente, colabora na performance das células responsáveis pela eliminação do etanol do corpo. Leves caminhadas já ajudam.
O que fazer com a ressaca moral?
A pesquisa “Os jovens e beber com moderação no Brasil”, realizada pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) a pedido do CISA, revelou neste ano que preocupações de ordem social, como o medo de “dar vexame”, ser julgado ou se prejudicar no trabalho, são determinantes para adultos entre 18 e 24 anos moderarem o consumo de álcool, mais até do que os potenciais efeitos ao corpo.
Em eventuais falas inapropriadas, faltas a compromissos, ligações para um(a) ex ou traições, a psicóloga Isabella Oliveira, que atua com redução de danos e riscos ao uso prejudicial de álcool e outras drogas, avalia que o jeito é lidar com as consequências.
— Muitas pessoas usam o álcool como desculpa para fazer coisas que são passíveis de julgamento moral — destaca Isabella. — Não tem muito uma dica, a pessoa tem que arcar com as escolhas — acrescenta.
No entanto, a psicóloga afasta o sentimento de “culpa” que o relaxamento provocado pela bebida possa provocar, desde que dentro do bom senso.
— O caminho é se despir da moral cristã que somos incluídos e se colocar como um sujeito de desejos. Largar um pouco o julgamento e curtir o que quiser curtir — conclui.
Tanto para a ressaca moral quanto para a física, não existem fórmulas ou receitas milagrosas. A recomendação dos especialistas fica sempre a cargo do uso moderado, visto que não há níveis seguros da ingestão do álcool, da hidratação e do consumo de alimentos, sobretudo de digestão lenta, como arroz integral, peixe e frango antes da “farra”.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/11/05/cafe-banho-mais-cachaca-mitos-e-verdades-para-curar-a-ressaca-inclusive-a-moral.ghtml
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A "ansiedade da ressaca" é real; especialistas identificam quem tem mais probabilidade de se arrepender depois de uma noite de festa
Pesquisadores australianos afirmam que existe uma "associação significativa" entre ressacas e "aumento de emoções negativas"
Por O GLOBO — São Paulo
Para chegar a essa conclusão, os cientistas conduziram uma meta-análise de 22 estudos que envolveram 6.152 pessoas com idade média de 27 anos. Depois de analisar os resultados de cada estudo, eles descobriram que pessoas propensas à ansiedade ou ao mau humor, ou aquelas que bebem para lidar com o estresse, sentem mais intensamente a "ansiedade de ressaca".
Pessoas que agem de maneiras que "vão contra seus valores pessoais" enquanto estão bêbadas também geralmente se sentem mais envergonhadas, arrependidas ou ansiosas durante uma ressaca. Esses sentimentos podem levar a pensamentos excessivos e autocríticas severas, o que agrava o sofrimento emocional ou a "ansiedade da ressaca".
Enquanto isso, aqueles com maior resiliência emocional — a capacidade de se adaptar ao estresse e manter a perspectiva — tendem a lidar com a situação de forma mais eficaz.
Em artigo publicado na revista Drug and Alcohol Review, os pesquisadores também afirmaram: "Essas descobertas se alinham com pesquisas anteriores que sugerem que jovens adultos frequentemente percebem a ressaca como uma consequência menor, porém inevitável, do consumo excessivo de álcool. Essa crença pode advir de uma maior ênfase nos aspectos sociais e prazerosos do consumo de álcool, com os efeitos negativos da ressaca sendo vistos como uma compensação aceitável, em vez de um impedimento."
Os cientistas não explicaram exatamente como o álcool pode desencadear essa ansiedade. No entanto, estudos anteriores sugeriram que o álcool influencia o humor e os níveis de ansiedade no cérebro de uma pessoa, fazendo com que ela se sinta mais feliz e relaxada.
Uma vez que os níveis de álcool diminuem no corpo, os sentimentos de ansiedade e depressão podem aumentar.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/10/25/a-ansiedade-da-ressaca-e-real-especialistas-identificam-quem-tem-mais-probabilidade-de-se-arrepender-depois-de-uma-noite-de-festa.ghtml
Destilado ou fermentado: qual bebida dá mais ressaca?
Cerveja, gin ou vinho? Você escolhe a bebida
pensando na ressaca do dia seguinte? Especialistas explicam que o mais
importante é controlar a quantidade ingerida de álcool.
Por Mariana
Garcia, g1
29/12/2023 05h01 Atualizado há 2 anos
Você quer beber, mas quer evitar a terrível ressaca no
dia seguinte. E aí, o que você escolhe: destilado ou fermentado?
Talvez sua resposta seja: vou na cerveja, tem menos álcool, ou seja, menos
mal-estar no dia seguinte. Mas será que é isso mesmo? Existe uma bebida
alcoólica que dê mais (ou menos) ressaca?
👉
A resposta é não.
No final, tudo é álcool.
O problema, na verdade, está na quantidade de bebida
ingerida.
"De um modo geral, não tem uma bebida que dê menos ressaca.
O importante é consumir o álcool com moderação, já que a quantidade de álcool e
a velocidade de
ingestão influenciam muito na questão da embriaguez. Também é
importante se hidratar, porque o álcool estimula a diurese,
a perda de líquido pela urina", alerta Álvaro Pulchinelli, toxicologista
do Fleury Medicina e Saúde.
O que é a ressaca e por que
ela provoca mal-estar?
A ressaca é o resultado de uma intoxicação pelo álcool.
Ela está ligada à metabolização do álcool, que
passa primeiro pelo estômago, por uma enzima chamada álcool desidrogenase.
No fígado, o álcool se transforma em acetaldeído – um composto
que causa desidratação celular, pode agredir as células e dá a sensação de
mal-estar.
O acetaldeído é uma molécula tóxica que
causa desidratação celular, causa náusea e é responsável pela maioria dos
sintomas associados à ressaca.
— Raymundo Paraná, médico hepatologista e professor
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA)
egundo o hepatologista, a velocidade com que o
acetaldeído é formado depende da quantidade de álcool que
chega ao fígado e da rapidez com
que o fígado maneja e metaboliza
esse álcool.
📉
O álcool também provoca uma perda das reservas de glicogênio no fígado, uma
espécie de estoque de energia.
"Por isso que o indivíduo acorda com fome e
tem vontade de comer doce pela manhã", complementa Raymundo Paraná.
Só resta esperar
Infelizmente, não existe um remédio para curar
ressaca. E ela pode durar mais do que esperado – até 24 horas após a bebedeira.
"Não existe um tratamento específico. A pessoa
precisa esperar o organismo eliminar todo o álcool", orienta Álvaro
Pulchinelli.
Veja o que mais você pode fazer:
- Manter repouso;
- Tentar manter uma boa hidratação;
- Evitar o jejum e fazer refeições leves (comida
gordurosa pode piorar os efeitos da ressaca);
- Utilizar analgésicos simples (em casos de dor
de cabeça ou dor);
- Tomar medicamentos antieméticos (contra o
enjoo);
- Tomar
antiácidos (para gastrite).
E tem como prevenir a
ressaca?
A pessoa pode optar por dois caminhos: não beber ou beber moderadamente, sem
excessos. Além disso, os especialistas dão algumas dicas
que podem ajudar a amenizar os sintomas:
🥂
Evite beber de estômago vazio (o
que acelera a absorção do álcool);
🥂
Evite beber quando o sono
não está regular;
🥂 Hidrate-se durante o consumo de álcool –
o ideal é um copo de água para cada dose de bebida. A água ajuda a diluir o
álcool no estômago e a chance de ficar muito intoxicado é menor;
🥂Coma durante o consumo de álcool –
isso pode reduzir a absorção do álcool.
Mito ou verdade?
- Misturar vários
tipos de bebidas alcoólicas piora
a ressaca? Não
piora nem melhora. O que vai importar é
a quantidade de álcool que
você consumiu e a sua suscetibilidade.
- As mulheres são menos resistentes
ao álcool? É verdade. As
mulheres têm menos quantidade de álcool desidrogenase – enzima que modula
a quantidade de álcool que vai chegar ao fígado.
- Depois dos 30 anos, a
ressaca é pior? Não. É
uma verdade relativa. O álcool desidrogenase
vai diminuindo com a idade, mas isso costuma ocorrer entre 40 e 50 anos.
- Vomitar ajuda a passar a ressaca? Não.
O vômito pode aliviar o desconforto pela distensão do estômago, mas pode
induzir à perda de sais minerais e desidratação. Em geral, os sintomas da ressaca só aparecem
depois que todo o álcool ingerido já foi absorvido e metabolizado.
- Existe bebida boa e bebida ruim?
Existem bebidas que são mais impuras, que trazem não só o álcool, mas outras substâncias que podem
gerar mais intolerância e sintomas. Bebidas mais
"qualificadas" têm menos impurezas e reduzem riscos de agentes
adicionais à intoxicação, além do álcool. Mas vale lembrar: o mais importante é sempre a
quantidade de álcool que você bebeu.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2023/12/29/destilado-ou-fermentado-qual-bebida-da-mais-ressaca.ghtml
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Menos ressaca:
saiba a alimentação ideal antes de começar a beber para reduzir os danos do
álcool
Embora não consigam compensar
totalmente os impactos do excesso, certas escolhas na hora de comer preparam
melhor o organismo para o consumo de bebidas alcoólicas
Por
—
Rio de Janeiro
31/12/2025 08h10 Atualizado agora
Ano-Novo é uma data recheada de celebrações, mas que pode carregar consigo excessos que trazem riscos à saúde, principalmente quando se fala em abuso de álcool. Nesse sentido, embora as principais autoridades sanitárias do mundo concordem que não existe limite considerado seguro, já que até mesmo uma dose traz riscos, existem algumas formas de minimizar os danos da bebida no corpo humano.
— O que acontece muito é o beber pesado episódico, que é beber muito num curto período de tempo. É um padrão nocivo que pode trazer danos importantes. Muita gente pensa “não bebi a semana toda, tudo bem eu beber demais no sábado”. Mas não é bem assim que funciona. Só que precisamos ser realistas, as pessoas vão beber mais nessa época, então fornecer orientação para evitar o exagero e reduzir os danos é importante — diz a coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Mariana Thibes.
Isso porque existem cenários que criam condições no corpo que prejudicam a metabolização das bebidas alcoólicas e intensificam o impacto na saúde e a sensação de mal-estar no dia seguinte, a famosa ressaca. E uma maneira eficaz de evitar isso é trabalhando a alimentação.
— Nós do Cisa orientamos que o ideal é, se for beber, evitar o consumo abusivo que é quatro doses ou mais para mulheres numa única ocasião, e cinco para homens. E procurar seguir outras atitudes que parecem simples, mas fazem diferença, como alimentar-se bem — diz Mariana.
A dose equivale a 14g de álcool, o presente numa lata de cerveja, numa taça de vinho ou numa dose de destilado. Já quando se fala em comida, a ex-presidente Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban), Sueli Longo, explica que a primeira estratégia é fazer o "arroz com feijão": intercalar o álcool com água para garantir a hidratação e não beber em jejum.
— Se você se alimentou antes, você está com um nível de glicose bom no sangue e trabalhando com uma oferta de energia adequada para o seu sistema nervoso central. Então ele está numa situação adequada do ponto de vista de combustível para o corpo. Mas se você bebe em jejum, o corpo consome o álcool já num nível de glicemia baixo, de falta de energia. Se está há oito horas sem comer, por exemplo, está com menos substrato energético para o seu sistema nervoso, e os efeitos do álcool são sentidos de forma mais rápida — conta.
Ela explica que estar com as principais refeições em dia, o café da manhã, o almoço e o jantar, é suficiente para evitar o jejum. Porém, nos casos em que não dá tempo para essa quebra adequada do jejum, há melhores alternativas de lanches rápidos para preparar o corpo para a bebida alcoólica.
— Nesse caso, é preciso focar em opções com absorção mais rápida, que vão ser digeridas mais rápidas e elevar a glicemia no sangue, como os carboidratos. E evitar as comidas gordurosas, que têm a digestão mais lenta. Isso antes do álcool, por causa dessa condição de jejum. Mas depois que começar a beber, não tem problema optar por alimentos que demorem mais para digerir — continua Sueli.
Boas opções de carboidratos são frutas como a melancia e a banana; massas, como macarrão e pizza; arroz branco; doces; pães; cereais; fibras; batatas; vegetais; legumes, entre outros. Em relação às gorduras, Thibes, do Cisa, lembra que, além de serem digeridas mais lentamente, elas também devem ser evitadas pois sobrecarregam o fígado, que é o órgão que metaboliza o álcool.
A presidenta da Sban alerta ainda que algumas pessoas pensam em peso e acabam não comendo adequadamente para priorizar as calorias do álcool, “mas isso vai na contramão do indicado”: — Bebida alcoólica de fato tem bastante calorias, devemos pensar com carinho, mas sem tomar essa atitude drástica de não comer, que pode levar a mais efeitos nocivos na saúde.
Lidando com o dia seguinte
Em relação ao dia seguinte, ela frisa a importância de manter o bom consumo de água, já que o álcool leva à desidratação do corpo: — Se tiver sido um uso abusivo no dia anterior, o fígado acaba reclamando um pouco, então buscar alimentos mais leves, que não exijam tanto do organismo, com frutas e legumes, também pode ajudar.
Nesse contexto, Thibes lembra que não existe remédio milagroso para a ressaca: — O que eles podem fazer é tratar os sintomas. O famoso engov tem um componente analgésico, então ele pode ajudar com uma dor de cabeça, mas assim como qualquer outro analgésico terá o mesmo efeito. E também não funciona para evitar a ressaca tomando antes, a única forma de prevenir é não bebendo em excesso.
Outro mito relacionado à ressaca que é comum escutar é que misturar os tipos de álcool, como vinho com cerveja, potencializa o risco de sentir o mal-estar no dia seguinte. Porém, também não existe qualquer evidência de algo nesse sentido.
— O que causa a ressaca é o excesso do álcool, do etanol, que está na bebida. Independentemente da fonte dele. O que precisamos lembrar é que algumas bebidas têm doses diferentes de álcool, o que pode dificultar a contagem da quantidade de doses que estamos ingerindo. Se eu sei que uma cerveja tem uma dose, quando eu tomo um drinque posso não saber direito quantas doses têm ali, por isso ao misturar as bebidas a contagem fica mais difícil — explica Thibes.
Ela reforça ainda que, se a pessoa tem mais tolerância aos efeitos do álcool, ou seja, demora mais para se sentir embriagada e não costuma ter ressaca, isso não significa que o consumo tenha menos efeitos nocivos em seu corpo. Ela lembra também os riscos de curto prazo associados ao beber episódico::
— Temos os problemas de curto prazo, que afetam principalmente os mais jovens, como acidentes de transito, casos de violência, de a pessoa ficar agressiva, se arrepender de algo, maior risco de sexo desprotegido e contrair uma IST (infecção sexualmente transmissível). A médio e longo prazo, esse beber episódico também aumenta o risco de mais de 200 tipos de doenças no futuro, como as cardiovasculares e câncer, além do alcoolismo.
Thibes reforça ainda a importância de respeitar caso o colega diga que não irá consumir álcool nos encontros. A redução das bebidas alcoólicas é uma tendência, especialmente entre os mais jovens, porém vem acompanhada de uma prática chamada de sober shaming, que envolve o constrangimento àqueles que decidem dar uma segurada no álcool.
— É importante não oferecer bebidas alcoólicas a quem não pode beber, pela razão que seja, e muito menos insistir no consumo. Pode ser uma gestante, um menor de idade, alguém que está fazendo uso de um medicamento ou simplesmente alguém que quer reduzir o consumo. Não exercer pressão social em quem não quer beber é super importante — diz.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/12/31/menos-ressaca-saiba-a-alimentacao-ideal-antes-de-comecar-a-beber-para-reduzir-os-danos-do-alcool.ghtml
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