sexta-feira, 18 de novembro de 2016

ESTUDO REVELA IMPACTO AMBIENTAL DE CULTURAS GENETICAMENTE MODIFICADAS

Campo de milho

O economista Federico Ciliberto da Universidade de Virginia estudou o impacto ambiental das culturas geneticamente modificadas.


De acordo com um novo estudo do economista Federico Ciliberto da Universidade de Virginia, a adoção generalizada de culturas geneticamente modificadas causou uma redução do uso de inseticidas, mas um aumento do uso de herbicidas, à medida que as ervas daninhas se tornaram mais resistentes.

O trabalho de investigação – que utilizou dados de mais de 5000 agricultores de soja e de 5000 agricultores de milho, nos Estados Unidos, de 1998 a 2011 – é considerado o maior estudo sobre culturas geneticamente modificadas e uso de pesticidas até à data, destacando-se de anteriores trabalhos, limitados a dados de apenas um ou dois anos.
“O facto de que dispomos de 14 anos de dados (…) de agricultores espalhados pelos EUA torna este estudo muito especial”, declarou o economista. “Temos observações sucessivas dos mesmos agricultores e podemos ver quando eles adotaram sementes geneticamente modificadas e como isso modificou o seu uso de químicos.”

Juntamento com os seus colegas, o investigador mediu o impacto ambiental das mudanças no emprego de substâncias químicas, resultantes da introdução de culturas de OGM, usando uma medida denominada “quociente do impacto ambiental”.

Os investigadores concluíram que o uso de culturas de soja geneticamente modificada se correlacionou com um impacto negativo no ambiente, uma vez que o aumento da utilização de herbicidas também aumentou a contaminação dos ecossistemas locais.
Federico Ciliberto declarou-se surpreendido com a dimensão do aumento do uso destes químicos e mostrou-se preocupado com as implicações que este fator poderá ter para o ambiente. “Não estava à espera de ver um padrão tão acentuado”, afirmou.


Desde 2008, mais de 80% das culturas de milho e de soja do país são transgénicas. As sementes de milho são modificadas com dois genes – um mata os insetos que comem a semente e um outro permite à semente tolerar o glifosato, um herbicida frequentemente usado em produtos como o Roundup – e a soja é modificada com um gene resistente ao glifosato.
Durante o período de 13 anos estudado, os agricultores de milho transgénico utilizaram menos inseticidas e herbicidas (menos 11,2% e 1,3% , respectivamente) do que os agricultores de plantações de milho convencional. As culturas de soja transgénica, por outro lado, viram um aumento significativo do uso de herbicidas – 28%. “No princípio verificou-se uma redução na utilização de herbicidas, mas, com o passar do tempo, o uso de químicos aumentou porque os agricultores tiveram de adicionar novos químicos, à medida que as ervas daninhas foram desenvolvendo resistência ao glifosato, explica Federico Ciliberto, acrescentado que os agricultores de milho ainda não tiveram de lidar com o mesmo nível de resistência, em parte por não terem adotado os organismos geneticamente modificados tão rapidamente como os agricultores de soja.

O estudo, que foi públicado no jornal científico Science Advances, encontrou, contudo, provas de que tanto os agricultores de milho como os de soja utilizaram uma quantidade maior de herbicidas durante os últimos cinco anos estudados, o que indica que a resistência desenvolvida pelas plantas é um problema crescente para ambos os grupos. De 2006 a 2011, a percentagem de hectares pulverizados unicamente com glifosato caiu de mais de 70% para 41%, no caso do cultivo de soja, e de mais de 40% para 19%, no caso do de milho. “As evidências sugerem que as ervas se estão a tornar mais resistentese que os agricultores se estão a ver forçados a utilizar químicos adicionais, e um maior número destes”, declarou o investigador.

Os insetos não parecem ter desenvolvido uma resistência semelhante, o que se deve, em parte, aos regulamentos federais que requerem que os agricultores criem um “refúgio seguro” livre de OGM, nos seus campos. Nestes “refúgios”, os insetos não têm necessidade de desenvolver resistências e, ao interagirem e se reproduzirem com insetos de outras partes do campo, evitam o desenvolvimento de genes resistentes.
Apesar da diminuição do uso de inseticidas, o contínuo aumento do emprego de herbicidas apresenta riscos substanciais para o ambiente, dado que grandes quantidades destes químicos podem prejudicar a biodiversidade e aumentar a poluição da água e do ar

1ª foto: Universidade de Virgínia


Fonte:http://www.theuniplanet.com/2016/10/estudo-revela-impacto-ambiental-de.html