A CAPACIDADE DE AMAR A TODOS SEM OLHAR NO OBJETO - J.KRISHNAMURTI

A capacidade de amar a todos sem olhar ao objeto


Pergunta: Sinto que a maneira pela qual haveis explicado o valor da conduta no reino da emoção, está em perigo de criar a mesma espécie de desentendimento que o que se acha consubstanciado na última pergunta acerca das posses, isto é, que ele representa o amor crescendo por uma espécie de processo quantitativo. Vós nos dizeis que, comecemos por amar a uma pessoa e depois estendamos esse amor a várias pessoas, e assim por diante, até que ele abranja todo o mundo. Esta forma quantitativa parece-me fatal. Nem a multiplicação nem a divisão conduzem ao eterno.


Krishnamurti: O mundo do ser, o mundo da realidade, a verdade que é o Ego, é a consumação de todo o amor. O amor inclui todas as divisões de seus opostos — ódio, ciúmes, inveja, cobiça de posses e tudo o mais à porfia. A essa totalidade eu dou o nome de Amor. Esse Eu, essa verdade, é tudo. Uma vez que tenhais entendido isto, não traduzireis o amor como sendo conduta moral. Quando amais a uma pessoa, nesse amor acham-se implícitos o ciúme, a posse egoísta, o cuidado ansioso com o qual guardais esse amor. Quando o transcenderdes, sereis capazes de amar a todos sem olhar ao objeto. Portanto, não é isto um processo quantitativo...

Pelo amor real podeis chegar verticalmente até o Último; não tendes que ir horizontalmente por meio de processo quantitativo. Por isto é que necessitamos, em primeiro lugar, compreender o que é essa totalidade da vida, o que é o Ego, o que é o real, e qual a natureza do puro ser e do puro amor. A vida é a consumação e todas as coisas, de todos os opostos; ela não possui atributos, nem relações especiais; ela é auto-determinada, auto-existente. Não lhe podeis atribuir conduta moral ou imoral, ou dizer que ela é toda amor, ou toda ódio. Ela é tudo; ela é sujeito e objeto, juntos. Uma vez que tenhais entendido isto, o amor possuirá um significado diferente, no qual se acham incluídos todos os opostos.

Se amardes com a mente e não com o coração, intelectualizareis o amor, esforçar-vos-eis por encontrar razões para o vosso amor. Isto é, entrareis em considerações sobre se a pessoa é bem-parecida, se é rica, se tem posição social, posses mundanas e assim por diante. Estareis dividindo; ao passo que amar realmente, é ser todo-integrativo.


Krishnamurti em Reunião de Verão, 22 de julho de 1930 

Fonte:http://pensarcompulsivo.blogspot.com.br/2016/07/a-capacidade-de-amar-todos-sem-olhar-ao.html

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