sábado, 10 de setembro de 2016

O AVANÇO DA INTOLERÂNCIA(DONALD TRUMP,USA) - ATÉ ONDE A XENOFOBIA PODE CHEGAR

O avanço da intolerância

EMPATE TÉCNICO Símbolo do isolacionismo, Donald Trump se

 recuperou nas pesquisas e reduziu a vantagem de Hillary Clinton

O avanço da intolerância



Na mesma semana em que Angela Merkel amargou uma derrota significativa na Alemanha para um partido da extrema-direita, o republicano Donald Trump, candidato à Presidência dos EUA, cresceu nas pesquisas. Até quando a xenofobia vai triunfar?

Humilhante”, “catástrofe”, “sinal de alerta”. Assim reagiram os analistas políticos e os aliados da chanceler alemã, Angela Merkel, à derrota de seu partido na eleição no Estado de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental, no domingo 4. A União Democrata Cristã, de centro-direita, recebeu 19% dos votos, ficando atrás do Partido Social-Democrata, de centro-esquerda, e da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita. Diante desse resultado, o avanço do nacionalismo e da xenofobia, que impulsionou a ruptura do Reino Unido com a União Europeia e uma onda de violência contra imigrantes e refugiados em diversos países da Europa, pareceu ganhar novo fôlego. Mais: na semana passada, a média das pesquisas mostrou que Donald Trump, candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos e defensor incorrigível do isolacionismo, reduziu a vantagem de sua adversária, Hillary Clinton, que chegou a 8%, para 2,5%, colocando os dois em empate técnico. Na sondagem da CNN/ORC, Trump apareceu com 45% das intenções de voto e Hillary, com 43%.
1
“Como qualquer pessoa familiar com a história alemã, estou muito preocupada com o crescimento da intolerância e de partidos populistas anti-imigrantes”, disse à ISTOÉ Joyce Marie Mushaben, professora de Política Comparativa da Universidade de Missouri-St. Louis, nos EUA. “Minhas preocupações se estendem aos apoiadores de Trump nos EUA, do Ukip (partido nacionalista) no Reino Unido, do Partido da Liberdade na Áustria, e de siglas xenófobas que já estão no governo na Hungria, Dinamarca e Polônia.” A disputa de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental foi a quarta eleição estadual deste ano em que a AfD obteve votação de dois dígitos e fez suas líderes decretarem “o começo do fim da Era Merkel” no país. “As pessoas não confiam mais nos partidos antigos”, disse Frauke Petry, porta-voz da legenda. Dos 16 parlamentos regionais que existem na Alemanha, a AfD tem representantes em nove e espera que o resultado alcançado na semana passada tenha força suficiente para garantir alguns assentos no Bundestag nas eleições federais do ano que vem.
2
Anti-imigrantes
Fundada há apenas três anos, a AfD reunia intelectuais e acadêmicos contra o projeto europeu e o resgate a economias endividadas, como a da Grécia. Com o aumento do fluxo migratório e a política de acolhimento de refugiados sírios implementada por Merkel no verão de 2015, o partido encontrou outro caminho ao amplificar as vozes contrárias aos estrangeiros na Alemanha. Pressionada pelas eleições da semana passada e pela proximidade da votação em Berlim, marcada para o domingo 18, a chanceler reconheceu, em discurso no Parlamento, que o crescimento da sigla liderada por Frauke Petry é “um desafio para todos nós nesse prédio”. “Parte dos votos da AfD é um protesto generalizado, porque os eleitores sentem que os grandes partidos não apresentam soluções para seus problemas”, afirma Jonathan Olsen, pesquisador de partidos políticos europeus na Universidade Texas Woman, nos EUA. “A AfD tem tirado votos de todos os partidos.”
Embora Merkel não tenha confirmado publicamente sua candidatura ao quarto mandato como chanceler em 2017, ela é dada como certa – sobretudo, porque não há em seu partido nem na oposição um candidato capaz de derrotá-la. A líder, que se tornou uma das vozes globais mais sensíveis à questão dos refugiados, tem perdido popularidade, mas ainda é aprovada por quase metade dos alemães. “Seu segredo tem sido governar como uma política de centro-direita na centro-esquerda”, diz Martin Lodge, professor de Ciência Política da London School of Economics.
Fotos: AP Photo/Evan Vucci; AFP PHOTO/DPA/Daniel Bockwoldt
Fonte:http://istoe.com.br/o-avanco-da-intolerancia/
O avanço da intolerância