A MARAVILHOSA DAMA INGLESA DE NEWCASTLE, QUE CUIDA COM AMOR INCONDICIONAL ,DE NOSSOS ANCESTRAIS,OS IDOSOS DO BRASIL,HÁ 30 ANOS


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Interessa - na foto Judy Robbe, gerontóloga, com o testamento vital.
Foto: Gustavo Andrade / O Tempo / 23/08/2010


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Newcastle, a cidade mágica do norte da Inglaterra



A MARAVILHOSA DAMA INGLESA DE NEWCASTLE, QUE CUIDA COM AMOR INCONDICIONAL, DE NOSSOS ANCESTRAIS,OS IDOSOS DO BRASIL,HÁ 30 ANOS

Há mais de 3 décadas, Judy Robbe ajuda pacientes com Alzheimer e cuidadores familiares a terem uma vida digna



15 de Março de 2016 Sua História Posted by 


Em entrevista ao Portal Plena, a terapeuta holística e gerontóloga fala da importância do tratamento Psico-social, a aceitação e os desafios da doença e o papel que o governo deveria desempenhar neste contexto

por Mariana Parizotto
A perda de memória, as mudanças de comportamento, a inversão de papeis, a sobrecarga de ter que cuidar, a culpa por não dar conta de tanta responsabilidade. Estes são apenas alguns dos aspectos que permeiam a vida de cuidadores familiares e portadores de Alzheimer. Afrouxar esses nós e ajudar cuidadores e pacientes a terem uma vida mais digna, tornou-se, há 30 anos, a missão da terapeuta holística e gerontóloga Judy Robbe.
Judy é hoje uma das profissionais mais respeitadas no Brasil quando o assunto é Alzheimer, envelhecimento e cuidados paliativos. Em entrevista ao Portal Plena, a especialista falou da importância do tratamento Psico-social, a aceitação e os desafios da doença e o papel que o governo deveria desempenhar neste contexto.
Confira:
Qual a sua formação?
Sou Terapeuta Holística, Gerontóloga, Palestrante e autodidata na Abordagem não-farmacológica dos sintomas e comportamentos causados pela Doença de Alzheimer e demências similares.
Porque você optou por este caminho?
O que me motivou foi o caso muito triste de um amigo empresário na Alemanha que apresentava um quadro de demência e cuja esposa se tornou alcoólatra por causa do esgotamento, a falta de apoio dos familiares e amigos, e sem orientações em como lidar com o comportamento alterado do marido.

Médicos aqui em Minas me disseram que também eram diagnosticados cada vez mais casos de demência do tipo Alzheimer e que não havia qualquer material informativo para leigos sobre como lidar com o dia a dia e as mudanças comuns de comportamento. 
Há muitos anos você se dedica a apoiar familiares e portadores de Alzheimer. Como é esta missão?
O meu interesse no assunto começou há 30 anos, em 1986, quando procurei no exterior material informativo direcionado à família da pessoa com deficiência cognitiva e perda de memória causada pela Doença de Alzheimer. Autorizada a traduzir os informativos para o português, eu passei a estudar cada vez mais, a freqüentar congressos nacionais e internacionais e participar de seminários e treinamentos no Brasil e na Europa. Orientada pela Alzheimer’s Society em Londres em 1988, inauguramos um Grupo de Suporte para familiares em Belo Horizonte, MG. As reuniões mensais continuam até hoje e o Site que eu mantenho, www.harmoniadeviver.net.br recebe a visita daqueles em cidades distantes que buscam informações sobre o assunto.
Quais as evoluções mais importantes que surgiram nos últimos anos, no tratamento desta doença?
Melhorou a compreensão das causas da doença e algumas drogas foram desenvolvidas para aliviar sintomas. A primeira droga objetivando especificamente alguns dos sintomas da Doença de Alzheimer foi aprovada pela FDA em 1993. Atualmente, existem cinco drogas aprovados que tratam os sintomas da doença de Alzheimer – ajudando a melhorar temporariamente problemas de memória e pensamento em cerca de metade das pessoas que as usam. Mas estes medicamentos não tratam as causas subjacentes da doença de Alzheimer.
Em minha opinião outra evolução importante foi o reconhecimento de que o manejo não-farmacológico (ou Psico-social) com o treinamento e suporte dos familiares, em conjunto com a abordagem farmacológica no tratamento dos sintomas comportamental e psicológico, pode melhorar bastante a qualidade de vida daqueles com a doença e dos seus familiares. 
Quais as facetas mais cruéis da doença de Alzheimer (para a pessoa e para os familiares)?
Sempre é cruel perder a memória, lentamente sendo apagadas lembranças de uma vida inteira e das pessoas queridas, como normalmente acontece. Dependendo da idade e circunstâncias ao ser diagnosticado, a pessoa poderá sentir as perdas progressivas de forma diferente. Se ainda estiver ativa e independente irá sentir a perda da possibilidade de gerenciar a sua vida, se tornando cada vez mais dependente de familiares e outras pessoas. De acordo com os familiares que freqüentam as nossas reuniões de apoio, são as mais cruéis: a longa duração da doença, a sensação de impotência, a perda da liberdade, o esgotamento, o aumento de gastos, e os conflitos familiares que freqüentemente afloram.
Você acredita que em alguns anos teremos a cura?
Acredito sim. Muitas das novas drogas em desenvolvimento visam modificar o processo de doença, impactando um ou mais das muitas mudanças no cérebro que causam a doença de Alzheimer. Estas alterações oferecem "alvos" em potencial de novos fármacos para cessar ou retardar a progressão da doença. Muitos pesquisadores acreditam que o sucesso do tratamento acabará por envolver um “coquetel” de medicamentos destinados a vários alvos, semelhantes aos atuais tratamentos para muitos tipos de câncer e AIDS.
Em sua opinião, o governo deveria criar uma política de saúde e apoio específica para cuidadores familiares e idosos portadores de demências crônicas? Em outros países existem iniciativas assim?
Em torno de 20 países já desenvolveram o seu Plano Nacional para Demência e acredito que isto seja importante também para o Brasil, cuja população envelhece rapidamente.
Um plano governamental compreensivo para abordar as necessidades de pessoas com demência oferece um mecanismo para a consideração coletiva de um leque de questões incluindo:
•             Promover amplamente conhecimentos sobre a demência e o combate ao estigma.
•             Identificar serviços de suporte adequados para todas as fases da doença.
•             Quantificar do numero de indivíduos com demência.
•             Avaliar e melhorar a qualidade de serviços de saúde, cuidados sociais, e instituições de longa permanência (ILPIs)
•             Avaliar disponibilidade e acesso à serviços diagnósticos
•             Esforços da Saúde Pública para conduzir a fiscalização e promoção da saúde cerebral.  (Fonte desta informação: Associação Internacional de Alzheimer – ADI)
Fonte:https://portalplena.com/historia/ha-mais-de-3-decadas-judy-robbe-ajuda-pacientes-com-alzheimer-e-cuidadores-familiares-a-terem-uma-vida-digna/

Uma vida dedicada a cuidar de gente com alzheimer


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Nos primeiros anos de trabalho, Judy Robbe, 73, mantinha um telefone ligado 24 horas, para atender os familiares das pessoas com a doença – Foto: Marcos Takamatsu

Déa Januzzi
Nossos caminhos se cruzaram por volta de 2002. Eu era repórter num grande jornal de Minas e conheci Judy Robbe, uma inglesa radicada em Belo Horizonte. Ela se preocupava e trabalhava com um grupo de apoio para familiares de pacientes com a doença de Alzheimer. Altiva, nobre, educada, Judy foi fonte de diversas matérias minhas sobre esse mal irreversível, que vai destruindo a memória, apagando todas as lembranças, a história de vida dos portadores de Alzheimer.
O interesse de Judy pela doença começou quando ela foi visitar um dos filhos na Alemanha, em 1988. “Ao chegar à casa de meu filho fiquei sabendo da história dos vizinhos dele. O casal Heinemann. Sem filhos ou parentes próximos, eles moravam em uma linda casa decorada com tapetes e adornos trazidos das viagens internacionais. O senhor Heinemann era um homem inteligente e alto funcionário da linha aérea Lufthansa, falava vários idiomas, mais foi forçado a se aposentar precocemente porque apresentava sintomas da doença de Alzheimer.”
Sem conhecimento sobre o Alzheimer, “a esposa não entendia as mudanças de comportamento do marido. Não havia alguém com quem pudesse conversar ou procurar informações. Os amigos foram se afastando. Havia na casa uma adega muito bem abastecida e ela começou a usar o álcool para fugir da triste situação. Na época, meu filho se ofereceu para levar o senhor Heinemann todos os dias para passear – e algumas vezes ao chegar à casa encontrava a senhora embriagada. Depois de vários meses, a esposa ficou viciada em álcool, e o senhor Heinemann foi internado em uma instituição onde permaneceu até morrer”, conta Judy.
Impressionada com a história do casal, Judy voltou a Belo Horizonte – e criou o grupo de apoio aos familiares dos pacientes com Alzheimer por incentivo de dois amigos médicos. Ela queria melhorar a qualidade de vida dos pacientes e resolver os conflitos dos familiares que viviam os desatinos da doença. Participei de várias reuniões do grupo, entrevistei pais, filhos, esposas e maridos desesperados, sem rumo, sem norte quando era anunciado o diagnóstico. Conheci Heloisa Lélis, na época com 58 anos, mulher de Jaime, de 59 anos, com a doença há mais de quatro anos. Ele era engenheiro civil em uma construtora da capital, trabalhava no setor de finanças, até que um dia chegou para trabalhar e não sabia mais fazer os cálculos. Desaprendeu a ler e a escrever. Esqueceu os idiomas inglês e francês que dominava tão bem Não sabia mais o que eram e para que serviam a escova e a pasta de dentes, fora as mudanças de humor várias vezes ao dia que deixava Heloísa esgotada. Ao conhecer Judy, Heloisa não estava mais só. Passou a entender os caprichos, cada etapa da doença. Jaime viveu mais três anos, sob os cuidados da mulher amparada por Judy.
Aos poucos, Judy me conquistou com sua missão de oferecer mais qualidade de vida aos pacientes e seus familiares com Alzheimer. Delicada, mas segura, Judy me falou, pela primeira vez, em Testamento Vital, hoje aprovado pelo Conselho Federal de Medicina, em que cada um de nós pode lavrar em cartório, os desejos de como quer envelhecer e morrer, sem atos cirúrgicos invasivos e inúteis. Conheci Paul, o marido de Judy que assinou junto com ela o Testamento Vital – e que morreu sob os cuidados de um médico e da mulher, tudo como ele planejou. Morreu na sala de visitas da casa dele e de Judy, sem dor, sem sondas, ao som das músicas que amava, com o perfume de suas flores preferidas, ungido por óleos essenciais.
Hoje, Judy é minha amiga e cada vez mais admiro essa mulher, que vai completar 74 anos em junho. Incansável em sua luta contra o preconceito de quem tem a doença de Alzheimer, há 25 anos ela não para. Faz palestras em associações, igrejas, universidades e recebe os familiares dos doentes em sua casa para uma conversa, um chá, mais um esclarecimento.
Mas foi outro dia que fiquei sabendo como Judy veio parar em Belo Horizonte, aos seis anos. Veio com a família e o pai dela, contratado para trabalhar na Mina de Morro Velho, na região de Nova Lima. Na época, a concessão para explorar a mina era dos ingleses. Eram mais de 100 famílias inglesas, cujos filhos tinham o privilégio de serem alfabetizados nas duas línguas. De manhã, eles freqüentavam a escola de inglês e à tarde, iam para o liceu de português.
Judy ficou em Minas até os 12 anos, quando voltou para um internato na Inglaterra. Nas férias de verão voltava para visitar os pais. Quando já estava mocinha conheceu Paul, um alemão que também trabalhava na Mina de Morro Velho. Eles se olharam, se enamoraram, mas Judy teve que voltar para a Inglaterra. Durante um ano inteiro, eles se corresponderam por cartas. Foram 150 cartas que ultimamente ela anda digitando uma por uma e catalogando no computador e no seu coração.
Paul pediu Judy em casamento por carta. Mandou as alianças por carta, até que foi para a Inglaterra onde se casaram. A lua de mel foi num navio de passageiros que fazia a sua viagem inaugural para a América do Sul. Foram 16 dias de lua de mel no barco ondulando de volta para o Brasil. Era no tempo em que se quebravam as champagnes na proa do navio. Judy jamais vai se esquecer da lua de mel e na vida com Paul no Brasil, mais exatamente em BH.
Há cinco anos, ela vive sozinha, na casa construída por Paul num dos bairros mais bucólicos e privilegiados de BH. Aliás, tem Hana a cadela da raça Akita. Tem suas flores, jardins e as cinzas de Paul que foram jogadas em algum lugar da casa que ela não revela para ninguém.
Judy é assim: quando não está em reuniões, recebendo as pessoas ou postando em seu blog Harmonia de Viver, ela vai com um grupo de amigas aos asilos para cantar. E quando a gente pensa que ela está parando, ela inventa reuniões para decidir como quer envelhecer. E digo: hoje não abro mão, de jeito nenhum, de sua amizade. Mesmo que a gente fique tempos sem se falar, Judy sempre me surpreende com boas notícias.

Saiba mais: www.harmoniadeviver.net.br
Fonte:http://www.50emais.com.br/fez-da-vida-missao-de-cuidar-de-gente-com-alzheimer/

SOLIDARIEDADE


Para sempre na lembrança

Os filhos Heidi, Peter e Paul Jr.

PUBLICADO EM 28/07/12 - 21h23

PAULA SANTOS

Perder a memória pode até ser aceitável, mas, perder a dignidade não. Essa é a luta de Judy Robbe, de 71 anos, consultora familiar em sintomas de demência.

Judy Robbe e sua incansável luta pela dignidade dos idosos com distúrbios de memória e o apoio aos familiares deles


Há 25 anos, a terapeuta holística gerontóloga (estuda o envelhecimento) e tanatóloga (estuda a morte) orienta parentes de quem sofre com o mal sobre como agir diante dos problemas de memória. "O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos pacientes e familiares".
Nascida na Inglaterra, Judy mudou-se para o Brasil aos seis anos. O início da carreira foi como professora particular de inglês. No entanto, uma viagem nos anos 80 mudou a vida dela. Quando estava com o marido na Alemanha, terra natal dele, Judy soube que um amigo sofria com o mal de Alzheimer. 

A esposa, mal preparada para a doença, levou o companheiro para um abrigo de idosos. Mais tarde, ela se tornou alcoólatra. "Aquilo mexeu comigo e, quando voltei, decidi ajudar famílias que passam pela mesma situação", explica.

A consultora explica que, como em outros tipos de demência, na doença de Alzheimer, as células do cérebro morrem mais rapidamente do que no envelhecimento normal. "Isto leva a um declínio geral das habilidades da pessoa, causa perda de memória, da capacidade de pensar, raciocinar, planejar, além de comportamentos estranhos e, em muitos casos, mudanças de personalidade". Para Judy, conhecimento, compreensão, amor, paciência e toques de carinho são armas poderosas para se conviver melhor. 

No Brasil, segundo Judy, não havia material que ensinasse como lidar e conviver com as mudanças na vida de uma pessoa com problemas cognitivos. Com muita determinação, a consultora foi buscar informações no exterior e traduziu para o português. "Fiz cursos, participei de seminários e ainda estudo muito".

Início

Em 1989, Judy criou o Harmonia de Viver, grupo de apoio ao familiar da pessoa com distúrbio de memória. "Promovemos reuniões mensais gratuitas, treinamento daqueles que trabalham com idosos confusos, palestras e atendimento individual", explica. 

O grupo também oferece um telefone de informações 24 horas, além do site www.harmoniadeviver.net.br. "A tarefa de cuidar de um familiar com distúrbio de memória (Alzheimer ou doença similar) não é fácil, daí a importância de repassar o conhecimento ao próximo". 

Ana Maria Torres, de 56 anos, considera Judy uma pessoa ímpar. Os pais da artesã lutam contra o Alzheimer há muitos anos, e Ana Maria encontrou na gerontóloga o apoio de que precisava para cuidar dos pais com dignidade. "Sou a fã número um dela, que me ajudou a errar menos nos cuidados com meus pais". 

Há sete anos, Ana Maria frequenta as reuniões promovidas por Judy. A artesã explica que são detalhes mínimos que fazem toda a diferença. "Muita gente fala que a minha vida é muito difícil. Mas, difícil seria não ter meus pais ao meu lado". Para Ana Maria, não tem preço ouvir dos pais 
"bom dia minha querida". 

A artesã tem dois tios, por parte de pai, com Alzheimer. Ela conta que divide com as primas todas as informações que aprende com Judy. "Ensinar o que aprendi é muito importante".

Encontros

Durante as reuniões, os familiares têm a oportunidade de compartilhar sentimentos e experiências, além de aprender mais sobre a doença. "Ouvir depoimentos de outros que passam por situações e experiências semelhantes faz a diferença".

Judy enfatiza que o grupo não tem vinculo religioso, não discute procedimentos médicos ou medicamentos e, também, não substitui a contratação de profissionais da área de saúde. "Meu trabalho complementa o trabalho do médico e dos outros profissionais da saúde. É uma parceria".
Judy afirma que já realizou muitos sonhos, mas que ainda deseja coordenar uma casa de longa permanência. "Nela morariam pessoas com e sem recursos. Quem tivesse como ajudar, financiaria a estada dos mais necessitados", explica. 

Segundo a consultora, em Belo Horizonte existe uma carência muito grande de clínicas para idosos. "Futuramente, vamos precisar muito de casas assim, pois as famílias estão cada vez menores. Muitos idosos não têm filhos para cuidar deles. Além disso, o número de casos de deficiência cognitiva cresce com o aumento da longevidade, e é preciso se preparar para atender a esta população especial". 

Fonte:http://www.otempo.com.br/super-noticia/para-sempre-na-lembranca-1.38719

Aprendendo a lidar com o alzheimer sem preconceito

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Diante de maridos, esposas e filhos desorientados e cansados de esperar alguma ajuda para cuidar de familiares com o mal de Alzheimer, Judy Robbe costuma pegar muita gente de surpresa com uma simples pergunta, durante as reuniões mensais promovidas pelo grupo Harmonia de Viver, no Salão Paroquial da Igreja São Mateus, no bairro Anchieta.
“É uma enquete que faço periodicamente, há 25 anos. Primeiro, pergunto o que a doença trouxe de negativo para eles. Respondem que o parente não é o mesmo e que perderam a liberdade. Listam uns 30 itens de perda. Mas quando indago o que ela trouxe de positivo, a maioria me olha perplexa, como se dissesse ‘como assim?’”. 
Até que, em determinado momento, alguém levanta o dedo e destaca que a família ficou mais unida com a situação. 
“Aí, quando você vai olhar o resultado, comparando as duas listas, de positivo e negativo, elas têm o mesmo tamanho”, assinala a inglesa radicada em Belo Horizonte. Voluntariamente, ela coordena o trabalho na igreja desde a década de 1980.
Em cartaz desde quinta-feira nos cinemas da capital, o filme “Para Sempre Alice traz Juliane Moore (que levou o Oscar) no papel de uma professora que descobre estar com a doença. Convidada pelo Hoje em Dia para acompanhar uma sessão, Judy Robbe salienta que o mérito do filme é ajudar a conscientizar sobre uma doença envolvida em preconceito.
“É preciso olhar com mais atenção para esse problema, conscientizando sobre o que se passa com o doente”. Ela deixa um alerta: “Em 2030, o número de casos no mundo irá dobrar, já que as pessoas estão vivendo mais”. E enfatiza a importância de o país criar um “plano de demência”, já em prática em outros países.

A personagem de Julianne Moore é a junção de histórias envolvendo pacientes com o distúrbio
A personagem de Julianne Moore é a junção de histórias envolvendo pacientes com o distúrbio
Judy participou do fórum que resultou em filme premiado 
Judy Robbe acompanhou um pouco da gestação do livro de Lisa Genova, base do filme “Para Sempre Alice”. Lembra que, quando a internet estava engatinhando, várias pessoas, em diferentes lugares do mundo, criaram uma espécie de fórum sobre Alzheimer, que acabou se tornando uma fonte de inspiração para a história.
A coordenadora do “Harmonia de Viver” já buscava, naquele fórum, informações para serem aplicadas nas reuniões. 
Judy é autodidata e começou a se interessar pelo assunto quando um amigo alemão foi diagnosticado com a doença. “Devido ao estresse, a esposa virou alcoólatra”, lembra. De lá para cá, acompanhou o desespero de inúmeros parentes ao tentar lidar com o Alzheimer.
“Cuidar não é nada fácil. Muitos conflitos familiares são aflorados e provocam esgotamento. Não é raro ver os cuidadores adoecerem, com depressão ou doenças piores”, registra Judy, que sempre é convidada para dar palestras sobre o tema em faculdades e associações médicas.

Fonte:http://hojeemdia.com.br/almanaque/aprendendo-a-lidar-com-o-alzheimer-sem-preconceito-1.298853

Sobre demência e Alzheimer – Palavras de uma especialista – Bom saber!



Crédito de imagem: www.theoblogie.nl
Comento hoje sobre a perda de memória, como os tipos de demência e Alzheimer, doenças que preocupam e ganham importância a cada dia por todas as partes do mundo. A propósito, assisti na última quinta-feira, 30/out, em evento promovido pela Associação Brasiliense de Aposentados do Banco Central, a palestra muito interessante e informativa QUANDO A MEMÓRIA FALHA, com Judy Robbeuma inglesa residente em Belo Horizonte, gerontóloga, palestrante e consultora familiar em síndromes de demência e doença de Alzheimer, com atuação há mais de 20 anos.
A palestrante, ao discorrer sobre quatro fases desse tipo de adoecimento: 1) Fatores que afetam a memória em qualquer idade; 2) A memória no envelhecimento normal; 3) Dicas para preservar a sua memória; e 4) Cuidando da pessoa com distúrbio de memória, fez referência a situações práticas, passou informações importantes e tirou dúvidas dos inúmeros presentes. Na oportunidade, me chamou especial atenção o texto distribuído com conclusão de recentes estudos científicos internacionais a respeito de Vitamina D, dando conta de que “A deficiência de vitamina D é associada a um aumento substancial do risco para demência e Doença de Alzheimer na pessoa de idade avançada, de acordo com o maior estudo jamais feito sobre o assunto”. Desse texto, destaquei alguns pontos que gostaria de compartilhar com vocês:
–  “A equipe estudou idosos americanos que participaram no “Cardiovascular Health Study”. Foi descoberto que os adultos no estudo com uma deficiência moderada de Vitamina D apresentavam um risco 53% maior de desenvolver algum tipo de demência, e este risco aumentava para 125% no caso daqueles severamente deficientes.”
– “Resultados similares foram encontrados para a Doença de Alzheimer, sendo o grupo dos moderadamente deficientes 69% mais propensos a desenvolver este tipo de demência, pulando para 122% o aumento de risco para aqueles severamente deficientes.”
– “A demência é um dos maiores desafios dos nossos tempos, atualmente com 44 milhões de casos no mundo – um número que irá triplicar até 2050 com o resultado do envelhecimento populacional. Calcula-se que um bilhão de pessoas mundialmente sofre baixos níveis de Vitamina D que pode resultar em problemas de saúde para muitas pessoas idosas.”
– “O estudo também encontrou evidências de que existe um nível de limiar de Vitamina D circulando na corrente sanguínea, abaixo do qual significa um aumento no risco de desenvolver demência e Doença e Alzheimer. A equipe havia anteriormente considerado a hipótese de que isto poderia estar na região de 25-50nmol/L, e as novas descobertas confirmam que níveis de Vitamina D acima de 50 nmol/L são os mais fortemente associados com boa saúde mental.”
“(Fonte: Baseado em material oferecido pela University of Exeter – Referência: Vitamin D ad the risk of dementia and Alzheimer disease. Neurology, August 2014 DOI:10.1212/WNL.) “
Com esses achados, além do que já sabíamos sobre a Vitamina D, agora fica ainda mais evidente a importância dessa vitamina para os humanos e a necessidade de estarmos atentos a esse respeito. Associado a isso, e ainda no campo da prevenção de doenças que afetam a memória, ao final da palestra saímos convencidos de que precisamos criar/reforçar ao máximo a reserva de células chamadas neurônios – e para tanto existem muitas técnicas, exercícios e simples atitudes para adoção no dia a dia, a maioria das quais já amplamente divulgada – como estratégia para evitarmos ou postergarmos doenças dessa natureza!
O site Harmonia de Viver (www.harmoniadeviver.net.br), que é mantido por Judy Robbe, disponibiliza textos e informações sobre o tema demência/Alzheimer, com maior ênfase para a fase de convivência – e de cuidado – com pessoas já acometidas por esse tipo de doença. Vale a pena dar uma olhada!

O cuidado de Judy


Aos 74 anos ela atravessa Belo Horizonte dando palestras e ajudando a minimizar os conflitos familiares que surgem com o Alzheimer



Déa Januzzi - redacao@revistaecologico.com.br

"Cuidar de alguém com a doença pode levar ao esgotamento. Não é nada fácil, mas pode ser uma etapa de muito aprendizado e afeto" - Imagem: Marcos Takamatsu

Convidada a assistir a estreia do filme “Para Sempre Alice”Judy Robbe disse que “ele tem o mérito de ajudar a conscientizar sobre uma doença envolvida em preconceito”. E o mais incrível: ela praticamente acompanhou a criação do livro de Lisa Genova, base do filme. Ela lembra que quando a internet ainda estava engatinhando, várias pessoas de diferentes lugares do mundo se uniram para criar o “Fórum sobre Alzheimer”, que acabou se tornando fonte de inspiração para o livro e depois o filme.
O Fórum Dementia Advocacy and Support Network International (DASNI) é uma organização mundial para pessoas com o diagnóstico de demência, criada para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Lisa Genova é integrante de longa data e autora do romance best-seller do New York Times “Still Alice”. “Ela procurou a organização em 2004 para aprender sobre a vida das pessoas com início precoce de Alzheimer. Membros da DASNI sentiram um orgulho paternal em ‘Para Sempre Alice’, porque Genova, que é uma neurocientista, se juntou a eles para aprender o máximo que pudesse sobre o que sente e como é viver com demência, em vez de procurar seus cuidadores ou profissionais médicos. Eles foram uma espécie de consultores para o livro dela.”
Quando o livro foi lançado nos Estados Unidos, Judy mandou buscar a versão em inglês, pois ainda não tinha em português. E diz que se apaixonou pela autora, que já lançou outras obras depois.
Judy é assim: aos 74 anos, atravessa a cidade dando palestras, cursos em associações, igrejas, comunidades e faculdades. Dirige o carro de um lado a outro da cidade, amenizando os conflitos familiares que surgem com a doença.
Ela vive numa confortável casa no Bairro Alto Santa Lúcia com sua cachorra Hana, da raça Akita. E não se cansa de orientar os cuidadores de pacientes com Alzheimer que, sem apoio, podem até cair em depressão. “Cuidar de alguém com a doença pode levar ao esgotamento. Não é nada fácil, mas pode ser uma etapa de muito aprendizado e afeto”, observa. 

Assista ao trailer do filme "Para sempre Alice":

Quinta, 11 de junho de 2015

O esquecimento de nós mesmos

Conheça a doença que rouba a nossa memória, mata a nossa identidade e gera conflitos com quem mais amamos, como mostra o filme “Para Sempre Alice”



As atrizes Julianne Moore e Kristen Stewart, mãe e filha no filme: após a descoberta do Alzheimer, o fortalecimento dos laços familiares - Imagem: Jojo Whilden/Sony Pictures Classics
As atrizes Julianne Moore e Kristen Stewart, mãe e filha no filme: após a descoberta do Alzheimer, o fortalecimento dos laços familiares - Imagem: Jojo Whilden/Sony Pictures Classics

“Sei que não estou confusa nem me repetindo neste momento, mas minutos atrás, não consegui me lembrar da palavra cream cheese e estava tendo dificuldade para acompanhar a conversa entre você e seu pai. Sei que é só uma questão de tempo até essas coisas tornarem a acontecer, e o intervalo entre as ocorrências está ficando menor. E as coisas que acontecem estão ficando maiores. Não confio mais em mim mesma. Eu sei o que estou procurando, mas meu cérebro não consegue chegar lá. É como se você resolvesse que queria aquele copo de água, mas sua mão se recusasse a pegá-lo. Você lhe pede com delicadeza, você a ameaça, mas ela não se mexe. Por fim, pode ser que você consiga fazê-la se mexer, mas aí ela pega o saleiro, ou derruba o copo e toda a água na mesa.”
O diálogo entre as personagens Alice (Julianne Moore) e Lydia (Kristen Stewart), respectivamente mãe e filha, no filme “Para Sempre Alice”, resume de forma muito precisa o que é a doença de Alzheimer na percepção de quem está no momento mais brutal: aquele em que se percebe o que está perdendo apenas porque ainda não perdeu tudo. No papel principal, Julianne faz uma bem-sucedida professora de linguística que, aos 50 anos, começa a sentir os sintomas da devastadora doença.
O filme começa mostrando ela dando aulas e fazendo palestras. Sempre muito segura, aplaudida pelos que a ouvem. Sua família é estável, três filhos adultos e um marido que demonstra o amor que sente pela mulher. De repente, ela começa a esquecer as palavras. Há uma cena angustiante, quando a professora, fazendo uma corrida no próprio bairro onde mora, se perde numa das ruas. Por alguns instantes, não sabe onde está.
Diagnosticada com uma forma rara de Alzheimer, ela começa a sua luta contra a enfermidade, que não dá trégua, avançando sempre. Se a doença faz com que a professora se aproxime dos filhos, o mesmo não ocorre com o marido John (Alec Baldwin). Vendo o declínio da mulher brilhante, com quem dividiu a vida durante tantos anos, ele não consegue lidar com a nova e trágica situação.
Em geral, o Alzheimer, que responde por cerca de 70% dos casos de demência, é relacionado ao envelhecimento. A possibilidade bem mais rara de aparecer em pessoas entre os 30 e os 50 anos ficou conhecida com o filme, que deu a Julianne o “Oscar” de “Melhor Atriz” no início do ano. Uma das doenças mais assustadoras do século 21, o número de pessoas com Alzheimer vai dobrar até 2030, já que elas estão vivendo mais.
Julianne Moore, ao receber o "Oscar" de "Melhor Atriz" por sua atuação: contribuição à causa - Imagem: Reprodução Youtube
Em artigo para o jornal “El País”, a jornalista e escritora Eliane Brum, após conversas com especialistas sobre a doença, conseguiu defini-la bem: “A tragédia do Alzheimer ou de qualquer outra demência é o desaparecimento de si. Ao matar as células do cérebro, a doença assassina a memória, a ponto de aquele que é não se lembrar mais de quem é. E, assim, deixar de ser. Aos poucos, ou às vezes de forma acelerada, a pessoa passa a já não reconhecer seus filhos, o homem ou a mulher que ama ou amou, a casa onde viveu, os objetos que contam dela, as palavras de seu alfabeto, o mapa da geografia cotidiana. Sem memória não somos nada além de um invólucro de carne que não reconhece a si mesmo”. E completa: “Os doentes de Alzheimer, em estágio avançado, são vistos como aqueles que respiram mas não existem. Entre as tantas brutalidades à espreita de um corpo mortal, talvez a de que esse corpo insista em viver quando há tanto tempo já foi desabitado, esse corpo como uma casa abandonada e vazia, despida de móveis e de lembranças, seja a perspectiva mais assustadora.”
QUALIDADE DE VIDA
Numa das cenas de “Para Sempre Alice”, quando ela visita uma casa que abriga pessoas com vários tipos de demência, em busca de um lugar no futuro perigosamente próximo, a funcionária aponta para um velho que dá passos vagos com o andador e diz: “Este é o fulano. Ele fez parte da equipe que botou o primeiro satélite no espaço”.
É assim: essa doença não escolhe classe social, cor, sexo, profissão. O ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan revelou que estava sofrendo da doença de Alzheimer em 1994. Morreu 10 anos depois, aos 93 anos. Durante todo esse tempo, Nancy Reagan, mulher dele, se transformou em um símbolo da luta contra o preconceito.
Em Belo Horizonte, a estrela do filme de conscientização, informação e ajuda aos familiares dos pacientes com a doença de Alzheimer é Judy Robbe, de 74 anos. Inglesa, radicada na capital há 40 anos, Judy ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas com esse distúrbio de memória desde 1988, quando foi visitar um de seus filhos que mora na Alemanha.
“Ao chegar na casa de meu filho tomei conhecimento da história dos vizinhos dele, o casal Heinemann. Sem filhos ou parentes próximos, eles moravam em uma linda casa decorada com tapetes e adornos trazidos das viagens internacionais. O senhor Heinemann era um homem inteligente e alto funcionário da companhia aérea Lufthansa, falando vários idiomas, mas que foi forçado a se aposentar precocemente porque apresentava sintomas de Alzheimer.”
Sem conhecimento sobre a doença, “a esposa não entendia as mudanças de comportamento do marido. Não havia alguém com quem pudesse conversar ou procurar informações. Os amigos foram se afastando. Havia na casa uma adega muito bem abastecida e ela começou a usar o álcool para fugir da triste situação. Na época, meu filho se ofereceu para levar o senhor Heinemann todo dia para passear – e algumas vezes ao chegar à casa encontrava a senhora embriagada.  Depois de vários meses, a esposa ficou viciada em álcool, e o senhor Heinemann foi internado numa instituição onde permaneceu até morrer”, conta Judy.
De volta a BH e incentivada por dois médicos amigos, Judy começou a trabalhar como voluntária e criou o “Grupo de Apoio à Família da Pessoa com Distúrbio de Memória”, hoje com o nome “Harmonia de Viver” (www.harmoniadeviver.net.br). Há 25 anos, ela tenta apaziguar o desespero compartilhado pelos parentes de quem tem a doença. No salão paroquial da Igreja de São Mateus, no Bairro Anchieta, ela explica aos presentes que “a doença de Alzheimer rouba lentamente todas as lembranças e habilidades aprendidas desde a infância –  em um processo de amnésia progressiva e permanente”.
Todas as demências são caracterizadas por deficiência cerebral progressiva devido à deterioração e à morte das células cerebrais. À medida que o cérebro for afetado, a capacidade, a compreensão e o comportamento da pessoa passam por muitas mudanças. “Frequentemente, as pessoas com uma doença como Alzheimer são vistas como indivíduos com problemas de comportamento.”
Para Judy, é importante mudar o conceito de como os doentes de Alzheimer são vistos pela sociedade. “Primeiro, são pessoas com uma visão da realidade alterada devido à doença. Segundo, são pessoas cujo comportamento pode mudar, dependendo de como nós interagimos com elas. Para saber como interagir com essa pessoa, é importante compreender o que ela está vivenciando. Uma vez que entendemos a experiência de distúrbio de memória e não mais consideramos essa pessoa como um portador de problemas comportamentais, podemos enxergá-la dentro do contexto da demência. Isso permite que abordemos os cuidados sem medo. Podemos então oferecer, com amor e carinho, cuidados paliativos apropriados a alguém com uma doença grave.”

Ela lembra que o Alzheimer pode durar muito tempo, portanto, será “necessário encontrar maneiras diferentes de fazer as coisas, mas o importante é procurar alegria e esperança em cada dia.” Em uma enquete que faz periodicamente nesses 25 anos de atuação entre os frequentadores das reuniões do grupo de apoio, a primeira pergunta é sobre o que a doença trouxe de negativo. “Eles respondem que o parente não é mais o mesmo e que perderam a liberdade. Listam uns 30 itens de perdas. Mas quando indagados sobre o positivo, me olham perplexos – ‘Como assim?’. Até que alguém, timidamente, levanta a mão e destaca que a família ficou mais unida com a situação. No final, as duas listas de positivo e negativo ficam do mesmo tamanho.”

O recado de Alice

Discurso proferido pela personagem é uma das cenas mais emocionantes do filme sobre o Alzheimer


Um dos momentos mais emocionantes do filme é quando Alice vai fazer um discurso durante um evento sobre Alzheimer em uma associação e o leva escrito. À medida que vai lendo, vai marcando o que falou, para não esquecer ou ser repetitiva. São palavras marcantes, que a Ecológico reproduz a seguir:
“A poetisa Elizabeth Bishop uma vez escreveu: ‘A arte de perder não é difícil de se dominar. Tantas coisas parecem ter a intenção de ser perdidas que sua perda não é um desastre’. Eu não sou uma poetisa. Sou uma pessoa que está vivendo os primeiros sintomas do Alzheimer. E como alguém assim, estou aprendendo a arte da perda todos os dias. Perdendo minhas ideias, objetos, sono e, o mais importante, minhas memórias. Toda a minha vida, eu acumulei memórias. Elas se tornaram, de certa forma, meus mais preciosos bens. A noite que conheci meu marido, quando tive meus filhos, fazendo amigos, viajando o mundo. Tudo que eu acumulei na vida, tudo que eu tive que trabalhar duramente para conseguir, agora está lamentavelmente indo embora. Como vocês podem imaginar, ou como sabem, isto é o inferno. Mas ficará pior. Quem levará a gente a sério quando quisermos trabalhar? Nosso estranho comportamento mudará as nossas percepções e as dos outros sobre nós. Nos tornaremos ridículos, incapazes, engraçados. Mas isso não é o que somos. Esta é a nossa doença. E como toda enfermidade, tem uma causa, uma evolução, e poderia ter uma cura. Meu maior desejo é que meus filhos e as próximas gerações não tenham que passar pelo que estou passando. Mas ainda estou viva. Sei que estou viva. Tenho pessoas que me amam. Tenho coisas que ainda quero fazer na vida. Eu luto comigo mesma por não conseguir lembrar as coisas, mas eu ainda tenho momentos de felicidade e alegria. E, por favor, não pensem que estou sofrendo. Eu estou lutando para ser parte das coisas, para estar conectada com quem eu fui. Fico me perguntando se viver o momento é tudo que eu posso fazer.  E não tentar ser eu mesmo demais para dominar a arte de perder. Uma das coisas que vou tentar guardar na memória é o momento de estar falando aqui hoje. Eu vou esquecer, eu sei, e isso pode acontecer amanhã. Mas significa muito para mim estar aqui. Assim como minha antiga ambição, de ser fascinada por comunicação.”

A força que vem de Deus

Conheça a história de Tânia Gatte, que cuida da mãe e do marido, ambos com Alzheimer



Segundo Tânia, cuidar da mãe e do marido a transformaram em uma pessoa melhor - Imagem: Sanakan
Segundo Tânia, cuidar da mãe e do marido a transformaram em uma pessoa melhor - Imagem: Sanakan

Conhecer Tânia Regina Leroy Gatte, de 58 anos, é estar perto de Deus. Aposentada pela Cemig, ela dedica a sua vida a cuidar da mãe, Delorme Marcelos Leroy, de 88 anos, com Alzheimer em estágio avançado – e do marido, Rosivaldo Barbosa, de 57, na fase inicial da mesma doença. A mãe não anda mais. Está na cama há dois anos, ouve mal, não enxerga por causa de um glaucoma, não fala, não se alimenta nem consegue fazer suas necessidades físicas sozinha. Não faz xixi há tempos, por isso Sônia tem que passar a sonda três vezes ao dia.
A alimentação é específica. Toma mingau de manhã, sucos com espessantes de hora em hora, até chegar à vitamina bem batida no liquidificador às 16h. Adora banana amassada com mel. Então, continua com os líquidos com espessantes, para que não engasgue ao engolir. Antes de dormir, outra vitamina. E cerca de 20 remédios todos os dias.
Nem tente falar com Tânia na parte da manhã, pois ela está cuidando da mãe e do marido, que há cinco anos apresentou os primeiros sinais de Alzheimer. Como a mãe de Tânia, que começou esquecendo as receitas dos bolos que levava para comer com as amigas das aulas de hidroginástica e natação. “Um dia, ela esquecia de colocar o açúcar, no outro não se lembrava da farinha de trigo, até que me pediu para fazer o bolo”. 
O marido de Tânia, por sua vez, teve que parar de dirigir automóvel, não mais conseguia consertar o que estragava dentro de casa, tarefa que desempenhava com maestria.  Depois começou a gastar muito, detonou o cheque especial. E hoje não encontra mais nem o caminho do banheiro. Ele se perde entre a sala e o banheiro. Começou a se perder dentro da própria casa. Não faz mais suas necessidades físicas sozinho, não sabe ligar nem desligar a televisão, não fala ao telefone nem consegue tomar banho. Tânia tem que ajudá-lo em tudo. Com uma diferença da mãe, Rosivaldo é muito novo, tem energia e é forte. Exige mais da mulher, que sabe: “Quando a doença se manifesta cedo, o resultado é galopante, enquanto na pessoa mais velha pode durar 20, 30 anos”.
A mãe ensina à filha todo dia a ser uma pessoa melhor. “É Deus”, reconhece Tânia, “quando você pensa que não tem mais força, ela aparece de repente, porque ela foi uma mãe carinhosa, maravilhosa e hoje sou eu que cuido dela. Trocamos os papéis. Hoje, sou eu que dou colo para minha mãe e, apesar de ela não falar, reconheço os sinais. Até pelo olhar sei se ela está precisando de alguma coisa”.
Há 10 anos com a doença de Alzheimer, a mãe de Tânia começou perdendo a memória das mínimas coisas, depois passou a gastar em excesso, a comprar tudo o que lhe ofereciam, a esquecer de pagar, abrir o portão de casa sem saber quem era, a receber qualquer comprador que aparecesse. “Exploravam a minha mãe de todas as formas, então, tive que tomar o cheque e correr atrás dos que estavam se aproveitando dela. Por último, tive que trazê-la para morar comigo, mudança que ela não gostou.  Durante um ano foi muito difícil, ela chorava o dia inteiro e eu como qualquer pessoa normal tenho que confessar que às vezes perdia a paciência. Tive que procurar ajuda, porque foi um período muito sofrido para ela e para a minha família.”
Para evitar as saídas exaustivas com a mãe, Tânia recebe os médicos em casa, graças ao convênio médico da empresa onde trabalhou. Dona Delorme tem fisioterapeuta três vezes por semana, médica geriatra quando necessita, dentista para limpar os dentes, fonoaudióloga para ver se ela está engolindo direitinho – e até nutricionista.
Como é que Tânia encontra forças para tudo isso? “Sou uma pessoa de fé e nada acontece por acaso. Acredito que essa doença é um tratamento espiritual não só para o doente, mas para toda a família. Para minha mãe, que sempre foi muito amargurada por não ter sido criada pela mãe dela, o Alzheimer adormeceu essas lembranças negativas. Ela ficou mais leve. Para mim, a doença dela me fez lembrar de que eu era uma Tânia antes e hoje sou outra pessoa. Fiquei mais tolerante e paciente”.  Adepta da doutrina espírita há mais de 30 anos, Tânia reconhece que a doença da mãe e do marido a tornaram uma pessoa melhor.
Ela não sai mais, não passeia, não tem muito tempo para diversão, mas se cuida. Faz pilates duas vezes por semana, voltou para as sessões de psicanálise e tem uma pessoa que a ajuda de dia e outra à noite, mas reconhece que sua missão vai além da matéria. “A gente nasce e vem neste mundo para a evolução do espírito. A matéria é só um meio dentro das infinitas oportunidades de crescimento espiritual.”
Como um ser humano normal, ela tem os seus dias ruins. “Aí, eu apelo para uma pitada de bom humor, canto, debocho de mim mesma, pois tenho uma visão otimista de tudo. Sempre procuro ver o melhor ângulo de tudo e assim vou vivendo”. Tem dias que Tânia procura o grupo de apoio de Judy Robbe. “Lá, a gente aprende muito, troca ideias. Percebe que tem outras pessoas vivendo o mesmo, um conforta o outro. É um apoio incondicional”. Mas ela sabe que “a força maior vem de Deus”.

Fonte:http://www.revistaecologico.com.br/materia.php?id=92&secao=1575&mat=1793

Como conviver com pessoas com Alzheimer


April 2, 2017
Compreensão, compaixão e amor envolveram Judy Robbe em uma missão especial: ajudar a quem convive bem de perto com Alzheimer


Ao visitar um de seus filhos em uma cidade da Alemanha, Judy Robbe conheceu um casal de vizinhos. Tratava-se de um casal de idosos, com aproximadamente 60 anos de idade. Eram cultos, moravam em um bela casa decorada com objetos comprados em viagens pelo mundo e viviam felizes. No entanto, Sr. H., apresentava à época, sintomas de demência.

Sua esposa, encontrou na bebida alcoólica uma saída para o que não conhecia: ela não conseguia lidar com a doença do marido: o Alzheimer o consumia. Sr. H. acabou sendo internado em um clínica, local em que permaneceu até os seus últimos dias.

Incentivo de amor

Incentivada e tocada por esta história, Judy voltou à Belo Horizonte - cidade em que escolheu para viver, e, motivada por dois médicos amigos, iniciou um trabalho voluntário: desenvolveu o Grupo de Apoio à família da pessoa com Distúrbio de Memória.

¨Escrevi à Alzheimer’s Society em Londres, explicando que não havia até então qualquer tipo de ajuda para as famílias e fui orientada passo a passo na elaboração do um Grupo de Suporte, que teve início em Belo Horizonte em 1989¨, conta a especialista no assunto.

De acordo com Judy, a instituição enviou a ela muito material em inglês sobre como lidar no dia a dia com as mudanças de comportamento que a doença costuma causar. ¨Estes eu traduzi para distribuição gratuita, porém despertaram o meu interesse no assunto “Demências” que passei a estudar, e desde então participando de cursos, seminários e conferências no Brasil e na Europa¨, acrescenta.










Fonte:https://www.elanvital.com.br/single-post/Como-conviver-com-pessoas-com-Alzheimer


Reportagem: Terapia da boneca (Publicada no Jornal Estado de Minas, em 22/07/12).


Libéria Paixão, de 87 anos, não desgruda do seu bebê. Sob os cuidados da filha Cláudia, ela ficou mais calma  depois do tratamento.

Ora Pedrinho, ora Regina. O sexo do bebê pouco importa para Libéria Paixão, de 87 anos, há 6 diagnosticada com Alzheimer. No seu colo, a boneca com traços de um neném de verdade representa dias mais felizes desde que ficou acamada e conheceu a fase mais avançada da doença que prejudica as funções cognitivas, o comportamento, principalmente a memória.

A Baby doll therapy ou Terapia da boneca, usada nos últimos 15 anos para dar conforto a pacientes com demência, tem alcançado resultados promissores para a qualidade de vida dessa população e seus familiares.

Pesquisa realizda no Newcastle General Hospital, na Inglaterra, revelou o aumento do comportamento positivo e diminuição dos casos de agressão depois da introdução das bonecas, confirmando estudos anteriores que apontam resultado efetivo na promoção de humor. Outro estudo divulgado também na Nursing Times revelou queda na dependência de psicóticos após a chegada das bonecas.

Na Ashcroft Care Home, uma casa de idosos de Derbyshire, também na Inglaterra, o número de dependentes desse tipo de medicamento caiu de 92% para 28%.

Adepta do método há três anos, Libéria não desgruda do seu bebê. Segundo a filha Cláudia Paixão, de 56 anos, tudo começou quando ela começou a confundir a almofada que lhe apoiava na cama com uma criança.

“Era um rolinho de espuma, que colocávamos atrás de suas costas para sustentá-la. Às vezes ela olhava para trás e chamava a almofada de neném. Quando jogávamos o objeto na cama ao lado ela alertava: "Cuidado, vocês vão machucar esse menino”, lembra a contadora aposentada, que no início teve dificuldades de presenciar a mãe conversando com o bebê durante a noite como se fosse filho.

Para Judy Robbe, coordenadora do grupo de apoio Harmonia de Viver e com mais de 25 anos de experiência na promoção da qualidade de vida de pacientes com demência, esse é ainda o principal problema para os familiares. Mas, uma vez descobertos os benefícios, encaram a cena com tranquilidade. “Ver minha mãe cuidando do bebê era quase inaceitável. Sofri ao sair da loja com o bebê, mas ela gostou tanto que aceitei. Há três anos mamãe segura a boneca como se fosse um filho. Só se separa dela para tomar banho. Ela ficou mais calma, dócil, mais fácil de lidar. Está alegre e em paz com o bebê”, conta Cláudia.

Descoberta em instituições de longa permanência, a terapia é indicada para as fases intermediária ou avançada de demência, entre elas a Doença de Alzheimer. Segundo Judy, muitas pacientes acostumadas a cuidar dos filhos, do marido e dos pais, no passado, se sentem sem um papel depois da doença. “Com o bebê passam a ter um novo sentido para viver e se sentem úteis. Vários estudos confirmam que o bebê pode acalmar o idoso ansioso e estressado. Funciona ainda como ferramenta de interação social, servindo como porta-voz do idoso. Se ele diz que neném está triste, pode ser ele que tenha tal sentimento”.

MATERNAL - O resultado que Judy tem visto nas senhoras mineiras que adotaram o método confirma o que descreve a literatura científica sobre o assunto. Os últimos resultados de pesquisa, por exemplo, sugerem que a boneca traz boas lembranças do tempo em que aquela idosa era mãe, preenchendo uma necessidade maternal. “São memórias positivas das noções de amar e ser amado, de ser necessária, de sentir que alguém ainda precisa dela. É algo inconsciente, mas que permite revelar emoções reprimidas. Os cuidados com o bebê assumidos pelo idoso estimulam a comunicação entre parentes e funcionários”.

Libéria, por exemplo, não se alimenta sem perguntar se o bebê já comeu. A filha e as cuidadoras trocam a roupa da boneca com frequência , para que acredite que já tomou seu banho. “Valeu a pena. O Alzheimer é muito trite, porque o paciente fica nervoso, tem surtos. Mamãe  ficou um doce de pessoa, é como se tivesse encontrado algo que procurava há tempos. Ela está realizada. Acho que é uma regressão, uma volta à casa cheia de crianças do início do casamento, um momento bom do passado. É bom que nesse momento mais difícil  ela se lembre da fase em que foi mais feliz”, diz Cláudia.   
                                                                                                                                               
Método necessário

Recurso que visa dar mais conforto ao idoso e familiares, a terapia da boneca precisa de métodos. Sua introdução, por exemplo, tem que ser cuidadosa, respeitando a reação do paciente. Segundo Judy, não se deve apresentar a boneca em uma caixa de presente. “É preciso testar se está na hora, se ela vai gostar de interagir com o bebê”, alerta. Uma das maneiras é perguntar se ela pode segurá-lo por uns minutinhos para ajudar a cuidar da criança e observar a reação. “No início, é melhor que acredite que está ajudando a cuidar do bebê de alguém”. Ela pode se estressar com a responsabilidade de cuidar de alguém sozinho”.

Outra opção é deixar o bebê sobre uma cama ou poltrona, sem entregar-lhe diretamente a tarefa. Judy costuma testar a reação das pacientes e ver se estão prontas com sua própria boneca. Patrícia, vestida como uma criança. !Uma vez, cheguei na casa de uma senhora para avaliar se seria um bom recurso naquele momento. Fiquei conversando com ela com meu bebê no colo e em certo momento perguntei se podia cuidar dele enquanto ía ao banheiro. Ela não quis, disse que não gostava de criança. Já estava em uma fase intermediária, quando a boneca já tem efeito terapêutico, mas não era o caso”.

A boneca deve ser de tamanho e peso semelhantes ao de um bebê. A ideia é que seja visto como uma criança de verdade que não merece cuidados e não como uma boneca com a qual pode brincar. Infantilizar o idoso é contraindicado, mas perceber um comportamento infantil no paciente não significa que está sendo infantilizado. “E sempre é bom lembrar: a boneca não traz a cura, a pessoa não voltará a ser o que era antes, mas se sentirá mais confortável”.

Fonte:http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/noticias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/57/reportagem:_terapia_da_boneca___publicada_no_jornal_estado_de_minas,_em_22_07_12_.


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Judy Robbe

Conexão de 1º grau

Dementia Coach

Harmonia de Viver

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil


Coordenadora

Nome da empresaHarmonia de Viver

Período1988 – o momento

 

Duração do emprego30 anos

Reuniões mensais do Grupo de Apoio à família da pessoa com Doença de Alzheimer, palestras, treinamento dos cuidadores, aconselhamento familiar personalizado, em Belo Horizonte, Brasil.