CONHECENDO O ZEN E O ZAZEN DENTRO DA TRADIÇÃO CH'AN DO BUDISMO,ORIGINADA DA CHINA NO SÉCULO VII

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ZEN E ZAZEN DENTRO DA TRADIÇÃO CH'AN

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Zen é o nome japonês da tradição (e filosofia) religiosa ch'an, que surgiu na China por volta do século VII[1]. O zen costuma ser associado ao budismo do ramo mahayana[2]. Foi cultivado, inicialmente, na ChinaJapãoVietnã e Coreia. A prática básica do zen é o zazen (literalmente, "meditar sentado"), tipo de meditação contemplativa que visa a levar o praticante à "experiência direta da realidade" através da observação da própria mente.[3][4]
O zen, tal como o conhecemos hoje, só foi possível devido à forte influência que o budismo sofreu do taoismo. Para alguns estudiosos, o zen nada mais é que a síntese dessas duas correntes de pensamento (budismo e taoismo).[5]Outros concluem que o zen deveria ser considerado à parte do budismo, pois sua natureza e tradição tão peculiares só foram possíveis e criadas devido à influência do pensamento chinês.
No zen japonês, há duas vertentes principais: soto e rinzai. Enquanto a escola soto dá maior ênfase à meditação silenciosa, a escola rinzai faz amplo uso dos koans, ou "enigmas". Atualmente, o zen é uma das escolas budistas mais conhecidas e de maior expansão no Ocidente.
Segundo Alan Watts, inglês que se notabilizou no Ocidente pela divulgação do zen [6], este, em sua forma original chinesa, não se encontra mais na China, e o que de mais próximo se pode conhecer desta versão original é encontrado em formas de arte tradicionais do Japão que tenham sido cultivadas e transmitidas segundo esta tradição.

Diferenças do nome "zen"

JaponêsChinêsCoreanoSânscrito
RomajiZenMandarim Hanyu PinyinChánRomanização revisada do coreanoSeonRomanizaçãoDhyāna
HiraganaぜんMandarim Wade-GilesCh'anMcCune-ReischauerSŏnDevanāgarīध्यान
KanjiCantonês JyutpingSim4HangulPali
Vietnamita(XangaiLíngua wuZeu [zø]HanjaRomanizaçãoJhāna
Quốc ngữThiềnChinês TradicionalDevanāgarīझान
Hán tựChinês simplificadoCingalêsඣාන

História


Neste texto em japonês, sobre o desenho de Bodhidharma, lê-se: "O zen aponta diretamente para o coração humano, vê sua natureza e o transforma em buda". Foi feita por Hakuin Ekaku (1685 a 1768).
Como todas as escolas budistas, o zen remete suas raízes ao budismo indiano. A palavra "zen" vem do termo sânscrito dhyāna, que denota o estado de concentração típico da prática meditativa. Na China, esse termo foi transliterado como channa e logo reduzido à sua forma mais curta, ch'an (禪). Daí, para o coreano como sŏn (선) e, finalmente, para o japonês como zen.
Segundo os relatos tradicionais, o estilo de prática zen foi levado da Índia à China pelo monge indiano Bodhidharma (em japonês, Daruma) por volta do ano 520. Embora a historicidade desse relato tenha sido colocada em dúvida por estudiosos modernos, a história (ou lenda) de Bodhidharma continua sendo a metáfora fundamental do zen sobre o cerne de sua prática.
Segundo conta o "Registro da Transmissão da Lâmpada", um dos mais antigos textos do zen, Bodhidharma chegou à China pelo território da Dinastia Liang e, devido à sua fama de sábio, foi imediatamente convocado à corte do famoso imperador Wu-ti. O imperador, que havia apoiado enormemente o budismo na China, perguntou a Bodhidharma sobre o mérito que havia ganhado por apoiar o budismo, esperando que esse mérito lhe garantisse uma boa vida em sua encarnação seguinte. Bodhidharma, porém, respondeu: "Nenhum mérito". O imperador, enraivecido, perguntou então: "Quem é esse que está diante de mim?" (em linguagem atual, algo como "Quem você pensa que é?") Bodhidharma respondeu: "Não sei". Aturdido, o imperador concluiu que Bodhidharma devia ser louco, e o expulsou da corte. Um dos ministros então perguntou ao imperador: "Vossa Majestade Imperial sabe que é esta pessoa?" O imperador disse que não sabia. O ministro disse: "Ele é o bodisatva da compaixão, portador do selo do coração de Buda"". Cheio de arrependimento, o imperador quis chamar Bodhidharma de volta, mas o ministro advertiu que ele não voltaria nem mesmo se todos os chineses fossem buscá-lo. Outras pessoas, porém, ficaram intrigadas com sua resposta e o seguiram até a caverna aonde ele havia ido viver. Lá, se tornaram seus discípulos, e descobriram que Bodhidharma era o herdeiro espiritual de Mahakashyapa, um dos grandes discípulos de Buda.
De acordo com os ensinamentos tradicionais, Bodhidharma não sabia responder porque sua verdadeira natureza, assim como a verdadeira natureza de todas as coisas, estava além do conhecimento discursivo, de definições e de palavras. É a esta experiência direta da realidade que aspira o zen.
Mahakashyapa, de quem Bodhidharma era herdeiro espiritual e sucessor, havia tido essa experiência e se iluminado. Segundos os sutras, Mahakashyapa foi o único discípulo de Buda a compreender seu Discurso do Lótus, em que Buda, sem dizer nada, apenas levantou uma flor. Era a realidade imediata, além das palavras.[7]
Depois de treinar seus discípulos por muitos anos, Bodhidharma morreu, deixando seu aluno Huike (em japonês, Daiso Eka) como sucessor. Huike foi o segundo patriarca do zen, e também deixou uma linha de sucessão da qual pouco se sabe, até chegar a Huineng (em japonês, Daikan Eno, 638-713), o sexto e último patriarca. Huineng, um dos maiores mestres da história do zen, participou de uma famosa disputa quando sucedeu seu mestre: um grupo de monges recusava-se a aceitá-lo como patriarca, e propunha outro praticante, Shenxiu, em seu lugar. Sob ameaças, Huineng foi obrigado a fugir para um templo no sul da China; no final, apoiado pela maioria dos monges, foi reconhecido como patriarca.
Algumas décadas depois, porém, a contenda foi ressucitada. Um grupo de monges, dizendo-se sucessor de Shenxiu, enfrentou um outro grupo, a Escola do Sul, que se apresentava como sucessora de Huineng. Depois de debates acalorados, a Escola do Sul acabou prevalecendo, e seus rivais desapareceram. Os registros dessa disputa são os mais antigos documentos históricos fiéis sobre a escola zen de que dispomos hoje.
Mais tarde, monges coreanos foram à China para estudar as práticas da escola de Bodhidharma. Quando chegaram, o que encontraram foi uma escola que já havia desenvolvido identidade própria, com fortes influências do taoismo, e que já era conhecida pelo nome chan. Com o tempo, o chan acabou se estabelecendo na Coreia, onde recebeu o nome seon.
Da mesma forma, monges chegavam de outros países da Ásia para estudar o Chan, e a escola foi se espalhando pelos países vizinhos. No Vietnã, recebeu o nome thien, e, no Japão, ficou conhecida como zen. Através da história, essas escolas cresceram de maneira independente, tendo desenvolvido identidades próprias e características bastante diferentes umas das outras.

Os Seis Patriarcas do Zen na China

O Zen no Japão


jardim seco de Ryōan-ji, um templo da escola rinzai em Quioto, no Japão
No Japão, há quatro escolas de zen: a rinzai, a soto, a obaku e a sanbo kyodan.
A escola rinzai descende da escola chinesa do mestre Linji Yixuan (em japonês, Rinzai Gigen) e foi levada ao Japão em 1191 por Myōan Eisai, tendo adotado o nome japonês de seu fundador. Sua prática se caracteriza por uma busca ativa da iluminação, através de processos árduos como o trabalho com koans e a prática de artes marciais, além de meditação. Com traços mais intelectuais e práticas mais ativas, a escola rinzai foi adotada pelas classes dominantes, como a dos samurais, o que lhe proporcionou influência e prestígio, mas que limitou seu número de adeptos. A obra "A Mente Liberta", de autoria do monge Takuan Sōhō (1573-1645) da escola rinzai, é um dos primeiros registros de fusão entre o zen e a arte da espada.[8]
A escola soto descende da escola chinesa caodong, que foi levada ao Japão no século XIII pelo célebre mestre Eihei Dogen Zenji (1200-1253). Sua prática fundamental é a Shikantaza ("apenas sentar-se"), um tipo simples de meditação cuja prática é identificada com a própria iluminação. Sua simplicidade atraiu os governadores rurais e a classe camponesa, proporcionando à escola um grande número de adeptos. Atualmente, é a maior escola de zen tanto no Japão quanto no Ocidente. Em tempos recentes, a soto exerceu papel de destaque no estabelecimento do zen no Ocidente, enviando mestres como o pioneiro Shunryu Suzuki para fundar mosteiros e centros de prática. No Brasil, todos os senseis (professores de zen que receberam a transmissão do Dharma) em atividade são da escola soto.
obaku foi fundada no Japão em 1661 pelo monge chinês Yinyuan Longgi (em japonês, Ingen Ryuki, 1592-1673), que havia sido treinado na escola de Linji Yixuan.
Finalmente, a sanbo kyodan ("Escola dos Três Tesouros") é a escola de zen mais recente do Japão. Foi fundada em 1954 por Yasutani Hakuun, discípulo e sucessor de Harada Daiun. Ambos foram treinados e receberam a transmissão do Dharma na escola soto, e Harada também completou o treinamento de koans da escola rinzai. Ainda assim, sentiam-se insatisfeitos com a prática de zen disponível no Japão. Deste modo, a sanbo kyodan foi fundada para ser uma escola que congregasse tantos as práticas da soto quanto as da rinzai, e se focasse em atingir o satori. Aceitando na prática que tanto monges quanto leigos podem atingir a iluminação, ambos tinham tratamento igualitário, podendo inclusive receber a transmissão do Dharma e ocupar cargos de liderança na hierarquia da escola. Além disso, movidos pelo espírito libertário do Japão pós-Segunda Guerra Mundial, a sanbo kyodan recebeu e treinou ocidentais, tanto zen-budistas quanto de qualquer outra religião. Por isso, apesar de ser uma escola pequena no Japão, a Sanbo Kyodan exerceu grande influência no zen praticado no Ocidente—mestres como Robert AitkenPhilip Kapleau e o padre Hugo Enomiya-Lassalle foram formados lá.
Alguns mestres contemporâneos, como Shunryu Suzuki e Harada Daiun, já criticaram muito o zen no Japão atual, descrevendo-o como um sistema formalizado de rituais vazios, em que poucos praticantes realmente atingem a iluminação, com templos comparáveis a negócios familiares, passados de pai para filho (pois os monges podem casar-se), onde os monges limitam-se a oficiar funerais e casamentos, pelos quais cobram pequenas fortunas.

Budismo e Zen

O zen é um ramo da tradição budista mahayana e baseia-se fundamentalmente nos ensinamentos de Siddhartha Gautama, o Buda histórico e fundador do budismo. No entanto, através de sua história, o zen também foi recebendo influências das diversas culturas dos países por onde passou.
Seu período de formação na China, em particular, determinou muito de sua identidade. Ensinamentos e práticas taoistas exerceram grande influência no chan chinês. Conceitos como o wu wei, a natureza fluida da realidade e a "pedra não entalhada" ainda podem ser identificados no zen japonês e nas escolas correlatas. Mesmo a tradição zen de "mestres loucos" é claramente uma continuação da tradição dos mestres taoistas. Outra influência, embora menor, veio do confucionismo, e, a isso soma-se, ainda, a influência que o zen recebeu do xintoísmo ao chegar no Japão.
Tais peculiaridades já levaram alguns estudiosos a considerar o zen como uma escola "independente", fora da tradição mahayana — ou até mesmo fora do budismo. Essas posições, no entanto, são minoritárias: a vasta maioria dos estudiosos considera o zen uma escola budista, inserida na tradição mahayana.
Todas as escolas de zen são versadas em filosofia e doutrina budistas, incluindo as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo e as Paramitas. No entanto, a ênfase do zen em experimentar a realidade diretamente, além de ideias e palavras, o mantém sempre nos limites da tradição.
Essa abertura permitiu (e permite) que não budistas praticassem o zen, como o padre jesuíta Hugo Enomiya-Lassalle, que chegou a receber a transmissão do Dharma, e muitos outros. Existe até mesmo uma corrente de "zen cristão", assim como outras que se denominam "não sectárias".

Práticas e ensinamentos do zen


Enso - Caligrafia de Kanjuro Shibata XX, ca. 2000
De um modo geral, os ensinamentos do zen criticam o estudo de textos e o desejo por realizações mundanas, recomendando, antes, a dedicação à meditação (zazen) como forma de experimentar a mente e a realidade de maneira direta. No entanto, o zen não chega a ser uma doutrina quietista - o mestre chan chinês Baizhang (em japonês, Hyakujo, 720-814), por exemplo, dedicava-se ao trabalho braçal em seu monastério e tinha, por lema, um ditado que ficou famoso entre os praticantes de zen: "Um dia sem trabalho é um dia sem comida."
De fato, o zen tem uma longa tradição de trabalho meditativo, desde atividades braçais até atividades mais refinadas, como caligrafiaiquebana e a famosa cerimónia do chá - além das artes marciais, às quais o zen sempre esteve ligado.
Essas práticas, porém, estão bem fundamentadas nas escrituras budistas, principalmente nos sutras Mahayana compostos na Índia e na China, em particular o Sutra da Plataforma de Huineng, o Sutra do Coração, o Sutra do Diamante, o Lankavatara Sutra e o Samantamukha Parivarta, um capítulo do Sutra do Lótus. A grande influência do Lankavatara Sutra, em particular, levou à formação da filosofia "apenas mente" do zen, na qual a consciência em si mesma é a única realidade.
O zen não é um estilo de prática intelectual ou solitário. Templos e centros de prática congregam sempre um grupo de praticantes (uma sangha), e conduzem atividades diárias e retiros mensais (sesshins). Além disso, o zen é tido como um "estilo de vida", e não apenas como um conjunto de práticas ou um estado de consciência.

Zazen

Para o zen, experimentar a realidade diretamente é experimentar o nirvana. Para experimentar a realidade diretamente, é preciso desapegar-se de palavras, conceitos e discursos. E, para desapegar-se disso, é preciso meditar. Por isso, o zazen ("meditação sentada") é a prática fundamental do zen.
Ao meditar, o praticante senta-se sobre uma pequena almofada redonda (o zafu) e assume a postura de lótus, a postura de meio lótus, a postura burmanesa ou a postura de seiza. Unindo as mãos um pouco abaixo do umbigo (fazendo o mudra cósmico), ele semicerra suas pálpebras, pousando a vista cerca de um metro à sua frente. Na escola rinzai, os praticantes sentam-se virados para o centro da sala. Na escola soto, sentam-se virados para a parede.
Então o praticante "segue sua respiração", contando cada ciclo de inspiração e expiração, até chegar a dez. Então o ciclo recomeça. Enquanto isso, sua única tarefa é manter uma mente relaxada, aberta, concentrada mas sem tensão, e estar presente no "agora" do momento, sem se deixar levar por pensamentos ou ruminações. Quando isso acontece, ele volta a se concentrar na contagem. Os praticantes mais experientes, cujo poder de concentração (samadhi) é maior, podem abster-se de contar ou seguir sua respiração. Fazendo assim, eles estarão praticando o tipo de zazen chamado shikantaza, "apenas sentar-se".
A duração de um período de meditação varia de acordo com a escola. Embora o período tradicional de meditação seja o tempo que uma vareta de incenso leva para queimar (de 35 a 40 minutos), escolas como a sanbo kyodan recomendam a seus alunos que não meditem por mais de 25 minutos por vez, pois a meditação pode tornar-se inerte. Na maioria das escolas, porém, os monges rotineiramente meditam entre quatro e seis períodos de 30-40 minutos todos os dias. Quanto a leigos, o mestre Dogen dizia que cinco minutos diários já eram benéficos—o que importa é a constância.
Durante os retiros (sesshins) mensais, porém, as atividades são intensificadas. Com duração de um, três, cinco ou sete dias, a rotina dos retiros prevê de nove a 12 períodos de 30-40 minutos por dia, ou até mais. Entre cada período de zazen, os praticantes "descansam" fazendo kinhin (meditação andando).

O professor

Como o zen dá relativamente pouca importância à palavra escrita, o papel do professor é muito importante para o treinamento do praticante. De um modo geral, um professor de zen é uma pessoa ordenada em qualquer escola que tenha recebido permissão para ensinar o Dharma a outros.
Uma parte central de toda a tradição zen é a noção de transmissão do Dharma, ou seja, a ideia de que há uma linhagem ininterrupta de mestres que, a partir de Buda, transmitiram e receberam os ensinamentos e atingiram pelo menos algum grau de realização. Essa noção se originou da famosa descrição do zen feita por Bodhidharma:
Uma transmissão especial, fora das escrituras;
Sem depender de palavras ou letras;
Apontando diretamente à mente humana;
Contemplando a sua própria natureza e atingindo o estado de Buda.
Quando um professor é reconhecido oficialmente como tendo atingido um certo grau de realização e é admitido à linhagem de mestres, diz-se que ele "recebeu a transmissão do Dharma". Desde pelo menos a Idade Média, essa transmissão, "de mente a mente", "de mestre a discípulo", tem tido um papel fundamental em todas as escolas de zen. Durante a cerimônia de transmissão, o novo professor é presenteado com uma carta genealógica que mapeia toda a linhagem, de Buda até ele próprio.
Títulos honoríficos ligados a professores que receberam a transmissão do Dharma incluem: na China, Fashi e Chanshi; na Coreia, Sunim e Seon Sa; no Vietnã, Thay; e, no Japão, Osho ("sacerdote"), Sensei ("professor") e Roshi ("professor mais velho"). De um modo geral, fala-se em um "mestre Zen" apenas em referência a professores de renome, especialmente os medievais ou os antigos.

A iluminação

No zen, a iluminação é geralmente chamada de satori ou kensho. O kensho é o primeiro vislumbre, por assim dizer, da verdadeira natureza da realidade e de si mesmo, é mais breve e pouco profundo. O satori, por sua vez, é uma experiência mais profunda e duradoura, em que o praticante tem uma experiência intensa da Natureza de Buda, e vê sua "face original".
Não se trata, porém, de uma experiência visionária. Embora algumas pessoas suponham que a experiência de iluminação deva levar quem a experimente a universos de luz intensa, ou coisa que o valha, o depoimento dos mestres zen contradiz essa hipótese. Perguntado sobre como sua vida era antes e como ficou depois do satori, um mestre zen moderno respondeu: "Agora meu jardim parece mais colorido."
Na iluminação, o praticante não é arrebatado a nenhum outro lugar.
Outra suposição comum é que, sendo iluminado, o fluxo de pensamentos pára, e o praticante fica como um espelho polido, refletindo a pura realidade sem pensamentos que o atrapalhem. Pelo contrário, os pensamentos não param—o que ocorre é que o praticante abre mão deles, deixa-os passar, esquece deles, e esquece de si mesmo. Quando o quinto patriarca, Hongren (em japonês, Daiman Konin, 601-647), decidiu escolher quem o sucederia, propôs a seus discípulos que tentassem captar a essência do zen em um poema; o autor do melhor poema seria seu sucessor. Quando receberam a notícia, os monges já sabiam quem seria o vencedor: Shenxiu, o aluno mais antigo de Hongren. Ninguém se deu ao trabalho de competir com ele. Apenas esperaram, e Shexiu escreveu seu poema e o pendurou na parede:
"Este corpo é a árvore de Bodhi.
A alma é como um espelho brilhante.
Toma cuidado para que sempre esteja limpo,
não deixando o pó se acumular sobre ele".
Todos os monges gostaram. Com certeza, Hongren também iria gostar. Entretanto, no dia seguinte, havia outro poema pendurado ao lado, que alguém havia pregado durante a noite:
"Bodhi não é como uma árvore.
O espelho brilhante não brilha em parte alguma:
Se nada há desde o princípio,
Onde se acumula o pó?"
Os monges ficaram assombrados. Quem teria escrito aquilo? Depois de algum tempo, descobriram: o autor do poema era Huineng, o cozinheiro do monastério. E, percebendo sua realização, foi a ele que Hongren estendeu seu manto e sua tigela, fazendo de Huineng o sexto patriarca.

Ensinamentos radicais

Algumas das histórias tradicionais do zen descrevem mestres usando estranhos métodos de ensino, e muitos praticantes de hoje tendem a interpretar essas histórias de maneira excessivamente literal.
Por exemplo, muitos ficam indignados quando ouvem histórias como a do mestre Linji, fundador da escola rinzai, que disse: "Se você encontrar o Buda, mate o Buda. Se você encontrar um patriarca, mate o patriarca." Um mestre contemporâneo, Seung Sahn, também ensina a seus alunos que todos precisamos matar três coisas: matar nossos pais, matar o Buda e matar nosso professor (no caso, o próprio Seung Shan). No entanto, é claro que nem Linji nem Seung Sahn estavam falando de maneira literal. O que eles queriam dizer era que precisamos "matar" nosso apego a professores e coisas externas(errado!,"matar" quer dizer desconstruir tuas crenças, a imagem deles dentro de ti;crenças nos teus pais , mestre , e do proprio buda, o que sobrar depois de tudo é a verdade).
Quando visitam templos ou centros de prática zen, os iniciantes que leram muitas dessas histórias e esperam encontrar professores iconoclastas normalmente se surpreendem com a natureza conservadora e formal das práticas.

O zen e outras religiões

Desde meados do século XX, o zen tem-se aberto ao diálogo inter-religioso, tendo figurado em inúmeros encontros e conferências ao redor do mundo. Talvez a figura mais representativa do zen nesse diálogo seja o monge vietnamita Thich Nhat Hanh, indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1967, que vem se dedicando ao diálogo inter-religioso há décadas e que mantém, em seu altar, imagens tanto de Buda quanto de Jesus.
Em templos e centros de prática zen ao redor do mundo, é comum que muitas pessoas não budistas frequentem as atividades e pratiquem zazen. Essa prática é geralmente bem aceita pelos professores, já que o budismo é uma religião de tolerância que vê as outras religiões como caminhos espirituais válidos e que está aberta a quem quiser apenas meditar, sem qualquer filiação religiosa.
Em algumas escolas, como a sanbo kyodan, a aceitação de praticantes de outras religiões é tão grande que, sem ter de abandonar sua religião, um praticante pode receber a transmissão do Dharma e tornar-se professor.

Textos Zen


Existem várias lendas dentro da tradição zen, transmitidas e renovadas pela tradição oral e parte dos folclores chinês e japonês, que se entrelaçam com a história. Narrativas da tradição oral, muitas das quais compiladas em antologias literárias, podem ser, de acordo com diferentes visões de teóricos, consideradas lendas, folclore, mitologia ou literatura propriamente dita.
Ao tratar das narrativas setsuwa説話 no Japão, narrativas breves, contadas "de um fôlego só", compiladas na antologia literária Konjaku Monogatarishu今昔物語集 , ou Antologia de Narrativas de Hoje e de Ontem, do período Heian 平安時代(794-1192), Yoshida considera que tais narrativas são "transmitidas como reais ou supostamente reais, frutos, portanto, de uma criação coletiva anônima e reunidas numa coletânea de narrativas setsuwa (説話) por um compilador"[9]. A antologia contém histórias referentes à ChinaÍndia e Japão, algumas das quais associadas ao budismo.

A flor de lótus, a espécie de flor que foi supostamente usada durante o Sermão da Flor

O Sermão da Flor

As origens do zen são apontadas para o Sermão da Flor, cuja fonte mais antiga vem do século XIV.[10] Gautama Buddha juntou seus discípulos para um discurso do Dharma[11]. Quando eles juntaram-se, o Buda permaneceu completamente silencioso e alguns acharam que ele estava cansado ou doente. Silenciosamente, o Buda levantou uma flor e vários discípulos tentaram interpretar o que isso significava, embora nenhum deles corretamente. Um dos discípulos, Mahakashyapa (em sânscrito,Mahākāśyapa), também silenciosamente, olhou para a flor e obteve um entendimento especial além das palavras, ou prajna (do sâncrito prajñā, "sabedoria"), diretamente da mente do BudaMahakashyapa de alguma forma compreendeu o verdadeiro sentido inexprimível da flor e o Buda sorriu para ele, reconhecendo seu entendimento e dizendo:
Eu possuo o verdadeiro olho do darma, a mente maravilhosa do nirvana[12], a forma verdadeira do informe, o portal sutil do Dharma que não depende de palavras ou escritos, mas é uma transmissão especial fora das escrituras. Isto eu passo a Mahakashyapa.[10]
Mahakashyapa é, por este dom raro de compreensão, considerado o primeiro patriarca pelo Zen chinês, ou (Ch'an)[13].
Desta forma, através do zen desenvolveu-se um caminho que concentrou-se na experiência direta mais do que em crenças racionais ou escrituras reveladas. A sabedoria era passada, não por meio de palavras, mas através da linhagem da transmissão direta de mente à mente do pensamento de um mestre a um discípulo. Comumente acredita-se que esta linhagem continuou ininterrupta desde o tempo do Buda até os dias de hoje. Historicamente, esta crença é discutível, devido à falta de evidência que dê suporte a ela. De acordo com D. T. Suzuki, a ideia de uma linha de descendência a partir de Sidarta Gautama é uma instituição distintiva do zen e ele acredita que foi inventada por estudiosos, através da hagiografia, para dar legitimidade e prestígio ao zen.[14]
Exemplo de iquebana, tradicional arte japonesa de arranjo floral com forte influência do zen

Parábola de Buda

Ao atravessar um campo, um homem encontrou um tigre.
Fugiu a sete pés, com o tigre atrás dele.
À sua frente encontrou um precipício em que acabou por cair.
Mas conseguiu agarrar-se à raiz de uma velha videira
e ali ficou pendurado, com o tigre a cheirá-lo.
Tremendo de medo, olhou para baixo e viu outro tigre, lá longe em baixo,
que o esperava, cheio de apetite.
A sua vida estava completamente dependente da videira.
Mas apareceram dois ratos, um branco e outro preto,
que pouco a pouco começaram a roer a raiz da videira.
Foi só nesse momento que se apercebeu que,
mesmo ao pé da raiz, crescia um morango apetitoso.
Agarrando-se à videira com uma mão, colheu o morango com a outra.
E foi o melhor morango que alguma vez comeu!

Temperamento

Um estudante de zen foi ter com Bankei e queixou-se:
- Mestre, Tenho um temperamento ingovernável. Como posso curá-lo?
- Tens uma coisa muito estranha, replicou Bankei. Mostra-me lá então isso que tens.
- Neste preciso momento não lhe posso mostrar, respondeu o outro.
Acontece inesperadamente!..., respondeu o estudante.
- Então, concluiu Bankei, não deve ser a tua verdadeira natureza.
Se fosse, podias mostrar-me em qualquer altura.
Quando nasceste não o tinhas e não foram os teus pais que o deram.
Pensa nisso.

A estrada enlameada

Tanzan e Ekido caminhavam juntos numa estrada enlameada. Caía ainda uma chuva forte. Junto a um cruzamento da estrada, encontraram uma bela moça que não conseguia atravessar porque não queria sujar o belo kimono de seda que trazia.
- Anda moça, disse Tanzan imediatamente. E, carregando-a nos seus braços, atravessou-a para o outro lado da zona mais enlameada.
A partir daí, Ekido ficou calado todo o caminho que percorreram até à noite. Ao chegarem ao templo onde ficariam a pernoitar, Ekido não conseguiu se conter e disse a Tanzan:
- Nós os monges não nos aproximamos de mulheres. Especialmente se são jovens e bonitas. É perigoso. Por que fizeste aquilo?
- Eu deixei a moça lá atrás - disse Tanzan. Tu ainda estás a carregá-la?

Tudo é melhor

Quando Banzan passeava num mercado, ouviu uma conversa entre o carniceiro e um cliente.
- Dê-me o melhor bocado de carne que tem, disse o cliente.
- Na minha loja tudo é o melhor, respondeu o carniceiro.
Não encontrará aqui nenhum bocado de carne que não seja o melhor!
Ao ouvir estas palavras, Banzan tornou-se um iluminado.

O meu coração arde como fogo

Soyen Shaku (1859-1919), um roshi, mestre do zen-budismo japonês, (ch. laoshi) da escola rinzai, disse, um dia: "Meu coração arde como fogo. Mas meus olhos são frios como cinzas mortas". Ele propôs as seguintes regras de vida[15]:
De manhã, antes de vestir-se, acenda incenso e medite.
Coma a intervalos regulares e deite-se a uma hora regular.
Coma sempre com moderação e nunca até ficar plenamente satisfeito.
Receba as suas visitas com a mesma atitude que tem quando está só.
E, quando só, mantenha a mesma atitude que tem quando recebe visitas.
Preste atenção ao que diz e, o que quer que diga, pratique-o.
Quando uma oportunidade chegar, não a deixe passar,
mas pense sempre duas vezes antes de agir.
Não se deixe perturbar pelo passado. Olhe para o futuro.
A sua atitude deve ser a de um herói sem medo,
mas o coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor.
Ao retirar-se, ao fim do dia, durma como se tivesse entrado no seu último sono.
E, ao acordar, deixe a cama para trás,
instantaneamente,
como se tivesse deixado fora um par de sapatos velhos.

Ver também

Bibliografia

  • Gyatso, Geshe Kelsang. Compaixão Universal. Trad. Kelsang Palsang. São Paulo, Centro Budista Mahabodhi/Tharpa, 1996, p. 183.
  • Gyatso, Tenzin. Bondade, amor e compaixão. Trad. Claudia Gerpe Duarte. São Paulo, Pensamento, 1989, p. 34.
  • Keown, Damien. Oxford dictionary of buddhism. Nova Iorque, Oxford University Press, 2003, p. 164.
  • Manual of Zen Buddhism, Kioto, Eastern Buddhist Soc. 1934; Londres, Rider & Company, 1950,1956. A collection of Buddhist sutras, classic texts from the masters, icons & images,including the "Ten Ox-Herding Pictures".
  • Suzuki, D.T. (1949),Essays in Zen buddhism, Nova Iorque, Grove Press, ISBN 0-8021-5118-3
  • Watts, Alan W.. O espírito do Zen. Trad. Murillo Nunes de Azevedo. São Paulo, Cultrix, 1988.
________________ O Zen e a experiência mística. Trad. José Roberto Whitaker Penteado. Idem.
  • Yoshida, Luiza Nana. Breves considerações sobre o universo das narrativas setsuwa. Estudos Japoneses 15. São Paulo, Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo, 1995, pp. 95–105.

Referências

  1. Ir para cima TSAI, C. C. Zen em quadrinhos. Tradução de Clara Fernandes. 2ª edição. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Ediouro. 1997. p. 9.
  2. Ir para cima Keown, Damien. Oxford Dictionary of Buddhism. Nova Iorque, Oxford University Press, 2003, p.167
  3. Ir para cima TSAI, C. C. Zen em quadrinhos. Tradução de Clara Fernandes. 2ª edição. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Ediouro. 1997. p. 17-18.
  4. Ir para cima HANDA, F. Coleção primeiros passos: o que é zen. São Paulo. Brasiliense. 1991. p. 17.
  5. Ir para cima BLOFELD, J. Taoismo: o caminho para a imortalidade. Tradução de Gílson César Cardoso de Souza. São Paulo. Pensamento. p. 64.
  6. Ir para cima Watts, Alan W.. O Budismo Zen. Editorial Presença. Portugal. O Espírito do Zen. Trad. Murillo Nunes de Azevedo. São Paulo, Cultrix, 1988; e O Zen e a experiência mística. Trad. José Roberto Whitaker Penteado. idem.
  7. Ir para cima HANDA, F. Coleção primeiros passos: o que é zen. São Paulo. Brasiliense. 1991. p. 12.
  8. Ir para cima Kawasaki, Bruno. «The Unfettered Mind». Life-giving Martial Arts. Consultado em 7 de outubro de 2011
  9. Ir para cima Yoshida, Luiza Nana. Breves considerações sobre o universo das narrativas setsuwa. Estudos Japoneses 15. São Paulo, Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo, 1995, pp.95-105
  10. ↑ Ir para:a b Dumoulin, Heinrich (2005). Zen Buddhism: A History. vol. 1: India and China. Bloomington, IN: World Wisdom. pp. 8–9, 68, 166–167, 169–172. ISBN 0941532895
  11. Ir para cima Darma, palavra que se originou do termo sânscrito que significa "conter", se refere ao conjunto de práticas que podem levar o devoto a libertar-se de estados de emoções perturbadoras. GYATSO, T. Bondade, Amor e Compaixão. Tradução de Claudia Gerpe Duarte. São Paulo. Pensamento. 1989. p. 34
  12. Ir para cima Estado de realização espiritual suprema, ou paraíso. Em GYATSO, G. K. Compaixão Universal. Tradução de Kelsang Palsang. São Paulo. Centro Budista Mahabodhi/Tharpa. 1996. p. 183
  13. Ir para cima Keown, Damien. Op.Cit., p.164
  14. Ir para cima Suzuki, D.T. (1949), Essays in Zen Buddhism. Nova Iorque, Grove Press, ISBN 0-8021-5118-3
  15. Ir para cima 101 Zen Stories. Em http://www.101zenstories.com/index.php?story=toc Acesso 15 Outubro 2008

Ligações externas


Zazen (japonês: 坐禅; chinês: zuò chán (pinyin) ou tso-chan (Wade-Giles)) é a base da prática Zen Budista. O objetivo do zazen é "apenas sentar", com a mente aberta, sem apegar-se aos pensamentos que fluem livremente. Isto é feito tanto através do uso de koans, o principal método Rinzai, ou o sentar-se completamente alerta (o "apenas sentar", shikantaza), o qual é o método da escola Soto.[1] O princípio do zazen é o de que uma vez que a mente esteja livre de suas diversas camadas, pode-se realizar a natureza búdica, atingindo-se a iluminação (satori).

Prática


Praticantes budistas em zazen.
A prática do zazen consiste basicamente em sentar-se em uma posição confortável, com a coluna ereta, em períodos de até 40 minutos, intercalados com meditação andando (Kinhin). Durante esse tempo deve-se procurar observar os pensamentos e sensações que surgem, sem buscar reprimi-los, causá-los ou julgá-los. É tradicional o uso de zafu e zabuton como almofadas, na qual o praticante fica sentado.
Um excelente guia para a prática do zazen foi escrita pelo monge zen budista japonês Dogen[2] no século XIII[3]

Notas

Referências

  1. Ir para cima Rinzai e Soto são as principais escolas de Zen no Japão; ambas tiveram origem na China como as escolas Linji e Caodong, respectivamente.
  2. Ir para cima Dogen é considerado o fundador da escola Soto de Zen no Japão.
  3. Ir para cima Zazengi: How to Sit (em inglês) Tradução por Yasuda Joshu roshi e Anzan Hoshin roshi.

Ver também

Ligações externas



Zafu

Zafu (座蒲 em Japonês ou 蒲团 em Chinês) é uma almofada tradicional de origem chinesa, de sarja preta com uma faixa branca, utilizada junto com o zabuton para a meditação no método zen ou zazen.
"Za" (座) significa "assento", e "fu" (蒲) é o nome de uma planta, "cattail" . Assim, "zafu" designa um assento estofado com esta planta. O têrmo japones zafu (座蒲) tem origem na China, onde este tipo de assento para meditação era originalmente feito com este material. Atualmente, assentos similares utilizados no Japão ou na China para meditação são feitos com outros materiais, como a paina.

Posição de lótus

A posição de lótus (em devanágari पद्मासन; IASTpadmāsana; em japonês 結跏趺坐, kekka fuza) é uma postura em que o indivíduo permanece sentado com as pernas cruzadas e os pés em oposição às coxas com o fim de meditar seguindo práticas indianas. Foi estabelecida na tradição da ioga hindu. A posição lembra uma flor de lótus, melhorando a respiração e promovendo a estabilidade física.
Esta posição faz parte das tradições da hatha e da raja-ioga.
É talvez o maior símbolo da espiritualidade oriental. Famosas representações deste asana incluem Shiva, deus do hinduísmo, e Buda, o fundador do Budismo. A primeira representação pictórica do padmasana é visto no selo do vale do indo representando de Shiva como Pashupati, Senhor de Feras de Harrapa.[1]
Padmasana é um asana por excelência, mas não é para todos. Estudantes experientes utilizam-no como um asana para o seu pranayama diário ou na meditação, mas novatos podem ter necessidade de utilizar outras posições, mais adequadas. Este asana trabalha a flexibilidade das articulações dos joelhos e tornozelos, tonificar os órgãos abdominais e a coluna, promovendo maior irrigação sanguínea na base do tronco.

Babaji em posição de lótus

Posições mais fáceis

Variações

Posições mais avançadas

Ver também

Referências

  1. Ir para cima Merriam-Webster's Encyclopedia of World Religions de Wendy Doniger, Merriam-Webster. página 504. Publicado em 1999 pela Merriam-WebsterISBN 0877790442
  • Becoming the Lotus: How to Achieve the Full Lotus Posture by Anton Temple (Author), Franca Gallo (Redator), Pip Faulks (Ilustrador) Paperback: 64 paginas, Editora: Merkur Publishing, Inc (1 Dec 2006) Lingua: Inglês, ISBN 1885928181, Dimensões: 5.8 x 8.3 inches
  • Yoga, Tantra and Meditation in Daily Life de Swami Janakananda Saraswati (Autor), Paperback: 128 paginas, editora: Red Wheel/Weiser (Sep 1992), Lingua: Inglês, ISBN 0877287686 ISBN 978-0877287681, Dimensões: 8.3 x 9.8 x 0.3 inches

Ligações externas


Seiza, caminho da tranquilidade, é uma pratica zen de se manter sentado, na postura za rei, enquanto se acalma o espírito e se controla a respiração.

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Zen

Zazen

Zazen literalmente significa Sentar Zen. Zen é uma palavra que vem do Sânscrito Dhyana ou Jhana e significa um estado meditativo profundo. Geralmente não chamamos o Zazen de meditação, pois o verbo meditar é transitivo direto, ou seja, requer um objeto. Meditar sobre a vida, meditar algo. Enquanto que o Zen é intransitivo. Não há objeto de meditação. Até o sujeito desaparece. E quando isso acontece o Caminho se manifesta em sua plenitude.
Procure um local tranquilo, nem muito claro nem muito escuro, não muito quente nem muito frio.
Há várias maneiras de sentar-se: posição das bermudas, meia lótus, lótus completa, banquinho, cadeira. Em qualquer uma delas é importante que a coluna vertebral seja mantida erecta. O queixo um pouco para baixo, de forma que a região cervical fica reta. Verifique se seu corpo está centrado, movendo da esquerda para a direita, como um pêndulo – de movimentos largos a movimentos menores e pare exatamente em seu próprio centro de equilíbrio.
Perceba se as orelhas ficam em linha com os ombros e o nariz em linha com o umbigo. Esvazie os pulmões, soltando todo o ar profundamente pela boca, umas três vezes. Relaxe qualquer parte do corpo onde sinta tensão. Em seguida coloque as mãos no mudra cósmico (mão direita embaixo, com a palma voltada para cima e a costa dos dedos da mão esquerda repousando na palma dos dedos da direita,mantendo a mão esquerda com a palma para cima. Encoste levemente os dois polegares, como se houvesse uma finíssima folha de seda entre eles). Perceba que suas mãos estarão formando uma elipse, assim como os planetas em torno do Sol – o comos em suas mãos.
Em seguida coloque a ponta da língua no palato superior, tocando de leve atrás dos dentes frontais. Isto cria um canal de comunicação de energia ao mesmo tempo que evita muita salivação.
Mantenha os olhos entreabertos, pousados cerca de um metro e meio de distância num ângulo de 45 graus.
Assim, sem pensar e sem não-pensar, sente-se calmamente por alguns minutos. Alguns ficam em zazen por 40 minutos, outros por 30 ou mesmo 20 minutos. De qualquer maneira adapte à sua realidade. Para quem nunca praticou nenhuma forma de meditação mesmo cinco minutos pode ser um bom tempo. Não tenha presssa em querer sentar por longos períodos.
Tendo assim assentado corpo e mente perceba sua respiração. Sinta se está sendo abdominal (ao inalar o abdomem se expande ao exalar se contrai) ou toráxica (a caixa toráxica se expande e se contrái). Perceba seus batimentos cardíacos. Ouça todos os sons, próximos e distantes. Sinta as fragrâncias da sala, do local (pode ser ao ar livre). Perceba o ar, sua textura, sua temperatura. A luz e a sombra que se formam onde seus olhos estão pousados são também percebidas. Verifique sua postura, a posição das mãos, da coluna, da língua e oxigene áreas de tensão. Perceba seus pensamentos. Como se formam, como desaarecem. Veja se pensa em formas, palavras, música, cores, imagens. Qualquer emoção que surja deve ser notada. Assim como seu término. O mesmo para memórias. Entretanto não fique pensando apenas, nem apenas percebendo, pois isto ainda está no plano da dualidade. Torne-se um com o uno sendo a respiração, a postura correta e a vida do universo em constante fluir.
Um momento de zazen é um momento de Buda.
Entre tarefas, em momentos de stress no trabalho, nos estudos, entre amigos e desafetos, em casa, no trânsito, lembre-se apenas de endireitar a coluna e respirar conscientemente. Perceba suas emoções e batimentos cardíacos. Relaxe, sorria. Tudo é passageiro. Aprenda a estar presente no instante e a agir da maneira correta a transformar o que náo for de seu agrado. Lembre-se: apenas reagir não transforma.
Assim, use o Zazen para o seu bem e de todos os seres. Pois afinal, se se entregar ao Zazen de corpo e mente verificará que é o Zazen que faz zazen… Zazen zazen zazen.
Fonte:http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-da-monja-coen/131-zazen-

Eihei Dogen

Dōgen Zenji (; também conhecido como Dōgen Kigen Eihei Dōgen Koso Joyo Daishi ou simplesmente Dogen[1]) (19 de janeiro de 1200 – 22 de setembro de 1253) foi um mestre zen-budista japonês nascido em Kyōto. Dogen fundou a escola Soto de zen. Ele foi uma figura religiosa proeminente em seu tempo, bem como um filósofo importante. Dogen é conhecido pelo sua obra "Tesouro do Olho do Dharma verdadeiro" (Shōbōgenzō), uma coleção de 95 fascículos relacionados à prática budista e à iluminação.
Dogen
Nascimento19 de janeiro de 1200
Quioto, no Japão
Morte22 de setembro de 1253
Quioto, no Japão
NacionalidadeJapão japonês
Ocupaçãomonge budista
Escola/tradiçãozen soto

Vida

O mestre zen-budista Eihei Dogen nasceu em 1200, em Kyoto, então capital imperial do Japão. Filho de nobres, perdeu o pai aos três anos e a mãe aos oito. A perda de sua mãe parece ter causado forte impressão sobre ele, fazendo-o entrar em contato com o conceito budista da impermanência (無常 mujō) e iniciar o curso de suas questões sobre a natureza da existência. Aos 13 anos, foi para um monastério no Monte Hiei, onde foi ordenado monge budista da escola tendai. Ao dedicar-se com afinco ao estudo das escrituras budistas, defrontou-se com uma questão que, para ele, teve papel fundamental em suas escolhas:
Esta questão foi originada em grande parte pelo conceito tendai de "iluminação original" (本覚 hongaku), que atesta que todos os seres humanos são iluminados por natureza e que, consequentemente, toda ideia de se atingir a iluminação através da prática é fundamentalmente errônea.
Como Dogen não encontrou uma resposta para esta questão no Monte Hiei, decidiu visitar outros mestres. Visitou o mestre Koin, abade tendai do Templo Onjōji (園城寺). Koin lhe disse que, para encontrar uma resposta, Dogen deveria considerar estudar chan na China. Kōin mandou Dogen a Myōan Eisai, em Kyoto, um famoso monge tendai que havia estado na China e trazido a prática da escola zen rinzai em 1191. Em 1214, Dōgen foi estudar com Eisai no Templo Kennin-ji (建仁寺) e, após a morte de Eisai no ano seguinte, ele continuou seu estudo sob o sucessor de Eisai, Myōzen (明全). Em 1221, Myōzen conferiu a transmissão do darma para Dōgen, reconhecendo que ele havia compreendido os ensinamentos. Dois anos depois, Dogen decidiu fazer a perigosa travessia através do Mar da China Oriental até a China para tentar encontrar uma resposta. Seu mestre Myōzen o acompanhou nessa viagem.

Viagem à China

Na China, Dogen foi inicialmente aos principais monastérios chan na província de Zhèjiāng. Naquela época, a maior parte dos mestres de chan baseavam seu treinamento no uso de gōng-àns (Japonês: kōan). Embora Dogen tenha estudado os koan assiduamente, ele ficou desencantado devido à grande ênfase dada a eles, e começou a se perguntar por que os sutras não eram mais estudados. Dogen chegou mesmo a recusar-se a receber a transmissão do darma de um mestre devido a este desencanto. Então, em 1225, ele decidiu retornar ao Japão e, em seu caminho de retorno, voltou ao primeiro local de peregrinação na China para despedir-se de seu mestre Myozen. Foi lá que conheceu e tornou-se discípulo do mestre Rújìng (如淨; Japonês, Nyōjo), o décimo-terceiro patriarca da escola Cáodòng (japonês, Sōtō)de budismo zen, no monte Tiāntóng (天童山 Tiāntóngshān; J. Tendōzan) em Níngbō. Rujing era famoso por ter um estilo de zen diferente dos outros mestres que Dogen havia até então visitado.
Rujing era um mestre muito rigoroso, o treinamento levado a cabo no mosteiro era referido como sendo muito duro e difícil. Os monges dormiam pouco e se dedicavam durante muitas horas do dia à pratica da meditação sentada silenciosa (zazen). A principal instrução recebida por Dogen foi para que abandonasse corpo e mente ao caminho, significando um abandono completo de si mesmo e de toda e qualquer ideia de identidade ou preconcepções acerca dos próprios ensinamentos, dedicando-se à prática central da meditação silenciosa com todo o seu ser:
O abandono da compreensão intelectual através da absorção meditativa e do corpo através da disciplina foram decisivos para realizar o completo desapego. O mestre Rujing participava de todos os momentos de prática junto com os monges, e revelava com sua forma de viver a realização dos ensinamentos oferecidos.
Sob Rujing, Dōgen atingiu a libertação do corpo e da mente, guardando cuidadosamente as palavras de seu mestre, "Jogue fora o corpo e a mente" (身心脱落 shēn xīn tuō luò). Esta frase continuaria a ter grande importância durante a vida de Dogen e pode ser encontrada em vários lugares em seus escritos, como por exemplo na seção famosa de seu "Genjōkōan" (現成公案):
Logo após Dogen chegar ao monte Tiantong, Myōzen morre. Em 1227, Dōgen recebeu a transmissão do Darma e inka de Rujing, e comentou como finalmente ele havia resolvido sua "busca de uma vida da grande questão".

Retorno ao Japão

Dogen retornou ao Japão em 1227 ou 1228, para o templo Kennin (Kennin-ji), onde ele havia treinado sob Eisai. Uma de suas primeiras ações ao voltar foi escrever o Fukan Zazengi (普観坐禅儀; "Instruções Universalmente Recomendadas para a Prática de Zazen"), um texto curto mostrando a importância e dando instruções para a prática do zazen, ou "meditação sentada".
Tensões começaram a surgir quando a comunidade tendai tentou suprimir tanto o zen quanto a escola Jōdo Shinshū, as novas formas de budismo no Japão. Devido a esta tensão, Dogen deixou os domínios tendais de Kyoto em 1230 e se estabeleceu num templo abandonado na hoje cidade de Uji, ao sul de Kyoto. Em 1233, Dōgen fundou o Kannon-dōri-in, um pequeno centro de prática, em Uji; mais tarde, ele expandiu este templo para formar o templo Kōshō-hōrinji (興聖法林寺). Em 1243, Hatano Yoshishige (波多野義重) ofereceu realocar a comunidade de Dogen para a província Echizen, bem ao norte de Kyoto. Dōgen aceitou devido às tensões com a comunidade tendai e seus seguidores construíram um centro de prática nesta localidade, chamando-o de Daibutsuji (大仏寺), "templo do Grande Buda". Enquanto a construção ocorria, Dogen vivia e ensinava no templo Yoshimine-dera (Kippōji, 吉峯寺), próximo a Daibutsuji. Em 1246, Dōgen mudou o nome de Daibutsuji, passando a chamá-lo Eihei-ji. Este continua a ser um dos dois templos-chefe da seita sōtō zen no Japão atual, o outro sendo Sōji-ji.
Dogen passou o resto de sua vida ensinando e escrevendo em Eiheiji. Em 1247, o novo regenteHōjō Tokiyori, convidou Dōgen a vir a Kamakura ensiná-lo. Dōgen fez a longa viagem, ordenou o regente como leigo e voltou a Eiheiji em 1248. No outono de 1252, Dōgen adoeceu. Ele transmitiu seu manto ao principal aprendiz, Koun Ejō (孤雲懐弉), fazendo-o abade de Eiheiji. A convite de Hatano Yoshishige, Dōgen foi a Kyoto em busca de uma cura para sua doença. Em 1253, pouco depois de chegar a Kyoto, Dogen faleceu. Pouco antes de sua morte, ele havia escrito o poema:
Cinquenta e quatro anos iluminando os céus.
Um salto trêmulo arrebenta com bilhões de palavras.
Hah!
O corpo inteiro procura por nada.
Vivendo, eu mergulho nas Fontes Amarelas.[3]

Zen

No cerne da variação de zen que Dogen ensinava, existe uma série de conceitos-chave, enfatizados diversas vezes nos seus escritos. Todos estes conceitos, entretanto, estão intimamente relacionados no sentido de que todos estão conectados diretamente com o zazen, ou "meditação sentada", que Dogen considerava idêntico ao zen, como pode ser visto claramente na primeira sentença do manual de instruções de 1243 Zazen-gi (坐禪儀; "Princípios do Zazen"): "Estudar zen... é zazen".[4] Ao se referir ao zazen, Dogen, na maioria das vezes, está se referindo especificamente ao shikantaza, ou "apenas sentar-se", que é um tipo de meditação na qual senta-se "num estado totalmente alerta, livre de pensamentos, dirigido a nenhum objeto e ligado a nenhum conteúdo em particular".[5]

Unidade entre prática e iluminação

O conceito primário permeando a prática zen de Dogen é a "unidade prática-iluminação" (修證一如 shushō-ittō / shushō-ichinyo). Este conceito é tão fundamental na variedade de zen de Dogen — e, consequentemente, na escola soto como um todo — que formou a base para o trabalho Shushō-gi (修證儀), compilado em 1890 por Takiya Takushū (滝谷卓洲) do Eihei-ji e Azegami Baisen (畔上楳仙) do Sōji-ji como uma introdução ao enorme trabalho de Dogen, o Shōbōgenzō ("Tesouro do Olho do Darma Verdadeiro").
Para Dōgen, a prática de zazen e a experiência de iluminação eram uma e a mesma coisa. Este ponto foi sucintamente indicado por Dogen no Fukan Zazengi, o primeiro texto que compôs ao retornar ao Japão: "Praticar o caminho diligentemente é, por si só, iluminação. Não há qualquer diferença entre prática e iluminação ou entre zazen e vida diária".[6] Previamente no mesmo texto, a base desta identidade é explicada em mais detalhes:
A unidade entre prática e iluminação também foi enfatizada no Bendōwa (弁道話 "Discurso sobre o que segue caminho") de 1231:

Os escritos de Dogen

obra-prima de Dogen é o Shōbōgenzō, discursos e escritos reunidos em 99fascículos sobre tópicos que vão desde a prática monástica até a filosofia da linguagem, do ser e do tempo. Neste trabalho, como em sua vida, Dogen enfatiza a absoluta primazia do shikantaza e a inseparabilidade entre prática e iluminação.
Embora fosse comum que trabalhos budistas fossem escritos em chinês, Dōgen escrevia frequentemente em japonês, transmitindo a essência do seu pensamento num estilo que era, ao mesmo tempo, conciso e inspirador. Um mestre no estilo, Dogen é notável não apenas pela sua prosa mas também por sua poesia (em estilo japonês waka e em vários estilos chineses). O uso da linguagem por Dogen era não convencional. De acordo com Steven Heine, especialista em Dogen: "Os trabalhos filosóficos e poéticos de Dogen são caracterizados por um esforço contínuo em expressar o inexprimível através do aperfeiçoamento do discurso imperfeito pelo uso criativo do jogo de palavras, neologismos e lírica, bem como pela redefinição de expressões tradicionais".[9]
Desde 1930, a obra de Dogen desperta interesse nos ocidentais, mas a primeira edição inglesa do Shobogenzo só foi feita em 1958. A versão completa só foi editada em 1983, em quatro volumes, traduzidos por Gudo Wafu Nishijima e Chodo Cross. Atualmente, desperta grande interesse em países da Europa e nos Estados Unidos, onde diversos centros dedicam-se a estudar seu pensamento. Alguns escritos foram editados como trabalhos independentes, e ainda alguns ensinamentos foram reunidos e transcritos por seu discípulo direto e sucessor Koun Ejo.
No Brasil, um único trabalho reúne alguns capítulos selecionados e traduzidos sob o título: A Lua Numa Gota de Orvalho – (DOGEN, 1993). Uma versão em língua portuguesa está atualmente disponível, e em preparação para edição, podendo ser visualizada no site do autor - Marcos Beltrão Frederico[1], o monge zen Marcos Ryokyu, formado em filosofia e discípulo do mestre Iagarashi Roshi.

Notas

  1. Ir para cima LEONARD, J. N. Biblioteca de história universal Life: Japão Antigo. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio Editora. 1979. p. 83.
  2. Ir para cima Kim 125
  3. Ir para cima Qtd. in Tanahashi, 219
  4. Ir para cima "Principles of Zazen"; tr. Bielefeldt, Carl.
  5. Ir para cima Kohn 196–197
  6. Ir para cima Yukoi 47
  7. Ir para cima Ibid. 46
  8. Ir para cima Okumura 30
  9. Ir para cima Heine 1997, 67

Referências

  • Heine, Steven. Dogen and the Koan Tradition: A Tale of Two Shobogenzo Texts. Albany: SUNY Press, 1994. ISBN 0-7914-1773-5.
  • —. The Zen Poetry of Dogen: Verses from the Mountain of Eternal Peace. Boston: Tuttle Publishing, 1997. ISBN 0-8048-3107-6.
  • Kim, Hee-jin. Eihei Dogen, Mystical Realist. Wisdom Publications, 2004. ISBN 0-86171-376-1.
  • Kohn, Michael H.; tr. The Shambhala Dictionary of Buddhism and Zen. Boston: Shambhala Publications, Inc., 1991. ISBN 0-87773-520-4.
  • Mello, Ivone - A Idéia de Não-dualidade no Pensamento do Mestre Zen Eihei Dogen: Implicações para a Teoria da Educação. Recife: UFPE, 2004.
  • Okumura, ShohakuLeighton, Taigen Daniel; et al.; tr. The Wholehearted Way: A Translation of Eihei Dogen's Bendowa with Commentary. Boston: Tuttle Publishing, 1997. ISBN 0-8048-3105-X.
  • Tanahashi, Kazuaki; ed. Moon In a Dewdrop: Writings of Zen Master Dogen. New York: North Point Press, 1997. ISBN 0-86547-186-X.
  • Tanahashi, Kazuaki (tr.) & Loori, Daido (comm.) : The True Dharma Eye. Shambhala, Boston, 2005.
  • Yokoi, Yūhō and Victoria, Daizen; tr. ed. Zen Master Dōgen: An Introduction with Selected Writings. New York: Weatherhill Inc., 1990. ISBN 0-8348-0116-7.

Ligações externas


Koan

Um koan (公案; japonêskōanchinêsgōng-àncoreanogong'anvietnamitacông án) é uma narrativa, diálogo, questão ou afirmação no budismo zen que contém aspectos que são inacessíveis à razão. Desta forma, o koan tem, como objetivo, propiciar a iluminação espiritual do praticante de budismo zen. Um koan famoso é: "Batendo as duas mãos uma na outra, temos um som; qual é o som de uma mão somente?" (tradição oral, atribuída a Hakuin Ekaku, 1686-1769).

Ligações externas

Rinzai

Rinzai ((臨|済|宗); JaponêsRinzai-shūChinêslínjì zōng) é uma das três escolas Zen budistas no Japão, as outras sendo a Soto e a Obaku. Rinzai é a linha japonesa da escola chinesa Linji, que foi fundada durante a dinastia Tang por Linji Yixuan (J.: Rinzai Gigen). Embora se tenha tentado estabelecer linhagens Rinzai no Japão por diversas vezes, esta escola só conseguiu estabelecer-se através dos esforços do monge Myōan Eisai, após seu retorno da China em 1191. Eisai é portanto usualmente aceito como tendo transmitido os ensinamentos Rinzai ao Japão. A escola estabeleceu-se firmemente e alcançou uma identidade distintamente japonesa com Shuho Myocho (Daito Kokushi, 1283-1337) e Muso Soseki (1275–1351), mestres influentes que não foram à China estudar.


Pintura japonesa de Linji Yixuan (J.: Rinzai Gigen).

Características


Myōan Eisai, fundador da escola Rinzai de Zen no Japão, séc. 12.
Rinzai Zen caracteriza-se pela ênfase dada ao kensho ("ver a própria verdadeira natureza", ou iluminação) como o principal caminho da prática budista e por sua insistencia na necessidade de vários anos de treinamento exaustivo após a iluminação para incorporar o funcionamento livre da sabedoria nas atividades da vida diária. Treinamento baseado no uso de koans, os quais foram desenvolvidos em um alto grau por esta escola, é um dos caminhos para a obtenção do kensho. Em geral a escola Rinzai é conhecida pelo rigor e severidade de seus métodos de treinamento.
O Zen Rinzai no Japão atual não possui uma única estrutura organizada. Encontra-se dividido em quinze ramos, conhecidos pelos nomes de seus templos principais. O templo maior e mais influente é o do ramo Myoshin-ji, cujo templo principal foi fundado em 1342 por Kanzan Egen Zenji (1277–1360). Outros ramos importantes incluem o Nanzen-ji e o Tenryū-ji (ambos fundados por Muso Soseki), Daitoku-ji (fundado por Shuho Myocho), e Tofuku-ji (fundado por Enni Ben'en, 1202-1280). Devemos notar que estes ramos são simplesmente divisões organizacionais que surgem devido à história do templo e da linhagem mestre-discípulo e não representa divisões sectárias ou diferenças fundamentais na prática.

Desenvolvimentos posteriores


O jardim seco no Ryōan-ji, um templo Zen Rinzai em Kyoto.
Por volta do século XVIII a escola Rinzai entrou num período de estagnação e declínio. Nesta época, o monge Hakuin Ekaku (1686–1769) tornou-se proeminente como um revitalizador do Zen Rinzai, e seu métodos vigorosos abriram caminho para uma revitalização duradoura. A influência de Hakuin e de seus seguidores foi tanta que todos os mestres Rinzai atuais traçam sua linhagem através dele. A sistematização do sistema de treinamento por koan feita por Hakuin serve atualmente como base para a prática formal Rinza.
Várias linhas Rinzai foram transplantadas do Japão para a Europa, Américas e Austrália e praticantes não japoneses foram certificados como professores e sucessores destas linhagens. Templos Rinzai, bem como grupos de prática liderados por praticantes leigos, podem ser encontrados em muitos países.

Veja também

Referências

"Mahayana Buddhism" Paul Williams, Routledge, ISBN 0-415-02537-0
"Zen Buddhism: A History - Japan" Heinrich DumoulinWorld WisdomISBN 0-941532-90-9

Ligações externas

Sanbo Kyodan

Sanbō Kyōdan (Japonês: 三宝教団,"Escola dos Três Tesouros") é a escola de Zen mais recente do Japão. Foi fundada em 1954 por Yasutani Hakuun, discípulo e sucessor de Harada Daiun. Ambos foram treinados e receberam a transmissão do Dharma na escola Soto, e Harada também completou o treinamento de koans da escola Rinzai. Ainda assim, sentiam-se insatisfeitos com a prática de Zen disponível no Japão.
Para Harada, o Zen no Japão do século XX havia se tornado um sistema formalizado de rituais vazios, em que poucos praticantes realmente atingiam a iluminação, e seus templos haviam se transformado negócios de família, passados de pai para filho, onde os monges limitavam-se a oficiar funerais.
Assim, a Sanbo Kyodan foi fundada para ser uma escola que congregasse tantos as práticas da Soto quanto as da Rinzai, e se focasse em atingir o Satori. Aceitando na prática que tanto monges quanto leigos podem atingir a iluminação, ambos tinham tratamento igualitário, podendo inclusive receber a transmissão do Dharma e ocupar cargos de liderança na hierarquia da escola. Além disso, movidos pelo espírito libertário do Japão pós-guerra, a Sanbo Kyodan recebeu e treinou ocidentais, tanto zen-budistas quanto de qualquer outra religião. Por isso, apesar de ser uma escola pequena no Japão, a Sanbo Kyodan exerceu grande influência no Zen praticado no Ocidente -- mestres como Robert AitkenPhilip Kapleau e o padre Hugo Enomiya-Lassalle foram formados lá.

Abades da Sanbō Kyōdan

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Satori

Satori (悟り?) ( chinês ; coreano ) é um termo japonês budista para iluminação. A palavra significa literalmente "compreensão". É algumas vezes livremente tratada como sinônimo de Kensho, mas Kensho refere-se à primeira percepção da Natureza Búdica ou Verdadeira Natureza, algumas vezes conhecida como "acordar". Diferentemente do kensho, que não é um estado permanente de iluminação mas uma visão clara da natureza última da existência, o satori refere-se a um estado de iluminação mais profundo e duradouro. É costume portanto utilizar-se a palavra satori, ao invés de kensho, quando referindo-se aos estados de iluminação do Buda e dos Patriarcas.
Segundo D. T. Suzuki, "Satori é a raison d'être (Razão de ser) do Zen, sem o qual o Zen não é Zen. Portanto todo o esforço, disciplinário ou doutrinal, é dirigido ao satori."[1]

No Brasil

Anualmente, no Brasil, é realizado um método que leva o título Satori. Com base na escola Rinzai Zen Japonesa e no trabalho de auto-indagação de Ramana Maharshi, este processo foi aperfeiçoado por Osho e é coordenado por Satyaprem há mais de 25 anos. Um trabalho intensivo que invoca a realização de quem se é, além do corpo, além da mente; onde a pergunta sem resposta (koan) "quem sou eu?" deu um salto quântico ao koan "quem está dentro?", passando de um nível intelectual a um nível existencial.
Assim, no Satori Satyaprem orienta a busca intensiva da realização de quem está dentro de você, de uma experiência direta e intransferível de quem você é. A busca e realização do ser essencial. Um processo altamente estruturado no modelo dos monastérios zen, onde o silêncio e o isolamento são usados para apoiar a essa busca. 

Ver também

Referências

  1. Ir para cima Suzuki, Daisetz Teitaro: An Introduction to Zen Buddhism, Rider & Co., 1948

Ligações externas

Samadhi

Samādhi (समाधि) ou samádi[1] (do sânscrito samyag, "correto" + ādhi, "contemplação") pode ser traduzido por "meditação completa". No ioga é a última etapa do sistema, quando se atingem a suspensão e compreensão da existência e a comunhão com o universo.[2] No Budismo é usado como sinônimo de concentração ou quietude da mente.[3]

Budismo

No cânon em páli o termo é usado como sinônimo de concentração, calma, pacificar a mente.É um dos sete fatores da iluminação, e apresentado como o último elo do Nobre Caminho Óctuplo, "concentração correta"[4](ou também a seção do mesmo que engloba 'plena atenção correta', 'concentração correta' e 'esforço correto'). Pode referenciar diretamente os Jhanas, estados de absorção.[5]
Há três tipos de Samadhi:
  • Khaṇika Samādhi - Concentração temporária e frágil.
  • Upacāra Samādhi - Semelhante à anterior, mas com maior duração.
  • Appaṇā Samādhi - Samadhi refinado, neste caso os Jhanas.[6]

Ioga

Segundo Vyāsa"Yoga é samādhi": controle completo (samādhana) das funções da consciência, que resulta em vários graus de aquisição interna da verdade (samapātti). A primeira parte dos Yoga Sutras se chama Samādhi-pāda, por ser o samādhi seu objeto. O significado da palavra é diferente em outras tradições religiosas hindus, como o hinduísmo e o budismo.
O samādhi é o terceiro dos três "tesouros do Yoga", ou seja, o fruto colhido pela prática dos demais membros do ashtanga (os oito membros do Yoga). Pela observância de yama e niyama, pela prática de asanaspranayama e pratyahara, e pelo dharana ("concentração estável num único ponto"), se chega ao dhyana ("meditação") e se pode atingir samādhi. Esse capítulo contém o famoso verso "Yogaś citta-vritti-nirodhaḥ" ("Yôga é o freio das modificações mentais" ou "Ioga acalma os distúrbios do mental").[7]

Tipos de samádi

Há dois tipos principais de Samadhi, a saber: Savikalpa Samadhi (Samadhi com resíduos de ego) e Nirvikalpa Samadhi (Samadhi sem resíduos de ego). O iogue que experiencia Savikalpa Samadhi sente-se inundado pela graça da união, do amor, da alegria, da gratidão e da bondade divinas. Sua consciência atinge patamares de conhecimento além do intelecto.
No entanto, o êxtase de união vivenciado não é constante. Graduando-se cada vez mais na vivência de Savikalpa Samadhi, o iogue realiza a consciência de Nirvikalpa Samadhi, que é um estado de infinita beatitude e poder. Ele passa a viver em constante êxtase. Este é o verdadeiro estado iogue, a verdadeira realização em Yoga, visto que a consciência individual unificou-se à Consciência Universal Eterna (ver Brahman).
Porém, assim como existem níveis de consciência progressivos para o iogue que realizou Savikalpa Samadhi, para o iogue que realizou Nirvikalpa Samadhi também existem outros níveis que culminarão no Nirvana e além. Para que o iogue consiga permanecer em ininterrupto estado de união e bem-aventurança divinas e, ao mesmo tempo, funcional na vida cotidiana, ele deve buscar com afinco realizar Sahaja Samadhi, o perfeito estado natural da consciência, sendo assim um iogue autolúcido em qualquer situação de sua existência.

Mahāsamādhi

Mahāsamādhi (literalmente, "grande samādhi") é a palavra hindi para a saída consciente do corpo físico por um iogue realizada na hora da sua morte.

Referências

  1. Ir para cima FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 543.
  2. Ir para cima FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 543.
  3. Ir para cima http://www.acessoaoinsight.net/glossario.php#samadhi
  4. Ir para cima http://www.acessoaoinsight.net/glossario.php#samadhi
  5. Ir para cima http://www.acessoaoinsight.net/caminho_liberdade/concentracao_correta.php
  6. Ir para cima http://www.forestdhamma.org/ebooks/portuguese/pdf/Wisdom_Develops_Samadhi-portuguese.pdf
  7. Ir para cima Radhakrishnan e Moore, pág. 454

Veja também

Bodhi

Bodhi (बोधि) é um termo pāli e sânscrito para "desperto" ou "iluminado". É um substantivo abstrato derivado da raiz verbal budh ("acordar", "ficar acordado", "perceber", "saber" ou "entender"), correspondendo aos verbos bujjhati (Pāli) e bodhati ou budhyate (Sânscrito).

No Budismo

Bodhi, no Budismo especificamente, significa a experiência do despertar espiritual alcançada por Gautama Budda e seus discípulos. Isto é, às vezes, descrito como a completa e perfeita sanidade, ou despertar da verdadeira natureza do universo. Após alcançado, a pessoa se liberta do círculo do Samsara: nascimento, sofrimento, morte e renascimento (ver moksha). Bodhi é, normalmente, traduzido como "iluminação". A expressão introduz uma noção de despertar de um sonho e estar desperto sobre a Realidade. De fato, é preferível pensar em Bodhi como um "despertar" ou "acordar" espiritual, embora a imagem de luz seja extraordinariamente predominante em muitas escrituras Budistas. Certo é que, quanto maior a consciência, maior é a luz.
Bodhi é atingida apenas com consumação de alguma Paramita ("perfeição"), quando as Quatro Nobres Verdades são completamente compreendidas, cessando o carma. Neste momento, toda a cobiça (lobha), aversão (dosa), desilusão (moha), ignorância (avijjā), ânsia (tanha) e ego (attā) extinguem-se. Bodhi, de fato, inclui anattā, a abstenção do ego.
Alguns sutras do budismo Mahayana enfatizam que Bodhi está sempre presente e é perfeito e simplesmente se necessita ser "descoberto" ou desvendado por uma visão purificada. De fato, o "Sutra do despertar perfeito" diz que Buddha ensinou que, como o ouro dentro do seu minério, Bodhi está sempre dentro do ser mas requer que a obscuridade mundana seja consumida (as profanações que cercam o samsara o enfraquecem, o deixam inconsciente) para que seja removido. O Buddha declara:
"Bons filhos, isto é como obter ouro pela fusão do minério. O ouro não vem a ser o que é por causa da fundição... Mesmo que se passe um tempo incontável, a natureza do ouro nunca se corrompe. É errado dizer que ele não era originalmente perfeito. A Perfeita Iluminação do Tathagata [Buddha] é também assim."
Doutrinas similares são encontradas no Tathagatagarbha sutra, que fala da presença imanente do princípio do Buddha (Buddha-dhatuBuddha-natureza) dentro de todos os seres. Aqui, o Tathagatagarbha (Buddha-Matrix) equivale à transformação do inclausurado e libertador poder do Bodhi, que concede uma infinidade de visões da unificação. Os estados do Buddha Shurangama Sutra:
"Meu não criado e a interminável profundidade da iluminação de acordo com o Tathagatagarbha, que é o Bodhi absoluto e que assegura o meu discernimento perfeito do reino do Darma [reino da última verdade], onde o todo é o infinito e o infinito é o todo."
Árvore Bodhi é um espécie de Figueira Sagrada (Ficus religiosa) na qual está agora a cidade de Bodh Gaya. Foi sentado sob esta árvore em meditação que Siddhartha Gautama ficou iluminado. Na tradição maaiana, Maia estava segurando um ramo desta árvore enquanto descansava no jardim de Lumbini quando de à luz seu filho Siddhartha.

Tipos de iluminação

Sāvaka-Bodhi (Arhat)

Aqueles que estudam os ensinamentos dizem ter samma-sambuddha e, quando atingem a iluminação neste mundo, são conhecidos como Arhats. Tais seres são habilidosos em ajudar os outros em atingirem a iluminação como eles através da sua experiência pessoal conseguiram.

Pacceka-Bodhi (Pratyeka)

Aqueles que obtêm a iluminação através da autorrealização, sem a ajuda de um guia espiritual e professores, são conhecidas como pratyekabuddhas. De acordo com o Tripitaka, tais seres somente surgem na eras onde o darma foi perdido. Sua perícia em ajudar os outros a obter a iluminação é inferior aos arhats e eles também levam mais tempo para acumular as paramitas. Muitos pratyekas podem ascender ao mesmo tempo.

Sammā-Sambodhi ("supremo Buddha")

Estes são os perfeitos, mais desenvolvidos, mais compassivos, mais amados, seres que sabem tudo e quem compreendem o darma por seus próprios esforços e sabedoria e ensinam a sua pericia ao outros, libertando-os do Samsāra. Um destes Sammā-Sambodhi é conhecido como samma-sambuddha, e é necessário muito mais tempo para acumular o parami para se atingir esse estado do que para se tornar então um pratyekabuddha.

Citações

Quando você chegar lá, então os pensamentos tornar-se-ão calmos mesmo sem os ter acalmados, o sossego e o discernimento surgirão sem ser produzidos, a mente do buddha aparecerá sem ser revelada. Pode-se tentar compará-la ao cosmos ou à luz de milhares de sóis que estão além do céus da Terra.
— Wei-tse

Ver também

Ligações externas

Mais leituras

  • The Sutra of Perfect Enlightenment (State University Press of New York, 1999), tr. by A. Charles Muller
  • The Surangama Sutra (B.I. Publications, Bombay 1978), tr. by Lu K'uan Yu
  • The Role of Bodhicitta in Buddhist Enlightenment. (New York : The Edwin Mellen Press, 2005) [includes translations of the following: Bodhicitta-sastra, Benkemmitsu-nikyoron, Sammaya-kaijo], Kenneth White

Moksha

Moksha (sânscrito: मोक्ष, liberação) ou Mukti (sânscrito: मुक्ति, soltura) refere-se, em termos gerais, à libertação do ciclo do renascimento e da morte e à iluminação espiritual. Na mais alta filosofia hindu, é visto como a transcendência do fenômeno de existir, de qualquer senso de consciência do tempo, espaço e causa (carma). Significa a dissolução do senso do ser individual, ou ego, e a avaria total do nama-roopa (nome-forma). No hinduísmo, é visto como uma analogia ao nirvana, embora o budismo tenda a diferir uniformemente da leitura da libertação do Vedantismo Advaita. O jainismo também tem, como meta, o Moksha.
Os principais sistemas filosóficos do hinduísmo consideram que uma entidade viva, especialmente aquela que estiver utilizando um corpo humano, deve ter por objetivo alcançar três metas na vida: kama ou desfrute material dos sentidos; artha ou desenvolvimento econômico e dharma ou religiosidade mundana; ou tri-varga: धर्म = dharma, अर्थ = artha, कर्म = karma.
Karma é o desejo mais ardente, pois como desfrute material entende-se as atividades sexuais, tão bem codificadas no clássico Kama-sutra, além do desfrute do paladar (toda cultura tem seus requintes gastronômicos), do sentido da visão (paisagens), da audição (música, narrativas agradáveis) e do tato (o sentido empregado no sexo é principalmente a sensibilidade táctil).
Para satisfazer o desejo de Kama a entidade viva deve se empenhar em artha, ou atividades realizadas para o desenvolvimento econômico tais como o trabalho em suas diferentes formas. Sem recursos materiais auferidos por artha a entidade viva dificilmente consegue satisfazer seus desejos do kama.
dharma são as atividades de religiosidade mundana, tais como a moral e os bons costumes, essenciais para se alcançar artha e kama. Uma pessoa sem disciplina, que usa drogas, que não se veste bem, etc. terá dificuldade para se empenhar no trabalho. Num sentido mais profundo, dharma significa retidão e "aquilo que sustenta", a lei universal; estar em harmonia com a lei universal.
É assim que se forma o caminho de trivarga, ou metas ordinárias da existência mundana: dharma gera artha, que compra kamaMoksha é considerada como a meta que está além do trivarga, para aqueles que já estão liberados destas atividades mundanas que prendem as demais entidades vivas, e o paramapurusha-artha, ou o objetivo primordial que uma entidade desfrutando existência mundana deve se empenhar em alcançar.
No BudismoNirvana (Sânscrito: निर्वाण; Pāli: निब्बान; Prácrito: णिव्वाण) é o estado de libertação do sofrimento (ou dukkha) segundo o pensamento dos monges shramana (em Pāli, "Nibbāna" significa "sopro", "soprar", ou até "ser assoprado"), é o estado atingido pelos Arahant. De acordo com a concepção budista, o Nirvana seria uma superação do apego aos sentidos, do material e da ignorância; tanto como a superação da existência, a pureza e a transgressão do físico a qual busca a paz interior e a essência da vida.
Sidarta Gautama, o Buda, ou na maioria das tradições budistas, também conhecido como Supremo Buda (Sammāsambuddha) descreveu o Nirvana como um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, libertação, transgressão física e de pensamentos, a elevação espiritual, e o acordar à realidade. O Hinduísmo também usa Nirvana como um sinônimo para suas ideias de moksha e fala-se a respeito em vários textos hindus tântricos, bem como na Bhagavad Gita. Os conceitos hindus e budistas de Nirvana "não devem ser considerados equivalentes".
Com esse estado de liberação, quebra-se a roda do samsara, interrompendo o processo de contínuos renascimentos.
A escola Mahayana entende uma diferença quanto à meta mais elevada do Budismo, considerando Bodhi mais importante que Nirvana. No entanto, seja para o budismo Theravada ou para as demais escolas dos ensinamentos do Buda, o significado de Nirvana é o mesmo. Para a os theravadins não há diferença significativa.
A palavra significa literalmente "apagado" (como em uma vela) e refere-se, no contexto budista, a imperturbável serenidade da mente após o desejo, a aversão e a delusão terem sido finalmente extintos.[1]

Galeria

Referências

Ligações externas

Sunyata

Sunyata é um termo utilizado principalmente no budismo Mahayana, e tem o significado de vazio, reúne outras principais doutrinas budistas, particularmente anatta e pratītyasamutpāda. Referencia uma natureza sem distinções e dualidades.[1]
O Shunyata, de acordo ao budismo, é um estado de iluminação, um momento em que o ser se encontra numa espécie de vácuo, e sua consciência se encontra além do nível mental, emocional, físico e energético, isto é, não pensa, não se emociona, não se movimenta fisicamente e nem perde ou ganha energia. Mas paradoxalmente, é.
O Cristianismo o define como um estado de experiência divina ou contado com a divindade, e o define como sendo um estado de Êxtase.
Este estado é tratado pelas religiões orientais como sendo muito especial, algumas inclusive, afirmam que é o objetivo máximo da religião em si, isto é, alcançar e realizar tal estado pelo menos uma única vez em vida. Isso porque, segundo o budismo (tibetano, mahayana e outros), quando o ser alcança tal estado através da prática de meditação, sua consciência se expande enormemente, intuindo sua verdadeira identidade, natureza e lugar no cosmos. É através de tal prática que o ser responde a terrível questão "Quem Sou?" ou "O que estou fazendo aqui?" e assim, a consciência se descobre, se vê, do interior para o exterior, sem nenhum apoio físico.
O budismo afirma categoricamente que o "Eu", "Ego" ou "Self", que são as noções ou formas da psicologia explicar nossa identidade, não são capazes de experimentar o Shunyata, tendo em vista que para chegar a tal estado, é necessário abandonar todo e qualquer senso de identidade própria, de auto-senso pessoal. Isso porque nossos sensos de identidade pessoal carregam memórias, crenças, pensamentos, idéias e conceitos, que nos impedem de "ver" o que apenas a consciência é capaz de ver, livre de pensamentos, livre de emoções, livre de correntes. E assim, experimentar a verdade, sem a interferência de nossas idéias e/ou crenças pessoais.
Outras religiões ou tradições religiosas como o Zen, Hinduísmo e também o Cristianismo, conhecem o Shunyata, mas talvez usem palavras diferentes, como Sunjata, Sunyata, Êxtase, Dhyana, Gnana, Shamadhi, Samadi, Satori e etc., são grafias semelhantes para a mesma palavra nas tradições religiosas orientais e descrevem a mesma experiência.
Fontes: Livro Tibetano do Viver e do Morrer, Sogyal Rinpoche; Exercícios Espirituais, Inácio de Loyola; Sunjata, Ven. Lahksmi; O Vazio Iluminador, Samael Aun Weor; A Doutrina Secreta, Helena Blavatsky; Ramayana, William Buck; I Ching, o livro das mutações, Carl Gustav Jung, Richard Wilhelm; A Essência do Bhagavad Gita, Swami Kryiananda

Referências

Tantra

Tantrayoga tântrico ou tantrismo é uma filosofia comportamental[1] de características matriarcaissensoriais e desrepressoras. Essencialmente, a prática tem, por objetivo, o desenvolvimento integral do ser humano nos seus aspectos físico, mental e espiritual.[2]

Origem da expressão

"Tantra" é um termo sânscrito que significa "uso, trama". Designava uma série de tratados indianos do século VII em diante sobre ritualmeditação e disciplina.[3] A palavra "tantra" é composta por duas raízes acústicas: "tan" e "tra". "Tan" significa expansão e "Tra" libertação.
Tal denominação tem as suas raízes em fatores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na Índia hinduísta, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão).[2]
Dispõe de imensos significados e interpretações, mais ou menos corretos, tais como "teia", "trama" ou "entretecido". "Tantra" pode ser interpretado, mais corretamente, como algo que é regulado por regras gerais.[2] Um dos significados que a palavra possui é "código". Vale lembrar que o tantra é uma filosofia comportamental e que seus diversos significados giram em torno desse fundamento.

Descrição

O tantra é uma filosofia hindu muito antiga (se cristalizou por volta do século XV),[4] tendo, por características: a matriarcalidade, a sensorialidade, o naturalismo e a desrepressão.[carece de fontes] O tantra é um complexo sistema de descrição da realidade objetiva, sendo, assim, uma ciência prática e aplicável e a base do pensamento de um povo muito antigo que até hoje faz ecoar sua influência sobre a sociedade contemporânea.
Nas sociedades primitivas não guerreiras, nas quais a cultura não era centrada na guerra, a mulher era fortemente exaltada e até mesmo endeusada, na medida em que dava vida a outros seres humanos. Daí, a qualidade matriarcal dessas sociedades.
Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa).
Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundalini, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha dorsal e que ascende através dos chakras até se atingir o samadhi. Uma dessas maneiras é obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como Unyo Mystica.
No tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento. Para o tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central. Por isso mesmo, é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento. Para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultrassons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde as simples às mais complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação.

Os dois ramos

Segundo alguns autores, o tantra é composto por dois ramos denominados a "mão esquerda" e a "mão direita". Embora o objetivo geral dos dois seja o mesmo, os processos utilizados diferem. A "mão esquerda" está ligada muitas vezes à procura de poderes ocultos e à extroversão de energia psíquica sob forma de capacidades supranormais. A "mão direita" está ligada à canalização de toda a energia para a elevação espiritual do ser humano. Este é também conhecido como Vidya Tantra ou tantra do conhecimento, e a mão esquerda como Avidya Tantra. O tantra corretamente praticado acelera rapidamente o progresso espiritual do ser humano. Apesar disso, o tantra é, muitas vezes, encarado com desconfiança devido a certos aspectos do avidya tantra. É bem conhecido o fato de que o budismo tântrico sempre enfatiza a necessidade de supervisão por um orientador de confiança.

Vajrayana


Objetos para rituais vajrayana (bastão, rosário e sino).
darma budista do presente kalpa é expresso na forma da atual religião Budista. O budismo atual do século XXI pode ser dividido em:
O Caminho Vajrayana é considerado um veículo Mahayana tântrico. É recomendado que os interessados em tantra budista procurem um guru internacionalmente qualificado.
A palavra Vajra[5] significa "diamante" ou "relâmpago" e, junto com o sino, são os objetos básicos para rituais Vajrayanas.[6]
Há também objetos que beneficiam a todos os seres, como as estátuas, as tsa-tsas, as thangkas e os bumpas.
Poucos detalhes são ou deveriam ser encontrados publicamente, pois as práticas Vajrayanas são secretas para o próprio bem dos ensinamentos e dos praticantes.[7]

Influência no ocidente

Alega-se que o tantra teve forte influência no ocidente nas ciências ocultas. Diversos ramos do ocultismo contemporâneo, particularmente os que se dizem gnósticos, ensinam alguma versão de "sexo sagrado".
Muito da linguagem sexual encontrada na alquimia supostamente tem sua origem em tradições orientais relacionadas com o Tantra.
Particularmente a linha thelemita, fundada pelo polêmico mago e ocultista do início do século XXAleister Crowley, alega ter levado essa influência ao seu maior extremo e se apresenta como um tantra ocidentalizado.
Outra linha tântrica adaptada da tradição thelemita, que pode ser chamada de Tradição da Mão Esquerda, foi muito difundida na América Latina por Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor. Para eles, o Tantra teria, como "braço mágico", certas práticas que canalizariam a energia sexual para o despertar da consciência espiritual.

Ver também

Referências

  1. Ir para cima FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 647.
  2. ↑ Ir para:a b c «Internet Sacred Text Archives: "Tantra"»
  3. Ir para cima FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 647.
  4. Ir para cima FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 647.
  5. Ir para cima Berzin, Alexander (Abril de 2002). «The Six Alternatives and Four Modes for Explaining Vajra Expressions in Anuttarayoga Tantra»
  6. Ir para cima Pabongka Rinpoche (3 de November de 2006). «Liberation in the Palm of Your Hand: A Concise Discourse on the Path to Enlightenment» Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. Ir para cima Thurman, Robert (17 de janeiro de 2011). Brilliant Illumination of the Lamp of the Five Stages: Practical Instructions in the King of Trantras, The Glorious Esoteric Community (Treasury of the Buddhist Sciences) (em inglês). [S.l.: s.n.] ISBN 978-1935011002

Ligações externas

Shikantaza

Shikantaza (只管打坐?) é um termo japonês sinônimo de "zazen". Foi introduzido por Dogen Zenji. É associado primariamente à escola zen soto. Significa, literalmente, "apenas sentar".

Introdução


Shikantaza é um conceito da escola soto de zen que descreve a meditação zazen. Embora a prática de zazen, meditação sentada que une atenção e concentração, pareça visar a certos objetivos e utilizar de certos métodos, a ideia veiculada pela shikantaza é a de que o zazen não deve ser praticado perguntando-se sobre a prática, ou esperando obter-se qualquer benefício, mas simplesmente sentando-se.
Shikantaza, portanto, não possui qualquer técnica separada da atitude mental própria à prática do zazen. Consiste em se separar, no sentido de deixar as sensações e pensamentos emergirem até que desapareçam, sem tentar prolongá-los nem eliminá-los. Desta forma, os pensamentos desaparecem por si mesmos, pelo fato de que o meditante não busca nada em particular.
shikantaza aponta para a consumação da prática: o despertar da natureza búdica presente em cada um, cuja manifestação era entravada pelo apego, inclusive apego pela própria prática.

Mosteiro Zen Morro da Vargem

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Templo do mosteiro.

Portal de entrada para o mosteiro.
Mosteiro Zen Morro da Vargem é o primeiro mosteiro zen-budista da América Latina, localizado em IbiraçuEspírito Santo.
Fundado em 1974 pelo mestre Ryohan Shingu, o mosteiro, localizado a 350 metros de altitude, tem como trabalhos a formação de monges segundo as tradições orientais e a educação ambiental.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas]


Budismo

Budismo (páli/sânscrito: बौद्ध धर्म Buddha Dharma) é uma filosofia[1][2] ou religião[1] não teísta[1] que abrange diversas tradições, crenças e práticas geralmente baseadas nos ensinamentos de Buda. Engloba escolas como o TeravadaZenTerra Pura e o budismo tibetano, se espalhou mais pelo TibeteChina e Japão. Várias fontes colocam o número de budistas no mundo entre 230 milhões e 500 milhões, sendo assim a quinta maior religião do mundo.[3][4]
As escolas budistas variam sobre a natureza exata do caminho da libertação, a importância e canonicidade de vários ensinamentos e, especialmente, suas práticas[5][6]. Entretanto, as bases das tradições e práticas são as Três Joias: O Buda (como seu mestre), o Dharma (ensinamentos baseados nas leis do universo) e a Sangha (a comunidade budista)[7]. Encontrar refúgio espiritual nas Três Joias ou Três Tesouros é, em geral, o que distingue um budista de um não budista.[8] Outras práticas podem incluir a renúncia convencional de vida secular para se tornar um monge (sânscritopálibhikkhu) ou monja (sânscrito; páli: bhikkhuni).

A vida de Buda



A grande estátua do Buda Amitaba em Kamakura, no Japão.
De acordo com a narrativa convencional, o Buda nasceu em Lumbini (hoje, patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por volta do ano 566 a. C. e cresceu em Capilvasto[9]: ambos, atuais localidades nepalesas[10][11]. Logo após o nascimento de Sidarta, um astrólogo visitou o pai do jovem príncipe, Suddhodana, e profetizou que Sidarta iria se tornar um grande rei e que renunciaria ao mundo material para se tornar um homem santo, se ele, por ventura, visse a vida fora das paredes do palácio.
O rei Suddhodana estava determinado a ver o seu filho se tornar um rei, impedindo, assim, que ele saísse do palácio. Mas, aos 29 anos, apesar dos esforços de seu pai, Sidarta se aventurou por além do palácio diversas vezes. Em uma série de encontros (em locais conhecidos pela cultura budista como "quatro pontos"[12]), ele soube do sofrimento das pessoas comuns, encontrando um homem velho, um outro doente, um cadáver e, finalmente, um asceta sadhu, representando a busca espiritual. Essas experiências levaram Gautama, eventualmente, a abandonar a vida material e ir em busca de uma vida espiritual.
Sidarta Gautama estudou sob diferentes mestres e desencantou-se com o resultado alcançado pelo que ensinavam. Chegou a praticar ascese rígida, como jejum prolongado, restrição da respiração, e outras formas de exposição a dor, muito comum naquele tempo na Índia, e quase morreu ao longo do processo. Mas houve um episódio no qual uma jovem lhe ofereceu comida e ele aceitou, isso marcou sua renúncia a tais praticas. Concluiu que as práticas ascéticas extremas não traziam os resultados que buscava. Deduziu, então, que as práticas eram prejudiciais aos praticantes.[13] Ele abandonou o ascetismo, concentrando-se na meditação anapanasati, através da qual descobriu o que hoje os budistas chamam de "caminho do meio": um caminho que não passa pela luxúria e pelos prazeres sensuais, mas que também não passa pelas práticas de mortificação do corpo[14]. Em outras palavras, o caminho do meio não seria o caminho do apego a qualquer coisa, nem também o caminho da negação ou aversão a qualquer coisa e sim uma terceira via.

Gautama com seus cinco companheiros, que, mais tarde, compuseram a primeira Sangha (comunidade monástica budista). Pintura da parede de um templo no Laos.
Quando tinha 35 anos de idade, Sidarta sentou-se embaixo de uma figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa)[15][16] hoje conhecida como árvore de Bodhi,[14] localizada em Bodh Gaya, na Índia e prometeu não sair dali até conseguir atingir a iluminação espiritual[17][18][19].
A lenda diz que Sidarta conheceu a dúvida sobre o sucesso de seus objetivos ao ser confrontado por um demônio chamado Mara, que simboliza o mundo das aparências, a tentação, comparado ao papel da Satanás no cristianismo, muitas vezes representado por uma cobra naja. Mara teria oferecido todos os tipos de prazeres e tentações a Sidarta, que implacavelmente repeliu Mara. Vencido Mara, Sidarta acordou para a Verdade, a Verdade da origem, da cessação e do caminho que levava ao fim do sofrimento, e se iluminou. Assim, por volta dos quarenta anos, Sidarta se transformou no Buda, o Iluminado.
Logo atraiu um grupo de seguidores e instituiu uma ordem monástica. A partir de então, passou seus dias ensinando o darma, viajando por toda a parte nordeste do subcontinente indiano. Ele sempre enfatizou que não era um deus e que a capacidade de se tornar um buda pertencia ao ser humano. Faleceu aos oitenta anos de idade, em 483 a. C., em Kushinagar, na Índia.
Os estudiosos se contradizem em relação às afirmações sobre a história e os fatos da vida de Buda. A maioria aceita que ele viveu, ensinou e fundou uma ordem monástica, mas não aceita de forma consistente os detalhes de sua biografia. Segundo o escritor Michael Carrithers, em seu livro O Buda, o esboço de uma vida tem que ser verdadeiro: o nascimento, a maturidade, a renúncia, a busca, o despertar e a libertação, o ensino e a morte.[20]
Ao escrever uma biografia sobre Buda, Karen Armstrong disse: "É obviamente difícil, portanto, escrever uma biografia de Buda, atendendo aos critérios modernos, porque temos muito pouca informação que pode ser considerada 'histórica'... mas podemos estar razoavelmente confiantes, pois Siddhartta Gautama realmente existiu e os seus discípulos preservam a sua memória, sua vida e seus ensinamentos"[21].

Conceitos budistas

A vida e o mundo

Carma: lei de causa e efeito



Tradicional thangka do budismo tibetano alusivo à "Roda da Vida", com seus seis reinos.
No budismo, o Carma (do sânscrito कर्म, transl. karmam, e em palikamma, "ação") é a força de samsara sobre alguém. Boas ações (pálikusala), e/ou ações ruins (páli: akisala) geram "sementes" na mente[22], que virão a aflorar nesta vida ou em um renascimento subsequente[23]. Com o objetivo de cultivar as ações positivas, o sila é um conceito importante do budismo, geralmente, traduzido como "virtude", "boa conduta", "moral" e "preceito".
O carma, na filosofia budista, refere-se especificamente a essas ações (do corpo, da fala e da mente) que brotam da intenção mental (páli: cetana)[24] e que geram consequências (frutos) e/ou resultados (vipaka). Cada vez que uma pessoa age, há alguma qualidade de intenção em sua mente e essa intenção muitas vezes não é demonstrada pelo seu exterior, mas está em seu interior e determinará os efeitos dela decorrentes.
No budismo Teravada, não pode haver salvação divina ou perdão de um carma, uma vez que é um processo puramente impessoal que faz parte do Universo. Outras escolas, como a Maaiana, porém, têm opiniões diferentes. Por exemplo, os textos dos sutras (como o Sutra do LótusSutra de Angulimala e Sutra do Nirvana) afirmam que, recitando ou simplesmente ouvindo seus textos, as pessoas podem expurgar grandes carmas negativos. Da mesma forma, outras escolas, Vajrayana por exemplo, incentivam a prática dos mantras como meio de cortar um carma negativo[25].

Renascimento


Renascimento se refere a um processo pelo qual os seres passam por uma sucessão de vidas como uma das muitas formas possíveis de senciência. Entretanto, o budismo, natural da Índia, rejeita conceitos de "autoestima" permanente ou "mente imutável", eterna, como é chamada no cristianismo e até mesmo no hinduísmo, pois, no budismo, existe a doutrina do anatta, sobre a inexistência de um "eu" permanente e imutável.
De acordo com o budismo, o renascimento em existências subsequentes deve antes ser entendido como uma continuação dinâmica, um constante processo de mudança - "originação dependente" (sânscrito: pratītya-samutpāda) - determinado pelas leis de causa e efeito (carma), em vez da noção de um ser encarnado ou transmigrado de uma existência para outra.
Cada renascimento ocorre dentro de um dos seis reinos, de acordo com os nossos reinos de desejos, podendo variar de acordo com as escolas[26][27][28]:
  1. seres dos infernos: aqueles que vivem em um dos muitos infernos;
  2. preta: o reino de seres que padecem de necessidades sem alívio, sofrimento, remorsos, fome, sede, nudez, miséria, sintomas de doenças, entre outros;[28]
  3. animais: um espaço de divisão com os humanos, mas considerado como outra vida;
  4. seres humanos: um dos reinos de renascimento, em que é possível atingir o nirvana.
  5. semideuses: variavelmente traduzido como "divindades humildes", titãs e antideuses; não é reconhecido pelas escolas Teravada e Maaiana, que os consideram como devas de nível mais baixo;
  6. deva: comparado ao paraíso;[28]
O renascimento em alguns dos céus mais altos, conhecido como o mundo de Śuddhāvāsa (moradas puras), pode ser alcançado apenas por pessoas com enorme realização espiritual, conhecidos como não regressistas (sânscrito: anāgāmis). Já o renascimento no reino sem forma (sânscrito: arupa-dhatu) pode ser alcançando apenas por aqueles que podem meditar sobre o arupajhanas, o maior objeto de meditação.
De acordo com o budismo praticado no leste asiático e o budismo tibetano, há um estado intermediário (o bardo) entre uma vida e a próxima. A posição Teravada ortodoxa rejeita esse conceito, no entanto existem passagens no Samyutta Nikaya do Cânone Páli (coleção de textos em que a tradição Teravada é baseada) que parecem dar apoio à ideia de que o Buda ensinou que existe um estado intermediário entre esta vida e a próxima.

O ciclo de samsara


Samsara é o ciclo das existências nas quais reinam o sofrimento e a frustração engendrados pela ignorância e pelos conflitos emocionais que dela resultam[29]. O samsara compreende os três mundos superiores (deva, espiritual e seres humanos) e os três inferiores (seres ignorantes, inferiores e animais), julgados não por um valor, mas em função da intensidade de sofrimento[30].
Os budistas acreditam, em sua maioria, no samsara. Este, por sua vez, é regido pelas leis do carma: a boa conduta produzirá bom carma e a má alma produzirá carma maléfico. Assim como os hindus, os budistas interpretam o samsara não esclarecido como um estado de sofrimento. Só nos libertaremos do samsara se atingirmos o estado total de aceitação, visto que nós sofremos por desejar coisas passageiras, e alcançarmos o nirvana ou a salvação[31].

Sofrimento: causas e soluções

As Quatro Nobres Verdades


De acordo com o Cânone Páli, As Quatro Nobres Verdades foram os primeiros ensinamentos deixados pelo Buda depois de atingir o nirvana[32]. Algumas vezes, são consideradas como a essência dos ensinamentos do Buda e são apresentadas na forma de um diagnóstico médico[33]:
  1. a vida como a conhecemos é finalmente levada ao sofrimento e/ou mal-estar (dukkha), de uma forma ou outra;
  2. o sofrimento é causado pelo desejo (trishna). Isso é, muitas vezes, expressado como um engano agarrado a um certo sentimento de existência, a individualidade, ou para coisas ou fenômenos que consideramos causadores da felicidade e infelicidade. O desejo também tem seu aspecto negativo;
  3. o sofrimento acaba quando termina o desejo. Isso é conseguido através da eliminação da ilusão (maya)[desambiguação necessária], assim alcançamos um estado de libertação do iluminado (bodhi);
  4. esse estado é conquistado através dos caminhos ensinados pelo Buda.
Esse método é descrito por alguns acadêmicos ocidentais e ensinado como uma introdução ao budismo por alguns professores contemporâneos do Maaiana, como por exemplo o 14º Dalai Lama[34], Tenzin Gyatso.
De acordo com outras interpretações de mestres budistas e eruditos, e recentemente reconhecidas por alguns estudiosos ocidentais não-budistas, as "verdades" não representam meras declarações e/ou indicações, entretanto estas podem ser agrupadas em dois grupos:[35]
  1. o sofrimento e as causas do sofrimento;
  2. a cessação do sofrimento e os caminhos para a libertação.
Assim, a Enciclopédia Macmillan de Budismo simplifica As Quatro Nobres Verdades, deixando-as da seguinte maneira:
  1. "A Verdade Nobre Que Está Sofrendo";
  2. "A Verdade Nobre Que É O Surgimento do Sofrimento";
  3. "A Verdade Nobre Que É O Fim do Sofrimento";
  4. "A Verdade Nobre Que Produz o Caminho para o Fim do Sofrimento".
A compreensão tradicional do Teravada sobre As Quatro Nobres Verdades é que estas são um ensino avançado para aqueles que estão "prontos"[36]. A posição Maaiana é que eles são ensinamentos prejudiciais para as pessoas que ainda não estão prontas para ensinar.[24] No Extremo Oriente, os ensinamentos são pouco conhecidos.[37]

O Nobre Caminho Óctuplo



Dharmachakra representando o Nobre Caminho Óctuplo.
Nobre Caminho Óctuplo - A Quarta Nobre Verdade do Buda - é o caminho para a o fim do sofrimento (dukkha). Tem oito seções, cada uma começando com a palavra samyak (que em sânscrito significa "corretamente" e "devidamente"), e são apresentadas em três grupos:
  • prajna: é a sabedoria que purifica a mente, permitindo-lhe atingir uma visão espiritual da natureza de todas as coisas. Engloba:
  1. dṛṣṭi (ditthi): ver a realidade como ela é, não apenas como parece ser;
  2. saṃkalpa (sankappa): a intenção de renúncia, de liberdade e inocuidade.
  1. vāc vāc (vāca): falando de uma maneira verdadeira e não ofensiva;
  2. karman (kammanta): agir de uma maneira não prejudicial;
  3. ājīvana (ājīva): o meio de vida deve seguir os preceitos citados anteriormente[38].
  • samadhi: é a disciplina mental necessária para desenvolver o domínio sobre a própria mente. Isso é feito através de práticas. Engloba:
  1. vyāyāma vyāyāma (vāyāma): fazer um esforço para melhorar;
  2. smṛti (sati): ver as coisas como elas estão com a consciência clara da realidade presente dentro de si mesmo, sem desejo ou aversão;
  3. samādhi (samādhi): meditar ou concentrar-se de maneira correta.
A prática do Caminho Óctuplo é compreendida de duas maneiras: desenvolvimento simultâneo dos oito itens paralelamente, ou como uma série progressiva pela qual o praticante se move, ao conquistar um estágio. Contudo, os quatro nikāyas principais e o Caminho Óctuplo, geralmente, não são ensinados para leigos e são pouco conhecidos no Extremo Oriente[37].
Os oito itens do caminho normalmente são apresentados em três divisões (ou treinamentos elevados), como mostrado abaixo:
DivisãoItemSânscrito, PaliDescrição
Sabedoria
(Sânscrito: prajna,
Pāli: paññā)
1. Visão corretasamyag dṛṣṭi,
sammā ditthi
Enxergar a realidade como ela é, não como ela parece ser
2. Intenção corretasamyag saṃkalpa,
sammā sankappa
Intenção de renúncia, libertação e inofensividade
Conduta Ética
(Sânscrito: sila,
Pāli: sīla)
3. Fala corretasamyag vāc,
sammā vāca
Falar de forma verdadeira e não agressiva
4. Ação corretasamyag karman,
sammā kammanta
Agir de forma não agressiva
5. Viver corretamentesamyag ājīvana,
sammā ājīva
Viver de forma não agressiva
Concentração
(Sânscrito e Pāli: samadhi)
6. Esforço corretosamyag vyāyāma,
sammā vāyāma
Se esforçar para melhorar
7. Atenção corretasamyag smṛti,
sammā sati
Estar atento para enxergar as coisas com a consciência clara;
estar consciente da realidade presente dentro de si mesmo, sem qualquer desejo ou aversão
8. Concentração corretasamyag samādhi,
sammā samādhi
Correta meditação e concentração, como os primeiros quatro jhanas

Caminho do Meio


Um importante princípio orientador da prática budista é o Caminho do Meio, que se diz ter sido descoberto pelo Buda, antes de sua iluminação. O Caminho do Meio tem várias definições:
  1. a prática de não extremismo: um caminho de moderação e distância entre a autoindulgência e a morte;
  2. o meio-termo entre determinadas visões metafísicas;
  3. uma explicação do nirvana (perfeita iluminação), um estado no qual fica claro que todas as dualidades aparentes no mundo são ilusórias;
  4. outros termos para o sunyata, a última natureza de todos os fenômenos (na escola Maaiana).

A forma como as coisas são


Debate entre monges do Mosteiro de Sera, no Tibete
Estudiosos budistas têm produzido uma quantidade notável de teorias intelectuais, filosóficas e conceitos de visão do mundo (por exemplo: filosofia budistaabhidharma e a realidade no budismo). Algumas escolas do budismo desencorajam estudos doutrinários, algumas os consideram como essenciais, pelo menos para algumas pessoas em algumas fases do budismo.
Nos primeiros ensinamentos budistas, de certa forma, compartilhado por todas as escolas existentes, o conceito de libertação (nirvana) está intimamente ligado com a correta compreensão de como a mente lida com o estresse. Ao termos conhecimento sobre o apego, um sentimento de desapego é gerado e se é liberado do sofrimento (dukkha) e do ciclo de renascimento (samsara). Para esse efeito, o Buda recomendou ver as coisas através das três marcas da existência.

Impermanência, sofrimento e não eu


Anicca é uma das três marcas da existência. O termo exprime o conceito budista de que todas as coisas são compostas ou fenômenos condicionados, sendo estes, inconstantes, instáveis e impermanentes. Tudo o que podemos experimentar através dos nossos sentidos é composto de peças e sua existência depende de condições externas. Tudo está em fluxo constante e, assim, as condições e coisas em si estão mudando constantemente. As coisas estão vindo constantemente a ser e deixar de ser. Como nada dura, não há nenhuma natureza inerente ou fixada em qualquer objeto ou experiência.
Segundo a doutrina da impermanência, a vida humana incorpora esse fluxo no processo de envelhecimento, no ciclo de renascimento e em qualquer existência de perda. A doutrina afirma ainda que, pelo fato de as coisas serem impermanentes, o apego a elas é inútil e leva ao sofrimento (dukkha).
Dukkha ou sofrimento (pāli दुक्ख; sanskrit दुःख duḥkha) é um dos conceitos centrais do budismo. A palavra pode ser traduzida de diversas maneiras, incluindo sofrimentodor, insatisfação, tristeza, angústia, ansiedade, desconforto, estresse, infelicidade e frustração, por exemplo. Apesar disso, dukkha é traduzido, muitas vezes, como "sofrimento", o seu significado filosófico é mais semelhante a "inquietação", como na condição de ser perturbado[39]. Devido a isso, algumas literaturas preferem não traduzir o verbete, como é o caso do inglês, com o objetivo de englobar em uma palavra todos os significados[40][41][42].
Anatta, ou anatman, refere-se à noção da inexistência de um "eu". Após uma análise cuidadosa, verifica-se que nenhum fenômeno é realmente "eu" ou "meu", estes conceitos são, na realidade, construídos pela mente. Nos nikayas, o anatta não é entendido como uma afirmação metafísica, mas como uma aproximação para ganhar a libertação do sofrimento. O Buda rejeitou ambos os conceitos, afirmando que eles nos ligam ao sofrimento.

Originação dependente


A doutrina do pratītyasamutpāda é uma parte importante da metafísica budista. Ela afirma que os fenômenos surgem juntos em uma teia interdependente de causa e efeito. É variavelmente traduzida como "orientação dependente", "gênese condicionada", "codependente decorrentes" ou "emergência".
O conceito mais conhecido e aplicado do pratītyasamutpāda é o regime dos Doze Nidānas (do páli: nidāna, que significa "provocar", "fundação", "fonte" e "origem"), que explicam a continuação do ciclo de sofrimento e renascimento em detalhe. Os Doze Nidānas descrevem uma relação entre as características subsequentes, cada uma dando origem ao nível seguinte:
  1. Avidyā: ignorância (especificamente espiritual)[24][43]
  2. Saṃskāras: formações[43] ;
  3. Vijñāna: consciência[24][43] ;
  4. Nāmarūpa: nome e forma (refere-se à mente e ao corpo)[24][43] ;
  5. Ṣaḍāyatana: suas bases dos sentidos (olhos, nariz, ouvidos, língua, corpo e mente)[43] ;
  6. Sparśa: contato (traduzido, também, como "impressão" ou "estimulo" por um objeto)[43] ;
  7. Vedanā: sensação, traduzida como algo "desagradável", "agradável" ou neutro[43] ;
  8. Tṛṣṇā: sede, mas, no budismo, refere-se ao desejo[43] ;
  9. Upādāna: apego ou apreensão[43] ;
  10. Bhava: ser (existência) ou se tornar (no Teravada possui dois significados: o carma, que produz uma nova existência, e a existência em si)[24][43] ;
  11. Jāti: nascimento (entendido como ponto de partida)[24][43] ;
  12. Jarāmaraṇa: velhice e morte, também traduzida, através do śokaparidevaduḥkhadaurmanasyopāyāsa, como tristeza, lamentação, dor e miséria.[43].

Sunyata


O budismo Maaiana foi fundado baseado nas teorias de Nagarjuna, provavelmente o estudioso mais influente dentro das tradições da escola budista. A principal contribuição do filósofo budista foi a exposição sistemática do conceito de sunyata, ou "vazio", comprovada amplamente nos sutras, como Prajnaparamita, importantíssimos na época.
O conceito de "vazio" reúne as outras principais doutrinas budistas, particularmente a anatta e a pratītyasamutpāda (orientação dependente), para refutar a metafísica da Sarvastivada e Sautrāntika (não extintas da escola Maaiana). Para Nagarjuna, não são apenas os seres sencientes que estão vazios de atman; todos os fenômenos (dharmas) são, sem qualquer svabhava (literalmente "própria natureza" ou "autonatureza") e, portanto, sem qualquer essência fundamental, pois eles são vazios de ser independentes, assim, as teorias heterodoxas de Svabhava, circuladas na época, foram desmentidas com base nas demais doutrinas budistas.
Os pensamentos de Nagarjuna são conhecidos como Madhyamaka. Alguns dos escritos atribuídos a Nagarjuna fazem referências explícitas aos textos de Maaiana, mas sua filosofia foi argumentada dentro dos "parênteses" estabelecidos pela ágama. Ele pode ter chegado à sua posição a partir de um desejo de alcançar uma exegese coerente da doutrina do Buda, tal como o Canon. Aos olhos de Nagarjuna, o Buda não era apenas um precursor, mas o próprio fundador do sistema Madhyamaka[44].
Os ensinamentos sarvastivada, que foram criticados por Nagarjuna, foram reescritos por estudiosos como Vasubandhu e Asanga e foram, posteriormente, adaptados para a prática do Yoga (sânscrito: Yogacara). Enquanto a escola Madhyamaka declarou que afirmar a existência ou a inexistência de qualquer coisa, em última análise, era inadequado, contudo, alguns expoentes da Yogacara afirmaram que a mente, e só a mente, é real (doutrina conhecida como consciência). Entretanto, nem todos dentro do Yogacara consideram essa afirmação; Vasubandhu e Asanga, em particular, são um exemplo[45].
Além do vazio, a escola Maaiana, muitas vezes, dá ênfase nas noções de discernimento espiritual pleno (prajnaparamita) e na natureza búdica (tathagatagarbha, que significa "embrião budista"). De acordo com o sutras de tathagatagarbha, o Buda revelou a realidade da imortal natureza budista, que se diz ser inerente a todos os seres vivos e permite que todos eles, eventualmente, atinjam a iluminação completa, ou seja, tornando-se Budas.

Especulações contra a existência direta na epistemologia budista

A distinção entre o budismo e outras escolas filosóficas indianas é uma questão da justificação da epistemologia. Apesar de todas as escolas de lógica indiana reconhecerem vários conjuntos das justificativas válidas para o conhecimento (pramana), o budismo, por sua vez, reconhece um conjunto menor do que os outros. Todos aceitam a percepção e a inferência, por exemplo, mas, algumas escolas budistas não.
De acordo com as escrituras, durante a sua vida, o Buda permaneceu em silêncio quando questionado sobre várias questões metafísicas, conhecidas como "Questões avyākata". São perguntas como: se o universo é eterno ou não (ou se é finito ou infinito), se há unidade ou separação do corpo e do atman, a inexistência completa de uma pessoa depois do nirvana, entre outros. Uma explicação para esse silêncio é que tais questões atrapalham a atividade prática para o bodhi[nota 1] e trazem o perigo de substituir a experiência de libertação através da compreensão conceitual da doutrina ou pela fé religiosa.

Escolas


sangha original, após a realização de um concílio no século IV a.C., dividiu-se em duas escolas de pensamento: Mahasanghika e Sthaviravada. Desses dois troncos, a única escola remanescente é a Theravada.[46] Os três veículos principais são: Escolas Antigas, Escolas Mahayana e Escolas Vajrayana.[47]

Nirvana

nirvana é:
  1. É a meta do budismo.
  2. É o apagar do fogo das paixões e a extinção do ego.
  3. É não necessitar mais reencarnar.
  4. É o que todo budista procura por toda vida, a paz absoluta.
  5. É o que faz do homem comum um Buda.
  6. É a iluminação.
  7. É a extrema paz.

Origens


A estátua do Tian Tan Buda, no monastério Po Lin, na ilha de Lantau, em Hong Kong.
Historicamente, as raízes do budismo se encontram no pensamento religioso da Índia antiga durante a segunda metade do primeiro milênio antes de Cristo. Esse foi um período de turbulência social e religiosa, já que havia um significante descontentamento com os sacrifícios e rituais do bramanismo védico. Ele foi desafiado por vários novos ensinamentos e grupos ascéticos, religiosos e filosóficos que romperam com a tradição brâmane e rejeitaram a autoridade dos Vedas e dos brâmanes.
O budismo formou-se no nordeste da Índia, entre o século V e IV a.C.. Este período corresponde a uma fase de alterações sociais, políticas e econômicas nessa região do mundo. A antiga religiosidade bramânica, centrada no sacrifício de animais, era questionada por vários grupos religiosos, que geralmente orbitavam em torno de um mestre.
Um desses mestres religiosos, como visto acima com mais detalhes, foi Sidarta Gautama, o Buda, cuja vida a maioria dos acadêmicos ocidentais e indianos situa entre 563-483 a.C., embora os acadêmicos japoneses considerem mais provável as datas 448 a 368 a.C. Sidarta nasceu na povoação de Kapilavastu, que se julga ser a aldeia indiana de Piprahwa, situada perto da fronteira indo-nepalesa. Pertencia à casta guerreira (ksatriya).
Várias lendas posteriores afirmam que Sidarta viveu no luxo, tendo o seu pai se esforçado por evitar que o seu filho entrasse em contato com os aspectos desagradáveis da vida. Por volta dos 29 anos, o jovem Sidarta decidiu abandonar a sua vida, renunciando a todos os bens materiais e adotando a vida de um renunciante. Praticou o ioga (numa forma que não é a mesma que é hoje seguida nos países ocidentais) e seguiu práticas ascéticas extremas, mas acabou por abandoná-las, vendo que não conseguia obter nada delas. Segundo a tradição, ao fim de uma meditação sentado debaixo de uma figueira, descobriu a solução para a libertação do ciclo das existências e das mortes que o atormentava.
Pouco depois, decidiu retomar a sua vida errante. Chegou a um bosque perto de Benares, onde pronunciou um discurso religioso diante de cinco jovens, que convencidos pelos seus ensinamentos, se tornaram os seus primeiros discípulos e com quem formou a primeira comunidade monástica (sangha). O Buda dedicou, então, o resto da sua vida (talvez trinta ou cinquenta anos) a pregar a sua doutrina através de um método oral, não tendo deixado quaisquer escritos.
Sidarta Gautama, sem dúvida familiar com os pensamentos de sua era e região, ensinou o Caminho do Meio entre a indulgência sensual e o severo ascetismo encontrado no movimento Śramaṇa, comum na região. Como a principal figura do Budismo, os acontecimentos de sua vida, seus discursos e as regras monásticas que ele criou foram compilados após a sua morte e memorizados por seus seguidores. Várias coleções de ensinamentos atribuídas a ele foram preservadas e transmitidas via tradição oral e primeiramente fixadas por escrito cerca de 400 anos depois.

Cosmologia


cosmologia budista considera que o Universo é composto por vários sistemas mundiais, sendo que cada um desses possui um ciclo de nascimento, desenvolvimento e declínio que dura bilhões de anos. Num sistema mundial existem seis reinos, que por sua vez incluem vários níveis, num total de trinta e um.
O reino dos infernos situa-se na parte inferior. A concepção do inferno budista é diferente da concepção cristã, na medida em que o inferno não é um lugar de permanência eterna nem o renascimento nesse local é o resultado de um castigo divino; os seres que habitam no inferno libertam-se dele assim que o mau karma que os conduziu ali se esgota. Por outro lado, o budismo considera que existem não apenas infernos quentes, mas também infernos frios.
Acima do reino dos infernos pelo lado esquerdo, encontra-se o reino animal, o único dos vários reinos perceptível aos humanos e onde vivem as várias espécies. Acima do reino dos infernos pelo lado direito, encontra-se o mundo dos espíritos ávidos ou fantasmas (preta). Os seres que nele vivem sentem constantemente sede ou fome, sem nunca terem essas necessidades saciadas. A arte budista representa os habitantes desse reino como tendo um estômago do tamanho de uma montanha e uma boca minúscula.
O reino seguinte é o dos Asura (termo traduzido como "Titãs" ou dos antideuses). Os seus habitantes ali nasceram em resultado de acções positivas realizadas com um sentimento de inveja e competição e vivem em guerra constante com os deuses.
O quinto reino é o dos seres humanos. É considerado como um reino de nascimento desejável, mas ao mesmo tempo difícil. A vida enquanto humano é vista como uma via intermédia nessa cosmologia, sendo caracterizada pela alternância das alegrias e dos sofrimentos, o que, de acordo com a perspectiva budista, favorece a tomada de consciência sobre a condição samsárica.
O último reino é o dos deuses (deva) e é composto por vários níveis ou residências. Nos níveis mais próximos do reino humano, vivem seres que, devido à prática de boas acções, levam uma vida harmoniosa. Os níveis situados entre o vigésimo terceiro e o vigésimo sétimo são denominados como "Residências Puras", sendo habitadas por seres que se encontram perto de atingir a iluminação e não voltarão a renascer como humanos.

Escrituras


Edição do Cânone Páli
Buda não deixou nada escrito. De acordo com a tradição budista, ainda no próprio ano em que o Buda faleceu, teria sido realizado um concílio na cidade de Rajaghra, onde discípulos do Buda recitaram os ensinamentos perante uma assembleia de monges que os transmitiram de forma oral aos seus discípulos. Porém, a historicidade desse concílio é alvo de debate: para alguns, esse relato não passa de uma forma de legitimação posterior da autenticidade das escrituras.
Por volta do século I, os ensinamentos do Buda começaram a ser escritos. Um dos primeiros lugares onde se escreveram esses ensinamentos foi no Sri Lanka, onde se constituiu o denominado Cânone Páli. O Cânone Pali é considerado pela tradição Theravada como contendo os textos que se aproximam mais dos ensinamentos do Buda. Não existem, contudo, no budismo um livro sagrado como a Bíblia ou o Alcorão, que seja igual para todos os crentes; para além do Cânone Pali, existem outros cânones budistas, como o chinês e o tibetano.
O cânone budista divide-se em três grupos de textos, denominado "Triplo Cesto de Flores" (tipitaka em pali e tripitaka em sânscrito):
  1. Sutra Pitaka: agrupa os discursos do Buda tais como teriam sido recitados por Ananda no primeiro concílio. Divide-se por sua vez em vários subgrupos;
  2. Vinaya Pitaka: reúne o conjunto de regras que os monges budistas devem seguir e cuja transgressão é alvo de uma penitência. Contém textos que mostram como surgiu determinada regra monástica e fórmulas rituais usadas, por exemplo, na ordenação. Estas regras teriam sido relatadas no primeiro concílio por Upali;
  3. Abhidharma Pitaka: trata do aspecto filosófico e psicológico contido nos ensinamentos do Buda, incluindo listas de termos técnicos.
Quando se verificou a ascensão do budismo Mahayana, essa tradição alegou que o Buda ensinou outras doutrinas que permaneceram ocultas até que o mundo estivesse pronto para recebê-las; dessa forma a tradição Mahayana inclui outros textos que não se encontram no Theravada.

Difusão do budismo

Índia


Porcentagens de budistas por país.
A partir do seu local de nascimento no nordeste indiano, o budismo espalhou-se para outras partes do norte e para o centro da Índia. Durante o reinado do imperador máuria Asoka, que se converteu ao budismo e que governou uma área semelhante à da Índia contemporânea (com excepção do sul), essa religião consolidou-se. Após ter conquistado a região de Calinga pela força, Asoka decidiu que a partir de então governaria com base nos preceitos budistas. O imperador ordenou a construção de hospedarias para os viajantes e que fosse proporcionado tratamento médico não só aos humanos, mas também aos animais. O rei aboliu também a tortura e provavelmente a pena de morte. A caça, desporto tradicional dos reis, foi substituída pela peregrinação a locais budistas. Apesar de ter favorecido o budismo, Asoka revelou-se também tolerante para com o hinduísmo e o jainismo.
Asoka pretendeu também divulgar o budismo pelo mundo, como revelam os seus éditos. Segundo estes, foram enviados emissários com destino à SíriaEgito e Macedónia (embora não se saiba se chegaram aos seus destinos) e para o oriente, para um terra de nome Suvarnabhumi (Terra do Ouro) que não se conseguiu identificar com segurança.
Império Máuria chegou ao fim em finais do século II a.C.. A Índia foi então dominada pelas dinastia locais dos Sunga (185–173 a.C.) e dos Kanva (c.73–25 a.C.), que perseguiram o budismo, embora este conseguisse prevalecer. Perto do início da era actual, o noroeste da Índia foi invadido pelos citas, que formariam o Império Kushana. Um dos mais importantes reis desta dinastia, Kanishka (c. 127-147), foi um grande proselitista do budismo.
Durante a era da dinastia Gupta (320-540), os monarcas favorecem o budismo, mas também o hinduísmo. Em meados do século VI, os Hunos Brancos, oriundos da Ásia Central, invadem o noroeste da Índia, provocando a destruição de inúmeros mosteiros budistas. A partir de 750, a dinastia Pala governou no nordeste da Índia até ao século XII, apoiando os grandes centros monásticos budistas, entre os quais o de Nalanda. Contudo, a partir do século XII, o budismo entra num declínio definitivo devido a vários factores. Entre estes, encontravam-se o revivalismo hindu, que se manifestou com figuras como Adi Shankara e pelas invasões dos muçulmanos dos séculos XII e XIII.
Embora o budismo tenha passado por uma verdadeira renovação a partir de 1959, ano em que o Dalai Lama escolhe o exílio, ele parece quase ausente da Índia, a ponto de termos, muitas vezes, de seguir turistas estrangeiros para localizar os lugares santos de antigamente. Nesse percurso, ao longo dos séculos, o budismo suscitou desvios, heresiasseitas.[48]

Sri Lanka e Sudeste da Ásia


Wat Mahathat, em Sukhothai, na Tailândia.
A tradição cingalesa atribui a introdução do budismo no Sri Lanka ao monge Mahinda, filho de Asoka, que teria chegado à ilha em meados do século III a.C., acompanhado por outros missionários. Esse grupo teria convertido ao budismo o rei Devanampiya Tissa e grande parte da nobreza local. O rei ordenou a construção do Mahavihara ("Grande Mosteiro" em pali) na então capital do Sri Lanka, Anuradhapura. O Mahavihara foi o grande centro do budismo Theravada na ilha nos séculos seguintes.
Foi no Sri Lanka que, por volta do ano 80 a.C., se redigiu o Cânone Pali, a colectânea mais antiga de textos que reflectem os ensinamentos do Buda. No século V, chegou à ilha o monge Budagosa, responsável por coligir e editar os primeiros comentários feitos ao Cânone, traduzindo-os para o pali.
Na Tailândia, o budismo lançou raízes no século VII nos reinos de Dvaravati (no sul, na região de Banguecoque) e de Haripunjaya (no norte, na região de Lamphun), ambos reinos da etnia Mon. No século XII, o povo Tai, que chegou ao território vindo do sudoeste da China, adoptou o budismo Theravada como a sua religião.
A presença do budismo na península Malaia está atestada desde o século IV, assim como nas ilhas de Java e Sumatra. Nessas regiões, verificou-se um sincretismo entre o budismo Mahayana e o xivaísmo, que está ainda hoje presente em locais como a ilha de Bali. Entre o século VII e o IX, a dinastia budista dos Xailendra governou partes da Indonésia e a península Malaia, tendo sido responsável pela construção de Borobudur, uma enorme estupa que é o maior monumento existente no hemisfério sul. O islamismo chegou à Indonésia no século XIV, trazido pelos mercadores, acabando por substituir o budismo como religião dominante. Atualmente o budismo é principalmente praticado pela comunidade chinesa da região.

China



Pintura nas grutas de Bezeklik, no oeste da China, retratando monges budistas.
A tradição atribui a introdução do budismo na China ao imperador Ming de Han (25-220 d.C.), o segundo imperador da dinastia Han do leste. Este imperador teve um sonho no qual viu um ser voador dourado, interpretado por seus conselheiros como uma visão do Buda. O imperador enviou emissários a outros países, a oeste da China, para obter informações sobre a doutrina de Buda.
Escrituras budistas teriam sido trazidas à China, nas costas de cavalos brancos, por Dharmarakṣa e Kaśyapa Mātaṅga, dois grandes monges indianos. Então o imperador ordenou a construção do primeiro templo budista da China, o monastério Baima, na atual cidade de Luoyang, na província de Henan. Os monges levaram, para a China, 42 sutras, contendo 600 000 palavras em sânscrito.
Independentemente da tradição, o budismo só se espalhou na China nos séculos V e VI com o apoio das dinastias Wei e Tang. Durante este período, estabeleceram-se, na China, escolas budistas de origem indiana ao mesmo tempo em que se desenvolveram escolas próprias chinesas.

Coreia e Japão



Kanji japonês para "Zen".
O budismo entrou na Coreia no século IV. Nesta altura, a Coreia não era um território unificado, encontrando-se dividida em três reinos rivais: o reino de Koguryo no norte, o reino de Paekche no sudoeste e o reino de Silla no sudeste. Estes três reinos reconheceriam o budismo como uma religião oficial, tendo sido o primeiro a fazê-lo Paekche (384), seguindo-se o Koguryo (392) e Silla (528). Em 668, o reino de Silla unificou a Coreia sob o seu poder e o budismo conheceu uma era de desenvolvimento. Foi nesse período que viveu o monge Wonhyo Daisa (617-686), que tentou promover um budismo do qual fizessem parte elementos de todas as seitas. No século VIII, foi difundido na Coreia o budismo da escola chinesa Chan[desambiguação necessária], denominado son (ou seon)em coreano e que se tornou a escola dominante. O budismo continuou a florescer durante a era Koryo (935-1392), até que a dinastia Li (1392-1910) favoreceu o confucionismo.
A partir da Coreia e da China, o budismo foi introduzido no Japão em meados do século VI. Em 593, o príncipe Shotoku declarou-o como religião do Estado, mas o budismo foi até à Idade Média um movimento ligado à corte e à aristocracia sem larga adesão popular (os missionários coreanos tinham apresentado à corte japonesa o budismo como elemento de protecção nacional). Durante a era Nara (710-794)-Héian (794-1185), várias seitas de expressão chinesa começaram a implantar-se no Japão. São deste último período a escola Shingon e Tendai (Tien Tai). Durante a era Kamakura (1185-1333), o budismo populariza-se finalmente com as escolas Terra PuraNichiren e Zen (Chan) nas suas principais vertentes chinesas das escolas Rinzai (Linji) e Soto (Caodong).

Tibete

No Tibete, o budismo propagou-se em dois momentos diferentes. O rei Srong-brtsan-sgam-po (Songtsen Gampo, c.627-c.650), influenciado pelas suas duas esposas budistas, decidiu mandar chamar ao Tibete monges indianos para ali difundirem a religião. Durante o reinado de Khri-srong-lde-btsan (Trisong Deutsen), construiu-se o primeiro mosteiro budista tibetano e em 747 chegou ao território o notável iogue indiano Padmasambhava, que organizou o budismo tibetano e fundou a escola hoje conhecida como Nyingma (ou "escola da tradição antiga", em relação às posteriores escolas estabelecidas por outros professores). Contudo, uma reação hostil da religião nativa, o Bön, levaria ao declínio do budismo nos dois séculos seguintes.
O budismo seria reintroduzido no Tibete a partir do século XI, com a ajuda do monge indiano Atisa, que chegou ao território em 1042. Com o passar do tempo, formaram-se quatro escolas: Sakyapa, Kagyupa, Nyingmapa e Gelugpa. Em 1578, membros desta última escola converteram o mongol Altan Khan à sua doutrina. Alta Khan criou o título de Dalai Lama, que concedeu ao líder da escola Gelugpa. Em 1641, com ajuda dos mongóis, o quinto Dalai Lama derrotou o último príncipe tibetano e tornou-se o líder temporal do Tibete. Os seguintes dalai lamas foram na prática os governantes do Tibete até à invasão chinesa. O quinto dalai lama criou o cargo de Panchen-lama, que reside no mosteiro de T-shi-lhum-po e que foi visto como uma encarnação do Amitabha.

Notas

  1. Ir para cima Majjhima Nikaya (Thanissaro, 1997). Para uma leitura mais profunda sobre o contexto, veja Thanissaro (2004). Em inglês.

Referências

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Ver também

Bibliografia

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Ligações externas


Fonte:Wikipédia

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