COMO SURFAR NA ONDA DA SUSTENTABILIDADE SEM SER ENGOLIDO POR ELA

















COMO SURFAR NA ONDA DA SUSTENTABILIDADE SEM SER ENGOLIDO POR ELA



Para que uma empresa seja verdadeiramente sustentável, transformar produtos e serviços em “verdes” pode ser o primeiro passo, mas não é suficiente. O estabelecimento de um ciclo contínuo de inovação em sua base é fundamental para lidar com desafios constantes como o aquecimento global, por exemplo. Desta forma, o conceito de sustentabilidade tem sido percebido como um “driver” para a transformação nas próprias organizações.
Mas, para surfar nessa onda e não ser engolido por ela, alguns desafios têm de ser superados.Existem hoje milhares de estudos que avaliam a relação entre os impactos ambientais das empresas e os seus resultados financeiros entretanto, a sua maioria são estudos de casos pontuais ou apenas uma concepção teórica, o que leva ao questionamento se de fato, tal tecnologia ou inovação trará resultados positivos à sua empresa.

A pergunta aqui é, quando e até quanto compensa ser verde?

Em primeiro lugar, a diferença entre empresas de sucesso e outras mal-sucedidas em termos de sustentabilidade, está na interpretação das diferentes variáveis externas, por este motivo o conhecimento da ecologia industrial dos produtos e da análise do ciclo de vida dos processos é essencial. As estratégias de sustentabilidade, para serem efetivas, precisam ser bem escolhidas.
E em segundo, mas não menos importante, ao contrário do que a maioria dos empresários e CEOs imaginam, inovar em sustentabilidade está longe de ser algo somente ligado às novas tecnologias, mas sim no repensar a própria estrutura.
É preciso inovar!

Inovação pressupõe liberdade para experimentar, correr riscos e, possivelmente, perdas.

Inovar em sustentabilidade é entender a empresa de forma sistêmica gerando resultados positivos para si mesma e para sua circunvizinhança. A empresa deve se inserir no meio como um organismo vivo, interagindo com o local. Tecnologicamente, todas as soluções para os problemas ambientais já existem, bastam ser escolhidas e aplicadas de acordo com a situação.
Eu mesma já utilizei a famosa frase de Mahatma Gandhi,  para escrever sobre a mudança necessária no posicionamento ambiental tanto das empresas como de cada um de nós – “Seja a mudança que você deseja ver no mundo” – frase esta hoje  muito usada, pouco praticada, principalmente por empresas que foram construídas sob modelos antigos, onde o novo dificilmente encontra espaço.
Impulsionadas pela pressão exercida através de movimentos ambientais, legislações e sociedade em geral sobre a atitude das empresas em relação às questões socioambientais é possível perceber uma pequena evolução no cenário. Mas respostas reativas normalmente são caras e pouco efetivas.
As corporações dispõem de uma capacidade enorme de identificar possibilidades de inovação que nem academia nem governos possuem. Por isso, é necessário investimento para internalizar a sustentabilidade e inovar baseando-se nas oportunidades advindas da ascensão do tema.

Se você entende a necessidade de dar passos firmes, no longo prazo, então irá seguir o caminho da inovação sustentável.

Criar uma cultura voltada para a inovação não é um movimento simples – mas pode ser extremamente gratificante.
O grande desafio começa pela internalização do conceito, é preciso manter uma equipe engajada no tema e após ampliar o olhar, não somente para a inovação direta do seu produto, mas para a cadeia e para que a empresa se integre ao ecossistema ao redor.
Para se ter um ambiente propício engajado à inovação, alguns critérios devem integrar a gestão e o ambiente de negócios. Internamente, líderes com visão sistêmica, valorização dos colaboradores, tolerância à erros. Para atender a essas demandas, as organizações precisam avaliar suas práticas e sanar possíveis gaps.

Mudanças de paradigmas não podem ser superadas apenas com a evolução tecnológica.

Para que uma empresa implante uma cultura de inovação deve ter em prática uma gestão de risco de suas iniciativas e desenvolver estratégias de como mitigá-los. A taxa de erro é tanto mais alta quanto mais novo é o tema. E muitos produtos ou procedimentos desenvolvidos hoje podem não ter sucesso, também por questões externas, culturais.
No próximo artigo continuaremos esta discussão sobre inovação sustentável, inclusive trazendo casos de sucesso e as oportunidades de financiamentos verdes.
Artigo por: Renata Pifer
Engenheira Agrônoma, Mestre em Engenharia Sanitária, há 20 anos atuando como Palestrante e Consultora em Sustentabilidade e Gestão Ambiental em empresas públicas e privadas. Executive and Business Coach, Consultora e Analista Comportamental. Trainer.
Fonte:http://cetecambiental.eco.br/2017/04/04/como-surfar-na-onda-da-sustentabilidade-sem-ser-engolido-por-ela/