AS CINCO SABEDORIAS NA EDUCAÇÃO E O TREINAMENTO DO CEBB - OS PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO PELO CAMINHO DO MEIO NO BUDISMO - LAMA PADMA SAMTEN

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As cinco sabedorias na educação e o treinamento do CEBB

Introdução ao método

Então, a gente tem aqui esse tema: as cinco sabedorias na educação.
Eu imagino que isso diga respeito a alguma coisa relativa à escola. Não necessariamente ao método. Então, quando a gente fala sobre esse tema de usar as sabedorias búdicas na educação, isso remete para uma visão de como isso pode ser usado dentro de uma perspectiva de ensino, em uma escola ou no próprio CEBB (sendo o CEBB como uma escola).
Então eu vou discorrer um pouco sobre isso. Mas esse tema se mistura com o tema da própria estrutura de funcionamento das coisas. Então, não tem muito como separar conteúdo com o próprio processo da forma como ela vai se estabelecer.
Eu vou aproveitar esse tema para falar um pouco sobre essa estruturação, que diz respeito não só a Escola do Caminho do Meio, mas ao CEBB como uma instituição também. A gente termina aplicando um caso no outro de acordo com a circunstância.
Então, por exemplo, dentro da estrutura dos ensinamentos budistas, as cinco sabedorias é alguma coisa lá adiante. Isso não tá no início, porém nós podemos encontrar um modo de colocar isso desde o início. Que é o modo que estamos utilizando dentro da Escola Caminho do Meio (especialmente lá), mas também dentro do CEBB, também dentro das mais variadas estruturas. Eu vou começar comentado isso, ou seja, como que isso tradicionalmente nos ensinamentos budistas é colocado.
Disposição é colocada quando a gente tem um caminho gradual e que método nós utilizamos, que raciocínio pedagógico a gente utiliza para poder colocar aquilo já no primeiro dia, quando a criança vai chegando. Eu vou explicar isso. E nós precisamos ter na mente o método, que aquilo é lá adiante e a gente utiliza isso de saída. E eu vou começar explicando como essa “mágica” se dá.
Então, em primeiro lugar, a gente poderia imaginar assim: existem os praticantes ou as pessoas em vários contextos. O ensinamento budista, todo ele se origina de Samantabhadra (para explicar isso eu vou ter que explicar a origem do universo, mas isso não precisa!) (risos).
Pois é, se diz assim: o Buda Sakyamuni, os Budas todos, através das experiências de meditação deles, primeiro tiram a agitação da mente, depois eles percebem que têm um conjunto de pensamentos e emoções e flutuações de energia dentro deles, que ainda que não seja tão intenso, ainda estão presentes (e retornam, retornam). E durante a meditação, nós podemos (dependendo do tipo de meditação) lutar contra esses conteúdos.
Então, de modo geral, existe a prática na qual a gente foca alguma coisa, uma própria energia, o próprio corpo ou uma pedra, ou uma imagem, ou a própria pessoa imagina algo em um corpo, ou em algum lugar e foca a atenção naquilo. Quando nós focamos a atenção naquilo, a mente, de modo natural, perde a atenção às coisas flutuantes que estão ocorrendo.
Esse aspecto de flutuação de mente vem como decorrência da falta de um foco claro. Quando eu coloco um foco claro, a flutuação se reduz. Isso é base da meditação chamada shamatha, em que estabilizamos a mente para definir um foco. Esse método é o principio geral de funcionamento de nossa mente, quando nós focamos algo a gente perde o restante. Assim nós utilizamos isso como método em nossa meditação.
Então, a gente pode focar o equilíbrio do corpo, a energia do corpo, ou um ponto em algum lugar, um ponto à frente, e, colocando nossa mente ali, todo o resto amortece. Então as práticas sucessivas de meditação, associadas a uma vida mais tranqüila, mais simples fazem com que esse estado de excitação como um todo se reduza.
Pode ocorrer que esse conteúdo todo, que a gente sente como se fosse um conteúdo interno, fique amortecido e a gente ganhe uma estabilidade. Porém, essa estabilidade, ainda é suscetível ao ressurgimento da agitação. No entanto, no próprio processo da meditação podemos penetrar por dentro dos conteúdos que ficam residuais e amortecidos (e que posteriormente podem retornar), penetrando nesses conteúdos e retirando a força deles, a realidade deles, nós atravessamos isso e vamos para uma segunda região: a de silencio, que é uma região na qual nós temos então uma clareza, que nos vamos chamar de sabedoria primordial.
Quando nós chegarmos nessa condição de clareza mais profunda. Nós vamos dizer que estamos acessando a mente do Buda Samantabhadra. Que a mente é silenciosa, porém é dotada de sabedoria discriminativa, de capacidade de entender a gênesis dos processos, de surgimentos e das coisas todas. Então, nós vamos dizer que todos os Budas portam essa mente de Samantabhadra. Todos os Budas residem nesse silencio. Assim como nosso treinamento, falando em poucas palavras, é esse trajeto: da mente agitada até a mente que corresponde a lucidez da sabedoria primordial de Samantabhadra. É isso que nós estamos fazendo.
Então, todo o processo de educação dentro do budismo busca tirar pessoas disso e levar até uma outra ponta. É isso. Seja na escola, no CEBB, onde for. Esse é o eixo do processo. Seria o programa político-pedagógico da escola.
Então a gente imagina que a escola tem crianças de 07 ou 12 anos e vão passar por uma prova final de levitação, medindo o brilho da aura com câmera e se ele não obtiver a iluminação significa que a escola falhou em alguma coisa (risos). Naturalmente, a gente pode ter uma visão abrangente e nós vamos fazer o que seja possível dentro disso. Nós temos um eixo. Porém, dentro desse processo, nós estamos indo em direção a visão, ou seja, as pessoas olharem as coisas com clareza.O aspecto de visão é um dos três pedaços do treinamento, e é só o primeiro.
Existe depois a segunda etapa, que é a etapa de estabilização da visão. Por exemplo, eu acho que todos vocês já compreenderam coisas e cinco minutos depois aquilo escapou… É parecido com o sonho, quando, uma vez no sonho, a gente aspira acordar e lembrar de tudo, mas cinco minutos depois aquilo começou a esfumaçar a cor sumiu e não se sabe bem se estamos lembrando ou construindo aquilo. Esse é o ponto. A realização também, nós podemos descortinar visões, clareza sobre as coisas, de repente aquilo se confunde e a gente não sabe o que houve. Então, por isso existe uma etapa de estabilização, que é necessária. Precisamos estabilizar a visão, não basta acessar de maneira um pouco aleatória. Essa estabilização se completa quando a gente não perde mais, e esse não perder mais tem várias etapas.
A primeira etapa é ligar, sempre que eu quiser; a segunda etapa é não precisar mais desligar e a terceira etapa é não se perder aquilo, mesmo enquanto sonhos desafiadores ou alguma morte etc. (eu não perco aquilo). Isso significa que então essa realização ocorreu.
Depois disso, surge uma etapa de como agir no cotidiano com lucidez, utilizando meios hábeis para trazer benefícios aos seres, e, nesse caso, vem as cinco sabedorias, que está lá adiante. E como se pegar uma coisa que está lá adiante e transformar aquilo em uma coisa de saída? A gente precisa contemplar esses aspectos. Isso não é uma coisa simples. Cada uma das cinco sabedorias corresponde a um dos Budas, cada Buda tem uma mandala, tem um mantra para cada sabedoria, são complexos.
Então, agora eu vou explicar qual é o método pelo qual nós andamos rápido. Se formos falar para as crianças, elas não vão entender nada, então, de método discursivo, nada! E o que é que nós vamos imaginar? Nós vamos imaginar assim: existe esse método que é Passar Pelas Costas, que é um método muito direto, muito eficiente. Pois eu acho impressionante uma criança de 3 anos falar japonês ou uma de 3 falar português. E como isso é possível? Método Pelas Costas! Pois essa criança não teve uma aula de português, nada, ninguém disse que ela iria começar a falar português ou apresentou um dicionário a ela dizendo que ela iria usar. Nós não vamos fazer isso! Nenhuma palavra sobre o assunto. A gente simplesmente usa aquilo. Então esse método é super poderoso. É um método de imersão. Assim, desse modo, nós configuramos a paisagem mental, onde as crianças estão operando e a partir de então todas as coisas vão surgindo como ornamento disso e aquilo e vai fluindo…
Em uma outra linguagem, a gente pode imaginar que isso é o conjunto de crenças que ficam em algum lugar que a gente não sabe qual é. Na visão budista, é a paisagem da mente, ela vai se constituindo, e que essa paisagem seja a mandala de cada um dessas 5 deidades. Se não for, que fique parecida! Que pelo menos eles consigam esvoaçar por ali por dentro de vez em quando. Se não for possível, que eles lembrem que pelo menos alguém esvoaçou por eles e que fique aquilo como se fosse uma benção que mais adiante, assim como uma semente umedecida, eclode.
Os professores têm um pequeno problema, pois eles mesmos deveriam manifestar isso. É simples. Assim de dez professores, se oito estiverem iluminados aquilo estará resolvido! (risos). O problema é que os professores não estão iluminados. Eles também não estão entendendo bem! (risos) então nós consideramos que os professores também são alunos. Alunos da escola, são alunos do programa. Então tem um programa de formação. É uma coisa complexa. Não só o problema de formação de professores, a escola está imersa dentro da área onde todo mundo estuda isso, tendo uma linguagem em que esse conhecimento todo faz sentido. Assim, professores e alunos estão imersos em uma linguagem, como se fosse uma área liberta-se (termo de Asterix e Obelix em que dentro do império romano sempre tem uma área liberta-se, de bandeira própria), ou seja, tem uma linguagem que é uma linguagem do Darma. Porém dentro desse ambiente os seres também não estão libertos. Nesse sentido a comunidade também é aluna. Mas aí, a gente tem outros atores diante disso, como, por exemplo, os pais, ou os que vem de fora. Eles também não têm essa estabilização, portanto todo mundo é aluno.
Mas aí o que acontece? Há um tipo de programação para cada tipo de aluno. E todos de um modo geral vão aprendendo, estudando e se movimentando dentro desse processo. Se isso é alguma coisas realizada ou não, isso não é o ponto. O ponto é que nos precisamos usar a abordagem de Chenrezig.
A abordagem de Chenrezig é assim: a gente vai encontrar as pessoas no lugar onde elas estão. A gente não vai imaginar que a pessoa que vai está ali já tem que ter algum nível. O processo deve ser hábil o suficiente para pegar a pessoa onde ela está e levá-la adiante. Isso é Chenrezig, Aquele que Ouve os Sons do Mundo. Então, em princípio, se as pessoas estão entendendo ou não estão entendendo (onde as pessoas estiverem no processo) vamos pegá-las onde tiver. Faz parte de nossa compreensão, do nosso método, está dentro do imaginário dos professores (dentro do programa de formação deles), tomar os pais, tomar as crianças, tomar a comunidade e aí eles mesmos, onde eles estiverem. O mais importante para nós é que eles entrem dentro do processo e vão levando.

Escola aberta para praticantes livres

Como estamos dentro de uma estrutura, as pessoas tendem pelos processos de encontros, mas elas aprendem, especialmente pelo conjunto do grupo. Então, nós vamos dialogando entre nós, termina a linguagem filtrando e aí, no fim, nós temos como que uma maturidade progressiva. Que é o processo da Sanga. É muito difícil um número muito grande de pessoas ultrapassar a média do grupo, esse é um raciocínio que eu faço também, no que diz respeito a nossa Sanga CEBB. Então, isso que eu estou descrevendo em relação à escola, funciona, do mesmo modo, em relação ao próprio CEBB. Ou seja, quando as pessoas entram pela porta, ninguém pede curriculum de coisa alguma, nem de língua portuguesa. Esse é um ponto interessante, porque, por exemplo, a Dionísea não sabe lê nem escrever. Se a gente tivesse esse critério de aptidão com a língua portuguesa ela não poderia aprender, e ela está fazendo um trabalho maravilhoso, sendo analfabeta. E ela já tentou vários cursos de alfabetização e não funcionou. Isso não quer dizer que ela não seja inteligente. E esse é um processo interessante, pois como que uma pessoa inteligente, não consegue aprender a ler e escrever? Pois são inteligências diferentes, ela tem uma percepção psicológica, uma capacidade de liderança, uma pessoa muito interessante, capaz de observar a negatividade, girar àquilo e virar em uma outra dimensão… Ela aprendeu várias coisas, mas ela não consegue ler… Isso significa o que? Que pegamos a pessoa do jeito que ela está e aquilo vai girando e a pessoa vai avançando, avançando no seu ritmo no seu jeito. Isso é o processo do CEBB. O CEBB então é uma escola aberta de alunos livres. Eu fico com grande satisfação, pois, para mim, a escola tem que ser aberta e de alunos livres.
Escola aberta significa o quê? Que a pessoa entra na hora que quiser. De alunos livres significa o que? Eles não têm um compromisso, se quiser se levantar, falar mal, ir embora, podem se levantar, falar mal e ir embora. Por outro lado, se a pessoa quiser se engajar, se aprofundar naquilo, virar facilitadora e avançar ela também encontra formas. Se ela quiser trabalhar de forma não estruturada, ou seja, de forma aleatória, vindo de vez em quando, telefonar quando o namorado for embora, tiver uma crise, fazer contato só em momentos de crise… têm outros que se aproximam somente quando estão bem, como se fosse uma tarefa a mais “eu tô bem, eu vou”, “quando minha vida se desorganiza eu vou cortar o supérfluo: meditação… (risos). Isso é livre, porque a pessoa se aproxima quando quiser. Tem outros, campeões do acostamento, que tem uma esposa, namorada que vai pelo centro das coisas fazendo tudo direitinho e ele vai pelo acostamento, acompanhando (risos). Esse pessoal do acostamento, inclusive, tenho visto pessoas maravilhosas. Lá em Recife tinha uma praticante perfeita e seu marido indo pelo acostamento, só que ele, para criticá-la, começou a estudar tudo (risos), ele tinha que puxar ela de volta. A pessoa de acostamento vai estudando para encontrar o furo e daqui a pouco está convertida!. (risos) e isso faz parte do nossos método: esquecer algum livro em algum lugar, para o pessoal do acostamento! (risos)
Eu tinha uma outra praticante também, em uma cidade que eu não vou nem mencionar, que era uma praticante perfeita e ele era apenas acostamento. Ela era tão praticante que um dia ela falou: “eu não posso mais viver com você, pois é muita disparidade”, ela entrou em retiro e foi viver em um centro budista. E ele se sentiu livre, foi embora para Índia, entrou em um mosteiro, está perto do Dali Lama e ela aqui! (risos) depois ela mesma disse: “fui ultrapassada pelo acostamento”. (risos)
Esse é um bom método, vai pelo acostamento, a pessoa não está dentro, nem entra, mas vai seguindo uma pessoa que está. Na tradição tibetana se diz que, por vezes, a pessoa entra em retiro tem uma atendente, que leva comida e arruma e resolve tudo… O atendente atinge a iluminação e o ser do retiro não! (risos)
Então, como se vai receber a pessoa? Se vai receber desse modo. E a pessoa pode se levantar a qualquer momento e ir embora. Quem chegar dentro de um processo caótico pode ficar ou ir.
Mas, quando a pessoa está ali dentro, lá para as tantas, a pessoa pode ser perguntar como posso fazer para andar mais rápido? Quando surge essa pergunta é porque tem uma motivação: a pessoa entendeu aquilo, mas a pessoa quer queimar etapas, pois quer avançar. Então a pessoa descobre que tem um programa estruturado. Quando a pessoa pergunta “como posso fazer para andar mais rápido?” ela está disposta a direcionar um pouco seu esforço de forma regular, aí surge programa de formação, que tem um tutor, tem alguém para se queixar, alguém para esclarecer coisas… que é uma coisas muito boa, muito útil, pois é muito difícil a gente seguir sozinho, por exemplo, de repente a gente encontra alguma coisa, tem uma pequena realização, descobre o significado de uma certa coisa, aquilo dá muita alegria, no primeiro momento, logo em seguida nos ficamos preocupados, dá uma tristeza… Porquê? Porque a gente sozinho ficou a três anos e meio nisso e “só agora eu descobri!” E isso é pequeno… ou seja, eu levei muito tempo para descobrir isso sozinho! Assim se eu tiver umas dez realizações dessas, nesse prazo, vai levar trinta e cinco anos! E dez etapas dessas não é nada no caminho e em trinta e cinco anos pode ser o fim da minha vida! Agente tem uma certa sensação de desconforto. E isso reforça a sensação de que se formos apoiados, e pularmos etapas, e aproveitarmos a experiência dos outros e avançar isso é uma boa coisa.

Um programa vivo de transformação

Esse método é um método interessante de formação, formação, por outro lado, não é aula regular todo dia. É um programa, no qual a pessoa pensa em que tempo ela poderia meditar, estudar e avançar. Ela pensa isso consigo, conversa com seu tutor e vê como aquilo seria possível. E o tutor ajuda ela a ultrapassar, fazer essas etapas. E então esse método, de acordo como a pessoa está andando pode transformar a pessoa em facilitador. Pois quando a gente começa ajudar o outro, a gente avança muito rápido. E o método de facilitadores é esse: a gente aproveita esse brilho, se ela tem essa aspiração em ajudar outra pessoa, ela aprende com muito mais cuidado do que ela precisa aprender, pois logo em seguida ela vai precisar usar aquilo junto do outro. E não só isso. Ela começa a ser cobrada, pois os alunos viram professores dela, porque a pessoa está falando uma certa coisa, ela, no mínimo, vai ter que se comportar pelo menos naquela hora, daquele jeito! (risos)
Então, a pessoa vai começar a perceber as contradições do que ela estuda e do que ela vive. Essa experiência de explicar para o outro vai gerar um numero crescente que vai cobrar da pessoa àquela realização e, quando o outro cobra, a própria pessoa também se cobra e começa a ver os obstáculos e com isso ela conversa com a facilitador que ajuda a outra a passar aquilo. E isso é um processo que começa a acelerar.
Esse programa todo, como também da escola, não um programa teórico. Ele é um programa de transformação do olhar e da ação na nossa vida. Ele não vem pelo método da disciplina. Ele vem pelo lado da realização. Pelo método experimental. O tempo todo nós vamos usar isso. Mesmo na escola dos pequenininhos. Não vai cobrar do outro um comportamento que ele não tenha realização. Que ele vá gerar uma face aparentemente realizada, mas que não tenha àquela compreensão. Vai evitar isso, pois isso na realidade cria uma barreira, que impede a própria pessoa e a nós mesmos de observar nosso progresso verdadeiro. Então, a gente tenta evitar qualquer marca desse tipo. Esse aspecto de agente não cobrar uma posição que ele não tenha, a gente não aspira que ele gere uma forma própria para ser aceito, isso é essencialmente a abordagem de Chenrezig, que recebe cada pessoa do lugar onde ela está. A flexibilidade deve vir do método, do grupo, do tutor, do professor, do facilitador, ele que vai ter que ser flexível e dar um jeito. Esse é o processo do CEBB.
No meio de tudo isso, dentro da estrutura do CEBB, surge a aspiração de nós gerarmos também formas de ações no mundo que gerem recursos para a pessoa poder andar dentro do mundo, fazendo as coisas relativas ao Darma, porém podendo ficar, podendo ter sua atividade sustentada dentro da estrutura convencional do mundo, para que ela possa seguir as coisas. Por exemplo, todos os praticantes poderiam ter uma profissão no mundo, e no tempo livre deles eles fazem as ações do Darma como podem. Ou, melhor que um emprego no mundo, eles teriam uma atividade do Darma que permita a eles alguma retribuição financeira que possam seguir nesse funcionamento. Então a gente vai criando vários métodos para gerar os recursos para as pessoas poderem seguir também.
Entre esses métodos, surge o Instituto Caminho do Meio e a Ação Darmata, tudo isso está “linkado” junto com a escola. E eu vou mostrando o link. Porque a escola precisa ter um horizonte aonde essas pessoas vão também exercer as suas atividades mais adiante, caso contrário, nós teremos uma contradição, porque nós chegamos a ponto em que teremos que afunilar para as pessoas galgarem profissões comuns. Então, nós não vamos fazer isso, nós não vamos fazer esse “gargalo” desse modo. Nós estamos indo em uma direção onde nós também vamos gerar a forma em que as pessoas também possam gerar os méritos necessários que se traduzam como forma de sustentação para andar no mundo. Então, tem vários alunos que já têm essa aventura em curso, eles estão migrando de um processo usual do samksara e vão para um processo para dentro do Darma. O aspecto mais notável, mais visível disso, nesse momento é esse programa que estamos fazendo através do Instituto do Caminho do Meio para assumir a gestão de saúde do SUS da cidade de Via Mão-RS, que é a cidade onde estamos estalados. Mas isso é só a ponta de um processo que vai nos permitir muitos diferentes tipos de ação. Por exemplo, nós podemos gerir esse processo porque a gente aspira fazer uma mudança profunda e trabalhar como bodhisattvas dentro do programa de saúde. É utilizar uma motivação que não é ganhar um dinheiro, mas, efetivamente ajudar as pessoas.
O canal de saúde é muito interessante. Nós entramos pela saúde em um sentido de cura, de medicina, mas o nosso objetivo… Nós já temos agora, para compensar isso, estamos ampliando nosso espectro nesse final de ano (de 28 de dezembro a 1º de janeiro) nós vamos ter um encontro, como a gente sempre faz todos os anos, de um programa que vai trata da promoção da saúde e não da cura das doenças. A gente vai usar uma outra perspectiva. Já nem é medicina preventiva, a gente não vai pensar: para prevenir dores nas costas, faça isso, para inflamações, faça isso…
Não é isso, não é focado na doença, no sintoma. Mas nós vamos olhar como melhorar a energia, como melhorar a saúde, como encontrar os fatores básicos que prolongam a vida, que dão brilho, que dão satisfação, alegria para as pessoas.
Isso na categoria dos ensinamentos budista está segundo o título de Promoção da Vida Humana Preciosa. Por quê? Por que todos nós temos uma vida humana preciosa e é bom que a gente possa usá-la. Dá muito trabalho para a gente chegar no ponto que está. Nós precisamos cuidar dessa vida humana, porque ela é o instrumento de nossas práticas. E é o instrumento para gente chegar a lucidez! Então, vamos aproveitar essa vida como ela está e melhorar. Então, essa promoção da saúde é útil e nós estamos trazendo muitos diferentes especialistas nessas coisas que sabem como promover a saúde, dentre eles um médico chamado Roberto Gonzáles, que tem um livro publicado chamado Lugar de Médico é na Cozinha. Isso é muito interessante, pois remete a uma perspectiva Zen, pois aquele que cuida da cozinha em um mosteiro Zen é àquele que cuida da saúde das pessoas.
A nossa idéia é lançar um programa que inclua outras tradições religiosas. Então se a gente lançasse uma idéia tipo Terra Pura. Pois, por que é que não podemos imaginar que teremos um estilo de vida mais saudável, pelo menos no distrito de Via Mão? Fazer um laboratório ali. Como é que nós vamos sonhar para nossa saúde melhorar? Isso está casado com a administração do programa de saúde do SUS, pois reduz o trabalho dos postos. Um programa alimenta o outro. Pois, se a gente cria alguma coisa dentro disso, as pessoas que estão ali mais ou menos podem agora não só curar como promover saúde e não embarcar mais em situações difíceis. Assim nós aliviamos o sistema de saúde por que, essencialmente, o sistema de saúde irá acolher pessoas que estão fazendo coisas equivocadas. Não é alguém que foi atingido fortuitamente. É que a pessoa não está sabendo com fazer a sua vida para ter saúde, para manter a saúde. Então, nós evitamos muitos erros, muitos procedimentos equivocados que terminando dependentes do sistema usual que nos deixa dependente de alguma substância química. Ele está desenhado para isso. Como se a gente não pudesse mudar os nossos hábitos, então desenvolvemos sintomas e agora tome essas drogas que compensam os sintomas e causam outros sintomas.
Dentro de uma visão industrial, a indústria química precisa de pacientes crônicos. Não se quer cura, quer um paciente crônico, com uma doença estabilizada. Aí, quando se olha dessa ótima, todo mundo pensa que o paciente é um tabarel! (risos) Ele não é capaz de nada. Não é capaz de ser agente de sua própria saúde. Isso, secretamente, foi encaminhado por Maitreya. Maitreya estava passeando em um disco voador (risos) – isso é assunto para o Alto Paraíso!

A visão de Maitreya

Maitreya diz que… (quando os ensinamentos do Buda Sakyamuni entrarem em decrepitude, o Buda seguinte será o Maitreya). E, na previsão de Maitreya, ele vem ao mundo bonitão! (risos) e as pessoas perguntam: como você faz para ter um corpo tão bonito? Ele responde: arroz integral, espinafre, suco verde é isso… (risos) e ele dará os ensinamentos budista a partir desse ponto.
Assim a Preservação da Vida Humana Preciosa é o início de um caminho, no qual nós entendemos o que a gente precisaria fazer e agente se defronta com as resistências internas, com a nossa própria estrutura de Karma.
Então, descobre-se que nós temos uma estrutura interna e profunda que atua já nos intestinos, nos lugares mais profundos de nossa psique! (risos)
Outro dia eu ouvi uma informação muito interessante e que provavelmente é verdadeira: vocês já viram aquele estudo que diz que o número de células não-humanas supera o número de células humanas. E outro dia eu ouvi uma reflexão interessante: já vi as pessoas comentarem que parte de nossas emoções brotam das ações das células não-humana dentro de nós, por exemplo, aquilo que a gente tem compulsão a comer ou a rejeitar está ligado a essa flora ou fauna interna. Por exemplo, já sabemos também, o tipo de ser não humano que nos habita depende do que nós comemos. E ele também têm carência e exercem sinais sobre o nosso corpo, que nós entendemos como sinais de carência nosso, mas estamos sob o efeito daqueles alienígenas! (risos)
Mas aí, eu estou só transitando por dentro dessa noção de Maitreya, nós estamos nos aproximando do tempo de Maitreya. E eu comentei o tempo de Maitreya, pois estávamos comentando a saúde. E estamos em uma época em que as pessoas começam a se cuidar. Isso pode ser um bom tempo. A gente pode usar essa motivação como uma motivação para o caminho. Então quando a gente pensa que uma pessoa pode promover a saúde, isso tem conexão com a visão de Maitreya e as pessoas podem estar melhor, mais saudáveis, mais vivas, ter uma vida mais longa e aproveitar aquilo bem para atingir a liberação. E as contradições entre seus impulsos kármicos e o que elas deveriam fazer fica explícito e elas vão entendem o funcionamento da própria mente e vão ultrapassando os obstáculos, que são, aparentemente, comuns e simples, mas, na realidade, são obstáculos profundos, elas terminam encontrando a natureza primordial lá no fundo.
Eu introduzi a questão da saúde porque eu estava tomando como exemplo da ação no mundo gerando méritos, ou seja, ajudando as pessoas e a gente termina encontrando recursos para se manter dentro de uma estrutura de um mundo artificial, que é o samsara. A gente encontra os méritos para viver dentro disso, seguindo com a atividade principal de trazer benefícios aos outros. E isso trouxe como exemplo do próprio processo de formação.
Curiosamente, isso pode soar como “isso é estranho”. Estranho é o Estado São Paulo fotografando o Lama imaginando que o Lama entende de economia (risos), só porque ontem eu estava dando uma palestra que dizia: ainda que a compreensão do núcleo seja completa, os meios hábeis aumentam sempre. Ou seja, o próprio método pode ir se refinando, se ampliando o tempo todo e é assim…
Outra forma de entender isso é que o samsara vai se tornando mais complexo, o tempo todo. Logo, os meios para alcançar as novas complexidades do samsara têm que ampliar. Vocês olhem assim: no tempo do Buda não havia ciência, não havia psicologia, não tinha máquina de guerra, não tinha doutrina econômica, não tinha sociedade industrial, não tinha multiplicidade de religiões, não tinha medicina como nós conhecemos, não tinha indústria química, não tinha microscópio, telescópio, nave espacial, não tinha transplante de órgãos, não tinha inseminação artificial, não tinha controle de natalidade… Tudo isso são questões que têm conexão direta como desafio da visão espiritual, da visão religiosa. Então como a tradição budista ou a tradição cristã vêem a possibilidade do aborto? Da inseminação artificial? É filho de quem? Ou por exemplo gravidez múltipla por inseminação artificial, o que fazer com os embriões múltiplos que foram fertilizados? Alguns embriões viram pessoas e os outros? Eles já estão encarnados? Eles vão morrer?
Surgem muitas questões novas! A ciência, a matemática, prevendo coisas e calculando coisas… no passado não tinha fotografia de satélite que visse a Terra, não tinha a noção de planeta girando dentro de um cosmo, não tinha noção da biosfera. Complexo! Então, o Darma, o ensinamento religioso tem que aumentar, tem que se ampliar sempre! É necessário estudar esses processos, incorporar isso dentro de uma visão mais profunda. Essa é uma tarefa de cada geração, por quer isso é um processo infindável.

A importância da realização direta pela meditação

No budismo Tibetano se diz que o coração é a mente. Então há muitos ensinamentos novos que desafiam as culturas tradicionais. Assim, os ensinamentos tradicionais não podem depender da forma do ensinamento. Eles têm que depender da idealização do meditante.
É assim que acontece. O budismo depende da realização do meditante. E todos os ensinamentos vão mudando, vão se interpretando e vão seguindo. A gente está nesse tempo maravilhoso.
Mas a gente precisa de um processo para que isso aconteça. Por isso, esse processo é um processo que quando a gente chega ao final se re-conecta de novo e vai revisitando todos os ensinamentos e vai passando por aquilo tudo e vai se tornando cada vez mais vivo. E quando isso termina?
Isso termina quando a realização se dá e há uma dissolução do samsara enquanto processo de ilusão. Aí, não é mais necessário um método para dissolução da ilusão. Pois a ilusão cessou. Aí, há uma liberação. Isso corresponde a Darmamega, que é a condição do Buda atual.
O Buda atual não é mais um Tathagata, ele não tem mais a necessidade de estar no mundo, falando para as pessoas e conectando a experiência comum delas com a experiência de liberação o tempo todo. Não precisa mais fazer isso. Ele está em uma condição que irradia, como se ele estivesse por trás dos Cinco Dhyani Budas, ele irradia a energia que aciona a lucidez que as pessoas vão utilizar. Ele não é mais a forma explícita da sabedoria, mas ele é o Lung da energia que sustenta a mente de sabedoria. Ele opera desse modo. Ele não opera com uma pessoa ou outra, ele opera como a luz do Sol que irradia e ilumina a todos e está disponível. Ele opera como a compaixão, quando a pessoa manifesta compaixão ela nunca gasta toda compaixão. É como a Luz do Sol mesmo, pois a gente pega a Luz do Sol quantas vezes a gente queira, mas ela não enfraquece em outra localidade. E todas as qualidades estão constantemente disponíveis.
O Darmamega é essa dimensão ampla dos Budas irradiando as sabedorias em benefícios dos seres. E isso está dentro do programa de formação também, de acessar e perceber essa energia como viva. Isso é muito útil (quando vocês forem meditar, procurem meditar dentro da mandala e não do lado de fora. Não meditem como se vocês fossem chegar a algum lugar… Meditem como se você já estivessem lá dentro. Vocês e o Buda. Vejam essa energia aparecer, esse brilho do olho aparecer. Quando vocês estiverem com esse brilho no olho, aí medita. A meditação é muito mais produtiva. As vezes se treina a meditação como se estivéssemos treinando musculação, ou seja, Treinando para alguma coisas que vai acontecer depois. Melhor é fazer meditação como aquilo que já está acontecendo).

Cor azul: sabedoria do espelho

Então, nesse programa podemos estar em qualquer ponto. Curiosamente, as crianças estão chegando à escola no primeiro dia… No primeiro dia da escola: Buda Akshobia! Por quê? Pelo seguinte, quando nós usamos o Buda Akshobia, qual é a qualidade que os professores têm que ter para receber as crianças e pais? Ao receber os pais, tem que entender os pais e as crianças no mundo delas. Pois se não entende as crianças no mundo delas, como se vai poder acolhê-las, pois eles chegam à escola com uma mente estranha, cada um chegar de um jeito. Não podemos imaginar que a criança é que vai olhar para nós e exigir uma certa compreensão deles. Eles chegam como eles chegam! Os professores têm que manifestar isso. Isso é a base do acolhimento. Assim, que tem a sabedoria do espelho, acolhe. Pois é entender o outro no mundo deles, entender os pais no mundo deles.
Qual é a exigência, qual é a prova, qual é a demanda que irá recair sobre os próprios alunos que são os pais? Os pais também são alunos, também olham para os professores no mundo deles, olhar para escola, no mundo da escola e as crianças no mundo das crianças. Qual é a exigência, qual é a tensão que vai ocorrer sobre as crianças? De entender os professores, no mundo dos professores; os coleguinhas, no mundo dos coleguinhas; os pais, no mundo dos pais. Se eles vão entender isso ou não, é um outro assunto, mas todas as tensões virão disso. A lição está ali montada. Se as crianças forem capazes de olharem uns aos outros, com esse olho de compreensão: maravilhoso! E o que o professor irá fazer quando estiver acolhendo todos? Ajudando-lhes a se entenderem.
Então nós temos os dois primeiros meses para acolhimento. Curiosamente, essa é a mecânica, é um movimento que ocorre naturalmente, por que é o inicio do ano. Então se a gente tem a sabedoria do espelho ou não tem, nós seremos exigidos a partir disso. Os professores já têm, no mínimo, a teoria, pois já teve reuniões prévias, já conversou sobre isso, já conhece as cinco sabedorias, já testaram isso na vida deles de algum modo, eles estão andando. A palavra básica é acolhimento, acolhimento dos coleguinhas (como a gente ajuda os coleguinha a se acolherem?), tentando entender aquilo no mundo deles.
Eles caminham pelos lugares entendendo os bichinhos, as pessoas da comunidade, vão olhando o que é que um está fazendo, e vão entendendo os vários contextos. Criando uma mente que vá compreendendo as pessoas no mundo delas. O que é muito útil. Por exemplo, se vocês são funcionários de alguma coisa, as pessoas estão trabalhando em algum lugar ou dentro de nosso programa de gestão de saúde de Via Mão, uma qualidade muito importante para qualquer pessoa que está agindo entro de outras pessoas é a capacidade de acolher, entender o outro no mundo dele.
Um médico dentro de um programa de saúde, ele tem que olhar para a paciente que chega e acolhê-la, entendê-lo no mundo dele. A exigência da escola, a exigência da criança, a exigência do médico é a mesma coisa. A barreira é a mesma, o obstáculo é o mesmo. Pode ser que o médico não tenha essa facilidade, ele nunca aprendeu sobre isso, nunca ouviu falar sobre as cinco sabedorias, ele vai se desgastar! Porque, ele encontrará as pessoas em situação grosseira, agressiva. E as pessoas vão olhar para o médico e achá-lo agressivo, pois ele, no mundo dele, esse médico tem que atender 30 pessoas em duas horas então ele tem que se rápido.
Então, a gente precisa entender os contextos. Isso é Buda Akshobia, isso é a sabedoria do espelho. Namorados e namoradas também se aplicam a sabedoria do espelho. Pois uma coisa muito comum dentro do samsara, do mundo usual, que a gente nem percebe, é a gente olhar para pessoa como instrumento de nossa própria estrutura mental, como quem anda em um supermercado, um shopping, olhando as vitrines. Ela vai olhando e pensando “isso me interessa” “isso não me interessa” ou “isso não me interessa mais”… é um processo de impermanência com os objetos. Assim, com as pessoas pode acontecer isso também! Nós olhamos as pessoas de forma utilitária. Muito difícil até mesmo se dar conta disso. É como uma pessoa que torce agora pelo Corinthians e ela olha os torcedores do Palmeiras com uma cara estranha e os torcedores do Palmeiras olham para os do Corinthians com uma risadinha. (risos) ou seja, a pessoa olha para o outro como instrumento do seu mundo. Nós temos um olho utilitário. Esse olho utilitário não serve nem para namorar…
Vou dar um dica para vocês: vocês olhem o outro ser no mundo deles. Pois se cada um olha para o outro como instrumento de seu mundo e o outro olha da mesma forma, aquilo não vai dar certo, pois vai funcionar como um acordo comercial e em pouco tempo se acaba.
Se você entrar em uma empresa, dotado das cinco sabedorias, peguem o cargo mais baixo, pois vocês vão subir logo. Pois vocês olham para os outros no mundo dos outros e logo em seguida vocês vão ver o obstáculo que os outros estão passando e brotam em vocês o Lung de compaixão e vão ajudar o outro, daqui a pouco vocês estão chefes da seção, pois quem cuida de todo mundo é o chefe da seção! (risos). Pois àquele que olha protegendo os outros, naturalmente sobe.
Esse é o método que nós estamos utilizando. Que é o método pelas costas. Ele é pelas costas, mas pode ser explícito, é tudo junto. Por exemplo, para os professores que estão estudando isso é explicito, pois eles estão entendendo o processo. Porém eles não vão chegar para as crianças e colocar isso, mas eles vão colocar algumas chaves de mente e dizer “olhe o teu amiguinho”, “olhe o que ele está pensando”, “com você se sente nisso?” e ajuda as crianças a isso. Esse diálogos eu tenho visto na escola. Por exemplo, a pessoa faz alguma coisa negativa e em vez de culpá-lo, o professor irá perguntar “como seu amigo está se sentindo agora?” e “como é que você vai consertar isso agora?”. E a gente ajuda-o a consertar aquilo. Agente não diz: “você é um monstro”.
Dentro desse método, nós podemos acolher crianças que vieram da comunidade ao redor em situação de risco. Por exemplo, o pai se suicidou, a mãe trabalha o tempo todo fora, a criança é muito pobre, nem falavam direito, pois não se tinha um adulto para orientá-lo… a escola acolheu e ele está muito bem.
A escola promove agora um programa de adoção, que não é propriamente adoção, mas, uma espécie de tutoria, em que pessoas da comunidade ajudam com materiais, se interessam por eles, vê como eles estão fora dos horários de aula e vão acompanhando a vida deles. A escola pode fazer muita coisa, mas as pessoas ao redor também. Eles estão felizes agora. É bonito de ver o grupo terminar acolhendo o outro do jeito que ele é. Isso é Cherezing, é aceitar cada um como é, sem culpa, sem julgamento, estabelecendo relação como é possível.
Muito deles são agressivos, pois vivem dentro de uma linguagem de agressão. Eles também vão acalmando e isso vai passando. E, para os outros não agressivos, também é um desafio, pois têm que aprender como lidar em um contexto agressivo. E aquilo vai passando, os professores vão ajudando, vai se dissolvendo e vai se arrumando, sem culpa e sem castigo. Aquilo para o professor é muito interessante, pois ele entra no mundo do agressivo, entra no mundo do que tem medo e vai ajudando aquilo tudo a se arrumar. Qual é o foco principal do professor? É a psicologia budista. Não é propriamente um professor, no sentido de que ele está ensinando alguma coisa, dando aula… ele está conduzindo atividades e assimilando comportamentos o tempo todo. Vai propiciando experiências e vai melhorando o comportamento. O professor, durante um longo tempo, se não o tempo todo, será isso. Isso serve para qualquer idade, mesmo na faculdade, pois o conteúdo o aluno pode aprender. O que o professor irá fazer é colocá-lo na posição de aprender. E para isso ele precisa compreender a mente do outro.
Na época que eu estava na faculdade, dando aula, eu usava um método assim também. Eu usava um método em que eu tinha inteiração com todos os alunos. Encontrei um jeito de falar com cada um, mesmo com turmas maiores. Falava um por um. E minha avaliação era parte dessa entrevista e parte da prova escrita. Então eu dava temas de trabalho extensos e eu olhava como eles tinham avançado naquilo em grupos de cinco. E isso equivalia a uma retrospectiva da toda a matéria. Eu fazia isso antes da prova escrita, porque eles já mostravam um pouquinho o que iam fazer e eu repassava o conteúdo antes da prova escrita. E eu ali podia ver onde estavam os obstáculos deles.
Naquele tempo, na física, os professores iam classificando os alunos em “esse aluno é bom” “esse não é”. E eu fui olhando aqueles alunos que eram ruins e eles não eram ruins, eles eram os alunos, eventualmente mais profundos, por que eles olhavam alguma coisa de forma muito mais complexa, eles levavam mais tempo para desenrolar alguma coisa. Em alguns desses alunos eu vi dois casos que descobriram falhas no livro, pois eram alunos profundos, complexos, eles viam detalhes naquilo. Dentro do livro havia um problema que não era para ter uma solução sob certa perspectiva, mas o aluno encontrou a solução viável. Seria interessante investigar a mente do aluno para ver como ele está andando e com turmas menores é mais fácil.

Cor amarela: sabedoria da igualdade

Assim se a gente entende as várias formas de visão fica mais fácil de beneficiar os outros. E aí surge o Buda Ratnasambava. Muito importante esse foco! Seria 2 meses de acolhimento e agora 2 meses do Buda Ratnasambava.
O Buda Ratnasambava seria não só a capacidade de entender o outro, como de se alegrar para propiciar uma coisa positiva para o outro. Por exemplo, ao final de dois meses, os professores olham para os pais que se alegram pelo que está acontecendo com as crianças. Eles olham para as crianças e se alegram pelo que estão vendo nas crianças. Esse sentimento de alegria é o Buda Ratnasambava. As crianças se alegram em brincar umas comas outras. Quando observamos pelas costas, nós ajudamos a que o outro também desenvolva essa alegria. Esse é o método pelas costas, que é um método direto, a gente vai manifestando isso e o outro manifesta também.
Isso não quer dizer que a escola inteira faça isso. Mas tem um ritmo que convida a esse movimento.
O Ratnasambava é a sabedoria da igualdade, o que acontece com o outro é bom para nós. Essa atitude é uma boa atitude. Esse é um método que conduz a felicidade, este é o Buda da felicidade. Observem o raciocínio: quando, dentro do samsara, de um modo geral, a gente se alegra quando acontece alguma coisa boa para nós. Mas, olhe só, se agente começasse a se alegrar com coisas boas que acontecem com todo mundo ao redor, teríamos muito mais razão para se alegrar do que quando estivéssemos olhando só para nós.
Por exemplo: Eu não olho para ninguém e não me alegro, quando olho para mim, me entristeço mesmo! (risos) O que é a depressão? É a falta de Ratnasambava na mesa! (risos)
Uma pessoa que está cuidando dos outros e fica feliz com o progresso ela se torna uma pessoa feliz. O Buda Ratnasambava olha para os outros seres, vê as coisas positivas e se alegra com as coisas positivas. Relação de namoro, se não tiver Buda Ratnasambava é perda de tempo. Pois se tem que ser aliado do outro que cresce.
O Buda Ratnasambava é a essencial da humanidade. O que é muito forte. O Buda Ratnasambava é mais forte que o sistema econômico. Outro dia eu estava brincando, pois o Dalai Lama diz que o mundo não é rígido pelo processo econômico. Por que? Nós todos estamos aqui, com a cara que a gente tem porque papai e mamãe investiram fundo perdido em nós, ou seja, pensamento não-econômico. Eventualmente, perdido mesmo (risos). Aí, a gente pensa assim: “e nós?” “nós estamos trabalhando, para investir em fundo perdido de nossos filhos, de nossos parentes, de pessoas próximas.” Então, a essencia do funcionamento econômico vem se uma visão não-econômica. Onde nós trabalhamos para exercer ações não-econômicas, pois se a gente não pudesse fazer isso, a gente não trabalhava.
A essência disso é Ratnasambava, pois nós trabalhamos para os outros. Aí, tira os filhos, tira a esposa, tira a família, vai trabalhar para que? Vai comprar casa na praia para que? Vai comprar carro para que? No máximo vou comprar isso para, no mínimo, arrumar uma namorada depois. (risos)
Nós somos regidos por isso. O Ratnasambava, que dá sentido a vida, é a gente poder proteger uns aos outros. E, agente protegendo uns aos outros, quando agente olha para o outro que estamos protegendo, nós nos alegramos. Daí vem a felicidade. Se a gente ficar muito auto-centrado, já não consigo olhar para os outros, quando olho, olho através de um processo de utilidade, se não vejo utilidade, nem olho. Quando eu preciso de alguma coisa eu ponho o anuncio: Preciso de tal coisa e escolho; “esse, esse, esse, você vai ter que trabalhar entendeu?” isso não tem sabedoria Ratnasambava, pois fica todo mundo eficiente e triste. E eficiente e triste não vai longe… Adoece. Se não houver felicidade nesse processo o investidor abandona isso, pois se torna muito chato, pois “só ganho dinheiro”. Fica cansativo.
Então, em nossa tarefa no mundo, se a gente não tem Ratnasambava, não tem uma dimensão afetiva, de proteção, aquilo não tem graça. De fato: pois a vida média do investidor, enquanto investidor é 8 meses. Eles fazem o curso, experimentam aquilo por 8 meses e param. 8 meses é o prazo para “cair a ficha”, ou seja, em 8 meses eu me dou conta que aquilo não é interessante.
Agora, se nós temos uma relação em que aquilo brilha e é feliz aí não temos esse prazo. Esse prazo é muito mais longo. É o que todo mundo precisa: Ratnasambava no trabalho.
Se agente ajuda as crianças a entender isso. Ajuda o facilitador, por exemplo, dentro do programa e se alegra com as pessoas é Ratnasambava. É real isso. É o caminho de felicidade. Se a gente não tem isso, já era. Quem não tem Ratnasambava pode estar com um sentimento de carência. Se está todo mundo carente, não está conseguindo olhar para os outros e se alegrar com os outros, muito menos chegar ao ponto de generosidade.
Agora, por exemplo, na escola, a gente pode ver que em dois meses a gente vai ajudando o outro a se alegrar. De repente, eles se alegram porque eles conseguem emprestar alguma coisa para o colega e o colega se alegra, isso é um bom ensinamento.

Cor vermelha: sabedoria discriminativa

Depois tem Buda Amithaba. Passado dois meses vem O Buda Amithaba, que é sabedoria discriminativa, um pouco mais complexo. Ou seja, como que a gente entende o que está acontecendo a nossa volta, como que a gente entende o que é favorável e o que é desfavorável. Então a gente pode entender aí (é um ensinamento muito longo) o reino dos infernos, o reino dos seres carentes, o reino do desinteresse, o reino dos animais, o reino humano, o reino da competição, o reino dos deuses, vai olhando a impermanência. A impermanência incorporada (o fato de nascermos, vivermos e morremos), os animais morrem, as plantas morrem, os pais de professores morrem, as mães morrem. Então eles encontram a impermanencia, a gente não procura o culpado daquilo, não se revolta contra aquilo, a gente entende que estamos dentro do processo de impermanencia.
Tem muitos itens dentro de Amithaba, sabedoria discriminativa. Esse é um ponto que pode nos levar até a sabedoria primordial. Mas a gente não tem pressa, muitas vezes nós vamos passar por um circulo, em espiral, em que vamos aprofundando.
Assustam essas coisas. Eu acho que eu já contei para vocês que morreu um pai de uma professora, e as crianças tiveram um calafrio, pois não só os pais morrem, mas as mães também morrem. E ficou um “zum zum zum” entre as crianças “as mães também morrem!”, aí, um mais esperto falou, “não se preocupem quando as mães de vocês morrerem vocês não vão estar mais precisando delas!” (risos) isso foi chamado de a teoria da visão utilitária da mãe! (risos)
Então, a compreensão da impermanencia é alguma coisa muito importante dentro da vida. A impermanencia está o tempo todo diante de nós. Não vamos ter aula do tipo: “hoje o que é impermanencia?” “há impermanência dos objetos, dos seres…” (risos) não é isso!

Cor verde: sabedoria da causalidade

Logo em seguida surge Amogasidi. É interessante pois, estando em uma escola, começa a chegar mais para o fim do ano, aí já estamos com oito meses (exames finais, avaliações). É a sabedoria da causalidade. O que a gente faz, resulta em uma coisa e o que a gente não faz também não resulta. É um momento em que a gente olha, os professores olham o que eles fizeram e o que aquilo resultou. Olham o que fizeram de bom e que se deu de bom e olham o que fizeram de Mal e o que se deu de mal. Olham o resultado da ação daquele período todo.
Então fica mais claro para todo mundo o que: o que é positivo, de modo geral, resultam em coisas positivas e o que é negativo, de um modo geral, resultam em coisas negativas. Mas aí também vem um ponto muito importante: aquilo que vem como negativo, nós podemos absorver e transformar em uma coisa positiva. Isso é muito útil. É a essência do pensamento da ação do Buda da Cor Branca, Vajrasattva. A sabedoria de Vajrasattva é um dos pilares desse processo todo, porque, em poucas palavras, significa: não desperdice as coisas negativas que recaem sobre você. Não rejeite. Aproveite aquilo de uma forma profunda, intensa, não só para mudar o próprio comportamento, mas para girar aquilo de uma forma positiva.
Aí falando isso para os investidores (“não desperdice as coisas negativas que recaem sobre você”), eu estava desenhando uma crise. E dentro de uma crise tem uma mudança geral. Se tem uma mudança geral há muitas oportunidades de vender as coisas, o que vai se configurar.
Vamos supor, dentro de uma economia em crise, há demanda de algumas coisas, que são daquele tempo. Então, quem conseguiu olhar isso com esse olho, vai se preparar para fazer as ações que serão necessárias e vão ter méritos pois se prepararam para essa perspectiva. Isso significa pegar o obstáculo e transformar ele em vantagem.
Está cheio de situações dessas: se uma pessoa faz uma coisa negativa para nós, direto, a gente pode até sorrir! Pois, agora eu tenho uma oportunidade de chegar mais perto do outro (ele vai precisar do meu perdão, da minha boa vontade…) e agora eu posso girar aquilo. As vezes também, a ação negativa dos outros sobre nós é a hora que ele tem de se comunicar. E agora eu aproveito aquilo e estabeleço um vinculo mais forte (positivo).
Sobre nós também, acontece coisas negativas, que nós criamos sobre nós mesmos, e a gente para agora e olha. Por exemplo, você tem um ataque cardíaco, então ela para e vai se converter ao arroz integral, a rúcula, alface, espinafre, suco verde! (risos) não só isso, ela agora vai meditar, vai abandonar aquele emprego de louco… Maravilhoso! Melhor era todo mundo ter um ataque cardíaco! (risos) Brincadeira! Melhor é todo mundo fazer a transformação antes do ataque cardíaco! (risos)
Então, na escola a gente tem o próprio andamento da escola e tem o próprio funcionamento dela, no dia a dia, as ações, o tempo todo, propiciam essa avaliação, coisas positivas geram coisas positivas e coisas negativas geram coisas negativas… E aquilo vai se estruturam, vai se arrumando o tempo todo.
Isso inclui também o questionamento da alimentação. A gente tem nutricionista que organiza isso. Assim, na escola, agente tem um tipo de alimentação.

Cor branca: sabedoria de darmata

Depois, nas férias, Buda Vairochana, que corresponde à sabedoria da fluidez. Corresponde à natureza da sabedoria primordial, a natureza livre da mente. Então, o programa da escola, para as férias é um programa livre. Ele vai acompanhar a fluidez das coisas. Ele não está propriamente com uma estrutura do que deveria ser feito. A gente acompanha as crianças no parque, vai fazendo várias coisas, como férias mesmo! Em que se acompanha uma fluidez de acordo com os diferentes cenários que vão brotando na imaginação das crianças. A gente também sai para passeios entre outras coisas. Esse é o Buda Vairochana, ou seja, eu não preciso ficar “encaixotado”, “estruturado” em alguma coisa. As brincadeiras e as artes todas operam disso, dessa noção do Buda Vairochana. Liberdade da constituição, da criação desses cenários da vida, dos personagens, das coisas… Aí termina, fecha. Pois aí vem março de novo e vem outras crianças, outros professores, outros pais… Alguns os mesmos, outros diferentes. Aí é tudo novo.
Dentro do CEBB, quanto uma estrutura, tem muitas diferentes etapas de uma estrutura de uma escola aberta de alunos livres. E dentro de nossa escola tem também os pais. A gente tem reuniões quinzenais, isso não quer dizer que muitos vêm, mas sempre tem pais que vem. A gente espera (eu estou com esse projeto, que não consegui ainda) de colocar gestores. Pois a gente observa de que o ponto é gestão. Eu estou realmente pensando em como é que eu vou impulsionar isso.
Eu acho que nos vamos criar o programa de formação de gestores. Acho que vai ser para o final de janeiro (2012). Nos precisamos de gestores! Gestores que entendam isso e que vão fazendo que isso funcione em vários lugares. Por exemplo, como um dos pontos que a gente está precisando (nos já temos esse método, só não temos gente para fazer o que precisamos) é de juntar os pais (pois muitos pais são carentes) e a gente mendiga! (falando nisso, se alguém quiser destinar parte de seu imposto de renda para a escola Via Mão, em vez de mandar para Brasília, tem um método: por exemplo, se vocês vão pagar imposto de renda, vocês podem destinar parte – 6% – para fundo da criança e do adolescente de Via Mão, com a destinação para nós, aí o recurso, em vez de ir para alimentar as crianças de Brasília vem para nós!) (risos).
Então, falta gestor. E como a gente tem imaginado isso. A gente tinha reunião como os pais (tem pais desempregados e pais com vários tipos de dificuldades). Então, a gente imaginou de fazer um método: sentamos com eles em roda e esse grupo ensina como eles podem encontrar emprego, a melhorar, ou a gente também pode investir neles, com melhoria profissional para que eles desenvolvam capacidades… Isso é um método de ação no mundo. Que dá nascimento a coisas melhores através de um circulo. É o processo pelo qual nós estamos ajudando a construir a casa deles, nós não investimos nada, só ajudamo-los a se organizarem.
Essa habilidade de trabalhar desse modo é muito útil. Nós podemos fazer projetos também, captar recurso para trabalhar desse modo. Nos só estamos com dificuldade de gestores. Então, na nossa idéia, escola não se limita aos filhos, se estende aos pais. Os pais são alunos mesmo. Os pais nos interessam!
Nós temos interesse nos pais, nos filhos, nos professores, na comunidade… Tudo isso, já, economicamente girando. Baseado nisso também; pois a economia da escola funciona assim também. E Por quê? Porque, muitas pessoas, de diferentes lugares, geram sabedoria de Ratnasambava (se alegram porque podem ajudar crianças a passar por isso).
Então, em vez da gente imaginar que as crianças devem ser sustentadas pelos pais, pois os pais muitas vezes não podem, a gente os ajuda a avançar, daqui a pouco eles estão com o olho brilhando, como se fossem bodhisattvas. Nós estamos criando os facilitadores de outro tempo, em que vão andar no mundo e vão funcionar.
Isso não é muito fácil. Mas, por exemplo, nós, em quatro anos, não avançamos muito. Mas pega uma criança de 4 aos 8 anos ele estará com outra mente totalmente diferente. Nós podemos, rapidamente, fazer essas coisas funcionarem.
E o que aconteceu conosco? A prefeitura nos doou uma área para a gente montar uma escola do Jardim Castelo (uma comunidade de mil e quatrocentas pessoas). E, por um processo associado aos Cinco Dhyani Budas a gente aceitou. A prefeitura nos ofereceu a área, mas não ofereceram recursos para a construção da escola, nem deu recurso para pagar professor, então “negócio fechado!” “Aceitamos!”. Só que eles não nos deram a área, eles nos emprestaram a área, pois em vinte anos nós devolvemos a eles.
Então estamos construindo a escola, treinando professores (pois queremos que sejam professores da própria comunidade). Nós vamos usar o mesmo método nosso. Agora aconteceu que aquilo começa a ter méritos, aquilo começa a brilhar (e Brasília vê)… Esse é um ponto muito importante: o ponto dos méritos… Agente começa a fazer as coisas direito e as pessoas de qualquer âmbito querem se associar… Agora surgiu um deputado, que incluiu na verba dele a construção da escola! Mas eu não quero nenhum acordo, nenhuma conversa por baixo, nada! Pois as autoridades estão fazendo a parte deles. Se eles querem ajudar nos vamos permitir. Mas, esse é o método. Pois nós desenvolvemos relações apropriadas conosco, com as outras pessoas, com as autoridades e com a natureza…
Agora nós estamos raciocinando em como nós vamos fazer para pagar os professores. Mas a coisa está mais encaminhada, não sendo este o grande problema. A gente vai andar. Nesse ponto, naturalmente, os facilitadores da escola foram até o CEBB para que fizessem uma campanha para gerar recurso. Então, nós dissemos para que primeiro pensassem em como poderia fazer para gerar recurso. E nos vamos treiná-los. Eles têm que ter a motivação, colocando eles na frente, para fazer coisas, pois eles têm que ter a percepção da facilidade e da dificuldade. Aí nos vamos ajudá-los dentro das idéias que brotarem para eles. Pois eles têm que se apoderar do processo todo. E para nós é uma alegria, Buda Ratnasambava. Mas faltam gestores, ou seja, ainda que tenha essa habilidade, falta gente que possa fazer isso e ocupar as coisas e fazer funcionar.
Então todo processo dentro do CEBB vai se encaminhado em uma direção desse tipo. Vai convergindo no Instituto Caminho do Meio, no Ação Darmata… A escola também vai gerando meninos e meninas… Essas coisas levam tempo, mas nós temos um horizonte, em que mais adiante eles também podem ser agentes sociais dessa forma e aquilo tudo vai girar, o caminho vai estar todo aberto para eles.
Paralelamente, têm os CEBBs rurais que vão surgindo. Onde a gente pode viver de forma diferente, com uma arquitetura diferente, com uma fração do que a gente gasta com a vida em uma cidade… Por exemplo, o Henrique, um pequenino, fez cinco, ele vai para escola sozinho e volta sozinho. Ele não só vai sozinho como ele foge! (risos) mas aí como é que é: todo mundo é pai e mãe, todo mundo bota o olho, é muito bom! Isso vai gerando um sentido de comunidade nas crianças. Tudo pelas costas!
Há também a idéia do college, que é pegar os jovens, na fase em que eles estão treinando o ensino fundamental e vão treinar na universidade. Então esse é o momento em que eles estão receptivos para olhar para o mundo. O college é como se fosse um programa de imersão de três meses, em que o jovem (que pode ser de língua portuguesa, espanhola, inglesa) vai conviver com outros jovens naquela língua, podendo, por exemplo melhorar o inglês ou o espanhol e até mesmo o português.
A gente cria um programa de formação de visão de mundo, em que vão aprender ecologia, diferentes tipos de cultura, sustentabilidade, pois vão estar em um ambiente que já opera com essas coisas. Aí a gente vai gerar um outro tipo de visão, de economia, de biologia, de arquitetura…
A minha idéia é que a cada três meses venha um grupo uma vez em língua inglesa, outra em português e outra em espanhol. Então nos temos que ter um grupo de professores de imersão, gerando uma comunidade que esteja vivendo aquilo e, na minha Idea, a área que agente possa fazer como “encubadora” de serviços sociais. Eles trabalham naquilo e de repente eles têm idéias. E isso é bem interessante, pois, através de um processo de iniciação no mundo, eles começam a fazer uma outra coisa, pois podem ser muito criativos. Isso significaria que a gente ajuda nessa passagem de expansão de visão e criação de um programa. E, ao final dos três meses eles podem fazer uma espécie de trabalho de conclusão e esse trabalho de conclusão pode virar uma espécie de trabalho de ação. E, nesse programa de ação, eventualmente nós vamos agir dentro dele.
Como a gente tem consultores que entendem os projetos, os processos, as captações de recursos e tudo… a gente ajuda eles nessa área e oferece um apoio de fato nessas coisas. Agora nos tivemos o oferecimento de uma área grande… Mas o problema é gestão pois a gente não consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Falta gente, precisamos deslocar gente para colocar lá para fazer aquilo, mas como é que eu vou deslocar gente? Não tem como. Não tem tanta gente que possamos ficar deslocando.
Então nós precisamos deslocar os atuais que têm experiência, para gerar um programa de geração de gestores. Depois, como parte do programa de conclusão da formação, eles vão fazer pilotos aqui e ali e nós vamos gerando esse processo. Pois as experiências básicas de viabilidade estão concluídas, estão funcionando, nos precisamos só mover. Assim, a escola não é uma escola. Ela é alguma coisa no meio desse processo todo. As várias partes se encaixam. E aí, enquanto agente vai trabalhando as cinco sabedorias, a gente vai vendo nossas dificuldades, vai ultrapassando, vai praticando shamatha, vai olhando o programa de 21 itens e aquilo tudo vai fazendo sentido… Nós somos mais capazes de dirigir a nossa mente, de posicionar nossa energia, de definir as paisagens, de fazer contato com as mandalas e a gente vai trabalhando nessa direção: de ultrapassar o foco da identidade, de reconhecer a liberdade natural, através da intenção do cotidiano. É como se fosse um programa para iogues do cotidiano (de modo geral, os iogues vieram da floresta, mas estamos em uma situação difícil agora). Nós somos iogues do contidiano, iogues da selva como ela está, da nossa vida… Naquele tempo as florestas eram vida, mas agora nos estamos nesse tempo interessante, onde nós somos praticantes mahayana, temos vidas no mundo e a vida no mundo e nosso local de pratica. Se fomos depender dos monges para manter a tradição budista… Não têm muitos, nós vamos precisar fazer a nossa parte. Se a gente vai fazendo nossa parte, nós vamos avançando com a ajuda de outros seres, nós somos iogues da vida cotidiana. E pode ser muito divertido isso… Então é isso: cinco Dhyani Budas, tudo resolvido, 6% do imposto de renda… (risos).
Fonte:http://www.cebb.org.br/as-cinco-sabedorias-na-educacao-e-o-treinamento-do-cebb/

Palestra de Lama Padma Samten em São Paulo | 29 de novembro 2011

Transcrição (informal ainda não revisada) por Gabi Sencandes – CEBB Recife