Em defesa aos direitos dos justos,
deve-se defender os direitos dos criminosos.
Os Justiceiros
Este artigo que segue é endereçado aos que fazem justiça com as próprias mãos, e a todos os que apoiam e se orgulham dessas atitudes. Mas claro, pode ser lido por qualquer um.
Muitos questionam e criticam o denominado “pessoal dos direitos humanos”, afirmando que eles são demais protetores dos bandidos e de menos da população. Mal sabem ou percebem que ao defender cada centímetro da integridade física de um indivíduo criminoso, um defensor dos direitos humanos age na defesa de toda a sociedade.
Os papéis não devem ser invertidos: Os defensores dos direitos humanos não são os inimigos, e não buscam impor quaisquer medidas sobre os direitos dos justos (que estão de acordo com a lei). Buscam eles, na realidade, o estabelecimento de um teto moral para a sociedade, um “até onde vai e quando é que basta” para as punições da nação, limitando e regrando moralmente a forma de ação da polícia e do Estado.
Uma vez que o teto da violência sobe, dando mais espaço às atitudes anti-criminosas desreguladas, justificando-as por serem, oras, anti-criminosas, um Estado se vê cada vez mais no direito e autoridade de, com o controle dos bandidos plenamente nas mãos, sem alguém que os defenda, no mesmo direito contra a população. Isso quer dizer, o Estado faz uso da tolerância do uso da violência pelo povo, e age da mesma forma que agem os justiceiros, desregulada e violentamente.
As manifestações de Julho, em parte apoiadas por essa mesma página, foram uma atitude em defesa dos direitos humanos. Foi um grito de “basta” para com, primeiro, a violência a qual o governo tratou os manifestantes, em sua reação militar contra alvos civis, inaceitável nesse século, ainda que muito utilizada. É aqui, principalmente, que se encontra o significado de “não é só sobre os 20 centavos”. Segundo, uma luta pelas diversas requisições que o povo vem clamando faz tempo, aí é sim sobre os 20 centavos, sobre a corrupção, por aí vai, questões do dia a dia de um país em desenvolvimento.
Essa violência com a qual o governo tratou os manifestantes, é fruto da mesma aceitação e tolerância do povo perante um Estado opressor, e foi, em um certo momento, devidamente repreendida pelos manifestantes que organizaram outra passeata muito maior. Um Estado com histórico de opressão a poucas décadas, com resquícios de opressão no próprio nome de sua instituição de segurança pública, a Polícia Militar. Ou seja, para simplificar,aceitar ou promover o uso da violência ilegal e bruta contra o crime, quando existe uma opção oficial dentro dos conformes da lei, é a mesma coisa que dizer ao governo que ele pode fazer a mesma coisa na hora que quiser, ainda mesmo fora dos conformes da lei, ou agredindo os direitos humanos. É dizer ao governo “podem bater nos jovens manifestantes, nos mendigos de rua, nos camelôs, e em qualquer morador das favelas que estiver no caminho da polícia”, podem muito bem chacinar o próprio povo.
Assim, garantir tratos socialmente dignos aos bandidos que tantos cidadãos “de bem” querem ver espancados e mortos, salva o chão moral da nossa sociedade, para que ele não se torne um buraco sem fundo, e impede, quando defendida a integridade física dessas pessoas, a livre ação de um Governo que comece a funciona no modo “os fins justificam os meios”.
Em uma sociedade desenvolvida socialmente, os bandidos possuem acesso aos mesmos serviços públicos que a população geral, porém dentro de uma prisão, de forma mais restrita. Falo especificamente da Suécia, que além de vir fechando diversas prisões, as que ainda funcionam não prendem os criminosos no “xadrez”, mas sim em, para todos os propósitos, pequenos apartamentos. Mas como isso, se eles são criminosos? É pelo crime ser, numa sociedade desenvolvida, um acidente social, e não mais uma falta de responsabilidade do Estado, como é a existência das favelas no Brasil. Normalmente não vemos, em tal sociedade, um homem roubar ou matar por falta ou pouco acesso aos serviços, mas sim por problemas mais relacionados ao lado emocional, ao momento da vida quem sabe.
Se você, caro brasileiro, participou pacificamente das manifestações e não apanhou, agradeça aos “defensores de bandidos”, o “pessoal dos direitos humanos”, por ainda estar em liberdade, e não na prisão. Claro que algumas pessoas foram presas, e repito, algumas. Se você, caro brasileiro, participou de forma menos pacífica, se chegou a depredar alguma propriedade pública ou privada, agradeça aos defensores dos direitos humanos por estar vivo, talvez com uma cicatriz de tiro de borracha, agradeça pois por conta deles, o tiro não foi de metal. Se você é pai ou mãe, agradeça por teus filhos. Agradeça por não vivermos numa ditadura, ainda que muitos tenham vontade disso.
Portanto, diferente do que a pseudo-jornalista, agressora direta contra o humanismo, Rachel S. disse, a defesa dos Direitos Humanos não é um “estorvo” ao “cidadão de bem”, estorvo é a existência de um grupo de pessoas emocionalmente instáveis, que não fazem parte das instituições oficiais de segurança do Estado, que fazem justiça com as próprias mãos, o que não apenas configura um crime grave, diretamente oposto à legislação vigente e sem qualquer regulamento, como também dá ao Estado uma liberdade de ação violenta cada vez maior.
Eu, e creio que o “pessoal dos Direitos Humanos” também, nos posicionamos contra a violência policial, contra o ato justiceiro ilegal, contra ações marginais perante a lei, contra atitudes delinquentes por parte de cidadãos que se consideram “de bem”, e a favor, sempre, da defesa dos Direitos Humanos.
Fonte:http://universoracionalista.org/categoria/artigos/

Comentários
Postar um comentário