O MANVANTARA SEM MISTÉRIOS

Deus Eon: o grande ciclo de 26 mil anos


O MANVANTARA SEM MISTÉRIOS


O tema do grande ciclo Manvantara, abriga uma das mais famosas alusões às Idades Metálicas do mundo, um saber que rondou todo o Oriente e, provavelmente, o planeta inteiro.
O calendário cósmico do Manvantara, representa uma das grandes sínteses doutrinais da humanidade, contendo chaves insuspeitas e completas (materiais e espirituais, sociais e iniciáticas, etc.), no paralelismo das suas concepções.

O tema paralelo –ainda não suficientemente avaliado- dos ”anos divinos” e dos “anos humanos”, pode ser observado no “Glossário Teosófico” de Helena P. Blavatsky (verbetes “Manvantara” e “Yugas)”, assim como a devida chave-de-conversão de valor 360, que é o valor da circularidade, aduzindo assim ao tema um simbolismo solar de centro-e-periferia. A saber:
Manvantara “divino” de 12.000 anos x 360 =

Manvantara “humano” de 4.320.000 anos

Este valor se reduz, pois, através da operação 360/12, dando ao valor-base 432 um simbolismo de globalidade.
Embora o tema seja geralmente divulgado na versão “humana” dentro da esfera de influência oriental, muitos optam pela versão “divina” que, afinal, tem relação com os fatos culturais, com a Tradição Universal -e é de resto inteiramente... científica. A versão “divina” confere, pois, a soma dos arcos cósmicos de tempo de 12 mil anos, contemplada pela Tradição Universal. Na tradição mazdeísta, estes grandes arcos de tempo cósmico, estão intercalados por dilúvios de água e de fogo, o que influenciou fortemente os autores bíblicos.
Alguns estudiosos têm se detido na versão reduzida “divina”. O texto a seguir, retirado da internet indiana, avalia as quatro Idades Metálicas pelo ângulo “divino”, dentro da curiosa natureza piramidal de tempo existente entre elas, análoga às proporções da Tetraktyspitagórica. Citemos:
“A grande era ou quatro épocas no Hinduísmo são: Satya Yug, Treta Yug, Dwapar Yug e Kali Yug. Satya Yug ou a Idade da Verdade é dita durar por quatro mil anos divinos, Treta yuga para três mil, Dwapara Yug de dois mil e Kali Yug vai durar mil anos divinos. Acredita-se também que essas três grandes idades já passaram, e estamos agora a viver na quarta. As quatro idades estão se diz simbolizar as quatro fases da evolução humana em que os homens gradualmente perderam a consciência do seu eu interior. Outra teoria explica essas épocas do tempo com base no grau de perda de integridade no mundo. Ele diz que, durante Satya Yug apenas a verdade prevaleceu (sânscrito Satya = verdade), Treta teria perdido ¼ da verdade, Dwapar perdeu ½ da verdade e Kali é deixado com apenas ¼ da verdade.Mal e desonestidade substituem a verdade nas últimas três idades ou yugs.” 

Já na versão “humana”, resultam os números quase astronômicos como de 4.320.000 (mais de quatro milhões) de anos no total do Manvantara –e outros ainda muito maiores através das suas projeções! Os maias também detinham valores não menores, em suas escalas de tempo mais afastadas.
Não obstante, tais valores, “humanos” ou “divinos”, não seriam estranhos, seja à ciência espiritual, seja à ciência profana. Comecemos pela última.

A evolução material humana

Ora, avaliando cientificamente esta conta -e considerando que estamos nas suas etapas finais segundo algumas correntes-, um tal ciclo estendido remontará desde a atualidade até os começos da Época Pliocênica, quando surgiram os primeiros hominídeos. Citemos:
“O Plioceno está compreendido entre cerca de 5 e 2 milhões de anos atrás. (...) Possivelmente o maior destaque desta época seja o desenvolvimento dos hominídeos, os ancestrais dos seres humanos, no leste da África.” 
Tal coisa confirmaria que este Manvantara, se destina a medir a evolução paleontológica do ser humano, as suas espécies em evolução, portanto, e não a evolução antropológica das raças humanas. Assim, alguma luz começa a surgir em torno deste misterioso assunto, e podemos concluir que se trata da evolução material da humanidade no seu conjunto.
Com certa exatidão, o Plioceno existiu entre 5,3 à 1,8 milhões de anos, às vezes abrangendo também o Mioceno de transição (resfriamento da Terra, entre 6 a 5.3 milhões de anos atrás).
Ora, este período citado de 5,3 milhões de anos do Pliosceno, é extremamente eloquente naquilo que diz reseito à doutrina tradicional dos ciclos da evolução espiritual humana, que se desenvolve sobre ciclos fractais com base no valor 5,2, (ver a respeito em nossa obra “A Espiral do Tempo”), desta forma:


52 anos ........ “Fogo Novo”: mudança de geração;
520 anos ...... “Pachacuti”, Ciclo-Fênix: mudança étnica;
5.200 anos ... “Era solar”: mudança racial;
52 mil anos .. “Era galática”: mudança de espécie-raiz; (etc.)

Percebe-se, no entanto, quanto aos começos do Plioceno, uma defasagem importante em relação ao ciclo manvantárico de 4,3 milhões de anos. Ora, seguramente se aplica também à evolução das espécies humanas, o preceito de considerar as duas primeiras etapas evolutivas como não-humanas, de transição ou “preparatórias”, tal como Blavatsky faz em relação às raças, ou como Bailey declara no tocante às iniciações humanas. No caso, é fácil relativizar a natureza humana destas primeiras espécies de hominídeos, que antecedem em muito o homo erectus.
O Plioceno segue apenas até a chegada do homo erectus (que pertence ao Pleistoceno), e não inclui as últimas etapas de evolução humana, sobretudo do homo sapiens sapiens, o qual como veremos entra realmente numa outra categoria, contemplada também pela doutrina do manvantara. A transição entre Plioceno e Pleistoceno há 1,8 milhões de anos, é como um corte central do manvantara, separando as espécies mais primitivas e materiais, das espécies mais evoluídas e espirituais e que são já homo erectus.
Não é caso, ainda, da verdadeira seção espiritual do manvantara, que veremos a seguir e que abarca uma evolução espiritual da humanidade, e não de indivíduos isolados que formaram no máximo bandos ou grupos de investigação, como aconteceu por muito e muito tempo...
Esta mudança de perspectivas planetárias, se deveu ao crescimento do conhecimento espiritual, à capacitação especial de certos indivíduos ("profissionalização" espiritual) e ao avanço da própria humanidade.

A nova seção espiritual

Na prática, poderemos deduzir que o manvantara espiritual, representa uma quintessência culminante do manvantara material.
Assim, se na esfera material a evolução tarda alguns milhões de anos, no plano espiritual estaremos trabalhando com apenas alguns milhares de anos. E tal coisa, mais uma vez, não escaparia às percepções da Ciência, em termos gerais.
Cabe então buscar a parte “divina” da evolução do tempo, que por contraste deverá fazer alusão à evolução espiritual humana. E é fato igualmente, que as ciências materiais e espirituais dão sólido aporte às nossas pretensões. 


Desde o ângulo profano, a Ciência nos oferece a percepção do surgimento do homo sapien sapiens há cerca de dez mil anos atrás, que é a espécie atual, na qual se encontram desenvolvidas inclusive as várias raças humanas.
A seção espiritual do manvantara, que caracteriza a evolução do homo sapiens sapiens, se define pela implantação da verdadeira religiosidade humana, que é a transposição da espiritualidade para o planos das massas ou das sociedades, e pela presença e revelação de Deus-em-ação na humanidade em geral, graças às práticas superiores da intermediação divina, da expiação cármica e da intervenção superior. Por isto, não é possível pretender eliminar a religião e o culto religioso, porque esta é a única espiritualidade que o povo ainda é capaz de compreender e se beneficiar de fato.


Já no plano da Ciência espiritual, surge então uma referência tão importante quanto misteriosa, através da mítica chegada de Sanat Kumara a este planeta, “em meados da época lemuriana”. Sanat Kumara é a grande chave que desencadeia a história espiritual da humanidade –não dos seres humanos como indivíduos iniciados, mas das massas humanas até então abandonadas espiritualmente (ou de raças e não de ashrams), já que de forma individual ou de elites, havia desenvolvimento espiritual desde os tempos mais remotos das espécies humanas, como a Ciência sabe hoje identificar, o que teria até mesmo servido como elemento alavancador para a evolução destas espécies.
No próprio plano das raças, a manifestação divina de Sanat Kumara divide a evolução desta quarta ronda, entre as raças xamânicas anteriores e as raças religiosas posteriores à sua vinda, sendo este o fator que determina a exclusão de 2,5 raças-raízes (ditas pré-humanas”) no registro das raças verdadeiras dentro do cômputo habitual.
Contudo, será necessário rever, previamente, certos conceitos acerca das raças, cuja descrição e cronologia têm sido apresentadas de forma ainda algo velada e misturada pelos teósofos, porque na época se tratava de uma grande revelação original, da qual apenas parte do mistério podia ser revelado, em função da condição vigente da humanidade então.
Mesmo Alice A. Bailey, esoterista “de cepa” que apurou os mistérios teosóficos, ainda afirmava que Sanat Kumara teria vindo há 18,5 milhões de anos atrás (cf. “Tratado de Magia Branca”)... A confusão de idéias e os improvisos cometidos neste campo, chegam ao absurdo de se pretender ver o ser humano a conviver com os dinossauros! Assim, é preciso esquecer estes números, ou reconvertê-los através de chaves adequadas para a realidade factual.


Não é difícil encontrar hoje as verdadeiras chaves raciais, através do estudo das tradições comparadas. No caso, a principal fonte de informação será as culturas maias-nahuas, tão em voga nesta passagem de 2012. Trata-se, pois, dos ciclos de 5,2 mil anos, que cabem cinco vezes no Ano Cósmico, e que representam as chamadas Eras solares, que os maias-nahuas atribuem aos ciclos antropológicos da evolução humanas, da mesma natureza das raças-raízes, acarretando em catástrofes planetárias cíclicas e transformações ambientais profundas, inclusive atribuídas ao próprio ser humano, como afirma a Bíblia acerca do Dilúvio e o mito de Atlântida.
Basta então fazer os cálculos. O momento definido como “meados da raça lemuriana”, nos confere no registro maia-nahua algo como doze mil anos atrás, que é um arco de tempo cósmico e um manvantara espiritual. É natural que um “Deus” chegue num momento como este, que afinal responde pela abertura de um período do planeta. É o que chamamos de “Solstício cósmico”, na passagem da Era de Câncer, signo este também definido como a “Porta dos Homens” na Tradição de Sabedoria.

Este ciclo coincide com o começo da espécie humana atual, o homo sapien sapiens, além de marcar a recolonização das Américas no final da última grande glaciação. Alguns autores afirmam que o Dilúvio universal possui relação com o degelo planetário ocorrido na ocasião. Isto faz sentido, pois a Queda da Atlântida descrita por Platão, sob um grande dilúvio, também aconteceu há onze mil anos atrás -como vimos mais acima, a tradição mazdeísta coloca um dilúvio de água e outro de fogo na passagem dos dois arcos cósmicos do tempo. Contudo, não é possível situar ali a raça atlante como tal, que antes estaria começando. Este tipo de confusão é comum, tem natureza exegética e se deve, em parte, à realidade do duplo registro de tempo no manvantara.
Seja como for, a coincidência exata entre a data de chegada de Sanat Kumara com a posição lemuriana neste registro solar maia-nahua (compartilhado com várias outras escolas e tradições), deve ser visto como mais uma indicação de ser este é o verdadeiro registro das raças-raízes humanas. Os cálculos mais amplos até podem servir, eventualmente, para tratar das espécies humanas e pré-humanas.
Esta visão das raças, também é deveras científica, e se relaciona aos modelos culturais que prevalece na humanidade ao longo dos tempos. A raça árya encerrou agora os seus cinco mil anos, e coincide com a organização do Estado, da Ciência e da Civilização, tal como o concebemos; por assim dizer. No período atlante que o precedeu, as sociedades se organizaram em aldeias e desenvolveram a agricultura. E no anterior ciclo lemuriano, havia as tribos e sobretudo os nômades, praticando a caça, a coleta e a pecuária -e tudo isto já estava eivado de valores religiosos e espirituais. 



Percebe-se, não obstante, que o “naturalismo” dos lemurianos já se identifica em parte com o dos homens primitivos, adentrando assim na verdadeira pré-história da evolução cultural. Contudo, a própria idealização de um modelo de vida, leva no seu tempo à uma atrofia e à conseqüente mudança de padrão cultural, sobretudo face ao crescimento populacional.
Ocorre também de termos aqui um afastamento do padrão espiral do manvantara, pois as Eras solares são ciclos regulares de valores semelhantes. Não obstante, os fatos falam por si. Ademais, estes ciclos estão sujeitos ao princípio dos fractais de tempo (que é uma espiral), acima vistos.



Para o manvantara espiritual , temos um padrão de tempo de 10 mil anos, com suas Idades sucessivas de 4 (Ouro), 3 (Prata), 2 (Bronze) e 1 (Ferro) mil anos, e estaríamos na sua última etapa ou Kali Yuga, preparando assim o próximo Manvantara, por assim dizer, ou mais exatmente o Pralaya, que é a contraparte do Manvantara (que é o período de Criação ou de organização da vida material) e se lhe alterna como o Dia e a Noite de Brahma. 

O Pralaya costuma ser pouco comentado e constitui tema de mistério, mas seguramente está relacionado às raças ocultas e também a uma fase de elevada espiritualização (e de renaturalização) da humanidade e do planeta. Na prática, este Pralaya começa ao cabo da Era de Aquário, porém nesta já ocorre a preparação do mundo para ele, através de uma síntese cultural e do amadurecimento espiritual humano.
Assim, ciência e espiritualidade se reúnem de uma forma perfeita numa das mais pronfundas e completas sabedorias sobre a evolução humana. É digno de nota que o Manvantara contempla até mesmo uma forma piramidal ou espiral de registro do tempo, dando às espécies mais antigas, maior tempo do que às espécies mais recentes, como sucede de fato nas Ciências.

Outras acepções




Apenas para mencionar, o calendário chamado Manvantara integra uma doutrina mais ampla que é o Brahmanismo, diretamente relacionado às “Leis de Manu” e à organização da sociedade hindu “clássica”, com sua ordem social particular, comumente criticadas hoje mas seguramente portadoras de memórias de excelência insuspeitas.
Bastaria para isto, entrever que as castas estão associadas aos ashramas, etapas-de-vida capacitadoras dos estágios sociais que tratam de organizar. Assim, já não podemos relacionar as castas tão somente ao nascimento. Indo mais longe, podemos sem dificuldades dizer que, de início, sequer havia a casta-de-nascimento (jativarna), mas apenas um sistema de educação integral e permanente –o varnashramadharma-, para verificar a capacidade e a vocação das pessoas.


Outro instrumento original, era o emprego da astrologia, em especial para definir e conhecer os casais ideais ou as almas-gêmeas, tal como ainda hoje se faz para avaliar as compatibilidades, numa aplicação já reduzida dos antigos saberes.
Contudo, todos sabemos o quanto é difícil aplicar um sistema tão puro e elevado, que paire para além dos privilégios de nascimento, raça, sexo e condição econômica. De modo que o ideal áureo do Brahmanismo, similar aos sonhos mais exaltados de todos os sociólogos, não tardaria por se corromper, pela imposição de jati, o vínculo-de-nascimento.
Ora, neste quadro de capacitação social, as etapas-de-vida (descritas como de estudo, casamento, instrução e renúncia), tinham uma direta relação com as iniciações humanas. As instituições eram temas de excelência (almas-gêmeas, etc.), e permitiam uma evolução espiritual plena. E nisto se aplicava um calendário evolutivo semelhante ao do Manvantara (e do Pralaya que lhe segue), seja para a vida humana material, como para os ciclos da evolução espiritual. O Manvantara se presta perfeitamente como calendário iniciático, e também social, uma vez que as iniciações humanas seguem idealmente uma cronologia piramidal, com valores literalmente análogos aos da Tetraktys ou, antes, seguindo às proporções do Manvantara (4-3-2-1).


De modo que além desta abordagem planetária, a doutrina do Manvantara também se prestaria à aplicações no âmbito social e na própria esfera individual. E ainda numa terceira aplicação, se poderia falar de uma vertente realmente étnica. Porém, temos tratado destas questões em outros trabalhos, em especial sobre o manvantara social e iniciático. De modo que, para maiores detalhes, remetemos o estudante para nossas obras “Brahmanismo – a síntrese social” e “Pedagogia Áurea”, ambas do Editorial Agartha.
Com tudo isto temos, sob a restauração e o desvelamento dos Mistérios Eternos, uma prova derradeira de que a doutrina tradicional dos Ciclos, representa também uma realidade positiva e abarcante.

Em 30 Agosto de 2012.


* Luís A. W. Salvi é escritor holístico, autor de cerca de 150 obras sobre a transição planetária.
Editorial Agarthawww.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br, Fone (51) 9861-5178

Fonte:
http://revistaorion.blogspot.com.br/2012/09/o-manvantara-sem-misterios.html

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