sábado, 26 de novembro de 2016

OBSTÁCULOS NO CAMINHO DO EVANGELHO - AS PALAVRAS DE JESUS CRISTO

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Obstáculos no caminho do Evangelho



O homem moderno tem dificuldade para se aproximar do Evangelho de uma forma simples e direta,  aceitá-lo como ele é : sem filosofar, com o coração confiante, como o das crianças e pessoas simples , ou seja, do jeito que  é absolutamente necessário para  ele ser compreendido, conforme indica  nosso Senhor Jesus Cristo : "Se não vos converterdes e tornardes como crianças, vós não entrareis no reino dos céus"(Mateus 18:03).
As palavra de Cristo, claro,  não devem ser tomadas no  sentido de  buscar uma infantilidade traduzida na falta de conhecimento e experiência de vida, mas  sim no sentido de ter um coração aliviado de sua própria individualidade, e de vários preconceitos e paixões, que têm raizes e se desenvolvem dentro de cada homem com a idade, por causa da atitude desatenta para consigo mesmo,  quando  se esquece as palavras de Cristo: Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus(Mateus. 5:8).

Para aceitar o ensinamento do Evangelho, o homem moderno tem que lutar muito,  uma luta com o fim de se tornar humilde,  rejeitar a si mesmo, e só então o elevado conteúdo do Evangelho será revelado a ele com total clareza.

O objetivo das presentes notas é examinar alguns desses obstáculos internos que impedem o homem moderno de se aproximar do Evangelho.


                                                   

1.Primeiro Obstáculo : 

O primeiro obstáculo no caminho para o Evangelho é o  hábito de realizar uma abordagem  puramente mental, teórica, do tema.

O objetivo do Evangelho não é satisfazer as exigências intelectuais de uma pessoa instruída, mas sim  ajudá-la a dar os primeiros passos no caminho de renascimento e  renovação espiritual.

"Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus"(João 3:3 ).
"Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criatura" (2 Coríntios. 5:17).


Como podemos ver a partir do Evangelho de Mateus, o jovem rico se interessava por questões espirituais, ele gostava do ensino de Cristo e foi atraído por eles, mas não na medida em que pudesse sacrificar o seu bem-estar para os acolher.

Essa predileção especial às coisas mundanas não  o deixaram  se tornar um discípulo de Cristo.

Quando Jesus Cristo lhe disse: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu e vem e segue-me... ", ele com tristeza se afastou.


Se olharmos para trás, para a  história da sociedade russa  pré-revolucionária e a vida dos estudantes russos daquela epoca, veremos que eles sempre foram muito interessado nas questões eternas sobre Deus, a verdade, o significado e os objetivos da vida.

Contudo,  esse interesse foi principalmente intelectual, teórico, e não influenciava a vida.

intelligentsia russa foi pouco atraída pelo Evangelho,  que em primeiro lugar é um chamado para a renovação interna. Esta elite estava mais mais interessada em questões abstratas: filosofia, descobertas científicas, os ensinamentos políticos e sociais, mas não com a questão da salvação da própria alma .

Mas o Evangelho prega exatamente contra esse interesse : Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?(Mateus 16:26).


Se compararmos a atitude da intelligentsia russa para com o Evangelho com a atitude dos ascetas cristãos e  pessoas simples , aqueles que creem, então veremos uma diferença essencial.

Para estes últimos, o Evangelho nunca é um objeto de estudo teórico.
No Evangelho, lido como a Palavra de Deus, procura-se encontrar as indicações do caminho da vida . Esta é a única coisa que os que creem procuram nele.

Para eles, se voltar para o Evangelho é estabelecer o começo de uma nova vida, e muitas vezes isso significa  a ruptura definitiva com o passado.

"Eis que nós deixamos tudo e te seguimos", diz o apóstolo Pedro a Jesus Cristo (Lucas 18:28).

O Evangelho absorve completamente as almas dos ascetas cristãos, não deixando nenhum lugar neles para quaisquer outros interesses ou outros objetivos de vida.

Eles não dedicam só um canto de seu coração a Cristo, mas dão todo seu coração,  inteiramente a Ele , com o "pensamento inabalável", como o canto da igreja diz (Tropario, dos Tolos por Cristo).

Vamos nos lembrar de vários exemplos , como o Venerável Teodósio das Grutas de Kiev, quando ainda era um menino pequeno, rejeitava roupas bonitas e preferia usar trapos, querendo imitar "a pobreza de Cristo".

Certa vez ele pediu um ferreiro para algemar seu corpo nu , para  supressão de seus desejos pecaminosos, e o ferreiro assim realizou. Muitas vezes ele fugiu de sua mãe,  para residir na caverna úmida e apertada, habitação do Venerável Antônio.


Outro santo, o  nobre Teodoro Kolychev, um jovem rico e bonito, deixa o palácio de Ivan o Terrível, se veste como um simples camponês,  e vai trabalhar no Mosteiro Solovetsky.

A rica proprietária de terra , Juliania Lasarevskaya,  que doou  o que tinha para os mais pobres durante os tempos de fome.

O venerável Serafim que abandonou sua  casa aos 17 anos em peregrinação, e passa o resto de sua vida em façanhas rigorosos por causa de Cristo. Paísio Velichkovsky, que deixa a Academia Espiritual e sua mãe profundamente amorosa, rejeita uma posição próspera e digna garantida na sociedade, para torna-se um andarilho, de um mosteiro para outro, vivendo na pobreza.


Estes exemplos mostram claramente a diferença entre a  visão da Igreja, uma  atitude ascética para com o Evangelho e aquela atitude secular, típico da intelligentsia.

Esta diferença não está no rigor das façanhas realizadas, mas sim e principalmente, na mudança total da alma para o Evangelho,  é isso que vemos neles.

Nem todo mundo tem que algemar-se em correntes, como o venerável Teodósio, ou passar mil noites rezando em uma pedra, como o venerável Serafim, mas mesmo aquele que dá um copo de água fria a um destes pequeninos, em nome de Cristo,  segue o caminho do Evangelho.


Tudo mencionado acima pode ser expresso de forma sucinta pelas seguintes palavras:

O primeiro obstáculo no caminho para o Evangelho é o cultivar  um interesse teórico e abstrato sobre ele, em vez de um profundo norteamento  para Cristo, com toda a alma, como buscando a fonte da vida e da imortalidade.




2. O segundo obstáculo no caminho para o Evangelho é a preocupação excessiva consigo, com a sua própria pessoa.

Nada é mais mortal  espiritualmente do que  fazer de si mesmo, seja consciente ou inconscientemente, o ponto focal da vida.

Quando o homem torna-se o centro da sua vida,  se torna o seu próprio ídolo,  e deste modo, ele nunca vai alcançar o que ele está procurando, ou seja : a verdadeira felicidade.

Este homem, sempre vai ser devorado pela insatisfação e angústia. Ele pode se banhar com milhões em dinheiro, se dar toda a oportunidade para entretenimento ilimitado e prazeres, fama mundial e glória...Mas  depois de um curto período de prazer , ele vai sentir o vazio e  a solidão.

E ele vai se sentir assim até que ele possa ser capaz de renunciar a si mesmo. Sem isso, não importa que tipo de metas elevadas ele venha a definir para buscar seguir, pois ele será sempre condenado a momentos efêmeros e ilusórios de alegria, que vão ser  invariavelmente substituídos por uma decepção prolongada e tédio.

Para ser verdadeiramente feliz, é preciso considerar um objetivo de vida fora de si mesmo.

O quanto  mais significativo e importante for este  tema, este que  consideramos o objetivo da nossa vida, o quanto mais nos dedicamos a isso, mais nos esqueceremos de nós mesmos, e  nisso o quanto mais alegre e felizes nos tornaremos.

Feliz é o homem, que, desinteressadamente, dedica-se à sua atividade favorita, seja ela física ou intelectual.

A maior felicidade, a plenitude da felicidade, de acordo com a doutrina cristã, é altruísta, ou seja, aquele amor completo ofertado para  Deus e para  os seres humanos, mas nunca para uma abstrata "humanidade" , mas sim para o vizinho, aquele  que está perto de nós, mesmo com todas as suas fraquezas e defeitos.

A vida terrestre de Jesus Cristo e  Seu ensino( em particular Seu Sermão da Montanha e a conversa de despedida com os discípulos), Seus sofrimentos e morte são um exemplo de realização da lei do amor.

E toda a salvação da alma consiste em negar a si mesmo , aceitando a própria cruz, isto é, o peso de sua própria vida, e assim seguir a Cristo. Só então a pedra pesada de insatisfação interna deixa a nossa alma, e ela pode se sentir  confortável.

Uma pessoa amorosa nunca vai se cansar de viver amando. E não importa quanto tempo vai durar o seu amor,  este sempre vai parecer-lhe começando.

Não há para o cristão o perigo de um dia ver seu ideal  plenamente realizados e nisso ficar sem metas, porque o ideal cristão não é alcançar realizações externas, mas sim o desenvolvimento interior,  que não tem fim.

"Homem! Essa palavra soa orgulhosamente!"

Esta  frase de Maxim Gorky  se aplica  para uma pessoa que está distante de Deus e nisso se encontra privada de imortalidade. O orgulho então para este homem soará patético e sem sentido, pois todos sabem  a insignificância e impotência do homem, que existindo hoje, amanhã é soprado da face da terra, como um  miserol grão de areia, como uma bolha de sabão.

O poder e a glória do homem são apenas conquistados com a união com Deus, da qual advem a sua imortalidade.

É por isso que tudo o que foi dito neste segundo item, pode ser resumido assim:

A abordagem  correta do Evangelho, deve levar a pessoa a se libertar do hábito de considerar-se a como ponto focal  da vida, mas ao contrário, a pessoa tem de se humilhar e curvars-se  diante de Deus, pois tal é o cerne, o objetivo da vida. 




3.O terceiro obstáculo no caminho para o Evangelho deve ser reconhecido como a escravização do homem moderno a compreensão materialista, mecânica do mundo, a sua falta de consciência do fato de que o mundo é governado e administrado por uma direção espiritual .

Muitas  pessoas não entendem que o mundo é um grande mistério divino, a profundidade do que não pode ser explorado e compreendido.

Com o nosso conhecimento parcial e superficial,  erroneamente buscamos dissecar seus mistérios.

As realizações científicas nos levam à convicção de que a criação do mundo é mecânica, à suposição de que o último segredo da natureza está prestes a ser revelado, e então "tudo se tornará claro".

Na realidade, nossa  compreensão do universo é  míope e pálida, não tendo em conta a majestade e sabedoria do Uno, que criou tudo isso, sem tentar nos submeter à Sua lei e vontade.

No entanto, as mais modernas descobertas científicas, cada vez mais, refutam o entendimento materialista bruto do mundo,  este que estava sendo impingido ao mundo pelo ateísmo militante.

Primeiro de tudo, torna-se cada vez mais evidente que tudo o que vemos, ouvimos ou percebemos é, em maior medida, o produto da atividade do nosso espírito cogniscente, do que as qualidades objetivas das coisas que nos cercam.

Cor, odor, sabor,  som - tudo que  da forma a imagem exterior, a beleza e atração dos objetos que nos rodeiam e os fenômenos do mundo visível: a cor azul do céu, o brilho das estrelas, o verde dos campos e as florestas, os sons da voz humana, etc, todas essas coisas são  derivados do nosso espírito, o resultado da reflexão do mundo que nos rodeia em nossa psique.

É verdade, as coisas que nos cercam não existem por conta própria, mas a nossa percepção delas é criada pelo trabalho do nosso espírito, que deixa sua marca neles.

Nosso espírito é, em certa medida, o criador do mundo circundante.

O nosso próprio conceito de matéria e suas propriedades é o resultado da atividade de nosso espírito. Nossa compreensão do assunto muda quando nosso espírito se enriquece com novos conhecimentos e novas observações.

Mesmo nos tempos antigos, a mente humana chegou à conclusão de que o mundo que nos rodeia representa o movimento constante de micro-partículas, átomos, que não são acessíveis à nossa percepção imediata.

O que é um átomo? Qual é a sua natureza e estrutura? É esta a partícula mínima de matéria inerte, que é divisível e indivisível, ao mesmo tempo, ou é algo ativo, vivo?

A mais recente pesquisa científica afirma que este elemento básico da matéria parece ter uma natureza absolutamente imaterial, ou seja, não possui nem medida, nem inércia e é o centro de uma energia de vida em movimento.

De acordo com esta teoria, a matéria, como uma substância morta e inerte, deixa de existir e se transforma em algo imaterial, em algum tipo de energia.

Assim, um novo conceito de mundo aparece. Substância inerte dá lugar a energia viva, e isso já é uma espécie de transição para um começo espiritual.

O espírito está triunfando sobre a matéria na própria estrutura do mundo.

Vamos olhar para as relações entre a matéria e o espírito de um outro ângulo: o pessoal.

O que nós consideramos ser o mais essencial e valioso dentro de nós mesmos?

Se o espírito é um simples apêndice da matéria e não existe por si mesmo, então, é claro, devemos considerar nosso corpo como a coisa  real e mais valiosa.

Nisso, vamos  dedicar toda a nossa atenção e cuidado para ele.

Mas mesmo o materialista mais consistente e firme não vai declarar que o objetivo real e principal interesse de sua vida consiste no funcionamento do seu estômago ou a saúde do seu organismo, mas ao contrário, vai indicar a importancia dos sentimentos que experimenta: os sentimentos de alegria e tristeza, amizade e inimizade, amor e ódio, e etc...

O amor ao belo, o interesse no conhecimento, prazer em obras de arte, sede de perfeição e desenvolvimento espiritual, experiências emocionais morais e religiosas, a comunicação espiritual com outras pessoas, atividade social, este é a verdadeiro círculo dos interesses maiores e mais queridos da humanidade.

Logo, se tudo o que é espiritual é jogado para fora da vida humana, em seguida, o que restará? O vazio!

O que sempre inspirou e atraiu pessoas para explorar e abnegação? Somente os ideais do espírito. Nossos corpos morrem e entram em colapso, a substância de que são feitos é arrastado para o ciclo da matéria, mas os ideais do espírito imperecível permanecem e continuam a inspirar e unir a humanidade.

É precisamente aqui, no mundo dos valores espirituais - que o interesse mais elevado e verdadeira vida da humanidade estão concentrados ... O espírito é o verdadeiro e real movimento de força da vida ... O poder triunfante do espírito revela-se com particular clareza, em movimentos religiosos e, sobretudo, na história do cristianismo.

Quando o Evangelho apareceu, balançou e virou de cabeça para baixo os conceitos e as relações entre os povos antigos, introduziu novos pensamentos, novas tarefas para as mentes das pessoas,  na vida real, e em seguida, para a consciência e o ideal de toda a humanidade inspirado por eles.Um conceito elevados sobre Deus e Sua relação para com as pessoas apareceram.
As necessidades do espírito foram elevadas com particular vigor. O aumento enorme dos poderes espirituais e habilidades ocorreram no homem, inspiradas no mandamento de Cristo: "Sede vós pois perfeitos, como vosso Pai que está no céu é perfeito" (Mt 5:48).
À criatividade humana foi dado um novo conteúdo, infinito, nas esferas do pensamento, pintura, arquitetura, música, poesia.

No cristianismo, vemos um fenômeno marcante, quando a vitória na luta da vida deixa de ser travada pela  força física , apesar da nossa habitual auto confiança, nem mais pelo ódio, pela maldade e crueldade implacável, mas sim pela escolha da  mansidão,  do buscar estar armado apenas com a fé, a oração e o amor ardente.

Com apenas o poder da inspiração, fé  e ardente amor pelo Senhor e Salvador e a inspiração abençoada do Espírito Santo, os cristãos suportaram  persistentes e implacáveis ​​perseguições por três séculos das poderosas  autoridades romanas, que se esforçaram para erradicar e exterminar o desprezados (por eles) novos ensinamentos sobre o amor e a fraternidade, humildade e resignação.

Os inimigos do Evangelho, armados com toda a iluminação de sua época, acrescentaram torturas físicas a zombaria grosseira a fé cristã, retratando a doutrina cristã de uma maneira caricata tanto no palco como na literatura.

Mas nada poderia abalar ou enfraquecer o poder triunfante do Cristianismo. Existia alguns casos, quando os atores, que sai para o palco para zombar do Evangelho, de repente começavam a professar sua fé no Crucificado e se tornavam mártires.

Com rostos alegres e orações para seus executores, os cristãos foram submetidos às torturas mais terríveis, e corajosamente enfrentaram a morte, pela qual viam uma porta para uma vida nova, eterna, alegre, com Cristo.

A partir do acima mencionado, é claro, que o cristianismo é uma poderosa expressão do espírito, o triunfo do espírito sobre a matéria, a liberdade sobre a necessidade, a vida sobre a morte.

É tempo de rejeitar a abordagem puramente materialista e mecânica para o mundo. Tanto a matéria e a mecânica têm o seu lugar no mundo, mas o real estado supremo, dominante pertence ao Espírito, que é o real, concreto, vivo, livre e vigoroso, independente, substancial, mais real e mais compreensível para nós do que a assim chamada matéria.

O apóstolo Paulo diz: Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade (2Co 3:17). A liberdade é uma característica básica, essencial, inseparável do espírito.

Mas o que é a liberdade?

Normalmente consideramos liberdade o ter independência de qualquer tipo de limitações, sejam elas internas ou externas.

Tal entendimento da liberdade, antes de tudo, apenas um caráter negativo.  Logo, as limitações, internas ou externas, são uma condição necessária para o desenvolvimento da verdadeira liberdade.

O Evangelho ensina que aquele que ainda não triunfou sobre o pecado dentro de si mesmo, é escravo do pecado e não tem a verdadeira liberdade.

Em essência, a liberdade no seu sentido positivo é a capacidade de criar. A matéria é inerte, estagnada, ela é colocada em movimento não por conta própria, mas apenas devido à influência externa, e quando este movimento se trata de um obstáculo, mais uma vez advem fora.

Somente o espírito tem a capacidade de começar a agir de forma criativa, e assim não está submetido a aquilo que é criado.

E disse Deus: Haja luz: e houve luz (Gn 1:3).
Aqui temos  a manifestação mais pura e mais poderosa da liberdade criativa do Espírito!

Milagres são explicados por esta característica do Espírito. Um milagre não é uma violação das leis da natureza, como é comumente afirmado, especialmente quando  se leva em conta que as chamadas "leis da natureza" são geralmente nada mais do que uma seqüência de eventos para nós, a conexão interna necessária de tudo aquilo que  não é totalmente compreendido por nós.

Um milagre não é nada mais do que o triunfo do poder criativo do espírito sobre a inércia da matéria.
A energia livre do espírito humano constantemente realiza milagres sobre a inércia da matéria que nos rodeia. A suprema liberdade do Espírito Divino, que deu a vida ao mundo, pode fazer milagres que estão além dos poderes humanos e que são extraordinários para as pessoas, mas que ainda assim, correspondem inteiramente à natureza do Espírito Divino.

Se a vida é realmente um grande mistério, dos quais apenas um  insignificante fragmento é revelado para as pessoas, então, sem dúvida, as pessoas não possuem qualquer fundamento lógico para duvidar não só a possibilidade de milagres, mas também daquilo que é real, a existência concreta de anjos e demônios, da felicidade além-túmulo para os justos e sofrimentos para os pecadores, das quais fala o Evangelho de forma inequívoca.

Para resumir tudo o que foi colocado  acima, podemos afirmar que para se ter uma  abordagem correta ao Evangelho, é necessário libertar-se do preconceito de uma compreensão mecânica do mundo e ver o poder dominante do Espírito livre no mundo .
É preciso lembrar, que a vida é um grande mistério, e que tal mistério é apenas parcialmente revelado a nós.




4.Para alem dos três obstáculos anteriores, um quarto obice  importante para se aceitar o Evangelho é a confusão e ambigüidade de nossos conceitos sobre fé e conhecimento, e, em relação a este, a inclinação para atribuir superioridade ao conhecimento, em vez de fé.


Nós tratamos o conhecimento como algo inquestionável, firmemente fundamentado, completamente objetivo, logicamente irrefutável e obrigatório para todos, ao mesmo tempo, consideramos a fé como algo arbitrária, subjetiva e sem provas.

No entanto, essa comparação do conhecimento e da fé na realidade acaba por ser errônea.

Primeiro de tudo, a própria definição de conhecimento, como algo indiscutível e bem fundamentado, não correspondem ao estado real das coisas.

Este é, possivelmente, o ideal de conhecimento, mas não é seu estado atual.

Basta comparar, por exemplo, o antigo ensinamento sobre os quatro elementos e elétrons, ou as antigas teorias astronômicas sobre a estrutura do universo com descobertas astronômicas modernas, ou as idéias médicas de Hipócrates e Galeno, com o conhecimento de anatomistas contemporâneos e fisiologistas, e assim por diante, para ver como  são instáveis, mutáveis e mesmo contraditórias são as chamadas "verdades científicas".

Logo, o  que foi proclamado por algumas gerações como "verdade científica indiscutível", como a "maior conquista da razão humana", foi considerado pelas 

 gerações seguintes como  um erro infantil, ingênuo.

Assim, o conhecimento não é algo definitivamente e finalmente substanciado, ao contrário, ele muda constantemente e cresce, dependendo do desenvolvimento da experiência humana, sobre o aumento de observações, a melhoria das ferramentas de cognição.

Portanto, tais expressões como "a ciência admite", "ciência nega", etc, devem ser usadas ​​com reservas e destituido de autoconfiança. Este "conhecimento"  não é nada para alem do resultado da experiência dos nossos cinco sentidos, daquilo que é verificado pela nossa mente. Esta experiência pode cresces e se torna mais concreta, mas nunca vai além de seus limites, que são determinados pelos cinco sentidos e pela razão, e, portanto, nos dá apenas uma visão superficial do mundo.

                                                               

O que é fé ?

Várias noções são amarradas para a palavra "fé". Primeiro de tudo, a fé é o sentimento de certeza em alguma verdade.

Nesse sentido, a fé pode ser inerente a pessoas que pertencem não só à esfera da religião, mas à esfera de conhecimento também.

Sócrates, Galileu, Columbo, podem ser exemplos desse tipo de fé.

Essa fé pode ser o resultado de observações pessoais e análise ponderada, e a conseqüência de acreditar nas palavras de pessoas cuja veracidade é incontestável e que são autoridade para nós.

Assim, uma criança nunca duvida da veracidade das histórias da babá sobre duendes e sereias. Ele acredita plenamente ,  com  fé cega.  Esta fé é construída sobre a confiança, mas não sobre a experiência consciente.

Essa fé cega é geralmente contrastada com o conhecimento, que é ofertado como algo  superior , pois é construída na experiência e análise consciente.

Em segundo lugar, a fé pode significar um tipo especial de conhecimento, diferente do conhecimento científico aceito.

A fé é o conhecimento que pode ser justamente chamado insight,  que alcança uma penetração mais profunda ,  interior,  que é chamado pelo apóstolo Paulo de " a prova das coisas que se não vêem " (Hebr. 11:1).

Tal conhecimento penetrante não é igualmente acessível a todos.

Assim, do mesmo  modo que  uma pessoa não vê nada, outra  vê a verdade mais profunda e faz uma grande descoberta.

Milhares de pessoas viram e veem como uma maçã cai da árvore, mas esse evento levou apenas Newton  fazer a grande descoberta da lei da gravidade.

Milhares de pessoas viram e veem a água fervente em um bule de chá, mas só James Watt teve disso brilhante  idéia sobre a construção de uma máquina a vapor.

Mas voltemos ao Evangelho e nele encontrar um exemplo de fé ardente.

Jesus Cristo curou o cego de nascença, e este homem imediatamente reconheceu nEle um grande homem, um  justo e um profeta, que tinha vindo de Deus.

Sua atitude para com Cristo Salvador se apresenta ainda mais especial quando comparada com a atitude dos outros.

O conhecimento dos sábios e dos fariseus, que viram o homem curado com seus próprios olhos e que  os conduziu a necessidade de uma  investigação  rigorosa sobre este assunto com  interrogatórios impostos aos vizinhos e aos pais do homem  curado, não os fez reconhecer Jesus Cristo como um homem justo e um profeta de Deus . O conhecimento desses eruditos os fez declarar  :
" Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado "(João 9:16).

Entretando veio a palavra do simples homem que foi curado por Jesus :

"Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer."
  (João 9:30-33).

O episódio sobre a cura de um cego de nascença revela muitas coisas surpreendentes:

Em um único e mesmo fato, pessoas diferentes,  descreveram ver,  sobre eventos precisamente determinados e indiscutíveis,  significados diferentes: o curado, evidentemente, viu o poder de Deus, já os fariseus se viram diante do fato como cegos , vagando sem rumo, sem nada a dizer. Como isso pode ser explicado?

Devemos dizer que, neste caso,  um cego de nascença revelou  uma fé cega, confiança ingênua, e os escribas  um rigor e imparcialidade do pensamento científico?
Dificilmente se poderia dizer isso! Pelo contrário, a razão e profundidade da percepção está aqui do  lado do homem curado .

Ele viu a verdade que os outros se recusaram a ver.

Isto foi mencionado por Jesus Cristo em suas palavras conclusivas: "Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos"(João 9:39).

A mesma perspicácia foi ofertada pela mulher pecadora, que banhava os pés de Jesus Cristo com suas lágrimas, e este fato é mencionado nos canticos da Igreja, que diz:
"A mulher que caiu em muitos pecados, ó Senhor, tendo percebido Tua Divindade..."(Stichera da Grande e Santa Quarta-feira).

Ninguém na casa de Simão, o fariseu, incluindo o próprio Simão, percebeu a Divindade de Jesus Cristo, com a mesma clareza, a mesma força e o mesmo carinho .

Vamos também lembrar a Santa Grande mártir Bárbara. Isolada do mundo por seu pai, vivendo em isolamento total, ela, com grande atenção a natureza circundante, podia ver nas suas maravilhosas belezas, o Artista e Criador, que nem seu pai, nem ninguém, entre aqueles que a rodeavam podiam ver.

A partir do mencionado acima, fica claro, que a questão da cognição não é tão simples como pode parecer. Não é o suficiente  ter cinco sentidos que trabalham corretamente e seguir lógicas normais para se deduzir alguma coisa, mas sim é necessário  também possuir algum tipo de sensibilidade espiritual , a capacidade de perspicácia intuitiva. 


Esta capacidade de perspicácia intuitiva é expressa tanto na esfera do raciocínio científico (Newton, Einstein), como no campo da cognição religiosa.

Com esta capacidade em mente, VS Soloviev escreveu que é muito mais difícil  acreditar em Deus, do que não acreditar. Pois para se ter fé, deve haver elevação espiritual , agudeza de visão espiritual, a sensibilidade espiritual, enquanto o ateísmo não exige nada disso.

O ateísmo não precisa de elevação espiritual: ele está satisfeito com a apatia e indiferença  com as questões mais importantes da vida, que ele conclui a luz e exclusivamente à parte, com suas construções lógicas.

A fim de penetrar intuitivamente as profundezas da vida, é preciso ter uma alma artística, que para além do que lhe  foi ensinado por exame espiritual, realiza uma  rigorosa busca em  si mesmo.

Assim, é possível compreender  a diferença entre os dois tipos de conhecimento: o conhecimento racional, o  conhecimento exterior, que nos ajuda a perceber as relações exteriores entre os objetos, e, aquele  conhecimento interior, contemplativo, que nos ajuda a ver a profunda essência das coisas.

Por exemplo, a beleza pode ser percebida de forma intuitiva, com a ajuda de sentimentos internos. Da mesma forma, a fé em Deus é um conhecimento intuitivo, que surge em uma  alma sensível e é acompanhada por profundas emoções religiosas.

O fato de que a crença em Deus pode ser chamado de "conhecimento" é claramente confirmada pelas palavras do Senhor: " E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."(Jo 17 : 3.)

Um pensamento semelhante pode ser encontrado no profeta Isaías: "O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende."(Is 1:3).

Enquanto a cognição científica positiva requer apenas preparação razoável de uma certa quantidade de desenvolvimento formal, a cognição intuitiva-espiritual está intimamente ligada com o estado moral da pessoa: ela exige pureza de coração e de vida  .

Se ela é inatingível para muitas pessoas, isso se da por causa de sua pecaminosidade.

Logo, quando dizem e pensam, que é impossível para o homem conhecer Deus,  isso acontece por três razões:

Por causa de nossa falta de observação e atenção;
Por causa do nosso hábito, incutida em nós pela cultura ocidental contemporânea, de não a contemplar um objeto, mas sim  tentar torná-lo apto para alguma categoria compreensível para nós;
E porque a nossa alma está sobrecarregada, cheio de um grande número de constantes mudanças de  impressões e sentimentos, que nos impedem de observar cuidadosamente vida.

O filósofo Anaxágoras, que estabeleceu "a contemplação das estrelas" como a meta principal de sua vida, poderia, sem dúvida, perceber melhor  Deus, devido às próprias condições de vida, do que qualquer operário moderno, ensurdecido pelo ruído de máquinas, ou de qualquer  "homem esportivo" com sua  camera fotografia, automóveis e todos os  demais tipos possíveis de entretenimentos.

Ensurdecido pelo ruído e barulho do nosso ambiente, não conseguimos notar , em nós mesmos, nem no mundo, o movimento tranquilo da verdadeira vida.

Devemos parar e ouvir esta vida interna do mundo, e olha atentamente para o que está acontecendo dentro de nós e ao nosso redor.

Assim,  nós podemos aprender a ver Deus, que, de acordo com as palavras do Apóstolo Paulo : Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.(Atos 17:27-28).

Tente olhar sobre sua vida com atenção e nela você vai ver muitas circunstâncias, eventos e  discussões, que geralmente são percebidos por nós como acidentais ou sem importância, mas sob uma análise mais profunda revelam que uma mão invisível, mas zelosa, sem forçar-nos, constantemente aponta a nossa vida em direção ao caminho do bem,  nos ajuda.

Tente se lembrar de todos estes acontecimentos, anotá-los, desenvolver a sua capacidade de observá-los, e você vai ter  um ótimo material factual, o que lhe dará a capacidade de ser convencido, tanto da existência de Deus quanto de Sua Providência, pela experiência.

Esta forma experimental é o melhor e talvez o único meio de conhecer a Deus, como São Basílio, o Grande, disse,  que, quando vemos a influência da Divina Providência na nossa vida e na vida dos outros, então nós começamos a conhecer a Deus e a amá-Lo.

Não devemos estar convencidos da existência de Deus através de conclusões lógicas. O conhecimento de Deus é obtido apenas através da experiência religiosa pessoal.

A existência divina não pode ser provada, deve ser apenas interiormente sentida. Se isso não acontecer, então existe algum obstáculo que nos impede de sentir a existência divina.

A pessoa cega não vê as estrelas, não porque elas não existem, mas porque seus olhos estão danificados.

Assim, tudo o que foi posto acima pode ser resumido assim:

Não se pode comparar o conhecimento e a fé, como algo objetivamente confiável com  algo subjetivamente arbitrário e não confiável.

A fé, como um sentimento de confiança, é o elemento necessário de qualquer conhecimento.

No entanto, deve-se diferenciar entre o conhecimento científico-positivo, materialista, racional, daquele  conhecimento  espiritual-intuitivo, contemplativo, penetrando na profundidade da vida, o conhecimento do que é constituido a fé.

Este ultimo  é o mais alto nível de conhecimento, que se origina da sensibilidade espiritual e que é inseparável da busca por  atingir a perfeição moral.

É a fé, por si só, que com a ajuda divina, nos leva mais perto de Deus, e nos permite então, compreender o Evangelho.

Este é o artigo final da pequena série "Obstáculos no caminho do Evangelho", de autoria do
Rev.Arcipreste ( posteriormente Hiero-shemamonge) Sérgio Chetverikov, um discípulos dos últimos Santos Anciãos de Optina. 


Fonte:http://cetroreal.blogspot.com.br/search?q=Obst%C3%A1culos+no+caminho+do+Evangelho

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