A DANÇA E O SAGRADO NA ÍNDIA


Alunas do centro Kerala Kalamandalam fazem perfomance da dança mohiniattam em Thrissur, no Estado de Kerala, em 22 de dezembro | Andrea MohinThe New York Times

As danças da Índia ampliaram minha ideia da própria dança, o que ela pode ser e significar.
Duas vezes nos últimos anos fiz viagens de quatro semanas ao país. A maior lição que tirei da primeira viagem (fevereiro-março de 2012) foi que a dança exerce um papel mais fundamental na cultura indiana que em qualquer outra que já conheci.
Em todo o país os deuses são retratados dançando, e a dança de Shiva é cosmológica.
A descoberta principal de minha segunda visita (entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015) foi que a dança na Índia cobre um espectro muito mais amplo que em qualquer outra cultura.
Para explicar, vou me deter sobre apenas oito dias, entre 18 e 25 de dezembro. Passei o dia de Natal em Mumbai, assistindo a um musical de Bollywood, “PK”, em que um alien canta e dança ao apaixonar-se pela heroína.
Eu tinha estado em Kerala entre 18 e 22 de dezembro, assistindo às danças mohiniattam, kathakali e theyyem.
A mohiniattam (só de mulheres) e a kathakali (só de homens) estão entre as danças clássicas da Índia. Embora a kathakali e a theyyem estejam entre as mais estranhas, elas hoje ocupam lugar de destaque nas imagens criadas para atrair turistas, devido à maquiagem exótica e pitoresca dos dançarinos.
Dança homérica em sua métrica épica, seu drama repleto de personagens e a variedade de suas cores intensas e dramáticas, a kathakali só se tornou uma revelação para mim nesta viagem, e eu acabaria retornando a Kerala para renovar o contato com ela.
Na noite de 19 de dezembro, correndo de táxi de uma extremidade em Thrissur (onde acontecia e uma longa e exuberante apresentação de dança kathakali ao ar livre) a outra (para ver alunas do centro Kalamandalam dançando a forma mohiniattam) e voltando novamente, o cenário de dança me pareceu tão agitado quanto o de Nova York.
Eu retornaria também para pesquisar melhor a dança theyyem, que, embora não seja a experiência de dança mais fascinante que já tive na minha vida, foi de longe a mais estranha.
Como a dança kathakali, a theyyem é uma arte com homens usando maquiagem extraordinária e figurinos complexos.
A maquiagem facial é principalmente vermelha, mas há desenhos internos complexos e os olhos são delineados de modo drástico. Em um caso, presas metálicas saíam da boca do dançarino. Como os figurinos, a maquiagem indica qual dos deuses locais está sendo representado.
E é assim que dançam os bailarinos —usando roupas pesadas, coloridas e que restringem fortemente seus movimentos.
Os passos não são complexos, mas rítmicos; o dançarino se desloca e gira no espaço; no rosto, apenas os olhos se movem, transmitindo veemência.
Os passos e a mobilidade das danças não possuem nada do fascínio formal dos gêneros clássicos indianos, mas possuem uma força atrofiada que se fixa na memória do espectador.
A theyyem é apenas um exemplo surpreendente da sociologia da dança indiana. Uma imagem mais arquetípica do país, mas que agora está ficando no passado, é a da dançarina do templo.
Para os profissionais do balé, a figura da “bayadère”, ou dançarina do templo, é a ideia central que eles têm da dança indiana —em especial a de Nikiya, a heroína do balé clássico “La Bayadère” (1877) e dos bailarinos que retratam o Reino das Sombras.
Mas a verdade histórica das bayadères vem da tradição indiana secular das “devadasis”: mulheres dedicadas ao templo desde sua infância, algumas delas como dançarinas e/ou instrumentistas musicais, outras como prostitutas e ainda outras cumprindo todas essas funções.
Embora não existam mais dançarinas do tempo, há dança que acontece em templos. Em 20 de fevereiro de 2012, em Tamil Nadu, assisti a um festival de dança no templo de Chidambaram no dia do ano em que o grande deus Shiva é homenageado como Nataraja, senhor da dança cósmica.
Chidambaram é o templo mais associado a Nataraja, cuja dança assinala a transformação, destruição e renovação. As estátuas do deus o mostram equilibrado sobre uma perna, dentro de um arco ou círculo de fogo.
Algumas das implicações de sua postura são o movimento dentro da imobilidade e a imobilidade no interior do movimento.
O sagrado e o profano, o movimento e a estase, a renovação e a destruição: a cultura indiana se compraz nos dualismos, e a dança está ao seu cerne.

Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/new-york-times/a-diversidade-das-dancas-da-india-ezinp14gbobq0zqc76e70iowk


















































































































A DANÇA SAGRADA NA ÍNDIA



POR 

O padrão clássico se desenvolveu ao longo dos séculos, nascendo entre os devadasis – bailarinos que exibiam sua arte no interior dos templos, com suas existências dedicadas somente ao culto do deus Shiva, ingressavam como aprendizes, na infância. A partir de então, as bailarinas transformavam-se em esposas da divindade, contraindo matrimônio com o deus em um ritual semelhante ao tradicional casamento indiano.


Existe uma teoria muito reverenciada na tradição hindu, a de que a dança não teria sido uma criação humana, mas divina. De acordo com os Vedas - textos sagrados - a humanidade aprendeu a dançar através dos momentos de oração. Os deuses eram dançarinos, e davam prova de sua existência ao longo das eras, por meio da dança.
Natyashastra é um dos mais completos tratados sobre as apresentações teatrais. Escrito pelo dramaturgo da Índia, Bharata, demonstra todos os elementos como música, dança e outros aspectos da encenação.
Escrito em sânscrito, vasto tratado consistente que explica a própria natureza, objetivo e extensão de natya como Veda através de um mito único. Natyashastra é a representação dos quatro elementos a saber: Pathya ou de texto, incluindo a declamação e interpretação; o outro é gita: músicas, incluindo a instrumental, do Sama Veda, abhinaya ou agir - a técnica de expressar o significado poético do texto e comunicá-la ao espectador do Yajur Veda, e rasa ou experiência estética do Atharva Veda; o anukarana ou 'refazer' do universo triplo e vida em sua totalidade, mas em última análise, é o anukirtana de bhava ,ou seja, os estados emotivos, a fim de criar um novo mundo de imaginação.


© obvious: http://obviousmag.org/sphere/2014/01/danca-indiana.html#ixzz5CRqIdgac 




A posição vrscikakuttitam karana executada por uma dançarina da escola de dança Sri Devi Nrithyalaya
história nos conta que a origem da dança clássica indiana se deu juntamente com o surgimento do teatro clássico indiano através de uma escritura chamada Natya Shastra.[1] Natya é a junção de drama (atuação), música e dança; Shastra quer dizer "escritura". É dito que o Natya Shastra foi composto pelo próprio deus Brahma, o senhor da criação, e que, para sua composição, foram extraídos textos dos quatro Vedas. Por tal motivo, o Natya Shastra também é chamado de Natya Veda, já que, para confeccionar o Natya Shastra, Brahma incorporou todas as artes e ciências que havia nos Vedas. Do Sama Veda, ele retirou a música; do Rig Veda, a poesia e a prosa; do Yajur Veda, o gestual e a maquiagem; e, finalmente, do Atharva Veda, a representação dramática.
Originalmente, a dança era apresentada dentro dos templos em uma sala especialmente construída e chamada de Natyamandapa. Era executada por mulheres chamadas de DevadasisDeva significa Deus e dasi, serva: portanto, a dança era considerada uma oferenda aos deuses, assim como a comida, as flores etc.[2]

A técnica da Dança Indiana

A dança clássica indiana é dividida em Nritta (dança pura ou abstrata) e Nrittya (dança expressiva):[3]
  • Nritta é composta de movimentos baseados no ritmo e na música e não possui significado, tendo um caráter puramente decorativo e abstrato. Os itens de dança pura, como são chamados, possuem complicados padrões rítmicos e diferentes medidas de tempo nos ciclos métricos. Em Nritta, a ênfase é nos movimentos puros de dança, criando padrões no espaço e no tempo sem nenhuma intenção especifica de projetar qualquer emoção. Os movimentos são criados pelas várias partes do corpo para produzir beleza estética. A unidade básica da dança é chamada de Adavu, que quer dizer "combinação", e, no caso da dança pura, combina passos e gestos chamados de Nritta Hastas.
  • Nrittya é composto de Hastas e Abhinaya, que são usados para contar histórias através da expressão das mãos, do rosto e do corpo. A palavra hastas quer dizer "mão" e os principais hastas (ou mudras) usados em Nrittya são os Asamyukta (simples) e os Samyukta(compostos). Abhinaya é uma síntese de vários aspectos do processo dramático. Normalmente, esta palavra é traduzida como "atuar" ou "educar". Há quatro tipos de Abhinaya citados nas escrituras: AngikaVacikaAharya e SatvikaAngika se refere às expressões do corpo; Vacika, à fala ou canto; Aharya, à caracterização; e Satvika se refere ao comportamento das personagens, a expressão da graciosidade e a emoção propriamente dita. Rasa e Bhava são os principais componentes de AbhinayaRasa quer dizer "sabor" e Bhava, "sentimento" ou "emoção". As principais expressões do rosto são chamadas de Nava Rasas e são compostas de: Sringaram (amor), Veeram (heroísmo), Karuna (tristeza ou compaixão), Adbhuta (maravilhamento), Raudram (ira), Hasya (humor ou comedia), Bhayanaka (medo ou pavor), Bibhatsa (nojo) e Shanta (paz).

Os estilos de Dança Clássica Indiana

Atualmente, existem oito estilos considerados clássicos na Índia:
Commons
Commons possui imagens e outras mídias sobre Dança clássica indiana

Referências


  1. Ir para cima Dança clássica indiana. Disponível em http://www.dancaindiana.com.br/danca-indiana/. Acesso em 29 de maio de 2014.
  2. Ir para cima História do mundo. Disponível em http://www.historiadomundo.com.br/indiana/danca-classicas-indianas.htm. Acesso em 29 de maio de 2014.
  3. Ir para cima Dança clássica indiana. Disponível em http://www.dancaindiana.com.br/danca-indiana/. Acesso em 29 de maio de 2014.
  4. Ir para cima Infoescola: navegando e aprendendo. Disponível em http://www.infoescola.com/danca/indiana2/. Acesso em 29 de maio de 2014.

Fonte: Wikipédia

Dança Indiana – O que é ?

A Dança Indiana compreende os variados estilos de danças do país. Tal como acontece com outros aspectos da cultura indiana, as diferentes formas de danças originou em diferentes partes da Índia, desenvolvido de acordo com as tradições locais e também absorviam elementos de outras partes do país. As danças folclóricas são numerosos em número e estilo, e variam de acordo com a tradição local das regiões e respectivo estado, étnicas ou geográficas. Características da dança indiana Um movimento do corpo estilizado O que primeiro chama a atenção é o ritmo da dança. É um ritmo que poderíamos qualificar como estranho, longe das danças europeias e africanas mais familiares. Qualquer dança tem, por definição, um ritmo inerente, mas aqui toda a dança é construído em torno do ritmo. Dança Africano também pode ser muito rítmico, mas o ritmo é menos geométrico, mais humano. O ritmo da dança indiana aparece como não-humano. Podemos reconhecer diretamente dança indiana entre outras danças tradicionais, porque é um movimento muito estilizado do corpo. Seu primeiro objetivo é um visual: os gestos são muito artísticas e agradável de se ver. Gestos, traje e ornamentos estão todos lá para agradar aos olhos. Enquanto traje e ornamento são apenas acessórios, o movimento alcança além olho do observador e marca o ritmo em sua percepção. Dança indiana é orientada para o público. Se humano ou sobrenatural, visível ou invisível, a audiência é em delírio. Cada gesto sucessivo do bailarino é uma surpresa para os olhos. Em frente a dançarina, que pode ser de espanto constante, quase hipnótico fascínio. Dança indiana não faz uso de gestos naturais do corpo. Todos os gestos são completamente transformada. É uma nova linguagem para aprender, um sistema técnico e estético de memorizar. A dança não reproduz, gestos cotidianos ordinários do organismo. Esta é uma alusão à definição da dança: tem um ritual, dimensão sobrenatural e divina. Diferencia-se das atividades banais. Mesmo quando um gesto doméstico é reproduzida, quando descreve uma cena, ela é executada de uma forma estilizado, integrado no ritmo da dança e qualidade estética. Andar a pé e outros tais ações comuns são muito diferentes dos seus equivalentes dançavam. Dança indiana nunca desiste retratos realistas. Dança Indiana – Origem Dança Indiana Segundo a tradição hindu, a dança não foi uma criação humana, mas divina. De acordo com os Vedas, textos sagrados do hinduísmo, a humanidade aprendeu a dançar aravés da relação divina. Os deuses eram excelentes dançarinos, e a sua arte marcava todos os momentos da existência ao longo das eras. A dança não era apenas uma expressão da dinâmica universal, mas a própria dinâmica em si. É quase impossível, portanto, dissociarmos a dança de valores eternos advindos da religião. Existem várias versões sobre a origem da dança vamos sinetizar em quatro: 1 – O conquistadores Arianos afirmam que a dança foi criada por Brahmam. 2 – Os povos que viviam na Índia antes da invasão ariana os Dravidianos afirmam que a dança foi criada por Shiva. O mais antigo deus da Índia seu culto é mais popular no Sul. Segundo a mitologia, foi na cidade de Chidambaram, Estado de Tamil Nadu –Sudeste da índia-, que Shiva teria colocado o universo em movimento por meio de sua dança. Shiva Nataraja – o Senhor dos Dançarinos. 3 – A filisofia Vaishnava aponta Krishna como criador da dança. 4 – O sistema devadasi. As mulheres celestiais, apsara, como criadoras da dança hindu. Dançavam nas festividades dos céus, e visitavam a terra. Todas as versões tem de agum modo, suas raízes nos dois tratados de dança Natya Shastra e Abhinaya Darpanam, considerados os textos mais antigos sobre a dança hindu. NATYA SHASTRA =(tratado sobre o Teatro). Escrito pos vola do século II a.C., é o mais antigo existente sobre as artes cênicas. Enciclopédia sobre teatro, detalhando todos os aspectos envolvidos em uma apresentação artística, por exemplo, as cores adequadas para a maquiagem, os tipos de movimentos de cada parte do corpo e a maneira correta de construir o palco em suas proporções exatas. ABHINAYA DARPANAM = de Nandikesvara – é um manual de gestos e posturas de dança e drama datado do século III d.C.. A palavra chave é Abhinaya, ligada à comunicação de um sentimento a uma platéia. Abhinaya significa o despertar dos 9 sentimentos chamados navarasa por meio das expressões faciais: surpresa, repulsa, coragem, amor, medo, fúria, serenidade, compaixão. A palavra abhinaya pode também significar o desvelamento da beleza ou dos vários aspectos da representação por meio das palavras, gestos, maquiagem, figurinos, cenários, etc. DARPANAM = espelho,que ajuda o expectador ver toda a linguagem articulada no palco e compreender sua condição pessoal. ADAVU = CORPO EM AÇÃO – é a unidade básica da estrutura da dança Bharatha Natyam, os movimentos do corpo, por meio dos quais a dança é criada. A paravra “adu” significa “jogar” ou “dançar” nas línguas do sul da India. Adavu simboliza o movimento básico ou passo de dança. Os adavus resultam das combinações de “anga”, “upanga” e “pratyanga”. Estas são as três partes em que, segundo a tradição da dança, o corpo humano pode ser dividido. Anga se refere ao um conjunto formado por cabeça, mãos, tórax, cintura, bacia e pernas. Pratyanga se refere aos ombros, braços, estômago, coxas, joelhos e punhos. Upanga se refere a olhos, sobrancelhas, pálpebras, boca, mandíbula, lábios, língua, queixo, nariz. Os adavus fundamentais, segundo o Natya Shastra, são Sthanaka e Nritta Hasta. Sthanaka é a posição inicial da dança, com pés unidos e pernas esticadas. Ardha Mandi ou Ayata Mandalam posição com pés e joelhos voltados para fora (joelhos em grande flexão). O conjunto de movimentos de mãos, pés e todo o corpo quando o bailarino realiza o adavu recebe o nome de chari. Dança Indiana – Clássica Dança Indiana A dança na Índia é de pelo menos 5000 anos. Uma estátua de uma menina dançando foi encontrada nas ruínas de Mohenjodaro e é datado do século 2 aC aproximadamente. Muitos grupos dessa dança representam sequências das pinturas da cavernas Bhimbetaka de Madhya Pradesh. O apsaras (Celestials) dançarinos estão esculpidos no gateways de Sanchi. As pinturas de Ajanta e Ellora, as esculturas de Khajuraho, paredes de templos da dinastia Hoysala, é ampla evidência de popularidade da dança indiana desde os tempos antigos. Através dos séculos as danças têm sido utilizadas como um veículo de culto e de expressão de emoções na Índia. Os bailarinos (Devadasis) levaram uma vida muito austera, a fim de executar danças sagradas para agradar aos deuses e deusas. O sistema ainda é prevalente em alguns estados da Índia. Em Karnataka são dedicado à Deusa Yellamma de Savadatti. Em Orissa, são nomeados para executar várias atividades do templo. O Português viajante, Domingo Paes visitou o Vijayanagar reino em 1520-22 dC e deixou para trás uma vívida descrição dos bailarinos que ele viu no reino. Suas crônicas originais foram preservadas na Bibliothèque Nationale de France, em Paris. Ele visitou salas especiais de dança onde os jovens bailarinos do sexo feminino foi dada uma formação intensiva. As paredes estavam decoradas com pinturas representando várias danças que ajudaram a coloca os dançarinos para corrigir os seus passos. O rei, Krishna Devaraya é muito interesse na sua dança educação e esse local é visitado periodicamente pelos bailarinos. Durante as celebrações da Festa Navaratri a dança foi dada grande importância. Os dançarinos eram enfeitados com inúmeros ornamentos, feitas de ouro, pérolas e diamantes. “Às vezes as jóias que usavam eram tão pesado que os bailarinos eram apoiados pelas demais mulheres que os acompanhavam”. Dança na Sociedade Indiana Nataraja, o deus Shiva dançando, é a suprema manifestação da dança indiana. A lua que adorna em sua cabeça, o símbolo que é o controle completo dos sentidos. As serpentes ao redor do corpo dele é a prova de seu controle completo sobre forças vitais. Seus pés elevados é um símbolo de triunfo sobre o ego. O seu conteúdo temático são baseados na mitologia do país. A técnica é baseada na dança de alguns antigos tratados, como o Natya Shastra do sábio Bharata, que foram escritos há quase dois milênios. A dança indiana consiste em três tipos distintos. “Nritta” é pura e simples dança com movimentos de tronco e pernas. “Nritya” está relacionada com expressões faciais, gestos manuais e corpo simbólico. “Natya” tem os elementos de um drama que é introduzido através da utilização fala muda. Todos os tipos envolvem o uso de “mudras”, que são tipos de gestos bem desenvolvidos durante a dança. Os bailarinos utilizam todo o seu corpo para se comunicar com o público. As principais danças clássicas indianas são: Bharata Natyam, Kathakali, e Kathak manipuri, Kuchipudi, Odissi e Mohini Attam. Além disso, existem inúmeras danças folclóricas e tribais espalhadas por todo o país. Dança Indiana – Clássica Dança Indiana A dança indiana clássica, uma das mais antigas expressões teatrais do mundo, nunca esteve tão atual como nos dias de hoje. Para aprender a dança indiana, a bailarina precisa não apenas de uma grande dedicação técnica, mas, principalmente, de uma profunda e perfeita integração entre o corpo, a mente e o espírito. Entre as modalidades clássicas de danças indianas, o Bharatanatyam, cujos movimentos foram detalhadamente descritos no Natya Shastra, considerado o mais antigo texto existente sobre teatro, é a mais tradicional. Escrito em sânscrito, por volta do ano 2000 A .C., o Natya Shastra, composto de 36 capítulos com 6.000 versos e algumas passagens em prosa, tem sua autoria imputada ao sábio Bharata Muni, embora na Índia sua concepção seja atribuida ao próprio deus Brahma. O primeiro ensinamento do Natya Shastra diz que “o corpo inteiro deve dançar” e todas as posturas da dança indiana, com centenas de expressões corporais, possuem um significado simbólico e uma relação com a milenar cultura hindu. Vinculado ao culto de Shiva, o Bharata-Natyam indica “vinte e quatro movimentos para a cabeça inteira, quatro para o pescoço, seis para as sobrancelhas, vinte e quatro para os olhos, cinqüenta e sete para as mãos, nove movimentos de pálpebras, seis movimentos de nariz, seis de lábios, sete de queixo…” Além do Bharata Natyam, as principais danças clássicas da Índia são: Kathakali, Kathak, Manipuri, Kuchipudi, Odissi ou Orissi e Mohini Attam. Há também inúmeras danças indianas tribais em todo o país, danças folclóricas e esportivas, como o Mallakhamb, uma espécie de yoga praticada em um poste de madeira com cordas, que deu origem à Pole Dance, hoje em dia muito praticada no Ocidente. A dança indiana Bharata Natyam tem seis movimentos de nariz Fonte: alek.zipzap.ch/www.suryanatyam.com/www.dicasdedanca.com.br/www.brasilazul.com.br

Leia mais em: https://www.portalsaofrancisco.com.br/arte/danca-indiana
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A Índia, com seu extenso território, suas variadas etnias, culturas e idiomas, abriga as mais diversas expressões na dança, desde o modelo clássico, passando pelo folclórico e desembocando no contemporâneo.
O padrão clássico se desenvolveu ao longo dos séculos, nascendo entre os devadasis – bailarinos que exibiam sua arte no interior dos templos. Estes artistas, associados aos templos do hinduísmo, com suas existências dedicadas somente ao culto do deus Shiva, ingressavam nestes recintos ainda na infância, entregues pelos próprios pais. A partir de então, as bailarinas transformavam-se em esposas da divindade, contraindo matrimônio com o deus em um ritual semelhante ao do habitual casamento indiano. Elas eram preparadas para exercitar a prática desta dança nos ritos realizados no templo.
Esta dança tem que seguir as regras inscritas no Natyasastra, a ancestral obra sobre o drama, ao qual desde o início esteve ligada. Aos poucos, porém, ela foi se desligando dessa conexão, e então surgiram os mais distintos modelos clássicos, conforme os locais da Índia nos quais nasceram. Todos têm em comum os rudimentos básicos do nritta – dança pura -; o nritya – a expressão – e o natya – fator dramático. Os movimentos coreográficos clássicos incluem o tandava, energia masculina, e o lasya, o poder feminino.
Em cada região da Índia surgiram diferentes versões das danças indianas, preservando, porém os mesmos preceitos, as mesmas leis registradas no Natyasastra. Entre as que se destacam neste campo, encontramos:
Bharata natyam: nascida no interior dos templos de Tamil Nadu, no sul da Índia, é o estilo mais célebre junto ao povo indiano. Ela é embalada por intensa percussão e um suave compasso marcado pelos pés.
Kathak: muito conhecida no Norte indiano, tornando-se famosa por algum tempo nas cortes hindu e mongol; envolve um elaborado movimento dos pés e vertiginosos rodopios corporais;
Odissi: ela tem origem no leste indiano; os bailarinos assumem posturas que lembram esculturas, conferindo a esta coreografia um aspecto muito sedutor. Imagens desta dança, que constitui arqueologicamente o modelo feminino mais ancestral, estão gravadas nas paredes de determinados templos.
Manipuri: este modelo é proveniente de Manipur. Seus adeptos movem-se por meio de passos miúdos e saltitam, em torno de lendas sobre Krishna. Não é necessário, como nos outros estilos, o uso de guizos nos tornozelos.
Kathakali: esta prática enérgica e intensa está intimamente ligada ao exercício de artes marciais. Através de gestos, maquiagem e figurino próprios, esta dança retrata cenas do Mahabharata ou do Ramayana.
Mohini Attam: esta mescla do Bharata natyam e do Kathakali, somada a alguns elementos folclóricos regionais, nasceu igualmente em Kerala. As bailarinas se vestem de branco e dourado.
Kuchipudi: adotou o nome do local de onde provém, na região de Andhra Pradesh. Também tem muitos pontos em comum com o Bharata natyam, é forte e enérgica, associando danças solo e coreografias próprias do drama.
Outra modalidade é a dança folclórica, geralmente composta de bailes sociais, organizados para festejar eventos como, por exemplo, casamentos; de coreografias criadas para as mulheres e outras para os homens. As mais famosas são a bhangra do Punjab, o garba e o dandia ras, proveniente de Gujarat.

Fonte:https://www.infoescola.com/danca/indiana2/

Dança Clássica do Sul da Índia (Bharata Natyam)

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De acordo com os livros sagrados da Índia, toda a dança tem uma origem divina.
Parvati inventou a graciosa dança «lasya» e o seu esposo Shiva-Nâtarâja - o rei da dança - rivalizou com ela com o modo viril «tandava». O espectáculo encantou todos os deuses, os quais pediram a Brahma, o Criador, que revelasse alguns elementos deste conhecimento entre os homens.
Brahma ensinou-os ao sábio Bharata, que os codificou num tratado em sanskrito - o Nâtya-Shâstra, escrito há cerca de 2000 anos (refere-se, geralmente, que terá sido escrito entre o século II A. C. e o século II D. C.)
O sábio Bharata é, sem dúvida, um ser mítico.
O seu nome, segundo os historiadores modernos, será composto pela primeira sílaba das palavras «bhâva», «râga», e «tâla», que significam emoção, melodia e ritmo, as três qualidades essenciais da dança na Índia.
O Nâtya-Shâstra, considerado como o quinto Veda, é uma obra enciclopédica que reúne todos os conhecimentos relativos à dança, ao canto, à música, à poesia, à recitação e ao teatro.
As diferentes regiões da Índia desenvolveram o seu próprio estilo que, tempos depois, se tornaria “clássico”. O Bharata Natyam, no Sul, é um dos mais antigos. Tendo permanecido fiel às regras enunciadas no Nâtya-Shâstra, dividiu-se em vários ramos, saído um deles da célebre escola de Pandanallur (aldeia situada perto de Tanjore, Tamil Nadu).
Oriundo desta escola, o mestre Natyakalanidi Meenakshi Sundaram Pillai foi uma figura essencial na renovação desta dança nos anos 40. Era descendente dos quatro irmãos Tanjore (Quarteto Tanjore Brothers) que fixaram a forma do recital de Bharata Natyam tal como o podemos ver hoje, do Alaripu ao Tillana. Entre os seus discípulos é de referir Ram Gopal, que se destacou pela sua carreira internacional, bem como o casal U.S.Krishna Rao e Chandra Bhaga Devi, célebres pelos seus escritos e composições coreográficas.
Actualmente, os Mestres continuam a dar vida ao Bharata Natyam, criando coreografias e novos passos, de acordo com os cânones tradicionais.
Todas as danças são dedicadas a divindades representando cenas das suas vidas: os seus reveses, os combates com os demónios e as histórias glorificadoras dos seus devotos.
dança indiana - mudgal 06

As Devadasi (Servidoras da Divindade) interpretavam estas danças nos templos, numa sala que lhes estava consagrada. Tratava-se de uma oferenda ritual aos deuses. Elas transmitiam esta arte entre si, geralmente de mãe para filha. Actualmente já não se dança nos templos, mas o ensino de mestre para aluno continua a estar sob a protecção dos deuses.
O repertório musical é constituído por trechos de textos religiosos ou composições de grandes poetas, santos ou místicos. A bailarina é tradicionalmente acompanhada por uma orquestra composta por um mestre de dança, que marca ritmicamente os passos com pequenos címbalos e que recita as sílabas rítmicas, por um cantor, por um percussionista (mridangam), por um instrumentista de cordas (vina ou violino) e por um flautista.
O Bharata Natyam, hoje estudado e interpretado tanto por homens como por mulheres, com algumas variantes técnicas.
Este estilo de dança caracteriza-se por linhas simétricas e geometricamente perfeitas, voltas, saltos, deslocamentos por todo o espaço cénico e golpes com os pés que marcam ritmos bastante complexos. À técnica pura acrescenta-se o abhinaya, expressões da cara acompanhadas de gestos das mãos (hasta) e posturas do corpo (anga) para interpretar os poemas e os hinos cantados.
dança indiana - mudgal 11
Pode ler-se no tratado Abhinaya Darpanam, o «Espelho do Gesto», o seguinte:
Onde vai a mão, os olhos seguem-na. Onde vão os olhos, vai o espírito. Onde vai o espírito encontra-se o coração. E onde se encontra o coração está a realidade do ser.
A “realidade interior” é despertada, não só na bailarina, mas também nos espectadores.
Esta arte, que se confunde com o sagrado, restitui ao homem o sabor da sua origem. Tudo na dança da Índia remete para o significado, para o ensinamento profundo, juntamente com o prazer estético e a alegria que desperta.

Tarikavalli

Fonte:http://revistadadanca.com/arquivo/htm/81.htm

TODOS OS ENCANTOS DA DANÇA INDIANA

Um meio exercitar-se, uma maneira de se divertir, uma ferramenta de sedução. No imaginário ocidental, a dança cumpre todos esses papéis. Porém, do outro lado do planeta, essa prática vai muito além do plano físico, pois é considerada como o caminho que leva ao divino.
Para os hindus, a dança é capaz de transformar a personalidade do dançarino e levá-lo ao êxtase, o que faz com que ele amplie a compreensão sobre sua própria natureza. Na Índia, a dança sempre foi vista como uma forma de aflorar os sentimentos mais íntimos do homem, por isso é originalmente compreendida como uma das formas mais ancestrais de magia. “Para que um dançarino crie esse magnetismo e encante o público, ele precisa, primeiramente, encantar a si mesmo, dominando sua mente e seu corpo”, explica Eliza Pierim, professora de dança indiana e bacharel em Arte Dramática pela UFRGS.
Embora uma antiga lenda hindu diga que a dança é uma dádiva do deus Brahma aos humanos, tal prática é tradicionalmente relacionada ao deus Shiva (também chamado de Senhor da Dança), a divindade mais popular da Índia. Em geral, ele aparece dançando ou em movimento no meio de uma roda de fogo – elemento da natureza ao qual está associado. Sua dança, denominada tandava, simboliza o eterno movimento do universo. Com o pé direito, Shiva esmaga a cabeça de uma figura bestial – a ignorância – e com o pé esquerdo faz um movimento ascendente, indicando a liberação espiritual. 
 

Dos templos aos palcos

Essa ligação intrínseca entre a dança e o divino confere à prática um caráter altamente sagrado. Retratando diferentes aspectos culturais do povo indiano, a dança é realizada como uma oferenda, como parte dos rituais religiosos diários ou como um importante gesto de devoção. “Um gesto da dança indiana mostra uma espiritualidade que não aparece em nenhuma outra forma de arte”, afirma Bhavana Rhya, dançarina especialista do estilo odissi.
Durante séculos, as apresentações de dança indiana foram restritas aos templos hindus, onde eram realizadas pelas maharis, ou servas de deus. Devotas do deus Shiva, elas eram oferecidas ainda meninas aos templos por seus pais, sendo consideradas esposas da divindade. De fato, elas se casavam com o Senhor da Dança em uma cerimônia semelhante ao casamento tradicional indiano.
No século 11, as maharis descobriram que podiam viver em melhores condições nas luxuosas casas da aristocracia em troca de favores sexuais aos membros das cortes. Com as esposas de deus transformadas em concubinas de sacerdotes, senhores feudais e reis, sua antiga dança foi banida da Índia e chegou muito perto de se perder no tempo.
Isso só não aconteceu porque, com a ausência das dançarinas, alguns meninos passaram a se apresentar como elas. “Graças a essa classe de jovens que se vestiam como meninas, os chamados gotipuas, a dança sobreviveu e pôde ser resgatada mais tarde”, conta Bhavana Rhya.
Mesmo assim foram necessários séculos e séculos para que essa arte voltasse a ganhar espaço – e respeito – no universo artístico do país. O movimento de resgate e reconstituição das danças clássicas indianas começou em 1936, sob o comando da bailarina Rukimini Devi.
Unida a um grupo de artistas interessados a fazer ressurgir o brilho dessa tradição, Rukimini baseou-se nos ensinamentos de velhos mestres e em um importante tratado de dança, música, teatro e literatura, o Natya Shastra – escrito por volta do século 1º a.C., pelo sábio Bharata Muni, para orientar os bailarinos indianos no renascimento dessa tradição.
A partir da compilação de inúmeras manifestações da dança indiana, surgiu o estilo conhecido como Bharata Natyam, hoje o mais popular no país. Seguindo os preceitos do sábio Bharata Muni, ele deixou de ser uma prática templária e ganhou os palcos da Índia.
Por ser uma expressão cultural que une diferentes formas de arte, essa prática também passou a despertar, no público, o prazer de contemplar a vida como uma totalidade. As raízes sagradas do Bharata Natyam surgiram há mais de dois mil anos e diz-se que é o estilo clássico mais fiel em relação às regras enunciadas no Natya Shastra. Simultaneamente, ele requer do praticante vigor e graça, equilíbrio e flexibilidade, além de grande perseverança e senso de ritmo. Saltos, giros e posturas de equilíbrio também compõem o exigente aparato técnico desse estilo.
Conhecida como um dos berços da dança oriental, a Índia possui centenas de estilo folclóricos e sete clássicos, as quais são praticadas a partir de dois tipos fundamentais de manifestações: Nirita, dança puramente técnica que objetiva o prazer estético e é baseada nas belas esculturas dos templos e em difíceis padrões rítmicos; e Niritya, dança representada, também conhecida como Abhinaya, na qual o bailarino narra histórias mitológicas do panteão hindu, por meio de um rico gestual simbólico (mudras) e de um vasto sistema de codificação corporal.
Seja qual for o estilo, a dança indiana requer muita disciplina física e mental. Além do intenso treinamento, o bailarino deve dedicar-se à meditação, jejuar, evocar o sagrado e, acima de tudo, ser devoto a ele.
 

Bharata nathyan: o estilo mais popular

De grande beleza visual e apelo espiritual, o bharata natyan é um dos estilos indianos mais praticados no Oriente e conhecidos no Ocidente. Considerada um meio de conectar o homem ao sagrado, mesmo nos dias de hoje não é iniciada sem que o bailarino peça permissão para a terra para bater com os pés no chão, saúde todos os deuses e ofereça flores a Brahma. Na foto, o estilo é apresentado pela experiente dançarina Navya Rattehalli, graduada no mais alto nível de dança clássica indiana.

Fonte:http://www.triada.com.br/espiritualidade/fe_oriental/aq173-201-910-1-todo-o-encanto-da-danca-indiana.html

História e Tipos de Dança Indiana

 Dança Indiana: reflexo cultural e estilos A Índia é um país onde as práticas, crenças, e costumes recorrentes ao longo da história, permitiram-lhe a construção de uma identidade cultural muito expressiva. Os vários símbolos existentes associados aos diferentes hábitos religiosos, além de outros aspectos, permitem que este lugar seja realmente diferenciado. O envolvimento da sociedade com o divino é muito valorizado nesse país, o que torna esta relação um fator de grande manifestação nas várias formas de arte. Sendo assim, com a dança indiana não é diferente, já que esta, se une à religião. “Esta arte, que se confunde com o sagrado, restitui ao homem o sabor da sua origem. Tudo na dança da Índia remete para o significado, para o ensinamento profundo, juntamente com o prazer estético e a alegria que desperta. ( TARIKAVALLI, [20--] A Índia é também considerada um país das diversidades, tendo diferentes culturas, etnias, geografia, etc. A dança nesse contexto, possui além de suas formas clássicas, as folclóricas, que são muitas e variam de acordo com as regiões do país. Neste trabalho, trataremos com mais detalhes das danças clássicas indiana, além de falarmos sobre a dança Bollywood, que vem ganhando espaço nos últimos anos. Segundo Andrade (2008), o termo “clássico” pode ser definido pela idade, que no caso da dança, elementos da antiguidade estão sempre em contínuos processos; habilidade, que é determinado pela facilidade de penetração da dança em diversas culturas, o que tornou a dança “hindu” em dança “indiana”; e por fim as associações de classe, em que as elites buscam definir uma identidade cultural quando se referem às artes “clássicas”. Entraremos primeiramente nos estilos clássicos existentes, abrangendo suas principais características, e depois, ao falarmos sobre o hinduísmo, explicaremos sobre a criação da dança indiana, já que ambos estão intimamente relacionados. Existem sete estilos de dança indiana que são considerados “clássicos”, e cada um provém de uma determinada região. De acordo com diferentes informações descritas por Andrade ( 2007), os estilos e suas características são:

 - BRARATA NATYAM

Com origem em Tamil Nadu, sul da Índia, este estilo é o mais popular e antigo dentre as formas clássicas de dança indiana. A princípio era executada apenas por mulheres, e após algumas transformações, foi aderida pelos homens. Tendo a linguagem facial como o aspecto mais apreciado, esta dança manifesta nove sentimentos que são chamados de “Navarasa”. Além disso, sete números fazem parte de uma apresentação de Bharata Natyam, e em cada um deles é realizado algo diferente. Seguidos por esta ordem, estão: o Alaripu, Jatiswaram, Shabdam, Varnam, Padam, Tillana e por último o Mangalam. Citando dois deles como exemplo, no Alaripu, há o envolvimento da dança com o pronunciamento rítmico de algumas sílabas, e no Shabdam, há a característica da forte expressividade, que é acompanhada por uma canção em adoração ao Ser Absoluto. Por fim, o estilo de música utilizado é o Carnático, e os instrumentos que o compõe são: órgão de foles, flauta, mridangam e o nattuvangam como percussão, instrumento de corda (violino ou veena) e o címbalo. Há também os vocais que participam desse estilo tão gracioso e expressivo.

 - MOHINI ATTAM 

“Dança do encantamento”. Este é o significado dessa forma de dança, que tem seus movimentos semelhantes aos das palmeiras com o vento e às ondas do mar. Com o elemento Lasya, que representa a feminilidade, o Mohini Attam, é símbolo de sedução, delicadeza e graciosidade. Sua origem ocorreu no Estado do Kerala (sul da Índia), e atualmente é executada apenas por mulheres. Com a criação da escola Kerala Kala Mandalam, este estilo de dança que teria se degenerado no século XX, voltou com força e adquiriu popularidade. Assim, essa dança que antes acontecia durante as festividades, hoje, é bem vinda em qualquer circunstância. 

- ODISSI

 Sendo uma das danças mais antigas, a Odissi é originária do Estado de Orissa, situado no leste da Índia, e embora tenha sofrido um declínio durante o século XVI, ressurgiu com força no século XX. Tal declínio se deve ao fato das dançarinas chamadas Maharis deixarem de executar a dança no templo e partirem para as cortes dos reis.
Junto com as Maharis, o Gotipua ( tradição em que meninos dançavam vestidos de meninas), contribuiu para a origem da dança Odissi. Os adornos feitos em prata e o movimento do torso, são características marcantes desse original estilo, cuja técnica se baseia em duas principais posições: chowk e tribhanga. Estas representam respectivamente a energia masculina e feminina. 

-KATHAK 

Criada às margens do rio Ganges, a Kathak tem seu significado associado à palavra Katha, que quer dizer “contar histórias”. Executada por artistas, essa dança fazia parte das narrações históricas que divertiam as pessoas, e além dos hindus, teve os mulçumanos como influência, e suas histórias puderam ser representadas pela mesma. O estilo Kathak possui os giros como movimentos exclusivos, e o trabalho dos pés é bem detalhado, visando alcançar um alto nível de dificuldade. A recitação de sílabas e as expressões faciais são também valorizadas, e as vestimentas típicas dessa dança são duas. A primeira, relacionada à cultura mulçumana, é mais simples, e é composta por um véu colocado na cabeça, e uma saia mais curta em que é possível observar os guizos. E a segunda, mais relacionada à cultura hindu, é composta de um xale, que se sobrepõe a uma blusa curta e uma saia comprida. 

- KUCHIPUDI 

Criada como dança-teatro no século XV aproximadamente, essa forma de dança teve sua origem em uma aldeia chamada Kuchelapura ou Kuchipudi, e a princípio era considerada uma dança folclórica. Um poeta que se chamava Vaishnava Sidhendra Yogi desenvolveu várias peças Kuchipudi, e se tornou o criador do estilo conhecido atualmente. O diálogo durante as apresentações são observadas, e entre os itens do Kuchipudi está o Tarangam. Neste, o dançarino se movimenta em um prato colocado sob seus pés, e ao mesmo tempo, sobre a sua cabeça é mantida um grande pote com água, sem que esta seja derrubada. Assim, percebe- se toda a habilidade necessária para manter a agilidade, ritmo e equilíbrio nessa dança. 

A música por fim é a Carnática, com instrumentos utilizados também pela Bharata Natyam.

- KATHAKALI 

Este estilo tem sua origem associado ao estado de Kerala, particularmente à cidade de Travancore. Inicialmente era um ritual de adoração às serpentes e posteriormente passou a ser um ritual à deusa Bhagavati, que cuidava das serpentes. Apresentada como dança-teatro, esse estilo contém três tipos de personagens com características diferentes. Entre estes, está o tipo Sattvik, em que estão presentes a nobreza, a generosidade e o refinamento. Buscando atribuir significados à esses personagens, para os indianos, tais características refletem as qualidades que todo ser humano carrega consigo. No caso do Sattvik, são as qualidades de nobreza e inteligência. Dentre as várias especificidades dessa dança, podem ser citados o figurino, que é muito elaborado e com muitas cores, os adornos que são exagerados e pesados, e a maquiagem que é altamente colorida e diferente para cada personagem. 

- MANIPURI 

Esta dança originou-se no Estado de Manipur, que devido à sua localização geográfica, não sofreu praticamente influência até o século XV. Após este período, com a chegada do Hinduismo, novas composições baseadas na vida de Radha e krishna, foram inseridas. Na dança Manipuri, a ênfase está nos movimentos corporais e não faciais. Assim, os dançarinos devem transmitir uma expressão suave e natural, e traduzir através do corpo movimentos ligeiros, semelhantes aos da cobra. Homens e mulheres devem participar de um mesmo número a fim de abranger as características masculinas e femininas, que estão associadas respectivamente à movimentos rigorosos e movimentos delicados. O uso de espadas e escudos são recorrentes nas danças marciais que fazem parte desse estilo tão atraente. Bollywood 

De acordo com Romano [20--] a palavra Bollywood é a junção de duas palavras: Hollywood e Bombay (antigo nome de Mumbai, a capital cinematográfica da Índia). Surgida através da famosa indústria cinematográfica indiana, se tornou um estilo de dança. Há neste estilo uma fusão de danças indianas clássicas e folclóricas (tendo como principal elemento o Bhangra) com outros estilos orientais e ocidentais (clássicos, modernos, contemporâneos e folclóricos). Vindo do estado de Punjab o Bhangra é um estilo de música e dança folclóricos que atualmente tem sido remixada com vários outros tipos de músicas. Tem se tornado popular em todo o mundo, com destaque aos Estados Unidos e Inglaterra (onde a comunidade indiana é bastante grande).

 HINDUÍSMO 

 5.2.1. Características do Hinduísmo. 

Embora o islamismo, o cristianismo, o budismo, entre outros estejam presentes na Índia, o hinduísmo - religião originária do subcontinente indiano, é o que possui o maior número de seguidores neste país. Sem ter um fundador, e sem seguir um dogma, o hinduísmo contou com muitas contribuições ao longo dos anos, e pôde se enriquecer com diferentes elementos. Estes, culminaram em uma variedade de crenças e práticas, e assim formou-se uma religião diversificada e complexa. Diante dessas contribuições, as crenças védicas, de acordo com Renou (1964), ofereceram a maioria das características embrionárias que foram desenvolvidas com o tempo. Para contextualizar, o vedismo se referiu a uma religião levada pelos invasores arianos ao nordeste da Índia, mais precisamente ao vale do Indo e Punjab em aproximadamente 2000 a.C. Antes, teriam habitado o Irã e seguidos ao sul da Rússia. (TINÔCO, 1992). Segundo Renou (1964), ocorreram transformações com as crenças “arianas” durante um determinado período, levando a uma posterior distinção entre a religião original do Irã e o que seria a futura religião védica na Índia. Fazia-se presente no vedismo o culto a vários deuses, as mágicas, e rituais de sacrifícios animais e vegetais que engrandecem a questão mitológica dessa religião. Esta mitologia por sua vez, foi descrita em textos (Vedas), cujo o primeiro e mais antigo é o Rigveda. À partir destes, o hinduísmo pôde se desenvolver,

“De acordo com os fenômenos que se examinem, na verdade, o hinduísmo pode surgir ou como uma religião extrovertida de espetáculo, mitologia abundante e prática congregantes ou uma religião profundamente interiorizada, ou introvertida. À primeira categoria pertencem as atividades das seitas, o movimento bhakti e a adoração à vaca, onde alguns vêem o símbolo concreto do hinduísmo. Poderíamos também incluir nisso o princípio da não-violência, pelo menos em sua aplicação social. Ao ponto de vista do hinduísmo como uma vida interior pertencem as trilhas do progresso espiritual, a busca da libertação, a tendência a renúncia e finalmente a concentração intensa em problemas que, em outras culturas, se acham mais freqüentemente reservados aos teólogos e filósofos. (RENOU, 1964, p. 13) A sociedade hinduista é dividida em castas, isto é, divisões em que os indivíduos são classificados por hereditariedade. No topo das castas, se encontram os sacerdotes

(brâmanes) e no último estado estão os servidores (shudras). A classificação do indivíduo ocorre de acordo com o seu karma, sendo determinado pelo resultado de seus atos passados (FOLLMANN; SCARLATELLI, 2006). Assim, o termo mencionado, se refere às ações humanas essenciais para que o dharma possa se sustentar. O dharma por sua vez, segundo Follmann e Scarlatelli (2006), se refere aos deveres ou leis que devem ser seguidos pelo indivíduo diante de sua inclusão na organização social, na qual estão presentes as castas, idade, gênero, etc. Os hindus acreditam na transmigração da alma, portanto as vidas anteriores estão associadas aos atos acometidos pelos indivíduos. Para alcançar a salvação, o indivíduo precisa trilhar os caminhos certos. No livro sagrado chamado Bhagavad-Gita, são descritas três vias importantes para conseguir tal objetivo. A primeira é a via do sacrifício, na qual os corretos atos ritualísticos, em especial os sacrificiais, ajudam na busca da felicidade terrena, e como última finalidade na libertação das transmigrações. A segunda é a via do conhecimento, em que é preciso entender o que é a verdadeira natureza da existência. Para os indianos, a ignorância não permite que o ser - humano se desprenda do ciclo das transmigrações. Por isso, o caminho da libertação é conquistado ao se compreender que a alma humana e o mundo espiritual são uma única coisa. A terceira e última via é a da devoção, em que a dedicação total ao Senhor é o caminho mais fácil para receber a graça, e assim libertar-se. ( FOLLMANN; SCARLATELLI, 2006 No hinduísmo, muitas das formas que podem ser representadas são análogas aos aspectos da vida, como por exemplo as virtudes humanas. Brahma (a força criadora no universo), Vishnu (a força conservadora), e Shiva (a força destruidora ou transformadora) são considerados importantes deuses que compõem uma tríade conhecida como Trimurti. Esta simboliza um universo cíclico, em que os hinduístas crêem que para haver criação é preciso haver destruição. Brahma para os hinduístas, é considerado a encarnação de um Ser Supremo conhecido como Brahman. Este é o espírito “Absoluto”, que permeia tudo e que é impossível de ser descrito. A exigência de um elevado nível de espiritualidade, faz com que Brahma seja raramente cultuado, dando espaço a alta reverência à Vishnu e Shiva. Apesar da associação direta com a religião, são várias as obrigações e metas que  realmente tornam o hinduísmo uma forma de vida. 

 5.2.2. Hinduísmo e a Dança Indiana

Conforme descrito nos Vedas a dança originou-se através dos deuses, sendo estes grandes dançarinos que trouxeram tal arte aos homens, não só como uma manifestação da atividade universal, mas como o próprio movimento em si. (ANDRADE, 2008) “A dança da Índia segue os conceitos de energia, sabedoria e a arte brota de uma mesma raiz divina que produz e coordena a vida”. ( MACHADO, 2003, p. 5) Eram nos templos que os cultos diários aconteciam, e onde a dança foi se destacando e sendo incluída nos rituais sagrados. As devadais (“escravas” de Deus) eram as mulheres escolhidas para praticarem a dança, e tinham a obrigação de servir e divertir os deuses, mantendo a antiga tradição hindu. Essas mulheres também tinham liberdades, possuíam conhecimentos em outras áreas, e transmitiam suas funções hereditariamente. Existem algumas versões míticas sobre a criação da dança, mas há uma que se prevalece na Índia, e que se sustenta na representação de Shiva. Segundo Andrade (2008), cada região da Índia escolhia um deus da Trimurti como sendo o favorito, e Shiva era assim considerado na região de Tamil Nadu,, se consagrando cada vez mais. Neste mesmo lugar, a origem da dança faz crescer um intenso misticismo da criação, e Shiva ocupa de forma conclusiva o posto de deus dançarino. Shiva é um deus muito cultuado e suas diversas representações iconográficas, sobretudo a de Nataraja, (“nata” – dança e “raja” – rei), são altamente populares, inclusive no ocidente. Aqueles que elegem Shiva seguem a filosofia do chamado Shivaismo. Como já citado, Shiva é o deus que destrói para outros elementos e processos serem criados de maneira contínua. Segundo Fátima (2001, p. 32) “...sendo Shiva um deus bailarino, é no seu ritmo que a vida flui.” Assim, a criação, a manutenção, e a destruição das atividades universais, estão associadas ao ritmo da dança. Benevolência e braveza são duas características opostas que Shiva pode apresentar simultaneamente, indicando assim um perfil contraditório. (RAMM-BONWITT, 1987). A dança de Shiva bem como sua aparência iconográfica representa também o sexo feminino e masculino, que são traduzidos respectivamente pela graciosidade, delicadeza (Lasya), e virilidade (Tandava). A posição corporal, o tambor, o fogo, e todos os outros detalhes da imagem de Shiva Nataraja remetem a um significado. O tambor, por exemplo, simboliza o ritmo do universo, mantendo uma ordem na criação dos aspectos da natureza.

 5.3. COMPONDO A DANÇA INDIANA... 

 5.3.1. As partes de um todo. 

Como percebemos a dança indiana não se refere somente à simples movimentação rítmica corporal, tendo em conta que esta última pode ser a primeira constituinte que nos remete a palavra “dança”. Mais do que isso, considerando as transformações e adaptações que tal arte sofreu ao longo dos anos, em suas apresentações atuais, há vários elementos que representam as crenças culturais, sobretudo as tradições hindus, que compõem essa arte tão distinta que chamamos de “dança indiana”. Todos os detalhes de uma produção teatral, na qual fazem parte não só a dança, mas também a maquiagem, a música, entre outros componentes, estão descritos em um antigo texto chamado “Natya Shastra”. Bem como este, outro texto, “Abhinaya Darpanam”, também muito antigo, traz todas as formas gestuais e posturais da dança que expressam os sentimentos. A dança clássica indiana é dividida em Nritta, Nritya e Natya. A primeira se refere à dança pura, ou seja, não há nenhum significado embutido nos movimentos técnicos. O foco se limita simplesmente a estética. Na segunda, a expressão das emoções é valorizada, sendo geralmente nove sentimentos demonstrados principalmente pela face. São estes: amor, compaixão, coragem, ira, humor, temor, paz, repugnância, e surpresa. Designa-se Navarasa o conjunto destes sentimentos. Na terceira, a dança e a música se unem ao drama, em que personagens são criados para uma história elaborada ser mostrada. À seguir, alguns dos elementos da dança indiana:

- Cores 

 Um aspecto que caracteriza a dança indiana é a presença intensa das cores. Estas a torna ainda mais bela, enfatizando um visual muito colorido através da maquiagem, figurinos e adornos. Segundo Andrade (2008), as cores são “instrumentos” pelos quais não só as emoções, mas também a devoção podem ser demonstradas. Os dançarinos utilizam cores consideradas ativas (vermelho, laranja e amarelo), e passivas (violeta, azul e verde), de maneira a combiná-las entre si. As cores possibilitam representar aspectos diferentes, tais como o mundo material e imaterial. Um exemplo disso, de acordo com o autor, é a  combinação das cores vermelho e amarelo, que simulam respectivamente o fogo e a luz. Já a cor violeta, que é o resultado da mistura entre a cor azul e vermelho é dedicado ao deus Shiva. - Vestimenta Como já descrito, as cores traduzem vários significados, e sendo um item importante do traje a ser considerado, a este, os mesmos podem ser atribuídos. A peça de destaque que compõe o visual da dançarina é o saree, que é simplesmente um tecido comprido, em que as mulheres enrolam sobre seus corpos. Já os homens, utilizam também um tecido que é recortado e cobre apenas a parte inferior do corpo. Em cada estilo da dança indiana, há variações nas maneiras de utilizar as peças citadas acima. - Ornamentos As jóias e adereços diferenciados conferem um charme especial e contribuem na caracterização peculiar dessa arte. Mas não servem simplesmente para enfeitar os corpos dos dançarinos. Todas as formas de jóias e adereços ganham simbolismos. Na cabeça, delicadas correntes são dispostas de maneira específica, e junto a estas se encontram três jóias, de modo que uma destas é colocada no centro da testa, e as outras duas se posicionam acima da cabeça, estando uma localizada mais no lado direito e a outra no lado esquerdo. Assim, as duas últimas simbolizam respectivamente o sol (formato redondo), e a lua (formato de semicírculo). Através destas jóias, as dançarinas podem ser abençoadas pela lua e pelo sol. (ANDRADE, 2008). Outros dois exemplos de jóias a serem citadas entre todas as possíveis são as pulseiras, que sendo usada uma ou mais em cada braço, servem para protegerem as mãos, e o colar que protege o coração. Os homens também utilizam as pulseiras, mas apenas uma em cada braço. As flores no cabelo e os guizos nos tornozelos também são itens utilizados. 

- Gestos

Assim como há a demonstração dos sentimentos através do rosto, na dança indiana as mãos também são capazes de exprimir emoções por meio de gestos que são conhecidos como Mudrás. Para Ramm-Bonwitt (1987) muito do que foi observado na natureza pelo homem foi reproduzido por gestos, e as emoções são representadas simbolicamente pelos fenômenos da natureza. Os Mudrás não estão presentes só na dança. O Budismo, o Yoga, e as artes marciais, também usufruem dos gestos manuais que são inúmeros. Na dança, um exemplo seria o Kartarimukha, gesto em que apenas o dedo indicador e médio são estendidos enquanto os outros estão flexionados. Mentira, lágrimas, e roubo, são um dos seus significados. - Maquiagem A maquiagem das dançarinas é forte, e os olhos chamam atenção por serem bem delineados. Dessa forma, todas as formas de expressão facial podem ser realçadas. Entre as sobrancelhas, um ponto vermelho se refere à um símbolo da religião hindu. Já os dedos dos pés e das mãos são pintados de vermelho, que também destacam os movimentos detalhados dos mesmos. - Ambiente de apresentação O local onde as dançarinas se apresentam possui muitos elementos que dizem respeito à suas crenças. Flores, incenso, altar, lâmpada indiana, figuras temáticas e música, são alguns  dos componentes vistos no palco. Tais elementos são utilizados durante as apresentações, nas quais dentro de várias atividades , são realizadas orações e oferenda aos deuses.

TEXTO EXTRAÍDO DE:
DANÇA INDIANA E DANÇA DO VENTRE: REPRESENTANTES DA CULTURA ORIENTAL E SUAS INFLUÊNCIAS NA CULTURA BRASILEIRA
NAYARA CRISTINE ZUCULO MARCUCCI
BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA 
 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS - RIO CLARO

Fonte:https://alsafi.ead.unesp.br/bitstream/handle/11449/119820/marcucci_ncz_tcc_rcla.pdf?sequence=1&isAllowed=y


Dança indiana



 A dança indiana pode ser dividida em três categorias – a dança indiana clássica, a dança indiana folclórica, e as dança indiana contemporânea.  Cada uma destas três categorias também é muito diversa, com vários estilos diferentes provenientes das diferentes culturas e regiões da Índia.

Dança clássica indiana

Oito estilos de dança são reconhecidas pela Academia Nacional Indiana de Música, Dança, e Drama como “danças clássicas indianas”.  Eles são BharatnatyamKathakKathakaliKuchipudiOdissiManipuriMohiniyattam, e Sattriya.
Falamos em outras páginas do Tudo Índia sobre a diversidade do território que, hoje em dia, chamamos a “Índia”.  Durante a maioria da sua história, este território foi dividido em diversos reinos distintos; os britânicos, na época colonial, foram os primeiros a capturar quase o subcontinente indiano inteiro.  As diferentes regiões da Índia atual falam idiomas diferentes, comem comidadiferente, etc. – e cada um das diversas danças indianas tradicionais vem de uma cultura e região diferente dentro do que atualmente é o país independente da Índia.
O que todos estes estilos de dança indiana têm em comum é que eles têm as suas origens nas artes e práticas religiosas do hinduísmo – e que geralmente envolvem um tipo de drama/teatro, em que os dançarinos “atuam” uma história (frequentemente da mitologia hindu) com seus movimentos corporais.


Bharatnatyam

Bharatnatyam vem de Tamil Nadu, no sul da Índia.  Originou-se nos templos hindus da região, e é tradicionalmente uma dança feminina.  É a dança clássica indiana mais conhecida e popular hoje em dia – tanto na Índia como fora.

Kathak

Kathak vem do norte da Índia.  É especialmente orientada à arte de contar histórias mitológicas e folclóricas – katha significa história, e um kathak é literalmente “quem conta histórias”.  Existem três principais estilos da dança kathak, proveniente das cidades de Jaipur, Lucknow, e Benares (hoje em dia chamada de Varanasi).

Odishi

Odissi vem de Odisha, no leste da Índia.  Foi originalmente uma dança feminina nos templos hindus da região (inclusive o famoso Templo do Sol).  Outro estilo de Odissi desenvolveu-se depois, também nos templos – este feito por meninos jovens vestidos de meninas.

Kuchipudi

Kuchipudi vem do que agora é o estado indiano de Andhra Pradesh, no sudeste do país – Kuchipudi é o nome do vilarejo onde a dança se originou.  Os dançarinos de Kuchipudi tradicionalmente eram sempre homens brâmanes (vestidos de homens e mulheres), mas hoje em dia a dança é feita por dançarinos dos dois sexos.

Kathakali

Kathakali vem de Kerala, no sul da Índia.  Esta dança é tradicionalmente uma dança masculina, e é especialmente orientada à ideia de contar histórias.  Na língua sânscrita, katha significa “história/conto/narrativa” e kalasignifica “arte” – então o dançarino de kathakali conta histórias (tradicionalmente da mitologia hindu) através da sua arte.

Mohiniyattam

Mohiniyattam é outro estilo de dança de Kerala.  O nome Mohiniyattam vem de Mohini – um avatar (quer dizer, encarnação) feminino do deus hindu Vishnu.  Mohini é conhecida como uma mulher encantadora, e esta dança delicada geralmente é executada por uma só mulher.

Sattriya

Sattriya vem da região de Assam, no nordeste da Índia; originou-se nos templos dos mosteiros da região.  As danças geralmente contam histórias de alguma encarnação do deus hindu Vishnu, sobretudo seu avatar de Krishna.

Manipuri

A dança Manipuri vem de Manipur, no extremo nordeste da Índia, perto da Birmânia.  É tradicionalmente executada por grupos de dançarinos dos dois sexos.

Dança folclórica indiana

Fora das danças clássicas indianas reconhecidas pela Academia, cada região da Índia tem suas outras danças tradicionais.  Existem dezenas e dezenas de estilos de danças folclóricas no subcontinente indiano, e geralmente estas danças combinam com as músicas tradicionais de cada região – e existe muita variação entre as músicas tradicionais das diversas regiões da Índia.  Aqui são só duas das tradições de danças folclóricas que se destacam na Índia.
Bhangra é uma dança tradicional da região de Punjab, no noroeste da Índia.  O povo punjabi é especialmente conhecido por amar música e dança – e bhangra é o mais famoso estilo de música e dança da região.  Além do bhangra tradicional, surgiu um novo estilo de bhangra moderna, que é especialmente popular entre punjabis na Índia e no exterior – e elementos de bhangra até entraram em várias músicas ocidentais nos últimos anos.
Garba e Dandiya são danças tradicionais de Gujarat, no oeste da Índia.  São especialmente associadas com o festival indiano de Navratri – que é uma festa especialmente importante neste estado, com grandes eventos onde todo mundo dança garba e dandiya. O dandiya é particularmente interessante – os dançarinos dançam com varas, cada um batendo as varas dos outros dançarinos ao longo da dança.
Além dessas danças, cada região da Índia tem suas próprias danças tradicionais – que geralmente são pouco conhecidas fora de cada região.

Dança contemporânea indiana

A forma de dança contemporânea que se destaca na Índia é a dança dos filmes indianos – sobretudo de Bollywood, a indústria cinematográfica da língua hindi.  Dança é uma parte integral dos filmes indianos.
Dança indiana no filme Devdas (Bollywood)Tipicamente, cada filme indiano inclui várias músicas coreografadas.  (Leia mais sobre o cinema indiano aqui – e veja também nossa lista de 10 filmes indianos essenciais.)  As músicas de Bollywood são incrivelmente populares na Índia, com vários canais de TV mostrando exclusivamente vídeos dessas músicas – e quando uma música fica muito popular, todo mundo conhece a dança.
A dança dos filmes de Bollywood (e dos outros filmes indianos) geralmente mistura influências de vários estilos de dança indiana clássica, tradicional, e moderna.  Nas últimas décadas, até ficou comum uma fusão de estilos de danças indianas com danças ocidentais – e isso para combinar com as músicas, que também refletem esta mistura das tradições indianas com as tendências do ocidente.
Alguns dos coreógrafos das danças de Bollywood até viraram celebridades – todo fã de Bollywood na Índia conhece os nomes de Farah Khan, Shiamak Davar, e Saroj Khan, por exemplo.  Shows de talento (inclusive vários com crianças) são extremamente populares na televisão indiana – e muitos são especialmente focados nestas danças de Bollywood.
Veja nossa lista de 8 músicas indianas essenciais; a página inclui os vídeos de umas das músicas mais clássicas de Bollywood.  As danças de alguns desses vídeos também são consideradas clássicos de Bollywood – por exemplo, no segundo vídeo na lista, a dança rola em cima de um trem em movimento!

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"As mãos trabalham e se movem no espaço fazendo este mundo mais belo” [Alberto Morales, em EspirItualidad en las manos]

O Homem relaciona-se com o mundo, com o universo de várias formas, e uma dessas formas é com as mãos. São como que “um selo pessoal” com a Humanidade. A flexibilidade com que a criação única de Deus nos faz agir, manusear e expressar é muito própria de um ser, humano, e que o difere de todos os outros.
Relaciona-se com os outros e com o mundo não só de forma material como também pelo meio espiritual, expressando a sua devoção ao Divino de uma forma humilde, silenciosa e eloquente.
“ Saturadas de poder são a manifestação física de uma comunicação invisível.” [Alberto Morales, em Espiritualidad en las manos]
As mãos do bailarino evoluem e quase se transmutam de uma forma para outra através de múltiplos gestos. O yogui acomoda o seu corpo numa posição estável e confortável, e coloca as suas mãos na forma mais adequada e dirige a consciência ao interior.
Assim se definem Hasta Mudrā, os gestos de mãos que complementam as palavras e unificam, em selo, a unidade essencial entre o homem e a divindade. Na prática de Yoga e Dança, os gestos de mãos enraízam a tradição, recriando de certa forma as experiências vividas por gerações de praticantes, como um sinal de união universal.
Nas Danças Circulares da Índia, de raíz no folclore indiano, as mãos elevam-se em louvor ao divino, emergem enraizando-se na Terra, na Natureza, no ventre, na criação e na limpeza do espírito. Ao bater as palmas uma na outra, durante os círculos dançantes, o corpo não só marca o ritmo e a coordenação, como também uma exaltação e uma consciência energética do corpo e de tudo o que esse movimento liberta.
As mãos direccionam a energia – prāṇa – para o equilíbrio interior. Quando unimos os dedos em meditação, ou as palmas das mãos criamos um selo, uma união, como que “descargas eléctricas” que atravessam o nosso corpo através de canais – nāḍī – activando o sistema nervoso e a mente, e criando um processo de auto-equilíbrio e auto-cura."
Fonte:https://www.portoyogafestival.com/blog/category/iacutendia

Kathakali,o teatro sagrado


ORIGEM:
Segundo lendas hindus Vishnu reencarnou na terra pela sexta vez na forma de Parasurama, para proteger a supremacia espiritual e social da casta dos Brâmanes. Após inúmeras guerras, ele finalmente resolveu abandonar sua trajetória sangrenta e, em forma simbólica, lançou seu machado ao mar. Com o golpe, a arma caiu no sul da índia e sua violência fez emergir uma faixa de terra a qual Parasurama chamou de Malabar. Para povoar essa terra sagrada, foram levadas famílias de Brâmanes que formaram uma sociedade extremamente religiosa e ritualística.
Hoje em dia Malabar é chamada de Kerala (a terra dos templos).
O intenso comércio de especiarias e o ouro negro atraiam viajantes de todo o mundo, misturando assim diferentes culturas à forte religiosidade do lugar e o gosto por grandes rituais com a constante presença de elementos dramáticos, fazendo surgir assim a mais rica forma teatral da Índia : O teatro Kathakali.
CARACTERÍSTICAS:
É o estilo de dança-teatral mais popular da Índia
É um espetáculo raro, inclusive na Índia. Lá ela acontece após a época das monções, em celebrações religiosas de agradecimento.
É exclusivo para homens
Existe exatamente como visto hoje há pelo menos 400 anos
O teatro-dança de Kathakali recebe inclusive influência das antigas artes marciais de Kerala
Existem muitas passagens com reflexões morais e de sabedoria que sempre são faladas pelos personagens mais importantes e em sânscrito, uma língua que não é mais comum na Índia desde o ano 300 a.C, mas é considerada nobre e sagrada, falada até hoje pelos brâmanes. Enquanto os deuses, heróis e personagens importantes falam no dialeto aristocrático, as mulheres, escravos e personagens menores falam o dialeto da classe baixa. As peças terminam assim como começam: com uma prece.
Não há valorização de expressões ou ações nas peças hindus. A tristeza é representada por uma leve melancolia. Beijar, comer, dormir ou gritar é considerado indelicado.
Como nas peças gregas, havia um freqüente contato entre a Terra e o Céu.
Na Índia não existem palavras distintas para dança e teatro, nem em sânscrito ou em qualquer dialeto falado pelo país. Daí percebe-se o quão profundamente ligadas essas duas artes estão neste país que as vê como um só.
PALCO e MÚSICA:
Na Índia acredita-se que todo palco seja sagrado pois é um local escolhido pelos deuses para que se dê a eterna luta entre o bem e o mal. Por o Kathakali ser essencialmente hindu tudo nele é cheio de significados religiosos e realizado como um ritual.
O palco é simples. Á frente usa-se uma lamparina alimentada por óleo de coco.
Por ser ritual, antes da peça começar, o vocalista inicia uma canção invocatória acompanhado por címbalos e percussão.
Durante o ritual de inicialização, um ator permanece por trás das cortinas realizando uma performance .
MAQUIAGEM E FIGURINO:
A maquiagem determina, no kathakali a natureza dos personagens.
Cada personagem têm uma roupa e maquiagem específica. Ambos são altamente elaborados.
O ator leva três horas e meia só pra se maquiar e duas horas para se vestir antes de cada apresentação.
AS CORES:
Verde: herói
Bigode, protuberância no nariz ou no centro da testa (Chuttippu): demônio-guerreiro
Bigode branco (veluppu-tadi): personagem Hanuman, do épico Ramayana, que possui boa natureza
Bigode preto (karuppu-tadi): selvagem com características heróicas
Bigode Vermelho (Chokanna-Tadi): características terríveis e destrutivas
Maquiagens onde há o predomínio de preto: moradores das florestas, caçadores e demônios femininos

PERSONAGENS: (3 tipos em geral)
Sattvik (denominado Pacha) - nobre, heróico, generoso e refinado ex: Rama e Krishna
Rajasik (denominado Kathi) - não só heróis e sim pertencentes a classe dos demônios guerreiros ex: Kamsa e Ravana
Tamasik (denominado Kari) - caçadores, moradores da floresta e demônios femininos

ATOR:
No kathakali temos então o Ator-bailarino e ainda com características de guerreiro. Devido a influencia religiosa, ator do kathakali é também um ator-sacerdote e, por isso, deve ser capaz de responder cada aspecto da sua vida num equilíbrio constante de sua arte que é sempre regida harmoniosamente pelos elementos.
A formação física destes atores obedece ainda a antiga tradição de guerreiros e artistas marciais de Kerala.
Em nenhuma outra forma teatral do mundo pode-se encontrar tamanha complexidade e precisão na formação técnica do ator quanto no Kathakali.
Para ser ator de Kathakali os pretendentes passam por rigoroso treinamento com dedicação exclusiva, durante anos, quase sob regime militar que começa aos 8 anos. Tudo isso serve para desenvolver uma cadeia muscular antinatural e rigorosamente definida com a finalidade de permitir o intenso fluxo de energia, assim como ter um corpo que suporte essa carga. Há a remodelagem da estrutura corporal do ator com um dia que começa às 4h da manhã com massagens, exercícios físicos e de olhos, treinamento de passos, coreografias e memorização dos textos clássicos e prática de ritmos. As intermináveis repetições associadas à severidade com que os erros são punidos moldam e disciplinam a concentração e a mente. O descanso é quinzenal, porque é obvio que os hindus não têm motivos para guardar o Domingo. Todo o processo é supervisionado por um Guru (que significa aquele que dispersa a sombra).
O indiano Nanda Kumaran levou 17 anos estudando a arte sagrada Kathakali. "Deixei de ser estudante aos 31 anos. Só depois do meu casamento é que o guru me deu permissão para deixar de ser aluno".
"Se o bailarino é aquele que busca o ar, que anseia pelo espaço, pelo etéreo, o ator vai de encontro a terra, que castiga sob seus pés para retirar dela sua energia. Suas mãos buscam o céu e seus pés agarram e excitam aterra. Se a ação do guerreiro é como a do fogo, que destrói enquanto queima, nem bom nem mau, consumindo a si mesmo sem hesitar, o sacerdote se relaciona coma água, com a qual purifica e santifica. Enquanto o fogo guerreiro se move impetuosamente e age buscando cumprir seu papel sem apegos, a água sacerdotal busca a serenidade e, ainda que seja perturbada, sua natureza a guia na direção da paz."
(The Mirror of Gesture: Abhinaya Darpana of Nandikesvara)

"Por ser o Kathakali uma dança sagrada e ritual para os hindus, ela se torna uma ambigüidade por demais complexa para os ocidentais. O ocidente não entende uma arte espiritual. É um povo adiantado materialmente, mas muito atrasado espiritualmente. O Teatro é uma manifestação da alma e por isso requer devoção e fervor, pois é necessário sempre mergulhar profundamente nas coisas às quais nos dedicamos. O ocidente nos pede minerais, água, gases. Mas devemos escavar em busca de petróleo. Porque gases, minerais e água devem ser simplesmente a conseqüência dessa busca. É sempre na intenção do petróleo que devemos escavar o que almejamos. Se eu decidisse doas um milhão de rúpias a alguém, em notas de uma rúpia, eu precisaria de um milhão de notas. Mas se preferisse doar essa quantia em ouro, bastaria um pequeno pedaço e ele teria o mesmo milhão."
(Agandanadam, velho sábio hindu)

Referência: Kathakali e a música (inglês)

Fonte:http://www.saindodamatrix.com.br/archives/kathakali.htm


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O Kathakali é uma das manifestações tradicionais de Kerala. A combinação de dança e teatro reúne com oponente expressividade personagens mitológicos do universo religioso indiano. Deuses, demônios e seres sobrenaturais entrelaçando-se na beleza entre forma e movimento.

Originário de Kerala, extremo sul da Índia, o Kathakali (katha, estória; kali, jogo) é um estilo de dança teatral interpretado exclusivamente por homens. Sua origem está intimamente ligada à história de Malabar (o antigo nome do estado de Kerala). Segundo a mitologia hindu, Malabar teria nascido a partir da rachadura provocada pelo machado de Parasurama.
Guerreiro considerado a sexta encarnação do deus Vishnu, Parasurama teria vindo à terra para proteger a supremacia espiritual e social dos brâmanes (a mais alta casta hindu). De espírito extremamente belicoso, o guerreiro decidiu encerrar sua trajetória sangrenta através de um gesto simbólico: deixou cair seu machado ao sul da Índia. Entretanto, através desse poderoso golpe, uma faixa de terra emergiu: era Malabar. Para povoar esta terra, o guerreiro Parasurama trouxe várias famílias brâmanes do norte da Índia, que se estabeleceram e formaram uma sociedade particularmente cativa do gosto pelos rituais. Desse modo, a arte teatral Kathakali teria surgido como forma de tornar os profundos ensinamentos dos Vedas (escrituras sagradas do Hinduísmo) acessíveis a todas as castas.
Artista kathakali em apresentação
O caráter sacerdotal da performance do ator, no entanto, vai além da função de propagar a sabedoria védica: ela requer uma identificação mística entre ator e os deuses que devem encarnar em cena. Outra característica que revela o papel religioso do Kathakali é a oferenda de dinheiro ao ator que representa Krishna (figura central do Hinduísmo), como se o entregassem ao próprio deus para obtenção de alguma graça. Segundo o historiador e indológo francês Alain Daniélou, no Kathakali, o ator uma vez maquiado, já não é ele mesmo. "Tampouco nos dirigimos mais a ele, mas sim ao personagem que encarna, e o veneramos como tal." De fato, a majestosa e colorida indumentária aflora as figuras mitológicas hindus desumanizando a figura do ator.
Ator durante apresentação do KathakaliOrnamentado com uma das maquiagens mais complexas do mundo, o rosto do “ator-sacerdote” do Kathakali possui altíssimo grau de expressividade facial, gerando a sensação de “esculpir” minúsculos movimentos. As cores, que assumem funções específicas, correspondem à natureza de cada entidade: os moradores das florestas, caçadores e demônios femininos são representados pela predominância do preto; os heróis são caracterizados pela pintura facial verde; os personagens com grandes bigodes pretos representam selvagens como características heróicas; já os personagens de bigodes vermelhos seriam representações de seres terríveis e destrutivos.
Geralmente realizados como uma oferenda ao tempo e a sua divindade regente, os espetáculos de Kathakali obedecem a uma seqüência de ritual de etapas sagradas, que se inicia pela manhã e transcorre até o final da tarde. Uma grande lâmpada a óleo é então colocada na parte da frente e central do palco e anuncia a apresentação. O primeiro som a se ouvir sobre o palco é a batida grave de um tambor, que simboliza o grande som original, o primeiro som do Universo (na versão hindu sobre a teoria do "Big Bang", o deus Shiva teria criado o Universo batendo violentamente em seu tambor). Após a Todhayam e o Purappadu (duas danças introdutórias que evocam benevolência e energia criadora), iniciam-se as histórias inspiradas em grandes épicos, que revelam um universo povoado de deuses, super homens, demônios e animais mitológicos.
São apresentadas duas ou três peças por noite, com duas a quatro horas de duração. A programação da noite se encerra habitualmente com uma peça onde, no final, um demônio é infalivelmente morto de forma terrível, em uma cena de grande impacto. Ao final do programa, quase sempre sob as primeiras luzes da manhã, Krishna retorna à cena para uma rápida dança de agradecimento aos deuses e à platéia. O Natya Shastra, um dos mais antigos textos indianos sobre o teatro, a formação do ator e a dramaturgia clássica da Índia diz que "o homem que assiste devidamente a apresentações de música ou drama obterá, após a morte, a feliz e meritória estrada em companhia dos sábios brâmanes".
Expressões faciais e movimentos de corpo
O desenvolvimento espiritual possui um papel de grande importância na Índia (ratificado, inclusive, pela mitologia acerca de Kerala, em que Vishnu é o responsável pela origem do estado indiano).
Principais gestos do Kathakali
Além disto, outros fatores também contribuem para essa manutenção religiosa, como a teoria do karma e das sucessivas reencarnações. E, deste modo, em uma sociedade em que a oralidade é uma das principais formas de transmissão cultural, o teatro Kathakali é encarado não apenas como uma cerimônia esotérica, pública, mas também como uma oferenda subjetiva aos deuses; um meio de crescimento individual, tanto para quem faz, como para quem o assiste.

Fonte:http://www.acervosvirtuais.com.br/layout/kathakali/midia.php#