
A lei do menor esforço
Não foi só a Chapeuzinho Vermelho que se deu mal depois de pegar o atalho para chegar mais rápido ao seu destino, e com isso economizar energia e movimento. Foi a humanidade inteira. E brincadeiras à parte, considerando que esse comportamento foi sendo repetido ao longo dos anos, de forma mais corriqueira e com mais suporte tecnológico, hoje a Chapeuzinho nem iria andar, mesmo que pelo caminho mais curto, ela pegaria um carro, um ônibus, ou até um patinete... elétrico, claro!
A conhecida “lei do menor esforço” é praticada por nós o tempo todo. Convido a uma reflexão: quando você vai ao mercado, escolhe a vaga mais próxima, correto? E quando a escada rolante ou elevador estão quebrados e você tem que subir de escada convencional, o quão mal humorado você fica? Isso sem contar o esforço que é para levantar do sofá quando o interfone toca, e olha que é para trazer comida!
Não há nada “errado” nisso. Nosso cérebro nos faz ser assim: poupadores de energia. Então, se cada levantada do sofá, cada subida por escada convencional, cada 50 passos a mais que dermos, forem sendo contabilizados, conseguimos, sem perceber, colocar movimento em nosso dia e ir gastando 50, 100, 200 calorias a mais. Parece pouco? Não é. Com apenas 200 calorias a mais ou a menos, todos os dias, conseguimos ganhar ou perder quase 1 quilo de gordura em um mês, 2 quilos em 45 dias, e por aí vai... Para emagrecer ou engordar um quilo de gordura, é preciso fazer um déficit ou um superávit calórico de 7.500 calorias: 200 calorias, diariamente, ao longo de 90 dias, são 18 mil calorias. É literalmente de grão em grão. Quase sem perceber. Mas, foi assim que a maioria das pessoas aumentou de peso nas últimas décadas: aos poucos, de forma quase invisível.
Uma pausa: notem que estou grifando a palavra gordura, para não haver confusão. Perder um quilo de peso na balança, nem sempre significa perda de um quilo de gordura corporal. Um quilo na balança pode ser de água. Experimente se pesar após uma longa sauna a vapor. Ou antes da menstruação, para mulheres, em que há retenção líquida. Existe uma oscilação de peso em casos como esses e, um ou dois quilos, podem variar muito facilmente. Confie mais em uma fita métrica, quando se quiser ter ideia de perda ou ganho de gordura corporal.
Mas, voltando ao ponto principal do tema de hoje: somos poupadores de energia, de calorias. Por isso, pensar em acumular movimento nos dias de hoje, em que temos facilidades para tudo, é complicado, é uma tarefa árdua. Exige um nível de consciência absurdo. Mesmo que você se proponha a trocar os elevadores por escadas no seu prédio, muito provavelmente, até que você se habitue e repita essa tarefa por muitas e muitas vezes, você vai se esquecer e quando perceber já estará na porta do seu apartamento, tendo subido de elevador. Nosso cérebro sempre vai nos levar para o automático e para o menor esforço ao exercer qualquer tarefa.
Na verdade, nosso cérebro já economiza no momento em que ele não tem que “pensar” para realizar as tarefas. Quando se tenta aprender algo novo ou mudar um padrão de comportamento, ele já “acha ruim” porque, só isso, já gera um gasto energético. Então, é uma briga a cada minuto de nosso dia contra nosso próprio cérebro para nos tirar do modo “economia de energia” (exatamente que nem nossos celulares), do qual ele tanto gosta.
Por isso, que nos dias de hoje, a atividade física programada passa a ser tão importante. Organizar nosso tempo e reservar pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica por semana, preferencialmente divididos em 5 vezes, e duas sessões de exercícios de força resistida. Essa é a recomendação da Organização Mundial da Saúde como o mínimo necessário para sermos pessoas fisicamente ativas e saudáveis. Também é fundamental para garantir que nosso corpo receba o estímulo do movimento físico, já que em meio a nossas rotinas e todo o conforto que temos, fique cada vez mais difícil de conseguir isso.
Fonte:https://blogs.oglobo.globo.com/espiritualidade-e-bem-estar/post/lei-do-menor-esforco.html
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