UM DIA EU ME DEIXEI LEVAR COMO UMA FOLHA SECA


Áudio


Um dia me deixei levar como uma folha seca-Maria Padilha



Um dia, me deixei levar, como uma folha seca. Não tinha peso, não tinha força pessoal, não tinha pertencimento.

Ainda que soubesse que era uma folha, já não pertencia a uma árvore. Já não pertencia a uma família. Não sabia quem era, e não conhecia a mim mesma.

Eu me sentia como a folha, seguindo ao vento, à deriva... Solta. Pronta pra ser carregada por um vento mais forte, ou, atirada ao chão. Sem destino, sem rumo.

Assim, era a visão que tinha de mim mesma: Desencanto após desencanto. Insatisfação, após insatisfação.
Muitas foram as relações e muitos foram os motivos, de me sentir assim.

Num primeiro momento, como era jovem, eu disse: - Eu sou livre!
As folhas, quando se desprendem de uma árvore, são livres. E eu gostei de pensar nisso: “Eu sou livre!”.

“Eu não tenho mais que dar explicações, do meu comportamento, das minhas escolhas, dos meus caminhos pra ninguém. Eu me banco, e, eu não preciso mais pertencer a uma família. Eu não preciso mais ouvir o que as pessoas pensam... Dar satisfações... Ter palavras boas... Ter respostas...”.

Porque estava muito desencantada com a minha família; com pai, com mãe. Não esperava mais nada deles.

Nasci numa família rica, uma família de origem nobre. Mas, de muito egoísmo. Achava tudo isso! Achava que, cada um da minha família pensava em si. Achava que as pessoas queriam apenas dar ordens... Que pai, que mãe... Mostravam o seu poder apenas colocando limitações. Dizendo o que poderia fazer. O que não poderia fazer.

Via neles o retrato do egoísmo. Atitudes que não concordava.
E pensava: “Um dia, quando eu for mãe, não farei nada disso... Vou amar meu filho, vou dar orientações corretas; não vou errar;  não vou abandonar...”.

Então, quando me desprendi, a sensação foi de um grande alívio. E esse desprendimento aconteceu por diversos fatores...

Fui dada a um casamento, não tinha mais que ficar sob a tutela de pai e de mãe. E nem morei na mesma Cidade. Então, me afastei completamente do meu berço, do núcleo familiar.  Era então uma folha solta, verde, viva, cheias de sonhos e cheia de intensões.

E é claro, que casamentos arrumados, nem sempre significavam casamentos. E eu me casei... Com um homem que considerava um ancião. Ele era um velho pra mim. Eu era jovem, fogosa, cheia de idéias...
E como fui treinada, nas artes do amor, da palavra, da poesia, da sedução, da delicadeza, da educação...
Achei que iria tirar de letra. Ou melhor, de lábia, aquilo que falaria pra ele aquilo que iria conquistar através dos meus dotes, da minha beleza, da minha juventude.

Só que esse velho me usou. E me encheu de ordens, muito mais do que fazia o meu pai. E eu odiei muito essa pessoa, que colocou tantos limites na minha vida.

Limites todos, que eu burlei; que pulei; que disse não; que inventei mentiras; e, que desfiz de alguma forma. E me senti vitoriosa, quando fiz tudo isso. Porque achei que estava vencendo o destino. Batendo de frente com ele, mostrando o quanto tinha de força.

E, aí, comecei as minhas histórias de amor, com um homem, com outro... E buscava, de uma forma que buscam as mulheres, que buscam as pessoas... O pertencimento.

Queria alguém pra me associar, pra amar. Queria alguém que cuidasse de mim. Que me amasse muito, muito profundamente. E que fosse capaz de grandes sacrifícios por mim.

E esse sonho, se tornou talvez, o meu maior pesadelo. Porque, ninguém se encaixava nele.

Eu buscava o salvador. Cada homem que olhava, cada conversa que ouvia, cada nova oportunidade que sentia que surgia no ar... Pensava assim: “Agora vai. Não, agora ele vai ser...”.

E depois via que não. Que estava errada, que estava enganada. E muitas vezes, fui no Céu e no Inferno, no mesmo dia. Me enchi de esperanças e me joguei, nas profundezas de um calabouço, no mesmo dia.

Esperando que um olhar fosse verdadeiro. Que um toque fosse cheio de sentimentos.

Porém, com tantas experiências ruins, fui me tornando uma pessoa muito exigente. Passei um bom tempo, não dando tempo... Ao destino, as pessoas e nem a mim mesma.

Dizia, pensava: “Não tenho tempo, não tenho tempo!”.

Essa frase se tornou a minha frase. E com esse “não ter tempo”, assumia que não tinha tempo pra conhecer ninguém de verdade. Ouvir as histórias, ter paciência, criar um vínculo, uma amizade. Olhar o outro, não como uma paixão ou alguém que tivesse que me suprir, ou me salvar. Mas, alguém apenas para aprender, trocar, conversar e amar, sem tocar. Amar por amar.
E nessa minha ânsia de recuperar o tempo perdido, de pertencer a alguém... Ia me esquecendo de tudo. Só me dedicando a esses encantos. E buscando, nas pessoas, alguém que viesse perfeito. Nessa altura, já tinha ficado viúva e possuía um bom dinheiro.

Assim fui ficando cada vez mais solta. Cada vez mais livre, à minha vontade. E cada vez mais perdida, equivocada, machucada e ferida.

Porque, aquele que pode as coisas, os relacionamentos, sem limite... É o maior escravo, das emoções, das derrotas e dos sentimentos.

Às vezes, aquele que nada pode... Àquele que tem que viver, num cercadinho, aprende muito mais e encontra muito mais força dentro de si mesmo, do que aquele que pode tudo... Aquele que tem a liberdade de ir a qualquer lugar, falar com qualquer pessoa... Ou gastar qualquer quantia.

Quantos e quantos se perderam, porque tiveram demais. E quantos e quantos, pediram no Plano Espiritual antes de nascer, para viver determinadas restrições, justamente para não se perder.

Pessoas que aqui, no mundo objetivo, se esquecem das forças espirituais.
Eu fui uma dessas pessoas... Tive tanta liberdade. Tantos vestidos de festa, tantos perfumes, tantos sapatos e tantos amantes.

Para descobrir, que a falta de limites, o excesso de possibilidades, me enfraqueceu. Tinha tudo, mas me tornei essa folha seca. Carregada pelos ventos. Corrompida pelas emoções.

Hoje venho aqui, dizer a vocês: Que o maior Trabalho Espiritual, não é no Espiritual, e sim, nas Emoções.

Os Médiuns, até as pessoas normais, que nem se despertaram tanto para a espiritualidade, devem trabalhar as suas emoções. Aprender a se ouvir, questionar os seus desejos. Questionar as suas vontades. E observar o que acontece, quando uma porta se fecha, quando um caminho se rompe.

Porque ali, naquela restrição, existe um aprendizado e uma cura para a sua Alma. Uma cura que irá trazer muitos benefícios para você, nesta vida.

As curas emocionais, o entendimento emocional, equilibra a saúde física; equilibra a mente consciente; equilibra a presença dos seus guias, que se tornam mais próximos, mais vigorosos e mais capazes de se comunicar com vocês; E equilibra a vida material, porque com maior força, com maior paz interior, você é capaz de trabalhar com afinco e usar o seu dinheiro com sabedoria.

Então, busquem, a compreensão emocional, o equilíbrio emocional. E, saibam, que é uma verdadeira bênção, uma folha que permanece durante muito tempo, ligada a sua árvore, a sua origem, a sua família... Porque ali, ela encontrará relações necessárias ao seu crescimento. Se nutrirá da seiva. E terá um diálogo, uma força, com aqueles que são iguais a você.
A família, no mundo objetivo, os seus pais, os seus irmãos... São importantes, e, dentro do possível, você deve manter a harmonia, o amor entre essas pessoas.

Mas, a família que nutre, é a família espiritual. São aqueles, que você descobre, como os seus pais e como os seus mentores.

Eu Sou Maria Padilha. E venho aqui, mais uma vez, com Gratidão, cumprir a minha missão de ensinar 
através das minhas experiências. Através, daquilo que eu já vivi. Por que conheço, o coração e a dor, de muitos homens e de muitas mulheres.

Eu me sinto muito próxima de vocês. Porque os meus desafios já foram os seus. E aqui estou, para ajudar.

Reverência aos Mestres. Reverência, ao Deus, de cada um.

Tenham Paz.


Nome de Referência: Um dia eu me deixei levar como uma folha seca
Mentora: Maria Padilha
Data: 29/01/2014
Local: Espaço Alpha Lux
Canal: Maria Silvia Orlovas
Transcrição: Patrícia Viégas
Edição: Diogo Guedes
Fonte:http://mariasilviaporlovas.blogspot.com.br/2014/01/

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