"COMPREI UM APARTAMENTO COM VISTA PARA O BANCO ONDE DORMI POR MESES NO CENTRAL PARK"

Roberto Vascon desfila com suas bolsas (Foto: Divulgação)



“Comprei um apartamento com vista para o banco onde dormi por meses no Central Park”


Brasileiro que morou na rua em Nova York fez fortuna com bolsas de couro, desistiu de tudo para viajar pelo mundo e hoje dá palestras motivacionais


O mineiro Roberto Vascon fala muito e fala rápido. Felizmente. Porque se falasse devagar seria necessário um dia inteiro para saber de todos os “causos” que ele tem para contar. Sua trajetória é digna de ser chamada de “superação”, mas não é apenas isso. Depois de ter saído da pobreza e construído sua reputação como designer de bolsas, ele largou tudo para conhecer o mundo – achou que precisava “ganhar” cultura. Depois de cinco anos viajando, voltou a morar na rua e recomeçou do zero, ajudado pelo fato de ainda ser lembrado por algumas clientes. Hoje tem uma fábrica em Belo Horizonte e sai pelo Brasil contando sua história em palestras.
“Fiquei 4 meses penteando macaco, mas sem crise, para mim tudo era um jeito de aprender. Ficava pensando em como ia usar isso para minha carreira de ator”"
Roberto Vascon
As conquistas de Vascon foram, como em quase toda história de sucesso, um misto de sorte e força de vontade. Durante conversa com Época NEGÓCIOS, ele se comparou ao empresário Eike Batista. “O Eike é a prova de que cair é muito fácil, mas a queda não importa se você é persistente. Tenho certeza de que ele vai levantar de novo, o cara é como eu, tem talento e tem vontade”, disse.

Primeiros passos

 Roberto Vascon nasceu em 1961 em Raposos, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cresceu em uma família humilde, com pai alcoólatra, e começou a trabalhar cedo catando ferro velho. A morte do pai obrigou a família a se mudar para a capital mineira quando ele tinha 12 anos. Certo dia, sentou-se no banco de um parque e começou a conversar com um senhor. Esse senhor era o coreógrafo gaúcho Carlos Leite que, ao saber que o menino estava procurando emprego, convidou-o para ser bailarino de sua companhia e ganhar um salário mínimo. O sonho de Vascon era ser ator e ele logo aceitou a proposta. Dançou até os 17 anos quando teve a carreira interrompida por conta do serviço militar obrigatório.
Assim que foi liberado do Exército, pegou carona em um caminhão e foi para no Rio de Janeiro. “Ainda queria tirar a sorte para ser ator e ali era o lugar para isso”, lembra. Sem dinheiro e com apenas até a 4ª séria concluída, o emprego que conseguiu foi com um homem que fabricava macacos de pelúcia. “Fiquei 4 meses penteando macaco, mas sem crise, para mim tudo era um jeito de aprender. Ficava pensando em como ia usar isso para minha carreira de ator”, conta. Teve outros empregos, chegou a alugar uma quitinete, mas o sonho de atuar não foi para frente. “Eu via muito gringo na rua e morria de vontade de falar a língua deles. Aí juntei dinheiro e comprei uma passagem só de ida para Nova York.”
Como o dinheiro era mesmo só para a passagem, assim que desembarcou no aeroporto Vascon teve que caminhar cerca de 12 horas para chegar até Manhattan. Pelos quatro meses seguintes, dormiu em um banco no Central Park e sobreviveu catando latinhas na rua. Nas “horas vagas” colava um tocador de pilha ao ouvido para escutar audiolivros e aprender inglês.

“Eu tive um sonho”

A grande reviravolta começou numa noite gelada em Nova York. Ainda morando no Central Park, Roberto diz que passou muito frio e rezou, pedindo que alguém o levasse embora. Logo depois, adormeceu e teve um sonho com passarinhos, que balançavam uma árvore da qual saíam bolsas. “Acordei sem entender nada, mas fiquei com aquilo na cabeça. Catei muita latinha naquele dia e consegui comprar alguns pedaços de couro, linha e agulha. Nunca tinha costurado, mas comecei a fazer bolsas e coloquei na calçada para vender”, conta. Eram acessórios simples, feitos de retalhos com formas geométricas que ele ia juntando.

Uma cliente foi fundamental para alçar Vascon à fama. Nancy Harris, jornalista do New York Times, passou certo dia em frente àquela calçada e gostou do que viu. Perguntou se as bolsas eram italianas, sem se identificar. “Nessa época eu já conseguia falar inglês. Respondi que eu mesmo as costurava. Ela perguntou onde eu tinha estudado e respondi que não tinha estudado, só queria vender logo as bolsas pra comprar passagem e voltar para o Brasil. Comecei a ficar irritado, porque ela fazia perguntas e tapava a visão dos outros pedestres. Até que ela perguntou quanto era para levar as 12 bolsas. Eu falei logo 450 dólares, mas ela me deu 600, dizendo que com o resto eu comprava um presente para minha mãe.”
Antes de ir embora, Nancy deu um endereço a Vascon e pediu que ele passase lá no final da semana porque suas amigas também gostariam das bolsas. O endereço era nada menos que o prédio do New York Times. “Eu cheguei lá e tinha umas 20 pessoas na sala. Eles gostaram das minhas bolsas, mas eu não estava à vontade, imagina que naquela época eu tomava banho escondido no banheiro do McDonald’s”, conta o mineiro. Para terminar o encontro, Vascon passou o endereço de uma feira de artesanato onde venderia suas bolsas no final de semana.
Woody Hochswender, um dos jornalistas, publicou uma nota no NYT no dia seguinte ao encontro intitulada “Feitiçaria de couro”, chamando Roberto de “fábrica de couro brasileira de um homem só”. Hochswender elogiou suas bolsas e deu o endereço da feira onde elas estariam à venda. Quando Vascon chegou no domingo, encontrou um grupo de jornalistas à sua espera. “Aí eu  contei minha história, falei tudo o que eu queria. E eles resolveram pagar pela entrevista pra me ajudar a sair da rua. Dei um show no meu inglês e depois passei o resto do dia autografando jornais. Para aproveitar, vendi um papel escrito ‘vale uma bolsa’ porque não tinha tanto produto naquele dia e para cada uma eu cobrei 200 dólares.”
"Na primeira vez que usei máquina de costura fui parar no hospital"  (Foto: Divulgação)

Com o dinheiro, alugou um quarto de hotel e passou quatro horas embaixo do chuveiro. No dia seguinte, foi ao prédio do jornal mais uma vez para agradecer a publicação da sua história e ligou para sua mãe, dizendo que não voltaria tão cedo para o Brasil. Mas com tantos “vale-bolsa” para trocar, não havia tempo para descanso. “Comprei uma máquina de costura e contratei uma pessoa. Na primeira vez que usei a máquina costurei minha mão e fui parar no hospital.”
Com o negócio indo bem, Vascon decidiu abrir uma loja com seu nome no Village, bairro de Manhattan. A inauguração aconteceu em dezembro de 1988. A notícia do mendigo que virou empresário continuou se espalhando e alguns meses depois de abrir a primeira loja ele recebeu a ligação de um grupo de empresários japoneses que queriam comprar os direitos de usar seu nome. “Eu queria US$ 10 mil para comprar uma máquina de costura. Cheguei na reunião com os japoneses falando que tinha que terminar rápido porque eu tinha muita bolsa pra fazer e que por menos de 10 eu não vendia. Aí um deles respondeu ‘10 milhões? Viemos te oferecer um milhão, mas você quer dez?’ – aí minha perna ficou até bamba, mas eu fui esperto e saí de lá milionário. Com esse dinheiro, comprei um apartamento de frente para o banco onde dormia no Central Park”, conta. Nos meses seguintes, ele abriria mais seis lojas em Nova York.
Desapego
Famosas como Madonna, Oprah Winfrey e Cindy Lauper usaram as bolsas de couro Roberto Vascon. O ator Robert de Niro também comprou presentes na loja para sua esposa. “Fiquei muito rico, mas em 1993 eu decidi que tudo que ganhei deveria devolver pra Deus. Queria trocar o que eu tinha por cultura”, lembra. Ele fechou suas sete lojas, vendeu o apartamento e deu a volta ao mundo em viagem que durou cinco anos.
Bolsa Roberto Vascon (Foto: Divulgação)

Desembarcou em Nova York pela segunda vez sem dinheiro no bolso. Dormiu mais alguns dias no Central Park até que reencontrou uma repórter do NYT. A notícia sobre seu retorno se espalhou e, em outra feira de rua de domingo, suas bolsas voltaram a ser item de desejo. "Mulheres em toda Nova York ainda estão procurando por Roberto Vascon. No início dos anos 90, suas bolsas coloridas feitas à mão atraíram seguidoras na cidade", dizia uma nota publicada em 1999 no jornal. "O amado designer foi encontrado e está de volta à Avenida Columbus, dessa vez no mercado Greenflea". As clientes voltaram e a partir de então foram mais 10 anos morando na metrópole americana. Até que, em 2008, Vascon decidiu voltar para o Brasil.
Atualmente ele tem uma loja [que pretende fechar em breve] em Belo Horizonte e uma fábrica na mesma cidade. “Mas hoje eu não tenho vontade de ter loja, quero só fabricar e ser fornecedor. Agora quero ficar mais livre, eu nunca tive tempo pra minha vida pessoal”, afirma. Não será fácil, porém, encontrar esse tempo. Além de cuidar dos negócios, Vascon também viaja com frequência para dar palestras e contar sua história em empresas e eventos. Este ano será lançada a sua biografia pela editora Novo Século. Em suas palestras, Roberto costuma dizer que “em momento algum você pode usar a palavra impossível, porque querer é poder”. Depois de ouvir a história inteira, difícil duvidar.

Fonte:http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2013/10/

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