TODA VEZ QUE DEIXAMOS DE SONHAR É COMO SE DEIXÁSSEMOS DE EXISTIR

toda vez que deixamos de sonhar é como se

TODA VEZ QUE DEIXAMOS DE SONHAR É COMO SE DEIXÁSSEMOS DE EXISTIR
Algumas pessoas afirmam que amor não passa, nunca acaba. E, se acontecer de o ser amado partir, quem fica, por pensar assim, passa a acreditar que aquele amor não era de verdade.
Acontece que não existe verdade absoluta. O que existe é o que cada um sente, e a experiência de vida de cada um. Há aqueles que sentem amor quantas vezes a felicidade bater à sua porta. A paixão, que para uns é uma emoção passageira, para outros é sentimento sincero e profundo pelo tempo que durar. Como também há aquelas pessoas que passam uma vida inteira sem amar, ou porque não tiveram sorte, ou porque deixaram a sorte passar.
Quando se fica muito tempo só, acostuma-se com a ausência do amor. Não. Não é que a pessoa não ama. Sim, ela ama! Adora os amigos, tem um sentimento paternal pelos sobrinhos, e ama infinitamente os seus pais. Daria a própria vida pelo filho. Rega, todos os dias, com amor genuíno, as flores do seu jardim. Mas, depois de muitos invernos dormindo só, ou a solidão acostumou-lhe à descrença do amor romântico, ou o receio de ter outra pessoa na sua vida ficou maior do que a vontade de recomeçar.
Há sonhos dormidos que revelam os desejos mais íntimos. A lua alta convida os solitários a deixarem as expectativas e os próprios julgamentos um pouco de lado. Veja, já é madrugada na sua saudade; descanse suas verdades, feche os olhos e durma um pouco.
Quando repousamos nossa alma nas estrelas, imagens desconexas ganham vida num filme alegórico de acelerar o coração. Você escala as montanhas mais altas, e corre através dos verdes campos. Seu desejo é ardente como a luz que aquece sua pele. Torna-se bicho, torna-se coragem, e corre.
Seus músculos voam com o vento que atravessa arbustos fechados, orgulho ferido e medo. Você sabe dos desafios que lhe aguardam, mas não para. Não consegue parar. Não quer parar. Segue a batida galopante do seu coração porque o sente.
A cada trecho do seu sonho você vai se desnudando. Avança seu faro e se deslumbra com o cheiro doce do pressentimento. Corre tanto que voa mais alto que os pássaros que perseguem a linha do horizonte, pois é lá que estão todas as lembranças esquecidas.
Então, finalmente, você abraça a árvore da sua infância e se deita novamente na colcha de crochê cosida por sua avó, a mesma colcha que te aquecia quando você chorava. Ouve a canção dos Beatles que marcou um dia feliz da sua vida. Sente saudade de um beijo secreto; depois, lembra-se de cartas guardadas em caixas de sapato no fundo do armário. E dança uma valsa — sem seu par — pelo salão da sua esperança.
Correndo triunfante no horizonte do seu sonho, descobre o que lhe falta.
Você acorda. Mas o sonho continua dentro de ti, porque você decidiu continuar correndo pela vida, só não encontrou ainda o que está procurando.
O amor é assim… Ele se apressa e demora. Fica. Acaba. Vai embora. E volta.

Escrito por Rebeca Bedone –  Via Revista Bula

Fonte:http://thesecret.tv.br/2015/08/toda-vez-que-deixamos-de-sonhar-e-como-se-deixassemos-de-existir/