MENINOS AZUIS - VITTÓRIO MEDIOLI


Meninos azuis
Na primeira década do século passado, Charles Webster Leadbeater e Annie Besant escreveram vários livros em retiro no “ashram” de Adyar, no sudoeste da Índia. Declararam-se guiados por seres superiores das Fraternidades Brancas e ainda terem viajado no Akasha, uma esfera descrita na doutrina hinduísta como repositório de tudo que se passou e de tudo que ainda acontecerá. Contudo, a teoria teosófica não nega o livre-arbítrio, a vontade do homem de mudar seu destino e de alterar o próprio carma. Como diziam os romanos: “Faber est suae quisque fortunae”, ou seja, cada um faz a própria sorte, apesar de tudo e dos astros. Predestinação e capacidade (vontade) de mudar o destino geraram vasta literatura, e o mundo assiste a essa batalha infindável.

Entretanto, a ideia de viajar no tempo, para trás ou para a frente, sempre encantou escritores e diretores de cinema. As tramas que tratam da máquina do tempo e das viagens dentro dela marcam muitas peças de sucesso. O filme que mais bilheteria fez na década de 90 foi exatamente “O Exterminador do Futuro”, de James Cameron, o mesmo diretor que se confirmou com o sucesso de “Titanic” e, mais recentemente, “Avatar”.

Cameron não esconde sua atração pelo enigma da “relatividade do tempo”; procura em seus roteiros reviver o passado exatamente como se passou e antecipar o futuro. Acaba mesclando sem economias suspense e bom gosto. Evidentemente, acabou influenciado pela leitura “clarividente” com um toque de clarividência própria. Fez o exterminador de seu famoso filme ser interpretado pelo desconhecido Arnold Schwarzenegger, que em seguida casou-se com uma jovem Kennedy, chegou a ocupar por vários anos a cadeira de governador da Califórnia, apoiando novas formas de sustentabilidade social e ambiental.

Por sua vez, Albert Einstein deu a fórmula da relatividade do tempo, a dimensão “tempo” que se anula na velocidade da luz. Bastaria assim acelerar-se a fantástica velocidade de 299.792.458 m/s ou 1,079 trilhão de km/h para nos livrarmos das rugas e dos cabelos brancos. Pois é, perde-se facilmente a noção dos valores que nos apegam, e ficamos a ver nossa pequenez nessa imensidão. Nossos prazeres e dores ficam microscópicos, nossas veleidades, ridículas, sonhos e tristezas, sem sentido.

A bordo desta terra, dizem os sábios, deveremos desvendar o segredo do sistema solar, depois nos aguardam ainda a galáxia com seus milhões de sistemas solares e em seguida o cosmo com bilhões de galáxias, permitindo crer que nessa espiral os trilhões de anos são apenas dias de uma epopeia sem fim. Vale a pena desesperar? Nunca. Haverá um amanhã e poderá ser glorioso para quem faz por merecer.

Pensar que a luz que nos ilumina avança num dia mais de 26 trilhões de km/h e que a luz de uma galáxia demora alguns bilhões de anos para chegar aqui faz do homem mais poderoso desta terra menos que uma gota em 1 milhão de oceanos. Tem razão Qolet em dizer que tudo não passa de “fome de vento”.

Daqui enxergamos apenas uma parte do Universo que existiu e nem sequer temos confirmação que ainda exista. Nem sabemos ainda o que aconteceu, e sua luz (sua imagem) não chegou. O que vemos é o retrato de quanto aconteceu há bilhões de anos, ou seja, o retrato do que já foi, antes de nós sermos, e só a pálida Lua e poucos planetas nos rodeiam em tempo real.

C. W. Leadbeater pretendia ter atravessado alguns portais do Akasha e de lá teria trazido relatos fantásticos que, já depois de um século de terem sido revelados, acabam confirmando suas proféticas e abstrusas visões. Nos dias de Leadbeater nem se cogitava de rádio, quanto menos de televisão, muito menos internet e computadores. Ele escreveu em 1909, no livro “O Homem de Onde Vem para Onde Vai”, que no futuro que visitou os jornais chegavam às residências pelo éter e eram lidos em “caixas”, sendo permitido imprimir o conteúdo que mais lhe agradasse.

Mais ainda está nessas páginas amareladas, e uma nota que pode nos confortar neste momento é que, depois de grandes distúrbios e desastres, surgirá uma alvorada de sabedoria e felicidade. Muitos perecerão, escórias serão deixadas para trás, dar-se-á o início de uma era de prosperidade, sem dinheiro nem trabalho remunerado, nascerão seres esplendorosamente melhores. “Meninos azuis” como aqueles que começam a aparecer em nossos dias (vejam no Google “meninos azuis”).
Para abordar essa literatura futurista, vale lembrar alguns singelos conselhos.

Nunca se firme um segundo na vaidade e na inveja; tenha poucos desejos, nunca seja hipócrita, mantenha-se firmemente fiel à palavra, aos compromissos e às obrigações; valorize a amizade e a conserve como um tesouro; olhe os maus com piedade, nunca com cólera; deixe os outros cantarem vitória e assuma a derrota para si; respeite a castidade e a piedade onde as encontra; não se conforme nunca com a multidão. Seja você mesmo.

Dias melhores virão.

VITTORIO MEDIOLI

PUBLICADO EM 15/06/14 - 03h30
Fonte:http://www.otempo.com.br/opiniao/vittorio-medioli/meninos-azuis-1.865164

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