A LIGAÇÃO NAZISTA COM SHAMBALA E TIBETE


A Ligação Nazista com Shambala e Tibete


Muitos membros superiores do regime nazi, incluindo Hitler, mantinham crenças ocultas bizantinas. Entre 1938 e 1939, impelidos por essas crenças, os alemães enviaram uma expedição oficial ao Tibete, a convite do governo tibetano, para assistir às celebrações do Losar (Ano Novo).



O Tibete tinha sofrido uma longa história de tentativas de anexação pelos chineses e de falhas britânicas de prevenir a agressão ou proteger o Tibete. Sob Stalin, a União Soviética perseguiu severamente o budismo, especificamente a forma tibetana praticada entre os mongóis dentro das suas fronteiras e do seu satélite, a República Popular da Mongólia (Mongólia Exterior). Pelo contrário, o Japão apoiava o budismo tibetano na Mongólia Interior, que tinha anexado como parte de Manchukuo, o seu estado-fantoche na Manchúria. Alegando que o Japão era Shambhala, o governo imperial estava tentando ganhar o apoio dos mongóis, sob seu domínio, para uma invasão da Mongólia Exterior da Sibéria com o propósito de criar uma confederação pan-mongol, sob proteção japonesa.

O governo tibetano estava explorando a possibilidade de também obter a proteção do Japão face à situação instável. O Japão e a Alemanha tinham assinado um Pacto Anti-Commintern, em 1936, declarando a sua hostilidade mútua em relação à propagação do comunismo internacional. O convite para a visita de uma delegação oficial da Alemanha Nazi foi prolongado neste contexto. Em Agosto de 1939, logo após a expedição alemã ao Tibete, Hitler quebrou o seu pacto com o Japão e assinou o Pacto Nazi-Soviético. Em Setembro, os soviéticos derrotaram os japoneses que tinham invadido, em Maio, a Mongólia Exterior. Subsequentemente, dos contatos japoneses e alemães com o governo tibetano nada se veio a materializar.


Vários escritores sobre o oculto do pós-guerra afirmaram que o budismo e a lenda de Shambhala desempenharam um papel no contato oficial entre a Alemanha e o Tibete. Vamos examinar essa questão.



Os Mitos de Thule e Vril
O primeiro elemento das crenças ocultistas nazis era o reino mítico de Hiperbórea-Thule.
Assim como Platão citou a lenda egípcia da ilha afundada de Atlântida,
Heródoto mencionou a lenda egípcia do continente Hiperbórea no norte
distante. Quando o gelo destruiu esta terra antiga, o seu povo emigrou
para o sul. Escrevendo em 1679, o autor sueco Olaf Rudbeck identificou
o povo da Atlântida com os hiperboreanos e situou este último no pólo
norte. De acordo com várias narrativas, a Hiperbórea dividiu-se nas
ilhas de Thule e Ultima Thule, que algumas pessoas identificaram com a
Islândia e a Gronelândia.
O segundo ingrediente era a ideia de uma terra oca. No fim do século
XVII, o astrónomo britânico Sir Edmund Halley sugeriu pela primeira vez
que a terra era oca, consistindo em quatro esferas concêntricas. A
teoria da terra oca excitou as imaginações de muitas pessoas,
especialmente com a publicação, em 1864, da Viagem ao Centro da Terra do novelista francês Júlio Verne.
Depressa o conceito de vril apareceu. Em 1871, o novelista britânico Edward Bulwer-Lytton, em A Raça Futura,
descreveu uma raça superior, os Vril-ya, que viviam debaixo da terra e
planeavam conquistar o mundo com vril, uma energia psicocinética. O
autor francês Louis Jacolliot promoveu o mito em Os Filhos de Deus (1873) e em As Tradições Indo-Europeias (1876). Nestes livros, ele ligou o vril com o povo subterrâneo de Thule, que irá aproveitar o poder de vril para se transformar em super-homens e dominar o mundo.
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) também enfatizou o conceito de Übermensch (super-homem) e começou o seu trabalho, Der Antichrist (O Anticristo)
(1888) com a frase, “Olhemos-nos face a face. Somos hiperbóreos.
Sabemos bastante bem que estamos vivendo fora dessa trilha”. Embora
Nietzsche nunca mencionasse o vril, contudo, na sua coleção de
aforismos publicada postumamente, Der Wille zur Macht (A Vontade de Poder),
ele enfatizou o papel de uma força interior no desenvolvimento
super-humano. Ele escreveu que “o rebanho”, significando as pessoas
comuns, busca segurança dentro de si mediante a criação da moral e de
regras, enquanto que os super-homens têm uma força vital interior que
os leva além do rebanho. Essa força necessita e leva-os a mentir ao
rebanho por forma a permanecerem independentes e livres da “mentalidade
do rebanho”.
Em The Arctic Home of the Vedas (1903), um dos
primeiros defensores da liberdade indiana, Bal Gangadhar Tilak, deu
mais um toque ao identificar a emigração dos Thuleanos
para o sul com a origem da raça ariana. Assim, muitos alemães no início
do século XX acreditavam que eram os descendentes dos arianos que
tinham emigrado da Hiperbórea-Thule para o sul e que estavam destinados
a se tornarem a raça mestra dos super-homens através do poder de vril.
Hitler era um deles.
A Sociedade de Thule e a Fundação do Partido Nazi
Felix Niedner, o tradutor alemão das Eddas em nórdico antigo, fundou a Sociedade de Thule
em 1910. Em 1918, Rudolf Freiherr von Sebottendorff estabeleceu a sua
filial em Munique. Sebottendorf tinha previamente vivido durante vários
anos em Istambul onde, em 1910, tinha formado uma sociedade secreta que
combinava o sufismo esotérico com a Maçonaria Livre. Acreditavam no
credo dos assassinos, derivado da seita islâmica ismaelita Nazari, que
tinha florescido durante as Cruzadas. Durante a sua estadia em
Istambul, Sebottendorf também esteve indubitavelmente ligado ao
movimento pan-Turaniano dos Jovens Turcos, iniciado em 1908, que esteve
por trás do genocídio armênio de 1915-1916. A Turquia e a Alemanha eram
aliadas durante a Primeira Guerra Mundial. De regresso à Alemanha,
Sebottendorff também foi membro da Ordem Germânica [Germanen] (Ordem
dos Teutões), fundada em 1912, como uma sociedade de direita, incluindo
um secreto grupo anti-semítico. Através destes canais, o assassinato, o
genocídio e o anti-semitismo tornaram-se partes do credo da Sociedade
de Thule. O anti-comunismo foi adicionado após a revolução comunista
Bavariana, mais tarde em 1918, quando a Sociedade Thule de Munique
tornou-se o centro do movimento contra-revolucionário.
Em 1919, a sociedade criou o Partido Alemão dos Trabalhadores.
Começando mais tarde, nesse ano, Dietrich Eckart, um membro do círculo
mais restrito da Sociedade de Thule,
iniciou Hitler na sociedade e começou a treiná-lo nos seus métodos para
utilizar o poder de vril para a criação de uma raça ariana de
super-homens.


Hitler teve uma inclinação para o misticismo desde a sua
juventude, quando estudou o Oculto e a Teosofia em Viena. Mais tarde,
Hilter dedicou o 
Mein Kampf a Eckart. Em 1920,
Hitler tornou-se líder do Partido Alemão dos Trabalhadores,
renomeando-o então para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores
Alemães (Partido Nazista).


Haushofer, a Sociedade Vril e a Geopolítica
Outra influência principal no pensamento de Hitler foi Karl
Haushofer (1869-1946), um conselheiro militar alemão junto dos
japoneses após a Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905. Porque estava
extremamente impressionado com a cultura japonesa, muitos acreditam que
ele foi responsável pela posterior aliança Alemã-Japonesa. Ele também
estava muito interessado na cultura indiana e tibetana, aprendeu
sânscrito, e afirmava que tinha visitado o Tibete.
Após ter servido como general na Primeira Guerra Mundial,
Haushofer fundou a Sociedade Vril, em Berlim, em 1918. Partilhava as
mesmas crenças básicas que a Sociedade de Thule,
e dizem que era o seu círculo mais restrito. A Sociedade procurou
contatar seres sobrenaturais debaixo da terra para deles obter os
poderes de vril. Afirmou também que a raça ariana tinha tido origem na
Ásia central. Haushofer desenvolveu a doutrina da Geopolítica e, nos
finais da década de 1920, tornou-se diretor do Instituto de Geopolítica
da Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique. A geopolítica advogava
a conquista de territórios, para obter mais espaço vital (Alemão: Lebensraum), como um instrumento de obtenção de poder.
Rudolf Hess era um dos estudantes mais próximos de Haushofer
e, em 1923, levou-o junto a Hitler quando este estava preso devido ao
seu golpe de estado falhado. Posteriormente, Haushofer visitou o futuro
Führer com frequência, ensinando-lhe geopolítica em associação com as
idéias das sociedades de Thule e
Vril. Assim, quando Hitler se tornou chanceler em 1933, adotou a
geopolítica como sua política a fim de a raça ariana conquistar a
Europa Oriental, a Rússia e a Ásia central. A chave para o sucesso
seria encontrar os antepassados da raça ariana na Ásia central, os
protetores dos segredos de vril.

A Suástica
A suástica é um antigo símbolo indiano de boa sorte imutável. “Suástica” é um aportuguesamento da palavra sânscrita svastika,
que significa o bem-estar ou a boa sorte. Usada por hindus, budistas e
jainistas durante milhares de anos, também se tornou difundida no
Tibete.
A suástica também apareceu na maioria das outras culturas
antigas do mundo. Por exemplo, a sua variação anti-horário [no sentido
contrário à direção em que os ponteiros do relógio se movem], adotada
pelos nazis, também é a letra “G” no
sistema de escrita rúnico medieval, do norte da Europa. Os Mações
Livres tomaram a letra como um símbolo importante, dado que “G” poderia
representar God [Deus], o Grande arquiteto do universo, ou a Geometria.
A suástica também é o símbolo tradicional de Thor, o Deus nórdico dos Relâmpagos e do Poder (Thor em escandinavo, Donnerem alemão, Perkunas
em Báltico). Por causa desta associação com o Deus dos Relâmpagos, os
letões e os finlandeses tomaram a suástica como insígnia para suas
forças aéreas, quando se tornaram independentes depois da Primeira
Guerra Mundial.
Nos finais do século XIX, Guido von List adotou a suástica como
emblema para o movimento Neo-Pagão da Alemanha. No entanto, os alemães
não usaram a palavra sânscrita suástica, mas em vez disso
chamaram-na “Hakenkreutz”, significando “cruz enganchada”. Derrotaria e
substituiria a cruz, assim como o neo-paganismo derrotaria e
substituiria o cristianismo.
Compartilhando o sentimento anti-cristão do movimento neo-pagão, a Sociedade de Thule
também adotou a cruz enganchada como parte do seu emblema, colocando-o
num círculo com um punhal alemão vertical nele sobreposto. Em 1920, por
sugestão do Dr. Friedrich Krohn, da Sociedade de Thule, Hitler adotou a
cruz enganchada num círculo branco como símbolo central da bandeira do
Partido Nazista. Hitler escolheu o vermelho para cor de fundo a fim de competir contra a bandeira vermelha do Partido Comunista rival.
Os investigadores franceses Louis Pauwels e Jacques Bergier, em Le Matin des Magiciens (O Despertar dos Mágicos) (1962), escreveram que Haushofer convenceu Hitler a usar a cruz enganchada como símbolo do Partido Nazista.
Eles postularam que isso foi devido ao interesse de Haushofer pela
cultura indiana e tibetana. Esta conclusão é muitíssimo improvável,
dado que Haushofer só conheceu Hitler em 1923, e uma vez que a bandeira
nazi apareceu pela primeira vez em 1920. É mais provável que Haushofer
tivesse usado a presença da suástica, difundida na India e no Tibete,
como evidência para convencer Hitler de que esta região era o local dos
antepassados da raça ariana.
Supressão dos Grupos Ocultistas Rivais pelos Nazis
Durante a primeira metade da década de 1920, uma rivalidade
violenta ocorreu, na Alemanha, entre as Sociedades Ocultas e as Lojas
Secretas. Em 1925, por exemplo, Rudolf Steiner, o fundador do Movimento
Antroposófico, foi encontrado assassinado. Muitos suspeitaram que a
Sociedade de Thule tivesse ordenado o
seu assassinato. Anos mais tarde, Hitler continuou a perseguição aos
Antroposofistas, aos Teosofistas, aos Mações Livres e aos Rosacruzes.
Vários eruditos atribuem esta política ao desejo de Hitler eliminar
quaiquer rivais ocultistas ao seu poder.
Influenciado pela escrita de Nietszche e pela doutrina da Sociedade de Thule,
Hitler acreditava que o cristianismo era uma religião imperfeita e
pervertida nas suas raizes pelo pensamento judaico. Via os seus
ensinamentos sobre o perdão, o triunfo dos fracos, e a auto-abnegação
como anti-evolucionários e via-se a si próprio como um Messias,
substituindo Deus e Cristo. Steiner tinha usado a imagem do Anticristo
e de Lúcifer como futuros líderes espirituais que iriam regenerar o
cristianismo numa nova e pura forma. Hitler foi muito mais longe.
Viu-se a si próprio como livrando o mundo de um sistema degenerado e
criando uma nova etapa na evolução da raça mestra ariana. Não tolerava
nenhum Anticristo rival, nem agora nem no futuro. No entanto, era
tolerante quanto ao budismo.

O Budismo na Alemanha Nazi
Em 1924, em Frohnau, Berlim, Paul Dahlke fundou a
Buddhistischen Haus (Casa para Budistas). Estava aberta a membros de
todas as tradições budistas, mas apoiava principalmente as tradições
Theravada e japonesa, visto que eram naquela época as mais amplamente
conhecidas no ocidente. Em 1933, alí se realizou o primeiro Congresso
Budista Europeu. Os nazis permitiram
que a Casa para Budistas permanecesse aberta durante a guerra, mas
controlavam-na firmemente. Como alguns membros sabiam chinês e japonês,
agiam como tradutores para o governo em troca da tolerância ao budismo.
Embora o regime nazi tivesse
fechado a Buddhistische Gemeinde (Sociedade Budista) em Berlim, ativa
desde 1936, e prendido por pouco tempo, em 1941, o seu fundador Martin
Steinke, por regra não perseguiam os budistas. Depois de ser libertado,
Steinke e outros continuaram a ensinar o budismo em Berlim. Não há
nenhuma prova, no entanto, de qualquer presença de professores de
budismo tibetano no terceiro Reich.
A política nazi de tolerância
ao budismo não prova qualquer influência de ensinamentos budistas a
Hitler ou à ideologia nazi. Uma explanação mais provável seria a
Alemanha não pretender prejudicar as relações com o seu aliado budista,
o Japão.
O Ahnenerbe
Sob a influência de Haushofer, Hitler autorizou Frederick Hielscher,
em 1935, a estabelecer o Ahnenerbe (Departamento para o Estudo da
Herança Ancestral) com o coronel Wolfram von Sievers como diretor.
Entre outras funções, Hitler encarregou-o de pesquisar runas germânicas
e as origens da suástica, e situar a origem da raça ariana. Tibete era
o candidato mais prometedor.
Alexander Csoma de Körös (Körösi Csoma Sandor) (1784-1842) era um
erudito húngaro obcecado pela busca das origens do povo húngaro. Com
base nas afinidades linguísticas entre o húngaro e as línguas
turcomanas [ou túrquicas], achava que as origens do povo húngaro se
encontravam no “reino de Yugurs (Uighurs)”, no Turquistão
Oriental (Xinjiang, Sinkiang). Ele acreditava que se conseguisse chegar
a Lhasa, lá iria encontrar as chaves para localizar a sua terra de
origem.
O húngaro, o finlandês, as línguas turcomanas [ou túrquicas], o
mongol e o manchu pertencem à família das línguas uralo-altaicas,
também conhecidas como a família turaniana, da palavra persa Turan
para Turquistão. A partir de 1909, os turcos tiveram um movimento
pan-turaniano liderado por uma sociedade conhecida como os Jovens
Turcos. Em 1910, a Sociedade Turaniana Húngara depressa a seguiu e, em
1920, o mesmo aconteceu com a Aliança Turaniana da Hungria. Alguns
eruditos acreditam que as línguas japonesa e coreana também pertencem à
família turaniana. Assim, em 1921, a Aliança Nacional Turaniana foi
fundada no Japão e, nos finais da década de 1930, a Sociedade Turaniana
Japonesa. Haushofer estava sem dúvida ciente destes movimentos, que
procuravam as origens da raça turaniana na Ásia central. Encaixava bem
com a Sociedade de Thule que tambem
lá procurava as origens da raça ariana. O seu interesse pela cultura
tibetana deu um peso adicional à candidatura do Tibete como chave para
a descoberta de uma origem comum para as raças arianas e turanianas e
para a obtenção do poder de vril que os seus líderes espirituais
possuíam.

Haushofer não era a única influência no interesse de Ahnenerbe
pelo Tibete. Hielscher era amigo de Sven Hedin, o explorador sueco que
tinha conduzido expedições ao Tibete em 1893, em 1899-1902 e em
1905-1908, e uma expedição à Mongólia em 1927-1930. Favorito dos nazis,
Hitler convidou-o a pronunciar o discurso de abertura dos Jogos
Olímpicos de Berlim, em 1936. Hedin envolveu-se na Suécia em atividades
de propaganda pró-nazi e fez numerosas missões diplomáticas à Alemanha
entre 1939 e 1943.
Em 1937, Himmler transformou o Ahnenerbe numa organização oficial associada às SS (Alemão: Schutzstaffel,
Equipa de Proteção) e selecionou o professor Walther Wüst, presidente
do Departamento de Sânscrito da Universidade de Ludwig-Maximilians, em
Munique, como seu novo diretor. O Ahnenerbe teve um Tibet Institut
(Instituto do Tibete), que foi renomeado de Sven Hedin Institut für
Innerasien und Expeditionen (Instituto de Sven Hedin para Ásia Interior
e Expedições) em 1943.
A Expedição Nazi ao Tibete
Ernst Schäfer, um caçador e biólogo alemão, participou em duas
expedições ao Tibete, em 1931-1932 e 1934-1936, para esporte e pesquisa
zoológica. O Ahnenerbe patrocinou-o para liderar uma terceira expedição
(1938-1939) face ao convite oficial do governo tibetano. A visita
coincidiu com a renovação do contato tibetano com o Japão. Uma possível
explicação para o convite seria a de que o governo tibetano desejaria
manter relações cordiais com os japoneses e seus aliados alemães, como
contrapeso aos ingleses e os chineses. Assim, o governo tibetano deu as
boas-vindas à expedição alemã por ocasião da celebração do ano novo
(Losar), 1939, em Lhasa.
Em Fest der weissen Schleier: Eine Forscherfahrt durch Tibet nach Lhasa, der heiligen Stadt des Gottkönigtums (Festival dos Cachecóis Brancos de Gaze: Uma Expedição de Investigação através do Tibete a Lhasa, a Cidade Santa da Terro do Rei-Deus)(1950),
Ernst Schäfer descreveu as suas experiências sobre a expedição. Durante
as festividades, relatou ele, o Oráculo de Nechung avisou que, embora
os alemães tivessem trazido presentes e palavras doces, o Tibete
deveria ter cuidado: o líder da Alemanha é como um dragão. Tsarong, o
anterior líder pró-japonês das forças armadas tibetanas, tentou
suavizar a predição. Disse que o Regente tinha ouvido muito mais do
Oráculo, mas que ele próprio não estava autorizado a divulgar os
detalhes. O Regente reza diariamente para que não haja guerra entre os
ingleses e os alemães, dado que isto também viria a ter consequências
terríveis para o Tibete. Ambos os países devem compreender que todas as
boas pessoas devem rezar o mesmo. Durante o resto da sua estada em
Lhasa, Schäfer reuniu-se frequentemente com o Regente e teve com ele um
bom relacionamento.

Os alemães estavam extremamente interessados em estabelecer relações
amigáveis com o Tibete. A sua agenda, no entanto, era ligeiramente
diferente da dos tibetanos. Um dos membros da expedição de Schäfer era
o antropólogo Bruno Beger, que era responsável pela pesquisa racial.
Tendo trabalhado com H.F.K. Günther em Die nordische Rasse bei den Indogermanen Asiens (A Raça Nórdica entre os Indo-Alemães da Ásia),
Beger apoiou a teoria de Günther de uma “raça setentrional” na Ásia
central e no Tibete. Em 1937, ele tinha proposto um projeto de pesquisa
para o Tibete Oriental e, com a expedição de Schäfer, tinha planeado
investigar cientificamente as características raciais dos povos
tibetanos. Enquanto no Tibete e em Sikkim, no caminho, Beger mediu os
crânios de trezentos tibetanos e sikkimeses e examinou algumas das suas
outras características físicas e marcas corporais. Concluiu que os
tibetanos ocupavam uma posição intermediária entre as raças mongóis e
europeias, com o elemento racial europeu mais pronunciadamente marcado
entre a aristocracia.
De acordo com Richard Greve, “Tibetforschung in SS-Ahnenerbe
(Pesquisa Tibetana na SS-Ahnenerbe)” publicada em T. Hauschild (ed.) “Lebenslust und Fremdenfurcht” – Ethnologie im Dritten Reich (“Paixão pela Vida e Xenofobia” – Etnologia no Terceiro Reich)
(1995), Beger recomendou que os tibetanos poderiam desempenhar um papel
importante depois da vitória final do Terceiro Reich. Poderiam servir
como uma raça aliada numa confederação pan-mongol sob o auspício da
Alemanha e do Japão. Embora Beger tivesse também recomendado estudos
adicionais para medir todos os tibetanos, no entanto não foram
empreendidas quaisquer outras expedições ao Tibete.
Supostas Expedições Ocultistas ao Tibete
Diversos estudos do pós-guerra sobre o nazismo e o ocultismo, tal como The Spear of Destiny (A Lança do Destino) (1973), por Trevor Ravenscroft, afirmaram que, sob a influência de Haushofer e da Sociedade de Thule,
a Alemanha enviou expedições anuais ao Tibete, de 1926 a 1943. A sua
missão era, em primeiro lugar, encontrar e depois manter contato com os
antepassados arianos em Shambhala e em Agharti, cidades subterrâneas
escondidas debaixo dos Himalaias. Lá, os mestres eram os protetores de
poderes ocultos secretos, especialmente de vril, e as missões
procuravam a sua ajuda na utilização desses poderes para a criação de
uma raça mestra ariana. De acordo com estes relatos, Shambhala recusou
dar qualquer ajuda, mas Agharti concordou. Subsequentemente, a partir
de 1929, grupos de tibetanos foram supostamente à Alemanha e
estabeleceram lojas conhecidas como Sociedade de Homens Verdes. Em
relação à Sociedade do Dragão Verde, no Japão, por intermédio de
Haushofer, ela supostamente ajudou a causa nazi
com os seus poderes ocultos. Himmler foi atraído a esses grupos de
mestres Tibetanos-Agharti e, supostamente pelas suas influências,
estabeleceu o Ahnenerbe em 1935.

Com exceção do fato de que Himmler não estabeleceu o Ahnenerbe,
mas, em vez disso, incorporou-o nas SS em 1937, o relato de Ravenscroft
contém outras afirmações dúbias. A principal é o suposto suporte de
Agharti pela causa nazi. Em 1922, o cientista polaco Ferdinand Ossendowski publicou Bestas, Homens e Deuses,
descrevendo as suas viagens através da Mongólia. Nele, relatou ter
ouvido falar do reino subterrâneo de Agharti sob o deserto Gobi. No
futuro, os seus poderosos habitantes viriam à superfície salvar o mundo
do desastre. A tradução alemã do livro de Ossendowski Tiere, Menschen und Götter apareceu em 1923 e tornou-se muito popular. Sven Hedin contudo publicou, em 1925, Ossendowski und die Wahrheit (Ossendowski e a Verdade),
através do qual denunciou as afirmações do cientista polaco. Chamou a
atenção de Ossendowski ter recolhido a ideia sobre Agharti da novela de
Saint-Yves d’Alveidre, escrita em 1886, intitulada Mission de l’Inde en Europe (Missião da India na Europa)
para tornar a sua história mais atraente para o público alemão. Dado
que Hedin tinha uma forte influência no Ahnenerbe, é improvável que
este departamento tivesse enviado uma expedição especificamente para
encontrar Shambhala e Agharti e, subsequentemente, tivesse recebido
auxílio do último.
Fonte:
http://www.berzinarchives.com/web/pt/archives/advanced/kalachakra/shambhala/nazi_connection_shambhala_tibet.html
http://visaoapocaliptica.blogspot.com/2014/07/a-ligacao-nazista-com-shambala-e-tibete.html


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