O QUE É UMA COLÔNIA ESPIRITUAL E O QUE SIGNIFICA PLANO ESPIRITUAL,E VIDA APÓS A MORTE ?

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Colônia Espiritual é um termo que designa um dos locais para onde supostamente vão as pessoas (espíritos) quando desencarnam e onde aguardam novas reencarnações, trabalhando e estudando.
São cidades espirituais que servem de morada para os espíritos com algum grau de evolução, ou seja, que praticaram relativamente o lema moral faça aos outros o que gostaria que os outros lhe fizessem.
Apresentam prédios, pátios, jardins, casas, parques, árvores, hospitais, lazer, bibliotecas, onde os espíritos trabalham, estudam, reúnem-se às suas famílias desencarnadas, quando possível, e descansam.
Tal conceito foi amplamente abordado na série denominada A Vida no Mundo Espiritual psicografada pelo espírito André Luiz, através do médium Chico Xavier, iniciada pelo livro Nosso Lar[1].
Colônia é uma região situada fora do âmbito geográfico de uma soberania, e cuja posse e administração esta exerce[2]. As colônias espirituais estão nas regiões umbralinas (da primeira a quarta esfera espiritual acima da crosta terrestre), mas não são Umbral, pois são extensões extraterritoriais dos planos espirituais superiores (da quinta a sétima esfera espiritual acima da crosta terrestre). Por exemplo, Nosso Lar[3] está na terceira esfera espiritual sobre a cidade do Rio de Janeiro e Alvorada Nova[4] está na quarta esfera espiritual sobre as cidades de SantosSão VicentePraia GrandeCubatão e Guarujá, no litoral do estado de São Paulo, ambas sobre o Brasil.
Algumas obras que tratam de colônias espirituais[5] são:

Controvérsias no Movimento Espírita

A codificação de Allan Kardecobra básica da Doutrina Espírita, não se refere às tais colônias, e a resposta que os espíritos da codificação oferecem ao item 1017 de O Livro dos Espíritos (de 1857) e o subsequente comentário de Allan Kardec, parecem depor textualmente contra essa ideia.
"1017. Alguns Espíritos disseram estar habitando o quarto, o quinto céus, etc. Que queriam dizer com isso?
“Perguntando-lhes que céu habitam, é que formais ideia de muitos céus dispostos como os andares de uma casa. Eles, então, respondem de acordo com a vossa linguagem. Mas, por estas palavras — quarto e quinto céus — exprimem diferentes graus de purificação e, por conseguinte, de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a um Espírito se está no inferno. Se for desgraçado, dirá — sim, porque, para ele, inferno é sinônimo de sofrimento. Sabe, porém, muito bem que não é uma fornalha. Um pagão diria estar no Tártaro.”
O mesmo ocorre com outras expressões análogas, tais como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda, ou terceira esfera, etc., que apenas são alegorias usadas por alguns Espíritos, quer como figuras, quer, algumas vezes, por ignorância da realidade das coisas, e até das mais simples noções científicas."[9]
Também o artigo "Quadro da Vida Espírita" publicado por Allan Kardec na Revista Espírita de abril de 1859, que expõe a situação, sensações e a vida após a morte, parece divergir da ideia de colônias espirituais:
"Há sensações que têm sua fonte no próprio estado de nossos órgãos. Ora, as necessidades inerentes ao nosso corpo não podem ocorrer, desde que o corpo não existe mais. O Espírito, portanto, não experimenta fadiga nem necessidade de repouso ou de nutrição, porque não tem nenhuma perda a reparar, como não é acometido por nenhuma de nossas enfermidades.As necessidades do corpo determinam as necessidades sociais que, para os Espíritos, não mais existem, tais como as preocupações dos negócios, as discórdias, as mil e umas tribulações do mundo e os tormentos a que nos entregamos para garantirmos as necessidades ou as coisas supérfluas da vida."[10]
No entanto, na obra de Allan Kardec, publicada em 1865, O Céu e o Inferno, em sua segunda parte, cap. II - Espíritos felizes, temos reproduzidos trechos de comunicação, originalmente em alemão, de espírito que afirma ter sido uma condessa chamada Paula, que parecem confirmar a ideia de colônias espirituais:
Os vossos palácios de dourados salões, que são eles comparados a estas moradas aéreas, vastas regiões do espaço matizadas de cores que obumbrariam o arco-íris? Os vossos passeios, a contados passos nos parques, a que se reduzem, comparados aos percursos da imensidade, mais céleres que o raio? [11]
Na mesma comunicação, entretanto, a narração do espírito a respeito das ocupações dos espíritos e da ausência de fadiga, volta, a princípio, a se afastar do modo de vida sugerido pelo espírito André Luiz:
As ocupações, posto que isentas de fadiga, revestem-se de perspectivas e emoções variáveis e incessantes, pelos mil incidentes que se lhes filiam. Tem cada qual sua missão a cumprir, seus protegidos a velar, amigos terrenos a visitar, mecanismos na natureza a dirigir, almas sofredoras a consolar; e é o vaivém, não de uma rua a outra, porém, de um a outro mundo; reunimo-nos, separamo-nos para novamente nos juntarmos; e, reunidos em certo ponto, comunicamo-nos o trabalho realizado, felicitando-nos pelos êxitos obtidos; ajustamo-nos, mutuamente nos assistimos nos casos difíceis.
As recorrentes controvérsias no meio espírita, mormente com respeito a veracidade ou não da existência da vida espiritual semelhante a vida material, foi abordada na dissertação de mestrado "Em Torno de Nosso Lar: Uma Análise das Controvérsias Produzidas no Movimento Espírita", onde o autor conclui que:
"A descrição feita por André Luiz de uma vida materializada no além como a relatada em Nosso Lar indica para uma proximidade desta obra com as teses expostas por Emanuel Swedenborg, que descreve, com base em suas visões, um céu com correspondências para com a vida na Terra, com jardins, templos, palácios e casas, a exemplo também da obra do reverendo G. Vale Owen, A Vida além do véu, que, segundo alguns críticos, foi fonte de inspiração para Nosso Lar, que recebeu a acusação de ter plagiado a obra de Owen em determinadas passagens. Em meu entendimento, tais descrições se distanciam do conceito de além estabelecido por Allan Kardec na codificação espírita, o que me leva a concordar com Silva quando este afirma que estas referências andreluizinas estão mais próximas de Swedenborg (e de Owen) do que de Allan Kardec (SILVA, F., 2007, p.42). Sobre este ponto, avanço em relação a Silva (2007) ao considerar Nosso Lar como uma obra que poderia ser compreendida como um hibridismo entre as obras de Swedenborg e Roustaing."[12]

Bibliografia

Série A Vida no Mundo Espiritual, pelo espírito André Luiz, psicografada pelos médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira:
  1. Nosso Lar (1944)
  2. Os Mensageiros (1944)
  3. Missionários da Luz (1945)
  4. Obreiros da Vida Eterna (1946)
  5. No Mundo Maior (1947)
  6. Libertação (1949)
  7. Entre a Terra e o Céu (1954)
  8. Nos Domínios da Mediunidade (1955)
  9. Ação e Reação (1957)
  10. Evolução em Dois Mundos (1958)
  11. Mecanismos da Mediunidade (1960)
  12. Sexo e Destino (1965)
  13. E a Vida Continua... (1968)
Série Alvorada Nova, pelo espírito Cairbar Schutel e seus emissários, coordenada por Abel Glaser, editada pela Casa Editora O Clarim:
  1. Alvorada Nova (1992)
  2. Conversando sobre Mediunidade - Retratos de Alvorada Nova (1993)
  3. Eustáquio - Quinze séculos de uma trajetória (1995)
  4. Fundamentos da Reforma Íntima (1999)
  5. Baviera - Saga Secular de Amor e Ódio, pelo Espírito Rubião (2000)[13]
  6. Guerra no Além - Interação entre os dois planos da vida (co-autoria espiritual com seus emissários - 2010)

Referências

  1. Ir para cima [1]
  2. Ir para cima [2]
  3. Ir para cima [3]
  4. Ir para cima [4]
  5. Ir para cima http://www.acasadoespiritismo.com.br/ clique em Colônias Espirituais e, depois, escolha na lista
  6. Ir para cima [5]
  7. Ir para cima PEREIRA, Yvonne A. e BOTELHO, Camilo Candido (espírito). Memórias de um Suicida.Editora FEB, 2004. 688p. ISBN 8573283726
  8. Ir para cima [6]
  9. Ir para cima http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/135.pdf
  10. Ir para cima Kardec, Allan (1859). Revista Espírita. Paris: FEB. 135 páginas
  11. Ir para cima [7]
  12. Ir para cima Vidal, Fabiano (2014). «Em Torno de Nosso Lar: Uma Análise das Controvérsias Produzidas no Movimento Espírita». Universidade Federal da Paraíba
  13. Ir para cima http://www.oclarim.org/loja/pesquisar.php?mode=show&idproduto=155

Ver também


Fonte:Wikipédia

O QUE SIGNIFICA PLANO ESPIRITUAL

Plano espiritual é o nome dado pelos estudiosos e seguidores da Doutrina espírita para a realidade extra-física onde os espíritos se encontram.

Organização

Segundo a doutrina espírita, o espírito, após a morte do corpo, dispõe de percepções mais abrangentes do que quando está ligado à matéria. Além disso, percebe a passagem do tempo de forma diversa.
A forma de retratar o plano espiritual, entre os espíritas, foi fortemente influenciada pelos romances mediúnicos que se disseminaram no Brasil a partir dos anos 50. A obra Nosso Lar[1]psicografada por Chico Xavier, e atribuída ao espírito André Luiz, foi uma das pioneiras nesse campo. Ela descreve o além-túmulo com várias cidades e aglomerações urbanas, nas quais reúnem-se os espíritos de acordo com sua evolução moral.
A vida se separa por faixas, de acordo com a "frequência vibracional" da matéria lá existente e que está além da realidade física. Quanto mais "elevada" a frequência da vibração, mais sutil será a faixa e mais evoluídos serão os espíritos que nela se encontram, ao passo que, quanto mais "baixa" ela for, mais baixa será a faixa e mais atrasados serão os seus habitantes. Do mesmo modo, dependerá da frequência vibracional a maior ou a menor sutileza das construções existentes no plano espiritual.

O entrevidas na Codificação

Em O Livro dos Espíritos, no Capítulo VI, Da Vida Espírita, os Espíritos sem um corpo material são chamados de errantes. E, na resposta à Questão 224 "a" do Livro, o vocábulo erraticidade, usado por Kardec para se referir ao intervalo entre duas existências corpóreas, aparece pela primeira vez:
224. a) Quanto tempo podem durar estes intervalos?
Desde algumas horas até alguns milhares de séculos. Propriamente falando, não há extremo limite estabelecido para o estado de erraticidade, que pode prologar-se muitíssimo, mas que nunca é perpétuo...
Desse ponto em diante da Codificação, toda referência ao estado do Espírito entre duas vidas é chamado de erraticidade. Esse termo, no entanto, é muito pouco utilizado no movimento espírita hoje em dia, que utiliza com muito mais frequência as expressões plano espiritual e mundo espiritual.
Na sua obra O Céu e o Inferno, segunda parte, cap. II - Espíritos felizesKardec reproduz trechos de comunicação, originalmente em alemão, de espírito que afirma ter sido uma condessa chamada Paula: (...) O que é a felicidade terrena comparada à que desfruto aqui? Esplêndidas festas terrenas em que se ostentam os mais ricos paramentos, o que são elas comparadas a estas assembleias de Espíritos resplendentes de brilho que as vossas vistas não suportariam, brilho que é o apanágio da sua pureza? Os vossos palácios de dourados salões, que são eles comparados a estas moradas aéreas, vastas regiões do Espaço matizadas de cores que obumbrariam o arco-íris?! Os vossos passeios, a contados passos nos parques, a que se reduzem, comparados aos percursos da imensidade, mais céleres que o raio? Horizontes nebulosos e limitados, que são, comparados ao espetáculo de mundos a moverem-se no Universo infinito ao influxo do Altíssimo? E como são monótonos os vossos concertos mais harmoniosos em relação à suave melodia que faz vibrar os fluidos do éter e todas as fibras d`alma! E como são tristes e insípidas as vossas maiores alegrias comparadas à sensação inefável de felicidade que nos satura todo o ser como um eflúvio benéfico, sem mescla de inquietação, de apreensão, de sofrimento?! Aqui, tudo ressumbra amor, confiança, sinceridade: por toda parte corações amantes, amigos![2]

Erraticidade versus plano espiritual

Há adeptos da doutrina espírita que dizem que a codificação nada fala acerca de um plano espiritual, limitando-se a chamar de erraticidade o espaço ocupado pelos espíritos desencarnados, como vimos mais acima. Por um lado, de fato, as obras fundamentais do espiritismo não abordam de forma mais detida essa questão, chegando Kardec inclusive a classificar uma descrição, feita por uma santa católica, de algo bastante assemelhado ao umbral da tradição espírita brasileira, como um simples pesadelo.[3] Por outro, trechos como o cap. VIII, Segunda Parte, de O Livro dos Médiuns, intitulado Laboratório do Mundo Invisível, e o cap. XIV, item 3, de A Gênese, são apontados por estudiosos espíritas como indícios de que o codificador entrevia detalhes muito mais complexos do que a erraticidade genericamente entendida, no que diz respeito à localização dos espíritos após a morte. Lê-se, por exemplo, no mencionado trecho de A Gênese:
No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível.
Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.
Lá, porém, como neste mundo, somente aos Espíritos mais esclarecidos é dado compreender o papel que desempenham os elementos constitutivos do mundo onde eles se acham. Os ignorantes do mundo invisível são tão incapazes de explicar a si mesmos os fenômenos a que assistem e para os quais muitas vezes concorrem maquinalmente, como os ignorantes da Terra o são para explicar os efeitos da luz ou da eletricidade, para dizer de que modo é que veem e escutam.

Possíveis pontos de encontro com a ciência

A existência de uma realidade não percebida pelos nossos sentidos vem sendo investigada pela ciência nos estudos sobre a chamada matéria escura. É interessante notar que, a se manter a validade do modelo vigente de teoria gravitacional, a matéria escura teria que ocupar a quase totalidade do Universo.
Além disso, a física quântica mostrou que aquilo que nossos sentidos percebem como matéria compacta tem muito mais espaço vazio do que ocupado.
Segundo o relato das entidades espirituais, tanto o plano espiritual é muito mais amplo que o material como os dois se interpenetram, o que, de certa forma, se relaciona com os dois pontos acima comentados.

Visão semelhante à descrita por André Luiz

Uma visão parecida com a descrita por André Luiz (espírito) é a que Algar, o espírito guia do médium holandês Josef Rulof, mostrou a ele, visão esta que é descrita em sua obra cujo título em inglês é "A View into the Hereafter" (Examinando o Após-vida), em três volumes.[4]

Diferentes descrições

Alguns críticos do Espiritismo negam a realidade do Plano espiritual afirmando que os alegados médiuns dão, cada um, uma descrição diferente da mesma, o que é um indício, segundo eles, de que o que esses ditos médiuns relatam nada mais é que fruto de sua imaginação. No artigo Percepções da Realidade procura-se explicar o porquê de ser absolutamente natural que os relatos de diversos médiuns sobre o Plano espiritual sejam diferentes entre si, o que seria uma prova de que isso em nada serve para negar a sinceridade de tais relatos.

O plano espiritual na ficção

Vários livros e filmes procuram retratar como seria este mundo extracorpóreo. Um dos mais significativos é "Amor Além da Vida" (What Dreams May Come, E.U.A., 1998), com Robin WilliamsCuba Gooding Jr. e Annabella Sciorra. Neste filme, que difere em vários pontos do que diz a Doutrina Espírita em diversas obras, vemos que o ambiente espiritual é essencialmente plástico, variando de acordo com o pensamento.

Um desafio singular

Victor Zammit, advogado aposentado de Nova Gales do Sul (Austrália) e da Suprema Corte da Austrália, criou um desafio de um milhão de dólares para qualquer cético que conseguir provar a falsidade das evidências sobre o "após-vida". As condições são expostas na página do desafio.
Victor Zammit é autor de um livro intitulado "A Lawyer Presents the Case for the Afterlife" (Um Advogado apresenta o Caso do Após-Vida), o qual é disponibilizado em sua página na Internet.
Uma obra escrita, também por André Luiz (psicografado por Chico Xavier), com mais de 2 milhões de cópias vendidas, é o livro NOSSO LAR, recentemente utilizado para o filme que bateu recordes de bilheteria no Brasil.

Outras denominações

Tanto no movimento espírita como em outras tradições espiritualistas existem outras denominações para o Plano espiritual. Dentre elas, as mais conhecidas são:
  • Além
  • Além da vida
  • Além-túmulo
  • Após-vida
  • Dimensões espirituais
  • Mundo espiritual
  • Outro lado (da morte)
  • Outro mundo
  • Plano extrafísico

Referências

  1. Ir para cima http://onlineshop.com.br/febnet/down/Nosso_lar.pdf
  2. Ir para cima http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/138.pdf. Páginas 268-269
  3. Ir para cima KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo, FEB. Rio de Janeiro:1995, 40ª Ed, pg. 55
  4. Ir para cima Informações sobre Josef Rulof e sua obra podem ser obtidas na página da Wayti, onde, também, podem ser adquiridos livros escritos por ele e sobre ele.

Bibliografia

Série "A Vida no Mundo Espiritual" pelo espírito André Luiz:
  1. Nosso Lar (1944)
  2. Os Mensageiros (1944)
  3. Missionários da Luz (1945)
  4. Obreiros da Vida Eterna (1946)
  5. No Mundo Maior (1947)
  6. Libertação (1949)
  7. Entre a Terra e o Céu (1954)
  8. Nos Domínios da Mediunidade (1955)
  9. Ação e Reação (1957)
  10. Evolução em Dois Mundos (1958)
  11. Mecanismos da Mediunidade (1960)
  12. Sexo e Destino (1965)
  13. E a Vida Continua... (1968)


O Dia da Morte; pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)


VIDA APÓS A MORTE

Morte (do latim mors)[1]óbito (do latim obitu)[2]falecimento (falecer+mento)[3]passamento (passar+mento)[4], ou ainda desencarne (deixar a carne), são sinônimos usados para se referir ao processo irreversível de cessamento das atividades biológicas necessárias à caracterização e manutenção da vida em um sistema outrora classificado como vivo. Após o processo de morte o sistema não mais vive; e encontra-se morto. Os processos que seguem-se à morte (pós-mortem) geralmente são os que levam à decomposição dos sistemas. Sob condições ambientais específicas, processos distintos podem segui-la, a exemplo aqueles que levam à mumificação natural ou a fossilização de organismos.
A morte faz-se notória e ganha destaque especial ao ocorrer em seres humanos. Não há nenhuma evidência científica de que a consciência continue após a morte,[5][6] no entanto existem várias crenças em diversas culturas e tempos históricos que acreditam em vida após a morte.
Com notórias consequências culturais e suscitando interesse recorrente na Filosofia, existem diversas concepções sobre o destino da consciência após a morte, como as crenças na ressurreição (religiões abraâmicas), na reencarnação (religiões orientaisDoutrina Espírita, etc) ou mesmo o eternal oblivion ("esquecimento eterno"), conceito esse o comum na neuropsicologia e atrelado à ideia de fim permanente da consciência após a morte.[7]
As cerimônias de luto e práticas funerárias são variadas. Os restos mortais de uma pessoa, comumente chamado de cadáver ou corpo, são geralmente enterrados ou cremados. A forma de disposição mortuária pode contudo variar significativamente de cultura para cultura.
Entre os fenômenos que induzem a morte, os mais comuns são: envelhecimento biológico (senescência), predaçãomá-nutriçãodoençassuicídioassassinatoacidentes e acontecimentos que causam traumatismo físico irrecuperável.[8]

Considerações

Biologicamente, a morte pode ocorrer para todo o organismo ou apenas para parte dele. É possível para células individuais, ou mesmo órgãos, morrerem e ainda assim o organismo continuar a viver. Muitas células individuais vivem por apenas pouco tempo e a maior parte das células de um organismo são continuamente substituídas por novas células.[9]
A substituição de células, através da divisão celular, é definida pelo tamanho dos telômeros e ao fim de um certo número de divisões, cessa. Ao final deste ciclo de renovação celular, não há mais replicação, e o organismo terá de funcionar com cada vez menos células. Isso influenciará o desempenho dos órgãos num processo degenerativo até o ponto em que não haverá mais condições de propagação de sinais químicos para o funcionamento das funções vitais do organismo; implicando a chamada morte natural, por velhice.
Também é possível que um animal continue vivo, mas sem sinal de atividade cerebral (morte cerebral); nestas condições, tecidos e órgãos vivem e podem ser usados para transplantes. Porém, neste caso, os tecidos sobreviventes precisam ser removidos e transplantados rapidamente ou morrerão também. Em raros casos, algumas células podem sobreviver, como no caso de Henrietta Lacks, da qual células cancerígenas foram retiradas do seu corpo por um cientista, continuando a multiplicar-se indefinidamente.
irreversibilidade é normalmente citada como um atributo da morte. Cientificamente, é impossível trazer de novo à vida um organismo morto, e se um organismo vive, é porque ainda não morreu anteriormente. Contudo existem casos que no mínimo chamam bastante a atenção e suscitam questionamentos quanto às definições de vida e morte. Um deles cerca um grupo de animais invertebrados denominados Rotiferas, que possuem uma capacidade denominada criptobiose, que consiste no "cessar" metabólico quando as condições ambientais não estão favoráveis. Eles podem manter-se assim por meses ou mesmo anos até que as condições se restabelecerem, e então "religarem" seus processos biológicos, retomando a sua vida normalmente. Se o conceito de morte for estendido a tais paralisações metabólicas, esses animais literalmente morrem e depois renascem. Igualmente, ovos de camarões (Shrimp Hatchery) desidratados são incluídos em quites de microscopia para laboratório didáticos, e assim podem permanecer por mais de cinco anos. Quando imersos em salmoura adequada, hidratam-se, desenvolvem-se plenamente e geram, em poucas semanas, camarões crescidos, implicando um literal processo de ressurreição de tais ovos [10]. O caso limite é o do vírus, que até hoje permanece cientificamente exatamente sobre a fronteira que separa os seres vivos dos não vivos, e por tal traz muito trabalho aos taxonomistas.
Muitas pessoas não acreditam que a morte física é sempre e necessariamente irreversível, enquanto outras acreditam em ressurreição do espírito ou do corpo e outras ainda, têm esperança que futuros avanços científicos e tecnológicos possam trazê-las de volta à vida, utilizando técnicas ainda embrionárias, tais como a criogenia ou outros meios de ressuscitação ainda por descobrir.
Alguns biólogos acreditam que a função da morte é primariamente permitir a evolução.

Morte humana

O triunfo da morte, de Pieter Brueghel o Velho, (1562).
Historicamente, tentativas de definir o momento exato da morte foram problemáticas. A identificação do momento exato da morte é importante, entre outros casos, no transplante de órgãos, porque tais órgãos precisam de ser transplantados, cirurgicamente, o mais rápido possível.
Morte já foi anteriormente definida como parada cardíaca e respiratória mas, com o desenvolvimento da ressuscitação cardiopulmonar e da desfibrilação, surgiu um dilema: ou a definição de morte estava errada, ou técnicas que realmente ressuscitavam uma pessoa foram descobertas: em vários e vários casos, respiração e pulso cardíaco são realmente restabelecidos após cessarem. Em vista da nova tecnologia, atualmente a definição médica de morte é conhecida como morte clínicamorte cerebral ou parada cardíaca irreversível.
A morte cerebral é definida pela cessão de atividade eléctrica no cérebro, mas mesmo aqui há correntes divergentes. Há aqueles que mantêm que apenas a atividade eléctrica do neo-córtex deve ser considerada a fim de se definir a morte. Por padrão, é usada contudo uma definição mais conservadora de morte: a interrupção da atividade elétrica no cérebro como um todo, incluso e sobretudo no tronco encefálico - responsável entre outros pelo controle de atividades vitais essenciais como batimentos cardíacos e respiração - e não apenas no neo-córtex, diretamente associado à consciência [11] . Essa definição - a de morte cerebral - é a adotada, por exemplo, na "Definição Uniforme de Morte" nos Estados Unidos.
Lápides em um cemitério.
Mesmo frente a uma definição precisa de morte, a determinação da mesma ainda traz suas peculiaridades, e pode ser difícil. A exemplo, EEGs podem detectar pequenos impulsos elétricos onde nenhum existe, enquanto houve casos onde atividade cerebral em um dado cérebro mostrou-se baixa demais para que EEGs os detectassem. Por causa disso, vários hospitais possuem elaborados protocolos determinando morte envolvendo EEGs em intervalos separados, e não raro mediante os pareceres autônomos de no mínimo dois médicos.
história médica contém muitas referências a pessoas que foram declaradas mortas por médicos, e durante os procedimentos para embalsamento eram encontradas vivas. Histórias de pessoas enterradas vivas levaram um inventor no começo do século XX a desenhar um sistema de alarme que poderia ser ativado dentro do caixão.
Por causa das dificuldades na definição de morte, na maioria dos protocolos de emergência, mais de uma confirmação de morte, tipicamente fornecida por médicos diferentes, é necessária. Alguns protocolos de treinamento, por exemplo, afirmam que uma pessoa não deve ser considerada morta a não ser que indicações óbvias que a morte ocorreu existam, como decapitação ou dano extremo ao corpo. Face a qualquer possibilidade de vida, e na ausência de uma ordem de não-ressuscitação, equipes de emergência devem proceder ao transporte o mais imediato possível até ao hospital, para que o paciente possa ser examinado por um médico. Isso leva à situação comum de um paciente ser dado como morto à chegada do hospital.

Pós-morte

"Tudo é vaidade". Uma ilusão de óptica criada por Charles Allan Gilbert, criticando o apego material da vida mundana.
A questão de o que acontece, especialmente com os humanos, durante e após a morte, ou o que acontece "uma vez morto", se pensarmos na morte como um estado permanente, é uma interrogação frequente, literalmente uma questão latente na psique humana. Tais questões vêm de longa data, e a crença numa vida após a morte com uma posterior reencarnação ou mesmo a passagem para outros mundos embora muito antigas, são ainda muito difundidas socialmente (veja submundo). Para muitos, a crença e informações sobre a vida após a morte resultam de uma mera busca por consolação ou mesmo de uma covardia em relação à morte de um ser amado ou à prospecção da inevitabilidade de sua própria morte. A crença em vida após a morte pode para esses trazer algum consolo, contudo crenças como o medo do Inferno ou de outras consequências negativas podem tornar a morte algo muito mais temido. A contemplação humana da morte é uma motivação importante para o desenvolvimento de sistemas de crenças e religiões organizadas. Por essa razão, palavra passamento quando dita por um espírita, significa a morte do corpo. A passagem da vida corpórea para a vida espiritual.
Apesar desse ser conceito comum a muitas crenças, ela normalmente segue padrões diferentes de definição de acordo com cada filosofia. Várias religiões creem que após a morte o ser vivo ficaria junto do seu criador, para os cristãos, Deus.
Muitos antropólogos sentem que os enterros fúnebres atribuídos ao Homem de Neanderthal / Homo neanderthalensis, onde corpos ornamentados estão em covas cuidadosamente escavadas, decoradas com flores e outros motivos simbólicos, é evidência de antiga crença na vida após a morte.
Do ponto de vista científico, não se confirma a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver, e que cientificamente não há evidências que corroborem a existência de espíritos ou algo com função similar que sobreviva após a morte[12][11], muitos pesquisadores tentaram e ainda tentam entrar nesse campo estudando por exemplo as chamadas "experiências de quase-morte". Para eles, o conceito de "vida" se associa ao de "consciência", contudo consciência não atrela-se à matéria conhecida[12][11].
Ao fim, consideram-se em essência três hipóteses:
  • A consciência existe unicamente como resultado de correlações materiais[12]. Essa hipótese é a que encontra corroboração científica atualmente, e se for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
  • A consciência não tem origem física e sim transcendente à matéria [12], usando o corpo físico apenas como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e não obstante também antes da vida física, o que leva diretamente às tentativas de validação da reencarnação. É a adotada na Doutrina Espírita; sendo igualmente utilizada por várias outras doutrinas espiritualistas para validar os acontecimentos por eles presenciados e assumidos como transcendentais; bem como para explicarem-se os êxtases em cultos de neopaganismo.
  • A consciência tem uma origem física e encontra-se atrelada ao cérebro, mas há uma distinção entre os estados físicos da matéria (da massa encefálica) e os pensamentos que deles derivam [12]. Nessa linha de pensamento há alguns que vão adiante e alegam que a consciência atrela-se a algum tipo de matéria imponderável que, embora relacionada à matéria ordinária, não se decompõe como a primeira quando da morte. A hipótese também é, neste caso, compatível com a reencarnação e com a filosofia das doutrinas espiritualistas (ver perispírito).

Personificação da morte

Iconografia da representação da Morte

A morte como uma entidade sensível é um conceito que existe em muitas sociedades desde o início da história. A morte também é representada por uma figura mitológica em várias culturas. Na iconografia ocidental ela é usualmente representada como uma figura esquelética vestida de manta negra com capuz e portando uma foice/gadanha. É representada nas cartas do Tarot e frequentemente ilustrada na literatura e nas artes.
A associação da imagem com o ceifador está relacionada ao trigo, que na Bíblia simboliza a vida. Em inglês, é geralmente dado à morte o nome de "Grim Reaper". Também é dado o nome de Anjo da Morte (em hebraicoמַלְאַךְ הַמָּוֶתMalach HaMavet), decorrente da Bíblia.
A morte também é uma figura mitológica que tem existido na mitologia e na cultura popular desde o surgimento dos contadores de histórias. Na mitologia gregaTânato seria a divindade que personificava a morte, e Hades, o deus do mundo da morte.
ceifador também aparece nas cartas de tarô e em vários trabalhos televisivos e cinematográficos. Uma das formas dessa personificação é um grande personagem da série Discworld de Terry Pratchett, com grande parte dos romances centrando-se nela como personagem principal.
Em alguns casos, essa personificação da morte é realmente capaz de causar a morte da vítima [13], gerando histórias de que ela pode ser subornada, enganada, ou iludida, a fim de manter uma vida. Outras crenças consideram que o espectro da morte é apenas um psicopompo e serve para cortar os laços antigos entre a alma e o corpo e para orientar o falecido ao outro mundo sem ter qualquer controle sobre o fato da morte da vítima.
Santa Muerte: uma personificação da morte segundo a cultura popular mexicana.
Morte em muitas línguas é personificada na forma masculina (como no inglês), enquanto em outros ela é percebida como uma personagem feminina (por exemplo, em línguas eslavas e latinas). A série Supernatural apresentou uma visão nova da morte, onde um dos cavaleiros do apocalipse, juntamente com a morte em sua personificação humana, discutem com o personagem principal sobre sua origem. Durante o diálogo ela afirma ser mais velha do que Deus, e que também acima dos céus e da terra, além de também existir em outros planetas, ela leva a vida para o abismo há muito tempo.
Os mexicanos personificam a morte na figura da Santa Muerte, uma deusa resultante do sincretismo entre as mitologias católica e mesoamericanas.

Na história

As Ordenações Filipinas - conjunto de leis que servia de base para o direito português na época do Brasil Colônia, previa a "morte natural" em duas versões: "natural cruel" e "natural atroz". Na "morte cruel", o corpo do condenado era objeto de vingança e, por isso, devia ser torturado vivo. A finalidade era prolongar o sofrimento da vítima.[14]
No caso da condenação por "morte natural atroz", a vítima teria ainda seus bens confiscados e a família seria atingida até a geração dos netos. Essa punição era considerada mais branda que a da "morte natural cruel" e o condenado podia ser esquartejado depois de morto. Em ambos os casos era ressaltado o "caráter pedagógico" da degradação do cadáver. Era a "pedagogia do domínio" pelo medo, "aprendida" por todos que presenciavam o "espetáculo".[15]
Exemplo conhecido de sentenciado com a "morte natural cruel" é a de um dos inconfidentes. A essa pena Tiradentes foi condenado em 1792.
No final do século XVIII, o direito português previa a "morte natural para sempre": proibia o sepultamento do cadáver, que teria as partes do corpo expostas até a decomposição completa.[15]"

Na ciência

A morte, no ramo das ciências, é estudada pela tanatologia. Nesse sentido são estudados causas, circunstâncias, fenômenos e repercussões jurídico-sociais, sendo amplamente utilizados na medicina legal. No Brasil o diagnóstico da morte é regido pela resolução 1.480/97 do Conselho Federal de Medicina. A morte também é estudada em outros ramos da ciência, notadamente os relacionados a tratar doenças e traumatismos evitando que elas ocorram. No mesmo sentido uma das estatísticas mundialmente utilizadas para ações governamentais de prevenção são as taxas de mortalidade. Alguns estudos da ciência abordam as experiências de quase morte no sentido de entender os fenômenos correlacionados na quase morte.

Morte e consciência

Devido a dicotomia mente-corpo — monismo ou dualismo[11] — muitos debates cercam a questão sobre o que acontece com a consciência quando o corpo morre. A crença na vida após a morte baseia-se em relatos, experiências, revelações divinas e exercícios lógicos, sendo um conceito primordial de praticamente todas as religiões. Para os que não acreditam que exista continuidade após a morte e rejeitam a veracidade dos indícios contrários (por não serem científicos), a consciência e personalidade é apenas o produto de um cérebro em funcionamento.[16] Sendo assim, o cessamento da atividade cerebral significaria o final da existência do indivíduo, não havendo nada após isso.[17][18] A visão monista é a cientificamente suportada em virtude primeiro da ausência factual científica necessária ao suporte da visão dualista; e em segundo devido a considerações levantadas quanto se busca definir de forma rigorosa o que é "consciência"; sobretudo diante da perspectiva dos avanços em biotecnologia, onde a possibilidade de se construir uma máquina com consciência não pode ser mais tratada como mera ficção científica.[11]

Experiência de quase morte

Um dos ramos da ciência relatados através de vários casos de quase morte estuda os sentimentos declarados de pacientes que recuperaram suas funções vitais depois de uma intervenção médica. São comuns relatos de pessoas que dizem ter visto uma luz, um túnel iluminado e, às vezes, vendo-se a si mesmo, fora do próprio corpo, a exemplo durante uma cirurgia. Esses relatos dividem opiniões de especialistas que defendem as causas religiosas no sentido de que a "luz" vivenciada pelos pacientes de quase morte era a luz que indicava o caminho para o mundo pós-morte (visão dualista).
Até o momento a visão suportada cientificamente sobre esse fenômeno é a monista, a de que são alterações químicas e funcionais no cérebro - agravadas se há falta de oxigenação adequada aos tecidos, algo comum em cirurgias graves - que fazem o paciente ter alucinações durante a ocorrência das anormalidades. Os avanços das técnicas de mapeamento cerebral e de mecanismos excitatórios cerebrais contribuíram significativamente para a compreensão da experiência de quase-morte. A exemplo, o estímulo direto dos lobos temporais pode induzir a sensação de uma presença invisível ou "divina": um capacete construído pelo médico Michal Persinger e por ele denominado "capacete de Deus" induz experiências "espirituais" em 80% daqueles que o experimentam. Modificações induzidas no funcionamento dos lobos parietais simulam experiências extrassensoriais, entre elas corporificações e a sensação de se "sair do corpo". [11]
Em experimentos realizados em aceleradores centrípetos, que visam a compreender as reações psicofisiológicas humanas em presença de enormes acelerações, após momentaneamente desmaiarem dada a incapacidade circulatória, as pessoas submetidas ao teste relatam quase sempre alucinações análogas às apresentadas pelas pessoas que passaram por experiências de quase-morte, incluso a experiência de se ver fora do corpo; muito embora, nesses experimentos controlados, as pessoas em testes sejam seguramente mantidas longe do limite entre a vida e a morte [19]. A compreensão das reações humanas à bruscas acelerações mostra-se importante a exemplo na aviação militar, onde facilmente os pilotos encontrar-se-ão submetidos a enormes acelerações, usualmente medida via múltiplo da aceleração da gravidade, ou de seu próprio peso, mediante a chamada força G.
psiquiatra e parapsicólogo Dr. Raymond Moody popularizou termo "experiência de quase-morte" com seu livro escrito em 1975, "Vida Depois da Vida". O livro ganhou atenção do público em geral para o conceito de experiência de quase-morte. Entretanto, relatos dessas experiências sempre ocorreram na história. A obra "A República" (Livro X), de Platão, escrita no século IV a.C., contém a lenda de um soldado chamado Er que teve uma experiência semelhante depois de ter sido ferido em combate. Er descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas[20]
As "experiências de quase-morte" caracterizam-se, em sua quase totalidade, pelas seguintes percepções:
  • Sensações de tranquilidade - essas sensações podem incluir paz, aceitação da morte, conforto físico e emocional;
  • Luz radiante, pura e intensa - é uma luz que muitas vezes preenche o quarto. Em vários casos o indivíduo associa-a ao Céu e a Deus;
  • Experiências fora do corpo - a pessoa sente que deixou seu corpo. Em vários casos o indivíduo afirma que vê seu corpo e descreve com certa precisão o ato dos médicos trabalhando nele[21].
  • Entrando em outra realidade ou dimensão - dependendo das crenças religiosas da pessoa ela pode se sentir entrando num portal de novas dimensões
  • Seres espirituais - a pessoa sente-se encontrando "seres de luz" ou de outras representações de entidades espirituais. Ela pode perceber esses seres como entes queridos que morreram, anjos, santos ou Deus.

Culto dos mortos em Portugal

Segundo Leite de Vasconcelos na noite de Todos os Santos, em Barqueiros, era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; e depois ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. É também costume deixar um lugar vago à mesa para o morto ou deixar a mesa cheia de iguarias toda a noite da consoada para as "alminhas".[22]
Leite de Vasconcelos também considerava o magusto, festa popular em que amigos e famílias se juntam para assar e comer castanhas, como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos.
Nesta noite ninguém cuide
Encontrar-se à mesa a sós!
Porque os nossos q'ridos mortos
Vão sentar-se junto a nós.
Outras manifestações do culto dos mortos são as alminhas e os cruzeiros, pequenos monumentos de devoção que se encontram frequentemente na beira dos caminhos, os Fiéis de Deus e a tradição de pedir o pão-por-deus.
Nas Viagens do Barão de Rozmital, de 1465 a 1467, encontram-se algumas referências aos clamores e brados e outras tradições fúnebres: « Ha também alli esta costumeira : morrendo alguém, levam para a egreja vinho, carne, pão e outras comidas ; os parentes do morto acompanham o funeral vestidos de roupas brancas próprias dos enterros com capuzes á maneira dos monges, com o qual vestuário se vestem de um modo admirável. Aquelles porém, que são assalariados para carpirem o defuncto vão vestidos com roupa preta, e fazem um pranto como o d'aquelles que entre nós pulam de contentes ou estão alegres por terem bebido. »[23]

Tabus e crenças sobre a morte dos nativos das Américas

Algumas tribos de nativos do Novo Mundo acreditavam que havia algum tipo de vida após a morte. Outras consumiam a carne ou ossos de familiares mortos, pois pensavam que assim adquiririam as boas qualidades da pessoa morta[24].
Nativo em ritual de dança da morte
Quando algum índio importante de tribos da Bahia falecia era enterrado com suas armas e objetos usados no dia a dia e para que pudesse se alimentar, alimentos e água eram disponibilizados[25]. O pio do gavião caracará era temido pelos índios amazônicos uma vez que acreditam que era o anúncio de morte na aldeia[26].
Os Camacan da Bahia colocavam sobre a sepultura do índio morto pedaços de carnes e quando eles desapareciam (comidos por outros animais ou por outros motivos), evitava-se comer aquele tipo de caça[27]. Entre os Maués da Amazônia a família da pessoa morta abstinha-se de comer bananapeixe pego em anzol ou com o emprego do timbó e alguns tipos de caça[28]. Os Aruak de Roraima cremavam os mortos e as cinzas eram guardadas em pequenas urnas. Por ocasião da data de aniversário do falecido um punhado da cinza era misturado ao mingau de banana e consumido pelos parentes. Outras tribos misturavam as cinzas ao caxiri, uma bebida fermentada, e assim as ingeriam[29].
Os Tariana e os Tucano desenterravam seus mortos após um mês do funeral e os colocavam em uma grande panela até que as partes moles desaparecessem. Os ossos, após carbonizados, eram triturados e reduzidos a pó. Este era colocado em vários cochos cheios de caxirí. A mistura era bebida pelos presentes, que acreditavam que estavam ingerindo as boas qualidades do falecido. Entre os Kubewãna era costume desenterrar grandes líderes mortos há mais de quinze anos, triturar seus ossos e misturá-los a uma bebida grossa à base de milho e ingeri-los em grandes festas regadas a caxirí. Os Arapium, índios que viveram nos séculos XVII e XVIII a oeste do Rio Tapajós, também bebiam as cinzas dos seus mortos misturadas a bebidas[30].
Os Jumana da região dos rio Japurá e rio Solimões cremavam seus mortos e tomavam as cinzas misturadas com bebidas, uma vez que acreditavam que a alma da pessoa estava nas cinzas e voltava a viver no corpo de quem ingeria a bebida[29]. Os Waiká da Amazônia adicionavam as cinzas à sopa de plátano e os Surara, também da Amazônia, ao mingau de banana. Entre os indígenas que habitavam no início do século XVII na região da serra da Ibiapaba, entre Ceará e Piauí, se o morto era do sexo masculino as mulheres comiam sua carne e moíam seus ossos, bebendo-o para não sentirem saudades do ente querido. As mulheres dos Tarairiu do Rio Grande do Norte repartiam o cadáver, moqueavam e lamentavam sua morte enquanto comiam a carne e roíam os ossos[30]

Referências

  1. Ir para cima Dicionário Michaelis. «Morte». Consultado em 15 de fevereiro de 2012
  2. Ir para cima Dicionário Michaelis. «Óbito». Consultado em 15 de fevereiro de 2012
  3. Ir para cima Dicionário Michaelis. «Falecimento». Consultado em 15 de fevereiro de 2012
  4. Ir para cima Dicionário Michaelis. «Passamento». Consultado em 15 de fevereiro de 2012
  5. Ir para cima Bioethics.: A Return to Fundamentals. - Página 260, Bernard Gert, Charles M. Culver - 1997 (em inglês)
  6. Ir para cima Persons, Humanity, and the Definition of Death - Página 23, John P. Lizza - 2006 (em inglês)
  7. Ir para cima Handbook to the Afterlife Página acessada em 12 de abril de 2012 (em inglês)
  8. Ir para cima Zimmerman, Leda (19 de outubro de 2010). «Must all organisms age and die?» (em inglês). Massachusetts Institute of Technology School of Engineering. Consultado em 5 de fevereiro de 2012Cópia arquivada em 1 de novembro de 2010
  9. Ir para cima UOL. «Morte súbita de origem cardíaca». Consultado em 15 de fevereiro de 2012
  10. Ir para cima Vivitar - 40 Piece Microscope Set - 300x/600x/1200x Instruction Manual.
  11. ↑ Ir para:a b c d e f Cartner, Rita; et alii - O Livro do Cérebro - Rio de Janeiro - Agir - 2012 - ISBN 978-85-220-1361-6
  12. ↑ Ir para:a b c d e (Vários colaboradores) Buckingham, Will; et. alli. - O Livro da Filosofia - Editora Globo - São Paulo, SP - 2011 - ISBN 978-85-250-4986-5
  13. Ir para cima Alucinações sobre essa figura podem causar a morte, especialmente em uma pessoa que está muito doente e perto da morte, destruindo a confiança da pessoa de que pode sobreviver, (veja nocebo).
  14. Ir para cima "Memória da Justiça Brasileira" - Poder Judiciário do Estado da Bahia
  15. ↑ Ir para:a b Revista História Viva: "A Bastilha brasileira" - "Os inconfidentes e a terrível "morte natural". Editora Dueto. São Paulo (2010).
  16. Ir para cima Rosenberger, Peter B. MD; Adams, Heather R. PhD. Big Brain/Smart Brain. 18 de outubro de 2011.
  17. Ir para cima Piccinini, Gualtiero; Bahar, Sonya. "No Mental Life after Brain Death: The Argument from the Neural Localization of Mental Functions" (2011). University of Missouri - St. Louis.
  18. Ir para cima Bernat JL (8 de abril de 2006). «Chronic disorders of consciousness». Lancet. 367 (9517): 1181–1192. doi:10.1016/S0140-6736(06)68508-5PMID 16616561
  19. Ir para cima "Im Augenblick des Todes - Medizin im Grenzebereich" - National Geographic Television - NGHT - 2008 - Deutsche Fassung ZDF (2010). Disponível no YouTube sob mesmo título.
  20. Ir para cima Benjamin Jowett (2007). «The Republic». The Internet Classics Archive. Consultado em 14 de outubro de 2007
  21. Ir para cima Pim van Lommel (2010). Consciousness Beyond Life: The science of the near-death experienceISBN 978-0-06-177725-7 .
  22. Ir para cima José Leite de Vasconcelos. OPÚSCULOS. Volume VII – Etnologia (Parte II).Lisboa, Imprensa Nacional, 1938.V. Miscelânea etnográfica
  23. Ir para cima Teophilo Braga.CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA. Porto: 1885
  24. Ir para cima CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p. ISBN 9788582020364
  25. Ir para cima SOUSA, Gabriel Soares de (1540-1590). Tratado descritivo do Brasil em 1587. São Paulo, Cia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo. 1971, 4ª ed. 389p.
  26. Ir para cima BATES, Henry Walter (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. Belo Horizonte, Edit. Itatiaia; São Paulo, Edit. da Universidade de São Paulo. 1979, 300 p.
  27. Ir para cima SPIX, Johan Baptiste Von (1781-1826) & MARIUS, Carlos Frederico Philippe Von (1794-1868). Através da Bahia – Excerptos da obra Reise in Brasilien; transladados ao português pelos Drs. Pirajá da e Paulo Wolf; Trabalho apresentado no 5º Congresso Brasileiro de Geografia; Biblioteca Pedagógica Brasileira, série 5ª, vol. 118, 3ª Ed. 342 p. São Paulo, Cia Editora Nacional. 1938, 342 p.
  28. Ir para cima PEREIRA, Nunes (1892-1985). Os índios Maués. Rio de Janeiro, Organização Simões. 1954, 174 p.
  29. ↑ Ir para:a b BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.
  30. ↑ Ir para:a b REVISTA DE ATUALIDADE INDÍGENA. Antropofagia. p. 9-16. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1978, ano II, nº 10, 64p.

Indicações bibliográficas

  • ALMEIDA, CArlos Alberto Ferreira de, Paganismo - sua sobrevivência no ocidente peninsular,In memóriam António Jorge Dias.
  • ARIÉS, Philippe, L'Homme devant la Mort, Paris, Ed. du Seuil, 1977.
  • BARROCA, Mário Jorge Neto, Necrópoles e sepulturas medievais de Entre-Douro-e-Minho (séculos V a XV), Trabalho apresentado no âmbito das provas Públicas de Aptidão Pedagógica e Científica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1987.
  • BRUSCA, Richard C.; Brusca, Gary J. Invertebrados, Guanabara koogan, 2º ed., 2007.
  • CHIAVENATO, Júlio José (1939 - ); A morte, uma abordagem sociocultural; Moderna (Coleção Polêmica); 1988ISBN 89-16-01863-6
  • GOSWAMI, Amit, A física da alma (The physics of the soul); Aleph (Série Novos Pensamentos); 2005ISBN 85-7657-014-9
  • LECLERQ, Henry, "Cimetière", Dictionnaire d'Archéologie Chrétienne et Liturgie, tomo III, 2ª parte, Paris, 1914.
  • Leite de Vasconcelos, Opúsculos Etnologia – volumes VII, Lisboa, Imprensa Nacional, 1938
  • VOGEL, Cyrille, L'environnement cultuel du défunt durant la période paléochrétienne, La Maladie et la Mort du Chrétien dans la liturgie, Conferences de Saint-Serces, XXI Sémaine d'Études Liturgiques, Roma, 1975.

Ligações externas

Vida Depois da Vida: A Investigação do Fenómeno de Sobrevivência à Morte Corporal é um dos três livros sobre experiência de quase-morte escritos pelo Dr. Raymond Moody.
O livro, best-seller amplamente conhecido nos Estados Unidos da América, deu origem ao filme homónimo Vida Depois da Vida pelo qual Raymond Moody recebeu uma medalha de bronze na categoria "Relações Humanas" no Festival de cinema de Nova Iorque.
É responsável pelo surgimento do interesse popular em experiência de quase-morte[1] e até 2004 já havia vendido mais de 13 milhões de cópias.[2]
A partir do estudo descrito no livro, e com o auxílio dos depoimentos de cerca de 150 pessoas que sofreram de morte clínica ou aos quais havia sido diagnosticado que tinham quase morrido, Moody concluiu que existiam nove experiências comuns à maioria das pessoas que passaram pela EQM, tais como[3]:
  1. Ouvir um zumbido nos ouvidos;
  2. Um sentimento de paz e ausência de dor;
  3. Ter uma experiência fora do corpo;
  4. Sentir-se a viajar dentro de um túnel;
  5. Sentir-se a subir "pelos céus";
  6. Ver pessoas, principalmente familiares já falecidos;
  7. Encontrar seres espirituais, por vezes identificados como sendo Deus;
  8. Ver uma revisão do decurso da própria vida, desde o nascimento até à morte;
  9. Sentir uma enorme relutância em regresso à vida.

VIDA APÓS A VIDA

Vida Depois da Vida: A Investigação do Fenómeno de Sobrevivência à Morte Corporal é um dos três livros sobre experiência de quase-morte escritos pelo Dr. Raymond Moody.
O livro, best-seller amplamente conhecido nos Estados Unidos da América, deu origem ao filme homónimo Vida Depois da Vida pelo qual Raymond Moody recebeu uma medalha de bronze na categoria "Relações Humanas" no Festival de cinema de Nova Iorque.
É responsável pelo surgimento do interesse popular em experiência de quase-morte[1] e até 2004 já havia vendido mais de 13 milhões de cópias.[2]
A partir do estudo descrito no livro, e com o auxílio dos depoimentos de cerca de 150 pessoas que sofreram de morte clínica ou aos quais havia sido diagnosticado que tinham quase morrido, Moody concluiu que existiam nove experiências comuns à maioria das pessoas que passaram pela EQM, tais como[3]:
  1. Ouvir um zumbido nos ouvidos;
  2. Um sentimento de paz e ausência de dor;
  3. Ter uma experiência fora do corpo;
  4. Sentir-se a viajar dentro de um túnel;
  5. Sentir-se a subir "pelos céus";
  6. Ver pessoas, principalmente familiares já falecidos;
  7. Encontrar seres espirituais, por vezes identificados como sendo Deus;
  8. Ver uma revisão do decurso da própria vida, desde o nascimento até à morte;
  9. Sentir uma enorme relutância em regresso à vida.

Fonte:Wikipédia