sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O CULTO À MADONA NEGRA E SEU SIGNIFICADO

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O CULTO À MADONA NEGRA E SEU SIGNIFICADO
Nunca poderemos definir ou concluir o que é realmente o culto à Madonna Negra. Só sabemos que ela é a força do mistério, é a própria Mãe Terra, possuindo a qualidade dos mistérios profundos. É o solo que pisamos, que nos acolhe, é o ar que respiramos. A compreensão humana só consegue perceber uma parte desse conhecimento metafísico, sutil e imenso, ao mesmo tempo, que representa o ventre da terra.
A Madona negra, de onde todas as outras deusas que representam o sagrado feminino foram retiradas ou derivadas, mostra-nos que ela é a mãe, a nutridora, a protetora, a transformadora. Mostra-nos, sempre, a devoção maternal, possuindo em si mesma a harmonia dos opostos.
Os antigos egípcios cultuavam Ísis no seu aspecto divino e criador, vida e morte. A deusa representava a maternidade e seus atributos de mãe, guiando o filho amado Hórus através dos perigos, e também a esposa fiel e carinhosa, recusando-se a repousar enquanto não encontrasse todas as partes do corpo do amado Osíris. Os orientais a Kwan Yin, deusa da compaixão. Na suméria a Grande Deusa é Innana, deusa das batalhas durante o dia e a noite deusa da fertilidade. Na babilônia era Ishtar e Astarte para os Hebreus. Para os gregos era Rea, Gea ou Demeter. E para os celtas é Annis ou Anu e seu culto espalhou-se por toda a Europa. E Sara, associada à figura de Kali, deus anegra da mitologia Hindu, reverenciada com a dança e a música, simbolizando o processo de purificação e renovação da natureza, o eterno retorno dos tempos.
As palavras-Chave dessas deusas são: nutrição, proteção, geração e perdão incondicional.
A reverência a todas estas formas de energia reuniu-se no culto à Virgem Maria, como Grande Mãe, doce, digna, terna, e ao mesmo tempo sofredora e incorporada ao Cristianismo. As deusas pagãs passaram a ser reverenciadas numa única deusa.
A Virgem Maria assumiu por meio das suas várias representações e incorporou a forma primitiva da Madona Negra, geradora primordial de tudo o que existe.
No decorrer dos tempos, os templários fortaleceram a presença das madonas negras trazendo de suas viagens para casa as imagens dessas antigas virgens negras agora vestidas geralmente com um manto azul. O objetivo maior dos templários era a busca do Santo Graal, nutridor e fertilizador, assim como os poderes ilimitados da grande mãe terra e da madona negra, mãe primordial.
As fogueiras da inquisição proibiram o florescer do feminino difamando os templários e queimando as bruxas nas fogueiras para eliminar a liberdade, o amor, a fertilidade que estava centrada na Grande Mãe. Porém, as madonas negras sobreviveram, pois representam o lado feminino de Deus.

Esse feminino que retorna com as aparições da Virgem em Lourdes e Fátima, trazendo mensagens próprias do cuidado materno. E exatamente neste momento da história o papel da mulher novamente desabrocha. A grande mãe que reaparece revoga a forma do sagrado feminino, por meio da justiça, misericórdia, consolo dos aflitos e amparo ao povo sofrido.







SARA COMO MADONA NEGRA

Sara, a escreva, de pele trigueira, egípcia ou indiana, Kali, o nome dado a ela se refere à antiga cidade indiana, onde se cultuava a deusa Kali. Sara de Kali, Sara da deusa Kali. Devota da deusa, personificação da deusa energizadora, devota de Kali antes de conhecer o cristianismo. Acredita-se que Santa Sara tinha 17 anos quando conheceu as Santas Marias e outros seguidores de Jesus. A religião era matriarcal. Na era pré-cristã era conhecida uma deusa que premiava ou punia as ações dos humanos quando contrariavam a natureza.
Havia deusas criadora, energizadoras, mediadoras, protetoras. Kali era criadora e protetora. Sua grande força era transformar situações perigosas para o ecossistema neutralizando a força do agressor. Sara devota de Kali, indiana, conhecia a relação que as culturas mais antigas faziam entre a figura da mãe e da terra e sabia que Kali, negra senhora do universo, era ao mesmo tempo o aspecto criador e destrutivo. Kali é a deusa mais difundida e querida no culto indiano, reunindo o doce e o sanguinário, simbolizando a totalidade que cria e destrói o universo.
Com as invasões na idade antiga as crenças impostas eram totalmente masculinas e a grande mãe tornou-se antiquada, pois era dotada de um poder inabalável que não interessava aos conquistadores. O culto matriarcal se manteve oculto dos locais onde se estabeleciam, camuflando sai fé original.
As imagens da Virgem Negra, negras como a terra, com seu filho ao colo, aparecem de forma intensa nos séculos XII e XIII. A igreja adotou esse simbolismo intencionalmente. A cor negra da terra mostra que os seres humanos possuem a mesma composição, no seu corpo, da mãe terra. A imagem negra representa a própria mãe terra.
Santa Sara Kali está ligada a uma antiga tradição católica da Idade Média. Muitas dessas virgens negras são veneradas até hoje. A intenção da igreja é representar as virgens negras em substituição às divindades femininas ligadas aos cultos pagãos das religiões pré-cristãs. Essas imagens eram comuns e fáceis de compreensão para os ciganos, que veneravam divindades femininas telúricas representada por imagens negras. Portanto, é facilmente compreensível relacionar Santa Sara a esses mitos ciganos.
Sara, de origem tão misteriosa quanto os ciganos, atende aos requisitos das tribos espalhadas pelo mundo. É negra, ou de pele escura. Kali, em sânscrito antigo, significa negro, de onde vem a língua romanê falada pelos ciganos, deduzindo daí que Sara era indiana e não egípcia.

Com o passar dos anos algumas palavras da língua regional do povo cigano passaram por alterações. Devido a essas alterações, houve algumas modificações idiomáticas no significado das palavras. Entre elas, podemos citar a palavra Kalin, que em calon representava a palavra “cigana”. Já para os ciganos que ainda preservam a língua regional, Kali significa negra. Há algum tempo, existe esta confusão idiomática, envolvendo a cor da pele da santa. Para os calons, seria Santa SaraKkalin, a cigana, e não santa Sara, a negra. Em paralelo, a história de santa Sara chegou a Índia, onde os ciganos associaram à deusa Kali, negra, poderosa e transformadora.



MADONAS NEGRAS CONHECIDAS E REVERENCIADAS NA HISTÓRIA

Nossa Senhora da Floresta Negra surgiu no século XI, hoje Abadia Einsiedeln. Na mesma época, em Chartres, surge Nossa Senhora Subterrânea, num local sagrado dos druidas. Madona Negra de Montserrat, em Barcelona; Madona Negra de Prates, dos Pirineus, descoberta em uma árvore (semelhança com a deusa Artemis). Nossa Senhora de Guadalupe, no México. A Virgem de Copacabana, patrona da Bolívia, encontrada por pescadores no lago Titicaca. E no Brasil, aparece em 1717, encontrada por um pescador no rio Paraíba, a Madona Negra Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil, venerada em todo o mundo e comemorada em 12 de outubro, coincidentemente uma das datas, além de maio, quando Santa Sara também é cultuada e reverenciada.





MAIS SOBRE AS IMAGENS DAS VIRGEM NEGRAS

Segundo a pesquisadora metafísica Elsie Dubugras, no artigo para a revista Planeta de janeiro de 1987, “o mistério das virgens negras”, a igreja católica se manifesta a respeito do assunto da seguinte forma: “as imagens eram claras, mas com o passar do tempo escureceram, em virtude de fumaça das velas dos seus devotos, por causa da poluição e até pelo fato de que muitas estiveram expostas às intempéries, mergulhadas na água ou enterradas”. Explicação que não retrata toda a verdade, porque hoje se sabe que as imagens espalhadas pelo mundo sempre foram negras, e as encontradas na África seriam naturalmente escuras.
No artigo da autora encontramos várias referências ao culto e ao poder dessas imagens negras. Uma delas diz respeito aos santos católicos, São Luiz e São Bernardo de Clairvux, que veneravam a Virgem Negra. O mesmo São Bernardo pregou na catedral Metz, na França, local onde outrora existia um centro druida e até o século 16 havia uma estátua da deusa Ísis, deusa negra egípcia. Outra informação nos diz que o povo tinha uma devoção incomum a essas imagens escuras, pois, segundo as lendas, elas curavam e praticavam milagres prodigiosos. Um desses milagres é o poder que as imagens têm de ficar excessivamente pesadas quando não querem sair do lugar onde foram descobertas ou se encontra, no momento, defendendo o lugar de sua predileção, de todas as perturbações. Muitas informações de milagres aparecem ao longo da história relacionada às virgens negras, que além de piedosas podiam ser também vingativas.
Os antropólogos afirmam que essas virgens negras estão diretamente ligadas às antigas deusas pagãs, e muitas tinham um culto todo especial (como a virgem negra de Marselha – deusa Neith n- procissão com lanternas acesas). Algumas dessas imagens não seguem padrões coerentes, sendo originalmente brancas e depois mudando sai cor para negras (La Dourade Negra representava Palas Atena – imagem branca originalmente). Outras continuam com sua cor inalterada, como a representação da deusa Ísis, hoje virgem negra cristã, reverenciada em Pricila, Roma.
Algumas dessas imagens foram encontradas em forquilhas de árvores e são tipicamente celtas ou teutônicas. Outras ainda estiveram envolvidas em cultos desaprovados pela Igreja Católica, pois apareciam nessas imagens símbolos colocados de forma invertida.
Além da ligação dessas imagens com o paganismo, elas parecem estar associadas à dinastia dos merovíngeos e a Maria Magdalena. Sempre se encontra virgem negra perto de um santuário ou igreja onde Maria Magdalena é cultuada (Negrito Meu).




No artigo há a seguinte explicação para esse fato: “a explicação é oferecida por Ean Begg, em seu livro The cull of the black virgin, e também pelo pregador dominicano Jean Batiste Hetu e Licordaire. Segundo ambos, Maria Magdalena fazia parte da dinastia dos Merovíngeos, fato proclamado pelo Rei Luiz XI. Outro dado é que as virgens negras são associadas e veneradas pelos membros da sociedade secreta “La Ordre de Prieuré Notre Dame de Sion”, organização religiosa secreta, interessada em assuntos esotéricos e ocultos e também no restabelecimento do trono da França por um membro da linha dos Merovíngeos. Os locais onde as virgens negras e Maria Magdalena eram veneradas era onde os membros da ordem se reuniam.
Os cátaros e os templários também estavam envolvidos nos cultos da virgem negra. Os cátaros foram considerados hereges pela igreja e praticamente aniquilados durante a inquisição no século 12. Algumas famílias conseguiram escapar e, na área onde se encontram, cultua-se Nossa Senhora da Paz e Nossa Senhora de Merceille, ambas virgens negras.
O motivo das virgens negras estarem se tornando cada vez mais populares talvez seja porque o homem moderno sente a necessidade de reconciliar o sexo com a religião. A virgem Maria inspira o celibato, a castidade, a virgindade, enquanto a Virgem Negra ajuda na reprodução, auxilia as mães no parto, faz o leite jorrar, devolve a vida aos bebês mortos.
Porém o clero católico ainda mostra certa repulsa a este culto. Em 1952 dois estudiosos do assunto apresentaram um ensaio na Sociedade Americana para o Progresso da Ciência. Todos os padres e freiras se retiraram do recinto. O curador do santuário de Lês Barroux, na França, proíbe a entrada de curiosos, não dando informações de onde a imagem da virgem negra, existente nesta igreja, se encontra.
As imagens das virgens negras, se não forem expostas em grandes basílicas, como acontece no Brasil, em Aparecida do Norte, estão fadadas a desaparecer pouco a pouco dos olhos do povo, mas provavelmente não do coração daqueles que creem nelas.

(Extraído do livro “Santa Sara e o Sagrado Feminino: orações, oferendas, novenas e rituais”, escrito por Tina Simão).
Fonte:http://mmvasosagrado.blogspot.com.br/2015/09/o-culto-madona-negra.html
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