A FALA E A RESOLUÇÃO DE CONFLIITOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL



A fala e a resolução de conflitos na Educação Infantil



Quando as crianças chegam à escola, desde o início no Grupo 1, depois de acalmarem-se as adaptações, já começam a acontecer diariamente as rodas de história e de conversa.
Pode parecer um pouco estranho imaginar uma roda de conversa com crianças que não constroem frases, mal pronunciam palavras ou mesmo sons, porém, como vimos nas adaptações, aqui é através da oralidade do adulto que as crianças se entrosam ao ambiente escolar, criam vínculo conosco e passam a permanecer aqui. É nossa via principal de contato, além do colo e do carinho. Via canções compartilhadas, narração de muitos de seus movimentos, ações, sentimentos durante as brincadeiras, quando se sentem tristes, alegres ou incomodados. 

A partir deste primeiro momento, levamos para a roda diária as histórias, com muitas imagens, cantamos canções que as imagens suscitam, narramos frases simples e interpretamos o que eles veem ali e reconhecem, fazemos os sons dos animais ou objetos que aparecem neles nos aproximando do universo das crianças que vão com estas rodas entendendo e se apropriando aos poucos de novas palavras, conceitos e objetos. Levamos também a estes momentos os relatos dos pais colhido pelas professoras através de conversas com os pais na entrada ou na saída e do registro deles na agenda.
Quando as próprias histórias são trazidas para a roda, as crianças reagem a elas, se comunicando com gestos, com o olhar e cada vez mais com alguns sons que vão se tornando significativos para ela.
Os colegas em roda vão entrando em contato com um pouco daquilo que o amigo traz e se manifestando de algum modo também caso o relato lhes traga na lembrança alguma referência.
As fotos utilizadas no mural desde o início também são muito utilizadas em roda e vão fazendo com que eles aos poucos consigam nomear seus amigos iniciando a formação de um grupo. Ainda que as brincadeiras neste grupo sejam mais individuais, de exploração de objetos e do espaço, as crianças já se observam curiosas, se imitam, testam os amigos assim como testam os objetos e se relacionam de maneira importante tanto na roda como nos momentos diversos da rotina. Nos momentos de conflito que surgem destes primeiros testes, incentivamos que eles observem o outro, e que se posicionem através da linguagem oral reclamando e se desculpando diante do ocorrido.
Ao longo do Grupo 1 e no começo do Grupo 2, as palavras começam a ser usadas pela maior parte das crianças que nos imitam, repetindo palavras ou frases, mas que também usam muitas delas com sentido em contextos diversos da rotina para se comunicarem seja pedindo ajuda, narrando suas ações, nos contanto algum evento ou convidando um amigo para uma brincadeira.
A presença da música permanece forte em todos os momentos e o repertório de conversas e histórias em roda vão se ampliando muito a ponto de algumas crianças já no Grupo 2 se utilizarem do momento de manuseio dos livros para recontar uma história que conhece bem com o livro na mão imitando o professor e fazendo o uso correto de muitas palavras através da memorização. É até por conta disso que é tão importante para eles que se repita tantas vezes uma mesma história.
Neste momento percebemos a importância da leitura para eles, pois é através destas rodas diárias que eles acabam fazendo a diferenciação clara da linguagem oral da linguagem escrita. Isso aparece nas "leituras" espontâneas que os vemos fazer em que iniciam com a expressão "era uma vez..." e continuam utilizando termos e palavras rebuscadas que conhecem deste contexto.
As brincadeiras no Grupo 2, por conta dessa ampliação de repertório e desenvolvimento da oralidade, passam a ser mais complexas e as crianças assumem alguns papéis mais fixos como os de pai, mãe e filho conseguindo manter-se neles por mais tempo e se relacionando mais com os amigos, seja ainda na imitação, na observação ou na brincadeira em dupla. É o amadurecimento deles, de sua fala e da convivência constante com outras crianças que possibilita essa iniciativa da brincadeira com o outro que é sempre fomentada pelo professor.
Este professor que no Grupo 1 é o narrador promovendo a percepção dos objetos, de suas funções possíveis, a noção de outro e também a sustentação das brincadeiras, no Grupo 2 continua sendo um narrador, mas que agora questiona e participa mais ampliando a brincadeira com crianças que já conhecem bem as funções dos objetos, iniciando um campo simbólico mais rico que já se sustenta na maioria deles, transformando objetos, espaços e a si mesmos em outras pessoas durante as brincadeiras.
Nestas transformações, as crianças elaboram seu cotidiano, repetindo ou alterando coisas que acontecem com elas em casa na convivência com os adultos responsáveis, podendo nesta oportunidade, se colocarem no lugar dos responsáveis, reproduzindo e até mudando o que os cuidadores fariam, se colocando neste pequeno momento no controle do que acontecerá com o bebê! Podem assim compreender e elaborar muitas das etapas pelas quais estão passando.
No final do Grupo 2 e início do Grupo 3, tanto o campo simbólico quanto a oralidade estão em franco desenvolvimento e por serem tão relacionadas uma a outra, mudam um pouco o modo em que o grupo se utiliza da roda de conversas e das brincadeiras simbólicas.
Nas rodas, eles pedem e se interessam por histórias mais longas, com enredos mais complexos e à medida em que crescem, pedem mais de uma história por roda por manter um tempo maior de concentração possível.
As conversas espontâneas, de novidades e as relacionadas a projetos são cada vez mais longas e uma crianças vão conseguindo a partir de nossas intervenções, se comunicar com o outro para fazer perguntas, dar depoimentos parecidos ou divergentes, opinar e se relacionar com a fala do outro.
A oralidade mais desenvolvida faz com que eles sintam muita vontade de usar o espaço de roda, que percebem ser o campo mais privilegiado para isso ao longo da rotina. Falam e elaboram o que escutam tecendo comentários e de colocando no lugar do outro à medida que escuta, trazendo suas questões e acréscimos ao que escutou dele.
Não raro, por conta disso tudo, precisamos limitar algumas falas para que no tempo destinado à roda todos tenham a oportunidade de falar. A princípio as crianças não gostam muito deste limite, mas percebem que assim como o espaço de todos está garantido, o seu também estará naquele ou em outro dia novamente. Além disso, ao escutar a fala dos amigos,tem novas ideias e podem comentar, pensar e falar sobre um outro assunto ou ponto de vista que não tinham pensado antes.
Os testes que faziam com os adultos e conosco anteriormente via corpo, passam, com este desenvolvimento também para a oralidade, pois eles percebem o poder e valor das palavras testando o funcionamento delas. Dizem ao amigo que não serão mais seus amigos, que não gostam dele ou de alguma coisa deles, afirmam que eles podem ou não podem fazer alguma coisa e percebem a consequência desta fala ao deixar o amigo chateado do mesmo modo ou mais do que quando o empurra ou dá um apertão, por exemplo. Nestes momentos, assim como nos conflitos físicos, conversamos bem sério com eles sobre o uso das palavras questionando-os e fazendo-os pensar sobre sua fala.
Para lidar com esta manifestação, é importante entendermos que esta fase é de consciência do poder da oralidade para eles e é que por isso estes testes acontecem nesta idade.
Nas brincadeiras, percebemos como o amadurecimento deles e de sua maior compreensão dos papéis e ações dos adultos, vão ampliando a complexidade e duração das brincadeiras e também como, ao longo dos grupos, como as relações vão se estreitando e os grupinhos em que acontecem as brincadeiras espontâneas se ampliando.
Eles se procuram espontaneamente e criam situações longas em brincadeiras espontâneas ou propostas em que circulam vários amigos com papéis duradouros e específicos, em que elaboram ainda seu dia-a-dia, mas também onde criam e inventam mundos e possibilidades diversas a partir da ampliação de seu repertório de histórias, de desenhos animados, de vivências e até trazendo as experiências trocadas com amigos em roda ou com familiares sem de fato tê-la vivido. 


O que a conversa representa no universo infantil?


Um tema como este só pode ser tratado a partir de um ponto de vista específico, que é o da escola que chamamos de "nova", em que há uma visão democrática de educação e em que o aluno é visto como tendo muito a contribuir para a direção do processo de aprendizagem. Neste modelo, que segue o construtivismo e muitas das visões de Paulo Freire, a roda está presente como lugar de escuta e de fala, em que a criança exerce o papel de um ser ativo e construtor de conhecimento. Além da visão de reconhecer a infância como o momento propício para a entrada na sociedade através da convivência na escola com seus primeiros pares, da mesma idade ou não; estes são seus primeiros "conhecidos" que não pertecem ao núcleo familiar.
De acordo com a visão explicitada, a escola é vista como lugar de construção de conhecimento e de troca, onde o diálogo é a forma em que esta construção acontece. A roda pode acontecer desde o menor grupo, de 1 a 2 anos, focando-se na comunicação baseada em relatos que os pais mandam e através de manifestações não verbais, e deve manter o lugar de importância em todos os níveis de educação posterior a este.

Primeiro contato com a escola

O grupo que vou tomar como exemplo, por ser minha área de atuação há 08 anos, é a faixa etária de 03 a 04 anos de idade. Nesta idade, a fala das crianças já está começando a se estabelecer e o funcionamento e importância da roda também, caso a criança já esteja na escola anteriormente, mas, se não estiver, já há uma capacidade de compreensão sobre a importância da fala e da troca com os colegas que vai se construindo.

É em roda que as crianças se escutam e através dela, se identificam com seus colegas, criando laços de afinidade, pois passam a perceber o outro a partir de sua fala, com suas diferenças e semelhanças e podem se relacionar, formando vínculos cada vez mais fortes e profundos. É assim que um punhado de crianças que se conhece bem pode se tornar um grupo de fato, com uma intimidade maior.

A roda é o lugar de se olhar, de escutar, de falar e de ser ouvido. É onde os pequenos elaboram seu discurso, aprendendo a perguntar, a responder, a escutar a resposta e a pergunta do outro, podendo refletir e se colocar sempre que precisar.

Quando compreendem que este é o espaço garantido que eles têm para se colocar, as crianças guardam suas "novidades" para contar no momento da roda, e trazem suas intimidades, eventos importantes que acontecem fora da escola para dividir com os amigos, demonstrando perceber exatamente a importância dela e do suporte que o grupo pode dar para que ele elabore e até valide ainda mais suas ideias e vivências mais intensas.

Conhecendo o próximo

O grupo passa a dividir estas intimidades e se comparam ou se diferenciam dos outros aprendendo a respeitar e conhecer formas diferentes de sentir, se colocando pelas primeiras vezes no lugar do outro para conhecerem melhor a maneira diferente do outro ser, as realidades diversas - sejam físicas, familiares ou culturais, que podem ser diferentes da realidade que vem do núcleo familiar de cada um.

Assim ocorre a primeira inserção no mundo social e a criança pode aprender a conhecer e respeitar o outro, mesmo que seja muito diferente de si mesmo. Conversas nesta faixa etária podem ser muito profundas, pois questões como nascimento, morte, diferenciações entre os sexos e curiosidades sobre o funcionamento e o "porquê" das coisas começa ali.


Momento de leitura e aprendizado

A roda também é momento de leitura. As crianças leem e ouvem histórias clássicas ou contemporâneas, parlendas, poesias e aprendem a distinguir os diferentes portadores e formas de textos, fazendo leituras de imagens e até memorizando longos enredos, que, através da repetição, podem até ser recontados por eles com apoio das imagens.

Nela também podem ser elaborados projetos de pesquisa com os pequenos, com conversas que são disparadoras de um caminho de pesquisa que pode fazer sentido ou não para o grupo. Para isso, o professor deve estar atento e sensível ao que o grupo está interessado, sem impor um tema que não lhes mobilize a pesquisar. Alguns exemplos de projetos interessantes nesta faixa etária são projetos sobre animais, brincadeiras cantadas, instrumentos musicais, jogos, construção e brinquedos com sucata, sentimentos, apreciação de obras de arte, sobre a gravidez e o nascimento deles, sobre os cinco sentidos, entre outras infinitas possibilidades.
Na roda podemos fazer a primeira sondagem de um possível tema de projeto para ver o que eles já sabem, se é um tema que lhes interessa e por onde podem começar a pesquisar, seja com a apresentação de uma atividade prática, com livros informativos, com imagens, vídeos, etc.
Este é um momento da rotina na educação infantil que é espaço de troca de conhecimento, de intimidade e de formação de grupo - com a possibilidade de compartilhar experiências e com espaço de se manifestar. É um dos momentos mais intensos e interessantes justamente pela riqueza das trocas que podem acontecer ali, quando o espaço de manifestação é garantido a todos.


Tem idade certa para as crianças começarem a falar?


Depois que a criança nasce a pressa é a maior companheira dos pais. Quando vai sentar? Quando vai começar a engatinhar? Já está na hora de começar a andar? Mas, o desenvolvimento da fala talvez seja a etapa mais aguardada. Ninguém resiste ao primeiro "papá" ou "mamã". No entanto, para que a criança comece a usar as palavras é necessária muita paciência e uma boa dose de estímulos.

Tem idade certa? 

Cristiane Angelini, fonoaudióloga do Núcleo Pilares de Psicologia e Fonoaudiologia, explica que o processo de desenvolvimento motor e de fala é particular de cada criança. No geral, elas começam a falar as primeiras palavras e sons entre os 12 e 18 meses, após terem passado por inúmeras etapas no desenvolvimento cognitivo e motor.

Segundo estudos da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, a maior parte dos pediatras não encaminham para o fonoaudiólogo crianças com alteração no desenvolvimento de linguagem no período apropriado. Então, Cristiane aconselha às mães a estarem atentas sempre. "Existem várias fases de desenvolvimento da fala. As mães devem se preocupar quando a criança não reage aos sons, quando não procura os objetos ou não faz contato com o adulto e, principalmente, quando a criança não tenta outra forma de comunicação, tal como a imitação ou uso de gesto para se expressar", orienta a especialista.
O atraso na fala pode indicar apenas um atraso no desenvolvimento, sem nenhum outro tipo de comprometimento, mas também pode apontar para outras alterações tais como perda auditiva, autismo, algumas síndromes, questões neurológicas e também problema emocional. Esse atraso pode ter diversas causas, como orgânicas, emocionais ou também por falta de estimulação, conforme explica Cristiane. "Em ambientes no qual a criança não tem espaço para se expressar ou que suas ações não ganham significado é comum a fala demorar a aparecer. É necessário uma dose de afeto para proporcionar uma relação prazerosa de troca em a criança e o adulto", avisa.

O papel dos pais 

De acordo com a fonoaudióloga, os pais cometem erros que atrasam ainda mais o desenvolvimento da fala, muitas vezes sem perceber. Cristiane ressalta que tanto a falta de estimulação quanto o excesso de zelo podem causar atraso de fala. "Isso acontece quando os pais não conversam com as crianças e nem dão espaço para elas dizerem o que pensam ou quando os pais querem fazer tudo pelas crianças, tirando a oportunidade delas se expressarem, mesmo que não seja com uma fala elaborada. Hoje em dia isso é um fato muito comum pois, como os pais trabalham o dia inteiro, quando estão com os filhos querem compensar demasiadamente a falta durante o dia, sem dar limites e dando tudo antes que a criança mostre interesse ou fale", explica.

Mas há como acertar e ajudar bastante na estimulação da fala. O primeiro passo é dar oportunidade para a criança expressar suas intenções, esperar que a criança peça o que deseja. "Inicialmente é aceito o gesto, mas depois ele deve vir acompanhado de palavras e frases", ensina a profissional. Para quem resolveu aderir à chupeta, um aviso: a chupeta o dia inteiro na boca não permite que a criança fale, então, ficar sem a chupeta durante o dia também ajuda o desenvolvimento da fala.
É fundamental manter o contato físico e falar sempre de modo que a criança possa olhar o seu rosto. "Abaixar e ficar de frente para a criança é a melhor forma de notar e ser notado por ela", aconselha Cristiane. E, no início, a pronúncia errada é até bonitinha, mas os pais devem se controlar. Nada de falar como a criança fala, pois isso afasta a criança do modo correto de pronunciar as palavras e pode causar constrangimento em algumas situações.
Cristiane diz que é muito importante aproveitar todos os momentos para falar com a criança. Isso é um estímulo e tanto! "As cenas mais comuns como dar banho, dar comida, são uma ótima oportunidade para nomear partes do corpo, mostrar as diversas formas de entonação e principalmente estar interessado da vida da criança. Conte histórias, leia livros, mostre as figuras, álbum de fotos que sejam significativos", ensina. E proporcionar interações ricas e em ambientes variados e diferentes grupos sociais como parques, igreja, festas é muito enriquecedor para o desenvolvimento da fala.

O ambiente escolar 

Já que falamos de ambientes e grupos diferentes do que a criança está habituada, a escola é, sim, de grande valia. "Ao contrário que os pais pensam escola é um excelente ambiente de estimulação e interação para a criança. Mesmo que a criança não fale, na escola ela percebe a necessidade de falar. As crianças com atraso de fala que começam a frequentar a escola têm um grande desenvolvimento, pois na escola há espaço para a socialização, onde ela vai adquirindo independência, confiança em si, adaptabilidade e rendimento intelectual, fatores que são extremamente importantes para o desenvolvimento da fala. Além disso, as atividades escolares permitem que a crianças explore, experimente, pergunte e se expresse", analisa a fonoaudióloga.

Agora, um último conselho: nunca se esqueça que brincadeira é aprendizado! Use os brinquedos de forma a propiciar uma maior interação com seu filho, estimulando a troca de turno e a verbalização. Com uma interação verdadeira e natural a criança irá se desenvolver dentro do seu tempo e afastará, com isso, problemas futuros de aprendizagem.

O que a conversa representa no universo infantil?


Um tema como este só pode ser tratado a partir de um ponto de vista específico, que é o da escola que chamamos de "nova", em que há uma visão democrática de educação e em que o aluno é visto como tendo muito a contribuir para a direção do processo de aprendizagem. Neste modelo, que segue o construtivismo e muitas das visões de Paulo Freire, a roda está presente como lugar de escuta e de fala, em que a criança exerce o papel de um ser ativo e construtor de conhecimento. Além da visão de reconhecer a infância como o momento propício para a entrada na sociedade através da convivência na escola com seus primeiros pares, da mesma idade ou não; estes são seus primeiros "conhecidos" que não pertecem ao núcleo familiar.
De acordo com a visão explicitada, a escola é vista como lugar de construção de conhecimento e de troca, onde o diálogo é a forma em que esta construção acontece. A roda pode acontecer desde o menor grupo, de 1 a 2 anos, focando-se na comunicação baseada em relatos que os pais mandam e através de manifestações não verbais, e deve manter o lugar de importância em todos os níveis de educação posterior a este.
Primeiro contato com a escola
O grupo que vou tomar como exemplo, por ser minha área de atuação há 08 anos, é a faixa etária de 03 a 04 anos de idade. Nesta idade, a fala das crianças já está começando a se estabelecer e o funcionamento e importância da roda também, caso a criança já esteja na escola anteriormente, mas, se não estiver, já há uma capacidade de compreensão sobre a importância da fala e da troca com os colegas que vai se construindo.
É em roda que as crianças se escutam e através dela, se identificam com seus colegas, criando laços de afinidade, pois passam a perceber o outro a partir de sua fala, com suas diferenças e semelhanças e podem se relacionar, formando vínculos cada vez mais fortes e profundos. É assim que um punhado de crianças que se conhece bem pode se tornar um grupo de fato, com uma intimidade maior.

A roda é o lugar de se olhar, de escutar, de falar e de ser ouvido. É onde os pequenos elaboram seu discurso, aprendendo a perguntar, a responder, a escutar a resposta e a pergunta do outro, podendo refletir e se colocar sempre que precisar.
Quando compreendem que este é o espaço garantido que eles têm para se colocar, as crianças guardam suas "novidades" para contar no momento da roda, e trazem suas intimidades, eventos importantes que acontecem fora da escola para dividir com os amigos, demonstrando perceber exatamente a importância dela e do suporte que o grupo pode dar para que ele elabore e até valide ainda mais suas ideias e vivências mais intensas.
Conhecendo o próximo
O grupo passa a dividir estas intimidades e se comparam ou se diferenciam dos outros aprendendo a respeitar e conhecer formas diferentes de sentir, se colocando pelas primeiras vezes no lugar do outro para conhecerem melhor a maneira diferente do outro ser, as realidades diversas - sejam físicas, familiares ou culturais, que podem ser diferentes da realidade que vem do núcleo familiar de cada um.

Assim ocorre a primeira inserção no mundo social e a criança pode aprender a conhecer e respeitar o outro, mesmo que seja muito diferente de si mesmo. Conversas nesta faixa etária podem ser muito profundas, pois questões como nascimento, morte, diferenciações entre os sexos e curiosidades sobre o funcionamento e o "porquê" das coisas começa ali.
Momento de leitura e aprendizado
A roda também é momento de leitura. As crianças leem e ouvem histórias clássicas ou contemporâneas, parlendas, poesias e aprendem a distinguir os diferentes portadores e formas de textos, fazendo leituras de imagens e até memorizando longos enredos, que, através da repetição, podem até ser recontados por eles com apoio das imagens.
Nela também podem ser elaborados projetos de pesquisa com os pequenos, com conversas que são disparadoras de um caminho de pesquisa que pode fazer sentido ou não para o grupo. Para isso, o professor deve estar atento e sensível ao que o grupo está interessado, sem impor um tema que não lhes mobilize a pesquisar. Alguns exemplos de projetos interessantes nesta faixa etária são projetos sobre animais, brincadeiras cantadas, instrumentos musicais, jogos, construção e brinquedos com sucata, sentimentos, apreciação de obras de arte, sobre a gravidez e o nascimento deles, sobre os cinco sentidos, entre outras infinitas possibilidades.
Na roda podemos fazer a primeira sondagem de um possível tema de projeto para ver o que eles já sabem, se é um tema que lhes interessa e por onde podem começar a pesquisar, seja com a apresentação de uma atividade prática, com livros informativos, com imagens, vídeos, etc.
Este é um momento da rotina na educação infantil que é espaço de troca de conhecimento, de intimidade e de formação de grupo - com a possibilidade de compartilhar experiências e com espaço de se manifestar. É um dos momentos mais intensos e interessantes justamente pela riqueza das trocas que podem acontecer ali, quando o espaço de manifestação é garantido a todos.

Fonte:http://br.mulher.yahoo.com/fala-e-resolu-o-conflitos-na-educa-o-155300262.html