MAMÃE + TRABALHO

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Mamãe + Trabalho*


Quando eu penso na minha mãe durante a minha infância, sempre visualizo uma pessoa com um olhar que transbordava amor, carinho e dedicação. Da sua boca, apesar de palavras que pregavam a disciplina e a ordem, tudo que era dito fazia muito sentido e obedecer parecia ser a única e mais sensata opção. Seus abraços eram quentinhos e cheirosos e eu me sentia muito amparada só de ouvir a sua voz no fim do corredor quando ela chegava do trabalho.
Desde muito cedo, eu aprendi a entender que trabalho e mamãe eram duas palavras que sempre andavam juntas. Mas outras palavras como confiança, tranquilidade, respeito, admiração e presença também estavam lá se combinando e se coordenando de uma maneira muito serena na minha rotina.  Ou seja, o fato da minha mãe sempre ter trabalhado nunca foi um ponto de sofrimento ou questionamento para mim. Desde aquela época eu compreendi que se ela havia escolhido esse caminho, então é por que fazia sentido que as coisas fossem daquela maneira.
Hoje, sou eu que me vejo com o olho no relógio, salto e maquiagem, socando algumas frutas, bolachinhas e um iogurte na minha bolsa quando já passou a hora de sair para o trabalho. Sempre dá vontade de mais um beijinho ou de um abraço antes que a loucura do escritório me separe dos 3 projetos melhor elaborados e implementados da minha vida: minhas 3 filhinhas. Enquanto isso, tentando achar a chave do carro na bolsa, segurando o celular embaixo do braço para que ele não caia chão mais uma vez, sempre tem uma que grita “mamanhêêê! Você não me disse tchau!!!” ou senão “manhêê a Juju me disse que não quer mais ser minha irmã!” e nesse mini apocalipse eu desço para a garagem repetindo para mim mesma que as escolhas foram as certas.
Mas nessa hora, quando a culpa e a dúvida estão a ponto de me engolir viva eu grito: Pááááára!! E recorro à minha “survival list” na tentativa de reestabelecer a ordem no meu coração:
  1. Assim como minha mãe sempre fez de uma maneira tão tranquila, a qualidade às vezes é melhor do que a quantidade. Ou seja, talvez eu não esteja ao lado delas o tempo todo durante o dia mas quando estou, então não tem celular, trabalho, chefe que tirem minha concentração. Sou eu 100%, inteirinha para elas. Concentrada. Tranquila. Paciente.
  2. Com três filhas, o exemplo de uma mãe que trabalha pode ser muito benéfico na formação das meninas. Poder ver que a mamãe é uma boa mãe (pelo menos tenta ser), boa profissional, boa esposa, boa atleta e que tudo isso é meticulosamente coordenado simultaneamente como se fossem pratos girando em palitos como o palhaço faz no circo, sem dúvida pode abrir vários caminhos a medida em que elas forem dando rumo às próprias vidas.
  3. Elas são em três e praticamente da mesma idade. Tem uma quantidade enorme de brinquedos, podem brincar juntas do que quiserem e precisam aprender a lidar com o tempo livre desde pequenas. Acho saudável que elas tenham que “se virar” um pouco já que essa geração anda um pouco super-protegida se comparada com outras do passado.
  4. Eu sou uma melhor mãe trabalhando do que provavelmente seria ficando em casa. Isso é uma realidade que resulta de uma variedade de fatores muito mais intrínsecos que não cabem a esse texto. Mas a minha equação é mais ou menos essa: mamãe + família + trabalho + esportes = equilíbrio feliz. E para mim isso tudo funciona bem no final das contas.
Não existe certo ou errado. Para falar a verdade, eu às vezes sinto uma invejinha branca das minhas amigas que podem tirar férias de 30 dias duas vezes ao ano junto com seus filhos. Ou daquelas que não tem nenhum tipo de questionamento ou crise quanto ao fato de ficarem em casa. Cada mulher é diferente, veio de um meio diferente e encara a vida de uma maneira ainda mais distinta.
O importante é identificar o caminho, entrar de peito aberto e saber que as crianças vão se ajustar dentro daquele contexto desde que tudo faça sentido para aquela família. Se fizer, então as crianças provavelmente vão pensar como eu pensava quando via minha mãe toda de branco correndo para o hospital para atender mais um paciente: Se ela escolheu esse caminho, então é por que não há melhor opção para ela ou para nós.

*Maria Eugenia Cardoso tem 38 anos, é Gerente de Marketing, corredora, é casada e tem 3 filhas

Fonte:http://eduquesemmedo.com.br/2015/01/06/mamae-trabalho/

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