OS RITUAIS DE INICIAÇÃO ESPIRITUAL DO ANTIGO EGITO

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O QUE É INICIAÇÃO ESPIRITUAL?

Sabemos que, no antigo Egito, as iniciações aconteciam dentro das pirâmides. Ao contrário do que se pensa, as pirâmides jamais foram locais para se guardar as tumbas dos faraós. Essa tese demonstra apenas a incapacidade dos arqueólogos e historiadores de compreender os profundos princípios da iniciação templária. A pirâmide forma a geometria ideal para a canalização de níveis elevados de energias sutis. A forma piramidal é a mais perfeita para se entrar em contato com os planos superiores. Dentro desse clima vibratório adequado, ocorreram num período de vários milênios, provavelmente 9.000 anos, a iniciação dos mistérios em milhares ou mesmo milhões de candidatos. A iniciação espiritual, como já dissemos, são ritos de morte e nascimento: a morte para o eu físico da personalidade, o velho homem, e o nascimento de um novo homem, regenerado, sutilizado e espiritualizado.
Como disse Jesus “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). Algumas pessoas acreditam que essa passagem fala apenas da reencarnação, mas seu significado mais profundo nos remete ao segundo nascimento, o nascimento iniciático, o nascimento da vida espiritual regenerada. Essas iniciações podem ocorrer nos templos, sendo provocadas pelos mestres (mistagogos, hierofantes, etc) durante um ritual específico programado para ativar uma transformação interior, ou podem ocorrer naturalmente, quando a pessoa já se encontra preparada para um novo nascimento; quando ela está apta a “trocar de pele”, ou a romper a casca da ignorância, do materialismo ou da ilusão do ego, ou a fazer a transição de um estado a outro, como a lagarta se torna borboleta, entendendo aqui o símbolo das asas como um símbolo do ascensão ou do “vôo da consciência” às alturas espirituais.
Na mais famosa iniciação do antigo Egito, o candidato era colocado num sarcófago e, por meio da indução ao “sono dos mistérios”, que era produzido por recursos místicos especiais, e não apenas por hipnose sugestiva, ele entrava no processo iniciático. Nesse processo, o objetivo é fazer o iniciando entrar em contato consigo mesmo e experimentar, de uma vez só, uma parte do seu karma acumulado; parte essa que ainda o estaria impedindo de subir a um nível espiritual mais adiantado. Então, o candidato era colocado diante da sua grande dificuldade: se tivesse medo de ser desprezado, logo apareciam em sua consciência as cenas em que foi objeto de desprezo; se tivesse um trauma de abuso sexual, cenas de abuso atravessavam com toda intensidade a sua consciência; se tivesse qualquer outro bloqueio, essas barreiras eram rompidas e determinadas circunstâncias lhe vinham a mente com toda a realidade. Ou seja, tudo aquilo que ele possuía dentro de si como conteúdo mental em desequilíbrio lhe era apresentado, em toda a vivacidade, por meio de cenas e experiências que ele vivia como se elas de fato estivessem ocorrendo. Se tivesse medo de enfrentar uma pessoa, essa pessoa lhe apareceria; se tivesse medo de cobras, centenas de cobras poderiam passar por ele; se tivesse ódio de uma pessoa que muito o prejudicou, essa pessoa se faria presente para “assombrá-lo” até que ele fosse capaz de perdoá-la e transcender seu ódio. O que ele detinha dentro de si, como uma impureza, imperfeição de caráter, ações negativas ou qualquer conteúdo mental sujo, pecaminoso, sórdido, limitante etc aparecia a ele dotado de intenso realismo.
O objetivo da iniciação era descobrir se o discípulo iria sucumbir às tentações de sua materialidade e de suas tendências psíquicas, ou se conseguiria colocar a vida espiritual e o plano divino como prioridade. Caso tivesse superado as provas, nada mais poderia abalá-lo dentro do nível que foi vencido, tornando-se assim um ser renascido que superou uma parte de suas imperfeições. Como existiam vários níveis de iniciação, cada um deles buscava transcender os grilhões de um degrau da grande escada da consciência, e se iniciava uma preparação para outras etapas mais elevadas. Por conta do estado de “sono” iniciático, ou estado alterado de consciência profundo, tudo que visse lhe pareceria muito real, como se estivesse de fato ocorrendo com ele.
Então, assim que essas visões assaltavam sua consciência, com um conteúdo reprimido ou inconsciente, ele deveria enfrentar as cenas e finalmente vencer esses conteúdos mentais desarmônicos. Isso não era nada fácil para o candidato, mas quanto maior a dificuldade vencida, maior o mérito atingido e também maior o benefício espiritual conquistado. As correntes mentais que fluem de forma antagônica no psiquismo começavam a fluir numa mesma direção; o discípulo conseguia vencer a natureza fragmentária de sua mente e passava a assumir o controle de sua energia e seu psiquismo. Além disso, após vencer as provas, ele conquistava poderes incomuns e recebia um influxo espiritual elevado, que o fazia renascer em vários planos, mental, emocional e até físico, com a recuperação da saúde e bem estar.
Na realidade, esse aspecto da iniciação dos mistérios mostrava o enfrentamento de uma realidade puramente psíquica do indivíduo, algo que muito se assemelha ao que hoje se faz nos consultórios de terapia de regressão a vidas passadas. Por outro lado, esse processo continha certos aspectos que obviamente transcendem o que acontece num consultório, pois existem leis mais profundas envolvidas e a presença e orientação de verdadeiros Mestres Realizados. Iniciações como essa também são comparadas com o estado do bardo, o estado descrito da vida após a morte da tradição tibetana.
A grande chave da iniciação é essa: tudo aquilo que se passa em nosso plano mental, em forma de tendências, pensamentos, sentimentos, crenças, enfim, todo nosso conteúdo psíquico, um dia se tornará manifesto na Terra; se transformará em expressão no mundo. Isso significa que, de alguma forma, esses conteúdos vão passar do plano da consciência para o plano da ação e da experiência no mundo. Do mundo subjetivo se traduz ao mundo objetivo. O mental passa para o físico, em forma de acontecimentos e experiências terrenas. Em suma, o que nos ocorre no exterior nada mais é do que uma exteriorização do que já ocorreu ou ocorre em nosso interior. A grande vantagem da iniciação é antecipar a manifestação desses conteúdos, experimentá-los, desgastá-los e vencê-los no próprio mundo interior, antes que se materializem como circunstâncias da vida, formando o cenário e o contexto de nossa existência. Esse processo abrevia nossa caminhada e nos dá a oportunidade sagrada de vencer dentro da consciência aquilo que invariavelmente, de forma inequívoca, se materializará na Terra.
“Em essência, você experimentaria seu própria karma pessoal desde o início de sua primeira encarnação. Em lugar de deixá-lo surgir em seu futuro você teria a oportunidade de experimentá-lo em sonhos que lhe pareceriam reais. Assim, a iniciação era um processo de descer as profundezas da alma para confrontar tudo o que não fosse de Deus.” (Joshua David Stone) Neste ponto começa a ficar mais clara a relação estreita entre a iniciação dos mistérios e a terapia de vidas passadas. Antes que o karma de nossas vidas passadas tome forma no mundo exterior, com o regresso de nossas ações, podemos tratá-lo durante a regressão e harmonizar nossos conteúdos mentais. Por isso dissemos que a TVP é uma terapia iniciática. Ou também pode ocorrer o contrário: após a manifestação dos conteúdos mentais criando os arredores de nossa existência, por meio de técnicas específicas, visitando nosso passado kármico, é possível transmutar o karma e anular os efeitos que ele teria sobre o rumo dos acontecimentos da vida, regendo nosso corpo, nossa mente e nosso destino.
Existem duas formas de se evoluir, desenvolver-se espiritual ou ascender. O primeiro é deixando que o karma se manifeste no mundo e que nós o enfrentemos no campo da existência material, através de provas, expiações, sofrimentos, desafios, experiências, doenças, limitações, deformidades, confusão, brigas, medo, angústia, etc. Essa é a via natural, a via da experiência no campo da existência. A segunda forma é a via iniciática, que abrange todo esse processo que nós descrevemos nas linhas precedentes; são recursos que provocam crises de despertar, provas de experiência de nossa própria realidade interior, antes mesmo que elas ocorram no mundo da materialidade, no campo de experiências da vida humana.
Infelizmente, a maioria das pessoas prefere a primeira via, o caminho natural, e espera que seu karma e seus conteúdos mentais conscientes ou inconscientes se concretizem no mundo. Como já dissemos, a terapia de vidas passadas também é uma forma de se resolver nosso karma antes que ele se manifeste ou, caso as lições ainda não tenham sido bem assimiladas, antes que ele volte a se repetir. Dizemos “repetir” porque sabemos que tudo aquilo que não for bem compreendido e assimilado tende a ser reeditado em nossa vida. O mesmo problema aparece com uma nova roupagem no futuro, caso as lições e aprendizados não tenham sido devidamente entendidos. Por outro lado, a maioria dos indivíduos do nosso tempo aguarda até que o karma aperte e cause sofrimento, para só depois procurar harmonizar seu material psíquico desarmônico e seu karma passado através da regressão. Dessa forma, compreendemos como o tratamento kármico de nossas vidas passadas estava presente, de uma forma ou de outra, nas antigas iniciações dos mistérios e se configura como uma parte importante da História dos estados não ordinários de consciência e da regressão a vidas passadas.
Autor: Hugo Lapa
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  O Egito e as Escolas de Mistérios Secretos


Nos templos do antigo Egito havia sempre um planejamento arquitetônico duplo e cada templo possuía duas divisões: uma para o culto comum e outra para os Mistérios Secretos. Esta última era reservada e localizada em uma área especial do templo. O Livro dos Mortos do antigo Egito é na verdade o Livro dos Vivos, pois se referia à Iniciação. 

O candidato após ter sofrido as provas da Iniciação ressurge como um novo homem ou (nova mulher) e para conservar viva essa doutrina, os sacerdotes esperavam perpetuá-la realizando cerimônias rituais nos templos e também em algumas ocasiões realizavam representações públicas do drama simbólico, onde reviviam perante a plebe a lenda de Osíris, que era análoga às representações dos mistérios da Grécia Antiga ou às representações da Paixão na Idade Média. Estas encenações, porém não podem ser confundidas com os verdadeiros Mistérios, que nunca se realizavam em publico e eram muito mais do que uma função teatral.

As representações populares eram simbólicas e sacras, porém não revelavam nenhum segredo oculto. A celebração popular prestava-se a satisfazer a grande massa, Contudo as práticas secretas eram reservadas aos egípcios educados espiritualmente e aos nobres quando sentiam vocação e solicitavam admissão naquele círculo restrito.

Estes ritos secretos eram realizados em dependências especiais, isoladas e que estava a cargo de um número seleto de sacerdotes chamados “hierofantes”.

 Os textos hieroglíficos falam dos iniciados com sendo: “nascido duas vezes” e se permitia acrescentar ao seu nome as palavras: ”Aquele que renovou sua vida”.

Quem eram esses Hierofantes que podia provocar tão grande transformação?

Com certeza eram os veneráveis guardiães desta memorável Escola. Os Sumos Sacerdotes do Egito.
No Museu do Louvre em Paris, na galeria egípcia há um sarcófago do sumo sacerdote de Mênfis, em cujo epitáfio se lê: “Penetrou nos Mistérios de todos os santuários (para ele não havia nada oculto) e cobriu com véu o que havia visto”.

Os hierofantes eram obrigados a manter esta extraordinária reserva para excluir os céticos e os zombeteiros e para que não lançassem pérolas aos porcos. Seja como for, nem todos estão preparados para enfrentar uma experiência desta envergadura.

Assim a Iniciação tornou-se um privilégio de uns poucos. Muitos batiam às portas dos templos, mas em vão. Outros eram submetidos a uma série de provas que lhes diminuíam a vontade de serem iniciados.

Desta forma pela seleção natural, a Iniciação era um privilégio único na antiguidade. Todos os que passaram por aquelas portas pertenciam a uma sociedade secreta que reunia uma plêiade de mulheres e homens escolhidos, cujo dever era trabalhar entre as massas profanas com objetivo sublime, alicerçado em um conhecimento profundo.

O grande alvo dos iniciados egípcios era o autodomínio. O Faraó cumpria um ritual de purificação e levava um avental triangular preso à cintura com o que cobria os órgão sexuais, peça que tem o mesmo simbolismo na atual Franco-Maçonaria. Contudo as grandes Iniciações não estavam limitadas apenas ao Egito. As mais remotas civilizações herdaram também essa sabedoria de uma civilização ainda mais antiga: a Atlântida. Os sábios da Atlântida prevendo a destruição e afundamento desta acharam por bem preparar um novo lugar para os escolhidos. Então levaram consigo os mais seletos, ainda que a Atlântida estivesse no apogeu, porque estes seres escolhidos costumavam preparar novas nações muito antes que as antigas desaparecessem. Antes mesmo do cataclismo, grupos de homens da sabedoria antiga emigraram para as Américas e para a África, Europa e Oriente.

Quase todos os povos de todas as raças antes da era Cristã possuíam sua instituição e tradição nos Mistérios, entre eles os Romanos, os Celtas, os Druidas, os Gregos, os Cretenses, os Sírios, os Hindus, os Persas, os Maias, os Astecas, os Índios Norte Americanos e os povos do Oriente.

Osíris personifica a imagem do divino no homem; Osíris é a lua e o sol, a energia dupla original. – a ressurreição de Osíris representa o restabelecimento da dupla em sua primeira integridade. Esta mesma dualidade é encontrada na China, no ying e no yang e também na alquimia (enxofre e sal). Seu lendário retalhamento em quatorze pedaços simbolizava o atual retalhamento espiritual do homem, cuja harmonia foi quebrada; sua razão foi divorciada de seus sentimentos e os propósitos desencontrados os jogaram de um lado para o outro. Assim também a história de Isis ao recolher os fragmentos esparsos do corpo de Osíris renovou-lhe a vida, simbolizando a reintegração e a perfeita harmonia, em que o espírito e o corpo se movem em perfeito acordo e a razão paralela aos sentimentos – o retorno à primordial unidade. Osíris é a contração de OSOR + ISIS no Panteão Egípcio.

Osíris conservava a Supremacia. Isis era a grande deusa velada, mãe da Sabedoria.

Hoje profanos pensam como puderam os antigos egípcios acreditar nestas divindades paradoxais, nesses barcos sagrados que transportavam para o céu os favoritos dos deuses! Certamente estas divindades estavam longe de ser uma ficção. No Universo infinito há lugar para seres superiores aos homens, que continuam vigiando o mundo que lhes foi entregue aos seus cuidados e fiscalizando o progresso e a evolução da humanidade.

Abidos foi a primeira sede da religião de Osíris e também a primeira Grande Loja dos ritos secretos; os progenitores da primitiva Franca-Maçonaria.

Podemos considerar os antigos egípcios como seres super-humanos que custodiam a evolução do Universo e dirigem o destino oculto dos povos e buscando encaminhar todos os seres à finalidade última da criação – o homem perfeito – “o Homem Cósmico”.

Salette Barros Zornoff
Loja Luxor – nº 4 – (São Paulo – 2002)

Bibliografia:
Thot – Livro dos Mortos do Antigo Egito
Gil – Maria Lucia Távora – Os papiros Sagrados de Hermes
Escola Sincromática de Akron
O Egito Secreto – Paul Brunton

Fonte:http://salettezornoff.blogspot.com.br/p/no.html


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Ramses II e sua esposa Nefertari participando do
Festival de Opet , XVIII Dinastia - Tebas

Como é de nosso conhecimento os Antigos Egípcios eram muito ligados ao oculto e a adoração de Deuses e Deusas que por muitas vezes representavam formas da natureza ou expressões da mesma.

Os templos eram mantidos por Sacerdotes. Pessoas especialmente treinadas nas chamadas “Escolas de Mistérios” e também instruídas em diversas áreas como escultura, pintura e escrita e outros.

Os rituais nos templos eram realizados de acordo com cada Deus. As evidências arqueológicas que nos restaram foram a do ritual realizado em honra ao Deus Amon que se realizava na cidade de Tébas, atual Lúxor.

O Deus era mantido longe dos olhos do público em geral, somente os sacerdotes e o faraó tinham acesso ao recinto sagrado do Deus.

Alguns manuscritos nos contam que para fazer parte destes rituais, os sacerdotes deveriam se banhar no lago sagrado, especialmente construído para este fim no interior dos templos. Seus corpos deviam estar livres de pelos, portanto todo o corpo era raspado, incluindo a cabeça e os mesmos usavam vestimentas brancas de linho puro.

Os rituais eram realizados pelo menos duas vezes por dia: ao amanhecer e ao entardecer, onde incensos eram acesos, tochas iluminavam o recinto com pouca luz e a estátua do Deus era então banhada e untada com óleos aromáticos especiais trazidos de terras distantes e preparados previamente de forma ritualística pelos sacerdotes.

Alguns sacerdotes eram também escribas, e ficavam encarregados de tomar notas de todo o ritual.

Havia ainda os sacerdotes cantores, aos quais eram dada a função de realizarem cânticos especiais para os rituais.

Os sacerdotes podiam casar-se, se bem que os Altos Sacerdotes geralmente não o faziam, dedicando-se somente aos trabalhos nos templos, porém não podiam manter relações sexuais nos dias em que fossem participar certos rituais específicos.

Além dos rituais feitos por sacerdotes existiam os rituais feitos por sacerdotisas para determinadas Deusas como Isis e Hathor.

Os rituais feitos pelas mulheres eram semelhantes, porém as mulheres não necessitavam depilarem-se totalmente, no entanto, estas não podiam participar de nenhum ritual quando estavam em seu período fértil.

Apenas uma vez ao ano era permitido que o povo visse o Deus. Isso ocorria durante o festival conhecido como Festival de Opet, no caso de Deus Amon, quando o Deus era transportado em uma barca sagrada pelo Rio Nilo para encontrar-se com sua esposa a Deusa Mut no templo de Karnak.

Muitos atributos dos antigos rituais egípcios permanecem vivos em Sociedades Secretas atuais, mantendo assim um legado importante da humanidade, criado há mais de 3.500 anos.


Fonte:http://filhosdehiran.blogspot.com.br/2012/02/os-rituais-nos-templos-do-antigo-egito.html

O Batismo é um ritual gnóstico e pagão do Egito Antigo?

O batismo nas águas é um ritual egípcio dedicado a Deusa Isís, que durante o ritual é representada por uma pomba branca. Este ritual já era praticado, pelo menos, 1400 anos AC, no Egito e era parte do ritual de "feitura de reis" onde o espírito do faraó morto( o KA ) reencarnava no novo faraó. O ritual era marcado pelo aparecimento de uma pomba branca (o espírito de Isis).
Esse ritual está descrito com clareza no "Livro dos Mortos" e nos "Textos dos Sarcófagos".

Resultado de imagem para os rituais de iniciação espiritual do antigo egito

INICIAÇÃO EGÍPCIA 2ª PARTE





Depois das preces que vimos fazer sobre o iniciado, após haver chegado ao termo de suas provas, começa a verdadeira iniciação. Ela se fazia no interior dos templos. O novo adepto assistia às cerimônias e seu simbolismo era-lhe revelado.


Ele sabia porque Isis sentada tem um livro, porque Isis de pé,m conduz o sistro; porque Anúbis tem a cabeça de chacal e Thot a de íbis.


Começava a aprender os pequenos e grandes Mistérios de Isis.
O iniciado recebia a noção de um Deus único.
A última experiência que o devia conduzir à luz absoluta, mas esta luz não se manifesta senão àqueles que são mortos para as coisas do mundo.


Eis porque esta experiência tinha lugar em um sarcófago.


O adepto era colocado em um sarcófago aberto e devia passar toda a noite em meditação e prece. Deixavam-no inteiramente só neste leito funerário, no meio das mais expressas trevas e, apesar disso, o quadro deste abandono era de tal modo triste e sinistro que ele sentia o espanto deslizar sobre si mesmo e gelar a sua vontade. Era um momento cruel em que era necessário fazer brilhar o domínio que tinha adquirido sobre as suas impulsividades.
Dominava o seu espanto e, no silêncio absoluto, em tudo semelhante à morte, pedia a iluminação.
Certamente sentia a sua força vital abandonar o seu corpo; porém, que importa o corpo àquele que sabe que é apenas o invólucro transitório de um ser quase divino?


No Livro dos Mortos vimos que, segundo o julgamento que sucede à morte, o justo estava livre das cadeias terrestres e se identificava ao seu Deus, vindo a ser o próprio Deus, o próprio Osíris.
Era o mesmo para o sábio que passasse esta experiência do sarcófago. Isto não era a morte, mas a própria vontade do adepto que o desprendia de seus liames terrestres.


O adepto entrava vivo no túmulo e saía vivo, mas tendo penetrado antes na Luz de Osíris. É neste momento de desprendimento supremo que a revelação lhe é feita; era uma verdadeira morte; uma verdadeira renascença!
O sarcófago, sob o seu terrificante simbolismo, era encarregado de simular a morte do corpo físico e o renascimento do espírito sobre um plano superior. Era o fim do ciclo. Era uma vida inferior que terminava para que a alma pudesse romper no esplendor da verdade.


Saído logo do túmulo, na manhã desta noite mística, o iniciado renascia para uma vida espiritual mais elevada; recebia um novo nome; era iniciado em uma ordem superior. Tinha conquistado a coroa sacerdotal.
Compreendia então, perfeitamente este enigma da Esfinge, que lhe tinha dito primeiramente a necessidade de, Saber, Querer, Ousar e Calar. Tinha adquirido as ciências e, sobretudo, a ciência do invisível; a sua vontade bem dirigida, tinha vencido as suas impulsividades; sabia Ousar apesar do medo, com a medida que convém àquele que sabe combinar o seu esforço conforme os efeitos a produzir. Tinha perdido esta glória vã que conduz a revelar os segredos iniciáticos para mostrar o seu saber. Era aguerrido contra os inimigos, tanto exteriores como interiores.
A vida suprema estava começada e o iniciado compreendia agora a fórmula que o tinha surpreendido tanto no limiar dos caminhos iniciáticos:


“Quem fizer o seu caminho só e sem olhar para trás, será purificado pelo Fogo, pela Água e pelo Ar; e, se puder vencer o medo da morte, sairá do seio da terra, tornará a ver a luz e terá o direito de preparar a sua alma à revelação dos Mistérios da grande Deusa Isis”. Morto voluntário e temporariamente por um poderoso esforço de sua vontade dominada, via cair o véu de Isis, e esta inscrição também não era mentirosa. Ele não tinha tocado o véu da Deusa senão tornando-se imortal, unido a Deus desde esta vida; o véu ficava intangível à mão de todos os mortais. O livro era-lhe aberto; lia com embriagues, como o viajante que descobre uma fonte e banha o seu rosto para fazer penetrar a sua frescura no mais íntimo dos poros. Todo o véu cai diante dos olhos do espírito livre; não há segredos nem barreiras para o verdadeiro iniciado.


Apuleio, como testemunha do mistério que era exigido aos iniciados, do segredo ao qual se ligavam pela ameaça das penas mais temíveis; não era mais explícito no que concerne ao começo e ao fim da iniciação:
“aproximei-me dos limites da morte, passei junto do solo de Proserpina, e voltei através de todos os elementos. Ao meio da noite, vi o sol brilhar no seu ofuscante clarão; aproximei-me dos deuses do inferno, dos deuses do céu; eu os vi, pois, face a face, eu os adorei de perto. Eis tudo o que posso dizer, e, posto que os vossos ouvidos tenham percebido essas palavras, estais condenados a deixar de compreende-las”.


Eis aí tudo o que veio ou um pouco aproximadamente sobre as iniciações do Egito.


Pesquisas permitiram descobrir, metido na areia do deserto, a 40 metros da Esfinge de Ghizeh, um Templo de granito ou templo da Esfinge. Sobre este Templo, Al. Gayet diz: “Nenhuma inscrição; nenhuma pintura; nenhum baixo relevo; nada indica o destino deste velho santuário. Não é de se supor que isso possa ser o Templo de Osíris, mencionado no monólito de Khoufou. Era o templo de Hor-m-Khout – da Esfinge? Qual seria este Templo? Qual poderia ser o seu uso?”. Não poderia haver nisso um caso fortuito; o sacerdócio egípcio não deixava fazer coisa alguma ao acaso.
Só as escavações que continuam poderão esclarecer alguma coisa sobre os traços do mais prodigioso passado da humanidade.


Porque, como vimos, salvo as palavras de Plutarco e as insinuações de Apuleio, muito pouco nos veio dos Mistérios de Isis e de Osíris.


Muitos Gregos entre os mais ilustres, vinham estudar a sabedoria à sombra da Esfinge.
Entretanto, é verossímil que destas cerimônias iniciáticas nascessem os Mistérios de Eleusis, que Orfeu, segundo a tradição, adaptou ao gênio plástico da Grécia.
Em nossos dias, a Maçonaria afirma ter do antigo Egito as suas provas iniciáticas, reduzidas a fórmulas e símbolos que não são sem grandeza.


Em todo caso, aquele que quer vir a ser maçom deve passar pela provas do Fogo, da Água e do Ar, mesmo a da morte como o iniciado de Isis.


Outras instituições também buscaram no antigo Egito os seus rituais iniciáticos.


Em todos os tempos, os símbolos, muito idênticos, velaram os mesmos ensinamentos.


Ainda hoje, aqueles que desconhecem as origens iniciáticas, acreditam que os vários rituais que se praticam em diversas instituições são secretos e devem continuar assim. Não são secretos há mais de 3.000 anos, somente os pesquisadores e estudantes buscadores sabem que os rituais iniciáticos se originaram milênios de anos atrás, com a sabedoria vinda da China, Índia, Egito e de outros lugares como veremos em seguida.

Fonte:http://eternooriente.blogspot.com.br/2011/08/iniciacao-egipcia-2-parte.html

Os Centros de Iniciação do Antigo Egito


A antiga cultura egípcia remete-nos a certas perguntas muito bem colocadas por Lucien Lamy, ao falar dos imagesCAL9C24Rmistérios egípcios:


· Como descrever o indescritível?


· Como demonstrar o indemonstrável?


· Como exprimir o inexpressável?


· Como fixar o instante fugidio?


Quando o dualismo não se manifestava no tempo e espaço havia apenas uma unidade: dia e noite, sim e não, vida e morte, alto e baixo, luz e sombra coexistiam em uma só presença no mar cósmico, chamado pelos antigos egípcios por Nun. Nun era incompreensível, único e inerente ao Todo. Esta era a introdução ministrada ao neófito nos centros iniciáticos de Heliópolis, Mênfis, Hermópolis e Tebas, acerca da criação.


imagesCAI6WDZWOs grandes mistérios transitavam entre o invisível e o visível, a partir do Nun incompreensível. A multiplicidade que conhecemos neste mundo material originava-se no Nun.


O criador possuía o impulso natural de conhecer a si mesmo. Com a realização de sua própria consciência houve a manifestação do poder original do coração: o khepri (escaravelho), que se transforma triplamente enquanto ovo, larva e ninfa, antes de alcançar sua maturidade e tornar-se no ser alado que é.


Os hieróglifos utilizados para relatar a história mítica dos centros iniciáticos do antigo Egito abrem a possibilidade de diversas interpretações. Revelam facetas diferentes do ciclo cósmico. O mais antigo texto religioso conhecido são os chamados “Textos das Piramides”, que foram encontrados nas câmaras mortuárias do sec. V e VI a.C. aaaaOs Textos das Pirâmides foram gravados em pedras com o objetivo de facilitar a passagem do Rei após sua morte, em busca de se tornar uma alma pura e luminosa: “Akh” .


Através de fórmulas mágicas é possível atrair os princípios funcionais ativos, chamados neterw, que são os poderes cósmicos básicos e vitais dentro do universo. Estes poderes cósmicos são entidades divinas, porém deve ser ressaltado que não são deuses. Esta cosmologia apresentada nos textos das pirâmides é certamente anterior à formação cosmológica conhecida dos Deuses do Antigo Egito.


Continua amanhã com Heliópolis.


Por. MP Nuno Maha.

Fonte:http://irmandadepolimata.blogspot.com.br/2011/08/os-centros-de-iniciacao-do-antigo-egito.html

           Ritual Egípcio Rosacruz 

O Ritual Egípcio Rosacruz é um dos rituais internos da Ordem do Lotus Negro. Este ritual tem sua origem nos métodos cerimoniais da extinta Ordem Hermética da Aurora Dourada que incorporou a alquimia em seus ensinamentos ocultistas. A ordem foi fundada em 1887, mas ainda era intensamente ativa nas primeiras duas décadas do século XX e sua influência pode ser percebida em muitas ordens esotéricas atuais. Ela exigia, para aqueles que desejassem prosseguir em seus graus, que estivessem familiarizados com o simbolismo alquímico e, talvez, que tivessem alguma experiência prática da Alquimia Mística cuja fórmula e operação são de natureza espiritual e psicológica. De fato muitos negaram a validade da Alquimia Física ou Artesanal, dizendo que ela é, puramente, o símbolo de uma operação interior que é de natureza espiritual e psicológica. A Alquimia Artesanal é a arte de transformar metais de base em ouro. Entretanto para o para o Alquimista Místico o ouro é o material simbólico de uma realidade espiritual simbolizada pelo Sol de Luz. O ouro é o metal perfeito entre todos os metais – a forma mais exaltada do reino mineral. É, de fato, o alfa e o ômega do reino mineral.

A grande Obra Alquímica é a verdadeira transmutação dos metais onde o alquimista procura remover de todos os metais básicos suas desordenadas imperfeições ou características básicas para trazê-los ao seu estado de essência natural e transmuta-los no perfeito Ouro do Sol. Para os antigos egípcios o Sol era o centro do cosmos e fonte de luz e calor, era também a manifestação natural da própria Fonte Divina do Ser. Ou seja Sol era reconhecido não só pelo seu poder físico, como também como símbolo do Verdadeiro Sol que é a Luz do Mundo, o Sol do Ser que, no Ritual Egípcio Rosacruz, é representado por Osíris.

A ideia da transformação de metais em ouro, acredita-se estar diretamente ligada a uma metáfora de mudança de consciência. O metal seria a mente "ignorante" que é transformada em "Ouro", ou seja, sabedoria.

(Alta) Magia Cerimonial

 
O Ritual Egípcio Rosacruz é um trabalho alquímico ritualista ou seja: baseado nos métodos do cerimonial mágico. Nele apreciamos a Magia Cerimonial em seu mais amplo sentido.
 
“Incluídos nessa expressão (Magia Cerimonial)  estão pelo menos três tipos distintos de trabalho cerimonial, todos, porém, sujeitos a um único conjunto geral de regras ou governados por uma única fórmula principal. A palavra "cerimonial" inclui rituais para iniciação, para invocação dos chamados deuses e para a evocação de espíritos elementares e planetários. Há também a enorme esfera de talismãs, e sua consagração e carga. Cerimonial é provavelmente o mais ideal de todos os métodos para desenvolvimento espiritual, pois envolve a análise e subseqüente estimulação de toda faculdade e poder individuais. Seus resultados são gênio e iluminação espiritual.”
Israel Regardie
 
O ritual divide-se em três etapas. Na primeira delas ocorre a purificação do mago através dos Quatro Elementos. Em cada estação ou quadrante uma divindade tutelar apropriada é invocada por meio da formulação da forma astral e dos símbolos alquímicos adequados. Em seguida as quatro forças elementais são então evocadas e recebem ordens para fluir através do mago, visando purificar sua personalidade quádrupla, cada uma delas associada a um elemento. A Astrologia (estudo da influência dos Astros na Terra) explica que tal como a Terra, o Ser Humano também é constituído por quatro Elementos: Terra, Água, Ar e Fogo. A Terra e a Água são elementos Yin (femininos), o Ar e o Fogo são elementos Yang (masculinos). Sabemos que os Quatro Elementos estão também no corpo humano e que pela purificação de um objeto dos quatro Elementos nós nos defrontamos com um quinto elemento que chamamos de Akasha, a Quintessência e a Matéria-prima de nossa obra. No homem, este quinto elemento é chamado de Espírito.
 
Como em todo ritual teúrgico, logo no início da cerimônia todas as forças e todos os seres são cuidadosamente banidos a fim de deixar um espaço limpo e sagrado para a celebração da cerimônia. Mas para esta esfera consagrada são chamadas todas as ordens de elementos, compreendidas na divisão quíntupla das coisas. E é esta poderosa legião, purificando a esfera do mago por consumir os elementos indesejáveis dentro dele, que é consagrada e abençoada pela Eucaristia e pela descida da Luz refulgente.
 
           No final da purificação ritual o mago assume a injunção de Eliphas Levi:
 
"Sê alerta e ativo como os Silfos, mas evita frivolidade e capricho. Sê enérgico e forte como as Salamandras, mas evita irritabilidade e ferocidade. Sê flexível e atento às imagens como as Ondinas, mas evita ociosidade e inconstância. Sê laborioso e paciente como os Gnomos, mas evita grosseria e avareza. Deste modo desenvolverás gradualmente os poderes da tua Alma e te capacitarás a comandar os Espíritos e os elementos.”

                                              O Sol do Espírito - Osíris (Ausar)

O ritual passa então para a segunda etapa onde o magista assume a forma astral do deus egípcio Osíris, utilizando o conhecido método de “assunção da forma deus”. Osíris, em simbolismo mágico, é a própria consciência humana, depois de finalmente purificada, exaltada e integrada – o ego humano como se acha em posição equilibrada entre o céu e a terra, reconciliando e unindo ambos. Os antigos egípcios acreditavam que pela repetida mistura com a essência de um deus, a alma do mago é exaltada e sua personalidade elevada e purificada. 
 
Osíris, o deus Sol, ligado à vegetação e a vida no Além, é sem dúvida o deus mais conhecido da mitologia egípcia. Osíris significa muitos-olhos, um significado apropriado para representar os raios do Sol, que veem tudo, tanto a terra quanto o mar. Ele é a deidade apropriada para estabelecer o contado com o mundo divino dentro de nós, simbolizado pela letra hebraica Yod que, neste ritual, corresponde a Osíris, a centelha divina que existe dentro de nós.

Este ritual é um verdadeiro psicodrama onde o operador (o magista) busca identificar-se com o deus Osíris (Ausar em egípcio) que desce ao mundo subterrâneo ou Amenti (Região dos Mortos) e vence a prova dos quatro elementos. O neófito, no Egito, em uma de suas provas, quando ia ao país de Amenti, tinha que vencer inúmeros obstáculos, inclusive os dos “4 elementos”, se saísse vitorioso passava a um grau superior. Iniciar a jornada rumo ao nosso sagrado ser requer o domínio completo dos quatro elementos que compõem a nossa natureza e todo o neófito ou chela que anelasse muito compreender, aprender e estudar sobre os mistérios que transcendem a matéria e o mundo das imperfeições humanas deveriam inevitavelmente passar pelas quatro provas básicas iniciais; se saísse vitorioso poderia então prosseguir seus estudos e cada vez mais se aprofundar nos mistérios insondáveis de Deus; se fosse derrotado não poderia seguir  por este caminho, pois a alma ainda era imatura para ancorar em si as terríveis e divinas provas que se seguiriam mais adiante.

É importante ter em vista que Osíris é o marido de Ísis e pai de Hórus, ele é quem julga os mortos na "Sala das Duas Verdades", onde se procedia à pesagem do coração ou psicostasia. Ao identificar-se com Osíris o magista volta-se para dentro de Si mesmo como se olhasse sua alma refletida no espelho. Ele entra em contato com seu Ser profundo e renova suas forças espirituais. Em um estágio posterior (fusão com a divindade) ele ganha autoridade sobre as forças dos Elementos.
 
A matéria prima do mago egípcio é a palavra falada (mantra) que, acrescentando-se ao gesto (mudra), produz o ato mágico. Pelas fórmulas tornadas vivas, o mago encanta o céu, a terra, as potências noturnas, as montanhas, as águas, compreende a linguagem dos pássaros e dos répteis. O alvo é considerável: a recitação correta das fórmulas mágicas torna-o capaz de aceder ao cortejo de Osíris e de fazer parte da confraria dos reis do Alto e do Baixo Egito, a sociedade iniciática mas fechada que é possível conceber.

Em um ritual de iniciação da Aurora Dourada, um oficiente, ao mesmo tempo que assume a máscara astral do deus, define a natureza dele afirmando:

"Eu sou Osíris, a alma de aspecto gêmeo, unida ao mais alto por purificação, aperfeiçoada por sofrimento, glorificada através de provação. Vim de onde estão os grandes Deuses, através do Poder do sagrado Nome."

As próprias divindades vêem-se obrigadas a obedecer às palavras de poder do mago:

" O vós, todos os deuses e todas as deusas, voltai para mim o vosso rosto! Sou o vosso mestre, filho de vosso mestre! Vinde a mim e acompanhai-me... sou o vosso pai! Sou um companheiro de Osíris, percorri o céu em todos os sentidos, explorei a terra, atravessei o mundo intermediário seguindo os passos dos Iluminados veneráveis, porque detenho inúmeras fórmulas mágicas."

O mago proclama-se eficaz pela sua boca, glorioso pela sua forma. Tendo cavado o horizonte e percorrido o Cosmo em todas as direções, recolheu o ensinamento dos bem-aventurados. 

A Fórmula Y H V H

O Ritual Egípcio Rosacruz é o primeiro de uma série de ritos de imersão na egrégora egípcia através da Fórmula Yod He Vav He que são as quarto letras hebraicas "YHVH" que constituem o Tetragramaton ou o Inefável Nome de Deus a que chamamos Jeová. O Tetragrammaton contém uma fórmula complexa relacionada à união cósmica e à manifestação dos elementos. Só depois de a criação se manifestar completamente que o termo IHVH é empregado para designar "Deus" na Bíblia. 

Assim temos que o Tetragramaton YHVH sintetiza os quatro elementos metafísicos: Yod=Fogo, He=Água, Vau=Ar e o He final =Terra nessa ordem.

Os mistérios egípcios davam àquele que chegava a dominar os elementos e, portanto, o corpo de Terra, Água, Ar e Fogo, a possibilidade de se tornar um Veículo de Luz, e como dizem os textos egípcios, "de Vagar na barca de Rá rodeado pelos Seres Luminosos". Na terminologia alquímica a Cruz, com hastes de mesmo comprimento, representa os quatro elementos acrescida de um quinto (o Espírito ou Akasha) em seu centro.


Na versão egípcia do Tetragramaton temos:

Yod – Osíris (Fogo): Está ligado ao Espírito Masculino; princípio criador ativo; o Fogo Espiritual. Corresponde ao Lingan de Shiva , ao bastão ou cetro do Tarô, e a Coluna Jakhin do Templo de Salomão. Em alquimia é o enxofre. Na Kabalah é Chokmah.

HE – Isís (Água): A substância passiva; princípio produtor feminino; a Alma Universal; corresponde a Yoni de Shakti, a Taça do Tarô e pela coluna Boaz do Templo de Salomão. Em alquimia é o Mercúrio. Na Kabalah é Binah.

Vau - Hórus (Ar): A união fecunda dos dois princípios; a copulação divina; o eterno devir; representado pelo caduceu e pela Espada do Tarô. Na Kabalah é Tipharet. Hórus o deus com cabeça de falcão, sempre relacionado com a mente, às vezes é chamado de Senhor da Era de Aquário. É um Ser alado e completo, contendo dentro de si o seu pai Osiris (Sol) e sua Mãe Ísis (Lua). Hórus simboliza o Voo do Pensamento Divino, e também o SAG, “Sagrado Anjo Guardião” ou “Eu superior”.

HE – Seth (Terra): O polo fixo, material, o mundo sensível e a criação concreta, os Ouros do Tarô. Seth equivale ao Satã medieval ligado ao enxofre e ao chumbo. No mito egípcio Osíris, um deus associado a vegetação e a umidade (aspectos essenciais a vida), é assassinato por seu irmão Seth (Thífon em grego) que era associado ao calor e a aridez do deserto. Assim Set representa o papel universal da oposição. Em alquimia é o Sal. Na Kabalah é Malkuth.

Yod He Vau He resumido na fórmula YHVH: as potências masculina e feminina unidas num único nome - Yehovah - e que é impronunciável porque não pode ser falada. Esta é a palavra silente, e seus efeitos são manifestados através de vibração. As quatro sílabas da palavra representam o ternário, resumido na unidade.


A terceira etapa do Ritual Egípcio Rosacruz   (reservado aos membros do curso de Alta Magia do Lotus Negro)

Fonte:https://www.ordemdolotusnegro.com/single-post/2017/06/09/Ritual-Eg%C3%ADpcio-Rosacruz


Conheça o Akhu a “Feitiçaria” do Antigo Egito – Parte 1



Akhu é um termo egípcio para descrever poderes mágicos. Também pode ser traduzido como “feitiçaria” ou “encantamento”, já que a palavra feitiçaria não existia para os egípcios antigos. Eles acreditavam que podiam obter o controle sobre o poder dos deuses, espirítos de pessoas falecidas, dêmonios, e forças da natureza.

A religião do Antigo Egito teve uma profunda e forte influência sobre as práticas de feitiçaria, de fato, ambas existiram lado a lado em uma coexistência pacífica. Ou seja não existia religião separada de magia para os egípcios.

Na verdade Religião e Magia não podem mesmo ser separadas uma da outra. Pode-se imaginar um ritual sem irradiação mágica? Não é verdade que as Religiões Abraâmicas como o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo, embora, por vezes, se defendam disso, exercem uma Magia sobre a alma humana, a fim de a submeter a realidades que nossos sentidos se revelam incapazes de registrar?

Um estudo detalhado da religião egípcia antiga, nos fornece toneladas e inúmeras informações importantes sobre as “proezas mágicas” que os sacerdotes egípcios realizavam com os poderes que estes adquiriam dos deuses; no qual empregavam em seus feitiços.

Havia sacerdotes menos exaltados que trabalhavam com questões mais mundanas, como encantos de boa sorte, controle de pragas ou poções de amor. Essa é uma parte inalienável da sociedade egípcia antiga. 

Ay vestido como Sumo Sacerdote realizando a cerimônia da abertura da boca Tumba da KV 62, 18ª dinastia
Fonte da imagem: Lionel Casson Ancient Egypt

Os Sacerdotes Egípcios não eram submissos a seus Deuses. Muito pelo contrário! Eles ameaçavam a própria divindade, se esta não ajudasse em seus feitiços.
 
"Não vou dar-lhe óleo, não vou te dar gordura. Nem acenderei tua lâmpada; Em verdade, eu te darei o corpo da vaca feminina e colocarei o sangue do touro macho em você e colocarei uma parte sua nos testículos (?) do inimigo de Horus"
 O Papiro Mágico Demótipo de Leiden, Londres.

Os Sacerdotes se indentificavam em seus rituais com o própria dinvindade invocada. E se transformavam nela (assumindo a sua forma).

 "Eu sou Montu a quem os deuses adoram (...) (sacerdote egípcio afirmando ser o deus Montu)."  -
 Deir el Medine 19ª dinastia, Ancient Egypt Magazine: Nove formas de magia 

Os escribas egípcios redigiram milhares de páginas, reunidas em códices que os egiptólogos classificam de “mágico-religiosas”. Neles encontramos fórmulas, encantamentos, recitações, enunciados mágicos, para uso cotidiano e para finalidades especiais.


Existiam amuletos para diversas finalidades:
para proteção espiritual, para atrair prosperidade e riqueza, para obter poder, para afastar influências negativas e a presença de espíritos ruins, para o amor.  Os amuletos também eram feitos para os mortos, para capacita-los e protege-los no pós vida. Algumas múmias tinham dezenas de escaravelhos embalados em suas ataduras. Eles eram de grande utilidade para as pessoas. 

Vinte amuletos do Terceiro Período Intermediário até o Período Tardio, cerca de 1069-332 aC

Um egípcio médio sempre acreditava o poder da magia para resolver muitos dos problemas mais comuns relacionados à saúde, amor, casamento, filhos, fantasmas e espíritos malignos. Já na primeira fase das grandes dinastias egípcias, a arte de praticar magia e feitiços era comum entre os cidadãos da realeza e os cidadãos comuns. Havia uma crença geral de que a terra possuía uma relação muito próxima com o mundo dos mortos e com um número incontável de seres que eram favoráveis e desfavoráveis para os homens.

Os antigos egípcios não faziam a separação - como é comum hoje - entre “magia branca e magia negra”. Os sacerdotes podiam escolher livremente entre curar ou ferir alguém. Existiam diversas fórmulas mágicas que podiam curar ou causar a morte de um inimigo e encantamentos para conquistas amorosas. Eles também faziam trabalhos de magia para aumentar a produção agrícola, curar doenças e outros males, obter sucesso, glória ou o amor de um homem ou mulher.

A magia era uma rotina diária com objetivo de proteção física e espiritual, muitos utilizaram a técnica da magia de forma destrutiva para controlar e atacar os inimigos. Quando realizavam este tipo de magia, era comum utilizarem nomes escritos em potes de barros, figuras, estatuas, e ícones metálicos. Que eram mais tarde queimados ou quebrados ou mesmo enterrados em cemitérios.
 
Outros instrumentos populares usados para feitiços eram cabelo, unhas, pós e fluidos corporais. Foram encontrados em escavações no egito também: bonecas de barro em forma humana, perfuradas com pregos de ferro. Bastante similares aos famosos “Bonecos de Voodoo”. As bonecas eram muitas vezes associadas as placas de maldição (Katadesmoi) no qual eram frequentemente inscrito o nome da vítima. 

       Exemplo de feitiços egípcios:

Para prejudicar um inimigo pela água e pela terra:
 
“Um crocodilo contra ele na água. Uma cobra contra ele em terra. Ele fará algo contra si mesmo. Em nenhum momento eu fiz nada contra ele. É Deus quem julgará.”

Inscrição no túmulo de Meni, 16ª Dinastia, em Gizé
 


"Kolossoi (Boneca mágica) ", do 4º Século, Egito"


 Para conhecer coisas ocultas:

"........ Io, Tabao, Soukhamamon, Akhakhanbou, Sanauani, Ethie, Komto, Kethos, Basaethori, Thmila, Akhkhou, me dão resposta sobre tudo sobre o que eu pergunto aqui hoje".
\Repete sete vezes

 O Papiro Mágico Demótipo de Leiden, Londres.


Hoje em dia para obter acesso a materiais que falam sobre magia e feitiçaria egípcia, é só a pessoa ter interesse em procurar livros, textos e artigos a respeito, com certeza irá se deparar com uma lista infindável de conteúdo.  A feitiçaria egípcia estava espalhada em tudo, escritas em inúmeros locais: Sarcófagos, Papiros, Estelas e nas Pirâmides. 

Não é necessário procurar muito longe: o tão famoso “Livro dos Mortos do Antigo Egito”; que se encontra facilmente a venda; contém inúmeros encantamentos e feitiços poderosos, que eram praticados pelos antigos egípcios.

Esta página ilustra o capítulo 125 do Livro dos Mortos, chamado "O Pesar do Coração".  

 

Por exemplo no capítulo IV do Livro dos Mortos está escrito:

“E eis que recolhi esse poder mágico (eka) em todo lugar onde se encontra, em todo homem no qual se encontra. É mais rápido que o galgo, mais veloz que a luz.”

Para os egípcios sem a magia, a sobrevivência da alma no pós-morte era impossível. As fórmulas apropriadas fornecem àquele que se apresenta perante as portas da morte a coragem e a ciência adequadas para franquear o obstáculo sem este ser aniquilado.

Feitiçaria Egípcia hoje

Apesar de a Feitiçaria Egípcia Antiga estar hoje em dia disponível a todos investigadores sérios é necessário ter cuidado. Por existir um grande interesse do público em geral, em tudo que tem relação com a cultura egípcia, livros é que não faltam a respeito. Muitos deles possuem “invencionices” e “traduções equivocadas” sobre o assunto.

Por isso, recomendo ter bastante cautela e realizar uma pesquisa prévia sobre o autor. Os mais confiáveis são os livros escritos por especialistas na área: egiptólogos, arqueólogos, pesquisadores e professores.

Também é necessário estudos profundos de ocultismo para se colocar em práticas as fórmulas mágicas dos antigos egípcios. Por se tratar de uma época arcaica, tão recuada no tempo, torna-se necessário fazer as devidas adaptações a mentalidade ocidental. Também apesar de a religião mágica do antigo Egito estar hoje extinta a egrégora está bem viva no astral e mantêm seus guardiões invisíveis.

A egrégora de qualquer religião iniciática do passado acha-se carregada de enorme força psíquica, ainda que seus representantes e devotos tenham desaparecido do plano físico. Assim contatá-la seria o mesmo que tocar numa bateria elétrica. Exige-se conhecimento de causa e só mesmo um ocultista ou espiritualista, que tenha um certo grau de desenvolvimento, tem autoridade espiritual para capturar os contatos psíquicos destas “grandes organizações” do plano interior e trabalhar sob a influência delas.

No Templo de Auset-Ka, será transmitido ensinamentos relativos a religião mágica do antigo egito assim como os mistérios do sagrado feminino.  


Esse texto faz parte do material do Templo de Auset-Ka  filiada a Ordem do Lotus Negro, nenhuma parte dele pode ser copiada sem 




















































Fonte:https://www.ordemdolotusnegro.com/single-post/2017/06/11/

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O LIVRO MÁGICO DO ANTIGO EGITO III




Estes fatos são desconcertantes para a nossa mentalidade moderna, que associa a magia aos videntes das festas populares ou às práticas mais aberrantes.

O mágico, na civilização do Antigo Egito, é uma personagem
pública que faz parte do universo ”normal”. O que seria ”anormal”, seria viver sem magia; por outras palavras, com os olhos e os ouvidos fechados.

Apto para as mais altas funções, o mágico ocupa um lugar importante na corte do faraó.

Nas aldeias, os mágicos locais, detentores de segredos técnicos por vezes muito úteis para o bem-estar de todos, são pequenos senhores muito escutados e consultados a qualquer propósito pela população.
Possuem o saber sem o qual cada um se sentiria em perigo.

Como sacerdotes, os mágicos recebem uma iniciação sacerdotal. Os que ocupam o cimo da hierarquia são submetidos a um modo de vida que Porfírio evocava nestes termos:

”Pela contemplação atingem o respeito, a segurança da alma e a piedade; pela reflexão atingem a ciência; e pelas duas ascendem à prática de costumes esotéricos e dignos dos tempos de outrora”.

Não esqueçamos que o chefe dos mágicos é o próprio faraó, que transporta as coroas carregadas de magia, a mais concentrada e eficaz. É a entrada no conhecimento que autoriza o mágico a declarar: ”Eu sou o mestre da vida cuja vida se renova eternamente, e o meu nome é Aquele que vive dos ritos”.

Como kherí-hebet, título que significa ”aquele que está encarregado do livro dos rituais”, ele lê em voz alta os textos sagrados, dando-lhes uma animação mágica que os torna plenamente eficazes.

Era nas salas secretas da Casa de Vida que o mágico se iniciava na leitura e na compreensão desses textos utilizados nas cerimônias públicas e privadas.

Existia uma Casa de Vida perto de cada grande templo, de tal modo que em nenhum ponto do território faltavam especialistas responsáveis pela primeira das ciências do governo: a prática dos rituais.
Algumas figuras se destacam no corpo oficial dos mágicos, nomeadamente a do grande sacerdote de Heliópolis, cujo título egípcio, uer mau, significa ”grande vidente” ou ”aquele que vê o (deus) grande”.

A sua vestimenta ritual é uma pele de fera ornada de estrelas, da qual se poderá encontrar uma longínqua analogia no manto cósmico usado pelos reis de França nas cerimônias da coroação.

O sumo sacerdote de Heliópolis, ”chefe supremo dos segredos do céu”, é o guardião da mais antiga tradição solar e de uma magia de Luz que vela pelo renascimento quotidiano da força da vida. Com efeito, sem a aplicação da magia o Sol não se levantaria em cada manhã.
Igualmente mágicos, os sacerdotes da deusa leoa Sekhemet são especialistas da medicina e da cirurgia.

Práticos e conjuradores, a sua gama de competências vai da mais banal picadela de inseto ao mais grave traumatismo. Os seus êmulos mais modestos são curandeiros de aldeia, aptos a praticar os primeiros socorros.
A comunidade iniciática dos construtores de Deir el-Medina, a quem se deve a maior parte dos templos e dos túmulos do Império Novo, tinha contratado um encantador de serpentes e de escorpiões de modo a poderem ser evitados eventuais incidentes.

A magia é indissociável das atividades que classificamos de "artísticas”.

As tocadoras de sistro, os dançarinos, os músicos (masculinos e femininos) que faziam parte do pessoal dos templos, não existem para sacrificar ao prazer estético mas sim para banhar a alma das divindades com eflúvios harmoniosos para poderem continuar a velar pelo equilíbrio e serenidade dos homens.

Nada é gratuito no mundo mágico do Antigo Egito, onde tudo é jogo de correspondências subtis que só os iniciados na magia podem perceber.

Como se tornar mágico? A esta questão essencial, não se pode responder com um ”modo de emprego”.
A prática mágica não é aprovada com um diploma nem julgada por meio de exames. O saber moderno, quase inteiramente codificado, não tem, infelizmente, em conta a experiência vital. Tal não era o caso em civilizações como a do Egito.

Existe, evidentemente, um método para se tornar mágico. Mas esse método não é exposto de uma maneira racional. Os textos não o deixam na sombra, antes apelam ao nosso sentido intuitivo e à nossa inteligência do coração mais do que às nossas faculdades de dedução e análise.

O capítulo 261 dos ”Textos dos Sarcófagos” intitula-se ”Tornar-se Mágico”. Eis o seu conteúdo. O adepto dirige-se aos mágicos que estão em presença do Mestre do universo. Pede-lhes respeito na medida em que os conhece, dado que eles lhe guiaram os passos.
Não é ele aquele que o Único criou antes que fossem instituídas as duas refeições na Terra, o dia e a noite, o bem e o mal, quando o Criador abriu o seu olho único, na sua solidão? O mágico apresenta-se como aquele que maneja o Verbo. É filho da Grande Mãe, daquela que pôs o Criador no mundo, desse que no entanto não tem mãe! O pai dos deuses é o mágico em pessoa. É ele que os faz viver.

Estranho texto, na verdade. Nada há de baixamente técnico nessas páginas, mas é um verdadeiro tratado de metafísica e de espiritualidade que traz à luz um processo de criação. Únicas indicações práticas: o adepto manteve o silêncio durante a cerimônia de entronização, curvou as costas, sentou-se em presença dos mestres qualificados de ”touros do Sol”. Eles reconheceram-lhe a dignidade de ”possuidor de potência” e de herdeiro do Criador.

O adepto veio tomar posse do seu trono e receber as marcas da sua função. Pertence-lhe o que veio à existência antes dos deuses. Também lhes ordena que desçam dos céus e venham ter com ele como sinal de deferência.

A aquisição da qualidade de mágico resulta de uma entrevista com os mestres dessa matéria que julgam o candidato sobre os seus conhecimentos esotéricos, muito mais do que sobre a sua aptidão prática, que será desenvolvida posteriormente. Tal como o morto, ao aceder ao estado de ser iluminado (o akb), reencontra a vida no seu princípio, também o adepto consegue, do mesmo modo e enquanto vivo, comunicar com a Luz da origem, contendo a magia na sua verdadeira pureza.

Primeira revelação feita pelos mestres: qualquer problema humano que se ponha ao mágico tem um modelo no mundo divino.

O mesmo acontecimento foi produzido à escala cósmica antes de ter uma repercussão terrestre. Eis a razão por que o mágico deve conhecer a genealogia divina, a teologia, os diversos relatos que dizem respeito à criação do mundo. Nisso encontrará todas as soluções. Identificando-se com os quatro pontos cardeais, o adepto torna-se Cosmos.

Excelente método para conhecer as suas leis, captar as potências invisíveis e dirigi-las - pelo menos parcialmente - à sua vontade. No momento do ritual de investidura, o mágico é despojado do seu ”eu”, da sua visão demasiado pessoal do mundo, para permitir que o Cosmos o penetre.

As potências invisíveis manifestam-se sob a forma de gênios bons ou maus. O adepto tem de os confrontar. Mais ainda, identifica-se com eles, o que é o melhor meio de os conhecer e de adquirir .

É conhecido um ato de nascimento iniciático de um mágico, assim relatado (Papiro mágico de Leiden, 55): ”Eu sou a face do Carneiro. Juventude é o meu nome. Nasci sob a venerável Perséia em Abidos. Sou a encarnação do grande nobre que está
em Abidos a saber, Osíris, sou o guardião do grande corpo (de Osíris) que está em Uupek” (lugar sagrado de Abidos).

Quer dizer que o adepto participou na reconstituição do corpo de Osíris disperso, provando assim as suas capacidades, antes de se identificar perante o deus ressuscitado o máximo de potência mágica. Poderá lutar contra os gênios resolutamente maléficos, extirpá-los do corpo de um doente.

Quando os gênios malignos atacarem um humano, uma cidade, um campo protegido por um mágico de qualidade, terão de se haver com um adversário de respeito.
O mágico age invocando uma potência que lhe é superior e graças à qual ele se torna eficaz. A fórmula típica dos textos mágicos revela-nos a forma: ”Não sou eu que digo isto, não sou eu quem o repete, mas é o deus que o diz, e é seguramente o deus que o repete”.

Não é pois o mágico que fala, mas sim a potência divina através dele. Na luta do ”bem” contra o ”mal”, não há o afrontamento de um humano contra ”alguma coisa” extra-humana ou super-humana, mas sim um duelo entre forças sobrenaturais, algumas delas positivas, encarnando-se no espírito e no corpo de um mágico. O próprio paciente, quer se trate de um doente a curar ou de um ”médium a manipular”, é identificado com uma divindade que não pode ser destruída. Que melhor segurança para escapar a uma sorte demasiado cruel?
Apuleio (escritor latino, 125 d. C.), o autor de O Asno de Ouro, notável romance iniciático no qual se evocam os mistérios de Ísis e Osíris, era um mágico de nomeada. Na sua obra, relata o encantamento de Lucius, transformado em burro, tendo de percorrer um longo caminho antes de recuperar a forma humana. Só a iniciação nos mistérios o libertará da prisão
da sua animalidade.

Apuleio foi perseguido pelas autoridades judiciárias do seu tempo e acusado de feitiçaria num processo público, tendo de pôr à prova todas as possibilidades da arte da oratória para escapar a uma condenação.

Apuleio nada ignorava da magia egípcia. ”É”, escrevia ele, ”uma arte agradável aos deuses imortais, uma das primeiras coisas que se ensina aos príncipes”.

De fato, o faraó, na sua ”educação” ritual, é identificado magicamente com as divindades.

Àquele que se torna mestre em magia, é declarado ritualmente: ”Misturas-te com os deuses do céu e não é possível estabelecer diferença entre ti e um deles. O teu corpo é Atum (o Criador) para a eternidade”. Não seria nada fácil encontrar melhor para afirmar que o mágico acede às mais altas esferas do espírito. Ali se impregna de poder a fim de ser um interlocutor qualificado das forças do Cosmos. É de resto um ”cosmonauta” antes de estes existirem, explorando universos desconhecidos após uma longa preparação física e psíquica.

O resultado desta aventura foi piedosamente recolhido nos textos de diversos livros:

”Não há em mim nenhum membro privado de deus”, explica o mágico, ”Tot é a proteção de todos os meus membros. Eu sou Ré de cada dia (...) os homens, os deuses, os bem-aventurados, os mortos, nenhum nobre, nenhum sujeito, nenhum sacerdote, poderiam apoderar-se de mim”.

Para dissipar qualquer ambiguidade, cada parte do corpo do mágico é formalmente identificada com a de uma divindade. Por exemplo, a cabeça é a de Atum, o olho direito é o do mesmo Atum quando ele dissipa o crepúsculo, o olho esquerdo é o de Hórus que desalinha o dia da Lua nova quando se corre o risco de se produzir uma má mudança de Lua, as narinas são as de
Tot e de Nut (a deusa do Céu), a boca é a da Enéade de Atum, companhia de nove divindades que rege o Cosmos, os lábios são os de Ísis e de Néftis, os dedos são serpentes de lápis-lazúli, as vértebras são os ossos das costas de Geb, o deus da Terra...

...o ventre é o de Nut, os pés são as abóbadas das plantas dos pés de Chu, o deus do ar luminoso quando atravessa o mar.

Conclusão: ”Não há nele membros que sejam privados de deus que porá a sua chancela sobre o que ele traçou, dado que os amuletos de Heliópolis lhe são aplicados”.

Esta frase enigmática merece um comentário. Colocar uma chancela, para o egípcio, é inscrever o divino no real. Os selos reais são conhecidos desde a I dinastia.

Mais tarde, os mais célebres terão a forma de um escaravelho,
símbolo do ”devir”. Por outras palavras, quando o rei toma uma decisão e a sela, está consciente do seu ”devir”, das consequências dos seus atos.
Em magia, essa tomada de consciência é absolutamente necessária para não se extraviar.

A aplicação dos ”amuletos de Heliópolis” corresponde a um momento primordial da iniciação do mágico. Reconhecido como apto para as suas funções, vê o seu corpo revestido das insígnias de poder que o Mestre mágico presidindo à cerimônia maneja.

Os amuletos são ditos ”de Heliópolis” porque esta antiga cidade do Sol era a capital da magia. São também colocados sobre a múmia para a tornar incorruptível.

É de resto um dos sentidos profundos da mumificação: identificar um despojo mortal com um corpo imortal para que a alma, munida com esse suporte, penetre no Além em país conhecido.
Todo o morto mumificado segundo os rituais torna-se um mágico capaz de ressuscitar. O egípcio não confia na simples crença para franquear o obstáculo do nada. O conhecimento parece-lhe ser um melhor caminho.

Quando o mágico volta o seu olhar para o céu, vê Ré, o deus da Luz. Quando volta o olhar para a terra, vê Geb, príncipe das divindades e deus da Terra. Essas duas divindades ajudam-no a conjurar o mal.

O concurso de Ré é especialmente precioso: graças à Luz divinizada, ele vê tudo e dissipa as trevas.

Ré tem o poder de mudar a morte em vida. Repete essa operação mágica em cada manhã, no lago de chamas, no momento de um combate encarniçado contra os seus inimigos que tentam impedir que a Luz dê de novo a vida. 
O mágico também trava essa guerra contra as potências das trevas. Em primeiro lugar no momento da cerimônia de iniciação, depois na sua atividade quotidiana. Tem necessidade da Luz divina para ser aquele que ilumina o Egito, as Duas Terras, vermelha e branca, que rejeita a obscuridade para se tornar o touro das montanhas do Oriente e o leão das montanhas do Ocidente, aquele que percorre em cada dia as extensões celestes.

Quando abre o olho, a luz surge. Quando o fecha, a noite estende-se sobre o mundo. Os deuses ignoram o seu verdadeiro nome.
Identificado com a luz que viaja ao longe, o mágico liberta a estrada do Sol para que ele possa seguir em paz. Colabora portanto na obra solar de cada dia e na regeneração da humanidade.

Segundo o Antigo Egito, o estado de ser mais perfeito que a via iniciática coroa, é akh, a personalidade luminosa, irradiante, de eficiência sobrenatural.

O corpo pertence à terra, o akh pertence ao céu. É este ser iluminado que Ré revela ao mágico capaz de contemplar o Sol, de descobrir o divino contemplando o astro diurno. Muito mais tarde, serão qualificados de ”iluminados” aqueles que tiverem recebido a iniciação; hoje esse termo tornou-se pejorativo. Ser-lhe-á preferido o de ”Filho da Luz”, expressão egípcia que caracteriza o faraó designando-lhe o seu verdadeiro pai e conferindo-lhe a dimensão sobrenatural da sua função.

O mágico astrólogo A astrologia egípcia é um dos campos de pesquisa mais difíceis e menos explorados. 
”Não há talvez país”, escreve Diodoro de Sicília falando do Egito, ”onde a ordem e o movimento dos astros sejam observados com mais exatidão do que no Egito.
Eles” (os astrólogos) ”conservam há já um número inacreditável de anos registros em que essas observações são consignadas. Neles se encontram informações acerca da relação de cada planeta com o nascimento dos animais e sobre os astros cuja influência é boa ou má.

No túmulo de Osímandias, em Tebas, havia no terraço um círculo de ouro de 365 côvados de circunferência, dividido em 365 partes; cada divisão indicava um dia do ano e ao lado estava escrito o levantar e deitar naturais dos astros, com os prognósticos que os astrólogos egípcios fundamentavam no exame dos dias”.
O zodíaco de Dendera, documento célebre que mereceria uma interpretação aprofundada, não é o único testemunho da astrologia egípcia que, na Época Alta, se centrava essencialmente na figura do faraó.

Os horóscopos individuais só são atestados tardiamente. Mas o mágico sempre se preocupou com as relações entre a sua ação e as disposições cósmicas.

Segundo o capítulo 144 do ”Livro dos Mortos”, ele toma em consideração a posição das estrelas no céu. Em silêncio e no segredo, consulta os livros de astrologia, apenas acessíveis a iniciados de longa data.

Contrariamente ao que hoje se passa, a astrologia não é facultada a profanos. Mantém-se ciência de templo, que só mãos peritas e espíritos responsáveis manejam.
Graças ao conhecimento das leis astrológicas, podem os bem-aventurados circular à sua vontade no céu, na Terra e no império dos mortos. Acompanha-os o espírito do mágico.

Quando faz as suas observações do céu, o mágico grava sete vezes as suas pegadas no solo. Recita sete vezes fórmulas mágicas em honra da Coxa, quer dizer, da Ursa Maior, orientando-se para Norte, para o eixo do mundo.

Os conhecimentos astrológicos são um dos suportes necessários ao ato mágico. A familiaridade com os astros é indispensável para utilizar as forças do Cosmos, a ponto de poder capturar a Luz e agarrar bem a Lua com as mãos, ou, por outras palavras, dominar a sua influência em vez de a suportar.

(Autor: CHRISTIAN JACQ - continua)

Fonte:http://ponteoculta.blogspot.com.br/2013/12/o-livro-magico-do-antigo-egito-iii.html


MAÇONARIA - 042 - ORIGENS INICIÁTICAS 6.5 - O EGITO - OS MISTÉRIOS DE ISIS E DE OSIRIS - A INICIAÇÃO - 1ª PARTE 6.5
O EGITO
OS MISTÉRIOS DE ISIS E DE OSIRIS
A INICIAÇÃO – 1ª PARTE


Como se concedia a iniciação?
É o que nenhum documento preciso nos afirma com certeza. Há, em diversos lugares, uma lenda que não parece despida de fundamento e onde se fala de terríveis provas, às quais eram submetidos aqueles que deviam, depois da vitória, serem admitidos à iniciação.
Estas provas, como em todos os ritos iniciáticos, eram praticadas nos Templos.
Os de Tebas e de Menfis guardaram o mais ilustre renome entre os santuários do Egito antigo.
A grande pirâmide de Kheops, perto da qual a esfinge guarda a sua atitude vigilante, foi também um lugar de iniciação, célebre entre os mais reputados.
Ante de tudo, o futuro iniciado era posto ao corrente das dificuldades da tarefa à qual ele ousava enfrentar.
Era conduzido até a estátua de Isis assentada, tendo sobre os joelhos um livro fechado e cujo corpo e rosto estavam cobertos por um véu impenetrável, onde estava escrito: “Eu sou a grande Isis; nenhum mortal levantou o véu que me encobre”.
A Esfinge com a sua quádrupla do enigma: Saber, Querer, Ousar, Calar. A sua data de construção é do tempo das dinastias fabulosas dos Shesú-Hor.
As pirâmides são muitas conhecidas, não sendo necessário a sua descrição.
A tradição relata que as iniciações sagradas se faziam em parte na Esfinge e em parte na grande pirâmide que continha salas especiais para esse fim.
O Abade Terrason, em um romance fala sobre o herói Séthos, que está animado do mais vivo desejo de ser iniciado. Séthos tem por dever instruir-se e preparar-se por meio de longos trabalhos para as revelações que ele solicitou.
Amadeu, seu mestre, enfrente a grande pirâmide lhe diz: “Seus caminhos secretos conduzem os homens queridos dos deuses a um termo que eu apenas não posso citar e que é preciso que os deuses, façam nascer em vós o desejo. A entrada da pirâmide está aberta a todo o mundo; mas eu lamento aqueles que saindo pela mesma porta por onde entraram, não tenham satisfeito senão uma curiosidade muito imperfeita e só tenham visto o que lhes é permitido contar”.    
Séthos entrou no caminho das provas; porém, que provas eram estas?
1- A da Terra: dois iniciados o levam por um corredor estreito até um lugar sem outra saída senão a abertura por onde tinham entrado.
À claridade de uma lâmpada, via-se um poço de uma profundidade desmesurada, era a morte certa. O poço parecia insondável.
Aqueles que não tinham coragem, detinham-se. O terror privava-os dos meios de descobrir o segredo de um acesso fácil.
Na sombra, dissimulavam-se os degraus de ferro que permitiam ao pretendente descer. Os degraus acabavam subitamente, muito antes que o adepto pudesse atingir ao fundo e o pretendente cria-se votado a uma morte certa.
Entretanto na sombra do poço, uma espécie de janela acessível depois do último degrau, levava para outro caminho nas profundezas que terminava em frente a um portal, atrás dele escadas com claridade e sons de vozes humanas o conduzia a um Templo, onde havia o caminho das purificações com esta inscrição: “Quem fizer este caminho só e sem olhar para trás, será purificado pelo fogo, pela água e pelo ar; e se puder vencer o terror da morte, sairá do seio da terra, tornará a ver a luz e terá o direito de preparar a sua alma para a revelação dos mistérios da grande Deusa Isis”.
Aquele que não retrocedia, avançava pelo corredor que levava a uma porta,  onde três homens portavam capacetes levando a cabeça de Anúbis, era a porta da morte que conduzia ao renascimento, e um deles dizia: “nós não estamos aqui para impedir o teu caminho. Segue-o, se os deuses te derem coragem. Mas, se sentes infeliz, podes voltar sobre teus passos; podes ainda voltar. Todavia, desde este momento, não poderás sair mais destes lugares, se não saíres agora a toda pressa pela passagem que se abre diante de ti, sem voltar a cabeça e sem recuar”.  
Era de uma clareza perfeita e o candidato tinha ainda a liberdade de escolher – para sofrer as provas inevitáveis ou voltar à vida ordinária.
Geralmente, prosseguia a senda e era neste momento que as terríveis provas recomeçavam.
2- A do Fogo: ao entrar por uma porta, achava-se em uma câmara abobadada que resplandecia de luzes estranhas. Ela estava toda em fogo. Grandes fogueiras estavam de cada lado e, no solo, estava colocada uma grade de ferro vermelha pelo fogo. Esta grade formava losangos bem grandes para que o pé do candidato pudesse colocar-se nos interstícios. Parecia que um ser vivo não poderia enfrentar esta fornalha sem perecer queimado ou sufocado.
O juramento prestado fechava toda a saída, e o desejo da iniciação devia ser mais forte do que o terror das chamas.
Além disso, as chamas extinguiam-se por si, desde que o aspirante tivesse passado, e, quando ele se reencontrava em uma sala livre, depois desta prova terrificante, o futuro iniciado, sem perceber o que tinha feito, sentia que seu valor e sua constância tinham vencido a um duro obstáculo, e este pensamento o encorajava no prosseguimento de suas provas. 
3- A da Água: ele avançava por novas galerias e, de súbito achava-se diante de um canal largo, que lhe impedia o caminho. Onde a água entrava de um lado desta câmara subterrânea gradeada e saía por outra grade do outro lado. 
Esta massa de água escoava-se com um grande ruído. Mas, qualquer que fosse o perigo, a iniciação era o premio. Sobre a margem oposta, via-se duas rampas emergirem da água para conduzirem a uma arcada, sobre a qual apareciam degraus que se perdiam na penumbra. O candidato descia até a água, tomava em uma das mãos a sua lâmpada acesa e atravessava este rio subterrâneo com uma só mão a lutar contra a correnteza forte. A travessia não era muito longa, mas também não era sem perigo. Após completar a travessia, ele sabia que nova prova o esperava.
4- A do Ar: o candidato subia os degraus da escada, e quando chegava ao alto desta escadaria achava-se sobre um pequeno patamar, que era na realidade uma ponte levadiça, e que conduzia a uma porta, mas esta não apresentava nenhum meio para abrir diretamente, nela achavam-se suspensos dois grandes anéis e era impossível ao candidato, depois de ter experimentado abrir esta porta, não ter o pensamento de que estes anéis tivessem uma utilidade e que dissimulavam, talvez, qualquer segredo capaz de abrir-la. Ao segurar os anéis, a ponte levadiça se movia e o candidato se achava suspenso entre no ar, esperando a salvação de qualquer mão libertadora.
Os anéis levantavam-se por sua vez, com o candidato pendurado, a lâmpada que trazia, abandonada sobre a ponte, virava, deixando nas trevas aquele que tinha tanta necessidade de luz.
Neste momento, o ar era violentamente agitado como por uma tempestade desconhecida e o candidato, sempre pendurado, tateava no vácuo e na obscuridade, devendo vencer por sua vez o legítimo terror e fadiga de sua penosa posição.
Mas, no momento que suas forças iam faltar, os dois anéis desciam, e o aspirante retomava contato com a terra.
O que se oferecia aos seus olhos era de natureza a apagar a lembrança de suas penas.
Então ele via a Luz.
A vasta sala de um templo cintilava então aos seus olhos deslumbrados.
Sacerdotes formavam alas que iam da porta até o fundo do santuário, eram finalmente as boas vindas.
O aspirante recebia um copo de água pura, símbolo da iniciação e da purificação ao mesmo tempo.
Ele era levado ante as estátuas de Osíris, Isis e Horus; e o sacerdote dizia:
“Isis, grande Deusa dos egípcios, daí o vosso espírito ao novo servo, que venceu tantas provas e tantos trabalhos para se apresentar diante de vós. Tornai-o vitorioso do mesmo modo nas provas de sua alma, que o tornarão dócil às vossas leis, e que mereça ser admitido em vossos mistérios”.
Havia chegado ao termo de suas experiências materiais. Passara pela prova da Terra, achava-se purificado pelo Fogo, pela Água e pelo Ar.
Ele havia vencido o terror da morte. Tinha o direito de ver a Luz. Podia preparar a sua alma para as revelações esperadas. Era admitido aos Mistérios de Isis.
Fosse qual fosse o ensinamento desses Mistérios, não podia deixar senão uma impressão no espírito e as boas sensações daquele que as tinha conquistado de modo tão caro. Por isso os Mistérios de Isis deixaram na literatura e nas artes gráficas, um traço mais considerável do que qualquer outra iniciação.   

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Site maçônico (www.pedroneves.recantodasletras.com.br)
Pedro Neves
Enviado por Pedro Neves em 31/08/2008
Alterado em 23/11/2010
Fonte:http://www.pedroneves.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1154890

RITUAL DO AMOR DE ÍSIS


Trevo de Quatro Folhas No Antigo Egito, o trevo de quatro folhas era considerado símbolo de Ísis, a Grande Deusa, e utilizado nos Rituais de Iniciação e em Rituais para o Amor e para a Sorte.
Se você encontrar um trevo de quatro folhas e quiser fazer um talismã para o amor, proceda da seguinte forma:
Apanhe-o, agradecendo aos espíritos por tê-lo feito achar, e não o mostre a ninguém.
Escreva com tinta vermelha numa folha de papel branco, seu desejo de amor, quer se trate de encontrar o amor ou se refira a uma pessoa em especial.
Seja conciso e preciso no pedido.
Embrulhe o trevo com o papel e coloque-o dentro de um envelope verde.
Esconda-o em um lugar secreto e todas as noites, antes de se deitar, segure com as mãos a folha de papel que contém o trevo, concentrando-se no seu desejo.
Antes de recolocá-lo no envelope, diga estas palavras:
"Ísis, Grande Deusa, eu, (seu nome), agradeço-te o presente que me deste e rogo-te para que satisfaças o meu grande desejo de amor. Guardarei este teu símbolo, mesmo quando tiver conseguido aquilo que desejo, em nome do amor que tenho por ti. Obrigado, Minha Senhora".
Satisfeito o desejo, retire o trevo da folha de papel e coloque-o novamente no envelope.


Fonte: Origem Desconhecida.

O Ritual Dramático de Iniciação no Egito



A Árvore da Vida - Um Estudo sobre Magia

Onde uma certa quantidade de indivíduos deseja participar de uma cerimônia mágica composta na qual todos possam desempenhar um papel ativo, há uma forma de ritual de grupo concebida para essa finalidade particular chamada de ritual dramático. Assim, cada pessoa que participa contribui com força de vontade e energia a favor da criação de uma manifestação espiritual. Quase todos os Mistérios da Antigüidade assumiam essa forma, e os ritos de Iniciação das fraternidades secretas de todas as épocas eram conduzidos em conformidade com esse princípio. É fato extremamente bem conhecido os rituais serem particularmente úteis em matéria de iniciação. É igualmente corroborado que tais cerimônias desempenhavam um papel preponderante nos mistérios mágicos do Tibete, onde a aceitação de um lanoo era celebrada por um rito consagrando o discípulo à execução da Grande Obra. A história do ioga budista Milarepa é perfeitamente clara quanto ao importante ponto de nas mãos de seu guru ele ter recebido diversas iniciações cerimoniais, quando várias divindades e poderes espirituais foram invocados para dentro de um círculo, ou mandala, onde ele permanecia. Além disso, é conhecimento comum o fato de o candidato à iniciação bramânica testemunhar um ritual de purificação e consagração. Que havia rituais de iniciação no antigo Egito é também demasiado notório para exigir especial ênfase e o rumor de cerimônias mágicas no Egito nos alcançou enriquecido de muitos detalhes sugestivos e significativos itens de informação. Com efeito, se o princípio subjacente do ritual dramático de grupo, iniciático ou mágico, é a consagração da Grande Obra e a exaltação da consciência, então dispomos de incontestável evidência de que cerimônias concebidas similarmente foram representadas ao longo da Antigüidade .

O princípio básico é idêntico ao de todo ritual mágico, a invocação num sentido ou outro de um deus. Mas no caso do ritual dramático, o método procede através de um apelo estético à imaginação, retratando sob forma dramática a corrente dos eventos maiores na história da vida de um deus, e ocasionalmente o ciclo terrestre de um homem ideal ou homemdeus, tal como Dionísio, Krishna, Baco, Osíris, etc., alguém que atingiu aquela sabedoria e plenitude espiritual pelas quais o teurgo também está em busca. Viver na atmosfera de criação nova e repetir as façanhas realizadas pelo deus constitui um método sumamente excelente para a exaltação da alma. Essa idéia é chamada de princípio da comemoração e é um constituinte integral de toda cerimônia mágica. Da observação de de Occulta Philosophia fica bastante evidente que H. C. Agrippa e aqueles dos quais recebeu seu conhecimento entendiam perfeitamente o princípio teórico envolvido nessa forma de magia, o qual exige o ensaio do personagem do deus a ser invocado, ou uma repetição dos acontecimentos que ocorreram no ciclo de vida de seu emissário mundano. Não apenas deve este princípio fazer parte do ritual dramático aprovado, como também todo e qualquer aspecto da cerimônia mágica, seja realizado por um indivíduo ou um grupo, deve ser marcado pela entusiástica repetição de uma série de incidentes altamente significativos da história do deus, o ensaio servindo assim para dar autoridade e ênfase suplementares ao processo duplo de consagração e invocação. Mesmo num aspecto relativamente tão trivial como a preparação preliminar das armas e instrumentos, Agrippa corretamente recomenda a repetição das façanhas sagradas; e como um exemplo do princípio comemorativo que ele advoga, podemos citar com proveito o procedimento proveniente de The Fourth Book of Occult Philosophy (O Quarto Livro da Filosofia Oculta) para a consagração da água: “Assim, na consagração da água, devemos comemorar como Deus colocou o firmamento no meio das águas, e de que maneira Deus colocou a fonte das águas no paraíso terreno... e também como Cristo foi batizado no Jordão, tendo daí santificado e limpo as águas. Ademais, certos nomes divinos têm que ser invocados, que com isto estão em conformidade; como que Deus é uma fonte viva, água viva, a fonte da misericórdia, e os nomes de tipo similar” .

O leitor poderá, também, observar a forma comemorativa do ritual de A Goécia, que é citado no último capítulo deste livro. A invocação tenta descobrir as palavras de autoridade que foram empregadas nas Escrituras para a execução de certas proezas. Não constitui, entretanto, um exemplo especialmente bom desse tipo de ritual. As Bacantes de Eurípides é um exemplo de primeira categoria de qual forma deveria assumir um ritual dramático completo. O ritual deve ser construído de tal modo que cada celebrante desempenhe um papel, sem, ao mesmo tempo, tornar a ação do drama dispersa e incoerente. As regras da arte teatral e do drama se aplicam perfeitamente à construção desses rituais .

A evidência histórica a nossa disposição demonstra claramente que a “peça de paixão” da vida do grande deus Osíris, rei do Tuat, era realmente um complexo ritual dramático que o invocava, uma cerimônia comemorativa envolvendo a repetição de quase todos os atos que ocorreram a Osíris no curso de sua vida lendária na Terra entre os homens. Na base desta celebração e de todos os outros tipos similares, temos a invocação de um deus, ou do avatar em quem ele habita, e por meio desse ensaio dramático o teurgo procura exaltar sua imaginação e consciência de sorte que possa culminar na crise estática da união divina. Para o indivíduo cujo senso estético e poético é altamente desenvolvido, essa espécie de cerimônia é, de longe, a mais eficiente. É perfeitamente evidente que uma representação simbólica do que era antes um efetivo processo espiritual numa personalidade altamente reverenciada só pode auxiliar na reprodução da união colocando o teurgo em relação de simpatia e harmonia mágica – mediante o efeito em sua imaginação – com a tendência ascendente da peça para a meta suprema. Em suma, o teurgo imagina a si mesmo no drama sendo o deus que sofreu, ele próprio, experiências similares, as várias partes da peça e os rituais recitados servindo apenas para tornar a identificação mais completa. É este fato que levou certas gerações de magos precariamente iniciados a adotar para o uso cerimonial máscaras de verdade, itens grotescos e legítimos artifícios teatrais. Estaremos diante do tema central do ritual dramático quer escolhamos como exemplo a missa da Igreja Católica Romana, a realização do ritual do Adeptus Minor da Ordem Hermética da Golden Dawn, o Terceiro Grau da Francomaçonaria, ou a celebração das orgias dionisíacas tal como esboçadas em As Bacantes. Em cada caso a vida de um Adepto iluminado é ensaiada sob plena forma cerimonial, isto é, a história de um ser cuja consciência foi tornada divina é magicamente celebrada. O método de representação retrata um homem que morre real ou misticamente e que realiza sua própria ressurreição como um deus, irradiando sabedoria e poder divinos. Visto que Osíris era para os egípcios o melhor exemplo de alguém que superou sua humanidade e atingiu a união divina, assim passando para a posteridade como o tipo e símbolo de regeneração, vários capítulos e versículos do Livro dos Mortos representam o morto identificando a si mesmo como aquele deus dirigindo-se aos assessores no salão do julgamento. O ritual dramático que os egípcios realizavam para a invocação de Osíris em Ábidos era uma peça que parece ter consistido de oito atos. “O primeiro era uma procissão na qual o antigo deus da morte, Upwawet, tornava reto o caminho para Osíris. No segundo a própria grande divindade aparecia na barca sagrada, que era também colocada à disposição de um número limitado dos mais ilustres dos visitantes peregrinos. A viagem da embarcação era retardada por atores vestidos como os inimigos de Osíris, Set e sua companhia... Seguia-se um combate no qual ferimentos reais parecem ter sido dados e recebidos... Este evento parece ter ocorrido durante o terceiro ato, que era uma alegoria dos triunfos de Osíris. O quarto ato retratava a saída de Thoth, provavelmente em busca do corpo da vítima divina. Seguiam-se as cerimônias de preparo para o funeral de Osíris e a marcha do populacho ao santuário do deserto além de Ábidos para inumar o deus em seu túmulo. Em seguida era representada uma grande batalha entre o vingador Hórus e Set, e no ato final Osíris reaparecia, sua vida recuperada, e adentrava o templo de Ábidos numa procissão triunfal*.” * Os Mistérios do Egito, Lewis Spence .

Não apenas havia os Mistérios de Osíris, no tempo em que os mitos ligados ao deus eram ensaiados, como também rituais de grupo para a invocação de Ísis, Hathor, Amon e Pasht e outros deuses eram celebrados sem referência a qualquer indivíduo humano cuja relação com eles fosse aquela de um avatar. Na missa católica a vida e o ministério divinos do Filho do Deus cristão são celebrados, em seguida a crucificação de seu salvador, e sua ressurreição final em glória seguida da assunção aos céus. Em épocas mais antigas, esta celebração da missa era acompanhada por procissões deslumbrantes e cortejos dos mistérios cheios de suntuosidade, esplendor e pompa, embora se deva confessar que na ausência da técnica mágica toda essa ostentação externa contava muito pouco. O Terceiro Grau dos maçons dramatiza o assassinato do Mestre, Hiram Abiff, e sua ressurreição se segue posteriormente por um ato mágico, o soar da palavra mágica perdida devolvendo H. A. à vida .

Os eventos, ricos em movimento, realização e organização na vida do lendário fundador da Ordem Rosacruz, Christian Rosenkreutz, também o símbolo de Jesus, o Filho de Deus, são totalmente dramatizados com grande beleza no ritual de Adeptus Minor da Ordem da Golden Dawn. Sua finalidade, também, é que através da simpatia atuando sobre uma imaginação refinada, o teurgo possa identificar a si mesmo com a consciência exemplar da qual Rosenkreutz era o símbolo, e cuja história está sendo repetida ante ele. Numa cena, a mais importante e eloqüente desse ritual, o principal oficiante hierofântico é visto deitado como se estivesse morto no pastos ou túmulo místico. Por meio de orações e invocações, o Adepto é simbolicamente ressuscitado da tumba em cumprimento da profecia da grande fundador. Na hora solene da ressurreição, quando a cerimônia revela a ressurreição do Adepto como Christian Rosenkreutz do pastos onde ele estava enterrado, o Adepto Maior profere triunfalmente: “Pois sei que meu redentor vive e que ele se postará no derradeiro dia sobre a Terra. Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém virá ao Pai a não ser por mim. Eu sou o purificado; eu atravessei os Portais das Trevas para a Luz; lutei sobre a Terra pelo bem; findei minha obra; eu adentrei o invisível. Eu sou o Sol no seu nascer. Eu passei através da hora nublada e noturna. Eu sou Amon, o Oculto, aquele que abre o dia. Eu sou Osíris Onnophris, o Justificado. Eu sou o Senhor da Vida que triunfa sobre a Morte; não há nenhuma parte de mim que não pertença aos deuses. Eu sou o preparador da senda e aquele que resgata para o interior da Luz. Que aquela Luz surja das Trevas! Antes eu era cego, mas agora vejo. Eu sou o reconciliador com o inefável. Eu sou o habitante do invisível. Que o brilho alvo do Espírito divino desça! Essa peã de êxtase não é para ser interpretada como um mero discurso de palavras grandiloqüentes. Se o Adepto realizou adequadamente sua obra mágica, e se encobriu perfeitamente com a forma mágica apropriada, e se identificou com a consciência do deus, os outros participantes da cerimônia experimentarão uma exaltação paralela ao discurso de triunfo .

As formas mais usuais do ritual dramático tais como aplicadas às iniciações funcionam aproximadamente mais ou menos da maneira que se segue. Após sua entrada nas câmaras externas do Templo de Iniciação, onde ele é imediatamente vendado, vestido com um toga preta e circundado três vezes pela cintura com um cordel, o neófito é conduzido pelo guardião às estações onde estão presidindo oficiantes nos pontos cardeais. O objetivo da venda é representar a cegueira da ilusória vida mundana e a ignorância nas quais o ser humano incorrigível se debate, vítima involuntária da tragédia perpetuamente representada de nascimento, decadência e morte dolorosos. O cordel é triplo para representar os três elementos maiores: fogo, ar e água; a toga é preta para representar também o negrume da vida e Saturno, que é morte, o grande ceifador de tudo. O neófito circumpercorre o templo diversas vezes, e durante seu circumpercurso os oficiantes, que deverão ser no futuro seus instrutores mágicos e que igualmente representam os deuses sumamente benfazejos, exigem do neófito as afirmações de seus objetivos e aspirações. Este procedimento automaticamente chama nossa atenção para o Livro dos Mortos, onde no capítulo CXLVI e naqueles que se seguem a este, os anjos e os deuses encarregados dos pilones sagrados ou as grandes estações a serem ultrapassadas pelos mortos a caminho do Amentet, indagam destes últimos seus negócios. Como reação à sua resposta de que o nome do guardião é conhecido – com cujo conhecimento o nome não é senão um símbolo – e que ele vem para responder a Thoth, conseqüentemente em busca da sabedoria superior, cada um deles lhes dão permissão para prosseguir. “Passa, diz a sentinela do pilone. Tu és puro!” É possível ver no Museu Britânico um excelente ritual de iniciação intitulado “O Mistério do Julgamento da Alma”, reconstruído por M. W. Blackden a partir dos capítulos de O Livro dos Mortos que tratam da ascensão do morto ao salão do julgamento, e sua beatificação na ilha da verdade. Demonstra de uma maneira extremamente boa que pode muito bem ter sido que os textos que chegaram a nós sob o título de O Livro dos Mortos eram fragmentos de um ritual de iniciação usado na época em que o Egito florescia com os Sacerdotes-Reis-Adeptos o dirigindo. O ritual do neófito da Golden Dawn, de modo semelhante, incorporou em si elementos egípcios muito similares. Neste ritual vários oficiantes, representando os deuses cósmicos, retardam o progresso do neófito em seu circumpercurso das estações do templo. “Tu não podes passar por mim, diz o Guardião do Oeste, a menos que possas dizer meu nome.” E a resposta em nome do candidato é dada: “Escuridão é o Teu Nome! Tu és o Grandioso da Caminho das Sombras.” Diante disto profere-se a prescrição: “Filho da Terra, medo é fracasso. Sê tu, portanto, destemido, pois no coração do covarde a virtude não habita! Tu me conheceste, assim segue em frente! “ À medida que o ritual prossegue com muitos desafios e respostas semelhantes vários pontos de instrução mágica são apresentados, acompanhados por consagrações pelo fogo e a água, purificando assim o neófito para a jornada posterior. Estas consagrações efetuadas pelos representantes dos deuses no templo nos pontos cardeais constituem a preparação para a realização da Grande Obra. Por meio de invocações as forças celestiais do além são infundidas no ser do neófito, dotando-o de coragem e vontade que o capacitam a perseverar resolutamente até o fim. Então a venda, o cordel e a veste negra são removidos, dando lugar a um manto ou faixa atirados aos ombros para simbolizar a pureza da vida e a grandeza da aspiração que atingiu o candidato. Terminadas as consagrações e concluídas as invocações das essências, um certo conhecimento fundamental de magia e o alfabeto filosófico é comunicado sob um voto de segredo. Isto, como um todo, omitindo-se um grande número de pontos secundários e variações triviais, constitui a base do ritual de iniciação do neófito .

Se não houver, todavia, o prosseguimento do trabalho mágico prático em seu próprio interesse, essas iniciações e rituais não terão qualquer proveito para o neófito. Que servem efetivamente de preparação é verdadeiro, e também transmitem uma certa consagração e sacramentalização tornando a tarefa do neófito mais compreensível e talvez menos perigosa devido a virtude deles. A título de confirmação, lembraremos que Milarepa depois de suas iniciações foi imediatamente aconselhado por Marpa a iniciar o trabalho prático, que em seu caso era meditação e concentração. Ao aprendizpreparado seja por meio de treino seja por meio de alguma peculiaridade de nascimento – o qual, em qualquer caso devido à reencarnação implica numa atenção anterior a estas coisas – a iniciação cerimonial tem um efeito distinto ao conceder ao aprendizuma visão efêmera, porém resplendente da meta espiritual buscada por ele e que ele agora indistintamente encara. E de fato assim é se os oficiantes do templo forem hierofantes não apenas no nome mas em realidade, devidamente versados de um ponto de vista prático na rotina e técnica mágicas, pois quando um oficiante do templo representa o papel de um deus, se ele estiver familiarizado com os métodos da técnica mágica, assumirá a forma daquele deus tão perfeitamente que as emanações magnéticas provenientes do deus nele fluirão para a alma interior do neófito. Esse assumir de formas divinas tal como anteriormente descrito, pode ser levado bastante longe, mesmo ao ponto da efetiva transformação, e há registro de exemplos autênticos nos quais o neófito, se suficientemente sensitivo, vê à distância no salão não simplesmente um ser humano atuando arbitrariamente como hierofante, mas sim uma gigantesca figura divina, fulgurante e espantosa, do deus que o homem representa cerimonialmente. Quando, como afirmei, os hierofantes são magos treinados, como eram na época do antigo Egito, a iniciação dos neófitos não se limitar a ser um serviço formal sem significado, mas é uma cerimônia de extrema realidade e poder .

Isto concerne aos rituais de iniciação. O ritual dramático que não envolve nenhuma questão de iniciação é bastante similar do prisma da concepção e execução. Diversos indivíduos ensaiam em concerto para seu próprio mútuo benefício a vida de um deus, e por meio de repetidas invocações, comemorando mediante o discurso e a ação incidentes e acontecimentos da história daquele deus, e têm êxito em fazer aparecer o deus numa área consagrada. Acatando a técnica mágica e exaltando a si mesmos suficientemente além do plano dualístico normal de consciência ocorrerá uma união duradoura entre os participantes e a divindade. As Bacantes é um exemplo notável de um ritual dramático grego. Na verdade, de um ponto de vista cerimonial, é tudo que um ritual dramático deve ser quanto à forma. E é tão excelente que aqueles que nele têm interesse hoje o fazem devido ao seu sentimento de que se trata de uma esplêndida tragédia teatral. No caso de uma companhia de indivíduos iniciados que estão bem familiarizados com a invocação, trabalhando simpaticamente entre si, e exercendo a vontade e a imaginação na forma mágica prescrita, a peça pode ser transformada numa poderosíssima invocação dramática de Dionísio. A tradução em versos rimados do Professor Gilbert Murray é mais uma obra-prima clássica de poesia recriativa do que uma tradução literal do grego, transmitindo com suma fidelidade a atmosfera religiosa e o espírito ditirâmbico da veneração a Baco. Há nesta peça uma suplicação ao deus no estilo exaltado tão típico de todas as invocações: “Aparece, aparece, qualquer que seja tua forma ou nome Ó Touro da Montanha, Serpente de Cem Cabeças, Leão de Flama ardente! Ó Deus, Besta, Mistério, vem! ... “ Abordando o mesmo tema mágico, há um esplêndido hino a Dionísio proveniente dos Hinos místicos de Orfeu, traduzido por Thomas Taylor: “Vem, abençoado Dionísio, o variamente nomeado, De face taurina, gerado do trovão, Baco afamado .

Deus bassariano, de universal poder, De quem espadas, sangue e ira sagrada causam prazer: No céu regozijando, louco, Deus de alto som, Furioso inspirador, da vara o portador: Pelos Deuses reverenciado, que com a humanidade está presente, Propício vem, com mui regozijadora mente.” Muita prática e ensaio se fazem necessários para dar eficácia a esses rituais dramáticos, além do trabalho mágico que se segue, como foi salientado. Sem este último absolutamente nada pode ser efetuado. A técnica astral de ascensão nos planos, investigando-se os símbolos pela visão, a formulação das formas ou máscaras dos deuses e a vibração dos nomes bem como as celebrações de alguma forma de eucaristia representam necessidades no caminho da magia. É verdade que se exige uma enorme quantidade de paciência, mas isto se verifica verdadeiro em relação a todas as coisas que valem a pena de uma maneira ou de outra. O teurgo deverá prosseguir diariamente com essas práticas invocatórias e rituais até atingir o estágio em que se sinta que detém o poder sob seu controle. Na verdade, o que há de mais essencial para o sucesso em todas as formas de magia – seja o ritual dramático ou qualquer outra coisa – é a perseverança. Não importa o que mais seja feito, o mago deve cultivar a paciência. É mister que ele se prenda com firmeza e sem desânimo a um programa préorganizado de trabalho mágico. O curso que ele formulou e jurou executar representa o logos de sua vontade, do qual ele não ousa se desviar uma única polegada ou mesmo uma fração de polegada. Temores e dúvidas igualmente o assaltarão por certo. Amigos e inimigos igualmente ameaçarão a paz de sua mente e a serenidade de sua alma, e tentarão maximamente perturbar seu equilíbrio espiritual com tagarelice ociosa a respeito do perigo da magia e a incerteza de seus resultados. A hoste inteira do céu, para mencionar só de passagem as miríades de legiões do inferno, conspirarão e estarão soltas contra ele. Mas somente se ele desistir, desprezando seu voto e rejeitando sua aspiração, estará o mago irreversivelmente perdido. O desastre horrendo estará à espreita à frente! Uma vez tenha o voto mágico sido assumido voltado para o sucesso, ele terá que perseverar resolutamente sem se preocupar com seja lá o que for que aconteça. Se for colhido pela morte no desenrolar de seu trabalho, que prossiga, mesmo assim, adiante, de uma vida para outra, com a alma bem concentrada e o olhar espiritual fixado firmemente nas alturas, fazendo um vigoroso juramento de que dará continuidade a esse labor .

Lévi uma vez observou que o mago tem que trabalhar como se fosse detentor da onipotência e como se a eternidade estivesse a sua disposição. Ocorre-me uma lenda singela, porém bela, na qual esse tema está presente, incitando o mago a seguir à frente para a Casa do Repouso sem interromper seu empenho, isento de dúvida e medo, trabalhando por aquela meta que ele primeiramente criou e que agora considera nebulosamente na distância longínqua da aurora dourada na Terra Sagrada. Mal conhecida atualmente e esporadicamente objeto de referência, aparece num pequeno livro intitulado The Book of the Heart Girt with the Serpent (O Livro do Coração Cintado pela Serpente), de Aleister Crowley. Embora eu não advogue em nome deste poeta, considero, contudo, essa pequena obra uma das mais profundas e primorosas jamais escritas. A citação abaixo serve como exemplo tanto de sua prosa quanto de suas idéias relativamente à questão que agora abordamos .

“Houve também um colibri que falou a Cerastes e lhe implorou veneno. E a grande cobra de Khem, o Sagrado, a serpente Uraeus real, respondeu-lhe e disse: Eu velejei sobre o céu de Nu no carro chamado Milhões de Anos e não vi qualquer criatura acima de Seb que fosse igual a mim. O veneno de minha presa é a herança de meu pai, e do pai de meu pai.. .

Como dá-lo a ti? Vive tu e teus filhos como eu e meus pais vivemos, mesmo até cem milhões de gerações, e pode ser que a misericórdia dos Poderosos conceda aos teus filhos uma gota do veneno da Antigüidade .

“Então o colibri afligiu-se em seu espírito e voou para as flores, e foi como se nada tivesse sido conversado entre eles. Entretanto, pouco depois, uma serpente o feriu e ele morreu .

“Mas uma íbis que meditava às margens do Nilo, o belo deus, ouviu e atendeu. E pôs de lado seus modos de íbis e se tornou como uma serpente, dizendo: Talvez numa centena de milhões de milhões de gerações de meus filhos eles obtenham uma gota do veneno da presa da Exaltada. E vede: antes que a lua crescesse três vezes ele se transformou numa serpente Uraeus e o veneno da presa foi nele e em sua semente estabelecido por todo o sempre.” Para o mago é esse espírito sublime de vontade e determinação indomáveis que nada pode vencer que é indispensável. É o poder da vontade que de facto constitui o mago e na ausência deste poder nada de qualquer monta pode ser feito. A realização não é atingida em quatro e vinte horas, nem mesmo em vários pores-do-sol; a visão resplandecente e o perfume que consome a própria substância da alma podem estar muitos anos no futuro – mesmo muitas encarnações nas vagas trevas do porvir. Quiçá para alguns a concretização do desejo mais íntimo e da aspiração por Adonai seja uma meta que pertence a um outro mundo, um outro eon e exista na natureza de um sonho. Outros indivíduos podem julgar este um objetivo cujo doce fruto se torna rapidamente disponível à mão com escasso dispêndio de trabalho para ser colhido. Num caso ou no outro nenhum aprendiz está na posição de afirmar no princípio em que momento a meta poderá ser alcançada. Tampouco se trata de um problema que mereça preocupação pois a alma cresce e progride à medida que a compreensão e a intuição se expandem através de atos sucessivos do espírito na estrada da magia da luz. As asas se tornam então mais vigorosas, o próprio vôo se tornando mais longo, e a lâmpada interior alimentada com o azeite da sabedoria permanece continuamente acesa. Ao mago é imperioso considerar sempre esta luz interior e levá-la pacientemente consigo pelos desvios e estradas dos homens, até que ele se transforme nessa luz. Acima de tudo o que é exigido é aquela imperturbável aspiração e vontade indomável ... daí ao trabalho! Que a aspiração do mago seja como a da sábia íbis de Khem. Dispa-se de seus modos humanos e vista-se daqueles do deus! O Conhecimento e a Conversação podem ser uma dádiva que não lhe seja concedida por centenas e milhares de anos, mas quem sabe para onde o espírito se inclina? Pode ser que por inflexível determinação, como aquela da íbis, para lograr a meta, não importa quanto tempo possa levar, floresça a flor dourada da vida de Adonai no interior do coração mais celeremente do que de outra forma poderia ter sido o caso .

Enquanto isto, deve-se dar prosseguime nto ao trabalho mágico. Ao teurgo compete diariamente ascender nos planos num esforço de elevar-se mais e mais, e lutar por seu caminho para as esferas translucentes da luz límpida do fogo. A passagem de cada estação verá sua aspiração cada vez mais forte, transmitindo-lhe a força para desimcumbir sua tarefa de conquista e união mágicas. Todas as coisas têm que ser trazidas para dentro da esfera de sua vontade, tanto os céus excelsos quanto os infernos mais inferiores. Essa vontade tem que ser imposta aos mais vis habitantes do astral e estes terão que se curvar diante de todo desejo seu e todo seu domínio. É óbvio que sobre os ombros do mago pesa uma tremenda responsabilidade, a qual cresce a cada passo à frente que ele dá, e à medida que transcorre cada hora de sua carreira. “A natureza nos ensina, e os oráculos também afirmam, que mesmo os germes nocivos da matéria podem igualmente ser tornados úteis e bons*.” Conseqüentemente, a responsabilidade que cabe ao mago como um penhor sagrado é esta: a ele e somente a ele compete a tarefa de transformar o universo e de transmutar os elementos grosseiros da matéria na substância do espírito verdadeiro. Toda sua vida terá que se transformar numa constante operação alquímica e durante esta vida ele distilará no alambique de seu coração a grosseria do mundo para que se converta na essência dos céus sem nuvens .

Sua cabeça, também, tem que se elevar além das nuvens à medida que ele, de pé e ereto, terá seus pés firmemente sobre a terra multicolorida. Somente tenacidade e persistência facultarão essa retidão do espírito e esse poder adamantino da vontade. E estes são os pólos gêmeos que proporcionam resistência e extensão ao báculo do mago. Todos os ramos da teurgia devem ser objeto de persistência ao longo dos anos, não maculados pela cobiça pelos frutos das ações do mago. Em todos os casos, como todos podem ver, a arte divina constrói caráter e vontade e no devido tempo um karma favorável será criado em cujo senda nenhum obstáculo ousará se interpor, quando o Anjo se apressará em elevar a alma – sua amada há tanto tempo, e consumar as núpcias místicas prolongadas para tantos numa idade exaustiva. “Nesse dia o Senhor será Um, e Seu Nome será Um.” * Os Oráculos Caldeus, trad. de W. W. Westcott .

E mesmo que não atinjamos a unidade com Adonai, há na magia um grande ganho visto que por meio dela buscamos transmutar o grosseiro no sutil e no puro. E esta é a redenção do mundo. Muito brevemente todo o nosso ser circundará um sol invisível de esplendor e seremos mais e mais atraídos para ele, como o aço é atraído para o magneto. Embora possam ser necessários eons para que finalmente cheguemos perto, ainda assim nos sentimos talvez como Adão deveria ter sentido se tivesse visto tremeluzindo através das trevas do exílio em que lutava o brilho do paraíso celeste e soubesse que este não estava realmente perdido, mas que após a purificação dele, Adão, lhe seria concedido um pouco dele em que entrasse e caminhasse .

Dispor desta certeza não é pouca coisa. Trata-se de uma visão que não deve ser encarada com trivialidade. Embora inevitavelmente tenhamos que falhar e cair reiteradas vezes, há horas e minutos de prazer e alegria quando os anjos das alturas trajam novamente ante nossa vista seus antigos aspectos de glória, e nós somos fundidos no calor e fogo do êxtase e contentamento, cientes de que nós, os mortos por séculos e longas eras, podemos ainda ressuscitar de novo .


Fonte:http://www.mortesubitainc.org/alta-magia/cabala/a-arvore-da-vida-um-estudo-sobre-magia/o-ritual-dramatico