CO-DEPENDÊNCIA EMOCIONAL : QUANDO UMA PESSOA INDEPENDENTE SUPORTA E INCENTIVA A DEPENDÊNCIA DO OUTRO




Co-dependência Emocional




Quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.



Muitas vezes, pensamos que somos a melhor pessoa do mundo porque agradamos aos outros e não a nós mesmos. Interrompemos nossas atividades para atender ao chamado alheio. Fazemos sempre mais do que os outros nos pedem, e, habilidosamente, antecipamos seus desejos e abrimos mão dos nossos com extrema facilidade. Depois, ficamos chateados quando os outros não fazem o mesmo por nós! 

Atenção, se você se identificou com esta curta situação, leia com atenção este texto, pois você pode estar sendo um co-dependente: alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua...

Semana passada, refletimos sobre a dependência sadia; agora, iremos pensar sobre quando a dependência se torna um fato negativo, isto é, quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Não é simples perceber que estamos fazendo este papel de salvador, pois os co-dependentes têm muita dificuldade de conhecer seus sentimentos: estão habituados a se sacrificar pelos outros e nem se dão conta de que, em vez de controlar a sua própria vida, dedicam todo o seu tempo a controlar a vida dos outros. 

Como co-dependentes, dizemos sim, mas na realidade queremos dizer não; fazemos coisas que não queremos realmente fazer, ou fazemos o que cabia aos outros fazer. 

Uma atitude co-dependente pode parecer positiva, paciente e generosa, pois está baseada na melhor das intenções, mas, na realidade, é inadequada, exagerada e intrusa. A questão é que os co-dependentes estão viciados na vida alheia e não sabem mais viver a sua própria. Adoram dar, mas detestam receber, seja atenção, carinho ou ajuda. Desta forma, quanto mais se dedicam aos outros, menos autoconfiança possuem. Afinal, desconhecem os seus próprios limites e necessidades!

A co-dependência se inicia quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar seu comportamento na esperança de ajudá-lo. Como conseqüência dessa busca mal sucedida de controle das atitudes do próximo, a pessoa acaba perdendo o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.

Em outras palavras, se ao nos dedicarmos aos outros estivermos nos abandonando, mais à frente teremos de nos confrontar com as conseqüências de nossa atitude ignorante. 
Reconhecer nossos limites e necessidades é tão saudável quanto a motivação de querer superá-los. 

Sentir a dor do outro não quer dizer ter que repará-la. Este é nosso grande desafio: sentir a dor com o intuito simplesmente de nos aproximarmos dela, em vez de querer transformá-la de modo imediato.

É preciso deixar claro que ter empatia não tem nada a ver com a necessidade compulsiva de realizar os desejos alheios, própria dos relacionamentos co-dependentes. 

Stephen Levine, em Acolhendo a pessoa amada (Ed. Mandarin), nos dá uma boa dica para identificarmos se nossos relacionamentos são saudáveis ou não: Na co-dependência, as balanças sempre pendem para um lado. É freqüente que um tenha de estar ‘por baixo’ para que o outro se sinta ‘por cima’. Não há equilíbrio, somente a temida gravidade. Em um relacionamento equilibrado não há um ‘outro dominante’; os papéis estão em constante mudança. Quem tiver o apoio mais estável sustentará a escalada naquele dia.

A troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos. Assim como esclarece John Welwood,Em busca de uma psicologia do despertar (Ed.Rocco): O paradoxo do relacionamento é que ele nos obriga a sermos nós mesmos, expressando sem hesitação e assumindo uma posição. Ao mesmo tempo, exige que abandonemos todas as posições fixas, bem como nosso apego a elas. O desapego em um relacionamento não significa que não tenhamos necessidades ou que não prestemos atenção a elas. Se ignoramos ou negamos nossas necessidades, cortamos uma parte importante de nós mesmos e teremos menos a oferecer ao parceiro. O desapego em seu melhor sentido significa não se identificar com as carências nem com as preferências e aversões. Reconhecemos sua existência, mas permanecemos em contato com nosso eu maior, onde as necessidades não nos dominam. A partir desta perspectiva, podemos escolher afirmar nosso desejo ou abandoná-lo, de acordo com as necessidades do momento.

A empatia começa com a capacidade de estarmos bem conosco mesmos, de reconhecermos o que não gostamos em nós e admirarmos nossas qualidades. Quanto melhor tivermos sido compreendidos em nossas necessidades e sentimentos quando éramos crianças, melhor saberemos reconhecê-las quando adultos. 

Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que desconhece suas próprias necessidades poderá entender as necessidades alheias?

Se você quiser ler mais sobre a co-dependência, leia o livro: Co-dependência nunca mais de Melody Beattie (Ed. Record)
. Abaixo, seguem alguns itens que, segundo a autora, os co-dependentes adoram fazer:

- Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
- Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
- Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
- Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
- Comprometer-se demais.
- Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
- Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
- Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
- Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
- Achar que não é bom o bastante.
- Contentar-se apenas em ser necessário a outros.


Fonte:http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=04447

Co-dependência emocional: um problema muito sério e que muitas pessoas ainda não sabem o que é





RESUMO DO LIVRO CO-DEPENDÊNCIA NUNCA MAIS


As pessoas que convivem com dependentes de drogas ou álcool são, em geral, as mais suscetíveis a sofrer crises de estresse e distúrbios nervosos na luta diária para livrar amigos e parentes da dependência química. Co-dependência nunca mais vai ajudá-lo a perceber a sua mais importante e, possivelmente, mais neglicenciada responsabilidade: cuidar de si. Admitir que não é o culpado pelo vício de amigos e parentes é o primeiro passo para entender os seus problemas e angústias, trocando a ansiedade por uma vida equilibrada. O livro apresenta dezenas de casos reais, reflexões pessoais, exercícios e testes. Escrito por Melody Beattie, uma ex-viciada que conviveu com co-dependentes, o livro é um sucesso nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países.
Fonte: Editora Record


   
Apresentarei aqui uma resenha feita por um psicólogo de abordagem sistêmica familiar sobre um livro chamado Co-Dependência Nunca Mais, da autora Melody Beattie, que explica perfeitamente este que é mais um dos problemas psicológicos dentre tantos que já falamos aqui. Lembre-se sempre: Qualquer dúvida, procure um terapeuta!

   Boa leitura!

Por Luís Carlos Bouissou

   Todos nós estamos muito acostumados com a palavra dependência/independência. Sabemos ou temos idéia do seu significado e as formas que ela se manifesta. Uma pessoa pode se mostrar dependente de outra, emocional e financeiramente. Pode se mostrar dependente de drogas, bebidas. Pode se mostrar dependente de remédios. Enfim, são várias as formas com que a dependência pode se manifestar.

   E na maioria dos casos, praticamente todos as atenções e cuidados se voltam para a pessoa dependente. Os cuidados e preocupações familiares, de cônjuges, amigos. Os cuidados médicos, terapêuticos, todos estão concentrados no membro sintomático. Geralmente, a pessoa que apresenta algum tipo de problema é considerada o sintoma daquela família ou daquele grupo. E todos os cuidados se voltam para ela.

   E tem sido assim até hoje. Mas de um tempo para cá, a partir das décadas de 60 e 70, algo de estranho começou a ser percebido nas pessoas que convivem com esses membros sintomáticos. Primeiramente, com as pessoas próximas de dependentes químicos. Os especialistas começaram a aperceber que essas pessoas (parentes, cônjuges, filhos, etc.) apresentavam comportamentos muito semelhantes às pessoas que tinham e conviviam com o mesmo tipo de problema. E passaram a voltar sua atenção e seus estudos também para essas pessoas próximas.

   Eles perceberam que não somente as pessoas que conviviam com dependentes químicos apresentavam esses problemas. Quem convivia com pessoas com problemas compulsivos como jogar, comer demais, desvios sexuais, etc., apresentavam o mesmo tipo de comportamento ou reação a esses distúrbios. E a compreensão dessa situação foi aumentando.

   E à medida que a percepção e compreensão dessa questão aumentavam, mais grupos de pessoas pareciam possuí-la: filhos adultos de alcoólicos, pessoas que se relacionavam com outras emocional ou mentalmente perturbadas, pessoas em relacionamento com doentes crônicos, pais de crianças com problemas de comportamento, pessoas em relacionamento com pessoas irresponsáveis, enfermeiros, assistentes sociais, e outros profissionais em ajuda a outras pessoas. Até mesmo alcoólicos e viciados em recuperação notaram que eles mesmos apresentavam esses problemas e talvez os apresentassem antes mesmo de se tornarem dependentes químicos.

   Um denominador razoavelmente comum, já mencionado anteriormente, era ter-se um relacionamento, pessoal ou profissional, com pessoas perturbadas. Mas um segundo e mais freqüente denominador comum parecia ser as regras silenciosas e não escritas que geralmente se desenvolvem na família próxima e estabelecem o ritmo dos relacionamentos. Essas regras proíbem: a discussão dos problemas; as expressões abertas de sentimentos; comunicação honesta e direta; expectativas realistas, como a de ser humano, vulnerável ou imperfeito; confiar em outras pessoas e em si mesmo; brincar e divertir-se; e balançar o barco familiar, tão fragilmente equilibrado, através de crescimento ou mudança, por mais saudável ou benéfico que esse movimento possa ser.

   Mas, afinal, que problemas eram esses que essas pessoas próximas de membros sintomáticos apresentavam e em que se consistiam? O problema que essas pessoas apresentavam foi chamado de co-dependência e quem o apresentava passou a ser conhecido como co-dependente. E se consistia no desenvolvimento de um padrão de lidar com a vida que não era saudável em reação aos problemas apresentados por outras pessoas (abuso do álcool, ou drogas, desvios sexuais, comedores compulsivos, etc.). A co-dependência envolve os efeitos que essas pessoas problemáticas têm sobre nós, e como, em retorno, tentamos afetar a elas.

   Esse termo, co-dependência, surgiu no meio terapêutico, mais precisamente no Estado de Minessotta, conhecido como referência no tratamento de dependentes químicos. É um jargão terapêutico, talvez conhecido apenas nesse meio e pelas pessoas que vivem esse problema, sejam elas dependentes ou co-dependentes.

   Mas quais as características da co-dependência ou do co-dependente? Como é esse padrão não saudável de lidar com a vida, em reação a essas pessoas problemáticas?

   As principais características são: tomar conta, controlar, preocupar, tornar-se obcecado, negar os problemas, dependência, baixa auto-estima, ser reprimido, falta de comunicação, limites fracos, falta de confiança, raiva, problemas sexuais, entre outros. E o mais importante e que envolve todos esses: viver em função do outro, tomando conta, preocupando-se, salvando,, assumindo suas responsabilidades e vivendo para ele ou por ele. E o que é mais grave: mantendo as pessoas na posição que estão, dependentes, problemáticas e não assumindo a responsabilidade pela própria vida e não cuidando de si mesmas.

   Mas como surge a co-dependência? Quais são suas causas? Bem, ela surge da nossa história de vida. Alguém importante para nós nos rejeitou, abandonou-nos, gerando uma dor e um vazio imenso. Esse abandono e essa dor irão fazer com que passemos a acreditar que nós não somos bons, não somos dignos de ser amados.. Que dentro da gente só existe essa dor e mais nada de bom. E que a chave para a felicidade, para as coisas boas da vida não está em nós. Com quem então está essa chave? Passamos a acreditar que a chave está com os outros. É, então, que passamos a buscar no outro a felicidade que não encontramos na gente mesmo.

   Passamos a buscar no outro o amor que não tivemos; a aceitação que não tivemos; a aprovação que não tivemos. Passamos a ficar dependentes do outro. Do seu amor, da sua aceitação, da sua aprovação. Só nos sentiremos bem, só nos sentiremos amados, aceitos e aprovados se o outro nos amar, aceitar e aprovar. Passamos a precisar do outro. O outro passa a ser a nossa vida. A nossa salvação.

   É quando, então, começamos a fazer de tudo para conseguir o amor, a aceitação e a aprovação do outro. Começamos a cuidar do outro, preocupar-nos com o outro, viver a vida do outro, pelo outro, assumir responsabilidades pelo outro, salvar o outro. E esquecemos de tomar conta da nossa vida, cuidar da nossa vida, preocupar-nos conosco, assumir nossas responsabilidades, salvar-nos. Tudo isso para nos sentirmos aceitos, amados e aprovados pelo outro. Nossa vida passa a ser o outro e não a gente mesmo. Perdemos o contato conosco, com a nossa vida, nossas emoções, sentimentos, pensamentos e objetivos. Passamos a viver a vida do outro, pensamentos sentimentos e objetivos do outro. E a nossa vida vira um caos.

   Ficamos angustiados, deprimidos, revoltados, infelizes, tristes. E não conseguimos, dessa forma, o amor, a aceitação e aprovação que precisamos. E com a agravante que nossa vida vira de cabeça para baixo em função de não estarmos cuidando dela. O que fazer então? Como mudar esse quadro? O primeiro passo é assumir a responsabilidade pela nossa vida. Passarmos a tomar conta de nós mesmos, cuidar de nós mesmos. Deixar que o outro cuide de si, tome conta de si, assuma suas responsabilidades. Desligar-nos do outro e nos ligar a nós mesmos, à nossa vida. É passarmos a identificar, reconhecer e aceitar nossos desejos e necessidades. Perceber que nossos desejos e necessidades falam de nós, e realizá-los é cuidar da gente com carinho e aceitação.

   É percebermos que todos nós "precisamos" das pessoas. Mas esse precisar não é fazer do outro a nossa vida, o ar que respiramos. É ver que temos vida própria, desejos, necessidades, sentimentos, emoções e compartilhá-los com o outro. E não tomar do outro o que é do outro, nem deixar que tomem da gente o que é da gente. Melhor seria trocar com o outro.

   É pararmos de reagir a qualquer sentimento, pensamento e atitude do outro, ou a qualquer fato ou acontecimento da vida. É sentir que o mais importante é agirmos dentro do melhor que pudermos fazer, naquele momento, naquela circunstância, e dentro do que é melhor para nós, e também para o outro; por quê não?

   É pararmos de tentar controlar os outros, os fatos e a vida. É percebermos que isso é algo impossível de se conseguir. E que além de não conseguirmos, isso exigirá de nós um esforço e um desgaste de energia tal, que não compensará qualquer ganho nesse sentido. É percebermos que não adianta fazer-nos de vítima, que as pessoas, a vida e os fatos não mudarão por causa disso. Que não adianta tomarmos conta das pessoas, salvá-las e assumirmos suas responsabilidades, que elas não nos reconhecerão por iisso. E se reconhecerem, nós não nos sentiremos bem por termos deixado de cuidar de nós mesmos. E que não adianta ficar com raiva das pessoas por não nos reconhecerem e por termos deixado de nos cuidar, porque só ganharemos com isso ... desafetos.

   É não achar que cuidarmos da gente é sermos egoístas. Que nos colocar em 1.º lugar é algo fora de questão. É não achar que só teremos valor se fizermos algo pelo outro. Se tomarmos conta do outro, cuidarmos do outro. E que podemos e devemos dizer não, todas as vezes que julgamos conveniente e necessário.

   É percebemos que só poderemos fazer algo por nós se aceitarmos a nossa vida, a nossa situação, o ponto que estamos. Só poderemos mudar algo em nós, na nossa vida, se aceitarmos nós mesmos, as pessoas e as circunstâncias como elas são. Que brigar com a realidade não adiantará nada. Não só vamos perder a briga, como as coisas continuarão do jeito que são ou estão.

   É percebermos que somos pessoas como quaisquer outras. Que somos dignos de respeito, carinho e amor como todo mundo. Que sentimos e pensamos da forma que deve ser, que não há nada de errado nisso. E que seremos respeitados e aceitos da mesma forma quando nos expressarmos. Que falar claro e abertamente não é difícil. Na verdade, é fácil. É só começar.

   Que por medo de sermos rejeitados, evitamos a intimidade com o outro. E evitando a intimidade, evitamos o contato. Evitando o contato, ficamos infelizes. Se ficamos infelizes, buscamos o outro para nos trazer felicidade, mas através de relações superficiais. Como o outro não é capaz disso, nem deveria, culpâmo-lo por isso. Ele não correspondeu à nossa expectativa. E a relação se perde. E também a expressão física do amor que achávamos que tínhamos.

   Bem, são várias e várias coisas que podemos fazer para mudar o quadro das nossas vidas. Vai depender do que precisamos, do momento que vivemos, de com quem vivemos. Mas, certamente, uma coisa será necessária: deixar de tomar conta do outro, cuidar do outro e passar a tomar conta da gente, cuidar da gente. E para começar, só precisamos de uma coisa: começar, começar de novo, devagar. Sem saber direito onde e em quê mexer. Não importa. Se errarmos, podemos consertar. Se estivermos devagar, podemos acelerar. Se não soubermos onde nem em quê mexer, com a prática, certamente, aprenderemos a fazê-lo. O certo é que nós merecemos e podemos ser felizes. Para isso só falta ... começar.



É perigoso precisar tanto assim de alguém...


E era assim... Ele precisava de mim e no fundo, eu também precisava dele.

Eu me tornei o foco, o centro das atenções dele, o ponto de equilíbrio e também desequilíbrio.
Eu estava tentando salvá-lo e esperava que eu conseguisse.

O ciclo da codependência estava criado. 

Ele se tornou o meu foco, o centro das minhas atenções, o meu ponto de equilíbrio e também desequilíbrio. Ele se tornou o meu ar, a minha comida, o meu sono, os meus sonhos e algumas vezes, o meu pesadelo.

É perigoso precisar tanto assim de alguém.

Nós precisávamos um do outro, éramos bons dessa forma, dessa forma doentia de precisar.

Ele não se deva o devido valor, era eu quem fazia esse papel e em contra partida, ele cada vez mais aumentava a redoma de vidro em que havia me colocado. Ele não entendia que eu também precisava dele, achava que era uma via de mão única, mas a verdade é que ambos, precisávamos ridiculamente um do outro, ele precisava de mim e eu da sensação que o precisar dele causava em mim.

Sentimento egoísta.

Fomos sim, egoístas com nós mesmos, não um com o outro. Não, eu me doei e ele se doou, não houve egoísmo entre nos, houve "com nós".

É perigoso precisar tanto assim de alguém.

E eu precisei tanto dele, precisei tanto que ele se recuperasse, precisei tanto que ele parasse de se matar com o crack por mim, precisei tanto que ele provasse que o nosso sentimento era maior, precisei tanto que ele renascesse, que não me dei conta de que eu estava em uma missão kamikaze, eu PRECISAVA DE MIM e custei a perceber isso.

Adoeci. Sofri. Chorei. Me revoltei. Chorei. Lutei. Desisti. Não desisti. Abri mão e agora eu só preciso que ele não precise de mais ninguém além dele mesmo para encontrar a sua recuperação.

Eu preciso que ele pare de se drogar pelo simples fato de precisar fazer isso por ele mesmo e mais ninguém.

É... Eu ainda preciso, seja lá qual seja a necessidade, eu ainda preciso, porque no fundo, mesmo dizendo que preciso que ele pare por ele, é por mim que preciso.

É perigoso precisar tanto assim de alguém. Hoje eu sei. Nós precisamos passar por isso.

Hoje, eu preciso primeiro precisar de mim. Hoje a minha doença está controlada e hoje eu só quero não precisar que ele se recupere e sim somente acreditar que ele vai se recuperar.

Fonte:http://livrovaleuapena.blogspot.com.br/2013/04/e-perigoso-precisar-tanto-assim-de.html






Existem raros filmes que nos possibilitam uma janela ficcional para a realidade. Assistindo “Vidas Cruzadas”( The private lives of Pippa Lee/EUA/2009) refleti muito sobre um tema bastante comum nos relacionamentos afetivos: a CODEPENDÊNCIA.
Embora existam vários filmes que abordem o assunto, como por exemplo: Regras da Vida, Quando um Homem ama uma Mulher, Shirly Valentine, Broadway Danny Rose; o filme Vidas Cruzadas nos mostra a codependência de uma forma muito próxima a realidade da clínica psiquiátrica.
Leia mais sobre o filme:




Aprofundando o assunto de codependência, vou realizar um breve resumo do livro que estou lendo no momento:
Codependência, o transtorno e a intervenção de rede da autora Maria Aparecida Junqueira Zampieri.
CO-DEPENDÊNCIA
De maneira ampla, com o termo codependente referimo-nos á pessoa que convive de forma direta com alguém que apresenta alguma dependência química, e em especial, o álcool. E, por extensão, ás pessoas que por qualquer outro motivo crônico viveram uma prolongada relação parentalizada na família de origem, assumindo precocemente responsabilidades inadequadas para a idade e contexto cultural.
Caracteriza-se por um jogo de comportamentos mal adaptativos e compulsivos, aprendidos na convivência familiar, a fim de sobreviver ao se encontrarem sob grande estresse ou intense e prolongada dor. Esses indivíduos desenvolvem padrões de relacionamentos rígidos e estereotipados, auto estima rebaixada e a necessidade constante de vincular-se como ajudador-controlador, em detrimento do próprio amadurecimento e da busca por gratificações externas próprias.
Pessoas nessas condições estaram mais expostas a co-construir relações atuais com sujeitos que tendem a desenvolver, cedo ou tarde, uma patologia crônica.
Codependência é uma condição emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado da prática e da exposição prolongada do indivíduo a regras opressivas, que impedem a expressão aberta de sentimentos e a discussão direta de problemas pessoais e interpessoais. Comportamentos aprendidos de derrotas e defeitos que resultam numa diminuição da capacidade de iniciar relações afetivas ou participar delas. (Beattie, 1992)
Codependência é um padrão de comportamento disfuncional de relacionamento com outras pessoas muito dependentes, dificuldade de expressar sentimentos e necessidade de ter um propósito (uma razão) nos relacionamentos. (Cotrell, 97)
Codependência é um transtorno de não identificação do self.
CARACTERÍTICAS DA CO-DEPENDÊNCIA
a) Centradas na Pessoa: Dificuldade de identificar uma auto imagem, dificuldade de expressar ou identificar sentimentos, senso de vitimização, grande ansiedade acerca da intimidade.
b) Relação ao Par: Atração por pessoas explosivas, controle compulsivo de outrem em relacionamentos, necessidade de ajudar acompanhado de sofrimento ou assumir compromissos abandonados por outrem, preocupação constante com uma pessoa dependente.
c) SISTÊMICAS: descuido das próprias necessidades em prol de alguém ou pela sobrevivência do sistema familiar,repetição desse padrão em grupos extrafamília mesmo que não haja risco real de falência do sistema.
Os casais codependentes, embora se queixem bastante, mostram muita dificuldade em se separar. Complementam-se, um com extremada necessidade de controle e o outro á mercê, porem sempre äprontando”como parte do jogo vítima-atroz em alternância de papéis, marcado por bruscas e frequentes mudanças de humor.
PROPOSTA DE DIAGNÓSTICO DE CO-DEPENDÊNCIA COMO UM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE
Pelo CID-10 F68.8 é indicado para qualquer outro Transtorno de personalidade e comportamentos em adultos que não se ajuste a nenhum outro Transtorno de Personalidade descrito. Poderia ser classificado em indivíduo codependente.
CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE UM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE CO-DEPENDENTE:
1)ATITUDES E CONDUTAS MARCADAMENTE DESARMÔNICAS EM VÁRIAS ÁREAS DO FUNCIONAMENTO:
Comprometimento da afetividade: confunde amor com possessão e necessidade de controle, tem enorme dificuldade em demonstrar afeto conjugal, filial ou paternal, sua excitabilidade é inflamável sempre que percebe o outro saindo do seu controle, oscila de vítima e fragilidade extremas a controle e attitudes de algoz na família trabalho e outros.
2)PADRÃO ANORMAL DE COMPORTAMENTO É PERMANENTE, DE LONGA DURAÇÃO E NÃO LIMITADO A EPISÓDIOS DE DOENÇA MENTAL:
Padrão relacional codependente, a tendência é a repetição, mesmo em novas relações.
3)PADRÃO ANORMAL DE COMPORTAMENTO É INVASIVO E CLARAMENTE MAL ADAPTATIVO PARA UMA AMPLA DE SÉRIE DE SITUAÇÕES SOCIAIS E PESSOAIS:
Situações vexatórias frequentes com impulsivos ataques sobre o outro, independente do local e a plateia, expondo-se e expondo o outro.
4) TAIS MANIFESTAÇÕES SEMPRE APARECEM NA INFÂNCIA OU ADOLESCÊNCIA E CONTINUAM NA VIDA ADULTA.
Não são identificadas com conotação negativa na infância, são vistos como pequenos adultos confiáveis e cuidadores.
5) O TRANSTORNO LEVA Á ANGÚSTIA PESSOAL CONSIDERÁVEL, MAS ISSO PODE MOSTRAR-SE APENAS TRADIAMENTE NO SEU CURSO.
A angústia pessoal encontra-se associada a esse padrão relacional, que para ser identificado torna-se evidente dependendo de outra pessoa (culpado ou culpada). Em geral, a angústia é percebida por outra pessoa.
6) O TRANSTORNO É USUAL, MAS NÃO INVARIAVELMENTE ASSOCIADO A PROBLEMAS SIGNIFICATIVOS NO DESEMPENHO OCUPACIONAL E SOCIAL.
O padrão relacional tende a repetir-se em todos os contextos. Não tende a prejudicar o desmpenho pessoal, que tende a eficiência, mas torna-se altamente nocivo a produção em grupo.
CRITÉRIOS ADICIONAIS:
OS PRIMEIROS QUATRO PERSISTENTES E AO MENOS TRÊS ENTRE OS DEMAIS CRITÉRIOS:
A) TENDÊNCIA EXCESSIVA DE CUIDAR E CONTROLAR OUTREM
B) TOLERÂNCIA ELÁSTICA EM DAR OUTRA CHANCE AO OUTRO, ACOMPANHADO OU NÃO DE MÁGOA E/OU RAIVA
C) ATRAÇÃO POR SUCESSIVOS PARES EMOCIONALMENTE INSTÁVEIS OU DEPENDENTES QUÍMICOS, ASSUMINDO E ACOBERTANDO O DEFICIT DE RESPONSABILIDADE DO COMPLEMENTO
D) TENDÊNCIA A NÃO ENXERGAR INDICIOS EVIDENTES DE TRANSGRESSÃO A LIMITES, OU GRANDE DIFICULDADE DE IMPOR E DE RESPEITAR LIMITES
E) TENDÊNCIA A ASSUMIR A MAIOR PARTE DAS RESPONSABILIDADES E DIFICULDADE DE SAIR DE RELACIONAMENTOS EM DIFERENTES CONTEXTOS.
F) TENDÊNCIA A GUARDAR RANCORES E A SENTIR COMO TRAIÇÃO AÇÕES QUE, POR VEZES ERAM NEUTRAS (PERSECUTORIEDADE)
G) SENTIMENTO DE ESTAR SEMPRE SENDO LESADO NOS DIREITOS PESSOAIS, MESMO QUE ÁS VEZES DESCUBRA QUE NÃO ERA REALMENTE ASSIM COMO LHE PARECEM.
H) OSCILAÇÃO FREQUENTE ENTRE DESVALIA E SENTIR-SE HERÓI.
I) SENTIMENTO DE AUTOPIEDADE
J) DIFICULDADE DE EXPRESSAR SENTIMENTOS E DEMONSTRAR AFETOS
K) DIFICULDADE DE RECEBER AFETOS, MESMO SENTINDO FALTA E NECESSIDADE DE RECEBE-LOS
L) DIFICULDADE NO RELACIONAMENTO SEXUAL, OU QUEIXAS DE FALTA OU NEGLIGÊNCIA POR OUTREM
M) HIPERSENSIBILIDADE A CRÍTICAS
N) OSCILAÇÕES BRUSCAS E CONSTANTES ENTRE VÍTIMA E ALGOZ DE SEU DEPENDENTE
O) PREOCUPAÇÕES COM MEDO DE SER ABANDONADO POR UMA PESSOA POR QUEM TEM RELACIONAMENTO ÍNTIMO.
Existem outros nomes que expressam o mesmo que codependência:
- - Mulheres que Amam Demais
- -Síndrome de Wendy/ Síndrome Peter Pan
Para quem deseja se aprofundar no assunto uma leitura bastante simples e conclusivA é:
-CODEPENDÊNCIA NUNCA MAIS da autora Melodie Beattie
Sites de auto-ajuda:
Enfim é um assunto que tem muito a ser explorado.
Termino com uma frase que ouvi durante uma consulta no meu consultório:
MALDITA GERAÇÃO DAS MISS QUE CITAVAM O LIVRO DO PEQUENO PRINCIPE COMO LIVRO DE INFLUÊNCIA!
-Frases do Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry


"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem."
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Fonte:http://dravanessadeandradepsiquiatria.blogspot.com.br/2010/07/codependencia-nunca-mais.html

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