A BUSCA PELO DERRADEIRO AMADO - OSHO

 

A busca pelo derradeiro amado

 
Pergunta a Osho:
Eu me apaixonei e sofri demais. Depois de ouvi-lo, eu me senti sem vontade de deixar o sonho continuar, pois meu caso de amor, no final, não conduzirá à satisfação. Como posso ir além desse apego que é tão rico e, ainda assim, tão doloroso?

O amor é ambos. É rico e é doloroso; é agonia e é êxtase, porque o amor é o encontro da terra e do céu, do conhecido e do desconhecido, do visível e do invisível.

O amor é a fronteira que divide a matéria e a consciência, a fronteira entre o inferior e o superior. O amor tem suas raízes na terra — essa é a dor, a agonia. E o amor tem seus galhos no céu — esse é o êxtase.

O amor não é um fenômeno singular; ele é dual. É uma corda esticada entre duas polaridades. Você terá que entender essas polaridades: uma é o sexo, a outra é a oração. O amor é a corda esticada entre o sexo e a oração. Parte dele é sexo, parte dele é oração.

A parte sexual está fadada a trazer muitas misérias; a parte que pertence à oração trará muitas alegrias. Daí a dificuldade de renunciar ao amor, porque, ao renunciar, a pessoa fica com medo de estar renunciando às alegrias que ele traz.

Por outro lado, não se é capaz de estar totalmente nele, porque todas aquelas dores lembram a pessoa, repetidamente, de renunciar a ele. Essa é a miséria dos amantes: os amantes vivem em tensão, divididos.

Eu posso entender seu problema. Esse é o problema básico de todos os amantes, porque o amor traz ambos, muitos espinhos e muitas flores, e ambos vêm juntos. O amor é uma roseira. A pessoa não quer aqueles espinhos. Ela gostaria que a roseira fosse só flores, sem nenhum espinho. Mas eles vêm juntos, são aspectos de uma mesma energia.

Porém não estou lhe dizendo para renunciar o amor; estou dizendo para tornar-se desapegado. O que eu estou lhe dizendo é: torne-o cada vez mais uma oração. Toda a minha abordagem é a da transformação, não a da renúncia.

Você deve ter me compreendido mal. Eu não sou contra o sexo, mas sou totalmente a favor da transformação do sexo em oração. O inferior pode ser possuído pelo superior e então a dor do amor desaparece.

Que dor há na sexualidade? Ela o lembra de sua animalidade — essa é a dor. Ela o lembra do passado, ela o lembra do seu aprisionamento biológico, ela o lembra de que você não é livre, de que você está sob a escravidão dos instintos dados pela natureza, de que você não é independente da natureza, de que seus cordões são puxados pela natureza, de que você é uma marionete nas mãos de forças desconhecidas, inconscientes.

O sexo é sentido como uma humilhação. No sexo você começa a sentir que está perdendo a sua dignidade, daí a dor. E então o preenchimento é tão momentâneo... Mais cedo ou mais tarde, qualquer pessoa inteligente tornar-se-á consciente de que a satisfação é momentânea e seguida por longas noites de dor.

O êxtase é exatamente como a brisa — ele vem e vai. E o deixa num estado tão desértico, completamente frustrado, desapontado! Você esperava tanto! Muitas coisas foram prometidas pela sua parte instintiva, e nada foi deixado.

Na verdade, o sexo é uma estratégia da natureza para se autoperpetuar. É um mecanismo que o mantém reproduzindo, de outra forma as pessoas desapareceriam. Pense numa humanidade em que o sexo não mais seja um instinto e você seja livre, de acordo com a sua vontade, para entrar no sexo ou não. Então a coisa toda parecerá tão absurda, a coisa toda parecerá ridícula.

Apenas pense — se não houvesse nenhuma força instintiva puxando, eu não acredito que alguém estivesse pronto para entrar no sexo. Ninguém vai por vontade própria; a pessoa vai resistindo, relutantemente.

Se você estudar, ler sobre os padrões sexuais de diferentes espécies de animais e insetos, ficará muito intrigado: como aquilo poderia ser feito se fosse deixado por conta das próprias espécies? Por exemplo: há aranhas que, enquanto o macho está copulando com a fêmea, esta começa a comê-lo. Quando a cópula acabou, o macho também acabou.

Ora, pense se as aranhas fossem livres para escolher: no momento em que os machos vissem as fêmeas, eles fugiriam o mais rápido que pudessem. Por que iriam cometer suicídio, sabendo perfeitamente disso? Eles viram outros machos desaparecerem do mesmo jeito, acontece todos os dias...

Mas quando o instinto toma conta, eles tornam-se um seu escravo. Tremendo, com medo, ainda assim eles fazem amor, sabendo perfeitamente bem que aquilo é o fim. Quando o macho está tendo o orgasmo, a fêmea começa a comê-lo.

O percevejo-fêmea não tem nenhum orifício, assim é muito difícil fazer amor com ela. O macho tem que lhe fazer um buraco. Você pode ver facilmente se um percevejo-fêmea é virgem ou não, porque, cada vez que faz amor, fica uma cicatriz — é realmente como um parafuso entrando! Mas, de bom grado, ela permite.

É doloroso e há perigo de vida para ela, porque se o macho fizer o buraco em algum lugar errado ela morrerá — e há machos estúpidos também! Mas ainda assim tem-se de correr o risco. Há uma tal força inconsciente, que aquilo tem de ser aceito.

Se o sexo fosse deixado para sua decisão, eu não acredito que as pessoas entrariam nele. Há razões para as pessoas fazerem amor escondidas do público, das pessoas - porque aquilo parece tão ridículo. Se fizer amor em público, você sabe que os outros verão o ridículo daquilo. Você mesmo conhece o ridículo. A pessoa se sente caindo abaixo da humanidade, uma grande dor está presente, pois você é arrastado para trás.

Mas o sexo traz alguns momentos de completa pureza e alegria, e inocência também. Ele traz alguns momentos de intemporalidade, quando de repente não há tempo nenhum. Ele traz alguns momentos de ausência de ego também, quando, no êxtase do orgasmo profundo, o ego é esquecido. Ele lhe dá alguns vislumbres de Deus, daí não se poder renunciar a ele tampouco.

As pessoas têm tentado renunciar. Através das eras, monges têm renunciado ao sexo pela simples razão de que ele é muito humilhante, muito contra a dignidade dos seres humanos. Estar sob o impacto de algum instinto inconsciente é desumanizante, desmoralizante.

Os monges renunciaram ao sexo, eles deixaram o mundo, mas com isso toda a alegria da vida de cada um também desapareceu. Eles se tornaram muito sérios e tristes, tornaram-se suicidas. Não vêem mais nenhum sentido na vida; toda a vida torna-se sem sentido. Então, simplesmente esperam que a morte chegue e os liberte.

É um problema delicado. Como resolvê-lo? Os monges não foram capazes de resolvê-lo. Pelo contrário, criaram muitas perversões no mundo. Todas as perversões condenadas por seus supostos santos são criadas por essas mesmas pessoas.

A primeira ideia de homossexualidade surgiu nos mosteiros, porque homens eram mantidos juntos, distantes e separados das mulheres; e mulheres eram mantidas juntas, separadas e distantes dos homens.

Há mosteiros católicos onde jamais nenhuma mulher entrou em mil anos. Nem mesmo que fosse um bebê de seis meses de idade. A simples ideia parece horrível. Es-ses monges parecem mesmo perigosos - até mesmo uma menina de seis meses de idade não é permitida no mosteiro! O que isso mostra? Que medo! Que paranoia!

Naturalmente, os monges ficam misturados, juntos, e então os instintos começam a criar novos caminhos, começam a inventar perversões - eles se tornam homossexuais. A homossexualidade é realmente muito religiosa: é um subproduto da religião. A religião tem dado muitas coisas ao mundo, uma delas é a homossexualidade. Todos os tipos de perversão...

Agora não se escuta mais dizer de mulheres fazendo amor com o demônio. O demônio de repente parece ter perdido todo o interesse nas mulheres! Mas se você mantiver mulheres distantes de qualquer possibilidade de se apaixonarem, de amarem, então a mente começará a criar suas próprias projeções e, é claro, essas projeções serão muito, muito coloridas. E essas projeções estão fadadas a acontecer, você não pode evitá-las.

Assim, monges e freiras não foram capazes de resolver o problema; eles tornaram a coisa toda mais atrapalhada ainda. E a pessoa mundana, sensual, a pessoa condescendente não foi capaz tampouco de resolvê-lo. Ela sofre miseravelmente, toda a sua vida é um sofrimento. Ela continua esperando, vai de uma esperança para outra, e vai caindo em cada esperança. E, pouco a pouco, uma grande desesperança vai se instalando em seu ser.

Minha abordagem não é nem mundana nem do outro mundo. Minha abordagem não é a de se rejeitar alguma coisa, mas de usá-la. Minha compreensão é esta: o que quer que lhe seja dado, é precioso. Você pode conhecer o valor, você pode não conhecer o valor, mas é precioso. Se não fosse, a existência não lhe teria dado aquilo. Assim, você tem de encontrar meios de transformá-lo.

Você tem de tornar seu amor mais como uma oração, você tem de tornar seu sexo mais amoroso. Pouco a pouco, o sexo tem de ser transformado numa atividade sagrada. Ele tem de ser elevado. Em vez de o sexo puxá-lo para baixo, para o lodo da humanidade, você pode puxar o sexo para cima.

A mesma energia que o puxa para baixo pode puxá-lo para cima, e a mesma energia pode dar-lhe asas. Ela tem um tremendo poder. Certamente, é a coisa mais poderosa do mundo, porque toda a vida surge dela.

Se ela pode dar nascimento a uma criança, a uma nova vida, se ela pode trazer uma nova vida para a existência, você bem pode imaginar o seu potencial: ela pode lhe trazer uma nova vida também. Assim como ela pode trazer uma nova criança para o mundo, ela pode dar-lhe um novo nascimento.

E é isso que Jesus quer dizer quando assim fala a Nicodemus: "A menos que você nasça novamente, você não poderá entrar no meu reino de Deus" — a menos que você renasça, a menos que você seja capaz de dar nascimento a si mesmo, uma nova visão, uma nova qualidade para suas energias, uma nova afinação para seu instrumento. Seu instrumento contém grande música, mas você precisa aprender a tocá-lo.

O sexo tem que se tornar uma grande arte meditativa. Essa é a contribuição do tantra para o mundo. A contribuição do tantra é máxima, porque ele lhe dá chaves para transformar o mais baixo no mais alto. Ele lhe dá chaves para transformar a lama em lótus.

Trata-se de uma das maiores ciências que já surgiram, mas por causa dos moralistas e dos puritanos, e das pessoas chamadas de religiosas, não se permitiu que o tantra ajudasse as pessoas. Suas escrituras foram queimadas, milhares de mestres tântricos foram mortos, queimados vivos. Toda a tradição quase inteiramente destruída, pessoas forçadas a se esconder.

Outro dia eu recebi uma carta de saniássins meus, dos Estados Unidos, dizendo que as pessoas de Gurdjieff são tão perseguidas pelo governo que elas decidiram se ocultar. Eles me escreveram: "Estamos achando que, mais cedo ou mais tarde, isso vai acontecer conosco. Devemos começar a nos preparar de modo que, caso venha a acontecer conosco, nós também possamos começar a trabalhar de urna maneira oculta?"

É possível, porque tem sido sempre assim. O trabalho de Gurdjieff também consiste em transformar a energia sexual numa integração interior — a igreja organizada está sempre contra qualquer esforço desse tipo.

Meu trabalho é impedido de todas as maneiras, meu povo é apoquentado de diferentes maneiras. Há alguns dias, o parlamento indiano discutiu, por uma hora, o que deveria ser feito comigo — como se este país não tivesse nenhum outro problema para ser discutido. Tanto medo!

E eu não estou fazendo nenhum mal a ninguém! Eu nem sequer saio para o lado de fora do portão! E, pelo menos, este tanto de liberdade é direito de nascimento de todo mundo. Se alguém quer vir a mim e quer se transformar, não é da alçada de ninguém interferir. Eu não vou até as pessoas. Se as pessoas vêm a mim e querem ser transformadas...

Que tipo de democracia é esta? Mas políticos e sacerdotes estúpidos têm estado sempre em conluio. Eles não querem que as pessoas se transformem, porque uma pessoa transformada deixa de estar sob a dominação deles. Pessoas transformadas tornam-se independentes, livres; pessoas transformadas tornam-se tão alertas e tão inteligentes que podem identificar todos os jogos dos políticos e dos sacerdotes.

Então, elas não são mais seguidoras de ninguém. Elas começam a viver uma vida completamente nova — não a vida da multidão, mas a vida do indivíduo. Elas se tornam leões; deixam de ser ovelhas.

E os políticos e os sacerdotes estão interessados em que cada ser humano permaneça uma ovelha. Somente assim eles podem ser pastores, líderes, grandes líderes. Pessoas medíocres e estúpidas fingindo-se de grandes líderes! Mas isso só é possível quando toda a humanidade permanece num grau muito baixo de inteligência, quando ela é mantida reprimida.

Até agora só dois experimentos foram feitos. Um foi a indulgência, que fracassou e que está sendo tentada novamente no Ocidente e vai fracassar novamente, fracassar completamente. O outro foi a renúncia, uma tentativa do Oriente e, também, do cristianismo no Ocidente. Também fracassou, fracassou completamente.

Um novo experimento é necessário, urgentemente necessário. O homem está vivendo num grande torvelinho, numa grande confusão. Aonde ir? O que fazer consigo mesmo? Eu não estou dizendo para renunciar ao sexo; estou dizendo para transformá-lo. Ele não precisa permanecer simplesmente biológico: traga alguma espiritualidade para ele.

Enquanto estiver fazendo amor, medite também. Enquanto estiver fazendo amor, mantenha-se num estado devocional. O amor não deve ser apenas um ato físico; derrame sua alma nele. Então, lenta, lentamente, a dor começa a desaparecer e a energia contida na dor é liberada e torna-se cada vez mais uma bem-aventurança. Então, a agonia é transformada em êxtase.

Você diz: "Eu me apaixonei e sofri demais". Você é abençoada. As pessoas realmente pobres são aquelas que nunca se apaixonaram e nunca sofreram. Elas, absolutamente, não viveram. Apaixonar-se e sofrer no amor é bom. É passar pelo fogo; purifica, lhe dá insights, torna-o mais alerta. Esse é o desafio a ser aceito. Aqueles que não aceitam esse desafio permanecem fracos.

Você diz: "Eu me apaixonei e sofri demais. Depois de ouvi-lo, eu me senti sem vontade de deixar o sonho continuar, pois meu caso de amor no final, não conduzirá à satisfação". Eu não estou dizendo para abandonar seu amor; estou simplesmente expondo um fato: que ele não lhe trará o contentamento definitivo.

Não está em minhas mãos transformar a natureza das coisas. Estou simplesmente declarando um fato. Se estivesse em minhas mãos, eu gostaria que você conseguisse o contentamento definitivo no amor. Mas isso não acontece. O que podemos fazer? Dois mais dois são quatro.

É uma lei fundamental da vida que o amor o leve a insatisfações cada vez mais profundas. No final, o amor o leva a tal descontentamento que você começa a ansiar pelo derradeiro amado, Deus, você começa a buscar pelo derradeiro caso de amor.

O sânias é um caso de amor derradeiro, é a busca por Deus, a busca pela verdade. Ele só é possível quando você já fracassou muitas vezes, amou e sofreu, e cada sofrimento lhe trouxe cada vez mais e mais consciência, cada vez mais e mais compreensão.

Um dia vem o reconhecimento de que o amor pode lhe dar alguns vislumbres — e esses vislumbres são bons, e esses vislumbres são vislumbres de Deus —, mas ele só pode lhe dar vislumbres. Mais não é possível. Mas isso também já é muito: sem esses vislumbres, você nunca irá procurar nem irá buscar Deus.

Aqueles que não amaram e sofreram nunca se tornaram buscadores de Deus — eles não podem, eles não conseguiram essa riqueza, não se tornaram merecedores dela. É um direito exclusivo do amante, um dia, começar a buscar pelo derradeiro amado.

Ame, e ame mais profundamente. Sofra, e sofra mais profundamente. Ame e sofra totalmente, porque é assim que o ouro impuro passa pelo fogo e se torna ouro puro.

Eu não estou lhe dizendo para fugir dos seus casos de amor. Vá fundo neles. Eu ajudo meus saniássins a entrarem no amor porque eu sei que o amor, no final, fracassa.

E a menos que eles saibam por experiência própria que o amor, no final, fracassa, a busca por Deus permanecerá falsa.

Osho, em "Vida, Amor e Riso"
Imagem por audreyObscura


Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/2012/08/

Encontros e desencontros

 
Pergunta:
Amado Osho, ultimamente eu tenho percebido que o meu companheiro é um estranho para mim. Ainda assim, existe uma vontade intensa de superar a separação entre nós. É quase uma sensação de que nós somos linhas correndo paralelas, uma à outra, mas destinadas a nunca se encontrarem. Amado Osho, o mundo da consciência é como o mundo da geometria? Ou existe uma chance daquelas linhas paralelas poderem se encontrar?


Dhyan Amiyo, essa é uma das grandes misérias que todos os amantes tem que encarar: não há como os amantes não terem esse estranhamento, esse desconhecimento, essa separação. Na verdade, todo o funcionamento do amor se baseia no fato dos amantes serem polaridades opostas. Quanto mais distantes eles forem, mais atraentes eles serão. A sua separação é a sua atração.

Eles se aproximam, eles se aproximam muito, mas eles nunca se tornam um. Eles chegam tão próximos, que há mesmo uma sensação de que só um passo a mais e eles se tornariam um. Mas aquele passo a mais nunca é dado e ele não pode ser dado por uma lei natural.

Ao contrário do que se espera, quando eles estão muito próximos, imediatamente começam a se tornarem separados de novo, afastando-se para longe. Porque quando eles estão muito próximos, a atração é perdida, e aí eles começam a brigar, a ficar ranzinzas, a rosnar. Essa é a maneira de se criar distância novamente.

E assim que a distância surge, imediatamente eles começam a sentir-se atraídos. E aí, isso segue como num ritmo, se aproximando, se afastando, se aproximando, se afastando. Existe uma vontade de ser um, mas no nível biológico, no nível do corpo, tornar-se um não é possível. Mesmo enquanto vocês fazem amor, vocês não são um, a separação no nível físico é inevitável.

Você está dizendo, "Ultimamente eu tenho percebido que o meu companheiro é um estranho para mim". Isso é bom. Isso é parte de uma compreensão que está crescendo. Somente pessoas infantis pensam que elas conhecem umas às outras. Você não conhece nem a si mesmo, como se pode conceber que você conheça o seu companheiro?

Nem o seu companheiro conhece a si mesmo, nem você conhece a si mesma. Dois seres desconhecidos, dois estranhos que nada sabem a respeito deles mesmos estão tentando conhecer um ao outro. Isso é um exercício fútil. Isso está fadado a ser uma frustração, um fracasso. E é por isso que os amantes ficam raivosos uns com os outros.

Eles pensam que talvez o outro não esteja permitindo a sua entrada no seu mundo particular. "Ele está me mantendo afastada, ele está me mantendo à distância". E ambos seguem pensando da mesma maneira. E isso não é verdadeiro, todas as reclamações são falsas. Eles simplesmente não compreendem a lei da natureza.

Ao nível do corpo, vocês podem se aproximar mas vocês não podem se tornar um. Apenas no nível do coração vocês podem se tornar um, mas só momentaneamente, não permanentemente.

Ao nível do ser, vocês já são um. Não existe a necessidade de se tornar um. Isso apenas tem que ser descoberto.

Amiyo, você está dizendo, "Ainda assim existe uma vontade intensa de superar a separação entre nós". Se você seguir tentando no nível físico, você irá fracassar. A vontade simplesmente mostra que o amor necessita ir além do corpo, que o amor quer alguma coisa mais elevada que o corpo, alguma coisa maior que o corpo, alguma coisa mais profunda que o corpo.

Mesmo o encontro de coração a coração, embora doce, embora imensamente prazeroso, é ainda insuficiente, porque ele acontece apenas por um momento e, em seguida, de novo, estranhos são estranhos. A não ser que vocês descubram o mundo do ser, vocês não serão capazes de satisfazer essa vontade de se tornar um.

E o fato estranho é que no dia em que você se tornar um com seu amante, você se tornará um com toda a existência também.

Você está dizendo, "É quase uma sensação de que nós somos linhas correndo paralelas, uma à outra, mas destinadas a nunca se encontrarem". Amiyo, talvez você desconheça a geometria não-Euclidiana, porque ela ainda não é ensinada em nossos institutos educacionais. Nas universidades ainda se ensina a geometria Euclidiana que surgiu há dois mil anos.

Na geometria Euclidiana, linhas paralelas nunca se encontram. Mas já foi descoberto que se você continuar e continuar, elas se encontram. A última descoberta é que não existem linhas paralelas, por isso é que elas se encontram. Você não pode criar duas linhas paralelas.

As novas descobertas são muito estranhas. Você não pode nem mesmo criar uma linha reta, porque a Terra é redonda. Se você criar uma linha reta aqui e se você seguir desenhando a partir de ambas as extremidades, ao continuar e continuar, finalmente você descobrirá que ela se tornou um círculo.

E se uma linha reta desenhada até o final se torna um círculo, antes de tudo, ela não era uma linha reta, ela era apenas parte de um círculo muito grande, e uma parte de um grande círculo é um arco, não uma reta. As linhas desapareceram na nova geometria não-Euclidiana, e não havendo linhas, o que dizer sobre linhas paralelas? Não existem linhas paralelas também.

Assim, se fosse uma questão de linhas paralelas, existiria uma chance de que os amantes pudessem se encontrar em algum lugar, talvez na velhice, quando eles já não pudessem brigar, quando eles já não tivessem nenhuma energia para isso, ou quando eles tivessem se tornado tão acostumados... aí, qual seria a questão? Eles usaram os mesmos argumentos, eles tiveram os mesmos problemas, os mesmos conflitos, ambos já estão entediados um com o outro.

Nesse longo trajeto, os amantes param para conversar um com outro. Qual é o sentido dessa conversa? Porque começar a conversar significa começar a argumentar, e sempre é o mesmo argumento, isso não vai mudar. E eles têm argumentado isso tantas vezes e chegam ao mesmo fim. Mas mesmo então, as linhas paralelas, no que se refere aos amantes... Em geometria elas podem começar a se encontrar, mas no amor não há qualquer esperança, elas não podem se encontrar.

E é bom que eles não possam se encontrar porque se os amantes pudessem satisfazer sua vontade de se tornar um ao nível do corpo físico, eles nunca iriam olhar para o alto. Eles nunca iriam tentar descobrir aquilo que está muito mais oculto no corpo físico: a consciência, a alma, Deus.

É bom que o amor fracasse, porque o fracasso do amor, mais cedo ou mais tarde irá levar você a uma nova peregrinação. A vontade irá atormentar você até que ela traga você ao templo onde o encontro acontece. Mas o encontro sempre acontece com o todo... no qual o seu amante estará, mas no qual as árvores também estarão, e os rios, as montanhas e as estrelas.

Em tal encontro, somente duas coisas não estarão presentes: o seu ego não estará lá e o ego do seu amante não estará lá. Além dessas duas coisas, toda a existência estará lá. E esses dois egos eram verdadeiramente o problema, era o que estava fazendo deles duas linhas paralelas.

Não era o amor que estava criando problemas, era o ego. Mas a vontade não será satisfeita. Nascimento após nascimento, vida após vida, a vontade irá permanecer, a não ser que você descubra a porta certa para ir além do corpo e entrar no templo.

Simplesmente mantenha a sua vontade fervilhando, acesa. Não perca o coração. A sua vontade é a semente da sua espiritualidade. A sua vontade é o começo da união maior com a existência. O seu amante é simplesmente uma desculpa.

Dhyan Amiyo, não fique triste. Fique alegre. Alegre-se por não haver possibilidade de encontro no nível físico. Senão, os amantes não teriam caminho algum para a transformação. Eles iriam ficar empacados um com o outro, eles iriam destruir um ao outro. E não há dano algum em se amar um estranho. Na verdade, é mais excitante amar um estranho.

Quando vocês não estão juntos, existe uma grande atração. Quanto mais vocês estão juntos, mas a atração se torna embotada. Quanto mais vocês se tornarem conhecidos um do outro, ainda que superficialmente, menor será a excitação. Muito cedo a vida se tornará uma rotina

As pessoas seguem repetindo a mesma coisa, muitas e muitas vezes. Se você olhar para as faces das pessoas no mundo, você ficará surpresa: Por que essas pessoas parecem tão tristes? Por que os seus olhos aparentam que elas perderam toda a esperança? O motivo é simples: o motivo é a repetição.

O homem é inteligente. A repetição cria tédio. O tédio traz uma tristeza porque a pessoa sabe o que vai acontecer amanhã, e depois de amanhã... Até a pessoa ir para a sepultura, acontecerá o mesmo, a mesma história.

Um judeu e um polaco estavam sentados num bar acompanhando o noticiário na televisão. No noticiário eles mostraram uma mulher em pé no terraço de um prédio ameaçando se jogar. O judeu disse ao polaco: "eu quero fazer uma aposta com você. Se ela se jogar você me paga vinte dólares. Se ela não se jogar, eu lhe pago vinte dólares. Ok?"
"Tudo bem", disse o polaco.
Poucos minutos depois, a mulher se jogou do terraço e se matou. O polaco pegou sua carteira e entregou vinte dólares ao judeu.
Poucos minutos depois, o judeu se voltou para o polaco e lhe disse, "Olha aqui, eu não posso ficar com esses seus vinte dólares. Eu tenho que lhe confessar que eu já tinha visto esse noticiário hoje mais cedo. Foi uma repetição."
"Não, não", disse o polaco, "fique com o dinheiro, você ganhou por honra e mérito. Fique sabendo que eu também vi esse noticiário hoje mais cedo na TV."
"Você viu?", disse o judeu, "Bem, então por que você apostou que a mulher não iria se jogar?"
"Bem", disse o polaco, "Eu não pensei que ela iria ser tão estúpida ao ponto de fazer aquilo duas vezes!"
Mas a vida é assim... Essa tristeza no mundo, esse tédio e essa miséria podem ser mudados se as pessoas souberem que elas estão procurando pelo impossível. Não procure pelo impossível. Descubra a lei da existência e siga-a. A sua vontade de ser um é o seu desejo espiritual, é a sua natureza religiosa verdadeiramente essencial. Você está apenas focando a si mesma no ponto errado.

O seu amante é apenas uma desculpa. Deixe que seu amante seja apenas um experimento de um grande amor, o amor por toda a existência.  Deixe que sua vontade seja uma busca de seu próprio ser interior. Ali, o encontro já está acontecendo. Ali, nós já somos um.  Ali, ninguém jamais está separado.

A vontade está perfeitamente certa, apenas o foco do desejo não está certo. Isso está criando o sofrimento e o inferno. Simplesmente mude o foco e a sua vida se tornará um paraíso.

Osho, em "The Hidden Splendor"
Tradução: Sw. Bodhi Champak
Fonte: Osho Brasil
Imagens por Srta. Lobo


Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/2009/04/



O amor precisa ir além do corpo


Pergunta a Osho:
Recentemente, tenho começado a perceber como até mesmo a pessoa que eu amo é uma estranha para mim. Ainda assim, há um intenso anseio para sobrepujar a separação entre nós. Chega quase a parecer como se fôssemos duas linhas correndo paralelas uma à outra, destinadas a nunca se encontrar. O mundo da consciência é como o mundo da geometria, ou há uma chance de as paralelas se encontrarem?

Esta é uma das grandes misérias que todo amante tem de enfrentar: não há como dois amantes acabarem com o desconhecido, com o não-familiar, com a separação entre eles. Na verdade, todo o funcionamento do amor está ligado a isto: eles devem ser pólos opostos. Quanto mais distantes estão, mais atraentes. A separação é a atração entre eles. Eles se aproximam, chegam bem perto, mas nunca se tornam um.

Eles chegam tão perto que parece que, um passo a mais, eles se tornarão um. Mas esse passo nunca foi dado. Não pode ser dado por pura necessidade, por causa de uma lei natural.

Pelo contrário, quando eles estão muito próximos, imediatamente começam a se separar novamente, a se afastar. Porque, quando eles estão muito próximos, a atração é perdida; eles começam a brigar, a reclamar, tornam-se rancorosos. Esses são os meios de se criar distância novamente. E quando a distância acontece, imediatamente eles começam a se sentir atraídos. E isso vai se repetindo como um ritmo: aproximan­do-se, afastando-se, aproximando-se, afastando-se.

Há um anseio profundo para se tornarem um - mas em termos de biologia, em termos de corpo, não é possível se tornarem um. Mesmo enquanto estão fazendo amor, vocês não são um. A separação no nível físico é inevitável.

Você diz: "Recentemente, tenho começado a perceber como até mesmo a pessoa que eu amo é uma estranha para mim".

Isso é bom. Isso faz parte de uma compreensão cres­cente. Somente pessoas infantis pensam que conhecem um ao outro. Você nem mesmo se conhece, como pode conce­ber que conhece o seu amado?

Nem o amado se conhece, nem você se conhece. Dois seres desconhecidos, dois estranhos que não conhecem nada sobre si mesmos, estão tentando conhecer um ao outro - é um exercício fútil. Está fadado a se tornar uma frustração, um fracasso. Por isso todos os amantes ficam com raiva um do outro. Eles pensam que talvez o outro não lhe esteja permitindo entrar em seu mundo particular. “Ele está me mantendo separado, está me mantendo um pouco distan­te.” E ambos vão pensando da mesma forma. Mas não é verdade, todas as acusações são falsas. Simplesmente eles não entendem a lei da natureza.

Corporalmente, vocês podem se aproximar, mas não po­dem se tornar um. Somente no nível do coração vocês podem se tornar um - mas apenas momentaneamente, não permanen­temente.

No nível do ser, vocês são um. Não há nenhuma ne­cessidade de se tornarem um. Isso tem apenas de ser desco­berto.

Você diz: “Ainda assim, há um intenso anseio para so­brepujar a separação entre nós”.

Se você continuar tentando no nível físico, continuará fracassando. O anseio profundo simplesmente mostra que o amor precisa ir além do corpo, que o amor quer algo mais elevado do que o corpo, algo maior do que o corpo, algo mais profundo do que o corpo.

Até mesmo o encontro coração com coração - embora doce, embora imensamente deleitoso - ainda é insuficiente, porque ele ocorre somente por um momento e então, no­vamente, estranhos são estranhos. A menos que vocês des­cubram o mundo do ser, vocês não serão capazes de preen­cher o anseio profundo de se tornarem um. E o fato estra­nho é o seguinte: no dia em que você se tornar um com seu amado, você se tornará um com toda a existência também.

Você diz: “Chega quase a parecer como se fôssemos duas linhas correndo paralelas uma à outra, destinadas a nunca se encontrar”.

Talvez você não conheça a geometria não-euclidiana, pois ela ainda não é ensinada em nossos institutos educa­cionais. Ainda nos ensinam, nas universidades, a geometria euclidiana, que tem dois mil anos de idade. Na geometria euclidiana, as linhas paralelas nunca se encontram. Mas foi descoberto que, se você continuar e continuar e continuar, elas se encontram. A última desco­berta é que não existem linhas paralelas; por isso é que elas se encontram. Não se pode criar duas linhas paralelas.

As novas descobertas são muito estranhas: você não pode nem mesmo criar uma linha, uma linha reta, porque a terra é redonda. Se você criar uma linha reta aqui, se conti­nuar prolongando-a de ambos os lados e continuar e conti­nuar, finalmente, você descobrirá que ela se tornou um cír­culo. E se uma linha reta traçada até o seu máximo torna-se um círculo, ela, em primeiro lugar, não era uma linha reta; era apenas parte de um círculo muito grande, e uma parte de um círculo grande é um arco, não uma linha reta. As linhas desapareceram na nova geometria não-euclidiana e, quando não há linhas, o que dizer de linhas paralelas? Não existem linhas paralelas também.

Assim, se fosse uma questão de linhas paralelas, ha­veria uma chance de os amantes poderem se encontrar - talvez na velhice, quando eles não podem mais lutar, não têm mais energia disponível ou ficaram tão acostumados que... Qual o sentido? Já tiveram aquelas mesmas discus­sões, os mesmos problemas, os mesmos conflitos; ambos estão cansados um do outro.

Com o decorrer do tempo, os amantes até mesmo param de falar um com o outro. Qual o sentido? Porque começar a falar significa começar uma discussão - e é a mesma discussão, ela não vai mudar. Eles já discutiram tantas vezes e o fim é sempre o mesmo. Mas, mesmo assim, as linhas paralelas, no que diz respeito aos aman­tes... Na geometria elas podem começar a se encontrar, mas no amor não há nenhuma esperança; eles não podem se encontrar.

E é bom que eles não possam se encontrar, porque, se os amantes pudessem satisfazer seu anseio profundo de se tornarem um em termos de corpo físico, eles nunca olha­riam para cima. Nunca tentariam descobrir que há muito mais escondido no corpo físico - a consciência, a alma, o deus.

É bom que o amor fracasse, porque o fracasso do amor está destinado a levá-lo a uma nova peregrinação. O anseio profundo o perseguirá, até que ele o leve ao templo onde o encontro acontece. Mas o encontro sempre acontece com o todo, no qual estará o seu amor, mas no qual também esta­rão as árvores e os rios e as montanhas e as estrelas... Nesse encontro, somente duas coisas não estarão presentes: seu ego não estará ali e o ego do seu amado não estará ali. Fora essas duas coisas, toda a existência estará presente. E esses dois egos eram realmente o problema, era o que estava fazendo deles duas linhas paralelas.

Não é o amor que está criando o problema; é o ego. Mas o anseio profundo não será satisfeito. Nascimento após nascimento, vida após vida, o anseio profundo permane­cerá, a não ser que você descubra a porta certa para ir além do corpo e entrar no templo.

Um casal de velhos - um com 93 anos e o outro com 95 - vai ao seu advogado e diz que quer se divorciar.

“Divórcio?!”, exclama o advogado. “Na idade de vocês?
Mas, seguramente, vocês agora precisam mais que nun­ca um do outro! E, de qualquer forma, vocês estão casa­dos há tanto tempo! Qual o sentido disso?

“Bem”, diz o marido, “nós estamos querendo o divór­cio há anos, mas achamos que deveríamos esperar até que os filhos morressem.”

Eles realmente esperaram! E todos os filhos morreram. Agora, não há nenhum problema, eles podem se divorciar. Não houve nenhum encontro, mas houve o divórcio.

Simplesmente mantenha o anseio profundo ardendo, chamejante. Não perca o coração.

Seu anseio profundo é a semente da sua espiritualidade. Seu anseio profundo é o começo da união final com a existência. Seu amado é apenas um pretexto.

Não fique triste, fique feliz. Alegre-se de que não haja possibilidade de encontro no nível físico. De outra forma, os amantes não teriam nenhum meio de transformação. Eles permaneceriam atolados um com o outro, eles se destrui­riam um ao outro. E não há mal nenhum em amar um estra­nho. Na verdade, é mais excitante amar um estranho.

Quando vocês não estavam juntos, havia grande atra­ção. Quanto mais vocês se aproximaram, mais a atração se tornou nublada. Quanto mais vocês se tenham tornado co­nhecidos um do outro, superficialmente, menor é a excita­ção. A vida torna-se muito rapidamente uma rotina.

As pessoas vão repetindo as mesmas coisas sem pa­rar. Se olhar para o rosto das pessoas mundo afora, você ficará surpreso: por que todas essas pessoas parecem tão tristes? Por que seus olhos dão a impressão de que perde­ram toda a esperança? A razão é simples, a razão é a repetição. O homem tem inteligência; a repetição cria té­dio. O tédio traz a tristeza, porque a pessoa sabe o que vai acontecer amanhã, e depois de amanhã... até chegar à cova será a mesma coisa, a mesma história.

Um judeu e um polaco estão sentados à noite num bar, assistindo ao noticiário da TV. No programa, eles estão mostrando uma mulher de pé, sobre a saliência de um rochedo, ameaçando pular. O judeu então diz ao polaco:

“Vou lhe propor uma coisa. Vamos fazer uma aposta: se ela pular, eu ganho vinte dólares. Se ela não pular, você ganha vinte dólares. Certo?”

“Combinado”, diz o polaco.

Alguns minutos mais tarde, a mulher salta despenhadeiro abaixo e morre. O polaco tira vinte dólares da carteira e dá ao judeu. Mais alguns minutos, o judeu se vira para o polaco e diz:

“Olhe aqui, não posso ficar com esses seus vinte dólares. Tenho que lhe confessar uma coisa: eu já tinha visto isso no noticiário do início da tarde. Foi uma reprise o que passou agora.”

“Não, não!”, diz o polaco. “Você fica com o dinheiro, você o ganhou legitimamente. Olhe, eu também vi isso na TV no início da tarde.”

“Você viu?! Então por que apostou que a mulher não pularia?”, perguntou o judeu.

“Bem”, respondeu o polaco, “eu não pensei que ela fosse tão estúpida para pular de novo!

A vida é assim...

Essa tristeza no mundo, esse tédio e essa miséria po­dem ser mudados se as pessoas souberem que estão pe­dindo o impossível.

Não peça o impossível. Encontre a lei da existência e siga-a.

Seu anseio profundo de se tornar um com o outro é o seu desejo espiritual, é a sua própria natureza religiosa es­sencial. Só que você está focando o ponto errado.

Seu amado é apenas um pretexto. Deixe seu amado ser uma experiência para um amor maior - o amor por toda a existência.

Deixe seu anseio profundo ser uma busca pelo seu próprio ser interior. Lá, o encontro já está acontecendo. Lá, nós já somos um. Lá, ninguém jamais se separou.

O anseio profundo é perfeitamente certo; apenas o objeto do anseio profundo não está certo. Isso está criando o sofrimento e o inferno. Simplesmente mude o objeto, e a sua vida se torna um paraíso.

Osho, em "Vida, Amor e Riso"



Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/2013/08/


Como você pode saber se alguém realmente lhe ama?

 
Existem três camadas no indivíduo humano: sua fisiologia, o corpo; sua psicologia, a mente; e seu ser, seu eu eterno. Amor pode existir em todos os três planos, mas suas qualidades serão diferentes.

No plano da fisiologia, do corpo, é simples sexualidade. Você pode chamar isso de amor, porque a palavra 'amor' parece ser poética, bela. Mas noventa e nove por cento das pessoas estão chamando o sexo delas de amor. Sexo é biológico, psicológico. Sua química, seus hormônios – tudo que é material está envolvido nisso.

Você se apaixona por um homem ou por uma mulher. Você pode descrever exatamente porque essa mulher lhe atraiu? Certamente você não pode ver o eu dela, você ainda nem viu seu próprio eu. Você também não pode ver a psicologia dela, porque para ler a mente de alguém não é uma tarefa fácil. Então o que é que você viu nessa mulher?

Alguma coisa na sua fisiologia, na sua química, nos seus hormônios, se sente atraído pelos hormônios, pela fisiologia, pela química da mulher. Isso não é um caso de amor; isso é um caso químico. Pense bem: a mulher por quem você se apaixonou vai ao médico, muda de sexo, deixa a barba e o bigode crescerem. Você ainda fica apaixonado por ela? Nada mudou, somente a química, os hormônios. Para onde foi seu amor?

Somente um por cento das pessoas conhece um pouco mais profundamente. Poetas, pintores, músicos, dançarinos, cantores têm uma sensibilidade que faz com que eles possam sentir além do corpo. Eles podem sentir as belezas da mente, as sensibilidades do coração, porque eles próprios vivem nesse plano.
Lembre-se que isso é uma regra básica: onde quer que você viva, você não pode ver além disso. Se você vive no seu corpo, se você pensar que é somente seu corpo, você só pode ser atraído pelo corpo de alguém. Esse é o estágio fisiológico do amor.

Porém, um músico, um poeta, vivem num plano diferente. Ele não pensa, ele sente. E devido a que ele vive no coração dele, ele pode sentir o coração de outra pessoa. Isso é geralmente chamado de amor. Isso é raro. Estou dizendo talvez somente um por cento, de vez em quando.

Por que muitos não estão se movendo para o segundo plano se este é tremendamente belo? Mas há um problema: qualquer coisa muito bonita é também muito delicada. Não é um objeto duro, é feito de vidro muito frágil. E uma vez que um espelho cai e se quebra, então não há como reuni-lo novamente.

As pessoas temem se envolverem muito e alcançar as delicadas camadas do amor, porque nesse estágio o amor é tremendamente belo mas também tremendamente mutante.

Sentimentos não são pedras, são como rosas. É melhor ter uma rosa de plástico, porque ela estará sempre lá e todo dia você pode banhá-la e ela estará fresca. Você pode colocar algum perfume francês nela. Se a cor dela desaparecer você pode pintá-la novamente. Plástico é uma das coisas mais indestrutíveis no mundo. Ela é estável, permanente; assim as pessoas param no fisiológico. É superficial, mas é estável.

Poetas e artistas são conhecidos por se apaixonarem todos os dias. O amor deles é como uma rosa. Enquanto está presente ela é tão perfumada, tão viva, dançando ao vento, na chuva, no sol, declarando suas belezas. Mas à noite ela se vai, e você não pode fazer nada para impedir isso.
O mais profundo amor do coração é somente como uma brisa que chega no seu quarto, traz sua frescura, serenidade, e então se vai. Você não pode segurar o vento em suas mãos. Bem poucas pessoas são tão corajosas para viver de momento a momento, uma vida mutante. Daí, elas decidirem se entregarem a um amor do qual elas possam depender.

Eu não sei que tipo de amor você conhece – muito provavelmente o primeiro tipo, talvez, o segundo tipo. E você teme que se você alcançar seu ser, o que acontecerá ao seu amor? Certamente ele se vai – mas você não será um perdedor. Um novo tipo de amor irá surgir o qual, talvez, só acontece a uma pessoa em milhões. Esse amor só pode ser chamado de amorosidade.

O primeiro amor deve ser chamado de sexo. O segundo amor deve ser chamado de amor. O terceiro deve ser chamado de amorosidade – uma qualidade, não direcionada – não possessiva e que não permite ninguém mais lhe possuir. Essa qualidade amorosa é uma revolução tão radical que mesmo concebê-la é muito difícil.

Jornalistas têm me perguntado: "Por que tem tantas mulheres aqui?". Obviamente, a questão é relevante, e eles ficam chocados quando lhes respondo. Eles não estavam preparados para a resposta. Eu disse a eles: "Sou um homem". Eles olharam para mim, incrédulos.

Eu disse: "É natural que muito mais mulheres estejam aqui, pela simples razão de que tudo que elas conheceram na vida delas foi sexo, ou em raros casos, talvez alguns momentos de amor. Mas elas nunca chegaram a conhecer o sabor da amorosidade". Eu disse para esses jornalistas: "Mesmo os homens que vocês vêem aqui desenvolveram muitas qualidades femininas neles que estavam reprimidas pela sociedade exterior".

Desde o princípio é dito a um menino: "Você é um menino, não uma menina. Comporte-se como um menino! Lágrimas caem bem numa menina, mas não para você. Seja macho". Assim todo menino vai eliminando suas qualidades femininas. E tudo que é belo é feminino.Então finalmente o que resta é somente um animal selvagem. Toda a função dele é reproduzir filhos.
A menina não é permitida ter qualquer coisa com qualidades masculinas. Se ela quiser subir numa árvore ela será impedida imediatamente: "Isso é para meninos, não para meninas!" Estranho! Se a menina possui o desejo de subir na árvore, isso é prova suficiente para ela ter permissão.

Todas as sociedades criaram roupas diferentes para os homens e para as mulheres. Isso não está certo; porque todo homem é também uma mulher. Ele veio de duas fontes: o pai e a mãe. Ambos contribuíram para seu ser. E toda mulher é também um homem. Nós destruímos ambos.

A mulher perdeu toda a coragem, aventura, raciocínio, lógica, porque essas são tidas como qualidades masculinas. E o homem perdeu a graça, sensibilidade, delicadeza. Ambos se tornaram metades. Esse é um dos maiores problemas que temos que resolver – pelo menos para nosso povo.

Meus sannyasins precisam ser ambos: metade homem, metade mulher. Isso os tornará mais ricos. Eles irão ter todas as qualidades que estão disponíveis aos seres humanos, não apenas a metade.

No nível do ser, você simplesmente tem uma fragrância de amorosidade.

Os jornalistas me perguntaram: "Você ama Sheela?". Eu disse: "É claro. Mas eu amo tantas mulheres que nem mesmo sei o nome delas. E não somente mulheres – amo tantos homens, porque eles também são metade mulher". Em um milhão de sannyasins ao redor do mundo, eu não posso apontar para uma só pessoa e dizer: "Essa é a pessoa que amo".

Só posso dizer: "Eu amo". Quem quer que esteja pronto para receber meu amor... está disponível. Então não tenham receio.
Seu medo está certo: o que você tem como amor irá embora, mas o que virá no lugar é imenso, infinito. Você será capaz de amar sem ficar apegado. Você será capaz de amar muitas pessoas porque amar uma pessoa só é manter a si mesmo pobre. Uma pessoa pode dar uma certa experiência de amor, mas amar muitas pessoas...

Você ficará surpreso que cada pessoa lhe dá um novo sentimento, uma nova canção, um novo êxtase. Consequentemente, sou contra o casamento. Na minha visão, casamentos na comuna devem ser dissolvidos. Pessoas podem viver juntas por toda a vida se quiserem, mas isso não é uma necessidade legal.

Pessoas devem se movimentar, ter tantas experiências de amor quanto possível. Não devem ser possessivos. Possessividade destrói o amor. E eles não devem ser possessivos porque isso novamente destrói ser amor.

Todos os seres humanos são dignos de serem amados. Não há nenhuma necessidade de ficar acorrentado a uma pessoa por toda sua vida. Essa é uma das razões do porquê todas as pessoas ao redor do mundo parecem tão entediadas.

Porque elas não podem sorrir como você? Porque elas não podem dançar como você? Elas estão acorrentadas com correntes invisíveis: casamento, família, marido, esposa, filhos. Elas estão sobrecarregadas com todo tipo de deveres, responsabilidades, sacrifícios. E você quer que eles sorriam e dancem e se alegrem? Você está pedindo o impossível.

Torne o amor das pessoas livre, torne as pessoas não-possessivas. Mas isso só pode acontecer se na sua meditação você descobrir o seu ser. Não é nada para se praticar. Não estou lhes dizendo: "Hoje à noite você procure uma outra mulher apenas para praticar". Você não irá conseguir coisa alguma e você pode perder sua esposa. E pela manhã você vai parecer tolo.
Isso não é uma questão de praticar, é uma questão de descobrir o seu ser. A qualidade da amorosidade impessoal segue a descoberta de seu ser. Assim você simplesmente ama.

E isso vai se espalhando. Primeiro, nos seres humanos, depois nos animais, pássaros, árvores, montanhas, estrelas. Um dia chega quando todo esse universo é seu amado. Esse é o nosso potencial. E qualquer um que não estiver realizando isso está desperdiçando sua vida.

Sim, você terá que perder algumas coisas, mas são coisas sem valor. Você estará ganhando tanto que você nunca pensará novamente no que você perdeu. Uma pura amorosidade impessoal que possa penetrar no ser de qualquer um – esse é o resultado da meditação, do silêncio, do mergulhar profundo dentro de seu próprio ser. Estou simplesmente tentando lhe persuadir. Não tenha medo de perder o que você tem.

Osho, em "Death to Deathlessness"
Fonte:
Osho.com
Imagem por onesevenone


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