MITOS E VERDADES SOBRE AS QUEIXAS - TAIKOMOCHI,A VERSÃO MASCULINA DAS QUEIXAS

Gueisha

26 Fatos sobre as gueixas que talvez você não saiba

Fatos sobre as gueixas que talvez você não saiba
As gueixas (cortesãs japonesas) estão intrinsecamente ligadas à história e cultura tradicional do Japão. Seus lábios vermelhos em forma de coração e sua pele pele branca carregam mistérios que até hoje fascinam muitas pessoas ao redor do mundo. Sua postura é elegante, passiva e recatada, mas ao mesmo tempo sedutora.

Ela nos diz muito, mesmo que não seja em palavras… nos mostra muito, mesmo sem se despir… É um tipo de sensualidade silenciosa e cheia de segredos bem guardados a sete chaves. A maioria de nós só teve conhecimento de alguns detalhes a respeito da vida de uma gueixa após o filme “Memórias de uma Gueixa”.
O filme, baseado no romance de Arthur Golden, nos deu uma nova visão sobre o que eram as gueixas. Eram artistas e como uma pessoa ligada às artes, elas tinham uma vida muito regrada e com muitas provações. Apesar de hoje em dia existirem poucas gueixas, elas continuam nos intrigando e nos fascinando como sempre fizeram.
gueixa
Veja alguns fatos sobre as gueixas que talvez você não saiba:
* Você sabia que as primeiras gueixas eram na verdade homens? Pode parecer bizarro, mas foram eles que deram origem às famosas gueixas. As gueixas do sexo masculino eram conhecidos como “Taikomochi” ou “Houkan” e foram muito populares no período feudal, onde sua principal função era entreter o Daimyo.
* Existe o estigma de que as Gueixas eram prostitutas, embora o significado verdadeiro seja “pessoa das artes”. Eram realmente mulheres treinadas para entreter os homens, mas através das artes como o canto e a dança. Porém, na história se observa que originalmente muitas eram prostitutas antes de se tornarem Gueixas.
* A primeira gueixa famosa e popular que se tem notícia foi Fukagawa, uma ex-prostituta por volta de 1750. Seguindo o seu exemplo, muitas mulheres deixaram de ser prostitutas para se tornarem grandes artistas durante as décadas seguintes, nos mesmos locais onde se apresentavam as gueixas do sexo masculino.
* Por volta de 1800, ser gueixa se tornou uma profissão honrada e glamourosa e era comum que muitas delas começassem seu treinamento ainda crianças, por volta de 3 a 5 anos. Essa tradição durou até a década de 1950, quando então passou a ser expressamente proibido por entender-se que de se tratava de trabalho infantil.
maiko criança

* Hoje em dia, uma menina pode se tornar Maiko com a idade de 16 anos. Até se tornar gueixa, leva-se em torno de 5 anos, onde ela terá um treinamento duro para aprender as etiquetas sociais e ganhar habilidades artísticas de música, canto e dança.
* Enquanto fossem gueixas, elas estavam proibidas de ter qualquer tipo de relacionamento amoroso sério. Se resolvesse se casar por exemplo, a gueixa era obrigada a se aposentar definitivamente da profissão.
* As gueixas eram autorizadas a ter um danna, um espécie de patrono rico que arcava com os custos do seu treinamento. Embora pudesse haver exceções, essa ajuda financeira não era realizada em troca de favores sexuais. Também podia ocorrer da gueixa e o danna estarem envolvidos afetivamente ou apaixonados um pelo outro.
* Há uma série de rituais ao longo da vida de uma gueixa. Um deles chamado de Hiki Iwai (comemoração da separação) ocorria quando uma gueixa decidia abandonar a profissão, seja por um casamento, por outra oportunidade de trabalho ou por ter encontrado um danna, um protetor que lhe proveria pelo resto de sua vida.
“Mizuage” era o nome de uma cerimônia que as maikos (aprendizes de gueixa). Se tratava de uma cerimônia de maioridade que representava a transição de uma maiko para uma gueixa. Porém, uma das tradições dessa cerimônia era a virgindade da maiko ser leiloada a quem desse o maior lance. O dinheiro arrecadado era usado para promover sua estreia como gueixa. Essa prática se tornou ilegal em 1959.
* Para ser gueixa de verdade, não basta apenas ser bonita e elegante. Elas tinham que aprender tudo a respeito das artes, incluindo pinturas e caligrafia e como se portar durante uma cerimônia do chá. Também tinham que aprender a dançar, cantar e a tocar diversos instrumentos tradicionais como koto, flauta e shamisen.
* Uma das principais regras para ser uma gueixa é ser tão anônima quanto for possível. Isso ajudava a dar mais ainda um ar de mistério a elas, o que fazia com que os homens ficassem ainda mais fascinados pelas gueixas. Por causa disso, elas usavam nomes artísticos e não podiam revelar a verdadeira identidade aos clientes.
* A ex-gueixa Mineko Iwasaki recebeu ameaças de morte por violar o tradicional código de silêncio gueixa, por passar “informações secretas” sobre a vida das gueixas a Arthur Golden, autor do livro “Memórias de uma Gueixa”. Ela se sentiu traída por ele, já que havia um trato de que não teria sua identidade revelada, no entanto ele não cumpriu a promessa e divulgou seu nome de todas as maneiras possíveis.
Mineko Iwasaki, a última grande gueixa no Japão

* Durante o Período Tokugawa, muitas prostitutas de alta classe (oiran) queriam se passar por gueixas. Uma das principais características que as diferenciava era a forma como usavam o Obi. Enquanto que as verdadeiras gueixas amarravam seu obi (cinto decorativo) para trás, as Oiran, amarravam o obi para frente.
* Gokagai é um distrito das gueixas em Kyoto. Também é conhecido como Hanamachi (cidade das flores). Compreende em cinco bairros onde se encontra vários Okiya (Casa das Gueixas) e Ochayas (Casas de Chá). Para quem curte a cultura das gueixas, esse local deve estar incluído no roteiro com certeza.
* As gueixas eram treinadas para dormir com o pescoço encaixado em pequenos suportes elevados chamados de Takamakura. Desta maneira, elas conseguiam manter o penteado perfeito mesmo enquanto dormiam. Para reforçar esse hábito, derramava-se grãos de arroz em torno do suporte e caso a gueixa se descuidasse enquanto dormia, amanhecia com os grãos grudados no cabelo.
Takamakura, o travesseiro das gueixas

* Em 1920 existia cerca de 80 mil gueixas. Em 1970 elas eram em torno de 17 mil. E hoje em dia, estima-se que apenas cerca de mil gueixas tradicionais estejam em atividade em todo o Japão. As gueixas atuais escolheram a profissão devido a sua natureza romântica e artística ou para seguir a tradição da família.
* Quando uma gueixa está servindo chá ao cliente, ela puxava a manga do seu quimono, de modo que o pulso ficasse descoberto. Este gesto era visto como um sinal de sedução e sensualidade, mesmo mostrando tão pouco de seu corpo.
* Uma das coisas que mais impressiona em uma gueixa é o seu penteado exótico. Mas esse penteado super elaborado e tradicional feito ao longo dos anos, causava calvície precoce na maioria das gueixas. Por causa disso, era comum o uso de perucas com o penteado tradicional em gueixas mais velhas, que já tinham anos de profissão.
katsura peruca gueixa

* No começo, as gueixas usavam um pó branco feito de chumbo para fazer a maquiagem tradicional. Só a partir do Período Meiji que se descobriu de que essa substância era tóxica e assim passou-se a usar outro tipo de cosmético mais moderno e mais seguro para a maquiagem tradicional das gueixas.
* Uma gueixa gastava em média duas horas em sua produção. A maquiagem exótica, o penteado exuberante com seus belos adornos e finalmente o quimono artesanal, feito de seda, que também dava um trabalhão de colocar.
sakura gueixa
* Você já deve ter reparado que o sorriso de uma gueixa é discreto e quase não dá para ver seus dentes. Algumas costumam levar a mão à boca para esconder o sorriso. Um dos motivos seria porque por mais que os dentes sejam brancos, diante do contraste com a pele branca, aparentam amarelados e pouco atraentes.
* Mas o engraçado é que até o Período Meiji, era comum a prática do Ohaguro, costume de tingir os dentes de preto. Apesar desse hábito também ser realizado por mulheres comuns, as gueixas também eram muito adeptas dessa prática.
Gueixas 5

* O treinamento de uma gueixa era em um “Okiya” (Casa das Gueixas) e lá viviam como uma família. Havia a “okasan” (dona do Okiya) e as “irmãs” (outras gueixas). Para viver no Okiya, elas tinham que fazer o serviço de limpeza e dar parte do dinheiro que recebiam de seus clientes para ajudar a pagar as despesas do Okiya.
* Muitas pessoas não sabem direito o que diferencia de verdade uma maiko de uma gueixa. Maiko significa “Criança da Dança”, nome designado às jovens aprendizes das gueixas. Já a gueixa, também chamadas de Geiko, significa literalmente “Pessoa das Artes”, designadas às que são mais experientes em sua profissão.
* Para saber diferenciar uma maiko de uma gueixa, basta observar as cores da sua vestimenta, especialmente do seu colarinho. As maiko usam quimonos com cores mais fortes e vivas, e o colarinho geralmente é vermelho, enquanto que as gueixas usam quimonos com cores suaves e tons pastéis e o colarinho branco.
Gola Vermelha é das gueixas e gola branca é das maikos

* A cerimônia que marca a transição de maiko para gueixa é chamada eriage, que significa “mudança de colarinho”. Nesse momento, a maiko troca seu colarinho estampado vermelho pelo totalmente branco, símbolo de sua estréia como gueixa.
Esperam que tenham gostado de saber algumas curiosidades a mais sobre as gueixas. Se souberem de mais alguma curiosidade interessante a respeito da vida das gueixas que não foi mencionado aqui, não deixe de comentar 

Mitos e Verdades sobre as Gueixas

Mizuage, ritual da maioridade das gueixas

Mitos e Verdades sobre as gueixas, as cortesãs japonesas

O termo ¨Gueixa¨ ainda traz muita confusão para a maioria das pessoas, então aqui posto um texto afim de esclarecer alguns aspectos tradicionais e históricos sobre as gueixas, que são um ícone importantíssimo na cultura japonesa.

É quase impossível deixar de associar a imagem das gueixas, com aquelas mulheres maquiadas de branco e vestidas em trajes típicos, com o Japão. A palavra “gueixa” significa “pessoa que vive das artes”. Essas mulheres estudam a tradição milenar japonesa e utilizam elementos artísticos para entreter seus convidados.
Para isso, recitam versos, tocam diversos instrumentos musicais tradicionais, contam histórias, conversam sobre diversos temas, etc. É muito comum, até mesmo dentro do próprio Japão, que as gueixas sejam confundidas com prostitutas de luxo, o que não é verdade. O trabalho dessas mulheres não compreende o sexo, uma vez que as mesmas são artistas. Claro que toda regra há exceções!
A maior parte dos clientes de uma gueixa são homens mais velhos e que possuem grande admiração pela cultura japonesa. As gueixas transmitem a idéia de uma mulher perfeita, fazendo com que seus clientes se sintam valorizados e atraentes. Entretanto, ser cliente de uma dessas artistas é um privilégio apenas para indivíduos da elite: grandes empresários, políticos, famosos, etc.
Gueisha

Para se tornar uma gueixa, a mulher precisa passar por um extensivo treinamento iniciado por volta dos 13 a 15 anos de idade. Nas épocas de recessão econômica, muitos pais vendiam suas filhas para as casas de gueixas (chamadas de okiya). Hoje em dia, as jovens que escolhem essa profissão, não o fazem por ser a única opção e sim porque são movidas pela paixão ou para seguir os mesmos passos da mãe.
As gueixas são personagens importantes na cultura japonesa e embora exista o desejo de manter viva a tradição, o número de gueixas diminuiu significativamente ao longo das décadas, especialmente após a 2° Guerra Mundial: No início do século passado havia cerca de 80 mil gueixas no Japão, hoje estima-se que existam menos de 2 mil.

A Excêntrica Maquiagem Artística das Gueixas

gueixa

A Excêntrica Maquiagem Artística das Gueixas

A maquiagem artísticas das Gueixas e Maikos são caracterizadas por uma pele de cor branca como a neve, e detalhes nos olhos e sobrancelhas em preto e vermelho, a boca em forma de coração vermelho carmim e o cabelo alto e duro com laquê.

É impossível ver uma maquiagem assim e instantaneamente não associar a imagem à elas. Mas qual a origem e de onde surgiu essa maquiagem com um estilo tão exótico, misterioso e tão diferente dos padrões ocidentais?
Segundo contam, esse tipo de maquiagem era feito apenas pelas damas da corte japonesa durante o Período Heian (794-1185 dC), numa época em que a China exercia forte influência cultural no Japão.
Gueixa, pessoa das artes
As mulheres daquela época, (e até nos dias atuais) usavam pó de farinha de arroz ou um pó à base de chumbo misturado com água. Virava uma pasta fina e com ela, aplicavam na pele como se fosse uma base, aplicando pelo rosto todo, pescoço e colo. Tinham o hábito também de arrancar todos os pêlos das sobrancelhas e depois de aplicarem a pasta branca no rosto, faziam sobrancelhas falsas no alto da testa.
Tinham também um hábito, que pra nós pode soar como bizarro, chamado Ohaguro que consistia em escurecer os dentes com uma mistura de limalha de ferro oxidado mergulhada em uma solução ácida. A aplicação desta mistura era repetida a cada dois dias, porque se não, os dentes voltariam a ser branco.
Esse hábito durou até a era Meiji, e hoje em dia quase não é usado, a não ser por atores kabuki, em peças teatrais ou pelas maikos em seu treinamento para se tornar uma gueixa. Mas elas só usam durante uma semana antes de se tornarem geikos.
ohaguro
Nos primeiros anos de carreira, as gueixas adotam maquiagem, penteados e quimonos exuberantes. Mas após três anos, a maquiagem se torna mais leve e o penteado é muitas vezes apenas um coque simples. A razão é que a sua “beleza” está agora em sua maturidade e arte (GEI) ao invés da sua aparência.
Para ocasiões formais e danças, porém, ela usa uma peruca (katsura) e uma maquiagem mais pesada, cuja aplicação é um processo demorado e complicado. Antes de mais nada é aplicado sobre a pele um óleo chamado bintsuke-abura para que o pó branco tenha maior fixação na pele do colo, pescoço e rosto.
A nuca (komata) é a parte do corpo considerado sexy em uma gueixa e apesar do rosto e pescoço serem pintados de branco, é comum a gueixa deixar na nuca um formato de um “W” sem pintura para destacar a sensualidade desta área. Em ocasiões especiais, em vez de “W”, elas deixam o formato parecido com um “VVV”.
O próximo passo é a pintura nos olhos e sobrancelhas. É preciso muito cuidado e precisão, pois um erro fará com que o processo seja reiniciado desde o princípio. As sobrancelhas são desenhadas em preto com um toque de vermelho. Antigamente se usava carvão para escurecê-los, mas hoje existem cosméticos específicos.
Em seguida, a gueixa pintará os olhos com vermelho e preto também. A quantidade de vermelho no olho começa a diminuir conforme uma maiko torna-se uma gueixa. Ou seja, quanto mais experiência for ganhando, menos vermelho terá nos olhos, até que se torne mínimo ou seja excluído da maquiagem.
gueixa-maquiagem
gueixas fotos
Por último, a gueixa pinta os lábios com um pequeno pincel. Tradicionalmente se usa uma tinta extraída a partir de uma flor (benibana, cártamo) misturada com água e coberto com açúcar cristalizado para dar brilho.
Pode não parecer, mas na verdade muitas coisas mudaram na caracterização das gueixas comparando o tempo antigo com os dias atuais. O kimono que elas usavam eram de tons mais sombrios e a maquiagem era mais pesada e carregada.
Hoje em dia, a maquiagem e os trajes das gueixas ganharam um ar mais “cool” e leve. Mas é claro, sem perder suas raízes tradicionais. Afinal ser gueixa é uma arte. Veja abaixo como fazer algumas maquiagens de gueixa 🙂

Passo a passo maquiagem de gueixa


Vídeo em inglês com o passo a passo de maquiagem de gueixa estilo moderno, muito legal para usar em festas a fantasias ou Haloween.

Nesse vídeo abaixo, uma gueixa de verdade que mora em Kyoto, faz sua maquiagem de forma tradicional.


Filme Memórias de Uma Gueixa

O Filme Memoirs of a Geisha (Inglês), com título traduzido para o português como Memórias de Uma Gueixa foi aos cinemas no ano de 2005. Foi dirigido por Rob Marshall e o roteiro foi inspirado no Best Seller “Memoirs of a Geisha” do escritor Arthur Golden, que escreveu o livro baseando-se em fatos reais.

Veja uma breve sinopse do filme

Chiyo (Suzuka Ohgo) foi vendida a uma casa de gueixas quando ainda era menina, em 1929, onde é maltratada pelos donos e por Hatsumomo (Gong Li), uma gueixa que tem inveja de sua beleza. Acolhida por Mameha (Michelle Yeoh), a principal rival de Hatsumomo, Chiyo ao crescer se torna a gueixa Sayuri (Zhang Ziyi).
Reconhecida, ela passa a desfrutar de uma sociedade repleta de riquezas e privilégios até que a 2ª Guerra Mundial modifica radicalmente sua realidade no Japão. O orçamento do filme custou 85 milhões de dólares e ele recebeu 6 indicações ao Óscar, nas categorias de melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor figurino.

Comentários ao filme 

Memórias de uma Gueixa é uma beleza de filme. Cenários de tirar o fôlego, figurinos de altíssimo luxo e uma fotografia estonteante. Não é à toa que ganhou os Óscars justamente de fotografia, direção de arte e figurino (sendo também indicado para os prêmios de melhor trilha sonora, de mixagem e de edição de som).
Mas apesar do elenco escalado ( Zhang Ziyi, Ken Watanabe, Michelle Yeoh) seja de altíssima qualidade, eu acho que poderiam ter sido escalado atores japoneses para fazer o filme. Ao escolher atrizes chinesas para interpretar personagens visceralmente japonesas, e ainda por cima falando inglês, perde-se um aspecto fundamental em um filme de narrativa clássica: a interpretação.
A língua inglesa usada no filme também foi outra coisa que a crítica não perdoou, afinal acaba perdendo um pouco da veracidade da atuação. Tenho impressão que americanos odeiam ler legendas. Mas convenhamos, apesar dessas pequenas grandes falhas é um filme de muita poesia visual e portanto vale à pena assistir.

Assista o filme Memórias de uma Gueixa

gueixa 3

Elenco: Suzuka Ohgo,
Gong Li, Michelle Yeoh,
Zhang Ziyi, Ken Watanabe
Gênero: Drama – Romance
Duração: 145 min
Origem: EUA
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Ron Bass, Akiva Goldsman,
Robin Swicord, Doug Wright
Produção: Douglas Wick, Lucy Fisher

Taikomochi, a versão masculina das gueixas

A Taikomochi (male) Geisha


Taikomochi, versão masculina das gueixas

Taikomochi (太 鼓 持) ou Hokan (幇 间) como também é chamado, nada mais são do que versões masculinas das famosas gueixas. Eles surgiram no Período Edo, por volta do século 13, o que significa que foi bem antes das Onna Geisha (gueixas femininas), que surgiram bem mais tarde, em 1750 (século 18).

Assim como as gueixas, o Taikomochi ou Hokan eram artistas. Eles poderiam ser o que poderíamos chamar de “bobos da corte” e a sua função original era entreter os senhores feudais, assim como os Rakugokas, contadores de histórias.
Houkan era o nome formal e taikomochi era considerado o nome informal, que literalmente significa “Tocador de tambor”. Nem todos tocavam tambor japonês (taiko), mas assim mesmo o nome acabou se popularizando dessa forma.
No início, as apresentações do Taikomochi eram focadas principalmente na dança, mas com o passar do tempo, eles passaram a divertir os senhores feudais através de outras maneiras como participações em cerimônias do chá, como conselheiros ou como contadores de histórias engraçadas para entreter seus senhores.
Taikomochi ou Houkan
Por volta do século 16, os taikomochis passaram a ser conhecidos também como Otogishu ou Hanashishu (narradores de histórias). Nessa época também passaram a atuar como consultores militares, ajudando a elaborar estratégias de guerra e até participando de batalhas, ao lado dos samurais e daimyo.
Ou seja, o Taikomochi tinha mil e uma utilidades. Se o senhor feudal (daimyo) queria se divertir, ele chamava o Taikomochi. Se precisava de alguém para lutar no campo de batalha, ele chamava o Taikomochi. Se precisava de entretenimento, conselhos de amor ou de guerra, ele chamava o Taikomochi.
Taikomochi, a gueixa masculino

O declínio do Taikomochi

A partir do século 17 no entanto, uma era de paz se instalou no Japão e o taikomochi perdeu muitas de suas atribuições. Não eram mais necessários para dar conselhos militares e nem para serem soldados em batalhas. Com isso, tiveram que concentrar suas habilidades somente em uma área: Entretenimento.
Alguns deles tiveram que trabalhar em bordeis como Oiran, um tipo de Yujo (游女), que significa “mulher do prazer” ou “prostituta”, no caso deles, o nome correto seria “garotos de programa”. No entanto, eles se distinguem de Yujo por serem artistas e por entenderem sobre arte e moda eram vistos distintamente.
Eles ofereciam muito mais do que simplesmente sexo para seus clientes. Alguns deles eram inclusive poetas de renome e até mesmo calígrafos. Eles usavam suas habilidades de dança, canto e música para entreter seus clientes, assim como as mulheres cortesãs, fazendo desta uma nova profissão de entretenimento.
Oiran, atrizes e cortesãs japonesas

Origem verdadeira das gueixas

Com o passar do tempo, estes artistas foram apelidados de gueixa (pessoa das artes). Os gueixas masculinos (otokos gueixas) foram provavelmente os responsáveis pela popularização das gueixas femininas (onna geisha). Elas foram cada vez mais ganhando espaço, ao passo de que eles foram perdendo sua popularidade.
Por causa disso, eles foram se tornando cada vez mais raros pois as gueixas do sexo feminino acabaram assumindo o lugar que originalmente era deles em relação às habilidades artísticas, perspectivas contemporâneas e sofisticação. A eles coube apenas se tornar assistentes das aprendizes geiko (“Menina das artes”).

Quantos homens gueixas existiam antigamente?

De acordo com o livro “Gueixa: A Secreta História de um Mundo de Fuga”, de Lesley Downer, em Yoshiwara havia 16 gueixas femininas e 31 gueixas masculino em 1770. Em 1775, havia 33 gueixas femininas e 31 gueixas masculinos. Já no ano de 1800, havia 143 gueixas femininas e apenas 45 gueixas masculinos.
Durante seu auge, por exemplo, haviam 600 taikomochi no Japão. No início do século 20, gueixas de ambos os sexos entraram em declínio, a medida que aumentava a popularidade dos Maid/Butler Cafes e Host Clubs em 1920 e acelerou ainda mais com a Segunda Guerra Mundial, até restarem pouquíssimos deles.
Maid Café e Host Clubs
O nome “gueixa” acabou perdendo status e respeito durante esta época pois as prostitutas passaram a se referir a elas mesmas como “gueixa” para as forças armadas americanas. Em 1944, todas as casas de chá e bares foram obrigados a fechar e todos os funcionários foram trabalhar em fábricas para ajudar na guerra.
Depois de 1 ano, foram autorizados a reabrir, mas poucos homens e mulheres acabaram retornando à antiga profissão. Embora ainda existam pequenas comunidades de gueixas em Kyoto e Tóquio, acredita-se que existam somente 5 houkans tradicionais em todo o Japão: 4 vivem em Tóquio e 1 em Kyoto.
As mulheres de hoje em dia, não tem mais interesse em se tornar gueixas e os rapazes muito menos estão interessados em se tornar taikomochi. Apesar disso, os Maids Cafés e os Hosts Clubes continuam em alta no Japão.

Os Homens gueixa nos tempos atuais

Taikomochi, a gueixa masculino
Em Tóquio vive provavelmente um dos últimos remanescentes de um TaikomochiEitaro, de 26 anos faz apresentações de dança para os clientes em uma festa em um barco de festa flutuante sobre o rio Sumida, em Tóquio e segue os passos de sua mãe, que faleceu há alguns anos, vítima de um câncer.
Ele mora em um “Okiya” (casa de gueixas) no distrito do Porto Omori de Tóquio, onde supervisiona outros seis artistas gueixa, incluindo sua irmã Maika. Sua mãe, sempre se dedicou para reviver a cultura geisha local e Eitaro começou a aprender danças tradicionais femininos quando ele tinha apenas oito anos.
Taikomochi ou Houkan modernos
Aos 10 anos, ele já dançava com sua mãe em apresentações e aos onze anos ele se apresentou pela primeira vez no Teatro Nacional Japonês. O Porto Omori era uma área da cultura geisha florescente no início do século 20.
Mas durante a bolha econômica dos anos 80, muitos “Okiya” (casas tradicionais de gueixas) fecharam e a maioria das propriedades foram entregues aos desenvolvedores de terra. Eitaro está tentando cumprir sua missão, que é tornar a cultura gueixa tradicional cada vez mais conhecida nesses tempos modernos.

Taikomochi Arai, o último Houkan de Kyoto

Taikomochi Arai
Já em Kyoto, o último remanescente é o Taikomochi Arai, que assim como Etaro também tenta manter viva a sua antiga profissão. Ele mantem um site onde compartilha com o mundo todo sobre a sua profissão. Também divulga a a cultura taikomochi através das palestras nos Centros de Cultura Asahi em Osaka e Kobe.
Além disso, ele é colunista em um jornal e tem seu próprio programa de rádio onde fala sobre a cultura de entretenimento tradicional japonesa. Ele publicou um livro chamado “Ma no Gokui” (A Essência do Tempo nas Artes Cênicas) e deu conselhos ao personagem que fazia o papel de um taikomochi no filme Nagasaki Burabura Bushi.

Muitos confundem Houkan com Hostess

Hoje em dia, existe a versão moderna do houkan, encontrados facilmente em boates de Tóquio. Mas na essência, eles são bem diferentes dos tradicionais Hokan. A meu ver, esses rapazes se enquadram mais como Hostess ou Anfitriões. Alguns deles chegam a ganhar de R$ 1.700,00 a R$ 85.000,00 por noite.
Hostess no Japão
São contratados por mulheres bem sucedidas para serem os seus “acessórios”. “Eu dou às mulheres o que os homens geralmente não dão: carinho. Elas nos vêem como um de seus acessórios.”, disse Yunosuke de 24 anos. Hoje em dia, muitas mulheres ganham muito dinheiro e consequentemente se permitem a esses luxos. Pra elas, é quase a mesma coisa que gastar em uma viagem, por exemplo.
Mas sobre isso, nos aprofundaremos mais tarde em outra oportunidade. A intenção deste artigo foi mostrar que as primeiras gueixas foram homens, mesmo sendo chamados por outro nome… Espero que tenham gostado do artigo e se puderem, comentem o que acharam sobre mais esta curiosidade do Japão. 🙂


Fonte:http://www.japaoemfoco.com/a-verdade-sobre-as-gueixas/
Maquiagem gueixa
Mizuage, ritual da maioridade das gueixas

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