A TIRANIA E O CORROMPIMENTO DA ALMA


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A tirania e o corrompimento da alma

Leonardo Maia

“Tirania: o domínio de certas realidades sobre um indivíduo podendo mudar de alguma forma o seu comportamento, podendo causar restrições à liberdade de expressão, ameaças e outros meios de abuso na tentativa de manter o poder em alguma esfera. Vc já sofreu algum tipo de tirania? E você é tirano em alguma esfera de relação? Quem não conhece o dono da bola… que se ficar de fora do jogo, ou do melhor time, vai embora e leva a bola junto, fazendo com que os colegas se submetam às suas exigências e caprichos. O patrão que exige uma postura específica de seus subordinados, subjugando-os  através de ameaças de demissão, ou favorecendo-os somente em caso de conduta específica (troca de favores). Ou mesmo aquela bela mulher que expressa sua tirania através de sua sedução, para conseguir favores ou facilidades. O fortão que faz valer sua opinião através da força. O policial que acredita estar acima das pessoas por usar uma farda. Até o famoso “filho ou amigo do dono”. Se alguém depende de mim para algo, exijo que ele se submeta à algo para apenas realizar meus caprichos e desejos mesmo sabendo que estou utilizando um poder para persuadi-lo? Isso é algo muito comum de acontecer, em todas as esferas, mas o problema é: Eu lido com isso como um padrão ou um deslize? Agora estamos entrando em um aspecto da ética, moralidade, da índole e da alma. Quando tomamos como um padrão de comportamento comum, acabamos nos anestesiando e perdendo o sentido de humanidade. Este é o grande perigo. Não me toca a alma subjugar o outro, apenas luto para manter um domínio sobre uma certa realidade, não me importando se o que eu faço para isso não é ético e moral. Aí chegamos à corrupção da alma. Fazemos o mal ao outro e não nos toca mais a alma, por isso a analogia: “Vendeu a alma ao Diabo”. Vc terá seu poder, seu dinheiro, seu status, seus caprichos atendidos, mas em troca vc perde algo muito valioso. Uma alma toca outra alma, isso é um grande segredo da humanidade. Quando o outro não me importa mais e faço o que deve ser feito, me torno egoísta e perco a compassividade, o respeito e o amor ao próximo. Uma pessoa sem alma, anestesiada à dor e ao sofrimento alheio.”
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O significado de tirania está relacionado com opressão, crueldade e abuso de poder. O conceito moderno de tirania constitui uma forma de atuação indesejada tanto na política quanto em outras relações humanas. O sentido negativo será atribuído quando começar a haver restrições à liberdade de expressão, ameaças aos opositores e outros meios de abuso na tentativa de manter o poder em alguma esfera. Outras aplicações do termo tirania prendem-se com o domínio de certas realidades sobre um indivíduo podendo mudar de alguma forma o seu comportamento.
Vc já sofreu algum tipo de tirania? E você é tirano em alguma esfera de relação?
Quem não conhece o dono da bola… que se ficar de fora do jogo, ou do melhor time, vai embora e leva a bola junto, fazendo com que os colegas se submetam às suas exigências e caprichos. O patrão que exige uma postura específica de seus subordinados, subjugando-os através de ameaças de demissão, ou favorecendo-os somente em caso de conduta específica (troca de favores). Ou mesmo aquela bela mulher que expressa sua tirania através do seu poder de sedução, para conseguir favores ou facilidades. O fortão que faz valer sua opinião através da força. O policial que acredita estar acima das pessoas por usar uma farda. Ou até o famoso “filho ou amigo do dono”.
Se alguém depende de mim para algo, exijo que ele se submeta a algo para apenas realizar meus caprichos e desejos mesmo sabendo que estou utilizando um poder para persuadi-lo?
Isso é algo muito comum de acontecer, em todas as esferas, mas o problema é: Eu lido como um padrão ou um deslize?
Todos somos seres humanos e, muitas vezes cometemos erros e agimos com essa tirania. Movidos por desejos, necessidades ou caprichos, acabamos muitas vezes escorregando neste âmbito de relação.
Mas eu me importo? Mesmo sabendo que o que eu exijo está prejudicando alguém, grupos ou mesmo interferindo na moralidade de outra pessoa, fazendo-a agir contra suas convicções? Agora estamos entrando em um aspecto da ética, moralidade, da índole e da alma.
Parece uma simples analogia entre a tirania e a falta de caráter, de ética e imoralidade. Mas existem pontos muito importantes a serem considerados. Em muitos casos me sinto obrigado a agir assim me justificando a uma necessidade: Eu precisei agir assim senão perderia o emprego. A minha família iria passar fome. Minha mulher iria me abandonar. Entre outras tantas possibilidades que dizem exclusivamente ao âmbito individual. Esse ponto é crucial, pois daí pode-se chegar ao nível mais obscuro da tirania.
Quando tomamos como um padrão de comportamento comum, acabamos nos anestesiando e perdendo o sentido de humanidade. Este é o grande perigo. Não me toca a alma subjugar o outro, apenas luto para manter um domínio sobre uma certa realidade, não me importando se o que eu faço para isso não é ético e moral. Aí chegamos à corrupção da alma.
Fazemos o mal ao outro e não nos toca mais a alma, por isso a analogia: “Vendeu a alma ao Diabo”. Vc terá seu poder, seu dinheiro, seu status, seus caprichos atendidos, mas em troca vc perde algo muito valioso. Uma alma toca outra alma, isso é um grande segredo da humanidade. O outro não me importa mais, faço o que deve ser feito. Me torno egoísta e perco a compassividade, o respeito e o amor ao próximo. Uma pessoa sem alma, anestesiada à dor e ao sofrimento alheio.
Existem várias forças que nos impulsionam à ação tirânica, como desejos, necessidades, medo ou insegurança. Elas atuam em todos nós e por isso devemos ficar atentos, para que elas não nos façam ultrapassar o limiar entre Eu e o Outro.
Existe um aspecto ainda mais complexo, o da tirania hierárquica de poder e a forma como ela corrompe gradualmente a alma humana a partir dos postos superiores até os cargos inferiores.
Vamos exemplificar isso em uma operadora de Telemarketing: Existe a hierarquia inferior que seriam os tele-atendentes. Na grande maioria, jovens entrando no mercado de trabalho. Seu trabalho seria, por exemplo, oferecer cartões de crédito ou vender um provedor pago a quem assinou a internet.
Ganham um valor básico bem baixo e ganham extras por metas cumpridas. Eles são estimulados e premiados ao vender mais. Acontece que eles acabam sendo obrigados a persuadir o cliente a adquirir o produto para bater suas metas, por exemplo, dizendo ao cliente que é obrigatório um provedor (o que é verdade), mas ocultando a informação de que a pessoa tem direito a um provedor gratuito, mesmo sabendo disso. Como só ganham extras se bater as metas de venda – o que torna o salário muito superior, acabam criando estratégias de persuasão, mesmo sabendo que estão prejudicando a outra pessoa.
A estrutura do serviço os fazem parar de pensar no ser humano, e visar apenas a meta, anestesiando o processo de humanidade. Os que melhor se desenvolvem nesses mecanismos, recebem salários muito superiores aos dos outros e ainda podem ganhar uma promoção de supervisor com um salário e prêmios melhores, que coordena e estimula um grupo de tele-atendentes a cumprir metas de vendas.
Assim, continuam, caso desempenhem um bom papel e atinjam boas metas em sua nova função, podem chegar a gerente de operações, que coordena o grupo de supervisores e todos os tele-atendentes da operação específica, neste exemplo, venda de provedor de internet.
E o caminho continua… pois os benefícios e prêmios vão ficando cada vez maiores e já consigo separar o lado humano do institucional, penso pela Instituição, afim de preservar tudo o que conquistei, mesmo que esteja fazendo algo imoral e estimulando/exigindo que outras pessoas o façam – neste caso, os jovens atendentes de telemarketing. Além de estar corrompido, trabalho no corrompimento dos jovens que vendem o serviço, mesmo que inconsciente.
Isso acontece em muitas Instituições e no governo. Se a Instituição “força” o profissional a agir imoralmente, para que receba mais benefícios ou mesmo mantenha seu emprego, se trata de tirania institucional. Elas querem pessoas inteligentes, perspicazes, mas comprometidas consigo próprias e não com o “todo” para atuar em prol da Instituição e praticamente as compram. O dinheiro e o poder acabam corrompendo-as e desumanizando-as.
Para subir de cargos ou receber benefícios, tenho que agir conforme os interesses superiores, caso contrário, sofro retaliações e corro o risco até de perder os cargos que conquistei. Se faço o que é de interesse deles, aumento meu salário, ganho benefícios, e posso galgar um posto mais elevado. Senão, todo tipo de empecilho é colocado perante mim. Isto é comum e normal, até pela necessidade do funcionamento da estrutura/instituição. Mas o problema é quando existe um interesse escuso por trás, que faz com que as pessoas tenham que agir imoralmente para atender os interesses da estrutura/instituição. Quanto mais eu sirvo aos interesses, mais espaço e benefícios eu vou conquistando, e se eu me proponho a atuar imoralmente desde os cargos inferiores, isto pode tomar a minha forma de atuação tanto pela necessidade de manter meus benefícios quanto pela de possibilidade de conquistar mais deles. Aí inicia-se o corrompimento da alma.
Isto acontece em muitas instituições, privadas e públicas. Indicações para cargos, benefícios e favores em prol das hierarquias de cima. Como se diz, tudo uma questão de política e poder. Me ajude que eu te ajudo. As recompensas são altas. Para se estar nos cargos de cima, preciso estar adaptado ao mecanismo de corrupção e se continuo, prospero, senão posso por tudo que conquistei a perder, tornando-me prisioneiro da situação. Quanto maior o cargo, mais corrompido estarei. Então farei o possível para me manter, ajudando os que contribuem para que o mecanismo funcione e impelindo os que não ajudam, perdendo a ética, a moralidade e o sentido humanitário, perdendo a percepção da alma humana.
Os financiamentos vem em troca de benefícios. As grandes empresas e corporações patrocinam, mas exigem facilitações para o desenvolvimento de seus negócios, mesmo que estes não beneficiem as pessoas, o grupo maior, a humanidade. Controlam a mídia, o governo, as leis, tudo que puderem para manter o poder, mesmo que seja necessário enganar, manipular e corromper. Trazer o mal a várias esferas sociais.
A corrupção passa pelo aspecto humano, um homem corrupto é aquele que sofreu o corrompimento da alma e não se importa mais com o sofrimento causado por suas ações e seu poder de atuação. A tirania institucional vem da estrutura, dos mais altos cargos fazendo uma corrente de corrompimento até as bases, com uma força enorme.
O que é preciso para mudar tudo isso? Pessoas elevadas, comprometidas e com força moral suficiente para estar acima destas forças que corrompem a alma humana. É difícil? Sim, porque somos humanos e as dificuldades e desafios podem nos enfraquecer. Existe muito em jogo e somente uma forte conexão com propósitos elevados pode nos levar a uma transformação real.
“Que o meu pensar seja claro, verdadeiro, sem julgamento, ponderado. Que meu sentir seja aquecido, amoroso, com compaixão pelo outro, trazendo a verdade do amor latente em si. Que minha ação seja fiel a uma causa, apaziguadora. Que eu possua a virtude de fazer o bem. Que eu possa ajudar ao outro ser humano e acompanhá-lo. Que eu desenvolva o sentido humanitário e colocar a minha força à disposição da humanidade. Que eu Ilumine com sabedoria os lados negativos ou sombras. Que eu possa ajudar o outro a encontrar suas metas e realizá-las. Que eu acompanhe o destino do outro, ajude-o a encontrar os lados positivos da vida para aproveitar, para um todo maior, as qualidades positivas de cada um.”

Fonte:http://www.antroposofy.com.br/forum/a-tirania-e-o-corrompimento-da-alma/

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