POR UMA EDUCAÇÃO "IMPRESSIONITA"

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Gostaria de ter descoberto minha preferência pelo impressionismo e pós-impressionismo mais cedo, na escola. Gostaria de ter conhecido Leminski mais cedo, na escola. Gostaria de ter desenvolvido o desejo de tocar um instrumento não somente através de amigos, mas na escola. Toda profissão que envolva educação deveria ter como prioridade, prática e teórica, o lúdico, a imaginação, a arte, a esperança e a poesia.

O termo impressionismo surgiu em função de um dos primeiros quadros de Monet, Impression: Soleil Levant - “Impressão: nascer do sol" (figura acima), a expressão foi usada originalmente de forma pejorativa em uma crítica feita sobre a tela. Entretanto, Monet e outros adotaram o título cientes da grande mudança que estavam introduzindo na pintura e da capacidade de “impressionar” daquele movimento artístico.
Impressionar mais, gostaria que a escola fosse capaz disso, em toda áreas do saber. A via que estamos usando impressiona muito pouco nossos jovens e crianças.
O ato de trabalhar deveria ser produto e produtor da criatividade, as experiências pedagógicas não deveriam descartar a intuição. Porém, o positivismo nos herdou uma noção de ciência em que a seriedade vence o humor, em que a objetividade é mais importante que as descobertas processuais e que a neutralidade é possível. Ilusões.
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 “O Almoço dos Barqueiros”, de Auguste Renoir, outro ícone do impressionismo
A ética utilitarista que norteia a contemporaneidade faz com que o trabalho docente seja de gestão, de produção, de adequação institucional e enquadramento metodológico. Como esse trabalho pode ser prazeroso? Como desenvolver conhecimento crendo que só há uma maneira para isso, no caso a razão pura e condicionada? Somos corpos eróticos, imagéticos e ansiosos. Os prazos, os tempos e movimentos da escola (e da academia), em geral, são rígidos, desconsideram esses elementos.
Quando vivemos em uma sociedade em que a aposentadoria é tida como redenção, é o momento de pararmos para pensar no tipo de trabalho que estamos fazendo. Imagine que lógica absurda sofrer uma vida toda para chegar à "salvação" da aposentadoria no fim da trajetória e considerar isso o encontro com a felicidade.
Uma sociabilidade sadia teria a aposentadoria como uma mudança de estágio quase não desejada, haja vista, que os sujeitos veriam no seu trabalho o sentido da vida. Infelizmente, o magistério hoje é um lugar de sofrimento para muitas pessoas.
O educador considerado bom hoje é aquele que cumpre metas, é produtivo, administra os estudantes com suas técnicas. Desafio que alguém me mostre aspectos prazerosos nesse ofício. Somos convencidos (os professores) sistematicamente que nossa ferramenta, a palavra, não muda as estruturas sociais. Essa descrença desgasta, desestimula e faz com que se considere, erroneamente, educador de sucesso àquele mais colonizado, cerceador e repetitivo.
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Tela de Van Gogh, grande nome do pós-impressionismo, chamada Langlois Bridge at Arles with Women Washing
Ter a coragem de dizer, de escrever e de se rebelar são atos de coerência pedagógica, Rubem Alves diz que não devemos formar professores, mas sim acordá-los, para que percebam qual ideologia tem e/ou reproduzem e se essa representa o que querem e acreditam para a vida.
Somos nossos dizeres e nos alimentamos com os dizeres alheios, é a palavra que azeita a engrenagem das relações humanas, portanto, que não se caia na falácia de que ela não muda nada porque nada se muda sem ela. É na e pela palavra que dou o melhor de mim, por isso, por uma questão existencial, tenho que crer que ela pode melhorar e impressionar o mundo e as pessoas.

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Fonte:http://lounge.obviousmag.org/augere/2013/12/por-uma-educacao-impressionista.html

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