MAYALÚ E SEUS MAIS DE 1000 ANOS


Mayalú e seus mais de 1000 anos



Atrás dos bisavós, avós, pais de Mayalú Kokometi Waurá  Txucarramãe tem uma nação inteira de índios Mebengôkre - também conhecidos como Kayapó. Eles habitam o Brasil central e são famosos internacionalmente por sua fantástica pintura corporal. "Como vivi a maior parte do tempo na cidade, eu não tenho a habilidade dos grandes mestres Mebengôkre, mas ando me esforçando para um dia chegar lá", esclarece Mayalú.

Ela nasceu em Brasília, pois seu pai, Megaron Txucarramãe, importante líder indígena, foi trabalhar na Funai. Mais tarde, a família mudou-se para a cidade de Colider, no norte do Mato Grosso. Lá, aos nove anos, Mayalú começou a estudar por conta da insistência da mãe, Kamirrã Trumai Waurá. "Eu sempre agradeço a ela por ter me posto na escola", diz a moça.

Mayalú também é neta de Raoni Metuktire. No fim dos anos oitenta, o avô ao lado do músico Sting - grande vocalista da banda The Police - percorreu vários países denunciando o desmatamento da Amazônia e o projeto da hidrelétrica Kararaô, no rio Xingu. Barrada na época, a construção da usina voltou, nos anos 2000, com o nome de Belo Monte.

Uma usina apontada contra os índios

A megaobra Belo Monte promete ser a quarta maior hidrelétrica do mundo. Seus defensores afirmam que ela é fundamental para o desenvolvimento do país. Pois gera energia que, por sua vez, gera investimentos, empregos, lucros, impostos etc. O doído da questão é o lugar onde está sendo construída - no rio Xingu, nas entranhas da Amazônia. Mas não só a natureza sofrerá com o impacto da obra. Os povos indígenas ribeirinhos também. Leia o Manifesto dos Kayapó. Além de alterar o curso do rio Xingu, modos de vida serão desarticulados. Onde estarão os peixes para comer? A terra para desfrutar a vida e enterrar os mortos? Mayalú não poupa indignação: "Belo Monte é uma tragédia ambiental e social. Governo e investidores não dão a mínima para o sofrimento que a hidrelétrica causa e seguirá causando às pessoas do entorno. Sinto tristeza e revolta. Isso que eles chamam de desenvolvimento, para nós é destruição". A moça tem razão, pois mais uma vez, como em inúmeras outras, os índios não são ouvidos quanto ao seu direito à terra e a um modo de vida diferente.

Jovens agitando

Agora Mayalú, 26 anos, se dedica à consolidação e à divulgação do Movimento Mebengôkre Nyre - uma iniciativa de jovens indígenas.   A filosofia do grupo é resgatar e valorizar a cultura dos antepassados, fartíssima em riquezas imateriais. Entre elas, as lendas, a pintura corporal, os rituais, as eternas lutas contra a invasão dos brancos. "O grupo é formado por meninas e meninos que moram nas cidades, muitos são filhos de servidores que trabalham na Secretaria de Saúde Indígena e na Funai. Nosso objetivo é fortalecer a nação Mebengôkre com novas ideias de mobilização e, ao mesmo tempo, honrar a grande tradição de que somos herdeiros", explica Mayalú. Parece que está dando certo. O Movimento já tem presença nas redes sociais e em manifestações em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro. O grupo também é um espaço de confraternização, socialização, trabalho e festa. Ao contrário do que pensa o senso comum, os jovens indígenas têm muito a ver com a maioria da juventude. Querem opinar e propor. A própria Mayalú é um sinal de mudança: uma líder indígena mulher num mundo cheio de caciques.

Entre o extraordinário e o comum

Fora tudo isso, e não é pouco, Mayalú Txucarramãe cuida dos dois filhos, nascidos do casamento com Renan Santini. Ela divide seu cotidiano entre as tarefas domésticas, a faculdade noturna e trabalhos no Instituto Raoni, criado em 2001 para defender todas as nações indígenas. É uma luta puxada, tendo em vista as constantes ameaças aos direitos dos povos indígenas. Por exemplo, a leniência na demarcação das terras agravada pela proposta de mexer na Constituição para que o Congresso, e não o Executivo, faça as demarcações. "Nós não nos sentimos representados pelos políticos do atual Congresso. Não acreditamos que eles movam um dedo a nosso favor. Todos estão comprometidos com os interesses daqueles que querem a terra para fazer negócios", diz Mayalú. O que ela diz é bom a gente ouvir. Esses brasileiros, anteriores a Pedro Álvares Cabral, sabem muito da terra, da natureza, do Brasil profundo enfim.

Fonte:https://br.mulher.yahoo.com/essas-mulheres/

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