ADOÇANTE ARTIFICIAL ESTIMULA FOME E AUMENTA CONSUMO DE CALORIAS

Adoçante artificial estimula fome e aumenta consumo de calorias

Estudo publicado na revista científica 'Cell Metabolism' explica qual é o mecanismo por trás disso e mostra quais efeitos os adoçantes produzem no cérebro ao regular o apetite e alterar a percepção do sabor

Publicação:12/07/2016 15:02 Atualização:12/07/2016 15:55

Bilhões de pessoas em todo o mundo consomem adoçantes artificiais, que são muitas vezes prescritos como um recurso para tratar a obesidade, embora pouco se saiba até agora sobre seu impacto integral no cérebro e na regulação do apetite
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Os adoçantes podem fazer com que os usuários tenham mais fome e comam mais, de acordo com um novo estudo feito por cientistas australianos e publicado nesta terça-feira (12/07) na revista científica Cell Metabolism. A pesquisa foi feita com o adoçante artificial sucralose, amplamente utilizado no contexto doméstico e na indústria, incluindo diversos produtos considerados "diet" ou "sem açúcar".

Pesquisas anteriores em humanos e animais já sugeriam que os adoçantes podiam estimular o aumento do consumo de comida, mas o novo estudo confirma a hipótese e explica qual é o mecanismo por trás disso e mostra quais efeitos os adoçantes produzem no cérebro ao regular o apetite e alterar a percepção do sabor.

Os cientistas da Universidade de Sydney e do Instituto de Pesquisa Médica Garvan - ambos na Austrália - revelaram no cérebro um sistema até agora desconhecido que é responsável por integrar as sensações de doçura e de conteúdo energético do alimento.

De acordo com um dos autores do estudo, Greg Neely, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Sydney, o adoçante desequilibra a integração entre a sensação do sabor doce e o conteúdo de energia da comida, fazendo com que o cérebro estimule um maior consumo de calorias.

"Depois de uma exposição prolongada a uma dieta que continha o adoçante artificial sucralose, nós observamos que os animais começaram a comer muito mais", disse Neely à reportagem.

"Por uma investigação sistemática desse efeito, descobrimos que nos centros de recompensa do cérebro, a sensação de doçura está integrada com a que percebe o conteúdo energético. Quando a relação entre doçura e energia é desequilibrada por um tempo, com o adoçante, o cérebro faz uma calibragem e começa a aumentar o consumo total de calorias", explicou Neely.

No estudo, moscas drosófilas foram expostas a uma dieta com inclusão do adoçante artificial por cinco dias - um período prolongado para uma mosca. Depois disso, os cientistas observaram os animais por três dias, enquanto eles se alimentavam com comida sem adoçante. As moscas que haviam sido submetidas ao adoçante consumiram em média 30% mais calorias, em comparação às moscas que se alimentaram com comida adoçada naturalmente.

"Quando fomos investigar por que os animais estavam comendo mais, mesmo já tendo consumido calorias suficientes, descobrimos que o consumo crônico desse adoçante artificial na realidade 'engana' o cérebro ao aumentar a intensidade do sabor doce. Quando o animal começa a se alimentar com comida sem adoçante, o cérebro não encontra a mesma intensidade de doçura e isso aumenta a motivação do animal para ingerir mais comida", disse Neely.

Segundo os autores do estudo, bilhões de pessoas em todo o mundo consomem adoçantes artificiais, que são muitas vezes prescritos como um recurso para tratar a obesidade, embora pouco se saiba até agora sobre seu impacto integral no cérebro e na regulação do apetite.

O novo estudo, segundo eles, é o primeiro a identificar como os adoçantes artificiais podem estimular o apetite. Os cientistas identificaram uma complexa rede neural que responde à comida adoçada artificialmente, sinalizando ao animal que ele ainda não ingeriu energia suficiente.

"Usando essa resposta às dietas adoçadas artificialmente, nós pudemos mapear uma nova rede neural que equilibra a palatabilidade da comida com o conteúdo energético. A rota que nós descobrimos é parte de uma resposta evolutiva do cérebro à fome, que faz com que os alimentos mais calóricos nos pareçam mais saborosos", afirmou o cientista.

Os pesquisadores também descobriram que os adoçantes artificiais provocam hiperatividade, insônia e queda da qualidade do sono - comportamentos coerentes com um estado de jejum. Os efeitos no sono são semelhantes aos que já foram relatados em estudos com humanos.

Mamíferos

Para descobrir se os adoçantes naturais também aumentam a ingestão de comida em mamíferos, Herbert Herzog, do Instituto de Pesquisa Médica Garvan, replicou os resultados do estudo utilizando camundongos.

Os camundongos que consumiram uma dieta adoçada com sucralose por sete dias apresentaram um aumento considerável na ingestão de comida, segundo os autores do estudo, e as redes neurais envolvidas no efeito foram as mesmas encontradas nas moscas.

"Essa descoberta reforça a ideia de que variedades com 'zero açúcar' de comidas e bebidas processadas podem não ser tão inertes como se pensava. Os adoçantes artificiais podem realmente mudar a percepção do sabor doce na comida, com uma discrepância entre a doçura e os níveis de energia que leva ao aumento do consumo de calorias", disse Herzog.

Os cientistas da Universidade de Sydney e do Instituto de Pesquisa Médica Garvan - ambos na Austrália - revelaram no cérebro um sistema até agora desconhecido que é responsável por integrar as sensações de doçura e de conteúdo energético do alimento.

De acordo com um dos autores do estudo, Greg Neely, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Sydney, o adoçante desequilibra a integração entre a sensação do sabor doce e o conteúdo de energia da comida, fazendo com que o cérebro estimule um maior consumo de calorias.

"Depois de uma exposição prolongada a uma dieta que continha o adoçante artificial sucralose, nós observamos que os animais começaram a comer muito mais", disse Neely ao Estado.

"Por uma investigação sistemática desse efeito, descobrimos que nos centros de recompensa do cérebro, a sensação de doçura está integrada com a que percebe o conteúdo energético. Quando a relação entre doçura e energia é desequilibrada por um tempo, com o adoçante, o cérebro faz uma calibragem e começa a aumentar o consumo total de calorias", explicou Neely.

No estudo, moscas drosófilas foram expostas a uma dieta com inclusão do adoçante artificial por cinco dias - um período prolongado para uma mosca. Depois disso, os cientistas observaram os animais por três dias, enquanto eles se alimentavam com comida sem adoçante. As moscas que haviam sido submetidas ao adoçante consumiram em média 30% mais calorias, em comparação às moscas que se alimentaram com comida adoçada naturalmente.

"Quando fomos investigar por que os animais estavam comendo mais, mesmo já tendo consumido calorias suficientes, descobrimos que o consumo crônico desse adoçante artificial na realidade 'engana' o cérebro ao aumentar a intensidade do sabor doce. Quando o animal começa a se alimentar com comida sem adoçante, o cérebro não encontra a mesma intensidade de doçura e isso aumenta a motivação do animal para ingerir mais comida", disse Neely.

Segundo os autores do estudo, bilhões de pessoas em todo o mundo consomem adoçantes artificiais, que são muitas vezes prescritos como um recurso para tratar a obesidade, embora pouco se saiba até agora sobre seu impacto integral no cérebro e na regulação do apetite.

O novo estudo, segundo eles, é o primeiro a identificar como os adoçantes artificiais podem estimular o apetite. Os cientistas identificaram uma complexa rede neural que responde à comida adoçada artificialmente, sinalizando ao animal que ele ainda não ingeriu energia suficiente.

"Usando essa resposta às dietas adoçadas artificialmente, nós pudemos mapear uma nova rede neural que equilibra a palatabilidade da comida com o conteúdo energético. A rota que nós descobrimos é parte de uma resposta evolutiva do cérebro à fome, que faz com que os alimentos mais calóricos nos pareçam mais saborosos", afirmou o cientista.

Os pesquisadores também descobriram que os adoçantes artificiais provocam hiperatividade, insônia e queda da qualidade do sono - comportamentos coerentes com um estado de jejum. Os efeitos no sono são semelhantes aos que já foram relatados em estudos com humanos.


O lado amargo »

Consumido indiscriminadamente, adoçante pode causar o efeito contrário no organismo humano

Segundo neurocientista americana, ao não receber o açúcar esperado, o corpo passa a demandar mais energia, ameaçando a dieta 

   Publicação:30/07/2013 14:30Atualização:28/07/2013 12:23

Pesquisas realizadas nos últimos 40 anos mostram que os adoçantes não têm impacto direto na perda de peso nem efeitos positivos na prevenção de problemas de saúde, como o diabetes tipo 2, a hipertensão e as doenças cardiovasculares. Além disso, a ingestão dele está ligada a mudanças nos mecanismos de resposta do cérebro a sabores doces, o que pode impactar a sensação de saciedade. Um estudo divulgado, neste mês, na revista científica Cell Press, traz um novo complicador ao produto. Ao analisar estudos sobre os edulcorantes feitos nos últimos anos, a professora de neurociência comportamental Susan Swithers concluiu que eles podem até ter um efeito contrário ao esperado.

“Uma vez que os adoçantes não oferecem energia, logo o consumo deles pode induzir as pessoas a procurarem alimentos calóricos que supram a necessidade energética e de satisfação”, explica Swithers. A pesquisadora sugere que o ideal é reduzir o consumo tanto de açúcar quanto de adoçante. “Os dados indicam que a melhor estratégia seria diminuir a totalidade do uso de produtos adoçantes. Simplesmente substituir o açúcar por adoçante artificial não parece ter produzido resultados positivos na saúde”, explica a professora da Universidade de Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos.


O gosto doce é conhecido por estimular respostas fisiológicas que ajudam a manter o equilíbrio energético no corpo. Ele sinaliza ao organismo a entrada de alimentos com alto valor energético, facilitando a absorção e a utilização da energia. Os adoçantes, por outro lado, têm um gosto doce intenso, mas baixo valor calórico. “O uso de adoçantes pode enfraquecer a ação do sabor doce como um sinal da ingestão de alimentos energéticos”, ressalta Swithers.

A ingestão contínua do produto pode comprometer de vez os mecanismos de absorção de alimentos mais energéticos. “Ao diminuir a habilidade do organismo de prever a chegada de calorias, a ingestão de adoçantes artificiais pode vir a reduzir a eficiência da utilização da energia adquirida em alimentos doces em geral e também prejudicar os mecanismos de saciedade”, explica a autora do artigo.

Especialista em nutrição humana, Fabiana Nalon alerta que há um falso entendimento de que, pelo fato de substituir o açúcar, o edulcorante pode ser usado indiscriminadamente. Ela conta que teve uma paciente que colocava dois sachês de adoçante no copo de suco de laranja dos netos. “É óbvio que problemas vão surgir, já que a criança fica acostumada com o sabor excessivamente doce”, diz a nutricionista.

O indicado é que os produtos adoçantes em geral sejam usados apenas quando houver necessidade. “É uma questão de educar o paladar. O ideal e correto é aprender a gostar do sabor do alimento natural e não mascará-lo com o sabor mais doce”, ressalta Nalon. Se seguir o conselho é impossível, o melhor é usar o adoçante, uma vez que ele tem baixo teor calórico, sugere a especialista.

Efeitos misteriosos

Segundo levantamento da empresa de pesquisas Kantar WorldPanel, os edulcorantes marcam presença em 30,8% dos lares brasileiros. Ao contrário do que se poderia pensar, o consumo do açúcar não diminuiu com a chegada desses produtos às prateleiras. “As pessoas estão acostumadas com alimentos muito doces. E, apesar de toda a disponibilidade de alimentos dietéticos, o fato é que o consumo de açúcar só aumenta”, alerta Fabiana Nalon.

No livro Fat chance: The bitter truth about sugar ( em tradução livre, Sem chance: a amarga verdade sobre o açúcar), lançado neste ano, Robert Lustig fala sobre os prejuízos que o açúcar causa à saúde e dá dicas de como controlar a fome e melhorar a saúde. Apesar de ser um ativista antiaçúcar, Lustig não defende o uso de adoçantes em razão da falta de estudos realmente conclusivos sobre os efeitos desses produtos.

“Ainda não se sabe se os compostos presentes no adoçante afetam as funções cerebrais ou os hormônios e se há efeitos sobre o resto do organismo, que é ‘enganado’ ao se preparar para receber uma quantidade de açúcar que nunca chega”, alerta o endocrinologista da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Todos os adoçantes permitidos no Brasil fazem parte da lista de alimentos considerados seguros, a chamada GRAS (generally recognized as safe). “Todos os compostos presentes na lista passaram por uma série de pesquisas e podem ser usado dentro das quantidades indicadas”, explica Nalon.

Benefícios
Apesar da indefinição entre os cientistas, o adoçante é importante para dietas especiais, como as destinadas a pessoas com diabetes ou as com grau elevado de obesidade. “Sem dúvida nenhuma, ele é um recurso positivo para quem precisa”, afirma a pesquisadora Helena Bolini, doutora em tecnologia de alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Bolini estuda os edulcorantes há 20 anos e afirma que eles podem ajudar a prevenir doenças quando são usados corretamente e dentro de uma dieta saudável. “Eu só vejo coisas positivas no uso dos adoçantes. Eles podem ajudar a retardar o aparecimento do diabetes e a controlar o peso, com o benefício de que eles não dão cáries”, explica a pesquisadora.

O que não pode acontecer, alerta Bolini, é uma certa “indulgência”, ou seja, um efeito psicológico de que usar o adoçante permite estripulias alimentares. “Nessa prática, a pessoa pode acabar consumindo alimentos muito mais calóricos do que gostaria.”

A nutricionista Fabiana Nolan reforça que os edulcorantes não são remédios contra a obesidade. “Estar acima do peso ou com peso saudável não é uma questão resolvida em usar ou não os adoçantes. A alimentação é muito mais abrangente, e esses produtos são ferramentas que podem ajudar no cardápio de várias dietas”, afirma.

Substitutos químicos

É o outro nome para os adoçantes, compostos químicos de origem sintética ou natural usados para adoçar alimentos no lugar da sacarose e de outros açúcares. Aspartame, sucralose e sacarina são algumas das composições utilizadas.



PARA SABER MAIS

Risco de diabetes
Um estudo divulgado em maio pela Washington University School of Medicine (EUA) também indicou efeitos adversos dos adoçantes. De acordo com a pesquisa, publicada na revista Diabetes Care, o substituto do açúcar pode aumentar a produção de insulina no corpo em 20% e causar diabetes. Para chegar à conclusão, os cientistas liderados por Yanina Pepino recrutaram obesos, que ingeriram água ou sucralose antes de serem submetidos a um teste de glicose.

“Quando os participantes do estudo beberam sucralose, o açúcar no sangue chegou a um nível superior do que quando beberam apenas água. Os níveis de insulina também subiram cerca de 20%. Assim, o edulcorante artificial foi relacionado com níveis mais altos de insulina no sangue e maior resposta da glicose”, observou Pepino.

A resposta elevada de insulina sinaliza que a pessoa tem condições de produzir o hormônio para lidar com níveis altos de glicose, mas, quando descontrolada, pode desencadear o diabetes. “Nossos resultados indicam que o adoçante artificial não é inerte, tem um efeito”, avalia Pepino. A pesquisadora pondera que são necessários novos estudos para avaliar os efeitos do produto a longo prazo.

Adoçar com o quê? Conheça os tipos, vantagens e desvantagens do acuçar e adoçante

Para que o uso das substâncias responsáveis pelo sabor doce não ofereça riscos à saúde, a coordenadora do curso de nutrição da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, Avany Bon reúne informações

Há os que abominam açúcar, outros não suportam o gosto de adoçante. Pode parecer uma simples questão de preferência, mas a escolha vai muito além do sabor e da quantidade de calorias. Os diabéticos, por exemplo, não devem consumir açúcar, enquanto as gestantes só podem ingerir adoçantes à base de sucralose e stévia. Para que o uso das substâncias responsáveis pelo sabor doce não ofereça riscos à saúde, a coordenadora do curso de nutrição da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, Avany Bon reúne informações e mostra quais as vantagens e desvantagens de cada uma. Leve o guia com você para o supermercado e faça uma compra mais consciente.


Tipos de adoçantes

» Sucralose
Derivado do açúcar, não contém calorias e é eliminado totalmente pela urina em 24 horas. Atualmente, é a melhor opção de adoçante por não ter sabor residual nem apresentar restrições de uso. Serve como adoçante de mesa e em preparações culinárias.

» Ciclamato de sódio e sacarina sódica
Geralmente está combinado com outro adoçante sintético. Apesar de deixar sabor residual, é uma boa opção para adoçar os alimentos, pois não contém calorias. Não deve ser consumido por hipertensos.

» Aspartame
Contém três calorias por envelope. Usado apenas como adoçante de mesa, pois perde seu poder de adoçar em altas temperaturas. Não deve ser usado por indivíduos com fenilcetonúria (doença metabólica rara que pode causar retardo mental irreversível), bem como crianças e gestantes.

» Stévia
Natural e sem calorias, mas deixa sabor residual. Não apresenta restrições de uso.


Tipos de açúcares


» Sacarose
Açúcar comum, refinado, granulado ou de confeiteiro. Uma colher de sopa contém 60 calorias. Não deve ser usado por indivíduos com diabetes, obesidade e taxas altas de triglicérides.

» Mel
Constituído em sua maioria por açúcares simples, contém 52 calorias em uma colher de sopa. Não deve ser usado por diabéticos e obesos nem por crianças menores de um ano.

» Açúcar mascavo
Obtido diretamente da concentração do caldo de cana recém-extraído. Não deve ser consumido por quem tem glicose e taxa de triglicérides altas. Em uma colher de sopa há 54 calorias.

» Açúcar orgânico
É chamado assim porque não utiliza ingredientes artificiais, mas também deve ser evitado por diabéticos e obesos. Calorias em uma colher de sopa: 60.

» Frutose
Extraído de frutas e mel, tem poder adoçante maior que a sacarose, portanto deve ser usado em menor quantidade. Uma colher de chá contém 20 calorias. O consumo deve ser controlado por indivíduos com diabetes, obesidade e com taxas altas de triglicérides.

» Açúcar + adoçante
Formado pela mistura de sacarose e aspartame ou sucralose. É contraindicado para indivíduos com diabetes, fenilcetonúria e taxas altas de triglicérides, bem como crianças e gestantes. Em um envelope há 4 calorias, enquanto uma colher de café contém 10 calorias.

Ingestão de adoçantes artificiais pode aumentar o apetite por alimentos doces

Especialistas defendem que o consumo de produtos light e diet seja moderado

Um intrigante contrassenso. Ao ingerir produtos light ou diet, a pessoa pode estar, na verdade, provocando no corpo mais vontade de comer açúcar. A hipótese foi levantada por pesquisadores brasileiros e americanos após experimentos com ratos e pode otimizar a dieta de humanos.

Segundo Ivan de Araújo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale (EUA) e líder do estudo, a pesquisa buscou identificar como o adoçante e o açúcar funcionam no cérebro. “Descobrimos que, quando um animal experimenta adoçantes artificiais durante um estado de privação — com bastante fome ou sob efeito de baixo metabolismo celular, por exemplo —, ele prefere o açúcar mesmo bastante tempo depois de aliviada a fome”, relata.

Araújo explica que, de acordo com os resultados do experimento, o controle fisiológico da escolha entre adoçante e açúcar é regulado pela dopamina. Ele e os demais pesquisadores participantes do estudo acreditam que o uso da glicose pelas células cerebrais estimula a liberação desse neurotransmissor. “É uma substância que regula sensações de prazer e a formação de hábitos associados a comida como uma recompensa. Os adoçantes não parecem ter essa propriedade. São mais suscetíveis por produzirem uma diminuição de interesse se consumidos em um momento de fome ou de exaustão”, exemplifica o pesquisador.

Professor do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), Joaquim Pereira Neto explica que a necessidade do cérebro de conseguir dopamina faz parte de um sistema complexo do corpo humano que busca a estabilidade das funções. “Existem vários mecanismos que tendem a manter o organismo equilibrado. Por isso que, quando realizamos um exame de sangue, geralmente os níveis ficam bem próximos do que precisamos porque temos essa tendência à homeostase”, detalha. Segundo o especialista, sistemas neurais estão envolvidos nesse processo. “O sistema nervoso controla a quantidade de glicose, o seu comportamento. Quando você tenta enganar ele com outra substância, você consegue driblar somente o paladar, não o cérebro’, destaca.


A necessidade do cérebro de conseguir dopamina faz parte de um sistema complexo do corpo humano que busca a estabilidade das funções
Para Pereira Neto, que não participou do estudo, os resultados trazem dados interessantes sobre como funciona o açúcar artificial no organismo humano. “Já tinha me interrogado como o sistema nervoso recebe as diferenças entre essa substância e o açúcar natural. Essas variações existem e não têm nada a ver com o sabor, mas com os efeitos que provocam no corpo”, destaca. O especialista explica que a dopamina age em uma região do cérebro chamada estriado, provocando mudanças de comportamento “A dopamina só foi ativada no cérebro dos ratos quando eles ingeriram o açúcar, o que prova que os alimentos agem de formas distintas”, detalha.

Novas dietas

Fabriano Sandrini, endocrinologista do Laboratório Exame, explica que o efeito de saciedade provocado pela dopamina, não ativado pelos açúcares artificiais, pode provocar a necessidade de comer mais doces ou alimentos que produzam glicose, como massas e pães. “Se transferirmos esse resultado para homens, pode ser que tenhamos dados diferentes, mas, em termos práticos, isso significa que, ao ingerir alimentos como adoçante e refrigerantes diet, não teremos a sensação de satisfação provocada por um refrigerante normal”, destaca.

Sandrini acredita que, se confirmado o mesmo mecanismo em humanos, será possível explicar porque muitas pessoas que seguem uma dieta baseada em refeições com produtos diet e light comem muito mais do que se tivessem se alimentado com o açúcar normal. O endocrinologista reforça que o açúcar natural pode ser encontrado em produtos mais saudáveis, sendo, assim, uma das melhores alternativas para as dietas.

“É claro que o açúcar não deve ser comido em excesso, mas, se formos pensar bem, as opções podem ser adaptadas. Optar por um suco natural ou uma fruta que contém açúcar já pode ajudar a satisfazer essa necessidade por doce”, destaca. “ Vemos também que longos jejuns podem resultar em um apetite maior, o que reforça, mais uma vez, a necessidade de refeições balanceadas durante o dia.”

Ivan de Araújo adianta que a pesquisa terá continuidade e vai tratar da reação do açúcar no corpo com mais atenção. “Gostaríamos de entender melhor esse sistema em humanos, acreditando que seja equivalente aos roedores. Além disso, estamos interessados em entender os efeitos da longa exposição ao açúcar ao longo da vida no sistema dopaminérgico (que envolve a produção de dopamina)”, adianta. 

Adoçantes podem causar diabetes

Publicação:19/09/2014 09:43Atualização:19/09/2014 10:00

Consumo regular desses produtos pode aumentar o risco de desenvolvimento de intolerância à glicose, o primeiro estágio do diabetes

Os adoçantes artificiais talvez não sejam a melhor opção ao açúcar. O consumo regular desses produtos pode aumentar o risco de desenvolvimento de intolerância à glicose, o primeiro estágio do diabetes. O alerta vem de estudiosos do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel. De acordo com o experimento, os animais alimentados com suplementos dietéticos à base de edulcorantes apresentaram alterações no metabolismo da energia possivelmente modulado pelos efeitos de adoçantes na composição e na função de micróbios intestinais.

Para chegar a essa conclusão, eles separaram camundongos em três grupos: um teve a água potável suplementada com glicose e adoçante (sacarina, aspartame ou sucralose), outro bebeu apenas água e o terceiro, água com açúcar. Após analisar os efeitos da dieta na flora intestinal dos bichos, a equipe descobriu que os adoçantes alteraram a composição dos micróbios intestinais, provocando alterações no metabolismo energético.

“Decidimos testar essa hipótese porque vários estudos já relacionaram alterações na microbiota intestinal com distúrbios metabólicos, como obesidade e diabete”, explicou Eran Segal, um dos coordenadores do estudo, durante coletiva de imprensa. Segundo Segal, boa parte desse produto não é digerida. Mas quando chega ao intestino, cheio de bactérias, pode “metabolizar coisas que o organismo humano não metaboliza”.

Os cientistas não investigaram por que ocorre esse efeito negativo na flora intestinal, mas levantam duas hipóteses: os adoçantes podem induzir uma vantagem competitiva em algumas bactérias ou são tóxicos para alguns micro-organismos. De acordo com o artigo publicado na edição desta semana da Nature, foram detectadas associações similares às ocorridas nos ratos em seres humanos após a ingestão de adoçantes. Participaram do experimento 381 voluntários não diabéticos, sendo que 172 tiveram a composição da flora intestinal avaliada.

Segal ponderou que os resultados não são conclusivos e que a relação entre a ingestão de adoçantes artificiais e o desenvolvimento de problemas metabólicos precisa ser melhor investigada. “Nosso estudo não é definitivo em sua conclusão para os humanos, mas revela que se trata de um assunto não resolvido e que deveria ser analisado de novo, pois deixamos claro que os adoçantes podem ter um efeito diferente nas pessoas.”

Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/

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