PREVENÇÃO É TUDO : OS AVANÇOS NA LUTA CONTRA O CÂNCER

Resultado de imagem para 70% dos casos de cancer não respondem à quimioterapia



OS AVANÇOS NA LUTA CONTRA O CÂNCER

Ao anunciar uma nova ofensiva para “erradicar” o câncer, o presidente norte-americano Barack Obama reforçou o combate contra uma doença que anualmente mata mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo, apesar dos importantes avanços terapêuticos recentes.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são detectados 14 milhões de casos novos a cada ano, número que poderia aumentar 70% nos próximos 20 anos, dos quais a terceira parte seriam causados por fatores como tabaco, álcool, obesidade, sedentarismo e alimentação.
Os tratamentos atuais, muitas vezes fornecidos em associação, permitem curar muitos doentes com bom prognóstico (próstata, testículos, mama, tireoide e certas leucemias) e prolongar significativamente a sobrevivência de outros.
O tratamento mais antigo, que começou a ser administrado no final do século XIX, é a cirurgia. Consistem em remover o tumor ou os gânglios linfáticos invadidos pelos tumores cancerosos.
Desenvolvida no início do século XX, a radioterapia consiste em utilizar raios de energia elevada para destruir as células doentes. Se desenvolveu rapidamente nos últimos 20 anos graças a importantes avanços técnicos que permitiram definir com grande precisão as zonas a tratar e limitar a exposição de tecidos saudáveis.
A quimioterapia consiste por sua vez em utilizar medicamentos para eliminar as células cancerosas. Atualmente, é usada numa quantidade grande de casos de câncer, em geral associada a cirurgia ou radioterapia, o que permitiu aumentar a sobrevivência. Mas como também ataca células saudáveis, pode acarretar efeitos secundários importantes.
Reservada a certos casos como o câncer de mama ou de próstata, a hormonoterapia provoca a morte de células tumorais num prazo mais longo, criando um entorno hormonal desfavorável.
Certos casos de câncer (pulmão, fígado ou pâncreas) não respondem tão bem aos atuais tratamentos e outros apresentam recaídas, levando os investigadores a buscar novas respostas terapêuticas.
Entre elas aparecem a imunoterapia, uma técnica que se esforça para “mobilizar” as defesas imunes do paciente contra sua própria doença. Segundo alguns pesquisadores, pode transformar o tratamento de algumas formas de câncer. Recentemente, resultados animadores foram obtidos no tratamento do melanoma avançado e certos tipos de câncer de pulmão.
Outra pista promissora são os tratamentos específicos contra certas moléculas que participam no crescimento da doença. É utilizado em certos casos de câncer no sangue, mas também de mama, pulmão e aparelho digestivo.
Além dos tratamentos que apontam diretamente para as células cancerosas, alguns atacam diretamente o desenvolvimento dos vasos sanguíneos que alimentam o tumor.
Em estado ainda experimental, a terapia genética consiste em “injetar” um gene numa célula, substituindo um gene deficiente ou induzir a fabricação de uma substância destinada a destruir as células cancerosas.
Isso levou a inúmeros testes clínicos e foi particularmente eficaz em crianças que sofrem de câncer no sangue. Também está sendo testado contra o câncer de pâncreas.
Fonte: Zero Hora

Câncer – A chave da vida e da morte

A doença mais mortal do século nasce dentro de cada um de nós, a partir do mesmo mecanismo que desenvolveu a nossa espécie. Por décadas, a ciência buscou armas para expulsar o tumor. Mas agora estamos virando o jogo - o inimigo é o corpo em desequilíbrio. E a resposta para lidar com o câncer está dentro de você.

No princípio era a sopa primordial. Uma argamassa de dióxido de carbono, amônia e metano boiando no enorme oceano de 3,8 bilhões de anos atrás. Não se sabe bem quando, essa mistura começou a se organizar; formou moléculas complexas e longas correntes de aminoácidos. Algumas dessas criações desenvolveram a habilidade de se copiar e se espalhar pelo ambiente, num “crescei e multiplicai-vos” químico. Em pouco tempo, a água estava tomada. Até aí, nada de muito interessante teria acontecido neste pacato planeta rochoso, se algumas dessas moléculas não começassem a sofrer mudanças na hora de se multiplicar. Uma passou a se reproduzir com mais rapidez, outra viveu mais, e uma terceira ainda descobriu uma forma de se proteger do mundo exterior criando uma cápsula protetora ao seu redor. Essa molécula multiplicadora era o tataravô do nosso DNA – e sua cápsula, a membrana celular das nossas células. Já as pequenas “mudanças na hora de se multiplicar” são as mutações. São elas que no fim das contas desenvolveram a vida na Terra: fizeram com que essas células arcaicas virassem bactérias, fungos, insetos, peixes, dinossauros, aves e, finalmente, nós, macacos pelados de cérebro avantajado. Sem as mutações não estaríamos aqui. São a chave da vida e da morte. São elas também as culpadas pela mais temida das doenças do nosso tempo: o câncer.
O câncer faz parte do processo natural da vida. Na espreita, dentro de nós, os genes que ativam o câncer esperam por mutações que possam acordá-los e desenvolver a doença.
Sim, eu e você temos no nosso DNA alguns genes que podem converter células normais em cancerosas, conhecidos como proto-oncogenes. Já vieram de nascença. Mas, para o nosso alívio, nem todos despertam. Teoricamente, três a cinco mutações em genes específicos já seriam o suficiente para desenvolver um câncer. Mas, em média, um tumor maligno é o resultado de 400 mutações. Ou seja, o resultado de um azar tremendo.
Imagine o corpo como uma grande orquestra, equilibrada e harmônica. O câncer seria o equivalente a um dos instrumentos, digamos o violino principal, estar fora do tom. Devagar, aquele som desafinado começa a contaminar todos os outros, que o seguem. O resultado, você pode imaginar, é uma barulheira descabida – um equivalente sonoro a um tumor. É exatamente assim com o câncer, doença que se espalha sorrateira. Ela começa com uma pequena inflamação, pode ser algum químico do cigarro ou fuligem, por exemplo, que se aloja no pulmão. Para expulsá-lo, nosso sistema imunológico vai até lá lutar contra ele e desencadeia um processo inflamatório. Nessa briga, pode ser que alguma célula do corpo leve a pior: a toxicidade do alcatrão, por exemplo, pode acordar um oncogene e alterar para sempre seu DNA. Mutante, ela começa a se dividir e multiplicar descontroladamente, muito mais do que as companheiras: uma das características principais do câncer. Se novas mutações aparecerem, e uma delas desligar a capacidade natural do organismo de matar as células, por exemplo, ferrou: o câncer surgiu.
CÂNCER
– Mais de 100 tipos.
– 60 órgãos podem desenvolver câncer.
– 10% dos casos são hereditários.
– 90% são associados a fatores ambientais.
Entre quem tem câncer hoje 50% estarão vivas daqui a 5 anos mais de 40% daqui a 10 anos
5 hábitos de risco originam 30% das mortes
– Obesidade
– Falta de frutas e vegetais
– Falta de atividade física
– Cigarro
– Uso de álcool
Os mais comuns
– 12,7% pulmão
– 10,9% mama
– 9,8% colorretal
– 7,8% estômago
– 7,1% próstata
Os que deixam mais sobreviventes
– Mama
– Próstata
– Colorretal
– Útero
O câncer é a segunda doença que mais mata no mundo (em 2008, quase 14%, ou 7,6 milhões, das mortes foram causadas por ele, segundo a Organização Mundial da Saúde). Mas, se todos nós temos oncogenes, por que só alguns morrem por causa deles? Nos últimos anos, os tratamentos da doença vêm surtindo efeito: nos EUA, de 1950 até 2007, as mortes por câncer diminuíram 8%. Os oncologistas brasileiros garantem a cura de até 70% dos doentes em estágio inicial. Mas os ganhos não foram suficientes para anular as perdas. No Brasil, a parcela de culpa do câncer pelas mortes totais passou de 8% em 1980 para 15% em 2010 (já que os tratamentos das outras doenças avança rapidamente). “Até agora tivemos um progresso, é inegável. Mas, se muita gente segue morrendo, precisamos pensar diferente” diz David Agus, oncologista e autor do livro Uma Vida sem Doenças. “Uma forma é entender o câncer como um verbo. Você não `tem câncer’, você está `cancerando’.” Se é um verbo, fica fácil explicar por que a incidência do câncer cresce junto com a expectativa de vida. As células do seu corpo não param de se reproduzir – e cada divisão pode gerar alguma mutação e despertar um oncogene. Em uma pessoa idosa, o DNA já foi copiado tantas vezes, que o risco de erros é muito maior. Pense num xerox de um xerox – é sempre pior do que a primeira cópia.
Se a doença convive com a gente, ela também dificilmente será extinta, ao contrário do que a humanidade sonhava. Por muito tempo, os cientistas se preocuparam em buscar armas e munições contra os tumores, como se fossem um inimigo externo que precisa ser expulso a qualquer custo. Não entendiam que ele faz parte de nós. “Se a doença cresce, é porque o corpo todo está doente, não apenas um órgão”, diz Agus. Em outras palavras, o câncer só cresce quando seu organismo falho permite – quando aquele primeiro violino saiu do tom. E é para esse lado que a oncologia começa a olhar: para dentro de você, à procura do reequilíbrio do corpo.
Corta aqui, tira ali
Sentada no sofá da sala em São Paulo, numa tarde de sábado, Carmela Talarico sentiu um caroço na mama esquerda. Descobriu por acaso, enquanto coçava o braço. Aos 56 anos, ela sabia o que aquilo podia ser. Na segunda-feira, correu até o médico e marcou os exames que confirmariam o óbvio: estava com câncer de mama. O tumor não passava de um centímetro, mas ela teria de enfrentar uma operação para retirá-lo. Naquela época, começo dos anos 80, as ideias de William Halsted, cirurgião americano, ainda influenciavam os oncologistas de todo o mundo. Halsted só viveu até o ano de 1922, quando pouco se sabia sobre o câncer, mas defendia que se devia eliminar o maior número possível de tecidos ao redor dos tumores para não deixar nenhum fragmento para trás, o que possibilitaria o surgimento de um novo tumor. Em outras palavras, Halsted mandava caprichar na faca.
Suas cirurgias radicais desfiguravam as pacientes. “Na Europa, um cirurgião tirou três costelas e outras partes da caixa torácica e amputou um ombro e a clavícula de uma mulher com câncer de mama”, conta Siddhartha Mukerjee, oncologista e professor de medicina da Universidade de Colúmbia, no livro O Imperador de Todos os Males.
Foi essa a cirurgia que Carmela encarou. Felizmente, não foi necessário amputar o ombro ou a clavícula, mas Carmela perdeu a mama esquerda inteira, o músculo peitoral e os gânglios debaixo do braço. Com quase 90 anos, ainda no mesmo sofá e apartamento, sem nenhuma prótese, ela conta feliz: “Se tivesse um tumor do outro lado, faria tudo de novo”. Se o câncer tivesse aparecido poucos anos depois, Carmela teria escapado da cirurgia radical. Em 1981, um estudo americano comprovou que a mastectomia radical não apresentava nenhum benefício em relação à cirurgia simples (retirada de só um pedaço da mama) ou cirurgia acompanhada por radioterapia. Anos mais tarde, em 2004, a filha de Carmela, Eliane, também se deparou com caroços – mas só precisou retirar um quarto da mama direita, além de encarar doses de radioterapia e quimioterapia.
Remédios quimioterápicos, aliás, já existiam há alguns anos. O primeiro deles surgiu, por acaso, durante a 1ª Guerra Mundial. Pesquisadores perceberam que pessoas expostas ao gás mostarda apresentavam uma drástica redução de glóbulos brancos, porque ele afeta a medula óssea. Em 1946, cientistas testaram a droga em pacientes com linfomas (câncer das glândulas linfáticas). Funcionou por um tempo. Mas logo apareceram as recaídas. A primeira droga a curar de verdade o câncer apareceria só em 1960, quando dois pesquisadores conseguiram acabar com um câncer raro na placenta de uma paciente.
Qualquer remédio de quimioterapia atinge células que se dividem rapidamente – sejam elas normais ou cancerosas. É por isso que pessoas em tratamento perdem o cabelo, por exemplo. E é por isso também que essas terapias causam tantos efeitos colaterais. Os primeiros pacientes tratados com cisplatina, nos anos 70, sentiam tanta fraqueza e náusea que vomitavam quase 12 vezes por dia. Chegavam à beira da morte. A indústria farmacêutica já criou remédios capazes de reduzir os efeitos. Por anos, a estratégia dos cientistas foi testar qualquer tipo de substância – plantas, químicos, remédios – para tentar destruir o câncer, como se ele fosse causado por vírus ou bactérias. Demorou para entender que o perigo morava tão perto.
Ambiente externo
Reequilibrar o ambiente doente ao redor de um tumor pode ajudar a combatê-lo
Uma equipe do Berkeley Lab, nos EUA, liderada pela pesquisadora Mina Bissell, investigou as diferenças entre células mamárias normais e tumorosas. E descobriu que o ambiente ao redor das células ajudava a determinar se elas deveriam fazer leite materno (estado normal) ou crescer desenfreadamente.
O que eles perceberam foi uma enorme quantidade de uma proteína chamada TGF-Beta 1 ao redor das células tumorosas. Se pudessem reduzir essas proteínas, será que a célula danificada se transformaria numa normal outra vez?
Deu certo. Analisar o ambiente em volta da célula tumorosa mostrou qual proteína estimulava o crescimento do câncer. E anulá-la foi suficiente para reverter o processo da doença.
Tiro ao alvo
Só em 1976, os pesquisadores se deram conta de que havia uma ligação entre câncer e os defeitos no DNA. Até então, a maioria deles se dedicava à busca de um possível vírus causador da doença. Peyton Rous, um médico americano, havia descoberto, ainda no início do século, um retrovírus que causava sarcoma em galinhas (um tipo de tumor que se desenvolve em tecidos, como osso ou músculo). Sem encontrar explicação para o câncer, a ideia do vírus atraiu os pesquisadores – tanto que, em 1950, chegou a ser criado, nos EUA, um Programa Especial de Vírus do Câncer. A busca não deu em nada: raros tipos de câncer são causados por micro-organismos. O que descobriram foi que o tal vírus dos sarcomas das galinhas na verdade não causava câncer. O que ele fazia era transportar para dentro dos animais um gene específico – e este, sim, alterava as células e fazia com que elas começassem a se dividir loucamente. Como um software que, uma vez instalado, faz a máquina inteira rodar de uma nova forma.
A descoberta mudou o rumo da história do câncer. Os dois pesquisadores logo perceberam que genes normais podiam, sob influência de fatores externos, se transformar em oncogenes. E, se a culpa era deles, talvez fosse possível desmascará-los e desativá-los. Começou então uma nova maneira de encarar a doença. Um dos caminhos foi olhar para as moléculas produzidas por ordem dos genes: as proteínas. São elas que regem todo o equilíbrio do corpo e podem mandar, por exemplo, uma célula se duplicar rapidamente e virar um tumor. “Mudanças no DNA alteram a estrutura das proteínas. Assim, é possível desenvolver remédios que inibem sua ação e corrigir o defeito”, explica Luiz Fernando Reis, diretor de pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Só que a tarefa não é das mais fáceis: cada câncer envolve dezenas de “agentes” diferentes para se desenvolver – e estima-se que existam mais de cem tipos diferentes de câncer.
Fácil não é, mas a americana Barbara Bradfield teve sorte. Em 1990, ela descobriu um caroço debaixo do braço e nos seios. Tinha câncer de mama – e pior: ele já tinha se espalhado nos nódulos linfáticos. Enfrentou quimioterapia e perdeu parte da mama. Ainda assim, um ano depois, o câncer reapareceu – e se espalhou em metástase. A morte era questão de tempo. Mas não foi o que aconteceu. Dois pesquisadores estavam trabalhando havia cinco anos para tratar especificamente aquele tipo de câncer, que precisa de uma proteína chamada Her-2 para sobreviver. Eles perceberam uma quantidade enorme dessa molécula do lado de fora das células cancerosas e encontraram um remédio que parecia desligar sua produção. Durante nove semanas, Barbara recebeu a droga recém-descoberta. O câncer desapareceu, num caso inédito. Assim como o câncer, a cura também estava dentro dela. Os pesquisadores continuaram com os testes e, em 1998, os EUA autorizaram o uso do medicamento, o Herceptin. Desde então, apareceram mais de 20 remédios que acertam em cheio as células cancerosas, as terapias-alvo – durante muito tempo a grande esperança da luta contra a doença. Ao contrário da quimioterapia, eles poupam as células saudáveis e destroem apenas as malignas.
Mas 20 ainda é pouco. Uma maneira de aumentar a criação de remédios específicos para cada paciente partiu do próprio David Agus com a ajuda do engenheiro da computação e inventor Daniel Hillis. Eles inventaram um computador capaz de tirar uma sequência de fotos das proteínas do corpo em ação – algo como ouvir, em tempo real, a conversa entre todas as nossas células, a música tocada na nossa orquestra interna. Só que fazer isso não é uma tarefa fácil. A cada minuto, as proteínas do seu corpo mudam. Se você tirar uma amostra de sangue agora e ir ao banheiro e tirar outra depois, as moléculas serão outras. Pode haver modificações até mesmo durante a análise do sangue no laboratório. Parecia impossível chegar a resultados confiáveis.
Depois de seis anos de trabalho, em 2009, a dupla conseguiu. Com conhecimentos sobre robótica, computação paralela e uma técnica capaz de avaliar as características individuais de cada molécula, Hillis conseguiu fazer imagens em alta definição das proteínas humanas. Uma gota de sangue gera um retrato tão complexo que ocupa um espaço de 40 gigabytes. Agora a missão é identificar quem é quem e qual o papel de cada proteína. (Entenda a complexidade abaixo.) Quando isso acontecer, encontrar remédios que atinjam as células malignas de cada tipo de câncer, em cada pessoa diferente, pode ser moleza. A esperança é que possamos desenvolver remédios para 10 mil proteínas diferentes, e não só as 500 que pesquisamos hoje em dia. “A terapia-alvo olha só para a doença, para uma célula individual. A proteômica olha para a doença e para o entorno dela, para seu metabolismo, para todo o conjunto. Então dá para saber qual remédio funciona melhor para você”, explica Agus.
Diga xis
Entenda a análise de todas as proteínas do seu corpo
Com este retrato, é possível saber tudo o que acontece no corpo – ver como seu organismo responde a cada remédio (ou comida, ou substância cancerígena) e se algo vai mal lá dentro. O excesso de uma determinada proteína pode constatar que algo está errado com seu estômago, por exemplo.
1. Uma gota de sangue pode gerar um retrato de todas as proteínas do corpo.
2. Computadores medem a distribuição, o tamanho e a ocorrência de cada uma delas em resposta a um remédio específico.
3. Assim, dá para comparar o retrato proteico de duas pessoas diferentes e traçar o perfil de cada uma.
4. Se duas pessoas tomam um remédio e respondem a ele de forma diferente, já sabemos qual proteína é a responsável.
Comparando os dois exames ao lado, dá para perceber que um mesmo tratamento liberou proteínas diferentes em João e em Maria – ou seja, também será mais eficiente em um do que em outro. Um simples exame de sangue poderá detectar isso. E será possível encontrar um medicamento específico para cada doença, em cada pessoa.
Tudo é um só
A cura definitiva para o câncer ainda não existe. E o mais provável é que ela nunca aconteça, deixando os cientistas do planeta inteiro frustrados (e a SUPER também: há 12 anos, publicamos que o câncer “estava com os dias contados”. Ops). A OMS acredita que o número de mortes por câncer, em 2030, chegará a 17 milhões por ano – pouco mais do que o dobro de casos relatados em 2008. Culpa do envelhecimento da população. O câncer não vai embora, mas tende a virar cada vez mais uma doença crônica, como o diabetes ou a pressão alta. Que o diga David Servan-Schreiber, neurocientista francês, professor de medicina da Universidade de Pittsburgh. Em 1992, ele trabalhava em um laboratório de neuroimagem, quando um dos pacientes agendados do dia não compareceu. Para passar o tempo, ele então decidiu se enfiar na máquina de ressonância magnética e se autoanalisar. Descobriu um tumor maligno no cérebro. Passou por cirurgia e quimioterapia. Oito anos depois, o câncer voltou. Depois de mais cirurgias e sessões de rádio e quimioterapia, David decidiu procurar alternativas – não com o objetivo de abandonar os tratamentos tradicionais, mas para aumentar suas chances de cura. “Fui procurar na literatura científica um jeito de ajudar meu corpo a vencer o câncer. E descobri que o jeito como vivemos e comemos aumenta a incidência do câncer”, disse em um seminário há alguns anos. Ele mudou a dieta e passou a praticar mais exercícios físicos.
Schreiber não estava sozinho. Outros pesquisadores também acreditam que o estilo de vida pode prevenir ou ajudar o organismo a lutar contra o câncer. Uma vida mais saudável e regrada fortalece o corpo – e, assim, o sistema imunológico ganha um empurrãozinho também. “O câncer não é doença de um órgão só, é o sintoma de um desequilíbrio geral do corpo”, diz David Agus. “Você diz que sua casa ‘está com um problema de água’, quando vê uma poça de água na sala? Ou você procura onde está o vazamento? Não basta secar a água, é preciso consertar o encanamento. É o mesmo com o câncer, envolve todo o sistema”, diz Agus.
A ciência não sabe listar com precisão todos os fatores que podem causar câncer. Herança genética tem uma parcela pequena de culpa: de 5 a 10%. Já fumar é quase suicídio: 90% dos casos de câncer no pulmão vêm do cigarro (dos 10% restantes, quase 4% dos pacientes são fumantes passivos). O álcool também aumenta em 5% a incidência de câncer de mama. E outros vários pequenos fatores aumentam os riscos de desenvolver algum tipo de câncer: pesticidas e inseticidas, o contato da pele com o alumínio (atenção com o desodorante), a exposição excessiva ao sol, alguns cosméticos (com parabeno, conservante encontrado em xampus e cremes, ou tolueno, presente em esmaltes, por exemplo), produtos de limpeza, e por aí vai.
Em contrapartida, como você já está cansado de saber, dormir oito horas por dia, praticar atividades físicas, comer mais vegetais e frutas, sempre nos mesmos horários, ajuda a prevenir e enfraquecer o câncer. Sim, definir horário para cada atividade (principalmente na hora de se alimentar) é tão importante quanto o que comer. “Se você come todos os dias às 13 horas e, por acaso, hoje vai comer às 15 horas, seu corpo passou duas horas sob estresse”, diz Agus. “O câncer é uma inflamação. Qualquer tipo de estresse, mesmo emocional, faz você produzir substâncias inflamatórias. Então, a substância vai até um órgão qualquer e diz ‘nflama’. É um gatilho para desenvolver um problema”, completa Daniela Jobst, nutricionista funcional. E é por isso que Agus recomenda todo cuidado para evitar inflamações: desde vacina contra gripe até aspirinas. “O que inflama hoje no seu corpo pode ter um resultado pior daqui a alguns anos”, diz.
Para não dar sorte ao azar
Não há uma fórmula mágica – e, sim, pequenas atitudes que podem ajudar a combater a doença
– Adote um cachorro
Ele vai ajudar a manter uma rotina. Você será obrigado a levá-lo para passear ou a dar comida todos os dias no mesmo horário. Comer, dormir e fazer exercícios físicos sempre no mesmo horário deixa seu corpo menos estressado.
– Não fique muito tempo sentado
É tão prejudicial ao corpo quanto fumar. Passar horas sentado muda todo o metabolismo de um corpo feito para ficar em pé: aumenta as taxas de colesterol no sangue e pressão arterial.
– Tome vacina contra gripe
A gripe espalha pelo corpo diversas inflamações e, para vencê-las, seu sistema precisa de muito esforço. Assim, seu corpo sofre um imenso desgaste, envelhece mais rápido – e abre possibilidade para algo pior depois.
– Use sapatos confortáveis
Esqueça o salto alto e o bico fino. Sapatos confortáveis são a melhor maneira de evitar inflamações nas articulações e coluna lombar.
– Prefira orgânicos e congelados
Orgânicos são sempre melhores. Mas, se você compra verduras no mercado, prefira os congelados. No momento em que saem do solo ou das árvores, os alimentos frescos começam a perder os nutrientes. No caminho até a venda, quase tudo já se foi.
Mesmo com todos os cuidados e as tentativas de reestabelecer o equilíbrio no organismo, David Servan-Schreiber perdeu a luta para o câncer. Em 2010, os tumores reapareceram e, um ano depois, o corpo do cientista não resistiu. David nunca abandonou os tratamentos tradicionais (cirurgia, quimioterapia e radioterapia). Mas ele superou as expectativas. Em geral, após o diagnóstico de tumores malignos no cérebro, apenas 15% das pessoas vivem mais de cinco anos. Menos de 10% vivem dez anos ou mais. O câncer precisou de 20 anos para derrubar David. Não dá para falar em derrota.
A tendência é que isso aconteça para todos os pacientes no futuro: a qualidade de vida durante o tratamento aumente, a reincidência diminua e as chances de cura cresçam. Vamos viver mais e melhor. É isso que prometem os tratamentos personalizados e os que entendem o câncer como um pedaço natural de nós. Pode ser que um copo de vitamina C seja bom para você e péssimo para mim. Vai ser possível também descobrir a presença de tumores por meio de um simples exame de sangue. Aí, sim, manteremos o equilíbrio completo do seu corpo e, se fizermos tudo direitinho, preveniremos a doença – você vai saber exatamente como restaurar as forças que trabalham contra seu corpo. É como a medicina oriental, que há séculos entende e trata o organismo como um todo. Por todo esse tempo, estávamos olhando para o lugar errado. Mas agora estamos acertando a mira.
 
PARA SABER MAIS
O Imperador de Todos os Males
Siddhartha Mukherjee, Companhia das Letras, 2012.
A Vida sem Doenças
David. B. Agus, Intrínseca, 2013.
Anticâncer: Prevenir e Vencer Usando Nossas Defesas Naturais
David Servan-Schreiber, Fontanar, 2011.
Fonte:http://super.abril.com.br/saude/cancer-a-chave-da-vida-e-da-morte/

Câncer de A a Z

Agentes Cancerígenos são substâncias que aumentam a predisposição do indivíduo a desenvolver câncer. Entre elas estão:
Álcool – o consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode aumentar o risco de câncer no fígado. Aliado ao cigarro, aumenta a incidência de câncer de boca, esôfago, laringe e faringe;
Alimentação – É importante reduzir o consumo das gorduras trans (gordura que sofreu uma alteração química) e saturadas (alimentos de origem animal). Há alguns tipos da doença cuja relação com a alimentação tende a ser mais evidente, como câncer de cólon, útero e próstata;
Cigarro – é o principal agente cancerígeno da atualidade, relacionado ao aumento da incidência de tumores em geral, especialmente no pulmão, boca, laringe, esôfago, pâncreas, bexiga, rins e mama;
Medicamentos e hormônios – alguns medicamentos podem ser considerados cancerígenos. A testosterona, por exemplo, usada para aumento da massa muscular, pode aumentar a incidência de câncer de próstata;
Radiações – indivíduos que receberam altas doses de radiação ao longo da vida, como sobreviventes de acidentes em usinas nucleares e bombas atômicas, têm mais chance de desenvolver câncer;
Raios solares – associados ao câncer de pele, já que raios ultravioletas podem alterar o DNA; das células.
Substâncias químicas – arsênico, amianto, benzeno, níquel e derivados do petróleo, lançados na atmosfera por meio da queima de combustíveis, são substâncias consideradas cancerígenas e devem ser evitadas em grande quantidade;
Vírus – certos vírus, como o HPV, são considerados precursores de câncer.
Anemia: a pessoa se torna anêmica quando o número de hemácias e o volume de glóbulos vermelhos do sangue estão abaixo do normal, tendo como sintomas a palidez, falta de energia e fadiga.
Anticorpos monoclonais: São anticorpos desenvolvidos em laboratório, capazes de destruir determinados tipos de células cancerígenas, sem afetar células normais.
Antitumoral: é como são genericamente chamados os medicamentos que impedem o desenvolvimento de tumores.
Apoptose: é como se denomina a morte celular programada, determinada geneticamente, necessária para a regulação fisiológica do tamanho dos tecidos. As células tumorais não respondem mais a esse controle natural de crescimento e multiplicação celular, portanto crescem e se multiplicam desordenadamente.
Biópsia: é o principal procedimento utilizado para comprovar o diagnóstico de câncer. Trata-se da retirada de uma ou mais partes do tumor para análise. Por meio da biópsia é possível determinar se o tumor é maligno ou benigno e ajuda na seleção do tipo de tratamento. Quando se fala em biópsia de congelação, a ideia é que, durante um ato operatório seja retirada uma parte maior do tumor ou todo ele e/ou, ainda, alguns tecidos ao redor e/ou linfonodos (os chamados gânglios) e enviados para uma análise imediata do material. A finalidade, neste caso, não é somente de diagnosticar melhor, mas de verificar se o tumor foi extraído satisfatoriamente e/ou se eventualmente não ocupou linfonodos, dando indício de se disseminar para outros locais do organismo.
Braquiterapia: é uma forma de radioterapia em que materiais radioativos são implantados nas proximidades do tumor, evitando que células sadias sejam afetadas. Geralmente os implantes são mantidos no organismo por alguns dias, por isso o tratamento é realizado no hospital.
Carcinoma: é a nomenclatura mais técnica para o câncer, de uma forma geral, mais ligada à formação tumoral originada de células epiteliais ou de revestimento. Assim, pode-se ter carcinoma de pele, carcinoma de tireoide, etc.
Cateter: tubo ou sonda que se introduz em canais ou cavidades do corpo para investigar a presença de algum problema e/ou injetar líquidos e medicamentos.
Cintilografia Óssea: utilizando substâncias que geram contraste, esse tipo de exame permite que sejam feitas imagens do esqueleto humano para detectar possíveis metástases no tecido ósseo.
Cirurgia: é o tipo de tratamento mais antigo e definitivo. Geralmente indicada para tumores que ainda estão circunscritos ao seu local de origem e quando não há risco de atingir outro tecido ou órgão durante a retirada. Na maior parte dos casos a cirurgia é combinada com a radioterapia e/ou quimioterapia, já que algumas células cancerosas podem permanecer no organismo, dando origem a um novo câncer.
Colonoscopia: trata-se de um tipo de exame, do tipo endoscopia, que permite visualizar o interior do intestino grosso, utilizado para examinar e diagnosticar doenças do reto, dos cólons e do íleo terminal. A colonoscopia também permite a realização de biópsias, a remoção de pólipos e a identificação de pontos de hemorragia e sua cauterização.
Colostomia: é a exteriorização de uma parte do intestino grosso para a eliminação das fezes, que são coletadas em um recipiente do tipo bolsa. As colostomias são utilizadas quando há a necessidade de realizar uma cirurgia específica, na qual não é possível suturar as duas extremidades do intestino que tiveram de ser desligadas. Assim, a exteriorização da parte do intestino para a evacuação é necessária.
Cromossomos: são uma longa sequência de material genético, que determinam funções específicas das células e características físicas dos seres vivos.
Crônico: trata-se de um termo utilizado quando o paciente permanece com a doença por um longo período de tempo.
Cuidados Paliativos: segundo a Organização Mun
Endométrio: mucosa que reveste a parede interna do útero, formada por fibras musculares, e que recebe estímulos dos hormônios ovarianos: estrógeno e progesterona.
Estadiamento: é a gradação (geralmente em uma escala de 1 a 5) de quão avançado e/ou disseminado pelo organismo encontra-se o tumor. Avalia-se o quanto o tumor afeta as estruturas no local onde se encontra (profundidade, extensão, desarranjo local) e também a presença de metástases (células tumorais que vão para outras partes do organismo para formar tumores iguais ao originário).
Estomatite: inflamação na boca ou nas gengivas, que pode ser causada por: infecção por vírus, bactérias ou fungos; agentes tóxicos ou irritantes como álcool e fumo; desidratação, trauma e deficiência de vitaminas C, complexo B e de ferro.
Hormonioterapía: tratamento à base de substâncias análogas aos hormônios no lugar de agentes quimioterápicos. Tem como finalidade impedir que as células malignas continuem a receber o hormônio que estimula o seu crescimento. Esse tratamento pode incluir o uso de medicamentos que modificam a forma de atuar dos hormônios originais. Utilizado principalmente em casos de câncer ginecológico, de mama e de próstata.
HPV: é a sigla de referência ao papilomavírus humano, vírus capaz de induzir lesões de pele ou mucosa, especialmente nos órgãos genitais femininos e intestino grosso. Existem mais de 200 tipos de HPV, entre os quais 15 são capazes de provocar câncer. De acordo com o INCA, dentre as vacinas em desenvolvimento para prevenir a infecção por HPV, a única liberada para comercialização nos Estados Unidos é a quadrivalente, que previne contra os tipos 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais, e contra os tipos 16 e 18, de alto risco de câncer do colo do útero e presentes em 70% dos casos.
Imunoterapia: o sistema imunológico do organismo humano naturalmente tem a capacidade de reconhecer células cancerosas e combatê-las. Na imunoterapia ou terapia biológica, utilizam-se métodos ou substâncias que estimulam e fortalecem esta capacidade das células imunes em reconhecer e destruir as células tumorais. Indicada como tratamento complementar à cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, tem sido considerada eficaz especialmente contra o melanoma.
Infusão contínua: trata-se de um tipo de aplicação de medicamentos por meio das veias do paciente, de forma lenta e ininterrupta, por tempo determinado. A infusão contínua geralmente é utilizada com quimioterápicos que podem causar hipotensão arterial, reações alérgicas e inflamações ao longo da veia puncionada e, por isso, não podem ser administrados de uma só vez e têm de ser diluídos em uma quantidade maior de líquido (soro ou diluente específico). O tempo da infusão é determinado pelo médico.
Intravenoso: aplicação de medicamentos no interior da veia, o que permite uma rápida absorção pelo organismo.
Linfonodos: também conhecidos como gânglios ou nódulos linfáticos, sua função é filtrar a linfa e eliminar corpos estranhos que ela possa conter, como vírus e bactérias. São frequentemente vias utilizadas pelas células tumorais para disseminação da doença a outras partes do organismo, já que os linfonodos distribuem-se em cadeias, ao longo de todo o corpo. O acometimento dos linfonodos pelas células tumorais é um dado muito importante no estadiamento dos tumores.
Mamografia: É uma radiografia das mamas, que deve ser feita rotineiramente em mulheres acima dos 40 anos. Caso seja encontrada alguma alteração, a mamografia deve ser seguida por uma biópsia para confirmar o tipo de lesão.
Mastectomia: é um dos tipos de tratamento do câncer de mama no qual é preciso remover parte (mastectomia parcial) ou totalmente (mastectomia total) o órgão.
Marcadores Tumorais: são substâncias liberadas por determinados tumores e que podem ser detectadas no sangue ou na urina do paciente, contribuindo para o diagnóstico da doença.
Medula óssea: a medula óssea, situada na parte interna dos ossos, é o local de produção das células sanguíneas e das plaquetas (fragmentos de células, que previnem e interrompem as hemorragias). Entre as células do sangue estão os leucócitos (glóbulos brancos), que têm a função de proteger o organismo, e os eritrócitos (hemácias ou glóbulos vermelhos), responsáveis pelo transporte de oxigênio e gás carbônico.
Metástase: a agressividade de um câncer está relacionada ao seu crescimento no local de origem e na possibilidade de mandar células para outros tecidos ou órgãos distantes, o que configura uma metástase. À medida que o câncer cresce, algumas de suas células podem se desprender, cair na circulação sanguínea ou linfática e se espalhar para outras partes do organismo, onde irão formar novos tumores, porém com características do tumor do qual se originaram.
Monoterapia: tratamento em que se utiliza apenas um tipo de medicamento.
Mucosite: inflamação das mucosas, comum durante o tratamento quimioterápico como reação a alguns tipos de medicamento. Ocorre inchaço, vermelhidão, dor e fácil sangramento na gengiva, parte interna da boca, dentre outras mucosas.
Neoplasia: a neo (novo) + plasia (crescimento) pode ter origem em qualquer tecido do corpo humano. Sinônimo da palavra tumor, a neoplasia é um termo empregado para descrever uma multiplicação celular anormal, que pode ser considerada benigna ou maligna. A neoplasia maligna é sinônima do câncer, com capacidade para se infiltrar, ocupando muito espaço e/ou prejudicando o funcionamento de órgãos e tecidos do organismo, e/ou de enviar células à distância (metástase). A neoplasia benigna pode aumentar de tamanho, mas não invade os tecidos vizinhos e não provoca metástase. É o caso dos lipomas, também chamados popularmente de “lobinhos”, que são tumores gordurosos, e dos miomas uterinos, proliferação de tecido muscular do útero. As neoplasias benignas, geralmente, podem ser retiradas do organismo por meio de uma cirurgia simples, com poucas chances de reincidência. Quando situada no sistema nervoso central, entretanto, apesar de benigna em suas características, uma neoplasia pode limitar consideravelmente a vida de uma pessoa e até levá-la à morte.
Oncologia: é a especialidade médica que estuda o câncer. Sinônimo de Cancerologia.
Oncogenes: são genes (material genético) alterados do DNA celular, que podem levar o indivíduo a apresentar maior predisposição para desenvolver um câncer. A manifestação dos oncogenes pode ser precipitada ou facilitada por fatores ambientais e comportamentais, como exposição ao sol, fumo, álcool, poluentes ambientais, má alimentação, entre outros.
Qualidade de Vida: viver bem é mais do que ter uma boa saúde física e mental. É manter o equilíbrio, estar bem consigo mesmo e com as pessoas queridas. Hábitos saudáveis, cuidados com o corpo, atenção para a qualidade dos seus relacionamentos, balanço entre vida pessoal e profissional, tempo para lazer, saúde espiritual também são elementos essenciais para assegurar sua qualidade de vida.
Quimioterapia: é um tipo de tratamento contra o câncer que utiliza medicamentos que têm atividade prejudicial à célula tumoral, isoladamente (menos comum) ou em combinação (mais comum). Quando o tumor é muito grande e/ou se encontra em uma região do corpo na qual a abordagem cirúrgica é complicada, a quimioterapia pode ser utilizada com o objetivo de diminuir o tumor, antes de uma intervenção cirúrgica. Após uma cirurgia, ainda que a mesma tenha extirpado o tumor de maneira satisfatória, visa garantir que eventuais células disseminadas a outros locais possam ser combatidas, impedindo a formação de outras massas tumorais. Os medicamentos combinados podem ser introduzidos no paciente por diversas regiões do corpo: endovenosa (na veia), intramuscular (nos músculos), subcutânea (região acima dos músculos), pela via oral (comprimidos, cápsulas ou líquido) e até pela via intratecal (pela coluna, como num procedimento de anestesia raquimedular ou peridural), bem como intravesical (na bexiga, como forma de tratamento local ou braquiterapia). De acordo com a Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), a ocorrência de efeitos colaterais depende dos tipos de medicamento prescritos e do organismo de cada paciente. Em geral, a quimioterapia afeta o crescimento e causa queda de cabelos e pelos do corpo, além de enfraquecimento das unhas. Também pode provocar náuseas, vômitos feridas na boca, febre, diarreia e alterações na pele. Tudo isso pode ocorrer porque o(s) medicamento(s) em questão visa(m) destruir células tumorais, mas também acabam atingindo células normais do organismo, que não têm problemas, em diversas partes do corpo.
Radioterapia: é um tipo de tratamento contra o câncer, utilizado principalmente no caso de tumores localizados, que tem como objetivo destruir as células cancerosas por meio da irradiação de ondas de energia, provenientes de raio X, cobalto, iodo radioativo, entre outros. A quantidade de radiação aplicada depende do tipo de tumor e das condições do paciente. De maneira geral, os efeitos colaterais deste tipo de tratamento são: lesões na pele, queda de cabelo, lesões no fígado, rim, pulmão e cérebro, supressão medular, sensação de cansaço e distúrbios gastrintestinais. Os efeitos colaterais específicos estão associados com a região do corpo em que a radiação é aplicada, pois podem atingir células de órgão os tecidos circunvizinhos.
Recidiva: é o reaparecimento de certa doença após um período de cura mais ou menos longo.
Ressonância Magnética: método de diagnóstico por meio de imagens de alta definição dos órgãos do corpo, que não utiliza radiação, mas ondas eletromagnéticas.
Sarcoma: tipo de câncer que se desenvolve nos tecidos de conexão e de sustentação do corpo, como músculo, osso, cartilagem, fibra e gordura.
Sistema TNM: procedimento que permite classificar um tumor, através da seguinte nomenclatura:
T - Tamanho do tumor;
N - presença de células tumorais nos linfonodos locais;
M - presença de metástase à distância.
Quanto maior essa relação, mais agressivo será o tumor. Atualmente, porém, os oncologistas buscam cada vez mais diferenciar e individualizar o tumor, traçando seu perfil imunohistoquímico (ou seja, características do tumor que fariam células imunológicas reconhecer e destruir células tumorais, bem como características das células tumorais quanto a alguns receptores de membrana celular, que conservam propriedades específicas), relacionando com o perfil genético e com a imunidade tecidual (se ele é mais ou menos resistente a determinadas substâncias). Estudos genéticos têm demonstrado que a agressividade, a sensibilidade à quimioterapia e a probabilidade desse tumor reincidir não dependem apenas do estadiamento TNM. Há casos em que o paciente pode desenvolver um tumor pequeno, sem linfonodo comprometido e sem metástase à distância, mas se aquele tumor tiver determinado perfil genético que predispõe à agressividade, pode apresentar crescimento acelerado ou uma chance maior de recidivar precocemente, mesmo que operado e que submetido a radio ou quimioterapia.
Sistema Imunológico: também conhecido como sistema imune ou de defesa, é responsável pelo combate a microorganismos invasores e pela "limpeza" interna do corpo, ou seja, retirada de células mortas. Também é ativo contra células alteradas, que diariamente surgem no nosso corpo, como resultado de mitoses anormais. Essas células, se não forem destruídas, podem dar origem a tumores.
Sobrevida: é um prolongamento da sobrevivência do paciente, em termos quantitativos, não qualitativos (ou seja, o quanto sobrevive, não como sobrevive).
Terapia Adjuvante: adjuvante significa adicional. As três formas mais comuns de tratamento adjuvante são a radiação, a quimioterapia e a terapia endócrina. Geralmente é recomendada depois da cirurgia, para prevenir ou atrasar a multiplicação das células cancerosas que "restaram" no organismo após o procedimento cirúrgico.
Tratamento: pode ser curativo ou paliativo, conforme já discutido. Compreende uma série de medidas que visam combater o câncer e impedir sua recidiva (tratamento curativo) e/ou melhorar as condições de vida ou de sobrevida do paciente (tratamento paliativo). O tratamento mais adequado vai depender do tipo de câncer, do grau de estadiamento da doença e da fase da vida em que o paciente se encontra. No caso de tumores que atingem órgãos vitais, como pulmão, fígado, pâncreas, cérebro, rins, as expectativas de sucesso são menores, ainda mais quando o câncer apresenta metástases. As neoplasias malignas que se desenvolvem em pessoas com menos de 30 anos costumam ser mais agressivas e de rápido crescimento. Por isso, pacientes mais jovens podem receber tratamentos mais intensivos, que apesar de debilitar o indivíduo por um determinado tempo, aumentam as chances de cura. Já em pacientes mais idosos, as terapias costumam ser menos agressivas, aliadas aos cuidados paliativos.

Tumor: No senso comum, a palavra tumor se tornou um sinônimo de câncer, quando na verdade ela é um sinônimo de neoplasia e significa qualquer crescimento anormal de um tecido, constituindo uma formação sólida com mais de 1 cm de diâmetro. Uma simples verruga, por exemplo, pode ser um tumor, mas do tipo benigno, causado por uma proliferação celular provocada por um vírus. Assim, os tumores podem ser classificados em benignos ou malignos, de acordo com sua agressividade, potencial de invadir tecidos vizinhos e capacidade de provocar metástases.

Tumor Benigno: o tumor benigno pode aumentar de tamanho, mas não invade os tecidos vizinhos e não provoca metástase. Na maioria das vezes eles crescem lentamente e podem ser removidos por meio de cirurgia, sendo a reincidência pouco frequente.

Tumor Maligno: trata-se de um sinônimo de neoplasia maligna, pois é um tipo de crescimento celular anormal e desordenado, capaz de invadir os tecidos vizinhos e provocar metástases. Na maioria dos casos a retirada de um tumor maligno por meio de cirurgia vem acompanhada por outros tipos de terapia, já que as células cancerígenas remanescentes nos tecidos circunvizinhos e/ou distantes podem originar um novo tumor, geralmente mais agressivo e resistente aos tratamentos que o primeiro.
Vacina: é um tratamento de estimulação do sistema imunológico, de forma a fazer com que as células imunes produzam substâncias capazes de destruir agentes ou células específicas. No caso da vacina contra o câncer, a mesma é utilizada visando o combate às células específicas, que formam o tumor que se quer erradicar. Há inúmeras pesquisas sendo realizadas nesta área, especialmente em pacientes com melanoma, linfomas, tumores renais, de mama, ovário, cólon e reto.
SAÚDE
Tipo de tumor e maior resposta à quimioterapia são fatores que facilitam o sucesso do tratamento das crianças
Câncer infantil é curado em 60% dos casos
NOELLY RUSSO
da Reportagem Local

O percentual de cura de câncer em crianças já é de 60%, em média. A informação é da médica oncologista e pediatra Silvia Brandalise, do Centro Infantil de Investigação Hematológica Domingos Boldrini da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), especializado em tratar câncer infantil.
"É um padrão comparável ao do Primeiro Mundo", diz Silvia, que apresentou seus estudos no 1º Congresso de Pediatria, realizado há uma semana em São Paulo.
Segundo ela, há vários fatores para que crianças atinjam maior índice de cura. O principal deles é a diferença no câncer. "O câncer infantil responde melhor aos tratamentos, como a quimioterapia."
Segundo a oncologista Nise Yamaguchi, responsável pelo setor de desenvolvimento de pesquisas da Sociedade Brasileira de Cancerologia, crianças estão menos expostas a fatores complicadores. "Adultos estão expostos a mais elementos que provocam câncer, como tabaco, carnes e excesso de sol." Segundo Silvia, o câncer em crianças não é prevenível.
Segundo Silvia, o principal tipo de câncer infantil é a leucemia, que ataca o sangue. A leucemia, dependendo de sua gravidade e tipo, atinge até 70% de cura.
O segundo tipo de câncer mais comum entre as crianças é o cerebral, que, apesar de parecer mais assustador, também alcança alta taxa de cura.
No congresso em São Paulo, Silvia apresentou trabalhos que mostram avanços no tratamento da leucemia. "Hoje é possível detectar o início de um câncer em uma célula, ainda que a célula esteja ainda saudável."
Outra maneira de prevenir o câncer em crianças ainda está em fase de pesquisa. No futuro, os médicos terão condições de mapear os genes do indivíduo para determinar a possibilidade de uma criança desenvolver câncer.
"Isso ainda não é possível. O que se sabe hoje é que crianças com alterações nos cromossomos (responsáveis pelas características do indivíduo) têm mais probabilidade de desenvolver câncer."
Segundo Nise, o câncer nos adultos pode ter bons índices de cura, desde que o diagnóstico seja precoce. "Os adultos tendem a responder menos ao tratamento quimioterápico, por exemplo. Quanto antes for detectada a doença, maior a possibilidade de cura. Câncer nos testículos ou de mama, se diagnosticados rapidamente, são curados com eficácia."
O conselho de Nise e de Silvia para os adultos está em uma grande vantagem que eles têm sobre as crianças: 50% dos casos de câncer em adultos poderiam ser evitados se o cigarro fosse eliminado.
"Em adultos, muitos tipos de câncer chegam via tabaco, como o de pulmão, boca, estômago, bexiga etc. Cortar o cigarro pode indiretamente evitar outros cânceres, já que o tabaco circula pelo corpo. Parar de fumar ajuda
muito."

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff190635.htm




O que é câncer?
O corpo humano contém trilhões de células agrupadas para formarem tecidos e órgãos. A maioria das células normais crescem, se reproduzem e morrem em reposta a sinais externos e internos do organismo. Se esses processos ocorrem de modo equilibrado e de forma ordenada, o corpo permanece saudável executando suas funções normais. No entanto, uma célula normal pode sofrer uma alteração no material genético (DNA), passando a ser uma célula mutada. Se não for combatida pelo próprio organismo, pode se dividir de maneira desordenada e dar origem a um tumor ou neoplasia. Quando essas células passam a invadir outros tecidos e órgãos são denominadas malignas ou cancerosas.
Câncer, portanto, é o nome dado a um grupo de mais de 200 doenças que se caracterizam pela divisão celular desordenada e pela capacidade que estas células, que sofreram modificações em seu material genético, têm de invadir tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para diversas regiões do corpo.
Dividindo-se rapidamente, tais células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de neoplasias malignas, também chamadas de tumores malignos, que adquirem a capacidade de migrar, via circulação sanguínea ou linfática, e de se desenvolver em outros órgãos, muitas vezes, distantes do seu local de origem. Esse último processo dá origem às metástases, um importante obstáculo ao controle do câncer. 
Os cânceres são divididos de acordo com o tecido em que a doença se desenvolve primeiramente. Assim são chamados de carcinomassarcomaslinfomas e leucemias.
O tratamento dependerá do tipo de câncer presente e do grau de invasão. Quanto mais cedo for diagnosticado, menos agressivo o tratamento e maior a probabilidade de cura. Por isso é tão importante fazer os exames de prevenção recomendados para cada caso, para que se possa detectar a doença ainda na sua fase inicial, não invasiva, e erradicar totalmente a doença.
Vale lembrar que o câncer não é uma doença transmissível mesmo nos contatos interpessoais mais íntimos e que sua prevenção também está relacionada a uma vida saudável, com boa alimentação, prática de exercícios, proteção contra o sol e sem cigarro - comprovadamente um dos principais vilões em diversos tipos da doença.
Confira os tipos mais comuns de câncer:
Câncer de Boca
O câncer de boca pode se desenvolver no lábio, principalmente no inferior, e na cavidade oral, que abrange língua, gengivas, assoalho bucal (embaixo da língua), mucosa oral (parte interna das bochechas) e o palato duro (céu da boca).
O cigarro é o principal causador do câncer de boca e os riscos aumentam ainda mais quando o fumante também exagera na bebida alcoólica. Agressões constantes, exposição intensa ao sol, queimaduras em geral, má higiene bucal e uso de próteses dentárias mal ajustadas são outros fatores que podem levar ao desenvolvimento deste tipo da doença, que geralmente incide em pessoas acima dos 40 anos.
O principal sintoma deste tipo de câncer é o aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam em uma ou duas semanas. Pode ocorrer também o aparecimento de ulcerações superficiais, com menos de 2 cm de diâmetro, indolores, que podem causar sangramento e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. Dificuldade para falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de caroço no pescoço são sinais de câncer de boca em estágio avançado.
Quando o tumor está visível, seu diagnóstico é feito por meio de uma biópsia. Para medir o avanço desse câncer, utiliza-se a tomografia, ressonância magnética e a ultra-sonografia, que verificam os tecidos/órgãos e/ou linfonodos (gânglios) atingidos.
O tratamento de câncer de boca geralmente envolve cirurgia e/ou radioterapia. Para indicar o procedimento adequado, o médico deve analisar se as lesões são iniciais ou se já apresentam disseminação para gânglios linfáticos do pescoço ou para outras regiões do corpo. No primeiro caso, tanto a cirurgia quanto a radioterapia, dependendo da localização de cada tumor, apresentam bons resultados, atingindo uma curabilidade de 80%. Nos casos mais avançados, em que a cirurgia não é possível, utiliza-se a quimioterapia associada à radioterapia.
Pessoas com mais de 40 anos de idade, dentes fraturados e portadores de próteses mal ajustadas, devem evitar o fumo e o álcool, promover a higiene bucal, ter os dentes tratados e fazer uma consulta ao dentista anualmente. Uma dieta saudável, rica em vegetais, legumes e frutas, também ajuda na prevenção. Para prevenir o câncer de lábio, deve-se evitar a exposição ao sol sem proteção (filtro solar e chapéu de aba longa).
Câncer de Colo do Útero
É um tumor que se desenvolve na parte inicial do útero (colo), voltada para a vagina. Geralmente seu crescimento é lento e previsível, o que possibilita o diagnóstico precoce. Quando não detectado, o câncer pode se infiltrar no colo, invadindo o útero, a vagina e os gânglios linfáticos, por onde células cancerosas podem entrar na circulação linfática e migrar para outras partes do corpo.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer, os principais fatores de risco estão associados às baixas condições socioeconômicas (que além de retardar o diagnóstico, impedem o tratamento adequado), ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros sexuais e ao tabagismo.
Estudos recentes mostram ainda que o vírus do papiloma humano (HPV) está presente em quase 100% dos casos de câncer do colo do útero. Por isso, uma das formas de prevenir a doença é a prática do sexo seguro.
Além disso, toda mulher em atividade sexual, especialmente com idade entre 25 e 59 anos, deve fazer o exame preventivo periódico, o Papanicolau.
A extensão da doença é fator determinante para a escolha do tipo de tratamento. Quando o tumor está restrito à região cervical (porção da coluna que forma o pescoço), a cirurgia aliada à radioterapia, leva à cura na maioria dos casos. Também pode ser utilizada a braquiterapia (radioterapia do colo, por via vaginal). Em casos mais graves, se faz necessária a remoção do útero e dos ovários.
Câncer de Intestino ou Cólon e Reto
São tumores que atingem o cólon (intestino grosso) e o reto. Incide em homens e mulheres na mesma proporção. Diagnosticado precocemente é curável em 75% dos casos.
Entre os fatores de risco estão: idade acima de 50 anos, histórico familiar de câncer de cólon e reto, hieta com alto conteúdo de gordura, carne e baixo teor de cálcio e fibras, obesidade e sedentarismo, doenças inflamatórias do cólon, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Cronh, além das doenças hereditárias como a Polipose Adenomatosa Familiar (FAP).
Uma dieta saudável, rica em frutas, vegetais, fibras, cálcio e pobre em gorduras animais, e a prática de exercícios físicos são as principais medidas preventivas contra esse tipo de câncer.
Os principais sintomas são fezes com sangue, anemia de origem indeterminada, emagrecimento acentuado, dor abdominal, massa abdominal, constipação, diarreia, náuseas, vômitos e fraqueza.
A cirurgia para retirada da parte do intestino afetada e dos linfonodos próximos a esta região é o tratamento mais recorrente para esse tipo da doença. Após o tratamento cirúrgico, a radioterapia associada ou não à quimioterapia é utilizada para diminuir a possibilidade da volta do tumor.
Câncer de Estômago
Também conhecido como câncer gástrico, o câncer de estômago tem como fator de risco preponderante, além do tabagismo, uma alimentação pobre em vitamina A e C, carnes e peixes, ou ainda com um alto consumo de nitrato, alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados no sal. A má conservação dos alimentos e a ingestão de água com alta concentração de nitrato também estão relacionados com a incidência do câncer de estômago.
A anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12), as lesões pré-cancerosas como a gastrite atrófica e metaplasia (transformação do tecido) intestinal e as infecções gástricas pela bactéria Helicobacter pylori também podem ter relações com o aparecimento da doença. Pessoas fumantes, que ingerem bebidas alcoólicas ou que já tenham sido submetidas a operações no estômago também têm maior probabilidade de desenvolver este tipo de câncer.
Por isso, para prevenir o câncer de estômago é fundamental manter uma dieta balanceada composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras. Além disso, é importante o combate ao tabagismo e diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas.
O câncer de estômago não apresenta sintomas específicos. Porém, perda de peso, fadiga, sensação de plenitude gástrica, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar uma doença benigna ou mesmo o desenvolvimento de um câncer. Massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do tamanho do fígado e presença de linfonodo (íngua) na região inferior do pescoço indicam o estágio avançado da doença.
A cirurgia é a principal alternativa terapêutica para o câncer de estômago. A radioterapia e a quimioterapia são consideradas como tratamentos secundários que, associados à cirurgia, podem determinar melhor resposta ao tratamento.
Câncer Infantil
Embora o câncer não seja muito comum em crianças, ele é a terceira maior causa de morte infantil atrás apenas de acidentes e doenças infecciosas. Suas causas são desconhecidas, mas sabe-se que, de maneira geral, as crianças não herdam ou nascem com câncer.
De acordo com recomendações do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), os pais devem ficar alerta para os seguintes sintomas: febre prolongada, hematomas e manchas roxas sem que a criança tenha se ferido, anemia aguda, aumento dos gânglios (ínguas), com ou sem dor no local, dor e inchaço nas articulações (juntas), dores que fazem a criança parar de brincar ou acordar à noite, dor constante em uma das pernas ou braços, com ou sem inchaço e vermelhidão, dor de cabeça frequente, principalmente de manhã ou acompanhada de vômitos, perda do equilíbrio, inchaço na barriga, nódulos que se palpa na barriga, com ou sem dor, reflexo branco na pupila, quando é tirada fotografia com flash, sangue na urina, pressão alta e aumento do escroto ou endurecimento de um dos testículos, Quando diagnosticado na fase inicial, o câncer infantil pode ser curado em cerca de 70% dos casos.
Câncer de Laringe ou de Garganta
Esse tipo de câncer engloba as cordas vocais, onde se localiza a maior parte dos tumores, e a laringe supraglótica, isto é, acima das cordas vocais.
O câncer de laringe é responsável por aproximadamente 25% dos cânceres que atingem a região da cabeça e do pescoço e, assim como no câncer de boca, os fatores de risco que mais se destacam são o tabagismo e o alcoolismo.
Seu principal sintoma é alteração na voz, a rouquidão. Nas lesões avançadas, o paciente costuma sentir dor, dificuldade em engolir e sensação de “caroço na garganta”. Também em estágios mais avançados da doença, o tumor pode bloquear a passagem de ar, fazendo com que o paciente tenha dificuldade para respirar.
Para diagnosticá-lo é necessário realizar uma laringoscopia, exame feito com anestesia tópica. O procedimento é realizado pela boca, com o paciente sentado, o que permite ver detalhadamente as estruturas da laringe.
Inicialmente, a principal forma de tratamento é a retirada cirúrgica, e algumas vezes apenas essa cirurgia basta. Posteriormente o paciente é encaminhado para tratamento com quimioterapia ou radioterapia
Muitos pacientes apresentam dificuldades de deglutição e, por isso, recomenda-se que sejam acompanhados pelo médico e por um nutricionista.
Câncer de Mama
É o mais frequente entre mulheres nas regiões sul e sudeste do Brasil, excluindo o câncer de pele não-melanoma. Alguns fatores ajudam a explicar essa alta incidência. Além dos antecedentes familiares, adiamento da primeira gestação, administração de hormônios por vários anos, após a menopausa, tabagismo e alcoolismo crescentes entre as mulheres.
O diagnóstico começa com a observação de qualquer alteração nas mamas, como aparecimento de nódulo ou endurecimento da mama ou embaixo do braço; mudança no tamanho ou no formado da mama; alteração na coloração ou na sensibilidade da pele da mama ou da auréola; secreção contínua por um dos ductos; retração da pele da mama ou do mamilo (papila); inchaço significativo ou distorção da pele.
Quando detectado precocemente, principalmente quando o câncer ainda não se espalhou por outros tecidos e órgãos, a possibilidade de cura é muito grande e o tratamento muito menos agressivo. Nesse sentido, mulheres acima de 40 anos devem fazer anualmente exames de mamografia associada à ultrassonografia. A mamografia permite que o diagnóstico seja feito antes que o tumor torne-se palpável, o que permite que a mama seja preservada e só o local comprometido seja retirado (sectorectomia).
O autoexame também auxilia a detectar o câncer precocemente, com possibilidade de retirada do tumor mesmo sem remover a mama. Por isso, os médicos recomendam que as mulheres apalpem e observem rotineiramente as mamas. Caso haja alguma alteração, um médico deverá ser imediatamente consultado.
Os dois tipos mais frequentes do câncer de mama são: o carcinoma, que se forma nos ductos, que levam o leite dos lóbulos para o mamilo, e o sarcoma, que se desenvolve nos tecidos de sustentação.
O câncer de mama pode ser tratado por meio de radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal ou cirurgia. Dependendo das necessidades de cada paciente, o médico poderá optar por um ou pela combinação de dois ou mais métodos. No caso da necessidade de se retirar a mama (mastectomia), os médicos recomendam a cirurgia plástica de reconstrução, um direito da paciente.
Câncer de Ovário
Embora sua incidência seja menor que a do câncer de mama e de colo do útero, trata-se do câncer ginecológico com maior índice de mortalidade, pois cerca de 70% a 80% dos casos de câncer de ovário são descobertos já em estágio avançado, quando aparecem os primeiros sintomas: dor e inchaço no abdômen, náusea e sangramento.
O antecedente genético é um fator de risco em cerca de 10% dos casos diagnosticados de câncer de ovário, mas nos 90% de casos restantes não se sabe exatamente o que leva a mulher a desenvolver esse tipo da doença. O que se sabe é que quanto maior o período fértil da mulher (período entre a primeira e a última menstruação) maior o risco de incidência.
O exame de ultra-sonografia é capaz de detectar se existem ou não alterações nos ovários. Os cistos que frequentemente aparecem nos ovários são benignos (com raras exceções) e enquanto tumores sólidos necessitam de investigação para afastar uma lesão maligna.
O diagnóstico também pode ser feito por meio da análise da presença de marcadores tumorais no sangue da paciente, como o CA 125, o CEA ou o beta-HCG. A desvantagem dos marcadores é que eles podem apresentar variações em seus resultados ou não indicar a presença de tumor quando este se encontra em estágio inicial.
O tratamento mais utilizado contra o câncer de ovário é sua retirada cirúrgica, acompanhada de quimioterapia.
Câncer de Pele
O câncer de pele do tipo não-melanoma é o de maior incidência no Brasil. Ocorre por conta do desenvolvimento anormal das células da pele, que se multiplicam repetidamente até formarem um tumor. Já o melanoma, apesar de menos frequente (4% a 5% dos casos), é muito mais perigoso, respondendo por 20% dos casos de morte devido ao câncer de pele.
Os principais sintomas deste tipo da doença são: manchas que coçam, ardem, escamam ou sangram; sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor; feridas que não cicatrizam em quatro semanas; mudança na textura da pele ou dor.
A radiação ultravioleta (presente nos raios solares e nas cabines de bronzeamento artificial) é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer da pele, pois esses raios danificam o DNA das células da pele. É importante lembrar que o efeito da radiação ultravioleta é cumulativa, ou seja, mesmo depois de parar de se expor ao sol, as alterações da pele podem se manifestar anos depois. Por isso é importante evitar a exposição solar prolongada, principalmente nos horários entre 10 e 15 horas, e aplicar protetor solar mesmo nos dias nublados.
Além da exposição prolongada aos raios solares, pessoas que apresentam histórico familiar de câncer de pele, pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros têm maior propensão a desenvolver a doença.
Quando detectado precocemente, o câncer de pele tem cura. O principal tipo de tratamento é a cirurgia, seguida pela radioterapia.
Os efeitos dos raios solares são cumulativos e decorrentes da exposição crônica ao sol desde a infância. Além do uso diário de protetor solar, é importante fazer uma avaliação regular da pele para detectar precocemente qualquer lesão que possa sugerir um câncer da pele.
Alguns sinais que merecem atenção. Como exemplo, um crescimento na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida. Observe também uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho. Acompanhe ainda uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.
Confira abaixo como fazer um autoexame da pele. Ao perceber qualquer sinal ou mancha, procure um dermatologista.
Método para realização do autoexame:
- Observe se rosto, especialmente o nariz, lábios, boca e orelhas. Observe em seguida o couro cabeludo e o pescoço em toda sua extensão;
- Cheque suas mãos com cuidado, incluindo os dedos e debaixo das unhas, checando os antebraços e braços em toda sua extensão;
- Observe seu tórax. Se você é mulher, examine as mamas incluindo a região inferior;
- Para observar as costas, use um espelho de mão refletindo sua imagem em um espelho maior. Faça uma exploração completa descendo da altura do pescoço até a região lombar (parte inferior das costas);
- Continue observando atentamente das coxas até os pés. Sente-se ao final e examine com cuidados os pés incluindo os dedos, as unhas e a região plantar (sola dos pés). Finalmente observe a área genital com o auxílio do espelho de mão.
Fonte: Prof. Dr. Jayme de Oliveira Filho - www.sbd.org.br
Câncer de Pele - Melanoma
O melanoma é um tipo de câncer de pele extremamente agressivo que, ao contrário dos carcinomas (maioria dos cânceres de pele), não se desenvolve na superfície, mas sim em camadas mais profundas - no melanócito (célula que produz a melanina ou pigmento da pele).
Apesar de estar relacionado com a radiação solar, já que atinge células que se mobilizam quando o indivíduo se expõe ao sol, não há nenhuma prevenção específica contra este tipo da doença. As últimas pesquisas sobre o tema comprovaram que ainda não foi desenvolvido um filtro solar capaz de proteger totalmente contra esse tipo de câncer.
Além da exposição à irradiação solar, a proliferação do melanoma está intimamente relacionada a fatores imunológicos, ou seja, geralmente se manifesta quando o organismo está debilitado.
O melanoma apresenta alta incidência de metástases, principalmente em órgãos nobres como pulmão, fígado e cérebro. De difícil tratamento, esse tipo da doença não responde bem à quimioterapia, por isso o tratamento mais utilizado é a imunoterapia.
É muito importante que você saiba a diferença entre um sinal "inofensivo" e um melanoma (tipo maligno de câncer da pele). Manchas congênitas (que nascem conosco) e pintas que merecem atenção especial. Os sinais abaixo podem caracterizar, dependendo do seu padrão, um câncer da pele. Por isso, é fundamental fazer o autoexame periodicamente e prestar atenção em eventuais mudanças dos sinais. Veja abaixo as diferenças de aparência, cor, forma e tamanho entre os sinais benignos e malignos (possivelmente um melanoma).
A - Assimetria: Alguns melanomas malignos são assimétricos no estágio precoce. Já os sinais inofensivos são redondos e simétricos.
B - Borda: Normalmente, os melanomas malignos apresentam bordas irregulares. Os sinais comuns, pelo contrário, têm bordas lisas e regulares.
C - Cor: Tons que variam entre castanho escuro e preto são, geralmente, o primeiro indício de um melanoma maligno. Os sinais benignos apresentam, na maioria das vezes, só um tom de castanho.
D - Diâmetro: O melanoma maligno tem muitas vezes, um diâmetro superior a 6mm. Os sinais, na maioria dos casos, não passam de 6mm (dimensões de uma borracha de lápis).
Fonte: Prof. Dr. Jayme de Oliveira Filho - www.sbd.org.br
Câncer de Próstata
As causas do câncer da próstata são ainda ignoradas, mas sabe-se que alguns homens têm maior predisposição a desenvolver o problema. A chance é maior quando existem casos familiares. Obesidade, vasectomia e excesso de atividade sexual, lembrados como possíveis causadores do câncer da próstata, parecem não ter qualquer vínculo com o surgimento da doença.
O câncer da próstata é curável em 70% a 90% dos pacientes quando identificado nas fases iniciais. Quando o câncer se expande e atinge tecidos vizinhos ou se alastra pelo organismo só é controlado em 30% a 40% dos pacientes. Isso explica os esforços dos especialistas para identificar precocemente a doença.
Urologistas recomendam que todo homem com mais de 50 anos (ou mais de 40 anos, quando existem casos na família) realizem anualmente o toque da próstata, a dosagem no sangue do chamado antígeno prostático específico (PSA), e, quando necessário, o estudo de ultra-som transretal.
Pacientes com tumores restritos à glândula são tratados com cirurgia ou com radioterapia e, quando o tumor estende-se para os tecidos vizinhos ou atinge outros órgãos, costuma-se indicar o tratamento hormonal. A terapia hormonal é também utilizada para poupar o paciente de procedimentos mais agressivos.
Câncer de Pulmão
Entre todos os tipos de câncer, o de pulmão é o mais letal. Isso acontece porque é um tipo da doença que não apresenta sintomas em sua fase inicial. Na maioria dos casos só é descoberto em estágio avançado, quando o paciente apresenta sintomas como tosse diferenciada, tosse com sangramento, falta de ar e dor no tórax.
O tabagismo é o principal fator de risco para câncer de pulmão. Dos casos de câncer diagnosticados, 85% são em fumantes, sendo que dos 15% restantes, aproximadamente 5% são fumantes passivos.
Além do tabaco, há outros agentes químicos que afetam principalmente as vias aéreas, que podem levar ao desenvolvimento de um câncer de pulmão, como arsênico, níquel, cádmio, cromo, radônio, asbesto e berílio. Irradiações, antigas lesões pulmonares, hábitos alimentares, fatores genéticos e históricos familiares também podem contribuir.
As pessoas que apresentam os sintomas do câncer de pulmão, geralmente, devem fazer um raio-X do tórax complementado por uma tomografia computadorizada. Para que haja confirmação do diagnóstico é preciso retirar e examinar uma parte do tecido suspeito, ou seja, fazer uma biópsia. A partir da confirmação, é preciso analisar seu grau de avanço para determinar qual o tratamento mais indicado.
Para tumores detectados precocemente, o tratamento com maior probabilidade de cura é a retirada cirúrgica. A quimioterapia é utilizada na maioria dos casos exclusivamente ou combinada com cirurgia. Já a radioterapia é utilizada em poucos casos quando o tumor é pequeno, mas não pode ser retirado cirurgicamente.
Leucemia
A leucemia é a proliferação anormal e desordenada dos leucócitos, células produzidas na medula óssea, prejudicando a produção das outras células do sangue, como glóbulos vermelhos (hemácias) e plaquetas. Nesse sentido, seus principais sintomas são: palidez, anemia, sangramentos no nariz e na gengiva, além do aparecimento de hematomas (equimoses) e de pequenas manchas vermelhas na pele (petéquias). O paciente também pode apresentar febre e infecções, pois apesar de produzir grande quantidade de glóbulos brancos, eles não atuam na defesa do organismo, conforme sua função original.
Existem evidências da maior incidência de leucemia aguda, principalmente mielóide em crianças portadoras do gene de Síndrome de Down. Fatores genéticos, químicos (exposição a substâncias como benzeno e radiação), ambientais (lugares muito poluídos) são elementos estimuladores de diversos tipos de câncer, entre eles a leucemia.
A leucemia se divide em dois grupos:
Leucemia linfoide aguda ou linfoblástica - alteração nos linfoblastos (glóbulos brancos imaturos). Um de seus principais sintomas é o aumento (formação de ínguas) dos gânglios, linfonodos, baço e rins. Este tipo da doença é mais comum em crianças (de 3 a 9 anos) e apresenta um bom prognóstico, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Em cerca de 80% dos casos o paciente é curado sem que haja reincidência.
Leucemia mielóide ou mieloblástica – mais comum em adultos acima dos 35 anos. Esse é um tipo mais raro de leucemia e sua probabilidade de cura sem reincidência é menor. O tratamento varia de acordo com o tipo da leucemia, mas geralmente a principal estratégia contra a doença é a aplicação da quimioterapia sistêmica, que age de forma abrangente, com duração de um a dois anos. Isso porque, mesmo com a aplicação dos medicamentos quimioterápicos, algumas células cancerosas podem não ser atingida nas primeiras aplicações, levando o paciente a ter recaídas.
Linfoma de Hodgkin
É uma neoplasia maligna que tem origem nos linfonodos (gânglios), importantes no combate a infecções. Afeta principalmente homens (60%) entre 20 e 30 anos. Suas principais características são: aumento do tamanho dos linfonodos e hipertrofia (aumento de volume) do baço e muitas vezes do fígado. Também pode haver aumento do número dos leucócitos no organismo, além de anemia, febre constante, sudorese noturna e perda de peso.
Linfomas Não-Hodgkin
Por razões ainda desconhecidas, o número de casos de Linfomas Não-Hodgkin, que incluem mais de 20 tipos diferentes, praticamente duplicou nos últimos 25 anos, especialmente entre pessoas acima de 60 anos.
Segundo o Instituto Nacional do câncer, apesar da causa deste tipo de câncer ainda ser desconhecida, há alguns fatores de risco a serem destacados:
Sistema imune comprometido: pessoas com deficiência de imunidade em consequência de doenças genéticas hereditárias, uso de drogas imunossupressoras e infecção pelo HIV, têm maior risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Barr, HTLV1, e da bactéria Helicobacter pylori (que causa úlceras gástricas), têm risco aumentado para alguns tipos de linfoma;
Exposição Química - os Linfomas Não-Hodgkin estão também ligados à exposição a certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes. Herbicidas e inseticidas têm sido relacionados ao surgimento de linfomas em estudos com agricultores e outros grupos de pessoas que se expõem a altos níveis desses agentes químicos. A contaminação da água por nitrato, substância encontrada em fertilizantes é um exemplo de exposição que parece aumentar os riscos para doença;
Exposição a altas doses de radiação: entre os sintomas, destacam-se o aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e/ou virilha, sudorese noturna excessiva, febre, coceira na pele e perda de peso não explicada.
A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia, ou com uma combinação de ambas. Porém, a imunoterapia está sendo cada vez mais incorporada ao tratamento, isoladamente ou associada à quimioterapia.
Fonte:http://www.biosintetica.com.br/saude-e-bem-estar/dicas-de-saude/oncologia/cancer/


Tratamento adjuvante e neoadjuvante


ADJUVANTE
Um tratamento é chamado de adjuvante quando é administrado após um tratamento considerado definitivo, em geral cirúrgico ou, mais raramente, radioterápico. Dependendo do tipo e do estadiamento do tumor, o tratamento adjuvante pode consistir de:
  • Quimioterapia
  • Hormonioterapia
  • Radioterapia
  • Imunoterapia
  • Terapia-alvo
Essas modalidades de tratamento são administradas com o objetivo de destruir focos microscópicos de células cancerosas que ainda possam persistir em algum lugar do organismo, mas que não são detectáveis por exames de sangue ou de imagem. O risco de um paciente apresentar focos microscópicos é estimado com base na apresentação clínica e nas características do tumor. A partir desses dados, podemos avaliar as indicações de uma ou mais modalidades de tratamento adjuvante.
Vamos dar um exemplo de uma mulher com câncer de mama, sem entrar em detalhes sobre quais dessas modalidades seriam as mais indicadas no caso a seguir. Imaginemos uma situação em que o exame anatomopatológico realizado depois da cirurgia tenha mostrado um tumor de 5 cm e diversos linfonodos da axila comprometidos. Nessas condições, estimamos que, de cada 100 mulheres, somente 30 seriam curadas apenas com a cirurgia, resultado inaceitável nos dias atuais.
Isso significa que, nas pacientes com essas mesmas características, 70% já apresentam focos microscópicos de tumor em algum local do organismo, mesmo que os exames não mostrem. Suponhamos que a administração de tratamento adjuvante nesse caso tenha eficácia de 50% no resultado final. Isto é, 50% das 70 mulheres que apresentariam recidiva da doença (35 mulheres) seriam curadas pelo tratamento adjuvante. Portanto, a chance de cura nesse caso aumentaria de 30% (sem o tratamento adjuvante, apenas 30 de 100 mulheres seriam curadas) para 65% (com o tratamento adjuvante, as mesmas 30 seriam curadas pela cirurgia, e mais 35 seriam curadas pelo tratamento adjuvante).

Mulher com câncer de mama de 5 cm e com múltiplos linfonodos comprometidos. Depois da cirurgia, apesar de os exames de imagem e de sangue estarem normais, ela tem um risco de 70% de apresentar focos microscópicos da doença. Nesses casos, ao destruir esses focos, a quimioterapia adjuvante aumenta a chance de cura.
Quimioterapia e Hormonioterapia Adjuvante
Como a quimioterapia é um tratamento caro e com muitos efeitos colaterais, a quimioterapia adjuvante só deve ser indicada depois de análise criteriosa da relação custo-benefício. Apesar dessas limitações, o tratamento adjuvante costuma ser administrado em parte significativa dos pacientes portadores de câncer de cólon e reto, ovário, testículo, mama, pulmão, estômago, bexiga e útero, entre outros.
Quanto à hormonioterapia adjuvante, o princípio é o mesmo da quimioterapia, isto é, destruir os focos microscópicos de doença residual. A hormonioterapia adjuvante é usada somente nos tumores sensíveis à manipulação hormonal, como é o caso dos cânceres de mama e próstata.
Radioterapia adjuvante
A radioterapia adjuvante é a forma de radioterapia administrada depois de uma cirurgia definitiva ou, mais raramente, depois de quimioterapia potencialmente curativa. À semelhança da quimioterapia e da hormonioterapia, a finalidade da radioterapia adjuvante é destruir focos microscópicos de células tumorais que possam ter ficado na área próxima ao tumor. É um dos tratamentos mais usados na oncologia.
Por exemplo, após uma cirurgia conservadora da mama, isto é, quando se retira somente parte da mama, a radioterapia adjuvante é indispensável para reduzir o risco de recidiva.

Exemplo de radioterapia adjuvante em paciente com câncer de mama tratada com quadrantectomia (retirada de um quadrante da mama).
A radioterapia adjuvante é também muito usada nas situações em que as margens cirúrgicas ficaram comprometidas por células malignas (margens positivas). Nesses casos, sempre que possível tenta-se fazer outra cirurgia, para conseguir margens cirúrgicas sem células malignas (margens negativas). Quando não é possível obter margens negativas por meio de cirurgia adicional, é usual administrar radioterapia adjuvante. Um exemplo típico de margem positiva em que não se pode ampliar a margem ocorre na cirurgia para o câncer de próstata, porque em uma nova reoperação, além dos riscos maiores de incontinência urinária e impotência, pode não se acertar com exatidão o local no qual a margem deve ser ampliada. Nesses casos, está indicada a radioterapia adjuvante.
NEOADJUVANTE
Um tratamento é chamado neoadjuvante quando é administrado antes do tratamento definitivo, em geral cirúrgico ou, mais raramente, radioterápico. À semelhança do tratamento adjuvante, quatro modalidades de tratamento – quimioterapia, hormonioterapia, radioterapia e terapia-alvo – podem ser empregadas nessa situação.
No caso do câncer de mama, por exemplo, a grande vantagem do tratamento neoadjuvante é tentar reduzir o tamanho do tumor para tentar evitar a mastectomia (retirada cirúrgica completa da mama). A figura mostra um exemplo de paciente cujo tumor era muito grande, mas que, depois da quimioterapia neoadjuvante, foi reduzido, tornando possível a realização de uma cirurgia conservadora (quadrantectomia).
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Impacto da quimioterapia neoadjuvante na redução de um tumor de mama, possibilitando a realização de uma cirurgia conservadora.
Quimioterapia Neoadjuvante
Além de ser útil para reduzir o tamanho do tumor e propiciar uma cirurgia menos extensa, a quimioterapia neoadjuvante também permite avaliar se o tumor é ou não sensível aos agentes quimioterápicos utilizados. Estudos realizados em pacientes com câncer de mama mostram que o impacto de administrar quimioterapia antes ou depois da cirurgia é o mesmo, isto é, ambos os tratamentos promovem o mesmo benefício.
Por exemplo, no caso de uma paciente que, antes de iniciar a quimioterapia neoadjuvante, tenha um tumor de 5 cm e linfonodos comprometidos à altura do exame clínico, e após receber quimioterapia apresente tumor residual de somente 1 cm e linfonodos livres de tumor, sua chance de cura aumentará muito. Nesse caso, a chance de cura baseada no exame clínico (antes da quimioterapia neoadjuvante) era de somente 30%, mas aumenta para 80% devido ao efeito da quimioterapia.
Radioterapia Neoadjuvante
A combinação de tratamentos neoadjuvantes, como radioterapia administrada conjuntamente com quimioterapia, é frequentemente usada em alguns tipos de câncer, como o de reto baixo (mais próximo ao ânus), a fim de preservar o esfíncter anal e evitar a colostomia definitiva.

Fonte:https://www.vencerocancer.org.br/cancer/tratamento/tratamento-adjuvante-e-neoadjuvante/

Câncer de mama | Tratamento

ESTADIAMENTO
Para tentar agrupar casos semelhantes e separá-los em categorias relacionadas com a gravidade da doença, costumamos dividi-la em estádios. Os quatro estádios do câncer de mama são mostrados abaixo:
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Estadiamento do câncer de mama.


TRATAMENTO



O tratamento do câncer de mama evoluiu muito nos últimos anos. Não faz muito tempo, quando surgia um tumor, a mama era removida completamente, incluindo o músculo que ficava abaixo dela e todos os gânglios da região axilar. Atualmente, as cirurgias costumam ser menos invasivas. Com frequência, faz-se necessário apenas a retirada de pequenos fragmentos da mama e de alguns gânglios debaixo do braço. Para a maioria dos casos, a mutilação tornou-se coisa obsoleta. [relacionados]
Para escolher o melhor tratamento, levam-se em consideração diversos fatores, como características do tumor, idade da paciente e número de linfonodos axilares comprometidos. No momento do diagnóstico, são identificadas as pacientes com risco mais elevado de apresentar focos microscópicos de células tumorais em algum outro órgão. Nesses casos, está indicado o tratamento chamado adjuvante, que tem por objetivo reduzir o risco de recidiva, que são:  hormonioterapia, quimioterapia, radioterapia e terapia-alvo.
A escolha do tipo de tratamento adjuvante irá depender principalmente da magnitude do risco de recidiva. Esse risco, por sua vez, depende do estádio clínico da doença (grupo de casos semelhantes separados em categorias relacionadas com a gravidade da doença), das características do tumor descritas na anatomia patológica, da idade e da condição clínica da paciente. Quanto maior o risco de recidiva da doença, mais agressivo deve ser o tratamento adjuvante, empregando esquemas de quimioterapia mais intensos e eficazes.
Não é possível discutir os esquemas ideais para cada situação porque, se combinarmos todas as possibilidades de cirurgia, quimioterapia, radioterapia etc., teremos mais de 400 tratamentos possíveis Por essas razões, vamos relacionar apenas as condutas gerais, de acordo com o estadiamento clínico.
Estádios I e II
  • Cirurgia
Nos tumores pequenos, o cirurgião geralmente remove a parte da mama que contém a lesão (o chamado quadrante). Ao mesmo tempo, realiza a pesquisa do linfonodo sentinela (em geral, é somente um, mas pode haver mais), onde as células malignas têm maior probabilidade de alojar-se, caso tenham “escapado” do tumor primário. Nos tumores relativamente grandes (entre 2 e 5 cm) pode ser necessário fazer mastectomia. Mas, após discussão com o médico cirurgião, o oncologista clínico pode administrar quimioterapia pré-operatória com a intenção de reduzir as dimensões da lesão. Se houver grande diminuição ou mesmo desaparecimento da lesão, em alguns casos é possível preservar a mama retirando somente o  quadrante em que está o tumor. Não há uma regra geral para essas situações,as decisões são tomadas caso a caso.



cap13-6- mama linfonodo sentinela


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Câncer de mama com metástase no linfonodo sentinela. Note que as células cancerosas do tumor original da mama entraram nos canais linfáticos que drenam o tumor, “viajaram” dentro de um ou mais canais linfáticos e se alojaram no linfonodo sentinela.
  • Quimioterapia e hormonioterapia adjuvantes
Após a cirurgia, o médico irá verificar se existe ou não indicação de quimioterapia e/ou hormonioterapia adjuvante, com o intuito de reduzir o risco de a doença recidivar.
Há casos em que a indicação de quimioterapia adjuvante (pós-operatória) é muito controversa, e as opiniões entre os especialistas irão divergir. Assim, ouvir uma segunda opinião é por vezes recomendável. Atualmente, testes genéticos realizados no próprio tumor removido podem auxiliar, em alguns casos, a determinar melhor o tratamento adjuvante, especificamente se a quimioterapia será ou não necessária. A hormonioterapia adjuvante é recomendada em todos os casos em que o tumor tiver receptores hormonais positivos. Quando prescrita, ela deve ser sempre iniciada após o término da quimioterapia.
  • Trastuzumabe adjuvante (anticorpo)
Em pacientes cujo tumor expressa a proteína HER-2 de modo intenso, está indicado o uso do anticorpo chamado trastuzumabe em combinação com a quimioterapia adjuvante, pois aumenta muito a taxa de cura em relação ao uso da quimioterapia isolada.
  • Radioterapia adjuvante
Todas as pacientes (exceto raros casos) que tiveram remoção cirúrgica de somente um quadrante da mama necessitam de radioterapia adjuvante para destruir possíveis focos microscópicos malignos persistentes . Nas pacientes que foram submetidas a mastectomia, a radioterapia adjuvante está indicada nos casos em que o tumor é grande (> 5 cm) ou quando a paciente tiver mais de três linfonodos com metástases, principalmente nas relativamente jovens.
cap13-7 mama tratamento estadio 1
As ilustrações mostram as várias apresentações clínicas de pacientes com estádios I e II de câncer de mama e suas opções de tratamento.
Estádio III
Com tumores de mama localmente avançados, os pacientes geralmente são submetidos a  mastectomia radical modificada, que é a remoção de toda a mama e dos linfonodos axilares. É comum indicar quimioterapia antes da cirurgia (quimioterapia neoadjuvante ou pré-operatória), dependendo da resposta e das características do tumor, é possível considerar a preservação da mama, mas em casos bem selecionados.
O mais habitual é a mastectomia seguida de quimioterapia adjuvante e radioterapia adjuvante. Após a quimio, se o tumor tiver receptores hormonais positivos a paciente deverá receber hormonioterapia adjuvante, como nos casos dos estádios I e II.
cap13-8 mama tratamento estadio 3
As ilustrações mostram as várias apresentações clínicas de pacientes com estádio III e suas opções de tratamento.
Estádio IV
A escolha do tratamento das pacientes que apresentam câncer de mama com metástases em órgãos distantes depende de quanto o tumor já se espalhou, de sua característica  anatomia patológica e da idade da paciente. Como regra geral, se as metástases do câncer de mama provocam sintomas que interferem significativamente na qualidade de vida, iniciar o tratamento pela quimioterapia pode ser a melhor solução por obter respostas mais rápidas.
Em pacientes cujo tumor tem hiperexpressão do HER-2, devem-se usar medicamentos com anticorpos combinados com quimio para aumentar a eficácia da terapia. Quando o tumor tiver receptores hormonais positivos e as metástases provocarem pouco ou nenhum sintoma, a hormonioterapia é o tratamento de escolha. As respostas obtidas são mais lentas, mas costumam ser mais duradouras. Na doença disseminada, a radioterapia só é usada em caso de envolvimento ósseo com dores de difícil controle, de metástases cerebrais e em outras situações mais raras.

Como saber se o tratamento fez efeito?


Terminei 8 sessões de químio e perguntei ao meu médico se meu corpo reagiu bem. Ele disse que não tem como saber. É verdade? Tem como saber se a químio fez efeito, algum exame para saber se eliminou ou reduziu o câncer? (Neia W)
Olá! Existem duas situações em que indicamos quimioterapia: como tratamento complementar à cirurgia ou para tratar um câncer em atividade, como em casos de doenças metastáticas (ou seja, com focos de doença em outros órgãos).
Então, quando o paciente faz a quimioterapia de forma preventiva, normalmente após a cirurgia, existe uma programação pré-estabelecida de ciclos a serem realizados, e como não há doença em atividade, não há necessidade de avaliar a resposta ao tratamento.
Porém, quando a quimioterapia é indicada antes de uma cirurgia ou quando o paciente tem um tumor com focos a distância, normalmente realizamos de 2 a 3 sessões de quimioterapia e solicitamos exames de sangue e de imagem — incluindo marcadores tumorais –, como tomografias, ressonâncias e PET-scans, que são comparados com os exames no início do diagnóstico para determinarmos se houve resposta ao tratamento em vigência.
Claro que os tipos de exames que solicitamos variam de acordo com o tipo de doença. Normalmente, as tomografia nos trazem essas respostas. Consideramos também como indício de reposta a melhora dos sintomas relacionados à doença que o paciente apresentava anteriormente. Por exemplo, levamos em conta se ele passou a sentir menos dor. É um critério subjetivo, mas também importante de ser avaliado!
Concluindo, quando fazemos um tratamento para uma doença que está ativa, necessitamos realizar esses exames de imagem e de sangue periodicamente para sabermos se o tumor respondeu à quimioterapia. Portanto é possível, sim, saber se o tumor está sendo combatido ou não.
Dra Melissa Meirelles: Oncologista Clínica do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes da Beneficência Portuguesa.

Câncer de mama | Fatores de risco


Ao contrário de alguns tipos de tumor, para os quais existe relação clara entre um fator de risco e o aparecimento da doença (como é o caso de fumo e câncer de pulmão), no caso do câncer de mama não há fatores isolados que possam explicá-lo. Ainda assim, diversos fatores estão associados a maior risco. Ser mulher, evidentemente, é o maior deles, mas contam também a idade na primeira menstruação e a faixa etária da paciente. A tabela abaixo mostra o impacto dos vários fatores de risco.
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O fator que mais aumenta o risco é apresentar um defeito genético raro em dois genes, que recebem os nomes de BRCA1  e BRCA2 (diretamente associados a risco elevado de desenvolver cânceres de mama e de ovário).
É o caso da atriz norte-americana Angelina Jolie, que em 2013 passou por uma mastectomia dupla após descobrir, por meio de uma análise genética, que tinha mutações no gene BRCA1, o que aumentava em 70% o risco de desenvolver um câncer de mama e 40% o de câncer de ovário.
Mulheres portadoras de mutações em um desses genes geralmente pertencem a famílias que já tiveram vários casos de câncer de mama e/ou de ovário, especialmente em parentes mais próximos (mães, irmãs e avós). A mãe de Jolie, a também atriz Marcheline Bertrand, por exemplo, morreu em decorrência de um câncer de mama.

Câncer de mama | Prevenção

A única maneira de identificar se há algo errado com as mamas é fazendo periodicamente a mamografia.  [relacionados]
Embora haja alguma controvérsia,a maioria das associações médicas recomenda que as mulheres que não apresentem fatores de risco adicionais (história de vários casos de câncer de mama ou de ovário em parentes próximas, mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, entre outros) façam uma mamografia todos os anos a partir dos 40 anos de idade.
Aquelas que apresentam fatores de risco adicionais como os mencionados acima devem realizar a primeira mamografia em idade mais precoce, aos 25 anos, e fazer o acompanhamento em intervalos mais curtos, de acordo com orientação médica. Nesses casos, é recomendável adicionar à mamografia uma ressonância nuclear magnética das mamas, exame mais sensível para detectar nódulos.
Fonte:https://www.vencerocancer.org.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama-tipos-de-cancer/cancer-de-mama-prevencao/

QUIMIOTERAPIA
Guia do Paciente em Tratamento

1. O que é quimioterapia?

Em medicina, chama-se de "quimioterapia antineoplásica" o tratamento com a utilização de medicamentos cuja função é atuar nas células dos tumores, visando destruí-las, ou impedindo seu crescimento, ou aliviando os sintomas causados pelo desenvolvimento do tumor.

A quimioterapia pode ser indicada antes ou após uma cirurgia, ou ainda isoladamente, sem que haja indicação cirúrgica. Pode, ainda, ser feita em conjunto com outros tipos de tratamento, como a radioterapia e a imunoterapia. A indicação do tipo de tratamento a ser feito depende de vários fatores, como o tipo de tumor, localização e estágio da doença.

A quimioterapia interfere nas células anormais do câncer, impedindo o seu crescimento e multiplicação desordenados.
Como é feito o tratamento?
Existem várias maneiras de se administrar a quimioterapia: através da veia, por meio de soro; por via oral, através de comprimidos; ou através de injeções intramusculares, mais raramente.

Durante a aplicação do soro na veia geralmente não são observados sintomas. Porém, é importante que quando receba o medicamento o paciente mantenha-se bem posicionado, para evitar vazamentos. Caso o paciente perceba alguma alteração no momento da aplicação, deve comunicar imediatamente a equipe de enfermagem ou o médico responsável.

Na maioria das vezes não é preciso que o paciente fique internado para fazer a quimioterapia. Geralmente, ela é feita numa sala especial, dentro do próprio ambulatório onde são feitas as consultas com o médico oncologista.

2. Tempo de duração do tratamento

O tratamento quimioterápico é planejado, entre outros aspectos, de acordo com o tipo de tumor e o estágio da doença. A partir destes dados são definidos os tipos de medicamentos e as doses a serem utilizadas.

As aplicações podem ser diárias, semanais, mensais, obedecendo aos intervalos programados pelo médico. Durante o período de tratamento é feito um acompanhamento das condições do organismo através de exames de sangue. A maneira de o organismo reagir às drogas utilizadas é um dos fatores importantes na determinação do intervalo e da duração do tratamento.

A quimioterapia é feita sempre de acordo com uma programação, que deve ser discutida com o médico, quando o tratamento será iniciado. A duração desse tratamento pode depender, entre outras coisas, da resposta do tumor às drogas utilizadas.

3. Reações desagradáveis da quimioterapia

As drogas quimioterápicas têm a vantagem de se distribuir por todos os locais do corpo, atingindo, desta forma, todas as células que estão com problemas. No entanto, células normais também são atingidas, podendo provocar alguns sintomas, que são chamados de efeitos colaterais.

Estes efeitos não são obrigatoriamente apresentados por todas as pessoas que fazem quimioterapia, uma vez que dependem tanto do tipo de drogas utilizadas quanto da forma que o organismo responde ao tratamento. Assim, alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais mais severos enquanto outros podem mesmo não apresentar sintoma algum. De uma forma ou de outra, o médico deve sempre ser informado sobre os sintomas apresentados e seu tempo de duração.

De um modo geral, a maioria desses sintomas desaparece à medida que o paciente vai se distanciando do final das últimas sessões. Dentre as alterações mais comumente apresentadas, destacamos:
Náuseas e Vômitos
São sintomas muito desagradáveis, descritos por muitos pacientes como "piores do que dor". Pode ser a principal causa de queda de qualidade de vida relacionada ao tratamento. A náusea e/ou o vômito ocorrem em 40% a 70% dos pacientes com câncer.

Estes efeitos aparecem porque a quimioterapia pode causar irritação nas paredes do estômago e intestino provocando enjôos e vômitos. Ela pode também agir diretamente em áreas do cérebro sensíveis, responsáveis por detectar intoxicações em geral - chamados de "centros do vômito".

Esses sintomas, quando associados apenas à quimioterapia, ocorrem principalmente no dia da infusão, podendo se prolongar por até 4 dias. A intensidade varia de acordo com o organismo do paciente e com o tipo de quimioterapia utilizada. Vários medicamentos foram lançados nos últimos anos para ajudar no controle da náusea e do vômito, após a quimioterapia. O médico responsável pelo tratamento deve prescrever os medicamentos mais apropriados para o tipo de quimioterapia que está sendo feita.

Algumas mudanças nos hábitos diários e na alimentação também auxiliam o paciente no combate desses sintomas, tais como:
  • preferir alimentos com rápida digestão
  • não encher o estômago de uma só vez, preferindo fazer várias alimentações ao dia, em pequenas quantidades
  • evitar alimentos gordurosos e frituras
  • comer devagar, mastigando bem os alimentos
  • preferir alimentos frios, gelados, ou em temperatura ambiente
  • evitar odores fortes
  • procurar não exercer atividades que exijam esforço físico
  • procurar vestir roupas leves
Feridas na boca
Alguns quimioterápicos podem provocar aparecimento de aftas, irritação nas gengivas, na garganta e até feridas na boca. Isso pode causar muita dor e ainda dificultar a alimentação. Algumas medidas podem ser seguidas, nestes casos:
  • manter a boca sempre limpa, escovando os dentes com maior freqüência
  • evitar ingerir alimentos duros, quentes, ácidos e condimentados
  • procurar usar cremes dentais mais suaves, fazendo bochechos quando necessário com produtos indicados pelo médico
  • ingerir maior quantidade de líquidos (água, chás e sucos)
Febre
Alguns dias após a quimioterapia, há uma diminuição temporária das defesas do organismo, que fica predisposto a contrair mais facilmente infecções por vírus, bactérias e fungos. A febre é um sinal de alerta para a existência de infecções no organismo.

Nesta situação, o médico deve ser imediatamente avisado, para que possa iniciar o tratamento adequado. O risco de infecções mais graves, pelo fato de o paciente estar com a imunidade comprometida é muito maior.
Diarréia
Algumas drogas quimioterápicas podem causar diarréia em maior ou menor intensidade, dependendo da reação do organismo. Se ela persistir por mais de 24 horas, o paciente deverá obter orientação médica. Nos casos menos intensos, algumas medidas podem ajudar:
  • procurar manter uma alimentação mais líquida (chás, água e sucos)
  • evitar tomar leite e derivados
  • procurar fazer pequenas refeições, evitando alimentos gordurosos e frituras
Queda de cabelo
Nem toda a quimioterapia está associada a este efeito. Mas alguns medicamentos atingem o crescimento e a multiplicação das células que dão origem ao cabelo, podendo provocar a queda de cabelos, de forma total ou parcial. Não se pode prever exatamente como e em que proporção os cabelos serão afetados, porém é importante lembrar que a queda é geralmente temporária; o processo de nascimento do cabelo se reinicia logo após o término da quimioterapia, e em alguns casos, ainda durante a quimioterapia.
Nesta fase, alguns pacientes preferem cortar os cabelos antes, como uma forma para se preparar para o processo da queda. Outros esperam que os cabelos comecem a cair, para então tomar a decisão de cortar e/ou usar um artifício como boné, lenço ou peruca.
 
Alterações da pele e unhas
Dependendo do tipo de quimioterapia, o paciente pode apresentar alterações na pele, como vermelhidão, coceira, descamação, ressecamento e manchas. As unhas também podem apresentar escurecimento e rachaduras.

Alguns desses efeitos podem ser amenizados pelo próprio paciente, que deverá manter a pele limpa, fazer uso de hidratantes, evitando a exposição ao sol. O médico é ainda a pessoa mais apropriada para indicar os cuidados e medicamentos que podem ser utilizados. Geralmente as alterações desaparecem após algum tempo do tratamento.

4. Orientações práticas gerais

Alimentação
Não há necessidade de grandes modificações na alimentação. No entanto, o paciente deve incluir nas refeições diárias frutas, verduras, cereais, carnes, para que possa obter todos os nutrientes de que o organismo precisa. É importante que o paciente esteja sempre bem alimentado, para ter melhores condições de reagir aos efeitos colaterais, ficando também menos predisposto a infecções. Em geral não é necessária suplementação vitamínica, que deve ficar a critério do médico oncologista.
Bebidas alcoólicas
Devem ser evitadas, tendo em vista que o álcool pode interagir com os medicamentos utilizados no tratamento, podendo reduzir os efeitos esperados, e aumentando efeitos colaterais.
Atividades físicas
Durante o período de tratamento não há contra-indicação à prática de exercícios físicos ou modalidades esportivas. Porém, o indivíduo pode ficar menos disposto. Por esta razão, o paciente deve estar atento para não exagerar e forçar suas condições físicas.
Trabalho
A maioria dos pacientes pode e deve continuar trabalhando durante o tratamento. Não há indicação para que as atividades habituais sejam paralisadas, a menos que sejam bastante pesadas e exijam muita condição física. Na maioria das vezes o paciente precisa apenas ajustar o dias das sessões de tratamento e os dias em que os efeitos colaterais estejam mais fortes, para que possa entrar em acordo e ser dispensado do trabalho.
Relações sexuais
A quimioterapia, para muitos pacientes, provoca tensões físicas e emocionais que podem estar ligadas não só aos efeitos colaterais, como também às mudanças no ritmo de vida, alimentação e trabalho, além de ansiedades em relação ao futuro, à saúde e à família. Todos esses aspectos juntos podem contribuir para que haja uma diminuição no interesse sexual.

No entanto, é importante que o paciente saiba que a quimioterapia não o impede de manter relações sexuais normalmente.
Ciclo menstrual
As drogas utilizadas na quimioterapia podem reduzir temporariamente a produção de hormônios, provocando em algumas mulheres alteração do ciclo menstrual. A quantidade de sangramento pode ser alterada, e às vezes pode ocorrer interrupção completa da menstruação. Geralmente, após o término do tratamento, o ciclo menstrual vai voltando ao seu funcionamento normal.
Gravidez
Durante o período de quimioterapia a gravidez deve ser evitada, já que as drogas usadas podem causar riscos na formação do bebê. É importante pedir orientação ao médico sobre o melhor método de anticoncepção a ser usado durante o tratamento.
Uso de outros medicamentos
Alguns medicamentos, mesmo os homeopáticos. "alternativos" e "naturais", podem interferir no tratamento quimioterápico. Por isso, o médico deve ser sempre consultado antes de o paciente fazer uso de qualquer medicamento.

5. Sintomas que merecem cuidados imediatos

Caso o paciente apresente algum sintoma novo que o incomode, ou ainda um dos sintomas relacionados abaixo, deve procurar orientação médica, o mais rápido possível.
  • febre (temperatura igual ou maior que 38 graus)
  • falta de ar ou dificuldade respiratória
  • dificuldade de controlar a urina
  • dificuldade na visão (dupla ou borrada)
  • dor de localização ou intensidade anormal
  • sangramento em qualquer região, que persista por tempo mais prolongado
Fonte:http://andre.sasse.com/guiaqt.htm

1,5 milhão de mortes prematuras por câncer poderiam ser evitadas todos os anos

Dados de agências internacionais apontam que maioria dos países em desenvolvimento não tem políticas eficazes de prevenção da doença

De acordo com a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC, sigla em inglês) e a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês), 1,5 milhão de mortes prematuras por câncer poderiam ser evitadas todos os anos. O dado, divulgado nesta segunda-feira, Dia Mundial do Câncer, aponta que para evitar essas mortes, é preciso estabelecer medidas para alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2025.
Atualmente, 7,6 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo por causa do câncer. Dessas, 4 milhões são mortes prematuras, de pessoas com idades entre 30 e 69 anos. De acordo com os órgãos, se não forem feitas mudanças nas políticas de tratamento da doença, até 2025 o número anual de mortes prematuras deve subir para 6 milhões.
“Há uma necessidade de comprometimento global para ajudar nos avanços políticos e incentivar a implementação de planos nacionais de controle do câncer. Se conseguirmos sucesso nisso, teremos uma responsabilidade coletiva em apoiar países de renda baixa e média, que precisam resolver epidemias de câncer sem os recursos necessários”, diz Christopher Wild, diretor o IARC.
Prevenção – Segundo dados divulgados pela OMS, mais da metade dos países do mundo têm dificuldades em prevenir o câncer e em fornecer tratamento adequado aos pacientes. Isso significa que esses países não conseguem manter um controle efetivo da doença, que inclui programas de prevenção, de detecção precoce e de terapias. Apenas 17% dos países africanos, por exemplo, e 27% dos países de baixa renda têm programas de controle da doença.
Dados da OMS apontam ainda que 13 milhões de novos casos são diagnosticados todos os anos no mundo. Mais de dois terços desses novos casos e das mortes acontecem em países em desenvolvimento, nos quais a incidência da doença continua a crescer em níveis alarmantes. Pesquisas demonstram que cerca de um terço das mortes acontecem em função de situações de risco como uso de tabaco, obesidade, bebidas alcoólicas e infecções.
Brasil – O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou nesta segunda-feira uma campanha que busca esclarecer os mitos e verdades sobre a doença. Entre outras questões, o instituto aborda temas como a maior incidência da doença em mulheres, os fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento de um tumor e a prevenção dos casos mais comuns no país, como o câncer de pele.
De acordo com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), cerca de 70% dos pacientes com tumores de bexiga tratados no centro tinham histórico de tabagismo – um dos principais fatores de risco para a doença. Dos pacientes tratados com esse tipo de tumor, 50% tiveram diagnóstico tardio, sendo o sangue na urina o sinal clínico mais importante, manifestado em 88% dos casos.
Dados do Icesp apontam ainda que cerca de 30% dos pacientes com câncer na orofaringe (boca, garganta e faringe) que passaram por operação podem ter desenvolvido o câncer em decorrência do papiloma vírus humano (HPV). O Instituto recebe, em média, 1.200 novos casos cirúrgicos dessa doença por ano. De total de pacientes atendidos pela unidade de Cabeça e Pescoço, 11% tiveram ou ainda têm dependência alcoólica – 95% dos pacientes com esse perfil são homens.

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