SAIBA COMO FUNCIONA O PARQUE COM ENERGIA RENOVÁVEL,UMA VILA AUTÔNOMA NO INTERIOR DA ITÁLIA

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Saiba como funciona o PeR, uma vila autônoma no interior da Itália

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Parque com energia renovável e sistema de eco-vizinhança foi criado por grupo de amigos


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10/01/2017 | POR SILVANA MARIA ROSSO | FOTOS SILVANA MARIA ROSSO E MAURIZIO FERRARIO



                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Quando conheci Alessandro Ronca, sócio fundador do PeR – Parco dell'Energia Rinnovabile, me veio à mente Henry David Thoureau (1817-1862), ambientalista estadunidense e autor do livro Walden, a vida nos bosques. Trata-se de um diário que descreve a sua experiência sem dinheiro por quase dois anos em uma solitária cabana na floresta de Massachussetts – que se tornou um manual de sustentabilidade no século XX.
           (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Tudo começou com o sonho de Alessandro, um inconformado com o desperdício observado nos empreendimentos hoteleiros nos tempos em que trabalhava em turismo na África, e da agrônoma Maria Chiara Flugy Papè, cujo projeto de vida sempre foi o de criar um bosque agrícola mantido por fontes renováveis.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Em 1999, deram o passo inicial para criar o PeR, adquirindo no município de Guardea, na Umbria – região central da Itália – o primeiro lote, abandonado desde a década de 1960 por agricultores que se transferiram para a cidade. Uniram-se a Maurizio Ferrario, um empresário da moda, concretizando o projeto em 2009.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Com o objetivo de defender e difundir a vida sustentável, eles construíram pouco a pouco a propriedade que hoje chega a 7 hectares e prima pela eficiência e autonomia energéticas, o reaproveitamento da água e a recuperação do solo.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Alessandro conta que o êxodo ocorreu por causa da seca local: "A agricultura tradicional visa o peso do alimento, dependendo diretamente de água e petróleo." Em movimento inverso, de "rerruralização", o PeR tem como preocupação cultivar produtos de alto valor nutricional, cuja produção racionaliza o uso de água e independe de agrotóxicos.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
O parque é compartilhado por mais quatro sócios, além dos fundadores. Apenas Alessandro e Chiara residem ali. Os outros integrantes moram nas redondezas, participando de todos os processos e desfrutando do PeR em esquema de eco-vizinhança.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Thoureau já afirmava em "Walden" que, para a sobrevivência de um ano, bastaria o trabalho de mais ou menos um mês. No PeR, gasta-se duas horas diárias para a realização das tarefas rotineiras. Alessandro revela que o segredo está em "reduzir a exigência do dinheiro".
Com exceção da horta, que não atende os sócios, a propriedade é quase que 100% autossuficiente. Eles complementam a alimentação com produtos cultivados a, no máximo, 50 quilômetros.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
A maioria das engenhocas foi desenvolvida por Alessandro, um apaixonado pelo o que faz que se autodenomina um "polímano"– o homem de muitas mãos. Além de sustento dos co-vizinhos, o PeR é aberto para quem tem curiosidade em vivenciar uma propriedade autossuficiente e/ou realizar cursos e workshops sobre o tema.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Ao constatar que é possível viver fora da caixa, pergunto animada como ele vê o futuro da humanidade. "Vai extinguir", responde, explicando "sou um otimista bem informado". E por quê tudo isso?, questiono perplexa. "Para sobreviver à extinção!", conclui com calma a entrevista – primeira de uma série que será postada aqui na forma de diário de bordo.
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Finalizo com a frase de Thoureau para reflexão: "Para que serve uma casa, se não temos um planeta tolerável onde colocá-la?"

Depois de quase 30 anos estudando o espaço como jornalista especializada em design e arquitetura, a jornalista Silvana Maria Rosso tomou para si a missão de falar das novas fórmulas para se viver neste planeta. Por isso, ficará três meses na Itália em busca de sustentabilidade, design e cultura. Este é o primeiro capítulo de seu diário de bordo.

PeR
Frazione Frattuccia
Vocabolo Inano, Guardea (TR)
www.per.umbria.it
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
                                (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Saiba como funciona o PeR, uma vila autônoma no interior da Itália (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)
Saiba como funciona o PeR, uma vila autônoma no interior da Itália (Foto: Silvana Maria Rosso e Maurizio Ferrario)

Fonte:https://casavogue.globo.com/Arquitetura/Cidade/noticia/2018/01/saiba-como-funciona-o-uma-vila-autonoma-no-interior-da-italia.html