CRIANÇAS E “AMIGOS IMAGINÁRIOS”


CRIANÇAS E “AMIGOS IMAGINÁRIOS”

 Hoje vamos mergulhar na infância que todos já tivemos e buscar a explicação para os “AMIGOS IMAGINÁRIOS”  que a grande maioria das crianças diz possuir, ver e falar!ac11ac1
AMIGOS IMAGINÁRIOS – FANTASIA OU ESPIRITUALIDADE
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Uma publicação do Jornal americano USA Today em 21/12/2009, apontou que as crianças até 7 anos de idade evoluem com a ajuda de seus AMIGOS IMAGINÁRIOS, e que alguns dos companheiros mais úteis podem ser mesmo os IMAGINÁRIOS, segundo estudos divulgados pela Psicóloga da Universidade de Oregon/USA, Marjorie Taylor e Stephanie Carlson, na Revista “Developmental Psychology”.
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Psicologia do Desenvolvimento explica que até os 7 anos de idade a criança se encontra na fase mágica, da fantasia, sendo inclusive usada esta fase por alguns Terapeutas para auxiliar no controle dos esfíncteres, para vencer os medos, ganhar auto-estima e para ajudar a sentir-se cada vez mais segura e confiante.
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Outro tópico abordado no estudo de Marjorie Taylor é o que se refere às reações dos pais ao se depararem com os AMIGOS IMAGINÁRIOS de seus filhos: há os que ficam entusiasmados, outros tentam até praticar “exorcismo” caseiro, para livrar os pequenos do suposto mal.
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Já abordando o tema à luz do Espiritismo, é mister fazer a distinção entre a fase mágica e a mediunidade, sendo imprescindível que os pais ajam com naturalidade, para que não forcem sua criançaa um desenvolvimento precoce, nem esperem que através da mediunidade natural, inerente ao ser humano, seus filhos terão no futuro grandiosas missões.
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É importante que seja feita a distinção entre os mecanismos da  mediunidade,  e os processos obsessivos nas crianças, pois podem ser simplesmente obsessões ou problemas físicos, com necessidade de tratamentos específicos, dirigidos para cada caso.
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Outro detalhe muito importante a ser esclarecido, é o fato de que a precocidade dedesenvolvimento mediúnico em crianças pode levar a uma sobrecarga física em seus organismos delicados, aumentando também a carga de excitação em suas mentes, já tão férteis na infância.
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Uma pergunta muito comum e intrigante: Os AMIGOS SUPOSTAMENTE IMAGINÁRIOS são fruto da imaginação infantil ou seres reais que os adultos não vêm mas que são vistos pelas crianças que com elas conversam e interagem, como fazem com os amigos encarnados?
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As codificações de Allan Kardec reportam a casos de mediunidade infantil, como o fato verificado em Caen, onde uma criança de 4 anos de idade realmente tinha visões espirituais, e não apenas AMIGOS IMAGINÁRIOS.
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A explicação dada pelo Codificador é que a Mediunidade de Vidência não apenas aparece mas é muito comum nas crianças, o que segundo Kardec não deixa de ser providencial, e assim, traduziremos sua explicação:” Ao sair da vida espiritual, os Guias da criança acabam de a conduzir ao porto de desembarque para o mundo terreno, como vêm buscá-la em seu retorno. A elas se mostram nos primeiros tempos, para que não haja transição muito brusca; depois se apagam pouco a pouco, à medida que a criança cresce e pode agir em virtude de seu livre arbítrio.” (Cf. Revista Espíria de 1866, pp. 286 e 287).
Não há pois, segundo Allan Kardec do que se assustar, quando os pais virem seu filho conversando com AMIGOS IMAGINÁRIOSque ele diz ver e que no entanto, não são vistos pelos genitores.
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Até os 7 anos de idade o Espírito da criança se encontra em fase de adaptação para a nova existência, e ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica, fato este que lhe permite emancipar-se e, eventualmente, ver vultos desencarnados que lhe fazem companhia. Isto pode ser entendido que os AMIGOS IMAGINÁRIOS das crianças só o são na aparência, pois não são IMAGINÁRIOS, mas tão somente INVISÍVEIS!
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Em Janeiro de 2007, a Revista ISTOÉ fez uma matéria de capa intitulada Mediunidade Infantil – Crianças que falam com Espíritos. Na reportagem pode ser entendida a visão científica destes fenômenos, como descreve a Psicanalista Ana Maria Sigal: “Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente. Ao brincar com um AMIGO IMAGINÁRIO, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa e se sentir onipotente, capaz de reverter a morte.”
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 Esta não é uma opinião unânime na Medicina, pois é sabido que há médicos adeptos ao entendimento Espiritualista, tendo uma visão mais ampla e consequentemente cuidando do lado Espiritual do paciente.
Vários são os cuidados que os pais devem ter quando notarem a  mediunidade na criança, mas um dentre eles é primordial: não estimular a criança a desenvolver a mediunidade! O apoio familiar é vital para que a criança consiga superar esta primeira fase da infância e, para que na segunda fase (dos 8 aos 12 anos), possa ter o conhecimento doutrinário e esclarecedor, caso sejam os familiares frequentadores dos Centros Espíritas.
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O correto é prestar a devida atenção nas mudanças de comportamento da criança, analisando se suas visões e conversas com os AMIGOS IMAGINÁRIOS são reais, ou fazem parte do mundo da fantasia, influenciadas por programas da mídia em geral, ou se são também demonstrações de carência de afeto ou atenção!
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 Minha irmã Maria Angélica tinha um AMIGO IMAGINÁRIO  que se chamava “Romo Solaci”, e que esteve com ela por alguns anos, dividindo a mesa, brincadeiras, passeios. Eu inclusive, algumas vezes “pisei nos seus dedinhos” ao subir a escada de minha casa, onde ela costumava sentar para bricar, e conversar com “ele”.
Fonte:https://trilogiainca.com/
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Amigos imaginários

Eles ajudam a desenvolver a personalidade e são mais comuns 
do que se pensa. Conheça (ou relembre) estes companheiros invisíveis
Juliana Cunha
Os amigos Mac e Blu se conhecem desde pequenos. O primeiro é mais quieto, o outro mais travesso - se Mac matar aula, pode apostar que foi coisa do Blu. Mac tem 7 anos e cabelos castanhos; Blu é azul e não existe. Convencido pela mãe a largar o amigo imaginário, Mac busca ajuda especializada. Nada de psicólogo: Blu é levado para uma feira de adoção em que crianças vão encontrar um companheiro invisível pra chamar de seu. Pelo menos é assim que acontece no desenho animado Mansão Foster para Amigos Imaginários. Na vida real, a coisa é um pouquinho diferente. 

A amizade imaginária não é exclusividade da criança mais solitária do playground. Eles estão presentes entre os 3 e os 7 anos da maioria das infâncias - "dois terços", afirma a psicóloga Marjorie Taylor, que estuda o assunto na Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, e garante que o terço restante também experimenta o que ela chama de "dose saudável de esquizofrenia, fundamental para a construção da personalidade". 

"Antes de ter um amigo de carne e osso, a criança precisa treinar a experiência da amizade", diz o psicanalista Enrique Mandelbaum, especialista no tema. "Se as ações forem simuladas antes de realizadas, o desafio de conviver é facilitado." Pesquisas mais recentes indicam que aquelas crianças que convivem com companheiros invisíveis desenvolvem antes suas capacidades psicológicas e linguísticas, e tendem a ser melhores alunos. Em alguns casos - OK, agora estamos falando dos solitários do playgroud -, o parceiro inventado exerce a função de confidente e conselheiro, preenchendo a função que a psicologia chama de "muro de elocubração" - ou, como canta o Oasis, wonderwall. 

Diálogo interior

Amigos imaginários costumam surgir assim que passamos a ter algum domínio da linguagem oral. Seja para organizar pensamentos, seja para se entreter, a criança desata a falar consigo mesma. Filhos únicos e primogênitos são mais propensos a esse tipo de comportamento, já que tendem a passar os primeiros anos de vida sem um companheiro real de sua faixa etária por perto. 

Nesses primeiros anos, os amigos imaginários são como rodinhas para a bicicleta do monólogo interior. Ele opina, claro, em nossas primeiras reflexões de fôlego. Afinal, se antes a criança só pensava em maneiras de dizer "tô com fome" e "mãe, olhe pra mim", agora ela precisa eleger a comida preferida e decidir se é melhor pedir para a mãe ou o pai, e necessita da opinião de um especialista. 

Outra função importante do amigo inventado é o treino para diálogos reais. Esse, aliás, é um hábito que ultrapassa a infância: adolescentes são capazes de planejar uma conversa inteira ao telefone, e quem simplesmente vai até a mesa do chefe pedir um aumento? Quando percebe que a forma de dizer altera a resposta, a criança escala o parceiro invisível como companheiro de palco e ensaia a cena que vai representar diante de quem pode satisfazer o seu desejo. 

O amigo imaginário pode ser outra criança, um personagem de ficção e até Deus (ver quadros). Mas dificilmente tem presença física, como no conto Tio Wiggily em Connecticut, de J.D. Salinger, em que ele come, brinca, assiste à TV e até dorme com uma menina - que se espreme em um canto da cama para não esmagá-lo. No entanto, esse não é o tipo mais comum. "Quando perguntamos a fundo, a criança costuma concluir que sente a presença do amigo, mas não exatamente o enxerga. Pleitear um lugar à mesa costuma ser uma forma de exigir que a família o reconheça", diz Mandelbaum. 

Amigos com benefícios

Para os pais, flagrar o filho no meio de um "monólogo exterior" pode surpreender, mas os especialistas garantem: é normal, saudável e aconselhável. Inclusive, Roberto Andersen, educador brasileiro membro da Academia de Ciências de Nova York, adverte que limitar a imaginação (o que inclui dizer "acabou esse tal de amigo imaginário!") é um incentivo ao déficit de atenção, déficit de cognição e memória parcial. Se você achou a opinião de Roberto muito radical, saiba que Freud, pai da psicanálise, e Piaget, papa da pedagogia, também defendiam que, por via das dúvidas, era melhor que o companheiro invisível participasse do jantar. 

Tanto amigos particulares quanto aqueles mais coletivos, como Papai Noel, Coelho da Páscoa e vampiros, ajudam no desenvolvimento mental. Essa fantasia ajuda a capacidade de abstração, o que vai trazer benefícios em futuros boletins. Uma pessoa condicionada a acreditar somente no que enxerga sente mais dificuldade para entender o que é um átomo ou uma raiz quadrada, por exemplo.

Além de defender que 2 entre 3 crianças têm amizades imaginárias, Marjorie Taylor sugere que, por confrontarem constantemente suas opiniões com a do amigo, sacam mais cedo que as outras pessoas têm crenças, desejos e intenções próprias. Outros cientistas descobriram que crianças de 4 a 8 anos que têm amigos imaginários produzem frases mais complexas do que as que não têm. 

E tem mais: o trabalho dos psicólogos Evan Kidd e Anna Roby, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, sugere que os amigos dos amigos imaginários trabalham melhor em equipe. Atenção, re-crutadores de RH: a pesquisa mostra que as crianças com companheiros invisíveis são melhores na hora de fornecer informações que podem ajudar alguém - em outras palavras, ver o problema do ponto de vista do outro. É como se a criança quisesse dar um bom exemplo ao amigo imaginário na hora em que lembra ao pai que a TV está ligada ou que a vovó ligou. A dupla de pesquisadores acredita que os amigos imaginários são como que terapeutas, que dão ao pequerrucho egocêntrico uma nova perspectiva da mesma situação que antes passaria batido. 

Como lembra o pediatra Mário Cordeiro, autor do Livro da Criança, a esperteza desencadeada pelas amizades imaginárias pode, eventualmente, se voltar contra os pais. No meio da brincadeira, podem de vez em quando surgir declarações como: "Não diz isso, amiga! Não diga assim, a mamãe não está gorda". Ué, foi a amiga imaginária quem disse. 

Gêmeo mau

Até aqui tudo muito fofo. Mas o fato é que muitas vezes o amigo imaginário é também bode expiatório, leva a culpa pelo que a criança fez sabendo que não deveria. "A mente da criança trabalha por oposições. Rapidamente, ela divide o mundo entre bons e maus e, evidentemente, quer se filiar ao lado bom. Quando suas atitudes não agradam, não podem ter partido dela: precisam ser do outro", diz Mandelbaum.

A criança também utiliza o companheiro inventado para fazer perguntas que não tem coragem de fazer em seu próprio nome, chamar atenção, dizer palavrão - atitudes que provavelmente serão repreendidas pelos responsáveis. Também serve para justificar atitudes: pode ser aquele que disse que era legal bater no colega ou o que insiste no presente fora de hora.

Se isso é feito com comedimento, pode ser positivo. Permite, por exemplo, que a criança faça as perguntas que quer com menos constrangimento. Em um caso de divórcio familiar, o amigo imaginário pode fazer perguntas sobre o futuro da família que a criança não teria coragem de fazer "sozinha". No entanto, quando o amigo imaginário passa a ser um inimigo imaginário, que incita atitudes ruins e fora do padrão, está na hora de levar imaginador e imaginado para o psicólogo, ou pelo menos para o serviço de orientação da escola.

Existem muitas formas de praticar análise infantil - exatamente como existem muitas formas de praticar análise em adultos. Uma das mais consagradas é o método da psicóloga Melanie Klein, que efetivamente trouxe a brincadeira (e, consequentemente, os amigos imaginários) para o trabalho psicanalítico com crianças. Segundo Mandelbaum, "as crianças vêm ao consultório e trazem os amigos imaginários". Através da "voz" dos companheiros invisíveis, é possível entender o que está se passando. 

Para a especialista em educação especial e em psicopedagogia Maria Irene Maluf, os amigos imaginários são importantes e estimulam a imaginação, mas os pais precisam permanecer atentos. "Se a criança deixa de brincar com as outras, se ela se fecha em um mundo só dela e do amigo que ela criou, está na hora de interferir." Amigos imaginários são importantes, mas jamais devem ser a relação prioritária.

A hora do adeus

A celebridade das revistas de celebridade. A anti-celebridade dos quadrinhos. O menino mais bonito do colégio. A ex a quem mentalmente submetemos nossas atitudes. O desconhecido que seguimos no Twitter. São muitas as figuras que passam temporadas no que já foi o lar do amigo imaginário.

Se o diálogo com um interlocutor imaginário nunca desaparece, é fato que ele sofre drásticas transformações e perda de espaço com o passar da idade, seja porque pega mal na escola, seja porque foi substituído por amigos reais. Mais ou menos aos 7 anos, ele já não é tão comum. Aos 10 já é estranho. Se ele sobreviver até os 12, é algo preocupante - bem mais que a "dose saudável de esquizofrenia" receitada pela doutora Taylor. 

Mas vamos nos deter na média: para o português Mário Cordeiro, após os 6 anos de idade os pais já podem dar um empurrãozinho para a despedida, para que a criança realmente entenda o amigo como ficção. "Uma boa ajuda seria pedir que a criança fizesse um desenho ou escrevesse uma história com esse personagem. Esse será o momento em que ela vai enviar os amigos para o mundo da fantasia, em paz e com as contas saldadas", afima. 

Geralmente, a gente deixa os amigos imaginários assim como esquece os amigos da escola antiga. Sem se dar conta, conversa cada vez menos com eles até que caem no esquecimento - a ponto de alguns nem se lembrarem que um dia tiveram um companheiro invisível. Por isso mesmo, ficar o tempo inteiro interrogando a criança para saber se o tal fulano que não existe ainda existe só vai atrapalhar o processo de desapego e esquecimento. 

Os pesquisadores de Manchester contam o caso de um menino que encontrou uma maneira exótica e serena de lidar com o problema. Aos 5 anos, ele já pretendia se livrar do amigo imaginário, mas não sabia como fazê-lo sem ferir os sentimentos de Shrek - "não o Shrek do filme; eles só têm o mesmo nome", esclareceu. Pois calhou de o garoto ser levado pela primeira vez a um funeral, que ele interpretou como uma forma socialmente aceita de se despedir de alguém. No dia seguinte, pediu que a mãe lhe vestisse com roupas escuras e foi para um canto do jardim. No jantar, anunciou: "O Shrek morreu. O funeral foi hoje. Tem refrigerante?"
O outro
O tipo mais comum de amigo secreto é outra criança, geralmente para suprir a ausência de um irmão ou de um amigo da mesma idade. Em casos mais extremos, é um membro da família, com vontades e lugar à mesa. Muitas vezes, a criança nem concebe sua aparência física.

Amigo da moda
Geralmente personagem do cinema ou da TV. (Não são os brinquedos, cuja vida intelectual é só um recurso na hora de brincar.) Pode ser o Mickey, o Ben 10 ou um dos Backyardigans, muito populares entre os pequenos. O posto é rotativo, conforme a popularidade do personagem. Se ele cair no ibope, deixa de ser amigo - aliás, é como agem certos adultos.

Se eu quiser falar com Deus
Ele está em toda a parte, mas não é visto. Por que não pode ser amigo imaginário? No papel de Grilo Falante, não deixa de ser uma versão infantil da doutrina que recomenda aos jovens americanos sempre perguntar: "O que Jesus faria?"
Para saber mais 
O Brincar e a Realidade
Donald Winnicott, Editora Imago.

A Psicanálise de Crianças
Melanie Klein, Editora Imago.

Nove Estórias
Jerome David Salinger, Editora do Autor.

Náufrago
Direção: Robert Zemeckis. Por causa do Wilson.
Imagem: Divulgação

Fonte:http://super.abril.com.br/comportamento/amigos-imaginarios

É normal que crianças tenham amigos imaginários?




A equipe do BabyCenter

Formada por jornalistas especializados em saúde
Calma! Se seu filho tem um amigo imaginário, isso significa que ele é uma criança muito criativa. Aliás, crianças muito inteligentes tendem a ter amigos imaginários. O fenômeno também é mais comum com primeiros filhos, que têm menos companhia. 

As crianças também usam o artifício do amigo imaginário para aprender melhor os conceitos de certo e errado. É por isso que o amigo invisível às vezes leva a culpa pelas "artes" que ela faz: "Não fui eu que quebrei a boneca, foi o Marcelinho!". 

Quando esse tipo de coisa acontecer, resista à tentação de dizer: "Que Marcelinho nada, você sabe que ele está só na sua imaginação!". Só explique que não é legal quebrar um brinquedo, que é preciso dar valor às coisas, sem entrar no mérito do culpado. Pode ser que ele até resolva dar uma bronca no Marcelinho, o que só mostra que ele aprendeu a lição. 

O ideal é não dar muita bola para a história. Por um lado, não negue a existência do amigo imaginário, mas por outro não entre na dança, fingindo enxergar o amigo ou conversando com ele. O que pode acontecer se você incorporar o amigo imaginário à vida da criança é que ele vai "existir" por bem mais tempo. 

Esse tipo de comportamento vai embora sozinho com o tempo. Fique tranquila e deixe seu filho aproveitar a companhia do "amigo". É uma fase comum da infância que logo vai acabar. Uma idéia é registrar a história num caderno de recordações, por exemplo. No futuro talvez ele ache legal saber qual era o nome do amigo imaginário de quando era pequenininho. 

65% das crianças tem um amigo imaginário, mostra estudo

Psicóloga afirma que isso é normal e explica 
como lidar com a situação

Por Fernanda Camargo
Do Bolsa de Bebê
De repente você percebe que o seu filho tem um amigo imaginário. O que fazer? Mantenha a calma, isso é normal. De acordo com a Dra. Karina Sauma Resk, especialista em educação infantil, psicologia e pedagogia do Espaço Saúde Guedala, esse é um comportamento comum em todas as crianças, independentemente se são filhos únicos ou se têm poucos ou muitos amigos.
E então as mamães acabam se perguntando o porquê desse amigo imaginário. A Dra. Karina comenta que essa é uma forma que os pequenos encontram para brincarem com alguém que os compreendem plenamente. “O amigo imaginário é o mesmo que a conversa que nós adultos temos com nós mesmos. Os adultos falam consigo sobre seus medos, conflitos e desejos. As crianças materializam essa voz interior criando o amigo imaginário. É o ego auxiliador. Grosso modo, a psique é formada pelo ID, responsável pelo desejo; o superego, responsável pela crítica; e o ego, responsável pelo equilíbrio entre o desejo e a realidade. O amigo imaginário é o ego auxiliador, aquele que ajuda a equilibrar o desejo e a autocrítica para a tomada de decisão”, explica.
Um estudo realizado pelo Instituto da Educação em Londres mostra que cerca de 65% das crianças tiveram um amigo imaginário em algum momento e que isso as tornam mais confiantes e articuladas. A Dra. Karina conta que a idade mais comum na qual essa atitude costuma surgir é a partir dos 3 anos de idade. “É nesse momento que a criança começa a brincar de faz-de-conta”, diz. Ela afirma que as crianças aprendem através da imitação, faz-de-conta, oposição, linguagem e apropriação da imagem corporal.
Portanto, os amigos imaginários não são um grande problema. Contanto que as mamães fiquem de olho no comportamento da criança, essa atitude pode ser benéfica. Segundo a Dra. Karina, após os 10 anos de idade esse amigo imaginário se transforma na voz interior da criança. “No consultório ensino as crianças terem o amigo imaginário e a voz interna. Com ela, a criança nunca está sozinha e sempre está interagindo com alguém, mesmo que seja ela em dois papéis. As crianças se aconselham e discutem sobre vários assuntos com seus amigos imaginários, concluindo qual a melhor atitude a ser tomada e, desempenhando vários papéis sociais ou de personagens, ampliam suas concepções sobre as coisas e as pessoas”, afirma.
Segundo a Dra. Karina, apenas que se o “relacionamento” com o amigo imaginário ficar com uma frequência exagerada, ou seja, se a criança até mesmo deixar de brincar com outras por conta dele aí sim isso pode ser prejudicial. “Outro fator é a idade. O amigo imaginário costuma desaparecer com a idade da criança. Em geral ele permanece aos 4 anos, intensifica aos 6 anos e desaparece por volta dos 9, 10 anos. Entre os 7 para 8 anos, as crianças começam a ter vergonha de brincar publicamente com o amigo imaginário, mas interagem com ele em silêncio e podem levá-lo a todos os lugares que estiverem sem que ninguém perceba. Isso faz parte do processo. É comum e saudável”, relata.
Ela diz que os pais não devem interferir nesse comportamento, se perceberem que está tudo certo. “O processo, exceto os exageros, ocorre naturalmente”, diz. O que ela recomenda é verificar com a escola se há um exagero na frequência com que a criança brinca com o amigo imaginário e se ela está se relacionando normalmente com os outros coleguinhas. A psicóloga ainda deixa uma mensagem: “Nunca deixe de falar com sua criança interior. É com ela que você deve ter a discussão final para a tomada de suas atitudes”.
Fonte:http://www.bolsademulher.com/bebe/3-a-6-anos/materia/65-das-criancas-tem-um-amigo-imaginario-mostra-estudo

Seu filho tem um amigo imaginário? Saiba como agir


A criança fala, ele responde. Ela pede, ele cumpre. Às vezes, sai briga, mas é só questão de tempo. Logo, eles fazem as pazes e voltam a brincar, comer e tomar banho juntos. Ele dá conselhos, ajuda na lição de casa e diz quando é hora de dormir. Estamos falando do amigo imaginário, claro! Saiba por que essa criatura que não existe é importante para a vida do seu filho

Por Andressa Basilio - atualizada em 17/02/2014 13h09
amigo_imaginario (Foto: Guto Seixas/Editora Globo)
Você já viu seu filho conversando sozinho? Quer dizer, sozinho não, com o seu amigo imaginário? Muitas vezes, essa amizade é tão rica e tão cheia de detalhes que pega a família toda de surpresa. Embora o assunto não seja assim tão comum, muitas crianças experimentam esse tipo de companhia em algum momento da infância. Um levantamento de 2001, feito pela Universidade de Leicester, no Reino Unido, com 1.800 crianças de 5 a 12 anos, mostrou que 46% delas já brincaram, pelo menos uma vez, com um amigo imaginário.

A psicóloga da Unicamp Luciene Paulino Tognetta, especialista em Desenvolvimento Social e da Personalidade, conta que esses amigos podem surgir aos 3 anos, mas são mais comuns por volta do quarto e do quinto ano de vida da criança, quando ela está no auge do período de representação simbólica. “Nessa fase, é forte a capacidade de evocação do que não é real, da fantasia. A criança entra em constante dramatização e a brincadeira de faz de conta é parte do dia a dia”, explica a especialista.

O amigo imaginário é apenas uma das formas de lidar com a realidade, e não está diretamente relacionado ao nível de criatividade e imaginação. Tampouco é verdade que filho único tem laços mais estreitos com eles. Para muitas crianças, é mais fácil usar uma boneca ou um bicho de pelúcia para entrar nesse jogo simbólico de fantasia. Algumas fingem ser outra pessoa, outras cantam. E tem aquelas que inventam um amigo só seu, com pensamentos, vontades e conselhos sob medida para atender aos anseios de seu criador.

“Pode ser uma maneira de lidar com lacunas de relacionamento, de entender seus próprios sentimentos ou uma situação que está vivenciando, por exemplo, a separação dos pais ou a mudança de escola”, explica Ricardo Halpern, presidente do Departamento de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O especialista diz que esse companheiro pode assumir várias formas – menino, menina, urso, boneca, cachorro – e servir à criança para distrair, brincar, brigar... “O amigo imaginário é um interlocutor que diz se o que ela está fazendo e pensando é certo ou errado, como um conselheiro”, afirma.
amigo_imaginario (Foto: Guto Seixas/Editora Globo)
Mas ele também pode ser um recurso para a criança testar seus limites. Por isso, não são raras as histórias de amigos imaginários que levam a culpa quando seu filho faz algo errado. Se isso acontecer, basta usar a brincadeira para ensinar limites para a criança – e seu colega invisível.

Embora não haja pré-requisito para usar desse artifício, um estudo de 2005 da Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que as meninas têm 60% de chances de ter um amigo imaginário, enquanto os meninos têm 40%. Maria Ângela Barbato, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, explica que isso acontece porque, em geral, os meninos se relacionam com o imaginário de um modo diferente. “Eles gostam de se fingir de super-heróis. Já para elas, é mais fácil o personagem sair da imaginação para brincar.”
Um processo natural

Em geral, não há o que os pais possam temer. Uma das pesquisas apresentadas em janeiro deste ano no Congresso Anual da Sociedade Britânica de Psicologia Infantil mostrou que, para 88% dos 265 pais participantes, a presença do amigo imaginário na vida do filho não é um problema, pelo contrário, pode até ajudar no processo de desenvolvimento da criança. Propiciar mais momentos de diversão e ajudar na aceitação de limites foram citados por eles como os principais benefícios dessa amizade – desde que a fantasia não se sobreponha à realidade.
O momento do adeus

A hora do amigo invisível ir embora varia de criança para criança, mas, geralmente, esse abandono acontece perto dos 7 ou 8 anos. “De repente, ela percebe que ele não faz mais sentido porque já encontrou outros caminhos para lidar com a realidade. O que antes vinha do pensamento é transformado em sentimentos reais, próprios da maturidade emocional e cognitiva”, esclarece a psicóloga Luciene.

Para a psicóloga e psicanalista Diana Pancini de Sá, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), o sinal de alerta não tem a ver com o calendário. Em vez de você ficar preocupado porque o amigo não vai embora, o melhor é prestar atenção na intensidade da brincadeira. “Independentemente da idade do seu filho, o companheiro imaginário não pode afastá-lo de suas atividades rotineiras nem substituir a convivência com crianças reais.”

Se você desconfiar que essa interação passa dos limites, observe se o seu filho está se isolando, se não quer mais ir à escola, se está deixando de comer. Se ele não quiser largar o amigo de jeito nenhum, será preciso uma investigação mais aprofundada para descobrir o que há por trás dessa fuga da realidade. Em paralelo, os pais podem estimular o convívio dele com crianças de verdade. Vale fazer festas do pijama, passeios no parque e tudo que melhore o convívio social.

Na maioria dos casos, a companhia imaginária é uma fase de transição. E, enquanto ela não passa, é melhor que os pais tratem a situação com normalidade, sem dar castigo ou repreender a criança para que ela não fique insegura e recorra à mentira. Entrar na brincadeira e aceitar que, por aquele período, a sua família ganhou um novo membro é a melhor saída. Pedir desculpa ao amigo invisível por sentar em cima dele ou, depois do cinema, perguntar o que ele achou do filme são boas maneiras de mostrar à criança sua aceitação.

Só tome cuidado para não se apropriar dele. Por mais tentador que possa parecer, não diga coisas como: “Vá buscar seu amigo para dormir” ou “Ele vai ficar bravo se você não comer toda a comida”. A criança precisa ter plena ciência – e em geral ela tem – de que aquele ser vem da cabeça dela, e só. Se os pais reforçarem demais a presença dele, pode ser que o filho pare de encará-lo de forma natural e passe a usá-lo como algo para chamar a atenção dos adultos.
Para entender mais sobre o companheiro invisível


Um desenho
Mansão Foster para Amigos Imaginários (Cartoon Network, sem horário fixo) – O desenho conta a história de Mac, um menino de 8 anos que é obrigado pelos pais a abandonar Bloo, seu amigo imaginário. Para não desaparecer, ele muda-se para uma mansão onde vivem vários companheiros “invisíveis”.

Um livro
Memórias de Um Amigo Imaginário (Matthew Dicks, Id Editora) – O livro é narrado sob o ponto de vista de Budo, amigo imaginário do garoto autista Max. É uma história cheia de sensibilidade, essencialmente sobre o poder
de um amigo, seja ele real ou não.

Uma tirinha
Calvin e Haroldo – Criada em 1985, a série de tirinhas escritas e ilustradas pelo autor americano Bill Watterson é sucesso no mundo inteiro até os dias de hoje. As enrascadas que Calvin apronta para seu tigre de pelúcia imaginário e supersincero são a grande sacada das histórias.

Um filme
Uma Família em Apuros (2012, FOX Films) – Apesar de não ser o enredo central, você vai dar muitas risadas com as aventuras de Barker, 5 anos, e seu canguru imaginário. É uma boa oportunidade para entender esse momento de transição entre fantasia e realidade.

Fonte:http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2014/02/seu-filho-tem-um-amigo-imaginario-saiba-como-agir.html

Amigos Imaginários


Uma em cada três crianças nutre temporariamente uma relação existente apenas na fantasia – o que não é motivo para preocupação


Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/amigos_imaginarios.html
fevereiro de 2010
Inge Seiffge-Krenke
John Lund/Stone/Getty images
Vivemos tempos em que conversar com gente que nunca vemos não é nada incomum: perambulamos por chats, blogs e twitter e trocamos informações e segredos com pessoas com quem mantemos relacionamentos virtuais, às vezes bastante íntimos. Mas e quando uma criança “cria” um amigo imaginário – brinca, fala e até mora com ele, como se fosse real? Esse fenômeno, que surge principalmente entre 3 e 7 anos, não é tão raro. Quando pais e educadores percebem a existência desses companheiros invisíveis quase sempre ficam preocupados. Uma mãe escreve em um fórum on-line: “Nosso filho de 5 anos tem falado há três dias de ‘sua amiga Pia’. Ela só existe em sua imaginação, mas parece ser absolutamente real para ele. Ele se comporta como se pudesse vê-la! Nós não tivemos esse tipo de experiência com sua irmã três anos mais velha. A amizade com ‘Pia’ parece fazer bem ao nosso filho, mas nós nos preocupamos mesmo assim. Será que devemos deixá-lo com sua fantasia ou tentar convencê-lo a abandoná-la?”.

Mas os pais podem respirar aliviados, pois todos os estudos sobre esse fenômeno chegam ao mesmo resultado: não há motivo para preocupações! Os amiguinhos imaginários têm sido estudados de forma intensiva há muito tempo, nos últimos 100 anos, mas poucos psicólogos se dedicaram a esse tema. E há um ponto em comum: todos concordam que os amigos imaginários estimulam o desenvolvimento das crianças, podem suprir eventuais lacunas afetivas e ajudam na elaboração de questões psíquicas.

Para os mais novos, o amigo “de mentirinha” é quase sempre um companheiro de brincadeiras que pode estar “presente” também à mesa na hora das refeições, ser chamado pelo nome, mas não raramente acompanha a criança durante todo o dia. Alguns pesquisadores afirmam que praticamente todos nós temos um parceiro imaginário em um determinado estágio do desenvolvimento – porém, ele quase nunca é descoberto pelos adultos e a própria pessoa normalmente não se lembra disso mais tarde.

Os acompanhantes invisíveis são frequentemente crianças da mesma idade de seus criadores – como, por exemplo, Sebastian Nigge, o amigo imaginário de Madita, personagem do livro de mesmo nome, de Astrid Lindgren. Podem ser também animais, magos ou super-heróis. Alguns cabem no bolso e podem ser levados para todo lugar – como o canguru invisível Pantouffle no filme de Hollywood, Chocolate, de 2000, dirigido por Lasse Hallström.
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Quadrinhos: bichos de pelúcia, como o tigre Haroldo, companheiro de Calvin, ganham vida e personalidade
Os pequenos também dão vida a um bicho de pelúcia ou a uma boneca de que gostam muito ao lhe atribuírem personalidade própria. Com isso, os amigos visíveis como Hobbes (ou Haroldo na versão brasileira) – o tigre de pano dos quadrinhos americanos Calvin e Haroldo – também se tornam companheiros imaginários. Os estudos nos quais esse artigo se baseia concentram-se, porém, no fenômeno dos amigos totalmente invisíveis e semelhantes aos seres humanos.

Uma das primeiras descrições do fenômeno é um estudo publicado no século XIX, em 1895, feito pela pedagoga Clara Vostrovsky, da Universidade Stanford: o caso de uma garotinha que teve vários amigos imaginários até a idade adulta. Desde então, novos estudos mostravam que entre 20% e 30% das crianças têm, pelo menos temporariamente, um ou mais acompanhantes invisíveis.

Não raro, pais, professores e terapeutas incomodam-se não apenas com o fato de as amizades imaginárias serem mantidas por um longo tempo, às vezes por anos, mas também com a nitidez com que as crianças parecem ver seus amiguinhos. Mas os pequenos sabem muito bem que seus parceiros não são reais e que só existem em sua imaginação. Ou seja: essas criações psíquicas podem ser claramente diferenciadas de fantasias patológicas, que ocorrem, por exemplo, nas psicoses. A criança nunca se sente indefensavelmente dominada pelo amigo que criou – pelo contrário, pode modelar, modificar e manipular sua invenção como quiser. E também determinar a duração desse “relacionamento”.

Companheiros imaginários podem ter funções variadas. Algumas crianças e jovens iniciam essa amizade quando se sentem sozinhos. O estudo de 2004 de um grupo de trabalho coordenado pela psicóloga Marjorie Taylor, da Universidade de Oregon, também aponta nessa direção. Os pesquisadores entrevistaram 152 crianças em idade pré-escolar e descobriram que aproximadamente 70% com idades entre 5 e 6 anos que tinham amigos imaginários eram primogênitos ou filhos únicos.
Estudos anteriores desse mesmo grupo com crianças e adolescentes mostraram que amigos imaginários apareciam principalmente quando surgiam mudanças drásticas: a mãe ficava grávida ou um irmãozinho nascia; quando um dos pais estava ausente devido a frequentes estadias no hospital ou depois que uma pessoa considerada referência afetiva morria. Também no caso de separação dos pais ou de amizades que se rompiam, por exemplo, devido a uma mudança de casa, os amigos imaginários ajudavam na superação. Pesquisadores relatam o caso de uma menina de 10 anos que sofria de grande solidão. Sua mãe estava em tratamento havia dois anos, devido a uma forte depressão, e desde então a menina ficava frequentemente

sozinha e tinha de cuidar de si mesma. Nessa situação, ela inventou um irmão imaginário totalmente dependente dela, ao qual ela dispensava atenção materna – assim como provavelmente gostaria de ter sido tratada. Às vezes, passava dias deitada na cama, mergulhada em uma conversa interminável com seu irmão invisível. Quando a mãe recebeu alta e voltou para casa, ele desapareceu de um dia para outro.

De tempos em tempos, portanto, crianças e adolescentes compensam a realidade com a ajuda providencial do parceiro imaginário e assim combatem sentimentos de abandono, solidão, perda ou rejeição. É possível, assim, desfrutar de um relacionamento de amor e apoio, além de companhia – independentemente das circunstâncias externas. Como consequência, essas figuras quase sempre desaparecem assim que a criança encontra amigos reais ou se adapta à nova situação.

Essa função pode explicar por que também pessoas idosas têm eventualmente amigos imaginários – o que até agora quase não foi estudado. O psiquiatra canadense Kenneth Shulmann relatou em 1984 o caso de três pacientes com mais de 80 anos que haviam perdido pessoas queridas recentemente. Os três fizeram seus companheiros falecidos reviverem em sua imaginação, embora evitassem falar sobre o assunto com outros, o que foi avaliado por Shulman como um indício de que eles tinham consciência da natureza ficcional de suas criações.
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Madita, personagem do filme You are crazy, Madiken (1984): os pequenos sabem que seus parceiros não são reais, o que é um diferencial das fantasias psicóticas
PRAZER E COMUNICAÇÃO
Em seus extensos estudos sobre o desenvolvimento da inteligência infantil, o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) também deparou com os amigos imaginários. Ele os interpretou como uma forma especial do jogo simbólico. Segundo o estudioso, em situações lúdicas uma realidade estranha seria construída: as crianças fingem e desempenham papéis. Piaget relatou sobre o companheiro imaginário de sua filha de 3 anos, Jacqueline. O personagem dominou a atenção da menina durante dois meses, ajudava-a em tudo o que estava aprendendo, estimulava-a a respeitar regras e a consolava quando estava triste. De repente, desapareceu.

Piaget não atribuiu a criação do amigo de sua filha à solidão ou a condições de vida difíceis. Via nele muito mais uma prova de criatividade e prazer comunicativo. Essa ideia foi comprovada mais uma vez em 2008 por um estudo dos psicólogos Anna Roby e Evan Kidd, da Universidade de Manchester. Eles testaram a capacidade linguística de 44 crianças em idade pré-escolar e escolar. Aquelas que tinham um companheiro imaginário costumavam se expressar melhor e se colocar no lugar do interlocutor, o que faziam inclusive com prazer. Um estudo que realizei com 241 adolescentes em 2000 teve resultado semelhante: os jovens com amigos imaginários apresentaram mais qualidades sociais, como empatia, do que aqueles sem um acompanhante invisível.

Estudos sobre comportamentos lúdicos comprovam que principalmente crianças maduras e psicologicamente estáveis têm amigos imaginários. Assim, o sociólogo britânico David Finkelhor, da Universidade de New Hampshire em Durham, nos Estados Unidos, foi um dos pesquisadores que demonstraram que quanto pior for o estado físico e psíquico das crianças, menos serão capazes de brincar. O abuso ou a negligência fazem com que a imaginação se atrofie e inibem a propensão ao jogo – em geral, essas crianças não criam acompanhantes imaginários.

Os amigos inventados, porém, podem surgir quando a criança tem dificuldades em se submeter às regras dos adultos. Então o parceiro virtual simplesmente se permite fazer aquilo que é proibido a seu criador. Obviamente, os novos amigos são os culpados quando os pais descobrem a lata de bolachas saqueada ou são vítimas de alguma traquinagem. Muitas crianças até mesmo punem seus cúmplices invisíveis pelos delitos – o que naturalmente não impede os amigos de voltar a se portar mal.
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Sucesso da Broadway nos anos 40, a comédia Meu amigo Harvey foi transformado em filme em 1950: protagonista é acompanhado por um coelho branco invisível de 2 metros de altura
Os parceiros inventados cumprem função semelhante quando servem de conselheiros morais. Quando estão na pré-escola, as crianças ainda precisam de um interlocutor externo para se certificar de que estão agindo de forma correta. Nesse caso, um amigo imaginário pode ocupar essa brecha. Geralmente, eles surgem em períodos em que seus criadores realizam grandes saltos de desenvolvimento cognitivo e oferecem às crianças a possibilidade de expressar sentimentos e impulsos.

Geralmente amigos imaginários tomam forma a partir do terceiro ano de vida, quando já é possível diferenciar entre o eu e o outro. Em 1988, o psicólogo Paul Harris, da Escola de Medicina de Harvard em Boston, acompanhou 221 crianças com o objetivo de detectar quão bem podiam separar a fantasia da realidade. Por volta dos 3 anos não havia mais confusões entre pessoas reais e inventadas, fossem seres imaginados por elas mesmas ou figuras de contos de fadas, histórias ou filmes.

A fantasia e a criatividade se modificam no decorrer do desenvolvimento. Crianças em idade pré-escolar frequentemente mostram aptidão para o chamado jogo ilusório ou ficcional, no qual partindo de poucos traços um objeto ou um personagem são construídos. Assim, uma fileira de cadeiras se transforma, por exemplo, em um “trem” num piscar de olhos. Na idade escolar a criatividade aumenta e, na adolescência, alguns jovens começam a escrever diários, uma forma muito particular de vivenciar a própria criatividade e imaginação. Para atingir esse estágio é necessário primeiramente uma compreensão madura da intimidade: crianças ainda não diferenciam entre informações “privadas” e “públicas”. Somente por volta dos 10 anos é possível compreender o que significa privacidade. Dessa fase em diante as informações sobre a própria pessoa ou sobre outros podem ser conscientemente mantidas em segredo ou manipuladas. Cerca de 40% das meninas confiam seus pensamentos pessoais a um diário (no caso dos meninos da mesma idade, esse índice é claramente mais baixo).

Com o aumento da idade, altera-se não apenas a percepção de si mesmo e das importantes pessoas de referência, mas também dos companheiros imaginários. Crianças de 4 a 6 anos, por exemplo, caracterizam muitas vezes a si mesmas e a outros por meio de atividades ou traços externos: “sou loiro”, “brinco com carrinhos”. Somente na adolescência usam aspectos da personalidade para se descreverem: “sou tímida” ou “sou generosa”. Esse conhecimento sobre a própria pessoa surge somente por meio das relações com outros, que se tornam cada vez mais significativas com o passar dos anos.
Não apenas as amizades reais, mas os companheiros imaginários também se modificam com o tempo, como demonstrou uma avaliação de vários estudos de longo prazo realizada por mim em 2008. No período pré-escolar são características as relações embasadas em uma interação física momentânea: “Somos amigas porque nós duas gostamos de brincar de boneca!”. Por volta dos 7 ou 8 anos os parceiros recebem e oferecerem ajuda – nessa fase a amizade orienta-se principalmente por vantagens próprias. Mas as crianças já atentam para um relativo equilíbrio de poder: “Eu te empresto minha bicicleta se você me deixar brincar com a sua bola”. Esses relacionamentos são mantidos também com os amigos imaginários.

No início da adolescência, por volta dos 12 anos, a troca emocional com o amigo ou amiga torna-se importante, os companheiros conversam essencialmente sobre problemas. A quebra da confiança é, nesse estágio, o motivo mais frequente para o término da amizade: jovens esperam que um bom companheiro lhes faça confidências e que saiba ouvir e guardar segredos. As meninas valorizam a confiança mútua nas amizades mais do que os meninos e tendem a contar suas experiências íntimas umas às outras.

Essas modificações resultam em uma exclusividade crescente das relações: enquanto crianças mais novas ainda brincam com qualquer um, sem selecionar, o círculo de amizades torna-se posteriormente cada vez mais restrito a poucos com visões de mundo semelhantes e com estes é possível estabelecer trocas mais afetivas. O aumento da necessidade de adolescentes de uma “alma irmã” explica por que nessa faixa etária quase sempre jovens solitários criam companheiros imaginários: para se consolar e não se sentir tão sozinhos.

Em minhas análises de entrevistas com centenas de adolescentes ficou claro que os amigos imaginários frequentemente surgem nos diários dos jovens. Os autores têm longos diálogos com seus parceiros invisíveis: os chamam pelo nome, contam fatos vividos em detalhes (“obviamente, você não poderia saber...”, “esqueci de contar...”) e ao fim da conversa sempre se despedem deles. Em nossa amostra, isso ocorreu em um terço dos diários de meninos e em até 60% das meninas. Os jovens refletiam muito sobre o relacionamento com seus companheiros imaginários e depois anotavam as reflexões em forma perguntas ou comentários. Muitas vezes, eles também convidavam o interlocutor a assumir, criticar ou julgar seu próprio ponto de vista.
Nesses casos, tinham evidentemente uma ideia muito exata de seus amigos inventados. Curiosamente, os jovens de ambos os sexos escolhem amigas imaginárias com mais frequência – 75% dos meninos e 61% das meninas – e inventam uma pessoa que se assemelhe a eles em traços essenciais. Rapazes muitas vezes criam uma cópia feminina perfeita de si mesmos, que se assemelha a eles não apenas em idade e aparência, mas também em personalidade. As meninas, por sua vez, criam ocasionalmente parceiras que se diferenciam delas em características importantes.

Com o aumento da idade, traços centrais da personalidade do amigo se modificam – assim como os do próprio autor –, às vezes ele recebe até um novo nome. Aqui, um exemplo de Tina, de 18 anos: “Durante um tempo, eu a chamei de ‘Cordula’. Agora ainda escrevo para ela, só que não mais de forma tão personificada – quase sempre sem um nome, mas ainda me refiro a ela”.

No decorrer da adolescência, os parceiros invisíveis parecem se tornar menos nítidos, adolescentes mais velhos quase não os mencionam. Aliás, entrevistamos escritores de diário mais uma vez alguns anos mais tarde e contatamos que realmente pouquíssimos conseguiram lembrar-se de seus amigos imaginários! Se o acompanhante imaginário cumpriu sua função, ele aparentemente não só é deixado de lado, mas também esquecido – um sinal de que as crianças conseguiram dar mais um passo em seu desenvolvimento de forma criativa.

Uma Menina Adorável

Em uma análise de diários de adolescentes publicada em 2000, percebi que o amigo inventado quase sempre tem um nome, é de um sexo determinado e tem aparência bem definida e traços de personalidade específicos que a criança ou o jovem pode modificar no decorrer do tempo. Nos diários encontram-se algumas descrições muito detalhadas desses personagens virtuais. Segue um trecho das anotações pessoais de uma menina de 15 anos:

“Kathrin é uma menina adorável que se move de forma encantadora. Ela é muito bonita quando está feliz. Ela tem os olhos castanho-escuros mais inacreditáveis que já vi em minha vida, muito expressivos – às vezes, como estrelas, depois, como o mar Morto, tão profunda, quieta e triste. Mas isso é apenas o que uma amiga pode ver na aparência. Através de seus olhos eu consigo olhar exatamente dentro dela, mas mesmo assim sei muito pouco sobre sua verdadeira vida interior. Por exemplo, não sei como é realmente a sua relação com Deus – portanto, eu poderia me enganar. O que mais a Kathrin é? Inteligente, decidida, apaixonada, solícita, às vezes um pouco difícil de entender, às vezes ela realmente é como uma mãe para todos, mas ela é assim e sem isso ela não seria a Kathrin. Então, há épocas em que eu tenho impressão de que ela realmente faz tudo perfeito, e fico feliz quando acho um defeito. Além disso, ela é muito calada e precisa de muito tempo para confiar em alguém. Ela parece combinar muitas coi
sas com Deus, a quem ela aparentemente é muito ligada”.