NÃO SE FAZ MAIS GURUS COMO ANTIGAMENTE

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Não se Faz mais Gurus como Antigamente
Fiquei pasmo ao ler isso. Guru? Eu? Logo eu, que rejeito gurus de qualquer tipo, que não aceito qualquer personificação do divino, que sou adepto do livre arbítrio, da liberdade de cada um de viver sua vida como achar melhor, que acredito também que cada um é responsável por suas posturas e atos e que sou convicto de que ninguém sabe o que é melhor para uma determinada pessoa do que ela mesma? Confesso que a reação da mulher me assustou um pouco, pois me mostrou que não é necessária muita coisa para ser taxado de guru, para ser colocado em um pedestal, para ser “violentado” por pessoas que buscam alguém, um líder, para fazê-lo responsável por sua própria sorte, por seu próprio caminho, por sua própria felicidade.
Sim, gurus existem porque seus adeptos existem. E esses adeptos querem exatamente isso: transferir sua responsabilidade pela própria vida a alguém, seguindo o guru por achar mais fácil do que seguir o próprio coração, absorvendo sabedoria alheia ao invés de buscar a própria, deixando-se influenciar e, em muitos casos, também manipular por alguém que aparentemente conhece a “verdade” sobre a vida, sobre o mundo, sobre o universo, sobre tudo.
Decerto somos diferentes, também em nosso desenvolvimento pessoal. E muitas vezes precisamos realmente de orientação. Nesses momentos, é realmente válido e bom ter alguém que, por ter tido outras experiências de vida e possuir assim outro nível de percepção, possa mostrar um ou outro aspecto não visto pela própria pessoa. Assim, podemos buscar esse contato, essa opinião, que talvez nos ajude a enxergar melhor o que queremos, o que buscamos, o que precisamos. Mas aquele que hoje orientou pode amanhã buscar ele mesmo orientação, já que todos nós temos dúvidas, inseguranças, medos e limitações, já que somos todos humanos e igualmente imperfeitos.
A coisa fica problemática quando alguém começa a acreditar ser algo mais, acima dos outros, mais sábio, mais iluminado, um guru. E quando essa prepotência se encontra com a fragilidade de quem busca orientação, mas tem medo de enxergar as coisas como são, que quer ser “salvo”, mas sem querer assumir a responsabilidade pelo próprio crescimento, ou mesmo pessoas simplesmente ingênuas, que correm atrás de tudo que brilha, surge uma dependência perigosa, um relacionamento doentio, onde um acredita ser superior e o outro “compra o peixe sem saber se realmente está fresco”.
Esse peixe, fresco ou não, é embalado e rotulado de diversas formas: alguns gurus abusam do budismo, outros do hinduísmo, alguns viram pastores evangélicos, outros usam o espiritismo e já outros qualquer sabedoria que encontre por aí, de tradições indígenas, de alguma mitologia ou até mesmo de algum outro planeta. Então, aquela sabedoria usada é torcida pelo guru, de forma que a sabedoria em si termine em segundo plano, realçando a pessoa, o mestre, o superior, algo que já deveria bastar para que se perceba que há algo de errado. Mas não basta, pois, como já dito, seus adeptos querem esse guru, acreditam que precisam dele e aceitam a “verdade” torcida para cimentar a dependência e a posição de superioridade e o poder do falso profeta.
Reconheço esse desvio claramente entre adeptos do budismo. Há muitos mestres budistas que gostam de ser vistos como semideuses, como mestres iluminados, espalhando sua verdade pelo mundo, negando na verdade uma religião/filosofia de vida que prega a humildade e a igualdade entre todos os seres humanos. Seus adeptos, ao invés de seguir realmente a filosofia budista, seguem pessoas, enchem suas casas de imagens de Buda e de pseudomestres e obedecem à risca o que dizem e mandam os gurus.
Recordo-me de uma mulher que se converteu para o budismo. Ela, contente por ter finalmente encontrado seu caminho, comprou uma estátua de Buda caríssima, fez um altar altamente luxuoso em sua casa e não demorou muito para comprar o ticket para algum país na Ásia onde encontraria o “mestre” (o guru que ela seguia), sem perceber que aquele caminho escolhido poderia ser tudo, mas não o caminho realmente ensinado por Buda, o que para mim deixa claro: muitos não buscam sabedoria, mas sim dependências de imagens, de pessoas, de símbolos.
Nem é tão difícil reconhecer esses pseudomestres, pois eles normalmente se comportam de forma semelhante: adoram doutrinas, dogmas, regras, leis universais que não podem deixar de ser seguidas de forma alguma, eles apresentam sempre uma receita para a libertação (ou iluminação, ou salvação, ou felicidade…), como se ela realmente existisse, eles criticam/atacam caminhos diferentes daquele que pregam, eles estão mais interessados em impor sua doutrina do que em respeitar a liberdade da pessoa que busca orientação.
Gurus são para mim falsos profetas e, como tudo que é falso, devem ser evitados. Não, o mundo não precisa de gurus, de nenhum deles! O que o mundo precisa é de mais solidariedade e amor entre os homens, de mais coragem e coerência na busca do próprio caminho. O mundo precisa de sabedoria, mas não dos que fazem questão de dizer em voz alta que são sábios. O mundo precisa de equilíbrio e maturidade, e não de ingenuidade e manipulação. Portanto, tenha cuidado ao cruzar o caminho de gurus, desconfie sempre que alguém achar que conhece a “única” verdade, válida para todos, e tenha consciência de que a “iluminação” que você precisa está dentro de você e não nas palavras e muito menos na pessoa de quem é presunçoso ao ponto de achar que sabe mais que você sobre o caminho que você deve seguir. Não sei no que você acredita ou deixa de acreditar, mas, de uma forma ou de outra, sua fé não precisa de intermediários. E quando alguém aparecer em sua porta oferecendo seu “peixe”, use o nariz: pelo cheiro se sente se o “peixe” realmente ainda é fresco ou se estão tentando lhe vender algo que não lhe fará bem
Por Gustl Rosenkranz
Fonte:http://gustl-rosenkranz.de/nao-se-faz-mais-gurus-como-antigamente/
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