OS ENSINAMENTOS DE KRISHA SOBRE YOGA E MEDITAÇÃO

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Sri Nandanandana



Os Ensinamentos de Krishna sobre Yoga e Meditação


Uma apresentação abrangente dos ensinamentos de Krishna sobre yoga e meditação com abundantes referências escriturais.

Quando o tópico é yoga e meditação, muitas pessoas pensam que o sistema de yoga místico se destina a meditar no aspecto impessoal de Deus. E, em sua maior parte, o sistema de ashtanga-yoga e outros sistemas similares explicam os meios para isso. Contudo, isso pode ser mais difícil de ser praticado do que muitos acreditam. Meditação significa concentrar sua atenção em algo específico, ou um objeto particular de adoração. Meditar no nada, ou no vazio, ou em algo que é nirguna, sem qualidades, não é muito fácil. O Senhor Krishna diz: “Aqueles que adoram completamente o imanifesto, aquilo além da percepção dos sentidos, o onipresente, o inconcebível, o fixo e imóvel – a concepção impessoal da Verdade Absoluta – controlando os vários sentidos e sendo equânime para com todos; tais indivíduos, ocupados no bem-estar de todos, por fim Me alcançam. Para aqueles cujas mentes estão apegadas ao imanifesto, o aspecto impessoal do Supremo, o avanço é muito laborioso. Progredir nessa disciplina é sempre difícil para aqueles que estão corporificados. Contudo, para aqueles que Me adoram, abandonando todas as atividades para Mim e devotando-se a Mim sem desvio, ocupados em serviço devocional e sempre meditando em Mim, que fixaram a mente em Mim – para eles, sou o pronto salvador do oceano de nascimentos e mortes”. (Bhagavad-gita 12.3-7)
Aqui, o Senhor Krishna explica a dificuldade em progredir espiritualmente no caminho impersonalista, mas, se alguém é sincero, continuará e, um dia, irá além do Brahman, chegando ao ponto de compreender o Ser Supremo, momento no qual seu progresso espiritual será mais efetivo.
Muitos instrutores sugerem que o Brahman, ou o nível nirguna de perfeição, é o nível máximo de entendimento, e que recebermos uma forma de Deus para meditarmos é apenas para quem está excessivamente apegado ao mundo mayíco de formas. Ou se destina a pessoas que querem um sistema mais fácil para usarem a capacidade de pensar da mente porque, como eles dizem, é mais fácil para a mente pensar em um objeto de algum tipo. Todavia, como se explica no Srimad-Bhagavatam (3.32.26), somente a Personalidade Suprema é o conhecimento transcendental completo, que aparece de maneiras diferentes de acordo com os diferentes processos adotados para conhecê-lO. Assim, pode aparecer como o Brahman impessoal; o Paramatma localizado, ou a Superalma no coração de todos os seres vivos, ou como a Suprema Personalidade de Deus, Bhagavan, a mais elevada de todas as encarnações do Senhor.
Krishna explica também que Ele é a base do Brahman impessoal, que é a posição constitucional da felicidade última, e que é imortal, imperecível e eterna. (Bhagavad-gita 14.27) Assim, a plataforma Brahman, ou espiritual, é a base da imortalidade, mas a fundação do Brahman é, na verdade, o Senhor Krishna – existe por causa dEle e emana dEle. É dito ainda que o Brahman são os raios corpóreos do Senhor, que se compõem de inumeráveis partículas espirituais, as almas jivas que estão flutuando na grande luz branca impessoal do Brahman, conhecida como brahmajyoti.
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Krishna diz a Arjuna no Bhagavad-gita que Ele é a base do Brahman.
A necessidade de entender a Verdade por trás do Brahman e como percebê-la é algo resumido na Katha Upanishad (2.3.8-11): “Além do brahmajyoti [o Brahman nirguna, ou amorfo, do monismo], há o grande Purusha, isto é, Purushottama, Deus, que é onipresente [como o brahmajyoti) e, embora destituído de quaisquer atributos empíricos, é sac-chid-ananda, a corporificação transcendental. Quem compreende esse purushottama-tattva finalmente se liberta. Obtendo um corpo espiritual, ele presta serviço eterno a Purushottama. A transcendental Personalidade de Deus está acima da jurisdição da visão encoberta. Ninguém pode contemplá-lO com os olhos físicos. Ele, no entanto, pode ser percebido através de uma mente pura, transparente e absorta em sabedora intuitiva nascida de práticas devocionais puras no âmago de seu abundante coração – aqueles que realmente tiveram esse visão lograram derradeira beatitude. Quando os cinco órgãos de aquisição de conhecimento, juntos da mente, são integrados e retirados da percepção sensorial e do desfrute, e o intelecto não busca seus objetos externos, senão que se concentra em cultivar devoção a Deus, esse estado se chama o estado mais elevado, ou paragati, que consiste em perceber a alma dentro de si. Esse estado de controlar os sentidos mediante retirar os mesmos do mundo externo e direcioná-los em um canal apropriado de cultivo de devoção pura a Deus é conhecido como o yoga real. Quando o yogi se torna bastante livre de todas as variedades de mente e quando o yoga conduz a esse caminho real de devoção, ele destrói a ignorância [a causa da escuridão]”.
Como mencionado, o Senhor é conhecido em três aspectos, a saber, o Brahman impessoal; a Superalma localizada, ou Paramatma, e, por fim, Bhagavan, a Personalidade Suprema. A pessoa pode começar com um aspecto, como o Brahman. Contudo, sábios esclarecidos afirmam que, a menos que o sujeito conheça pela experiência direta os três aspectos, seu conhecimento acerca de Deus está incompleto. Assim, o processo e o propósito da meditação e do yoga têm que ser corretamente compreendidos. Então, se Krishna é a Verdade Absoluta e, portanto, a autoridade última em yoga, conheçamos o que Ele tem a dizer sobre isso.

As Instruções do Senhor Krishna sobre Yoga

O Senhor Krishna certamente fornece instruções para esse processo. O Senhor Krishna começa explicando que o processo de yoga requer o aquietamento da mente. A pessoa tem que ir além da mente a fim de alcançar a percepção espiritual. Se o sujeito é capaz de controlar a mente, ele pode chegar ao nível de perceber o eu superior. Porém, se a mente é descontrolada, ela se torna inimiga de quem tem a esperança de fazer semelhante progresso.
O Senhor Krishna explica: “Quem é desapegado dos frutos de seu trabalho e que trabalha como é obrigado na ordem de vida renunciada é um místico de verdade, e não quem não acende nenhum fogo nem realiza tarefa alguma. O que se chama renúncia é o mesmo que yoga, ou conexão de si com o Supremo, pois ninguém pode ser um yogi a menos que renuncie o desejo por gratificação sensorial. Para quem é neófito no sistema óctuplo de yoga, é dito que o trabalho é o meio, e para quem já alcançou o yoga, a cessão de todas as atividades materiais é considerada o meio. É dito que uma pessoa alcançou o yoga quando, tendo renunciado todos os desejos materiais, ela nem age para a gratificação dos sentidos nem se ocupa em atividades fruitivas. Através de sua mente, o homem deve se elevar, e não se degradar. A mente é amiga da alma condicionada, bem como sua inimiga. Para quem a conquistou, a mente é a melhor amiga, mas, para quem não foi capaz de o fazer, sua mente continuará sendo sua pior inimiga. Aquele que conquistou a mente já alcançou a Superalma, pois logrou tranquilidade. Para semelhante sujeito, felicidade e aflição, calor e frio, honra e desonra são todos iguais. Uma pessoa é tida como estabelecida em autorrealização e se chama yogi, ou místico, quando está completamente satisfeita em virtude do conhecimento e da perfeição alcançados. Semelhante pessoa está situada na transcendência e é autocontrolada. Ela vê tudo – quer seixos, quer pedras, quer ouro – como iguais. São tidos como ainda mais avançados aqueles que consideram todos com mente equânime – os benquerentes honestos, os amigos e inimigos, os invejosos, os piedosos, os pecadores e aqueles que são indiferentes e imparciais”. (Bhagavad-gita 6.1-9)
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Yogi vendo a Superalma dentro do coração.
Krishna começa a descrever as preliminares do processo dizendo que “a pessoa tem que se recolher de todos os objetos sensoriais externos, manter os olhos e a visão concentrados entre as duas sobrancelhas e reter dentro das narinas os ares que entram e que saem. Controlando a mente, os sentidos e a inteligência dessa maneira, o transcendentalista se livra do desejo, do medo e da ira. Quem está sempre nesse estado é certamente liberto”. (Bhagavad-gita 5.27-28)
A descrição acima é de como é necessário suspender a respiração, o que é obviamente mais difícil do que muitos imaginam. A respiração em si é considerada o último obstáculo da meditação. Assim como é no intervalo entre pensamentos o lugar onde o sujeito está livre da mente, e é a porta para entrar na percepção espiritual, o mesmo pode ser dito sobre o intervalo entre as respirações. Em última instância, portanto, a respiração tem de ser suspensa a fim de que se entre no estado mais profundo de meditação. Isso não é fácil, de modo que temos que trabalhar com isso da melhor maneira que possamos.
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Famoso vaishnava Krishnamacharya, instrutor de Pattabhi Jois, ensinando pranayama.
Ademais, em preparação para praticar essa forma de yoga, Krishna explica que “a pessoa deve sempre tentar viver sozinha, em um lugar afastado, controlar a mente e concentrar-se no Eu Supremo. A pessoa também deve permanecer livre de desejos e senso de posse. Deve, então, estender sobre o chão grama kusha, cobri-la com pele de veado [o que ajuda a afastar cobras, o que era importante uma vez que os yogis frequentemente residiam na floresta nos tempos deste ensinamento] e um tecido macio. O yogi, então, deve se sentar firmemente sobre esse assento e praticar yoga mediante o controle dos sentidos e da mente e fixando-a em um só ponto. Em seguida, mantendo seu corpo, pescoço e cabeça alinhados e olhando para a ponta do nariz [com os olhos abertos, mas sem foco e semicerrados]. Assim, com a mente livre de agitação, de medo e de quaisquer desejos sexuais, a pessoa deve meditar em Mim dentro do coração e fazer de Mim a meta última da vida. Por meio de tal prática de controle do corpo, da mente e dos sentidos, e por meio da cessação da existência material, o yogi místico alcança o reino de Deus. Contudo, não há possibilidade de alguém se tornar um yogi se come em demasia ou se não come o suficiente, ou se dorme demais ou menos do que o bastante. Deve-se ser moderado no que diz respeito a comer, dormir, trabalhar e divertir-se a fim de que se possam reduzir todas as dores materiais mediante a prática de yoga. Somente por meio de tal prática, quando o sujeito disciplina suas atividades mentais, permanecendo destituído de todos os desejos dos sentidos e se situando na Transcendência, é dito que ele alcançou o yoga. O yogi tem que permanecer estável na meditação no eu, assim como a chama de uma lamparina não tremula em um lugar sem vento”. (Bhagavad-gita 6.10-19)
Penance of the Boy Dhruva
O yoga era tradicionalmente praticado na floresta. O príncipe Dhruva é um exemplo de quem praticou yoga na floresta até a perfeição.
Esse é o estado de perfeição chamado “transe”, ou samadhi. Nesse ponto, tem-se a habilidade de ver o eu através da mente pura, bem como a habilidade de desfrutar e regozijar no eu. É nesse estado em que o sujeito se apraz através dos sentidos transcendentais e experimenta ilimitada felicidade espiritual. Quando a pessoa está estabelecida dessa maneira, ela jamais se afasta da verdade, tampouco pensa haver algum ganho maior. Uma vez situada dessa maneira, a pessoa jamais vacila, mesmo em meio a grandes dificuldades. Isso é certamente verdadeira liberdade de todas as misérias nascidas do contato material. Portanto, deve-se praticar essa forma de yoga com indesviáveis determinação e fé. Deve-se abandonar todo desejo material baseado em falso ego, a concepção de que se é o corpo material, e controlar todos os sentidos através da mente. De maneira gradual, passo a passo, e com plena convicção, por meio da inteligência, a pessoa deve se situar em transe fixando a mente apenas no eu.(Bhagavad-gita 6.20-25)
Sri Krishna continua explicando que, “na prática de yoga, sempre que a mente divague, devido à sua natureza instável, deve-se trazê-la novamente sob o controle do eu. Destarte, o yogi cuja mente é fixa em Mim alcança a felicidade mais elevada. Por sua identidade com o Brahman [a esfera espiritual], ele se liberta, e sua mente fica pacífica, livre de paixões e liberta de pecados. Estável no eu e livre de toda contaminação material, semelhante yogi alcança a felicidade mais elevada, em contato com a Consciência Suprema. O verdadeiro yogi, por conseguinte, percebe-Me em todos os seres e vê todo ser em Mim. Com efeito, a pessoa autorrealizada Me vê em tudo. Para tal pessoa que Me vê em todo lugar e vê tudo em Mim, jamais estou perdido, tampouco ela se perde de Mim. Quem sabe que eu e a Superalma dentro de todas as criaturas somos um adora-Me e permanece sempre em Mim em todos os aspectos. Aquele que vê a verdadeira igualdade de todos os seres, tanto em felicidade quanto em aflição, é um yogi perfeito”. (Bhagavad-gita 6.26-32)
Supersoul In All Hearts
O yogi perfeito é capaz de ver a Superalma em todos os seres vivos.
Após praticar yoga ao longo da vida, a meta é tornar-se liberto de novas existências materiais. Não é o suficiente obter do yoga mais reflexão, percepção ou saúde corporal. Há muitas outras maneiras pelas quais uma pessoa pode fazer isso. Todavia, a verdadeira meta do yoga é retornar ao reino espiritual. Como isso é feito também é descrito pelo Senhor Krishna. Ele explica que, à hora da morte, aquele que fixa seus ares vitais entre suas sobrancelhas e, com devoção plena, ocupa-se em lembrar-se dEle, o Senhor Supremo, certamente alcançará o Ser Supremo. O destino de quem é versado nos Vedas, entoa o omkara e é um grande sábio na ordem renunciada é entrar no Brahman, o céu espiritual. O processo para que se consiga isso exige que o yogi se situe em completo desapego de todas as atividades dos sentidos. Fechando as portas dos sentidos e fixando a mente no coração, e erguendo o ar vital ao topo da cabeça, o sujeito se estabelece em yoga. Então, assim situado e vibrando a sagrada sílaba Om, a suprema combinação de letras; se a pessoa pensar no Supremo e deixar seu corpo, certamente alcançará os planetas espirituais. (Bhagavad-gita 8.10-13)
Quando alguém atingiu a perfeição em yoga, pode morrer segundo queira. Nesse processo, chamado sva-cchanda-mrityu, o yogi bloqueia o ânus com o calcanhar de seu pé. Ele, então, ergue seu ar ao longo dos chakras, que também carrega a alma do coração para o peito, então para o pescoço e, por fim, para o topo da cabeça. Situado dentro do brahma-randhra, o yogi finalmente abandona seu corpo e guia a alma espiritual para o destino escolhido. (Srimad-Bhagavatam 11.15.24)
The Mystic Yogi Leaves His Body
Yogi deixando o corpo pelo topo da cabeça e se conduzindo para a Lua.
Quando a alma está no topo da cabeça, o crânio se rompe, libertando do corpo a alma e os ares internos do yogi, permitindo assim que ele viaje para qualquer destino em que tenha centrado sua atenção. Esse é o processo para o yogi místico alcançar o reino espiritual.

Os Pontos Essenciais deste Sistema de Yoga

Apesar de todas essas instruções, o Senhor Krishna também explica alguns dos prós e contras com que muitas pessoas se deparam no sistema de yoga que Ele descreve. Ele diz que o yogi que está se esforçando por avançar, porém ainda não está maduro em sua prática, pode, algumas vezes, ser superado por várias perturbações. Algumas das obstruções ou dos obstáculos podem ser neutralizados por certas meditações ióguicas ou asanas, posturas sentadas, que devem ser praticadas junto de controle respiratório. Outras dificuldades podem ser superadas pela dedicação a austeridades específicas, ou pelo uso de certos mantras ou ervas. Contudo, Krishna explica também que essas dificuldades inauspiciosas podem ser gradualmente removidas pela mera lembrança constante de Sua pessoa e pela audição e pelo canto congregacionais de Seus santos nomes, ou seguindo os passos dos grandes mestres do yoga. Através de vários métodos, alguns yogis livram o corpo da doença e da velhice e mantêm-no perpetuamente jovem e saudável. Assim, ocupam-se em yoga com o propósito de alcançar as perfeições místicas materiais.(Srimad-Bhagavatam 11.28.38-41)
Entretanto, Krishna diz que esse desenvolvimento ou superioridade corpórea mística não é muito estimada por aqueles que são avançados em conhecimento espiritual genuíno. Eles consideram que o empenho para semelhante perfeição é inútil uma vez que a alma é permanente, e o corpo, em contraste, é destruído com o tempo. “Então, embora o corpo físico possa ser aprimorado por vários processos de yoga, uma pessoa inteligente que tenha dedicado sua vida a Mim não deposita muita fé no prospecto de aperfeiçoar seu corpo físico por meio do yoga. Com efeito, talvez até mesmo o deixe”. (Srimad-Bhagavatam 11.28.42-44)
Desta maneira, podemos nos ocupar em yoga a fim de mantermos o corpo em boas condições, assim como temos que fazer a manutenção de nosso carro para que funcione apropriadamente. Fazemos isso de sorte que eles nos ofereçam bom serviço tanto quanto possível, mas não com a ideia de que atingiremos um alto grau de perfeição espiritual com eles. A manutenção do corpo também não deve ter nenhuma conexão com prolongar a juventude a fim de ampliarmos nossa habilidade de gratificação dos sentidos.
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O yoga é muitas vezes apresentado como mero recurso para desenvolvimento de flexibilidade corporal, melhora da autoestima e benefícios similares. Essa é uma ideia deturpada ou, na melhor das hipóteses, incompleta.
O Senhor Krishna aconselha que há maneiras melhores para nos desenvolvermos espiritualmente.
Como o Senhor Krishna explica a Uddhava em uma história, “caridade, deveres prescritos e cumprimento tanto de princípios reguladores maiores quanto menores, audição das escrituras, feitura de trabalho piedoso e observação de votos purificantes destinam-se todos a subjugar e controlar a mente. Com efeito, simplesmente concentrar a mente no Supremo é o yoga mais elevado. No entanto, se a mente permanece descontrolada em ilusão, qual é a utilidade ou o benefício de tais ocupações para a pessoa?”.(Srimad-Bhagavatam 11.23.45-46)
O Senhor Krishna, quando instruindo o rei Muchukunda, também afirmou que a mente dos não devotos, embora possam se dedicar a práticas como pranayama, não se livram completamente dos desejos materiais. Assim, os desejos materiais são vistos redespertarem em suas mentes apesar de outras práticas.(Srimad-Bhagavatam 10.51.60)
Então, após todas as instruções sobre como um yogi pode alcançar o domínio espiritual, ou quais problemas um yogi pode ter de confrontar, o Senhor Krishna resume o processo pelo qual qualquer um pode facilmente alcançar o destino supremo através da apropriada meditação, que é simplesmente pensar nEle. “Para aquele que se lembra de Mim sem desvios”, Krishna diz, “sou facilmente obtenível em consequência de sua constante ocupação em serviço devocional. Depois de Me alcançar, as grandes almas, que são yogis em devoção, jamais retornam a este mundo temporário, que é repleto de misérias, pois alcançaram a perfeição mais elevada”. (Bhagavad-gita 8.14-15) Esse é o resultado ou a meta máxima decorrente da prática de yoga ou meditação.
O Senhor Krishna diz a Uddhava a distinção entre o yoga comum e bhakti, a meditação devocional. “O serviço devocional imaculado prestado a Mim por Meus devotos coloca-Me sob o controle deles. Não posso ser controlado por aqueles ocupados em yoga místico, filosofia sankhya, trabalho piedoso, estudo védico, austeridade ou renúncia.(Srimad-Bhagavatam 11.14.20) Destarte, o indivíduo deve meditar em Minha forma de quatro braços, que é pacífica, transcendental e porta um búzio, o disco sudarshana, a maça e uma flor de lótus. Desta maneira, deve-se meditar em Mim com fixa atenção”. (Srimad-Bhagavatam 11.11.46)
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Krishna conversa com Uddhava. A conversa entre Krishna Uddhava, registrada em alguns capítulos do Srimad-Bhagavatam, possui muitas instruções referentes à prática do yoga.
Em Sua forma como o Senhor Kapiladeva, o Supremo aponta que o sistema de yoga que é diretamente ligado ao Supremo e à alma individual, que se destina ao benefício último de todos e que causa o desapego de todas as formas de aflição e felicidade material, é o melhor sistema de yoga. (Srimad-Bhagavatam 3.25.13)Completa perfeição em autorrealização não pode ser alcançada por um yogi a menos que ele se ocupe em serviço devocional à Personalidade Suprema, pois esse é o caminho mais auspicioso. (Srimad-Bhagavatam 3.25.19)
Basicamente, então, a meditação funciona assim: Se, por amor, ódio ou medo, uma pessoa se concentra com inteligência em uma forma corpórea em particular, ela indubitavelmente obterá a forma na qual medita. (Srimad-Bhagavatam 11.9.22) Em razão disso, Krishna diz: “A mente que medita nos objetos dos sentidos certamente se enreda em tais objetos, mas se alguém constantemente se lembra de Mim, a mente se absorve em Mim. Portanto, devem-se rejeitar todos os processos materiais de elevação, que são como as criações mentais em um sonho, e se deve absorver completamente a mente em Mim. Mediante tal pensamento constante em Mim, o indivíduo se purifica”. (Srimad-Bhagavatam 11.14.27-28)

Como Meditar

Enquanto Uddhava conversava com Sri Krishna, como registrado no Srimad-Bhagavatam (11.14.31-46), Uddhava perguntou-Lhe por qual processo alguém deveria meditar nEle caso desejasse a libertação por meio do processo de yoga. Queria saber também de qual natureza específica deveria ser a meditação, e em que forma a pessoa deveria meditar. Krishna, então, explicou o que se deve fazer. As instruções que seguem são similares às instruções do Senhor Krishna para Arjuna, como lemos no Bhagavad-gita, e também similares às instruções dadas pela encarnação do Senhor Krishna conhecida como Senhor Kapiladeva, que instruiu Sua mãe Devahuti, como encontramos no Srimad-Bhagavatam (3.28). Porém, as instruções de Kapila contêm alguns pontos adicionais, em virtude do que combinamos as instruções para termos uma visão tão abrangente quanto possível de como se deve meditar. Alguns talvez fiquem surpresos em relação a quão detalhadamente descrita é a forma do Ser Supremo dentro desse processo de meditação. Ouvir as descrições da forma do Senhor é em si um tipo de meditação. Seguem as instruções completas.
Como o Senhor Kapiladeva disse à Sua mãe, o indivíduo, pela prática desse sistema, pode se tornar jubiloso e avançar gradualmente no caminho da Verdade Absoluta. É preciso cumprir os deveres pessoais com responsabilidade. A pessoa deve ficar satisfeita com o que quer que obtenha pela graça do Senhor e adorar o mestre espiritual. Deve cessar seu envolvimento com as atividades religiosas convencionais e deve se atrair somente pelas tradições que conduzem à libertação última. Deve também comer frugalmente e permanecer em um lugar reservado para elevar a consciência à perfeição mais elevada da vida. A pessoa deve ainda dedicar-se à veracidade, à não violência e a não roubar. Deve ficar contente tendo apenas tanto quanto precise para manter-se. O sadhaka, praticante, deve abster-se da vida sexual, realizar austeridade voluntária, ser limpo, estudar a literatura védica e adorar o Senhor Supremo. Deve-se também observar silêncio, adquirir estabilidade na prática de asanas, ou posturas sentadas, e aprender a controlar a respiração. Também se devem retirar os sentidos dos objetos dos sentidos e concentrar a mente no coração.
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Kapiladeva, importante encarnação de Krishna, instrui Sua mãe, Devahuti. O Kapila filho de Devahuti é o expositor original da filosofia sankhya e não deve ser confundido com o Kapila que viveu posteriormente e apresentou um sistema sankhya ateísta.
Como o Senhor Krishna explicou a Uddhava, quem deseja meditar apropriadamente deve se sentar em um assento que não seja nem muito alto nem excessivamente baixo. O corpo deve ser mantido ereto porém confortável. As mãos devem ser repousadas sobre o colo, e os olhos devem focar a ponta do nariz. Purificam-se, então, as vias respiratórias e, uma vez que os sentidos estejam controlados, pode-se praticar pranayama passo a passo.
O Senhor Kapila explica que o yogi deve limpar as passagens aéreas inspirando profundamente, retendo a respiração e, então, exalando. Ou se pode reverter o processo primeiramente exalando, retendo os pulmões vazios e, por fim, inalando. Isso é feito a fim de que a mente possa se tornar estável e livre de perturbações externas. Pela prática de semelhante pranayama, pode-se concentrar a mente e se livrar do desejo de envolvimento com atividades pecaminosas e associação material. Meditando no Senhor Supremo, é possível o indivíduo se livrar da influência da energia material.
O Senhor Krishna prossegue explicando que, uma vez que isso tenha sido concluído, deve-se mover o ar vital para cima, do muladhara-chakra até o coração, onde a sagrada sílaba Om (omkara) está situada como o som de um sino. A pessoa deve, então, continuar elevando o som sagrado, até unir o omkara às quinze vibrações produzidas com anusvara, a passagem nasal. Focado no omkara, o sujeito deve praticar o sistema de pranayama dez vezes a cada nascer do Sol, meio-dia e poente. Assim, após um mês, espera-se que a pessoa tenha ganhado domínio sobre o ar vital.
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No coração, a sagrada sílaba Om (omkara) está situada como o som de um sino.
Krishna diz: “Devem-se manter os olhos semicerrados e fixar a visão na ponta do nariz. Alerta, deve-se meditar na flor de lótus situada dentro do coração. Esse lótus tem oito pétalas e se assenta sobre um caule de lótus ereto. Deve-se, então, meditar no Sol, na Lua e no fogo, colocando um após o outro dentro do verticilo dessa flor de lótus. Colocando Minha forma transcendental dentro do fogo, deve-se meditar nela como a auspiciosa meta de toda meditação. Essa forma é de proporções perfeitas, gentil e alegre. Possui quatro braços longos e belos, um pescoço encantador e de grande beleza, uma fronte encantadora e um sorriso puro, e brincos brilhantes em formato de tubarão penduram-se de suas duas orelhas. Essa forma espiritual tem a cor de uma negra nuvem de chuva e traja seda amarelo-ouro. O peito dessa forma é a morada de Shrivatsa e da deusa da fortuna. Essa forma também é decorada por um búzio, um disco, uma maça, uma flor de lótus e uma guirlanda de flores silvestres. Os dois brilhantes pés de lótus são decorados por braceletes e sininhos de tornozelo, e essa forma exibe a joia Kaustubha [sobre Seu peito] bem como uma coroa fulgurante. Seus quadris são embelezados por um cinto dourado, e os braços são decorados por valiosos braceletes. Todos os membros dessa bela forma roubam o coração, e a face é embelezada por um olhar misericordioso. Retirando os sentidos dos objetos sensoriais, deve-se ser grave, autocontrolado e usar a inteligência para fixar deveras a mente em todos os membros de Meu corpo transcendental. Assim, o sujeito deve meditar nessa Minha delicadíssima forma transcendental”.
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Alguns talvez fiquem surpresos em relação a quão detalhadamente descrita é a forma do Ser Supremo dentro do coração.
O Senhor Krishna continua Sua explicação a Uddhava dizendo que a pessoa deve, em seguida, retirar a consciência de todos os membros desse corpo transcendental e meditar apenas no rosto maravilhosamente sorridente do Senhor. Estabelecido na meditação no rosto do Senhor, deve-se, então, recolher a consciência e fixá-la no céu. “Então, abandonando essa meditação, a pessoa deve se estabelecer completamente em Mim e abandonar por inteiro o processo de meditação. Quem fixou sua mente em Mim desta maneira deve Me ver dentro de sua própria alma e ver a alma individual dentro de Mim, a Personalidade Suprema. Assim, ele vê as almas individuais unidas com a Alma Suprema, assim como alguém vê os raios solares completamente unidos ao Sol. Quando o yogi, deste modo, controla sua mente por meio de meditação intensamente concentrada, sua identificação ilusória com objetos materiais, conhecimentos materiais e atividades materiais é muito rapidamente extinta”.
O Senhor Kapila conclui descrevendo que, assim situada no estágio transcendental mais elevado, a mente do yogi descontinua toda reação material e se torna transcendente a todas as concepções materiais de felicidade e aflição. Nesse momento, o yogi compreende a verdade de seu relacionamento com o Supremo. Ele descobre que o prazer e a dor, assim como as interações deles, se devem, na verdade, ao falso ego, ou à identificação com o corpo temporário, uma visão que decorre da ignorância. Porque obteve sua verdadeira identidade e está completamente ciente dela e centrado nela, a alma perfeitamente autorrealizada não tem nenhuma concepção de como o corpo material está se movendo ou agindo. O indivíduo se torna um jivanmukta, uma alma liberta mesmo enquanto no corpo. A Pessoa Suprema Se encarrega do corpo de tal yogi liberto, corpo este que funciona até suas atividades destinadas sejam findas. O devoto liberto, que despertou para sua posição constitucional espiritual e destarte está situado em samadhi, a plataforma mais alta de yoga, não mais aceita os subprodutos do corpo material como seus. Ele, assim, considera suas atividades corpóreas como sendo semelhantes àqueles em um sonho. O yogi, portanto, pode estar na posição autorrealizada após ter conquistado o insuperável encanto de maya, ilusão.
Meditating on Krishna
Em samadhi, o yogi compreende a verdade de seu relacionamento com o Supremo.
Nas instruções a Uddhava, o Senhor Krishna resume a meta do yoga de maneira diferente. Ele conta a história de um brahmana, na qual o brahmana ensina que, após atingir a perfeição nas posturas ióguicas sentadas e nos processos respiratórios, deve-se, então, tornar a mente estável por meio de prática regular de yoga e desapego das preocupações mundanas. Então, deve-se fixar a mente na meta única do yoga. A mente pode ser facilmente controlada centrando-a na Personalidade Suprema. Uma vez que a mente esteja estabilizada, ela se torna livre de desejos poluídos voltados às atividades materiais. Esse é o momento no qual a bondade cresce, a qual confere poder para que o indivíduo abandone por completo os modos da paixão e da ignorância. Pode-se transcender gradualmente inclusive o modo da bondade material, entrando, assim, na bondade pura, o domínio espiritual. O fogo da existência material se extingue quando a mente está livre da influência dos modos da natureza. A pessoa, então, pode alcançar a plataforma espiritual de relacionar-se diretamente com o objeto de meditação, o Senhor Supremo. Quando a consciência de alguém está muitíssimo absorta na Verdade Absoluta, o Senhor Supremo, a pessoa não mais percebe qualquer dualidade ou diferença entre a realidade externa e interna. (Srimad-Bhagavatam 11.9.11-13)
Deixando o Corpo através do Yoga: A Derradeira Perfeição
No Srimad-Bhagavatam (2.2.15-38), Shukadeva Gosvami instrui o rei Parikshit sobre os meios pelos quais se pode alcançar a meta final do yoga e como deixar este corpo a fim de alcançar o domínio espiritual. Ele diz que, quando o yogi deseja deixar este planeta habitado por seres humanos, ele não deve se preocupar em relação a tempo e lugar, mas deve se sentar confortavelmente em algum lugar e começar a regular o ar vital e controlar os sentidos e a mente. O yogi deve, então, fundir sua mente dentro de si através da inteligência e, então, fundir sua identidade espiritual com a Superalma. Depois de feito isso, se a pessoa conseguir chegar tão longe, deve se sentir completamente satisfeita a fim de que interrompa todas as outras atividades e percepção.
Nesse estado transcendental, não existe qualquer influência do tempo, que afeta até os semideuses nos reinos celestes. Tampouco há qualquer influência dos modos da natureza material, a saber, bondade, paixão e ignorância. A pessoa, então, deve se preparar para abandonar o corpo primeiramente bloqueando o ânus com o calcanhar. Então, é preciso começar a elevar o ar vital da base da espinha, ao longo dos diferentes chakras, passando pelo umbigo, peito, coração, raiz do palato e chegando entre as sobrancelhas. Então, bloqueando as sete aberturas na cabeça, pelas quais o ar poderia sair, deve manter seu foco em voltar ao reino espiritual. Se estiver completamente livre de todos os desejos materiais, deve, então, elevar o ar vital até o buraco cerebral no topo da cabeça, o chakra da coroa, e abandonar todas as conexões materiais e corpóreas, centrado em voltar ao Supremo.
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Representação dos principais chakras, ou centros energéticos.
Contudo, se o yogi ainda tiver desejos por desfrute material, inclusive relativos a alcançar planetas mais elevados ou mais refinados, como Brahmaloka, ou obter outras perfeições, ele carregará consigo a mente e os sentidos materialmente condicionados. Isso significa que um novo nascimento em um novo corpo material acontecerá, pois os desejos materiais só podem ser acomodados em um corpo de igual natureza.
O verdadeiro transcendentalista tem interesse apenas no corpo espiritual. Assim, como resultado de seu serviço devocional, austeridades e práticas espirituais, não têm restrições quanto a irem além dos mundos materiais, mas os trabalhadores fruitivos ou os materialistas grosseiros jamais poderão alcançar esse sucesso.
No caminho para fora desta criação material, o místico passa pelo sistema estelar conhecido como Via Láctea, iluminando o Sushumna. A Via Láctea conduz ao planeta mais elevado, Brahmaloka. O yogi alcança o planeta da deidade do fogo, Vaishvanara. Ali, é purificado de todas as contaminações materiais e pode, destarte, ir ainda mais alto, até o círculo de Shishumara. Esse Shishumara é o pivô universal e é chamado de “o umbigo de Garbhodakashayi Vishnu”. O yogi, então, vai para o planeta de Maharloka, que é habitado por santos puros, como Bhrigu, que gozam de uma duração de vida que se alonga por 4.300.000.000 de anos solares. Esse planeta é adorável até mesmo por parte dos santos purificados.
Shishumara
A máquina do mundo material, que consiste em estrelas e planetas, assemelha-se à forma de um golfinho (shishumara) na água. É algumas vezes considerada uma encarnação de Krishna. Grandes yogis meditam em Krishna nessa forma porque ela é de fato visível.
Em Maharloka, o yogi pode ver todos os planetas do universo sendo reduzidos a cinzas no final da vida de Brahma uma vez tocados pelas chamas emanadas da boca de Anantadeva. De lá, o yogi parte em direção a Satyaloka (Brahmaloka), o planeta mais elevado no universo, em aeroplanos e veículos que são utilizados pelas grandes almas purificadas. Em Satyaloka, a duração de vida é de 15.480.000.000.000 de anos solares. Nesse planeta, não há nem velhice nem morte, tampouco dor ou tristeza. Porém, pode haver um sentimento de compaixão quando vendo as muitas almas condicionadas que não têm conhecimento acerca do processo espiritual do serviço devocional a Deus e que, em virtude disso, submetem-se a numerosas misérias enquanto em contato com a energia material. Em Satyaloka, o yogi é capaz de livrar-se das camadas materiais que cingem o seu eu e, deste modo, sua forma passa do estágio terrestre para os estágios aquoso, ígneo, aéreo e, por fim, etéreo. Deste modo, é liberto dos objetos sensoriais da matéria sutil, como olfato, paladar, visão, tato, audição e outros órgãos para atividades materiais. O yogi, assim destituído tanto de formas de cobertura grosseiras e sutis, entra no estágio final de falso ego. Ali, ele neutraliza os modos materiais da bondade e da paixão e alcança o ego em bondade. Em seguida, todo egoísmo, ou identificação corpórea de qualquer sorte, funde-se no mahat-tattva, os ingredientes materiais imanifestos, e ele alcança a autorrealização pura. Ele, então, livra-se de todas as influências materiais e pode deixar por completo a manifestação cósmica. Somente em tal estado a pessoa pode obter a perfeição de ter a companhia da Suprema Personalidade de Deus em completa bem-aventurança e satisfação em seu estado natural e espiritual de ser, livre de todas as limitações e identificações materiais. Quem quer que seja capaz de alcançar esse estágio de existência e sentimento devocional jamais se atrai novamente pela manifestação material, razão pela qual jamais retorna a ela. Assim, o yogi retorna ao mundo Vaikuntha, onde há inumeráveis planetas espirituais, centenas de vezes maiores do que qualquer universo material.
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Em Vaikuntha, tudo é Brahman, ou espírito, pois não existe a energia material causando avidya, ou ignorância. Contudo, apesar da destruição do falso ego, ou ahamkara, da jiva, sua identificação como servo de Krishna é preservada, pois isso lhe é constitucional e inalienável.
Shukadeva Gosvami conclui dizendo que esse conhecimento o Senhor Krishna descreveu originalmente a Brahma. Essa grande personalidade, Brahma, estudou os Vedas três vezes com grande atenção e concentração. Após essa examinação de grande escrutínio, concluiu que a atração pelo Supremo Senhor Sri Krishna é a perfeição mais elevada da religião. É essencial, portanto, que todo ser humano ouça sobre o Senhor Supremo, glorifique-O e se lembre dEle sempre e em todo lugar. Quem ouve a nectárea mensagem do Senhor Krishna, o amado dos devotos, purifica-se da meta poluída de vida dos desejos e metas materiais e, deste modo, volta ao reino espiritual, volta aos pés de lótus do Senhor Krishna.

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